FILOSOFIA– ARGUMENTOS PARA O DESIGNER INTELIGENTE TEM FUNDAMENTO FILOSÓFICO?

filosofia

Criou-se um jargão, uma falsa premissa de que todo biólogo evolucionário é ateu (ou neo-ateu). Nem todo biólogo evolucionário é ateu. De fato, muitos representantes da biologia que aceitaram a evolução não tiveram problema algum em aceitar a existência de um Deus, dentro de uma concepção a parte daquela proposta pela cristianismo.

Por exemplo, Dobzhanki claramente defendia a evolução, acreditava em Deus e ao mesmo tempo tecia críticas pesadas ao criacionismo. Um artigo interessante que trata dessa análise de Dobzhanski a respeito do criacionismo é o artigo Nothing in biology makes sense except in the light of theology?

O que vem sendo notado é que muitos criacionistas não compreendem a evolução biológica e a negam sem base científica. De fato, poucos deles realmente leram a obra de Darwin e por isso são levianos e saltacionistas em suas alegações. Por não ter base científica recorrem ao designer inteligente com um posicionamento dito filosófico. Mas será mesmo filosófico?

Ao mesmo tempo, o biólogo que critica a tentativa de inserir o designer como ciência é tratado como um naturalista filosófico. Pouco importa o ateísmo para a biologia e para a ciência em geral, bem como, não interessa se Deus existe. Isso porque a ciência explica fenômenos naturais com base em uma metodologia específica, que inclusive cria sua identidade científica, portanto a ciência é neutra. Deus pode existir ou não, pra ela é indiferente. Darwin foi neutro, jamais se tornou ateu, Huxley também não. Dawkins falha em sua tentativa inútil e inconsequente ao acreditar que a ciência pode ser usada como mecanismo promotor do ateísmo. Não, não é, e muitos biólogos concordam que ateísmo não tem relação com biologia.

Então, o que é naturalismo filosófico?

Naturalismo filosófico é a ideia de que apenas as leis e as forças naturais operam no mundo; em extensão, a ideia ou crença de que não existe nada além do mundo natural. Tecnicamente isto esta certo, pois isso é o que é constatado cientificamente. Se há Deus na jogada, atuando como o mestre dos fantoches das leis do universo não temos como saber cientificamente, e portanto isso pouco importa para a ciência, afinal, ela explica fenômenos e como eles ocorrem. Se Deus existe, a ciência é neutra, o que ela constata são as leis e forças naturais. Se há algo além disto, somente a fé pode responder.

O naturalismo filosófico surge no limite da ciência, porque ela admite apenas aquilo que ela enxerga. Deus é uma conclusão teológica, constatada pela fé, pelo sentimento de crença acima de tudo e todos. Não se testa Deus em laboratório, não se infere Deus com base em uma flor que achamos bonita, não se infere Deus com base em um design ou simetria matemática, pois inferência implica em uma conclusão que é postulada a partir de múltiplas observações em um processo chamado de dedutivo ou indutivo, dependendo do contexto.

Deus é um posicionamento pessoal, e o que os criacionistas estão tentando fazer é defende-lo com base em ciência e em filosofia, empurrando forçadamente uma versão fundamentalista e pobre do cristianismo. É um sapo que esta engasgado na garganta dos criacionistas desde Paley.

Há pouco tempo atrás um conjunto de 330 perguntas estavam rondando a internet com a premissa de que seriam perguntas jamais respondidas pela biologia evolutiva como ciência. Tive a oportunidade de analisar cada uma dessas perguntas, e grande parte delas não era de cunho científico, mas meramente “filosófico” (e com grande carga de senso-comum). O que vem acontecendo é que grande parte dos criacionistas defensores do designer inteligente não estão conseguindo impor sua ideologia como ciência. Isso porque não há artigos produzidos sobre o assunto e os textos que há sobre o tema são escritos por entidades religiosas sem prestígio ou competência acadêmica. Ao debater com tais proponentes, percebe-se a falta de literatura científica em seu repertório. Grande parte desses proponentes terminam por perceber que atribuir valores científicos a sua ideologia é um caminho fechado, e então, recorrem a filosofia.

Se não é possível explicar um fenômeno natural com base em experimentação de um designer sobrenatural, acabam recorrendo a um discurso chapa branca que eles intitulam como “filosofia”.

Ora, se a ciência explica fenômenos, ela explica “como” certas coisas ocorrem na natureza. Ela não explica porque ocorrem. Os “porquês” são perguntas filosóficas. E a filosofia é outro modo de construir conhecimento, com sua metodologia especifica que garante uma identidade; uma linha de pensamento baseada em um modelo de questionamento metódico. Tradicionalmente, a filosofia destaca e privilegia a argumentação lógica, em linguagem natural ou em linguagem simbólica, como a ferramenta por excelência da apresentação e discussão de teorias filosóficas. A argumentação lógica está associada a dois elementos importantes: a articulação rigorosa dos conceitos e a correta concatenação das premissas e conclusões, de modo que essas últimas sejam derivações incontestáveis das primeiras. Toda a ideia filosófica relevante é inevitavelmente submetida a escrutínio crítico; e a presença de falhas na argumentação (falácias, sofismas, etc.) é frequentemente o primeiro alvo das críticas. Desse modo, o destino de uma tese qualquer que não esteja amparada por argumentos sólidos e convincentes será, frequentemente, a severa rejeição por parte da comunidade filosófica.

Embora a reflexão sobre os princípios e métodos da lógica só tenha sido realizada pela primeira vez por Aristóteles, a ênfase na argumentação lógica e na crítica à solidez dos argumentos é uma característica que acompanha a filosofia desde os seus primórdios. A própria ruptura entre o pensamento mítico-religioso e o pensamento racional é assinalada pela adoção de uma postura argumentativa e crítica em relação às explicações tradicionais. Quando Anaximandro rejeitou as explicações de seu mestre – Tales de Mileto – e propôs concepções alternativas sobre a natureza e estrutura do cosmos, o pensamento humano dava seus primeiro passos em direção ao debate franco, público e aberto de ideias, orientado apenas por critérios racionais de correção, como forma destacada de se aperfeiçoar o conhecimento; e abandonava, assim, as narrativas tradicionais sobre a origem e composição do universo, apoiadas na autoridade inquestionável da tradição ou em ensinamentos esotéricos. Certamente, DI não é ciência e talvez deva ser encarado pelos teólogos e antropólogos como um fenômeno sociológico, especialmente ligado ao fundamentalismo cristão. E também não se encaixa em filosófica segundo os moldes da filosofia, afinal, o que o criacionista/DI propõem é eliminar o naturalismo filosófico implantando um sobrenaturalismo “filosófico”, ou um fundamentalismo “filosófico”. E isso é um argumento frágil.

