REVISTA “STATISTICAL SCIENCE” PÚBLICA REFUTAÇÃO SOBRE CÓDIGOS BÍBLICOS. (Comentado)

hebraico

O único artigo publicado em uma revista científica tinha como objetivo encontrar evidências para a realidade dos Códigos da Bíblia, é o artigo; Equidistant Letter Sequences in the Book of Genesis, by Doron Witztum, Eliyahu Rips, and Yoav Rosenberg (WRR), Statistical Science, Vol. 9 (1994) 429-438.

Agora estamos felizes em anunciar que, após uma revisão feita por quatro estatísticos sêniores escolhidos pela revista Statistical Science publicou uma refutação completa: Vol. 14 (1999) 150-173.

O novo paper resolve o enigma do Código da Bíblia, por Brendan McKay, Dror Bar- Natan, Maya Bar- Hillel, e Gil Kalai. Aqui está o resumo:

O paper de Witztum, Rips e Rosenberg nesta revista em 1994 fez a afirmação extraordinária de que o texto hebraico do Livro de Gênesis codifica eventos que não ocorreram milênios depois do momento em que o texto foi escrito. Em resposta, argumentamos que a argumentação de Witztum, Rips e Rosenberg é fatalmente defeituosa, de fato, seus resultados apenas refletem sobre as escolhas feitas na elaboração de suas experiências e recolheram dados para elas. Apresentamos provas em apoio a sua conclusão. Também relatamos muitas novas experiências de nossa autoria, os quais não conseguiram detectar o alegado fenômeno. Esta página apresenta o papel e alguns recursos auxiliares.

– O novo paper

Ele pode ser baixado em formato PDF ou aqui. [Copyright (1999), O Instituto de Estatística Matemática . Cópia limitada para uso pessoal permitido.]

– Press Release

A publicação do documento foi acompanhada por um comunicado de imprensa da a revista, o Instituto de Estatística Matemática. Ele inclui a introdução ao artigo escrita pelo editor executivo da ciência estatística no momento que o papel de Witztum et al. foi publicado, Robert Kass. Leia-o aqui.

– Sobre os autores

Uma breve biografia dos autores é aqui.

– Dados

Devido às limitações de espaço, o jornal se refere a vários experimentos sem apresentar os dados deles, mas que estão apresentados aqui.

– Citações

Devido à natureza volátil das páginas da web e links que tendem a mudar ou desaparecer, preservamos aqui muitos dos documentos na web referidos pelo jornal, na forma que eles estavam no momento da aceitação do papel. Também oferecem exames de alguns documentos menos acessíveis.

Errata

Alguns erros de digitação foram encontrados.

– Discussão

Neste lugar vamos referenciar críticas graves de nosso trabalho, e por vezes comentar sobre elas. Os leitores devem estar cientes que o nosso papel não é uma jogada de abertura, mas um resumo de anos de investigação, que incluiu extensos debates com Witztum e Rips. Não se sinta obrigado a responder a todos os trocadilhos, especialmente para aqueles já respondidos em nosso papel.

* “A Refutação refutada” de Witztum refere às denominações que descobrimos que executam fortemente em Guerra e Paz de Tolstoy. Ele é completamente refutada aqui. Em dezembro 2000 Witztum publicou o que ele chamou de a “refutação completa”, mas alguns dos nossos pontos são sequer mencionados e muito menos refutados. Como um adendo a este triste episódio, fazemos algumas considerações finais que inclui uma prova de que o próprio expert Witztum, Shlomo Havlin não respeitam as “regras” das reivindicações do próprio Witztum se baseia. (Agosto 2001)

* Doron Witztum nos desafiou e aos testes de permutação usadas no papel do WRR. Em resposta, fornecemos para análise detalhada, incluindo exames dos documentos da fonte primária. (Setembro de 1999)

* Em outro paper de Witztum, ele alega que a nossa experiência com o Dr. Simcha Emanuel e o resultado foi indevidamente realizado e na verdade suporta os tais códigos! Em nossa resposta, pegamos Witztum com os dedos na caixa. (Julho de 2001)

* Witztum ainda afirmou refutar nossas observações sobre a sua escolha de formas de escrever datas em hebraico. Nossa resposta mostra que o seu caso é inexistente, uma vez que se baseia em falsos procedimentos ou dados incorretos (Julho de 2001).

