INGENIEUR IST TOT

Negar a evolução não é refuta-la, assim como afirmar que um designer existe não é uma prova. Nietzsche em crepúsculo dos ídolos cita apenas uma coisa sobre Darwin, que suas ideias eram apenas afirmadas e não confirmadas.

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Hoje, nós temos uma quantidade considerável de evidências em diversas disciplinas que contemplam a biologia evolutiva e que confere um paradigma consolidado com elegância epistemológica. A evolução darwiniana passou por sínteses e vem sendo consolidada cada vez mais por diversas disciplinas. Em meio acadêmico Darwin goza saúde. A evolução biológica continua sendo aplicada em conceitos de engenharia genética, agricultura, medicina, psicologia e tantas outras.

Se pensarmos que Nietzsche filosofava com um martelo, especialmente com seu criticismo voltado para a moralidade no cristianismo, podemos fazer a mesma afirmação em relação a esta máscara do cristianismo chamada Designer inteligente, que tem sido muito afirmado, mas não comprovado ou mesmo aceito como ciência. Got ist tot não pode ser visto como um argumento ao ateísmo como muitas pessoas tem apelado. Deus pode estar morto, mas seus seguidores estão vivos e Deus, bem, ele só tem perdido espaço para outros acervos de conhecimento. O Designer inteligente é natimorto, um embrião que não vingou devido ao peso das evidências e sua incompetência em se estabelecer como metodologia científica falseavel.

O termo Designer Inteligente hoje é usado não como fruto de discussões filosóficas, nem de hipóteses científicas, tão pouco como resposta a questionamentos sobre ciência. O conceito de Designer inteligente se apresenta hoje somente como uma tentativa desalenta de imposição de um livro religioso cristão “Of pandas and people “ (sobre pandas e pessoas), foi proibido nas escolas públicas dos EUA por ferir a laicidade do estado. Os seus editores mudaram nas edições seguintes o termo “Deus” para “designer inteligente”. O conceito nasce de fundamentalistas que tentaram burlar a lei com uma mascara pseudo-científica que não funcionou antes, e continua a não funcionar.

O conceito de designer inteligente vem minando o cristianismo de interpretações fundamentalistas descontextualizadas respaldadas pela pseudo-ciência e políticas ultraconservadoras. Isso se assemelha por demais ao que Nietzsche quis dizer com a idéia de que Deus estava morto.

Da mesma forma com que a racionalidade socrática havia matado os deuses gregos, a racionalidade humana havia matado Deus. Isso quer dizer que não havia mais campo para a divisão entre o mundo das ideias e o mundo sensível, sendo assim Gott ist tot (Deus está morto). Mas para Nietzsche, Deus não simboliza unicamente uma deidade, ele simboliza também a morte de todos os valores ditos elevados que herdamos, foi isso que ele propôs com a “ Transvaloração dos valores”, que foi uma nova abordagem de como questionar todas as formas convencionais de pensar sobre ética e os sentidos que podemos dar a vida.

Para Nietzsche, pouco importa se Deus existe ou não, o que ele propõem, é que a influência da religião em nossas vidas é cada vez menor. A igreja, os mitos, as ideias transcendentes, os ritos, a moral por trás da teologia, especialmente a monoteísta, tudo isso está sendo perdido. As pessoas vem perdendo o medo de Deus, ele se tornou fraco. A submissão a Deus esta sendo perdida e a humanidade não liga mais para as datas religiosas, elas perderam seu significado. O que é mais do que natural em nosso momento histórico. Os grupos religiosos asseguram a validade do cristianismo, se sentem desrespeitados caso críticas sejam erguidas a respeito da validade e moralidade do cristianismo, mas em datas de grande simbolismo de sua religião o significado é perdido, não há qualquer exercícios espiritual em momentos em que deveria ser de reflexão ou comunhão co aquilo que durante todo o ano foi pregado. A idolatria ao Deus cristão é substituída por uma mercantilização da fé. Deus vem perdendo o significado especialmente dentro de seu próprio grupo religioso, com a desisntitucionalização da crença especialmente.

Deus está morto como uma verdade eterna, como alguém que controla e conduz o mundo a sua vontade, ou como um ser bondoso que justifica os acontecimentos da vida humana. A secularização da civilização moderna inclusive deixa isto cada vez mais evidente. Deus está morto como um grande ditador divino que exige obediência de seus servos. Ele já não é uma questão importante para se considerar. Todo idealismo e platonismo estão se perdendo.

Essa constatação de Nietzsche, para sua época elevou o pensamento de que a influência de deus se tornou cada vez menor e dispensável.

Para Nietzsche, Deus estaria morto também na Grécia Para ele, na Grécia antiga, existia uma estreita ligação entre homens, deuses que permitia igualmente uma profunda união com a natureza, proporcionando uma vida harmoniosa e equilibrada, graças a Dionísio e Apolo. Porém, com a dialética socrática, ocorreu um distanciamento em algum ponto da história grega, que acabou por causar o que Nietzsche chamaria de decadência do modo de viver grego.

O conceito de Designer inteligente emerge exatamente na mesma miríade que a Grécia seguiu, mas pela perda da ligação entre a fé e a crença no deus cristão. É o pensamento neo-criacionista baseado não na fé como mecanismo fundamental a crença em Deus, mas de em um cristianismo “pseudo-cientificista”. É esta necessidade obsessiva de se concluir empiricamente a existência ou as experiências divinas em Deus que faz com que o conceito de Designer seja natimorto. Ele emerge como uma arma fundamentalista de um grupo religioso mascarando suas reais intenções, minando a fé cristã co interpretação anti-cristãs lateralizando a fé, ou seja, tirando ela do eixo central da crença em Deus. Essa proposta, uma máscara para o cristianismo impõem um conceito pseudo-científico que se traveste de ciência e mina o pilar do cristianismo, elevando o cristianismo a uma crença genérica. Ora, a bíblia não é um livro cientifico, e muitos cristãos reconhecem isto.