Sim, entre aspas, porque ao perceber que não há um modo de abrir uma cunha do conhecimento científico devido a sua forte base metodológica o proponente recorre ao intercambio de informações que ocorre entre ciência, religião e filosofia.

Apesar de serem campos distintos com suas especificidades metodológicas o proponente não enxerga que o conjunto desses acervos de conhecimento da humanidade formam um todo. O proponente enxerga o intercambio de informações como uma esfera interdisciplinar onde ciência prova teologia com base em argumentações filosóficas. A salada de frutas é feita por frutas e não por híbridos de frutas. Ao assumir valor cientifico a religião, ou valor religioso a filosofia você perde a essência do acervo. Ao dizer que o cristianismo é cientifico você esta propondo que a ciência é feita com base em dogmas (o que é falso) e que a crença no Deus cristão não é mais dada com base na fé, mas na necessidade de constatação. E isto fere princípios bíblicos básicos.

De fato, é difícil separar as coisas (respeitando suas especificidades) mantendo-as ainda em conjunto. Filosofia abrange tudo, mas ela não é tudo, ela faz intercambio de informações e analises em diversas esferas do conhecimento; religião, ciência, política, economia, pragmatismo, estética etc e tal. Respeitar isto é ser sábio.

Sendo assim, deixando as alegações pseudo-científicas dos proponentes do DI de fora, vejamos e separemos o que é um argumento filosófico e o que não é.

Alguns argumentos filosóficos realmente foram criados por pensadores importantes da história da humanidade. Muitos foram criticados e defendidos, outros foram criados especialmente para validar uma cosmovisão de proponentes fundamentalistas em uma tentativa não mais pseudo-científica, mas “filosófica” de justificar suas crenças, são argumentos proselitistas e não filosóficos, mesmo porque não são encontrados em livros de filosofia.

Pensando neles é que separei o que é filosoficamente declarado e argumentativo daquilo que não tem valor filosófico.

 .

Argumentos filosóficos

Argumento Moral de Kant

Kant acreditava que a razão ditava as leis morais que temos a obrigação de respeitar. Ele chamava a lei moral de Deus para garantir a recompensa da virtude. O argumento moral inicia-se com o simples fato de experiência ética. Alguns dos maiores moralistas da história da humanidade adquiriram sua fama precisamente porque criticaram as falhas morais do seu grupo, tribo, classe, raça ou nação. E ainda sim, algumas pessoas acreditam que o subjetivismo social é a explicação da motivação moral, então não temos o direito de criticar escravidão ou genocídio ou de qualquer coisa.

O simples fato de se posicionar em relação ao próximo nos permite julgar o que é certo ou errado a fazer. È perfeitamente necessário respeitar os costumes e as tradições de uma sociedade na qual não pertencemos, mas a partir do momento em que isso se torna prejudicial talvez uma abordagem diplomática possa permitir uma mudança no tecido social.

Que direitos tem um jesuíta de catequizar um índio? Que direito tem o homem branco de impor suas leis a tribo Yanomami para impedir que um filho deficiente seja deixado na floresta amazônica para morrer?

Em outras palavras: quais critérios nós temos para julgar um modo de vida como correto? Ou que o nosso modelo moral é correto?

O fato de estar escrito em um livro sagrado simplesmente não significa absolutamente nada. Bagavad gita, Corão e Torah também são livros sagrados dotados de verdades absolutistas, conceitos de moralidade e recheados de barbárie.

Ninguém aceita absolutamente todos os aspectos morais definidos pela dinâmica de transformações da sociedade. Sempre haverá divergência entre o que é moralmente correto do ponto de vista individual com o que é moralmente aceito pela sociedade. Simplesmente é uma transformação que ocorre naturalmente. O fato de existirem mulheres exercendo papel central do núcleo familiar, votando, ou tendo uma renda familiar maior que a dos homens pode ser moralmente incorreto para o religioso que segue a risca I Timóteo 2 versículo 11 e 12, da mesma forma que a igreja católica condena o uso de preservativo.

A moral pode ter surgido como um valor adaptativo, alias, é esta a posição de primatologistas especialista em comportamento como Frans de Waal.

Craig, defensor do designer inteligente usa a moral como motivo para crer em Deus sabendo que o velho testamento é recheado de atrocidade em nome de Deus. Incestos, machismo e uma série de atitudes ditas imorais nos dias de hoje. Ora, se são imorais, significa que a moral, ou os costumes da sociedade mudam, e se eles são estabelecidos na sociedade por regramento divino e os cristãos o seguem, porque temos de criar leis para que as pessoas não comentam atrocidades. Se os 10 mandamentos funcionassem não precisaríamos de leis.

Não mataras não leva as pessoas a não matar umas as outras porque Deus disse isto a Moisés, caso contrário, as cadeias não estariam cheias de presos cristãos. As pessoas não matam porque a lei condena, as pessoas não matam porque tem o bom senso de se posicionar em relação ao próximo. Este é um pensamento mais antigo que o cristianismo, o pensador chinês Confucio (alguns o consideram filosofo, outros não) estabeleceu na sua cidade natal regramentos de justiça social, ética e respeito bem antes da origem do cristianismo.

Isto é ser bom. A moralidade cristã como evidencia da existência de Deus morre no momento em que você le o velho testamento.

Na Crítica da Razão Pura, Kant demonstrou a possibilidade das ciências matemáticas e naturais e acabou chegando à negação de uma metafísica que se apoia na mesma objetividade e universalidade dessas ciências. A razão teórica ficaria limitada ao âmbito da experiência. Só podemos conhecer os fenômenos que nos são acessíveis pelos sentidos; liberdade, imortalidade da alma e Deus, temas da metafísica não… Sendo assim os sentidos classifica os objetos em categorias como qualidade e quantidade, portanto, não podemos estabelecer a existência de Deus; mesmo porque aprendemos o mundo como fenômeno, ou seja, da forma com que ele nos aparece, e não como ele é em si mesmo. Esse é o limite da razão pura. As críticas a Kant vem da razão prática que poderia lançar mão de conceitos como Deus e imortalidade da alma. De fato, é uma abordagem que volta a essência da filosofia Grega, que questionava a existência de Deus, e a eternidade da alma, e que foi perdida com Agostinho que partiu do princípio que o Deus existia, e que ele era o Deus cristão.