* Witztum respondeu nossa análise de variações, argumentando que ela é invalida ou prova algo diferente do que eles reivindicavam. Nossa resposta mostra onde os erros dele ocorrerão, No entanto, continuaram a questionar uma das nossas próprias conclusões anteriores. (Nota: ambos Witztum e nossos trabalhos sobre este assunto requer profundo conhecimento do certos aspectos matemáticos.) ( Março de 2002)

* Witztum escreveu alguns comentários sobre a questão das mudanças no texto da Torá. Ele parece ter abandonado sua abordagem anterior, na qual sua alegação sobre o texto do Koren (Livro de Gênesis)” pode ser invocado”, em favor de argumentos alternativos ad hoc.

Nós não vamos responder a eles. No entanto, para pessoas que estão interessadas neste tema, apresentamos alguns artigos relevantes feitos por estudiosos. (Março de 2002)

* Witztum encontra muito poucos erros na replicação do experimento de Gans, mas corrigi-los ainda deixa um resultado completamente negativo. Duas tentativas de repetição cuidadosas feitas por uma comissão de apoiadores e céticos no assunto. Esses dados foram compilados por peritos independentes, não poderiam encontrar o menor vestígio de códigos. Nós temos um relatório preliminar disponível. (Setembro de 2002).

* Além de esforços de Witztum, as principais respostas ao nosso trabalho foi a “uma cartilha” de Harold Gans. Em resposta, fizemos alguns comentários. (Janeiro de 2003).

Fonte: Australian National University – Reserch School of Engineering and Computer Science

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Comentários Internos

Rabbi Weissman á algumas décadas atrás encontrou supostos padrões de palavras dentro do Pentateuco (5 livros escritos por Moisés). Essas palavras estavam dispostas em padrões equidistantes na versão hebraica da bíblia. Foi então que Doron Witztum, Eliyahu Rips e Yoav Rosenberg (WRR) resolveram estudar estes padrões em Gêneses e emitiram um artigo em 1994 na revista Statistical Science.

Na época, o editor da revista na época comentou:

Quando os autores usaram um teste de aleatorização para verificar o quão raramente os padrões que encontraram poderiam surgir por puro acaso, obtiveram um resultado altamente significativo, com a probabilidade p=0,000016. Nossa comissão julgadora ficou perplexa: suas crenças prévias os faziam achar que o Livro de Gênesis não poderia conter referências significativas a indivíduos dos tempos modernos. Mesmo assim, quando os autores realizaram análises e verificações adicionais, os efeitos persistiram.

Isso quer dizer que, as probabilidades de se obter esses resultados eram de 16 em um milhão, ou, uma em 62.500, ou seja, para os autores WWR “as seqüências de letras equidistantes com significados associados no Livro de Gênesis não se deve ao acaso”. WWR afirmou que a probabilidade de se obter esses resultados por sorte é de uma em 4 milhões.

Harold Gans, ex-criptologista do Departamento de Defesa dos EUA, duplicou o trabalho da equipe israelense e concordou com sua conclusão, embora tenha calculado que a probabilidade seja uma em 5,3 milhões (p=0,00000019). Como prova adicional do significado estatístico de seus resultados, a equipe israelense analisou a versão hebraica do Livro de Isaías e os primeiros 78.064 caracteres de uma tradução hebraica de Guerra e Paz de Tolstoi. Encontraram vários nomes bem próximos a datas de nascimentos e mortes, mas os resultados não eram estatisticamente significativos. (O Livro de Gênesis usado no estudo, a versão Koren, tinha 78.064 caracteres.)

