MITOS CRIACIONISTAS SOBRE A EVOLUÇÃO DAS BORBOLETAS

Em uma simples pesquisa na internet sobre a biologia e evolução de borboletas é possível encontrar textos cuja descrição de sua zoologia é embasada em alegações não-científicas, ou por vezes científicas, porém atreladas a grupos religiosos cuja intenção é validar determinadas premissas e crenças pessoais tentando garantir status cientifico a sua visão pessoal de Deus.

Destaquei aqui quatro textos emitidos por esses grupos (dentre eles o Institute for Creation Research e o Answer in Genesis) na qual faço pontuações a respeito de suas respectivas falhas, apresentando artigos que pontuam exatamente o contrário do que é por eles alegado. É fundamental fazer este tipo de trabalho, para não somente divulgar o conhecimento acadêmico a respeito desses grupos biológicos, mas para poder destacar o limite do que se entende por ciência e pseudo-ciência.

Anatomia de borboletas Monarca (Nymphalidae)

Nossa primeira abordagem consiste em um texto postado no site do Institute for Creation Research.

Monarca

No topo da imagem o site trás uma única aba “Articles” o que é falso, pois nenhum destes artigos são publicados, são opiniões pessoais do autor do texto. Nenhum de seus textos são publicados em Revistas científicas, defendidos em teses ou revisado por pares. Para mascarar essa realidade eles criam um site com um layout virtual semelhante ao de revistas cientificas de prestigio.

Analisemos por etapas:

A borboleta monarca fêmea tem seis agulhas microscópicas em cada pata dianteira. Nos machos, as patas dianteiras da borboleta monarca não tem agulhas, apenas os cabelos. Alguns cientistas evolucionistas dizem que as pequenas patas dianteiras 0,2 polegadas não possuem nenhum propósito útil, eles acabarão por desaparecer….Eles acreditam que este complexo surgiu por acaso ou por um acidente muitos milhões de anos atrás. Eles assumem que uma vez que os outros dois pares de pernas são muito maiores e mais úteis na compreensão e degustação coisas, e que essas pequenas patas dianteiras devem estar encolhendo e eventualmente desapareceram.

Institute for Creation Research

A primeira questão é destacar que Monarcas fazem parte do grupo de borboletas denominadas Nymphalidae e este grupo é estabelecido na Terra desde o período Cretáceo. Todas as famílias de borboletas já estavam presentes no Cretáceo e sobreviveram a catástrofe KT. De fato, sua taxa de diversificação é calculada a partir de estruturas morfológicas, fosseis e estruturas moleculares onde diversos genes servem como ferramenta par a datação. A origem da borboleta Danaus plexippus e datada em cerca de 2 milhões de anos (Browner & Jeansonne, 2004)

A segunda questão a destacar é que evolutivamente não há razão para crer que uma estrutura que tenha função fisiológica tão importante quanto a degustação (e a manutenção do equilíbrio) tende a desaparecer. De fato, ela tem essa função fisiológica estabelecida certamente prevalecerá no grupo, pois a sua ausência poderia significa a morte do animal, ou falta de percepção do substrato e elementos químicos presentes na serralha (Asclelsias curassavica). Nenhum artigo pesquisado a respeito da anatomia da monarca e sua relação com a planta hospedeira alega isto. A presença desta estrutura é algo evidente, pois apresenta uma função fisiológica importante. Grupos de peixes de cavernas tem redução dos olhos por uma questão de economia de energia, este não é o caso das borboletas Monarca ou ninfalideas em geral. Portanto, a alegação é falsa.

Todos os membros da família de borboletas Nymphalidae e alguns grupos de borboletas da família Riodinidae reduziram os primeiros membros torácicos e só usar dois pares de pernas para andar. Um grupo de biólogos pesquisou sobre essas famílias e detalhou as origens evolutivas desses grupos com membros reduzidos, e destacou que além das pernas, alguns grupos têm os três membros torácicos reduzidos. Eles analisaram 13 espécies de borboletas de todas as seis famílias de borboletas. Eles mediram os membros de cada animal e os tamanhos dos membros de ancestrais foram reconstruídos para machos e fêmeas separadamente. As diferenças no tamanho dos membros em todas as borboletas envolvem mudanças no tamanho do segmento de membro, em vez do número de segmentos dos membros. A redução da primeira parte em ambos as borboletas (Nymphalidae e Riodinidae) ocorrem particularmente na extensão no fêmur, mas a evolução destes reduzido membros é um evento evolutivo convergente. Diferenças de desenvolvimento pode estar relacionados também a fatores ecológicos determinantes na evolução dos membros reduzidos (Wolfe et al, 2011)’