Só que Kant faz uma abordagem á razão crítica que segundo ele deveríamos agir como se Deus existisse e a alma fosse moral. O que Kant fez foi chutar Deus pela porta da frente e trazê-lo de volta pela porta dos fundos em uma filosofia que para e por Nietzsche foi chamada de intelectualmente desonesta.

Ora, o que Kant faz na razão prática é dizer que a razão pura é prática por si mesma. Ao fazer isso, estabelece o alicerce da moralidade, a razão fornece as leis práticas que guiam a vontade. Ai, pessoas como Craig argumentam que a moralidade universal é a cristã. Mas não é, porque o modelo que vemos o cristianismo exercer é muito próximo a pratica das máximas, que são princípios práticos subjetivos que o sujeito considera como válidas apenas para sua própria vontade e seus interesses. Não é isso que o cristianismo estabelece?  Princípios que são validos apenas para sua conveniência?

Argumento ontológico de Santo Anselmo

Argumento ontológico é uma justificativa a muito tempo utilizada para validar a ideia de um Deus com base em sua grandeza.  É criticado a muito tempo, uma vez que nenhum desses argumentos foi construído de tal forma a sustentar uma visão “democrática” de existência de Deus. Todos os argumentos foram criados pressupondo que existência de um deus específico, o de religiões monoteístas, presumindo ele existir e não discutir se ele existe. Se olharmos a essência do cristianismo, ou seja, se voltarmos a Santo Agostinho, o que ele fez foi simplesmente deixar de fazer as perguntas básicas que os gregos faziam “Deus existe? A alma é eterna? O que é deus?”, e partiu da premissa de que “Sim, Deus existe, e ele é Cristão”.

De certa forma, apenas de ser um argumento filosófico que durante muito tempo perpetuou na historia da humanidade, ele também foi meramente proselitista. Mesmo o argumento cosmológico que veremos adiante também foi proselitista, pois sempre foi usado para justificar um Deus em específicos. Isso sempre foi bastante comum na história da humanidade, seja nesses argumentos filosóficos ou mesmo na matemática de Blaise Pascal em que criou um sofisma filosófico/matemático para justificar seu fideísmo cristão fundamentalista ao fim da vida.

Nenhuma dessas alegações filosóficas são reais e sim meramente proselitistas ou auto-promocionais. Desta forma, a alegação sempre foi “Deus existe porque não consigo pensar em nada maior ou mais perfeito que ele”. Ora, isso vale para provar qualquer divindade, sendo assim, a argumentação ontológico justificaria qualquer Deus, de qualquer religião, inclusive aqueles que foram criados com a intenção de vilipendiar as religiões, como é o caso do monstro do Spaguetti.

Argumento de Descartes

Descartes argumenta que uma ideia implica uma causa, e portanto, a coisa que originou essa ideia deve possuir tanta ‘realidade’ como ela, e isso inclui a perfeição. Mas a causa é uma propriedade de eventos e não de seres. O que pode ter causa é o evento da passagem da inexistência para a existência de um ser e não o próprio ser. Ainda sim, nem toda essência precede a existência. O fato de definirmos o sentido de nossa vida define também nossa essência.

Descartes também falha no “ Penso, logo existo”. Hamelet pensava bastante, mas era apenas um personagem fictício de Shakespeare! Nem tudo que pensa existe, nem tudo que existe pensa, e muitas coisas passam a existir pela nossa definição do que ele vem a ser. Alias, uma pedra só é uma pedra por uma definição nossa, segundo Sartre.

Ao tentar re-argumentar a ideia de que Deus existe, Descartes parte da suposição de que o pensamento de Deus contém também sua existência, ou, o pensamento contém o próprio pensador. Essa é uma ideia usada por defensores do criacionismo de que Deus é a causa de sua existência, portanto criou a si mesmo. Se Deus existe ele pode nos enganar quando quer. Sendo assim, nossos sentidos nos enganam, se Deus não existe então nossos sentidos são imperfeitos, e por sermos imperfeitos somos criação divina, pois se fossemos perfeitos desejaríamos a imutabilidade, infinitude e sabedoria do que chamamos de Deus. Nossa imperfeição ou a falha de nossos sentidos, (ou seu perfeito funcionamento) sempre se convertem em um argumento a favor de Deus na argumentação Descartes. Uma coclusão tendenciosa onde Deus sempre é a causa de tudo.

Argumento Aristotélico Tomista

Foi tentativa de conciliar o aristotelismo com o cristianismo, ou seja, integrar o pensamento aristotélico (e neoplatônico), aos textos da Bíblia, como um plagio filosófico adaptando a filosofia aristotélica a teologia cristã. Ora, as ideias de Aristóteles foram vistas como erradas por Tomas de Aquino, Guilherme de Ockham, Roger Bacon, Duns Scotus e não sobrou críticas a Aristóteles. Tanto que suas adaptações foram bastante controversas e pouco convencionais, ao contrário do que fizeram com as de Platão.

Quando as obras de Aristóteles foram traduzidas do árabe para o latim suas ideias foram reunidas e Aquino desafiou a censura da época, integrando-as a teologia cristã, adaptando-as. Por exemplo, Avicena, Averrois estavam dispostos a aceitar a visão aristotélica, ainda que ocorressem empecilhos filosófico/teológicos. Já os judeus e cristãos medievais foram relutantes em aceitar, pois a bíblia dizia que o universo teve um inicio e Aristóteles dizia não, que o universo era infinito. Segundo os cristãos e judeus, tais como Filopono, diziam que a ideia de Aristóteles deveria estar errada e precisava ser modificada para se adequar o cristianismo. Conciliaram isto dizendo que o mundo teve um começo, mas Deus pode te-lo criado de forma a ter existido eternamente para condizer com a ideia aristotélica de que o universo é infinito.