Isso sugeriria duas coisas; 1) que os padrões em Gênesis são intencionais e que Deus é o autor supremo do código. 2) Que se os padrões encontrados em Guerra e paz e o Livro de Isaias são estatisticamente não significativos, então Somente o Velho testamentos seria inspirado divinamente, ou seja, devemos concluir que essas estatísticas confirmam a afirmação de que os judeus são o povo escolhido de Deus. O mais interessante é que os autores do estudo são (estranhamente) coincidentemente judeus.  Alguns cristãos estão afirmando que o Código da Bíblia oferece prova científica da existência de Deus. Se eles estiverem corretos, deveriam se converter ao judaísmo.

O que torna o estudo ainda mais tendencioso é tentar entender porque o código só seria decifrado com o uso de programas estatísticos. Um computador pode mesmo ler a mente de Deus? Na época, a Sociedade Bíblica Alemã se manifestou dizendo “Deus não fala por códigos”. Outro ponto que deve ser considerado é que no hebraico não existem vogais. Isso significa que as sílabas são ambíguas e, além disso, as palavras são mais curtas. Dessa maneira, as chances de se encontrar padrões que sugerem palavras específicas são muito maiores.

Se analisarmos do ponto de vista geral, aparentemente, Deus teria ditado a bíblia em sua linguagem favorita (hebraico), um conjunto de palavras que são mais ou menos inteligíveis se interpretadas ao pé da letra, contendo histórias de criação, dilúvios, fratricídio, guerras, milagres, etc., com várias mensagens morais. Mas esse Deus hebreu escolheu as palavras cuidadosamente, codificando a Bíblia com profecias e mensagens sem absolutamente nenhum valor religioso.

A refutação veio (1999) ao notar que os dados foram ajustados para os testes. Não só identificaram uma fonte desconhecida de flexibilidade (principalmente o fato de que o conjunto disponível de denominações para os famosos códigos de Rabbis foram mais do que duas vezes maior que o conjunto realmente utilizado), e provou-se que essa flexibilidade é suficiente para permitir que resultados semelhantes fossem obtidos em qualquer livro, inclusive em textos seculares. A refutação de Brendam McKay, Dror Bar-Natan, Maia Bar-Hille e Gil Kalai corrobora esta afirmação observando que, quando os muitos parâmetros arbitrários do experimento de WRR são variados, o resultado geralmente é enfraquecido, e também demonstram traços estatísticos e expectativas ingênuas em ensaios de WRR.

Todos os experimentos realizados produziram resultados alinhados com o aleatório. WRR foram muito criticados, especialmente pela metodologia utilizada no estudo, especialmente porque tinha muitas opções estatísticas disponíveis para tentar relacionar dados, nomes e datas.

Outra crítica ao trabalho se refere ao direcionamento do estudo a resultados específicos. Os autores apresentam um “estudo das variações”, em que repetiu as experiências muitas vezes, e cada vez que faz uma ou mais alterações mínimas no método de ensaio, combina mais dados. Os autores da refutação concluem que “só uma pequena fração das variações feitas é consistente e…acreditamos que essas observações são uma forte evidência para o ajuste…”

Os autores apresentam experimentos realizados que mostram que alguns resultados de experimentos feitos por WRR e Harold Gans são “boas demais para ser verdade” Ou seja, alguns dos resultados são estatisticamente improváveis, mesmo que se aceite que a hipótese de WRR seja verdadeira. Os autores dizem que este estudo estava sintonizando dados em direção a um resultado excessivamente idealizado de acordo com as expectativas comuns de pesquisadores. O mais importante foi que os autores da refutação apresentam vários experimentos realizados que tentaram replicar as experiências de WRR. Os autores utilizaram um perito independente para preparar as análises para cada etapa dos experimentos. Eles relatam que os resultados destas tentativas de repetições foram negativos e que a evidência disponível indica que o texto de Gênesis usado por WRR é substancialmente diferente da sua forma original, e que as seqüências de letras eqüidistantes não poderia sobreviver a pequenas alterações experimentais.

