CONSTANTES DO UNIVERSO, UMA RESPOSTA NATURAL OPOSTA AO PRINCÍPIO ANTRÓPICO E AO ARGUMENTO DO DESIGN – Parte 2

Occkham

A NAVALHA DE OCCAM A IDEIA DO DESIGNER E A IDEIA DE MULTIVERSO

A hipótese de um sintonizador ou designer, de pronto fere a navalha de Occam. Ou seja, criamos uma entidade para explicar algo, sem nada explicar sobre ela.

A navalha de Occam se trata de uma ferramenta lógica que permite a escolha, da hipótese com menor número de afirmações não demonstradas. Isso facilita a verificação da teoria, e vai no sentido do reducionismo aplicado ao raciocínio científico.

Nem sempre o que é mais fácil é o correto. As explicações devem ser simples, mas não mais simples que o necessário. Temos de obedecer a lei da parcimônia. Assim, entidades não devem ser multiplicadas além do necessário.

O multiverso não se trata de uma violação à lei da parcimônia, pois, ainda que indiretamente ele é verificado. Alguns experimentos da WMAP estão sendo realizados nesse sentido, que se resume na busca de padrões de disco na radiação cósmica de fundo.

Foram encontrados quatro possíveis sinais de colisão com outros universos, quatro formações esféricas no céu que, segundo seus modelos matemáticos, não podem ser atribuídos ao acaso. Porém, estatisticamente esses resultados não foram conclusivos.

Outro ponto que, em tese, favorece a ideia de multiverso, é a ideia de fluxo escuro que faz uma trindade com a matéria escura e a energia escura.

O universo apresenta uma fronteira além da qual nada se pode ver. Não uma barreira física, mas sim uma distância.

Nosso universo tem em torno de 13,7 bilhões de anos e, por estar em expansão, que ao ser considerada, os astrônomos calculam que a última fronteira observável está a aproximadamente 45 bilhões de anos-luz de distância.

O fluxo escuro funda-se no fato de que todos os aglomerados galácticos observados pelos cientistas – quase 800 – parecem estar se dirigindo para um único ponto no céu e a incrível velocidade de 1000 Km/s. Este ponto se localiza entre as constelações de Sagitário e Vela.

O movimento em direção a esse ponto foi denominado de Fluxo Escuro, que se trata de um fluxo de matéria ainda sem causa ou explicação conhecidas.

Kashlinsky e seus colegas defendem que essas evidências são as primeiras informações que indicam a existência de algo além do nosso universo, reforçando a chamada teoria os multiversos, embora a comunidade científica ainda esteja cética quanto ao fato ser uma das bases para esta teoria.

A matéria escura não tem gravidade para causar o movimento observado dos clusters e a energia escura está uniformemente espalhada pelo universo.

Considerações

Dessa forma, pode se concluir que: Há algo que cause o referido movimento (fluxo escuro) dos clusters e este algo está além de nosso universo, o que a impediria de direcionar tamanha quantidade de matéria para apenas um ponto do universo.

Caso todas as teorias atuais sobre a formação do nosso universo estejam corretas, pode-se concluir que algo além deste universo somente poderia ser outro universo.

Todavia, caso estes dados estejam corretos, eles podem levar à conclusão da existência de mais universos e haver possíveis afinações que conduzam à existência de um universo estável e mesmo apto para ter vida, e talvez até vida inteligente.

Claro que matematicamente, temos uma evidenciação indireta do multiverso e, criá-las por criar como uma saída “a leão da montanha” de pronto violaria à navalha de Occam.

Todavia, a comunidade científica tem levado à sério essa ideia e têm buscado evidências para ela.  Óbvio que se atribuíssem de pronto aos fenômenos supracitados tendo como causa o multiverso, sem trazer qualquer evidência à baila seria um argumento da ignorância.

Somente sabemos que existe algo fora das fronteiras de nosso universo que causam coisas estranhas. O que é? Não sabemos.

Mas é concorde com o que a inflação, inflação caótica e Teoria-M propõem. Universos podem ser formados em bolhas, assumem a forma de D-branas que podem se chocar entre si e influenciar na radiação de fundo, o que pode ser uma explicação para o movimento de clusters no espaço em uma determinada direção.

Não teria nem como ser um buraco negro supermassivo, pois a força que arrasta esses clusters vem de fora de nosso universo. Nem mesmo poderia ser a energia escura de expansão do universo, pois se fosse ela essa observação guardaria certa uniformidade para onde a gente olhasse.

A explicação é que deve ter alguma coisa com gravidade ou força semelhante à gravitacional atraindo certa quantidade de matéria para determinada região além da qual não podemos ver.