Galileu, a mais de 500 anos já descrevia que a ciência explica o que é o céu enquanto a religião ensina como ganhar o reino dos céus no exercício da moralidade religiosa.

Ao tentar propor uma explicação cientificista, o defensor do conceito de Designer inteligente promove o que se chama de pseudo-ciência. Isto porque sua concepção não caminha pelos trilhos da metodologia científica e falseamento e ao mesmo tempo não percorre o caminho para crença em Deus baseado na fé.

A ciência é incompetente e incapaz de fomentar qualquer justificativa científica a favor da existência de Deus, bem como de sua inexistência. Sua metodologia empírica, baseada em mensurações pode somente se limitar a processo observáveis e passivos de serem refutados por propostas científicas melhores. Diversas entidades científicas. e as melhores Universidades do mundo rejeitam qualquer argumentação criacionista ou de designer inteligente por entender que se trata de uma explicação genérica e não cientificamente testável. Ao mesmo tempo, a crença em Deus baseada na necessidade de provar experimentalmente que Ele existe não segue uma premissa teológica cristã, pois a constatação da existência de Deus é dada pela fé. A tentativa de associar experimentação e existência de Deus reflete um desalento em reforçar uma fé abalada e incertezas a respeito de crenças pessoais, da crença em Deus, que pode ser reflexo da perda da influência que a religião e Deus tem tido em nossas vidas. A partir do momento em que explicações para fenômenos vão sendo oferecidas por sistemas de construção de conhecimentos alternativos, a secularização da sociedade, a desistitucionalização da crença, o desespero tem levado grupos radicais, associados a políticas de extrema direita ligadas ao a recorrer a alternativas descontextualizadas e criação de facções cuja perda do poder é ameaçada. Essa visão recalcada, ou seja, o medo da perda do poder pela contestação ou pela exposição das reais intenções de grupos fundamentalistas tem demonstrado o conceito de designer inteligente e criacionismo biblicista se ligando a concepções idelógico-políticas, é o que hoje se chama de neo-criacionista. Não se discute mais Willian Paley, ou a concepção de relojoeiro, se mina o desenvolvimento do criticismo com sofismas como marxismo cultural, ou mesmo com jargões do tipo naturalismo filosófico, ou reducionismo, alegando que ser da oposição é ser comunista. Note que a critica se volta para modelos ideológicos e não mais científicos.

Ao tentar associar a necessidade empírica de se demonstrar que Deus existe, ocorre a substituição da fé como razão de sua crença e estabelece não mais a base do cristianismo como motivo de crença, mas sim o fundamentalismo religioso.

O conceito de designer inteligente hoje é considerado pelo ambiente acadêmico (inclusive universidade protestantes americanas) como uma ideia relacionada a grupos religiosos que fere a I Emenda americana; não cumpre epistemologicamente o conceito e as definições metodológicas de ciência; sendo assim carece de produção científica, não oferece uma definição concerta a respeito da natureza e intenção do criador em relação á criação e como isso poderia ser constatado metodologicamente; carece de definições básicas a respeito de sua natureza onisciente, ou não; reflete um posicionamento ideológico-político geralmente associado á bancada ultra-conservadora e de extrema direita em um saber americanizado descontextualizando-se com a realidade social de nosso país. Atualmente, é possível que o conceito de criacionismo e designer inteligente tenha um papel muito mais sociológico do que cientifico, especialmente no estudo do fundamentalismo religioso e não um fenômeno científico ou sobre a filosofia da ciência. Ao perder essa ligação com o cristianismo, a respeito de sua essência baseada na fé como mecanismo satisfatório e condicionante a crença em Deus, a ideologia do designer inteligente e do Neo-criacionismo tende a perder a apoio dos cristãos. Sendo assim, surge como um mecanismo ideológico morto, natimorto. Ele somente existe pontualmente, em grupos radicais.  Essa individualização é fundamental ressaltar.

Ao que parece, o melhor termo hoje usado para caracterizar tal ideologia segundoa visão nietzcheniana é Ingenieur ist tot (designer, ou engenheiro esta morto)

Ao lado do neo-criacionismo, o conceito de designer inteligente se apresenta hoje como uma das maiores crises do cristianismo, uma crise moral, de caráter, do uso do nome do Deus cristão em vão para justificar atividades políticas, preconceitos e alegações ideológicas. O cristão deveria se manifestar contra esta interpretação extrema das escrituras sagradas. A ciência é uma criação humana, uma forma de interpretar o mundo, uma associação entre designer inteligente e criacionismo além de promover um conceito anti-científico, promove um conceito anti-cristão em uma aliança com o ímpio na tentativa de usar a ciência como método empírico a prova de Deus. Para o Cristão cuja fé não esta abalada, Deus apenas esta vivo e goza saúde, independente do que o ímpio diz.

Victor Rossetti

Palavras chave: Netnature, Rossetti, Nietzsche, Designer Inteligente, Neo-Criacionismo,  Deus, Religião, Ciência.

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Referências

* Friedich Nietzsche. Crepúsculo dos Ídolos, Editora L&PM POCKET. 2009

* Simone Nardi Grama. A morte dos deuses. Revista de Filosofia.

* Eduardo Rizzatti Salomão. A morte de Deus e a idealização do Homem segundo a ótica Moral de Friedich Nietzsche. Filosofia e Ciências humanas. 02/06/2005

* O Livro da Filosofia. O Homem é ago a ser superado. pág 214. Editora Globo livros. 212

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