Um exemplo disso ocorreu na época em que Witztum foi à televisão israelense e afirmou que havia encontrado os nomes da sub-campos de concentração de Auschwitz próxima à frase “em Auschwitz” no livro de Gêneses. Segundo ele, as probabilidades de que isso ocorresse, segundo ele, são de uma em um milhão. Alguns de seus alunos fizeram os cálculos e afirmaram que Witztum errou por “um fator de 289.149.”

Michael Drosnin e admiradores do “Código da Bíblia”, afirmam que a decodificação do livro leva à descoberta de profecias e verdades profundas de natureza secular, nem todas relacionadas aos judeus. Drosnin alega que a Bíblia é o único texto em que frases codificadas como essas são encontradas num padrão estatisticamente significativo, e que as chances de que isso seja um fenômeno aleatório são poucas.

Usando este método de seqüências de letras equidistantes, ele afirma que o assassinato de Yitzhak Rabin estava predito na Bíblia, bem como os assassinatos de Anwar, dos irmãos Kennedy e que Bill Clinton chegaria a presidência dos EUA. A questão é saber; qual é o valor disso? Ao que interessa Deus nos informar a presidência de Clinton? Absolutamente nenhuma. E de fato, nem todos os estatísticos concordam com a hipótese de Drosnin, inclusive Harold Gans, o criptologista que defendeu WWR. Gans publicou uma declaração a respeito de O Código da Bíblia e diz

O livro declara que os códigos no Torah podem ser usados para prever eventos futuros. Isso é absolutamente infundado. Não há nenhuma base científica ou matemática para uma declaração como essa, e o raciocínio usado para se chegar a tal conclusão é logicamente falho. Embora seja verdadeiro que se demonstrou que alguns eventos históricos estão codificados no Livro de Gênesis em determinadas configurações, é absolutamente uma inverdade que toda configuração similar de palavras “codificadas” necessariamente represente um evento histórico em potencial. Na verdade, o que ocorre é exatamente o oposto: a maioria dessas configurações é bem aleatória e de ocorrência esperável em qualquer texto de tamanho suficiente. O Sr. Drosnin declara que sua “predição” do assassinato do primeiro ministro Rabin é “prova” de que o “Código da Bíblia” pode ser usado para se prever o futuro. Um sucesso isolado, não importa o quão espetacular seja, ou mesmo várias predições “bem sucedidas” desse tipo, não provam absolutamente nada a não ser que sejam formuladas e avaliadas sob condições cuidadosamente controladas. Qualquer cientista de respeito sabe que provas “testemunhais” nunca provam nada.

Ou seja, nem Gans aceita o código como fato, mas como um dado estatístico que pode ser criado. Dr. Eliyahu Rips, um dos autores do estudo fez uma declaração pública a respeito do Código da Bíblia de Drosnin.

Não apoio os trabalhos do Sr. Drosnin, nem as conclusões a que ele chega…. Todas as tentativas de se extrair mensagens dos códigos do Torah, ou de se fazer predições baseadas neles são fúteis e não têm qualquer valor. Essa não é apenas minha opinião pessoal, mas a de todo cientista que já esteve envolvido em pesquisas sérias dos Códigos.

Outras críticas sobre o estudo surgiram depois, como é o caso do professor Menachem Cohen, da Universidade Bar-Ilan que criticou o estudo de WRR dizendo que há várias outras versões em hebraico do Gênesis para as quais as de seqüências de letras equidistantes não produzem resultados estatisticamente significativos. E ainda destaca que as denominações dadas aos Grandes Homens de Israel foram inconsistentes e arbitrárias. Brendan McKay, um dos autores da refutação de 1999, junto com seus colegas fez suas próprias análises de Guerra e Paz, de Tolstoi e apresentou resultados consideravelmente diferentes dos relatados por WRR, ou seja, encontrou de seqüências de letras equidistantes estatisticamente viáveis.