O mais plausível seria haver ali alguma coisa com as dimensões de nosso universo, ou seja, podia ser até mesmo outro universo.

A COSMO-VISÃO DO DESIGN INTELIGENTE

Ao observarmos a natureza, muitas vezes somos induzidos a acreditar que as estruturas possuem um projeto tal como ocorre com produtos feitos pelos seres humanos, única forma de vida inteligente que conhecemos até o momento em que este artigo foi produzido.

Ainda que indiretamente apontar para um projeto inteligente, isso se trata de uma cosmovisão subjetica, que não possui respaldo científico.

Ciência não se constrói com cosmovisões, mas com fatos. Não adianta dizer que do fundo do coração temos a certeza de que tudo indica que há um projeto inteligente. Essa argumentação é completamente falha e isso pode ser demonstrado por meio de circunstâncias fáticas.

Qual projeto inteligente que haveria no universo?

Meteoros e cometas a solta por ai, planetas como Jupiter e Saturno, “tirando um braço de ferro”, que fez Urano e Netuno mudarem de posição e que um dia fará Mercúrio bater na Terra; nossa Lua se afastando daqui o que enlouquecerá o planeta, nosso Sol em crescente entropia, explosões de supernovas que poderiam acabar com a vida por aqui como parece que já ocorreu após a “explosão cambriana”, radiação extrema no espaço, planetas que fariam inveja à Tatoine (Star wars) e crematória (Batalha de Riddick), mundos onde a água é mais dura que aço, anãs marrons onde chove ferro derretido, dentre outros lugares muito agradáveis como sistemas binários ou ternários que enlouquecem as órbitas de planetas.

Sem falar na entropia que está degradando a energia do universo instante a instante com o aumento da entropia posicional.

Um projeto inteligente feito por um ser todo poderoso, criaria constantes de modo a que escombros não se formassem nas periferias dos sistemas solares e nem no interior dele como é o caso do cinturão de asteróides que parece estar dentro do limite de Roche para Júpiter e é um potencial risco para a vida na Terra e que tampouco gerasse os problemas violentos que assolam o universo.

Mesmo aqui na Terra o princípio antrópico falha magistralmente. Pense em Yellowstone, Toba, Campi Flegrei, Anak Krakatau e Pinatubo. Melhor, pense no círculo de fogo e no que ele pode fazer. Veja sobre Tailandia e ilhas Phi-Phi (tsunami).

Creio que um ser todo poderoso (ou um designer) teria o poder de fazer tudo bem mais tranquilo do que é… Ou então é um péssimo designer.

Com isso, claramente vemos que principio antrópico é uma tremenda falácia da poça de água, mesclada a um argumento da ignorância e a uma brincadeira de avestruz, pois seus proponentes escondem as mazelas do universo e só veem o lado cor de rosa dele.

Geralmente, a idéia do projetista se esconde em uma lacuna do conhecimento e sua intenção é ser uma proposta default, o que a torna um argumento da ignorância.

Quanto à idéia de princípio antrópico nada mais é que uma falácia da poça de água, pois nem mesmo aqui no planeta Terra temos ambientes propícios ao ser humano.

A vida humana na história do planeta Terra é algo efêmero que os proponentes do principio antrópico ignoram. Nosso planeta tem 4,5 a 4,7 bilhões de anos e não justifica aparecermos aqui nos últimos 200 mil anos e sendo muito otimista considerando os Homo erectus nos últimos 2 milhões de anos.

Uma simples erupção como a de Yellowstone, que seria nada frente á violência do universo acabaria não só com a vida inteligente do planeta, mas possivelmente com quase toda a vida por aqui. Não precisa alterar uma constante do universo apenas.

A água é componente necessário a toda e qualquer forma de vida deste planeta, não só para humanos.

Base carbono é o que conhecemos como vida, não por conta direta da afinação do universo, mas por conta do carbono ser uma molécula versátil, fácil de reagir devido às ligações que faz (teoria dos orbitais químicos) e formar compostos bem interessantes como alcanos, alcenos, alcinos e todas as funções orgânicas que se pode imagina.

Existem outros tipos de vida a solta pelo universo?

Não fazemos a menor ideia.

Todavia, de acordo com a argumentação dos proponentes do DI, “O Design concebe falhas, “projetos ruins” podem ser consequência de fatores posteriores ao projeto que definiu tudo”.

Dessa frase podemos extrair que então o projeto e o projetista não são inteligentes. Ora, em engenharia (coisa de relis humanos) um projeto que leva a consequências ruins é abortado.

Ex: Caso crie um projeto de produção lindo maravilhoso e com o passar do tempo ele começa a causar problemas, ou aborto ou o reformulo. Se o projeto apresenta falhas, ele não é inteligente em sua concepção, pois deu margem a erros.