Causa primordial

O argumento de Kalam (ou de Al-Ghazali) é baseado na ideia de que o Universo existe e foi criado por Deus. Grande parte dessa discussão foi abordada em A FILOSOFIA BARATA POR DE TRÁS DO ARGUMENTO COSMOLÓGICO E OUTROS ARGUMENTOS CRIACIONISTAS e CONTRADIÇÕES E CONTRAPONTOS AS IDEIAS DE WILLIAM L. CRAIG já que é uma alegação bastante defendida por William Lane Craig. A ideia principal é que tudo que existe tem uma causa, e o Universo começou a existir, portanto, o Universo teve uma causa.

A questão central é; o Universo passou a existir em função de uma causa intencional ou não?

Para o budismo, o universo é sem causa, e passou a ser como é a partir do momento em que Buda despertou de seu sono eterno. Para os Incas a criação é fruto de uma série de causas ligadas a diversas divindades (Viracocha, Pachamama etc e tal) Ou simplesmente a causa de nossa existência, ou de nosso universo é atribuída a partir do momento em que definimos o sentido de nossas vidas aqui, como diria Sartre!

Os mesmo conflitos com o argumento cosmológico ocorrem independente da doutrina religiosa seja no mito da criação Enûma Eliš dos babilônios ou em mitologias. De acordo com a mitologia nórdica, que um dia foi uma religião tão factual quanto o cristianismo afirma ser, os animais tem grande representação no mito da criação, em especial Ragnarok. No principio surgiu o gigante Ymir e dele todas as outras espécies de gigantes que representavam o Caos. Essas forças caóticas deram principio a existência, a natureza era caótica; fogo, gelo, chuva, terremotos, mas eis que surge a manifestação primeva de vida e esta é a vaca sagrada Audhumbla. De suas tetas jorravam rios leite que alimentavam Ymir (o caos) e do sal que ela lambia insistentemente após três dias, surgiu Buri, o primeiro Deus, o principio da ordem. Audhumbla é um signo de fecundidade, origem de toda manifestação de vida, a energia formativa.

Se puxarmos isto para a esfera da ciência, podemos questionar se tratar de uma causa intencional ou não. Uma resposta que não recorre a divindades que é proposta pela física quântica na oscilação do vácuo, ou nos experimentos publicados na phys,org, Science, Nature mostram que partículas (subpartículas) surgiram do nada e correspondem a 80% do peso de um átomo. O universo realmente passa a existir e tem uma causa, afinal, causa é propriedade de eventos e não de seres, sendo então o universo um evento originado de uma causa, quântica, explicada pela física.

Os dados dos físicos quânticos são justificados pelas equações Friedmann/Lemaître/Robertson/Walker que demonstram como o universo pode esta em expansão, contração ou ser homogêneo e isotrópico. De fato, a própria equação de Einstein já demonstra muito sobre isso na relação íntima existente entre energia e massa em E=m.a2. Se toda energia esta concentrada em um ponto e uma oscilação desencadeia um efeito de expansão (dada a gravidade repulsiva) quando essa energia for desacelerando a matéria se forma. Portanto energia e matéria estão relacionadas.

A questão é, toda vez que se explica a origem do Universo pela física se contra-ataca com divindades e com alegações de designer inteligente como ciência. Mas a argumentação vista é teleológica ou filosófica e jamais científica, certamente isso se da pelo fato de que a ideia de designer inteligente não conseguir se firmar como ciência pela sua pobre natureza epistemológica. Sendo assim, podemos sim considerar a ideia de Kalam, do Craig ou a sua proposta como filosoficamente viável. Mas cientificamente ele esta no extremo oposto do que foi construído cientificamente pela física e a mecânica quântica.

O que o se segue depois não acredito que seja um silogismo, mas um sofisma, um sistema relação que tende a somente uma única linha já que as premissas seguintes de tal argumento se resguardam em: toda parte do Universo é dependente, e se toda parte é dependente, então todo o Universo também deve ser dependente. Logo, todo o Universo é dependente agora de algum ser independente dele para sua existência atual.

É dependente? Dependente do que? E porque?  Talvez seja dependente de si mesmo como resultado de sua própria origem?

Note que tais premissas são filosóficas e não científicas experimentais, razão pela qual fiz tais perguntas. Portanto, Designer Inteligente seria um fenômeno teleológico. Craig,seu maior defensor justifica que “do nada, nada vem”. A segunda premissa trás implicações e derivações da cosmologia contemporânea e especialmente da Teoria da Relatividade Geral. A dedução de que a causa do universo é Deus então é defendida observando-se que dada a natureza da questão, tal causa deve ser não-causada, sem começo, atemporal, imutável, não-espacial, imaterial e pessoal com inimaginável poder. Ele esta chutando o problema pra fora do Universo em uma filosofia “café com leite” em que as premissas giram em torno de um Criador que dita regras das quais não vale para si mesmo.

É um pensamento dedutivo que não é ciência e meramente dedução se não for acompanhado de empirismo. Isso quer dizer que o tal argumento da causa primeira de Kalam/Craig é uma expectativa de que uma coisa siga a outra.

Hume faz essa distinção de indução e dedução com classe defendendo duas propostas. Aspecto Demonstrativo, quando o falseamento é evidente, pois não há contradição lógica como 2+2=4. Contradição lógica seria uma pessoa afirmar que 2+2=5 e provavelmente essa pessoa desconhece o conceito de 2, ou de +, ou de 4. A outra é o Raciocínio Provável,o que é não-auto-evidente, e depende do método empírico. Se eu dizer pra voce que em uma comunidade de uma rede social  há grupos de fundamentalistas usando seu nome para difamar a sua formação acadêmica voce só saberá se é verdade se observar os comentários.

Karl Popper entendeu exatamente o que Hume disse e criou o conceito de falseabilidade. Se considerarmos a questão cientificamente, não há motivação estatística ou probabilística alguma de criação intencional ou argumento de causa primeira a partir de um designer, pois dizer que a probabilidade de que A ocorra se B ocorrer pode ser bastante diferente da probabilidade de que B ocorra se A ocorrer. É um problema como o que os estatísticos encontram em determinados casos e que foi descrito pela primeira vez no século XVIII e ficou conhecido como o Teorema de Bayes. Quando, e se o argumento da causa primeira realmente se tornar um argumento científico, ainda tem de mostrar a relação entre uma probabilidade condicional e a sua inversa, ou ainda, a probabilidade de uma hipótese dada a observação de uma determinada evidência e a probabilidade da evidência dada pela hipótese. Afinal, mesmo que o designer venha a ser aceito sob circunstâncias científicas, ele será meramente uma hipótese não testável.