Drosnin e perdeu credibilidade quando disse “Quando os meus críticos encontrarem uma mensagem sobre o assassinato de um primeiro ministro codificado em Moby Dick, eu acreditarei neles.” McKay prontamente apresentou uma análise sequencias de letras equidistantes de Moby Dick predizendo não apenas o assassinato de Indira Ghandi, mas os de Martin Luther King, John F. Kennedy, Abraham Lincoln, e Yitzhak Rabin, assim como a morte de Diana, Princesa de Gales. O matemático David Thomas fez uma análise de sequencia de letras equidistantes de Genesis e encontrou as palavras “code” [código] e “bogus” [falso, fictício] juntas 60 vezes. O que demonstra que os dados apresentados por WWR sugerem apenas acrobacias numéricas.

O que mais encontramos no cotidiano são pessoas que aceitam o Pentateuco como um livro inspirado divinamente, interpreta literalmente o livro de gêneses e acredita em códigos divinos na bíblia. Pessoas profundamente religiosas que não conseguem explicar porque aceitam uma interpretação literalista de Gêneses e metafórica de Apocalipse por exemplo. Quais critérios são utilizados para diferenciar o modo de entender uma passagem bíblica? Ao que parece, a bíblia vem sendo minada por duvidas de como deve ser interpretada em sua leitura, e agora minada por dúvidas estáticas em supostos códigos. Ao que parece, os códigos de gêneses não se restringem exclusivamente a produtos estatísticos, mas o próprio relato de gêneses é obscuro.

Para teólogos, a bíblia é considerada um gênero literário. Gêneses se apresenta como mito de criação judaico-cristão. A crítica literária moderna descreve o livro como um compilado de textos escritos por diversos autores, especialmente da babilônia, assimilando mitos das tradições Sumérias e Ugarit. Os poemas da criação surgem de contos sobre Enuma Elish e Atrahasis e obviamente a influência da Epopéia de Gilgamesh  também está presente no relato do Dilúvio. Por exemplo, Abraão viveu na cidade de Ur, uma cidade de origem Suméria e viveu em um período onde o politeísmo era vigente. É possível que Abraão fosse politeísta e a manifestação sua crença a um Deus específico de um panteão fosse de sua preferência, como fazem alguns devotos atuais de crenças politeístas (A História das Religiões). Não há consenso sobre quando o Gênesis foi escrito, mas alguns anacronismos apontam que sua redação conclusiva aconteceu no primeiro milênio. Teólogos recentemente colocam a redação final de Gêneses em torno do século 5, durante o período pós exílio quando a comunidade judia se adaptava à vida sob o império persa.

Não há consenso entre os sacerdotes e seguidores das religiões judaico-cristã se a interpretação de gêneses deve ser literal ou metafórica, ou mesmo se a bíblia é um livro cientifico ou não. Sabe-se que a bíblia pode ser lida sob quatro perspectivas distintas, ou seja, os textos podem ser de cunho metafórico, literal, moral ou anagógico. Entretanto, quais critérios que usamos para interpretar Apocalipse como metafórico e Gêneses como literal?

Qual linguagem (e porque) devemos usar em Gêneses 1-3,4 e 5 (E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro). Ao que parece, não há códigos matemáticos dentro de Gêneses, mas há metáforas poéticas demais para considerar factual a descrição da criação do mundo, sendo considerada por teólogos como mito e por fundamentalistas como um texto codificado matematicamente (como vimos acima) e literal do ponto de vista dissertativo. Nem sacerdotes, ou seguidores de doutrinas religiosas conseguem decodificar a linguagem metafórica de Gêneses, quanto mais supostos códigos matemáticos. Esses padrões matemáticos, ou literais encontrados não conferem credibilidade aos textos. Pois as duas questões primordiais sobre este assunto não foram respondidas. 1) Como seria possível que um grupo de pastores de ovelhas que viveu a 2 ou 3 mil anos atrás fosse capaz de criar padrões matemáticos complexos que só seriam decodificados em computadores modernos? 2) Como seria possível que um grupo de pastores de ovelhas que viveu a 2 ou 3 mil anos atrás fosse capaz de relatar a descrição correta a respeita a origem e complexidade do universo e da vida?