A terceira questão é que as agulhas são funcionais para as fêmeas das monarcas por exercer um papel importante na reprodução. Agulhas são funcionais a este grupo de borboletas bem como e tantas outras famílias do grupo. Mas não é uma estrutura incrivelmente essencial a tal ponto de ser chamada de irredutível como fazem alguns grupos religiosos. Borboletas da família Papilionidade (aproximadamente 74 milhões de anos) tem aparatos anatômicos acessórios das agulhas reduzidos, em algumas espécies certas partes estão ausentes, e mesmo assim é um dos grupos de borboletas mais antigos presentes na Terra. As agulhas são chamadas tecnicamente de garras tarsais. Elas ficam presas em uma estruturas chamada  pulvilo e tem uma estrutura acessória chamada arólio. Nos papilionides essas estruturas são muito reduzidas e isso não compromete sua sobrevivência (Duarte et al, 2012)

garra

Borboletas também tem tecidos internos no topo da cabeça que sugerem um resquício de um primitivo ocelo, que pode ter sido reduzido devido a localização lateralizada de seus olhos que lhe permite uma visão de quase 360° e isenta a necessidade de tal estrutura primitiva.

Portanto, afirmar que uma estrutura anatômica é fundamental para a sobrevivência das borboletas determina que talvez seja fundamental a uma espécie, mas pode variar de espécie a espécie. Agulhas ausentes em Papilionidae não custaram sua sobrevivência.

…as pernas dianteiras da borboleta monarca são extremamente bem concebidas para o seu específico funções…..A borboleta monarca tem seis pernas. As duas patas dianteiras , localizado logo abaixo da cabeça, são muito pequenos….As pontas de cada uma das patas dianteiras femininos levar três pares de agulhas microscópicas…. obviamente, uma estrutura bem projetada.

Institute for Creation Research

Se há um design, ele é aparente e modelado pela seleção natural uma vez que fêmeas sem tais estruturas talvez não tenham a capacidade de determina quais serralhas seriam de maior agrado a postura de ovos. Aqui encontramos o velho dilema entre criacionismo e evolução; uma borboleta vive em um ambiente porque suas unhas foram projetadas para viver naquele ambiente, ou as borboletas desenvolveram essas estruturas como resultado adaptativo a um ambiente com microclima específico e interações ecológicas?

O fato de existir uma estrutura tarsal que permite sua fixação do animal na folha claramente é resultado de processo adaptativo, pois a ausência de tais estruturas poderia (ou não) comprometer sua sobrevivência. Caso comprometa, temos a seleção natural demonstrando que a descendência com modificação no passado determinou a funcionalidade de tal estrutura.

Atribuir uma criação divina ao analisar o contexto ecológico e a especificidade da biologia do animal não é ciência, e fere a navalha de Occkham, pois as evidências apontam claramente para seleção natural; estudos anatômicos, embriológicos e os fósseis sugerem uma origem natural não só para o animal, mas para o grupo inteiro dos lepidópteros. (Veja UMA ÚNICA ORIGEM PARA AS MANCHAS OCELARES DAS BORBOLETAS DA FAMÍLIA NYMPHALIDAE)

A fêmea tem um gosto e cheiro dos fluidos e determina se a serralha é adequado para colocar seus ovos. Ela determina este através da utilização de sensores de sabor na parte inferior das outras quatro pernas e os sensores de cheiro sobre as extremidades de cada uma das antenas.

Institute for Creation Research

Isso não é exclusivo de borboletas. De fato, a seleção natural e mecanismos evolutivos tendem a favorecer a melhoria do sensor mais utilizado pelos grupos biológicos. Por essa razão ornitorrincos tem alta eletrorrecepção em seus bicos, arraias na sua porção ventral, nós seres humanos com nossos mecanorreceptores nas mãos e alta acuidade visual (comum em primatas) e as sensillas em insetos. Estes, são pêlos sensíveis com orifícios onde se apresentam um neurônio com receptores em sua membrana onde captam as partículas químicas. Além disso, existem placas de pêlos distribuídas sobre a superfície do corpo dos insetos que atuam semelhante ao estatócitos respondendo a qualquer deslocamento mecânico permitindo os insetos se posicionarem no espaço. Todo o exoesqueleto do inseto acaba atuando como um estatócito. Nos artrópodes o esquema é o mesmo que nos anelídeos, exceto pelo desenvolvimento de gânglios mais especializados podendo ser divididos em deutocérebro responsável por receber nervos da primeira antena, o protocérebro que são responsáveis pelos lobos ópticos. Assim a evolução foi fornecendo gânglios cada vez mais sofisticados com grande importância no controle de áreas conquistadas por esse tipo celular. Ainda mais no que diz respeito aos artrópodes, que necessitam de um sistema mais aprimorado para controlar suas articulações, surgindo assim centros de atividade rítmica formados por neurônios geradores de atividades motoras padronizadas que atuam sincronizadamente em comportamentos como locomoção, natação e vôo, principalmente em locais onde ocorre uma integração sensorial e controle motor, onde as asas e pernas se inserem no corpo (Romeno, 2000).