O argumento cosmológico de Kalam atende necessidades meramente pontuais. Isso fica evidente quando se visualiza quais filósofos se identificam com elas, ou seja, aqueles que seguem religiões abraâmicas. Isto tem importância?

Craig é proselitista e como pastor defende uma vertente teológica e a filosófica é usada convenientemente para sustentar sua cosmovisão. Assim como não é correto usara biologia evolutiva para promover o ateísmo, pois nem Darwin, nem a ciência tem competência ou obrigação alguma de provar ou refutar Deus. O que a física quântica e a biologia evolutiva fazem é propor uma explicação natural a respeito da origem do universo e vida e sua transformação dentro de seus moldes metodológicos e epistêmicos. No máximo, ela descarta uma leitura literal de Gêneses. É esse o ponto exato onde o fundamentalismo religioso emerge como criacionismo, na leitura acrítica da ciência como um método e do literalismo da criação em uma postura intransigente e intolerante a críticas.

A concepção de se Deus existe ou não cai na opinião pessoal. Acredito que não estamos aqui pra discutir se Deus existe ou não, mas se o universo surge como resultado de uma ação intencional ou não. Esta é a alegação do argumento da Causa primaria.

Ao que parece, é um sofisma dizer que tudo o que começa a existir tenha uma causa intencional para sua existência. Nas palavras de Ernesto Von Ruckert “a causa é uma propriedade de eventos e não de seres. O que pode ter causa é o evento da passagem da inexistência para a existência de um ser e não o próprio ser”

É por isso que Craig abre uma exceção bastante conveniente quando diz que tudo tem uma causa para existir, exceto o Criador. Obviamente é uma estratégia meramente anti-filosófica (desonestidade filosófica) que foge da pergunta básica que não precisa ser filosofo, cientista ou teólogo para saber; Quando ele passa a existir?

Geralmente se foge dessa pergunta, como John Lenoxx fez em 2009 em um debate. Ora, nenhum ser é criador de sua própria existência. Ele é razão de sua existência, mas não causa.

A falha é lógica no argumento; se o universo corre em direção ao eterno então ele também não precisa de causa e nem de origem e portanto não precisa de um criador. Seria até uma aproximação da teológica não-deista que o budismo segue. A questão é que de alguma forma Deus ou o Universo tem uma origem, seja ele eterno ou não, o raciocínio é válido aos dois lados da moeda. Essa argumentação a respeito do argumento cosmológico já foi derrubada até mesmo pelo filósofo Bertrand Russell no livro “Porque não sou Cristão”. Veja o que ele diz:

Talvez o mais simples e mais fácil de entender seja o argumento da Causa Primordial. (Defende-se que tudo o que vemos neste mundo tem uma causa e, à medida que retrocedermos cada vez mais na corrente de causas, chegaremos obrigatoriamente à Causa Primordial, e essa Causa Primordial recebe o nome de Deus.) Tal argumento, suponho, não tem muito peso nos dias de hoje, porque, em primeiro lugar, já não é mais o que era. Os filósofos e os homens de ciência têm estudado muito a causa, e ela já não tem nem de longe a vitalidade que tinha; mas, fora isso, dá para ver que o argumento de que obrigatoriamente existe uma Causa Primordial não pode ter nenhuma validade.

Posso dizer que, quando eu era jovem e debatia essas questões com muita seriedade em minha mente, durante muito tempo aceitei o argumento da Causa Primordial, até o dia em que aos dezoito anos, li a autobiografia de John Stuart Mill e lá encontrei a seguinte frase: “Meu pai me ensinou que a pergunta ‘Quem me fez?’ não pode ser respondida, já que imediatamente sugere a pergunta seguinte ‘Quem fez Deus?’”. Essa frase extremamente simples me mostrou, como ainda penso, que o argumento da Causa Primordial é uma falácia. Se tudo precisa ter uma causa, então também Deus deve ter uma causa. Se é possível que exista qualquer coisa sem causa, isso tanto pode ser o mundo quanto Deus, de modo que não pode haver validação nesse argumento.

Trata-se exatamente da mesma natureza da visão hinduísta de que o mundo repousava sobre um elefante, e que o elefante repousava sobre uma tartaruga; e quando alguém pergunta “Mas e a tartaruga?”, o indiano respondia: “Que tal mudarmos de assunto?”. O argumento, de fato, não é melhor do que isso. Não há razão por que o mundo não possa ter passado a existir sem causa nenhuma; tampouco, por outro lado, existe qualquer razão que o impeça de ter sempre existido. Não há razão para supor que o mundo teve alguma espécie de inicio. A ideia de que as coisas precisam obrigatoriamente ter um início na verdade se deve a pobreza da nossa imaginação. Portanto, talvez eu não precise mais perder tempo com o argumento relativo à Causa Primordial”.

 .

“Argumentos” Proselitistas.

Argumento Cosmológico Leibniziano

Esta alegação parte da distinção entre o necessário e o vulnerável. O argumento de Leibniz sobre a existência de Deus é o teste modal, é provar a existência de Deus a priori e não pela contradição, como faz no argumento ontológico. Ele faria segundo a possibilidade a priori e que por só altera a definição de ser perfeito para ser necessário. A quinta premissa de tal argumento diz que o universo existe e sua existência esta fundamentada em um ser necessário.

Um ser necessário? Talvez necessário a quem acredita em um criador.

Porque um ser e não uma causa natural? Note que o argumento se direciona sempre aquela tendenciosa maneira de sustentar a crença em um ser. Ora, como vimos acima, o universo emerge de mecanismos quânticos, explicados pela física e que podem sugerir a não interferência sobrenatural.

Existe sempre uma tendência dessas alegações ditas filosóficas serem respaldadas em uma entidade divina, por essa razão são argumentos proselitistas.

Porque sempre (obrigatoriamente) um ser deve ser responsável pela existência do universo? Abandona-se a uma possível resposta natural e depositam suas fichas em um silogismo barato. Isso é o que na filosofia nós chamamos de sofisma, quando se cria um grupo de premissas que cerca sua liberdade de questionar e sempre direciona a uma conclusão que o orador quer voce veja.

Há hoje uma necessidade de firmar Deus como criador do universo diante de tantas evidências que apontam para um universo com origem natural?

A descrição da criação em Gêneses é contraditória e claramente um livro metafórico e não literal. Qual critério os filósofos do cristianismo usam para definir que Gêneses deve ser interpretado literalmente e Apocalipse de forma simbólica quando ambos os livros apresentam citações sobrenaturais?