Uma das estratégias que os fundamentalistas usam para tentar provar que suas convicções pessoais são verdadeiras é usar a matemática (ou metodologias) com algoritmos e formulas tendenciosas, como vimos acima. A pseudomatemática vem sendo desenvolvida já a algum bom tempo por certos grupos mal-intencionados e vem sendo combatida por matemáticos que desvendam os pontos tendenciosos e falsos de algoritmos e modelos. Usemos um exemplo de metodologia bastante comum usada por fundamentalistas cristãos. Talvez o caso mais comum sejam os falsos positivos que surgem a partir da extrapolação da Lei de Borel. A probabilidade de um evento é expressa como um número real de 0 a 1, sendo mais provável quanto maior for o número. Um evento pode ter apenas uma probabilidade, a qualquer momento, No entanto, uma forma extrapolada da Lei de Borel usada por preponentes do designer inteligente é implicar em absurdos matemáticos, onde eventos de baixa probabilidade ganham duas atribuições probabilísticas diferentes; sua verdadeira probabilidade e uma probabilidade de 0. Se um computador gerar 100 dígitos aleatórios, haveria 10100 resultados igualmente prováveis e ​​possíveis. A probabilidade de um determinado resultado seria, assim, 10-100. Aplicando a “Lei do acaso” segundo os defensores do designer inteligente, teríamos de concluir que qualquer resultado é concebível, porque ele tem uma probabilidade de menos de 1 em 1050. Portanto, literalmente impossível, não tendo possibilidade de ocorrência, assim, teria uma probabilidade de 0. É lógico que nenhum evento pode ter uma probabilidade de 1 em 10100 e ter probabilidade de 0. Além disso, uma vez que os resultados possíveis são o que os matemáticos chamam mutuamente exclusivos e exaustivos em conjunto, a soma de todas as suas probabilidades individuais deve ser igual a 1, O que eles não podem fazer se todos forem 0.

Se pensarmos cientificamente, não há motivação estatística ou probabilística alguma de criação intencional a partir de um criador sobrenatural, pois dizer que a probabilidade de que A ocorra se B ocorrer pode ser bastante diferente da probabilidade de que B ocorra se A ocorrer. É um problema como o que os estatísticos encontram em determinados casos e que foi descrito pela primeira vez no século XVIII e ficou conhecido como o Teorema de Bayes. Isso quer dizer que se o argumento da criação realmente se tornar um argumento científico, ainda tem de mostrar a relação entre uma probabilidade condicional e a sua inversa, ou seja, a probabilidade de uma hipótese dada á observação de uma determinada evidência e a probabilidade da evidência dada pela hipótese.

Saiba mais em DUAS NARRATIVAS DA CRIAÇÃO

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNture, Rossetti, Biblia, Codigos, Gêneses, Pseudo-Matemática, Fundamentalismo, 

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Referências

B. McKay, D. Bar-Natan, M. Bar-Hillel, and G. Kalai (1999). Solving the Bible Code Puzzle. Statistical Science, 14

David Adams Leeming. Creation Myths of the World: An Encyclopedia 1994

Leonard Mlodinow. O andar do Bêbado. Editora Zahar. 2011.

Oxford Bible Commentary: Oxford University Press, 2001.

Thomas, David E. “Hidden Messages and The Bible Code [Mensagens Ocultas e O Código da Bíblia],” Skeptical Inquirer, Novembro/Dezembro de 1997.

Robert Todd Carroll. O Código da Bíblia (ou do Torah). The Skeptic´s Dictionary.

Robson, T. Creationism and Pseudomathematics. The National Center for Science Education. Volume: 20. Issue: 4. Year: 2000.

Ska, Jean-Louis, “Introduction to reading the Pentateuch” (Eisenbrauns, 2006).

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