BORBOLETA MEXICANA QUE CONVIVEU COM DINOSSAUROS CORRE RISCO. (Comentado)

Agricultura, desmatamento e poluição ameaçam espécie mais antiga. Governo estuda criar área de reserva ecológica para proteger espécie.

Foto mostra borboleta da espécie 'Baronia brevicornis', em risco de distinção. (Foto; AFP Photo)

Foto mostra borboleta da espécie ‘Baronia brevicornis’, em risco de distinção. (Foto; AFP Photo)

Uma equipe de cientistas mexicanos e franceses alerta para o risco de extinção da borboleta Baronia brevicornis, uma espécie do centro do México que conviveu com os dinossauros há 70 milhões de anos e talvez seja a mais antiga do mundo.

A borboleta, uma ‘Papilionidae’ marrom com toques amarelos e alaranjados que pode ser encontrada apenas na Serra de Huautla, está sob ameaça de extinção por causa da agricultura, do desmatamento e da poluição, advertiram os especialistas neste fim de semana durante o fórum Green Solutions 2013.

Pesquisadores da Universidade Autônoma do Estado de Morelos (UAEM), com apoio da Universidade de Toulouse, na França, investigam há cerca de cinco anos esse pequeno inseto, 1.500 vezes mais antigo do que o ser humano. Segundo as conclusões do estudo, a ‘Baronia’ é ‘um fóssil vivo que existe apenas no México e é a borboleta mais antiga já encontrada no mundo’.

O pesquisador francês Luc Legal garante que ‘apenas em duas regiões do mundo as borboletas conseguiram se preservar frente à época glacial: em uma região da China e em Morelos’.

O governo de Morelos promove, junto com os estados de Guerrero e Puebla, a criação de uma área de reserva ecológica de 180 mil hectares que, além de proteger a ‘Baronia’, implicará a conservação de outras espécies de fauna e flora da reserva da Serra de Huautla.

Fonte: G1

Comentários do autor

Nem todo fóssil vivo deve ser considerado uma espécie de pouca abundância ou isolada em ambiente remoto. Este termo não é cientificamente aceito, porque não tem utilidade alguma. O que ele representa é um animal que conserva características primitivas, antigas a linhagem da qual derivou.

A espécie Baronia brevicornis“ é considerada como um “fóssil vivo exatamente por isto, porque ela descende de uma linhagem antiga, com uma taxa extremamente baixa de diversificação.

Praepapilio

Praepapilio

A subfamília Baroniinae é representada por o único representante, Baronia brevicornis e são únicos da família a usar o Fabaceae (Leguminosae) como plantas hospedeiras de suas larvas.

Os Baronninae e os extintos Praepapilio compartilham muitas semelhanças externas e são tradicionalmente consideradas as famílias mais primitivas e inclusive irmãs representando os ancestrais do grupo de acordo com uma análise de 103 caracteres morfológicos de 59 borboletas e 19 espécies de mariposas.  Usando uma análise de máxima verossimilhança de dados de sequência de DNA, um estudo associou as tribos Papilionini e Troidini como o grupo associado ao resto dos Papilionidae.

Uma análise filogenética de caracteres morfológicos tem apoiado a  Parnassiinae como monofilética. Um novo estudo filogenético da subfamilia Parnassiinae com base em DNAmit e dois genes nucleares, bem como 236 características morfológicas também apresentou indícios de origem monófiletica com três tribos fortemente suportadas no interior da subfamília. Este estudo também sugere que Praepapilio é irmã só para Papilionini e Baronia é irmã só para Parnassiinae, e provavelmente nenhum dos dois são irmãos para todas borboletas Papilionidae.

Filogenia

Até pouco tempo havia um consenso geral de que Baroniinae (com a única espécie Baronia brevicornis) era irmã do resto dos Papilionidae ou com o Parnassiinae irmão de Baroniinae ou e para restante dos Papilioninae. No entanto, uma filogenia apresentada por Nazari em 2007 chegou a uma conclusão diferente, com uma divisão basal entre “Graphiinae” e os restantes Papilionidae, e ao lado uma divisão entre Papilioninae e Baronia + Parnassiinae, com Baroniairmão de Parnassiinae. Uma nova abordagem foi feita e mostrou Baronia no ramo mais antigo da linhagem papilionidea ou se originou após Graphiinae e Papilioninae se separarem a cerca de 70 milhões de anos.

 

Scritto da Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Papilionidae, Baronia brevicornis, Mexico, Evolução, Filogenia.

.

Referências:

* Vazrick Nazari, Evgueni V. Zakharov1, Felix A.H. Sperlin. Phylogeny, historical biogeography, and taxonomic ranking of Parnassiinae (Lepidoptera, Papilionidae) based on morphology and seven genes. Molecular Phylogenetics and Evolution. Volume 42, Issue 1, January 2007, Pages 131–156.
* Josiane Auberta, b, 1, Luc Legala, 1, Henri Descimonb, François Michel. Molecular Phylogeny of Swallowtail Butterflies of the Tribe Papilionini (Papilionidae, Lepidoptera). Molecular Phylogenetics and Evolution Volume 12, Issue 2, July 1999, Pages 156–167. 
* Miller, James Stuart. Phylogenetic studies in the Papilioninae (Lepidoptera, Papilionidae). Bulletin of the AMNH ; v. 186, article 4.
* Nazari, V., Zakharov, E.V., Sperling, F.A.H., 2007. Phylogeny, historical biogeography, and taxonomic ranking of Parnassiinae (Lepidoptera, Papilionidae) based on morphology and seven genes. Molecular Phylogenetics and Evolution, 42: 131-156.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s