O mito da criação de Gêneses é uma dissertação originalmente retirada de mitos dos sumérios e dos ugarit da mesopotâmia antiga na qual os deuses da criação beberam, pegaram o barro e fizeram o mundo e o homem, sendo o homem imperfeito devido ao estado de embriaguez dos criadores.

Argumento Teológico Tomista

Segundo esta alegação, São Tomás de Aquino faz a demonstração de provas meramente naturais acerca da existência de Deus. A própria razão humana é capaz de chegar à ideia da existência do Criador. Por isso, não admitir a existência de Deus não é racional, mas sim apoiar-se num vago e convencional dogma de negação. Mesmo porque, a bíblia atesta que Deus criou tudo.

Esta alegação nada mais é do que um argumento de autoridade, cuja autoridade é a Sagrada Escritura. Quem não reconhece a sagrada escritura não aceita a existência de Deus. Posso aceitar o Vedas como autoridade sagrada e nem por isso significa que ele seja. O que torna uma escrita sagrada? Porque a escrita do cristianismo é certa dentre as milhares de religiões do mundo? Autoridade não significa nada, especialmente para ateus que não reconhecem autoridade divina alguma.

O fato da razão humana ser capaz de chegar à ideia da existência do criador não prova que ele existe. A razão humana também cria personagens folclóricos, e deuses que hoje são considerados mitologia. O que permite as pessoas pensar que o cristianismo não é mais uma mitologia?

Deus pode ser um mecanismo de controle social.

A razão humana do povo indígena dos Pirarrãs na Amazônia gerou uma característica interessante. Uma característica curiosa dessa tribo é o fato de seus membros não acreditarem em nada que eles não possam ver, sentir ou que não possa ser provado ou presenciado. Por esse motivo a tribo não acredita em espírito supremo ou divindade criadora, apenas em espíritos menores que às vezes tomam a forma de coisas no ambiente (devido a experiência pessoal de cada indivíduo), e que a terra e o céu sempre existiram, ninguém os criou. Esforços já foram feitos para convertê-los ao cristianismo, talvez o mais relevante seja o do missionário Daniel Everett que nos anos 70 tentou evangelizar a tribo. Sem sucesso, escreveu um livro em que descreve sua cultura. Segundo ele, os indígenas perderam o interesse em Jesus quando descobriram que Everett nunca o viu de fato. Seu constante contacto com este tipo de pensamento acabou transformando Everett em ateu.

Argumento da Sintonia fina:

Há duas posições sobre este assunto, elas são justificadas por explicações científicas. A de que o ajuste fino não existe e a de que ele existe, mas é dado por variações das constantes da física em um contexto de multiverso

Segundo o físico Victor J. Stenger no livro The Fallacy of Fine-Tuning: Why the Universe Is Not Designed for Us ele afirma que não há ajuste fino, e declara:

A number of authors have noted that if some physical parameters were slightly changed, the universe could no longer support life, as we know it. This implies that life depends sensitively on the physics of our universe. Does this “fine-tuning” of the universe suggest that a creator god intentionally calibrated the initial conditions of the universe such that life on earth and the evolution of humanity would eventually emerge? In his in-depth and highly accessible discussion of this fascinating and controversial topic, the author looks at the evidence and comes to the opposite conclusion. He finds that the observations of science and our naked senses not only show no evidence for God, they provide evidence beyond a reasonable doubt that God does not exist.

Veja mais no texto de Stenger O UNIVERSO É FINAMENTE AJUSTADO PARA NÓS?

No segundo caso, as constantes da física são ajustadas por uma número grande de possíveis universos, cada qual com suas leis e suas constantes. O ajuste surge no contexto do multiverso. Nenhuma alegação da física apoia a ideia de uma criação sobrenatural. A ORIGEM DO UNIVERSO PELA TEORIA-M DE HAWKING.

Argumento axiológico

Esta alegação tenta se resguardar a ideia de que sempre que olhamos para a definição u compreensão do que é a bondade, beleza, justiça, nobreza, ou qualquer outra das qualidades morais, observamos neste mundo muitos graus de perfeição. E por consequência graus de perfeição, sendo o topo desta hierarquia o grau máximo de perfeição requerido a Deus.

Certo ou errado são termos metafísicos objetivos. As pessoas acreditam que algo está certo ou errado. Isto significa que elas aceitam a validade da metafísica. Portanto, em última análise isto significa que elas aceitam um Deus que é meramente pessoal. Isso quer dizer que ele pode ate saber que Deus existe, mas é uma afirmação meramente anedótica, informal, pessoal que não tem o mesmo significado para outra pessoa cujo Deus é diferente, cujo senso de justiça seja distinto a visão Ocidental. Todas essas formas de argumentação visam sofismas, cuja função (e intenção) é exaltar o poder de Deus segundo uma doutrina religiosa específica e uma concepção pessoal de Deus baseando-se em hierarquizações metafísicas.

Ora, sendo assim, o argumento axiológico vale para qualquer Deus, desde que se aceite que ele seja o topo de um conjunto de propriedades metafísicas independente do que se entende como justiça ou nobreza.

Argumento noológico

Esta alegação é de que existem estados de consciência genuína, portanto, há alguma explicação para eles. Se não há explicação naturalista bem sucedido para este fato deve haver alguma explicação não-naturalista para este fato.

Primeira questão; o que é estado de consciência? Consciência pode ser definida de várias formas. Na psicologia, na biologia é auto-reconhecimento. Consciência pode ser definida também como a capacidade de julgar seus próprios atos. A capacidade de auto-percepção como estado de consciência do ponto de vista biológico pode ser encontrada de forma rudimentar em outros grupos biológicos, em geral nos mamíferos, aves e cefalópodes. Portanto, há sim modelos naturalistas. Segunda questão; a argumentação segue novamente um sofisma em que direciona a uma conclusão pré-concebida. Se não há explicação natural, joga para o sobrenatural e prova que Deus existe, mas se ele existe e é parte da criação então ele deveria ser reconhecível e detectável pela ciência por exemplo. Mesmo se não houvesse explicação cientifica para a origem da consciência, nada garante que a argumentação criacionista esteja certa. O fato de lago não ser validado não valida uma proposta alternativa, ainda mais quando se trata de um fenômeno físico como é a consciência, que tem base neurológica e molecular. Desta forma, se ele pudesse ser descrito então não seria sobrenatural e sim algo pertencente a natureza. Sendo assim, a melhor interpretação de Deus seria o de Einstein ou talvez de Spinoza.