Mas essa temática abordaremos somente mais adiante.

Referências
Stephen M. Feeney,1,* Matthew C. Johnson,2,3,† Daniel J. Mortlock,4,‡ and Hiranya V. Peiris1. First Observational Tests of Eternal Inflation.  American Physical Society. 2011

J. D. MCEWEN, S. M. FEENEY, M. C. JOHNSON, H. V. PEIRIS. DETECTING CANDIDATE COSMIC BUBBLE COLLISIONS WITH OPTIMAL FILTERS . Department of Physics and Astronomy, University College London. 2012

A. Kashlinsky, F. Atrio-Barandela, D. Kocevski, H. Ebeling. A measurement of large-scale peculiar velocities of clusters of galaxies: results and cosmological implications. 1SSAI and Observational Cosmology Laboratory. 2008

 

Escrito especialmente por Elyson Scafati

One thought on “CONSTANTES DO UNIVERSO, UMA RESPOSTA NATURAL OPOSTA AO PRINCÍPIO ANTRÓPICO E AO ARGUMENTO DO DESIGN – Parte 2

  1. Como não se menciona “autor”, admite-se que o texto seja de autoria do Rossetti. E trata completamente de filosofias.

    Primeiro a questão da tal “navavalha”.

    É preciso ‘retornar’ à história para entender melhor. O que está exposto são os novos “filósofos do reducionismo científico”, que adaptou a coisa, tentando mostrar o dogma de fé da “lógica da inteligência humana”, que nem Newton e nem Déscartes, nem mesmo os Gregos e Cristo ou Okhan algum realmente disseram. Newton e outros apenas “mostraram” que onde o Universo pode ser reduzido a ‘teoremas e contas matemáticas”, é mais fácil entendê-lo. O dogma de fé do reducionismos científico é dos “reducionistas”. O Mundo já existia muito antes da matemática, que é apenas um “artifício mental” do homem primeiro “Adâmico, e depois “científico” passando antes pelo “religioso” ou “leitor e escrevente”. É a história.
    A civilização ocidental começou nos Egípcios e Mesopotâmeos, seguiu pelos gregos e “hebreus”, e de fato se originou no “Império Romano”, cuja falência deu lugar ao Império de Carlos Magno, também católico como o romano no “final de vida”.
    Aí começa o “feudalismo europeu” sob o comando da Igreja Católica, exatamente por volta do séc. X. Tudo parecia ir bem, mas aconteceu um “revertério” dentro da própria igreja, através de “novas filosofias”, onde se inseren o tal Occam ou Okhan, um frade católico e outros “religiosos”. Sua filosofia com outras de Tomas de Aquino etc,, traziam “mudanças” filosóficas no clero, que chamamos hoje de “mais lógicas e menos misticas”. A tal navalha foi de fato um “modelo” de lógica racional no trato de assuntos tipicamente filosóficos. Era de fato uma “Reforma na Igreja”.

    A coisa não deu certo por várias questões, mas duas parecem mais importantes, e constituíram “tempos difíceis” no feudalismo Papal.
    Uma grande peste (a negra) na época dizimou praticamente metade da população urbana da Europa e grande parte da rural. Isso redundou em grande exploração das elites sobre o povão, principalmente rural, e ocasionou revoltas.
    A única coisa que a Igreja queria eram revoltas, porque havia suas próprias no “estômago”.
    Além disso o sistema feudal colocou as “forças armadas ou exércitos”, pulverizados entre os “feudos”, que quando não havia guerras, se criavam lutas internas “só para manter o treino”.
    O Papa ficou na situação de enfrentar revoltas, sem ter “armas”, e daí nasceu o “conceito de absolutismo dos reis”, e que redundo no que hoje chamamos de “nação”, talvez a maior contribuição que o feudalismo deixou à humanidade.

    Resolvidas as revoluções, alguns séculos depois estouraram de novo as Reformas”, desta vez “protestantes”, que culminaram com o fim da Idade Média, ainda que o feudalismo administrativo continue “mandando bala” nos governos até hoje.

    Daí emergiu o capitalismo, que permitiu o “surgimento” da ciência como conhecemos hoje, e também as várias “correntes filosóficas”, que focadas nas respectivas divergências, ainda discutem filosofias dos gregos e dos “cristãos” da Idade Média.

    Como a questão é meramente filosófica, não preciso entrar nos detalhes mais “práticos” do texto, que continua equivocado por premissas filosóficas de ponto de partida. Essa é a versão “reducionista” da tal Navalha de Okhan.

    arioba

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s