A consciência, ou o que ela é pode ser discutido do ponto de vista filosófico, mas a sua descrição de origem academicamente aceita é respaldada em processos evolutivos, com graus de consciência rudimentar em outros grupos biológicos.

Argumento empírico de Berkeley

Berkeley afirma que uma substância material não pode ser conhecida em si mesma. E que na verdade, o que se conhece se resume as qualidades reveladas durante o processo perceptivo. Então, o que existe realmente nada mais é que um feixe de sensações. Berkeley não nega o mundo exterior, mas sim o conceito fundamental de uma ideia de matéria como constituinte de tudo o que é e que fosse diferente da substância pensante. Para fugir desse subjetivismo postulou a existência de uma mente cósmica que seria universal e superior à mente dos homens individuais. Deus é essa mente e tudo o mais seria percebido por ele, de modo que a existência do mundo exterior à mente individual e subjetiva do homem estaria garantida.

O argumento apresenta falhas.Por exemplo; ele trás um erro de dedução. Não há como derivar a conclusão de que “algo existe” da proposição “existe pela percepção de outro ser”, ou pela sua natureza necessária. No postulado de Berkeley no qual “existir é ser percebido” há uma contradição lógica, porque tal ideia trai a sua própria tese ao aplicá-lo ao espírito infinito, isto é, se a humanidade não percebe o espírito infinito, este, portanto, não existe, exceto se o próprio espírito percebe a si mesmo, mas a humanidade não perceberia isso. Além disto, o argumento em si não é muito claro no que vem a ser “percepção”, pois segundo Berkeley, Deus sabe o que seja dor, embora não sofra, sabe o que é fome, mas não passe por esta privação, conhece a morte, mas, é imortal, tem ciência dos objetos do mundo e contudo, não sente-os com os nervos, se existência é igual a percepção, e a percepção consiste no ato da consciência realizar procedimentos como o querer, o sentir, o entender, o sofrer, então, o que seria essa “existência” da divindade? O argumento da mente universal comete a falácia da equivocação, quando uma palavra (percepção) é utilizada várias vezes com mais de uma interpretação.

Argumento da mudança

Nada mais é do que uma alteração da argumentação de Thomas de Aquino. O argumento invoca o Deus Judaico-cristão. Ele assume, sem qualquer justificativa que Javé é imune a regressão. O próprio argumento diz que tudo que existe precisa de fatores para poder (mudar) e o que não existe não precisa. Mas e Deus? Ele não precisa de fatores externos para mudar? O argumento é auto-contraditório. Ou seja, a filosofia também estuda o que há além do universo. Se você pode dizer que Deus é uma exceção e ele não precisa de causa ou de nada para mudar, mas se você pode abrir uma exceção para Deus, por que não pode abrir também para o universo?

Ninguém pode gerar a si mesmo. Nas palavras de Ernesto Von Ruckert “a causa é uma propriedade de eventos e não de seres. O que pode ter causa é o evento da passagem da inexistência para a existência de um ser e não o próprio ser”. Relações de causa e efeito só acontecem entre coisas que já existem. A física quântica mostra que nem todo efeito precisa de causa, nem toda partícula age por causa de algo. Mas é ilógico afirmar que algo existente causou algo inexistente a fazer qualquer coisa, quanto mais existir.

Argumento eudenomológico funda-se na afirmação de Agostinho de Hipona, que era evolucionista teísta. Ele afirmava que todo homem busca a felicidade e nunca a alcança, logo (eis um sofisma), deve existir um bem cuja posse seja capaz de dar ao homem a felicidade infinita e eterna que tanto busca.

Temos a obrigação de ser feliz?  Em que lugar da bíblia há descrito que é obrigação do homem alcançar a felicidade eterna? O que é felicidade? As alegações sobre ser feliz são muito melhor compreendidas sob a perspectiva de filósofos atuais como Luc Ferry que afirma que a felicidade não existe, e sim momentos de serenidade, ou a velha concepção da idade media muito bem destacada por Pondé de que a felicidade é passageira, rápida. O que o argumento apresenta é na verdade uma ditadura da felicidade, e pressupõem a felicidade metafísica, e meramente isto.

Argumento de David Wolpe

A alegação da compreensibilidade do universo é baseado na ideia de que o fato de podermos racionalmente entender o universo conta como evidência de que Deus existe.

Entre os defensores atuais deste argumento encontram-se o matemático e filósofo da ciência John Lennox. Compreender o universo não implica em evidência de existência de Deus. Evidenciaria a argumentação do universo sendo um fenômeno que surge e permite que uma forma de vida com construção da copreensão, ou o universo como compreendendo a si mesmo e esta ideia é filosófica e não teológica. A compreensão da natureza do universo, especialmente do ponto de vista físico, mecânico é dada pela ciência, especialmente a de Victor Stenger que afirma não existir estrutura fina. A compreensão da estrutura física e quântica do universo tem descartado entidades naturais como protagonista de tal fenômeno.

Argumento de Plantinga

A ideia básica de Plantinga é que nossas faculdades cognitivas não são confiáveis, portanto, o naturalismo e a evolução não ocorrem. Ë o oposto do argumento de David Wolpe. Se no argumento anterior a prova de que Deus existe é a nossa capacidade de compreensão do universo, para Plantinga é nossa incapacidade cognitiva de entende-lo que torna Deus uma opção.

Mas a fé, também é parte de processos cognitivos, a percepção de estado de comunhão com Deus também é. Ora, se vamos dizer que tudo é uma mera ilusão criada pela nossa cognição não temos razão alguma para acreditar, não podemos crer e saber de absolutamente nada, nem sobre o naturalismo, o sobrenaturalismo ainda se apresenta mais evidente como algo ligado nossa cognição. Mas Hawking, em seu livro “O grande Projeto” mostra que mesmo que nos estejamos restringidos pelos nossos sistemas de percepção, é possível sentir e interpretar o mundo. Alias, é isso que a religião, ciência, filosofia, arte, senso comum fazem, criar conhecimento do mundo a partir de nossa percepção. Sendo assim, o que é a realidade? A verdade existe ou é condicional?

Argumento de Geivett

É uma variação do argumento de Plantinga de função apropriada para Deus. Em ambos os argumentos, há uma afirmação sobre a existência de normatividade no mundo natural que tem um propósito. E em ambos os argumentos, há uma afirmação de que tal propósito e plano só pode vir de um designer. Mas isso é teleologia e não ciência, uma vez que Designer Inteligente não é ciência, não tem artigos, não produz conhecimento científico, inclusive é criticado pela AAAS como pseudo-ciência, então tal alegação é ilusória como ciência e mesmo como filosofia nas mãos de David Hume.

Veja COMPLEXIDADE ESPECIFICADA – UMA MASCARA PARA UM DEUS-DE-LACUNA

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Filosofia, Criacionismo, Designer Inteligente, Naturalismo Filosófica, Sobrenaturalismo Fundamentalista.

One thought on “FILOSOFIA– ARGUMENTOS PARA O DESIGNER INTELIGENTE TEM FUNDAMENTO FILOSÓFICO?

  1. Em casa onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão.
    A falácia de que evolucionista é ateu, é apenas a percepção da “maioria”, que também leva à conclusão de que evolucionista é também comunista, hoje não porque comunismo se torna sinônimo de idiotice política.
    Não é falácia é percepção. Acredito que sejam tendências. O ateu é “contra Deus” enquanto o teísta é a “favor de Deus”. Faz algum sentido postura desse tipo? SE DEUS EXISTE OU NÃO, DEPENDE DE NOSSAS IDIOTICES MENTAIS de ser pró ou contra, acreditar ou não?
    Darwin era ateu? ELE APENAS NÃO CONCORDAVA COM OS ARGUMENTOS RELIGIOSOS SOBRE VÁRIAS COISAS, EM PARTICULAR EM RELAÇÃO AOS SERES-VIVOS NA TERRA. Mas ele mesmo, ou qualquer evolucionista até hoje definiu o que seja o ser-vivo para o qual deu o palpite de “seleção natural”? E os gregos não fizeram a mesma coisa contestando os “dogmáticos religiosos”? E Cristo também não fez a mesma coisa contestando os mesmos dogmáticos religiosos. E quem critica o evolucionismo também não está fazendo a mesma coisa, criticando a cretinice da “seleção natural”?
    ONDE EXISTE UM ÚNICO CASO CONSTATADO DE QUE A SELEÇÃO NATURAL EXISTE na forma como se acredita? Várias vezes já desafiei os evolucionistas aqui neste site a me mostrarem um único exemplo constatado da seleção natural, principalmente entre nós. Interpretar ossos petrificados de milhares de anos é exemplo de seleção natural? É EXEMPLO DE ALGUM TIPO DE SER VIVO, absolutamente mais nada! Mas cada um acredita no que quiser, assim é o criacionista e também o evolucionista, quando se torna “dono da verdade” que sequer se conhece. Qual a diferença entre a ‘ficção científica do Big Bang”, ou a mitologia das formas como Universo surgiu nas diversas religiões? Apenas que o Big Bang saiu da conta de um doutro pardal, que observou algum coisa em algum instrumento, e das contas, SAIU O TAL BIG BANG, que se torna dogma de fé?
    E aí entramos na discussão idiota de que o Big Bang é uma hipótese melhor do que a mitologia religiosa? MELHOR EM QUE?
    Simples, falta entender que a inteligência exista para que entendamos as coisas, para saber precisa de trabalho, o ser-vivo é exatamente isso, INTELIGÊNCIA MAIS TRABALHO, é assim que o mágico faz seus “milagres”, entende a lei, e aplica. Lei pode existir sem inteligência? Que tal algum evolucionista me mostrar isso?
    Então, se é apenas crença das pessoas, qual o problema de se acreditar nisto ou naquilo, em Papai Noel ou propaganda enganosa e vai por aí afora?
    Estamos querendo defender crenças como dogmas de fé, ISSO ACONTECE NA RELIGIÃO TANTO QUANTO NA CIÊNCIA, são pessoas que são crentes, descrentes, dogmáticos etc. etc. E pessoas cada uma é uma. Quem sabe o que de fato pensa um evolucionista ou criacionista, exceto as besteiras que falam ou escrevem como dogmas de fé?
    Aí acontecem as “correntes filosóficas”,onde cada ‘filósofo” procura mostrar os erros do outro filósofo. E se ao invés dos sábio se preocuparem com as coisas onde eles não concordam, se preocupassem mais em procurar as coisas onde são convergentes e podem concordar? ONDE ESTARÁ MELHOR REPRESENTADA A VERDADE?
    É como aqueles dois burrinhos amarrados por uma corda. Quem colocou a corda nos burrinhos, não pretendia que eles morressem de fome, OS OBJETIVOS DA CORDA ERAM OUTROS, QUE NÃO SABEMOS, mas o fato é que se os dois burrinhos não deixarem de ser “burros”, ACABARÃO MORRENDO DE FOME.
    O que é que os evolucionistas dizem que é correto e o que é apenas invenção de alguém, como Aristóteles que chutou ao geocentrismo? O que é que os criacionistas dizem que esta´certo e não apenas invenção cuja “base” seria Deus vindo aqui na Terra “inventar” coisas que depois tivesse que corrigir?
    A base criacionista certa é que tudo tem origem em alguma forma de inteligência, é assim que fazemos, que vivemos etc. etc. Por que na natureza que não foi feita por nós, E ATÉ JÁ ESTAMOS INTERFERINDO TAMBÉM POR CAUSA DA NOSSA INTELIGÊNCIAS, as cosias teriam que ser de um “relojoeiro cego e burro”, como a ideia idiota do sr. Dawkins?
    E o homem que é inteligente por acaso é algum “deus”? E se as coisas não são feitas pelo homem, só podem ser por “Deus” no dogmatismo criacionista, ou pelo “nada” no outro dogmatismo tão idiota como? E, no entanto, as coisas não estão e vão continuar por aí com ou sem as nossas idiotices mentais?
    A Terra antes do homem Adâmico existia sem Deus, nenhum cão ou gato ou bactéria ou planta precisam de “Deus” e muito menos da crença nele. E antes do homem “cientista” também existia sem a ciência, E VAI DESAPARECER SE DESAPARECER O HOMEM COM SUA RELIGIÃO E CIÊNCIA?
    Isso significa usar a inteligência para se discutir se anjo tem sexo ou não, SEM NEM SEQUER SABER O QUE SEJA ANJO.

    arioba

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s