Note-se que a pata dianteira dos machos não tem agulhas microscópicas para fazer uma análise química do serralha porque os machos não põem ovos e não têm necessidade de agulhas para perfurar as folhas serralha. O macho da monarca usa suas patas dianteiras para manter o equilíbrio, principalmente durante o ato de acasalamento.

Institute for Creation Research

Ao que diz respeito as diferenças entre machos e fêmeas é evidente e bastante comum. Tem a ver com o papel que cada indivíduo tem no sexo de cada espécie. Machos evidentemente têm estruturas anatômica e comportamentos distintos ao de fêmeas, o que o torna apto a reprodução. É comum em borboletas ocorrer o dimorfismo e dicromatismo sexual.

A questão do equilíbrio já estabelece uma funcionalidade importante para que tal estrutura não desapareça. A função desse primeiro par de patas é a manutenção do equilíbrio do animal, a sensibilidade do substrato químico das plantas e também o comportamento de auto-limpeza que é fundamental em invertebrados e vertebrados. O comportamento de auto-limpeza em artrópodes auxilia na eliminação de agentes patogênicos. Em aranhas o comportamento de auto-limpeza é fundamental para evitar este tipo de problema, especial por ataque do fundo Curimagua bayano (Symphytognathidae).

Sendo assim as alegações do autor podem ter sido baseadas na ignorância que os biólogos tinham em relação a este grupo biológico, ou pior, ignorância do próprio autor em na saber quais funções elencam a agulha e as patas do animal.

Há muitos, muitos mais fatos interessantes sobre a borboleta monarca , que apontam para um grande Designer que o criou…. Quanto mais olhamos , e em qualquer profundidade que olhemos, vemos a assinatura inconfundível do Criador.

Institute for Creation Research

Este é um posicionamento religioso e não científico. Não é possível metodologicamente dizer que um determinado grupo animal ou uma estrutura foi completamente ou parcialmente desenhada por uma entidade sobrenatural. Por exemplo, sabemos que eventos naturais tendem a encontrar um equilíbrio naturalmente, mas muitas vezes não é alcançado. Isso ocorre na dinâmica de populações, na relação da proporção entre os sexos de indivíduos de uma determinada espécie ou até mesmo equilíbrio em certas assimetrias cósmicas. No caso das monarcas, as populações da Austrália e Havaí tem baixa diversidade, mas tem valores mais elevados de heterozigosidade do que as populações da América do Norte. Um estudo feito por Shephard e amigo (2002) mostrou que não é possível atribuir as populações australianas a uma fonte definitiva de diversidade, apesar dos elevados níveis de semelhança de populações australianas uns aos outros sugerirem um único evento de colonização. Isso implica que do ponto de vista genético, as populações australianas de Monarca não estiveram tempo suficiente para alcançar o equilíbrio alélico.

O texto acima reflete um posicionamento religioso. É perfeitamente natural ter este tipo de posicionamento sobre o assunto, mas deve-se separar religião de ciência. Ambos são acervos de conhecimento da humanidade, cada qual com seu método e suas características epistemológicas. Talvez por essa razão nenhum dos textos postados no Institute for Creation Research seja considerado artigo científico. Ele preenche campos teológicos (e teleológicos) e não empíricos. Sendo assim, este texto aqui apresentado é exclusivo deste grupo e não foi defendido, publicado em qualquer revista científica. Ele representa a opinião de um grupo de indivíduos relacionados a um ministério religioso na qual nega conceitos científicos da evolução e tenta respaldar uma concepção pseudo-científica onde Deus é protagonista da existência de tudo. Ora, se houve realmente assinatura divina ela estaria presente desde a primeira descrição cientifica deste animal. Aliás, o que vem a ser uma assinatura divina?

Se há uma assinatura divina, porque o criacionismo não é aceito como ciência ate mesmo pelos evolucionistas teístas?

Se é ou não, a ciência não tem como saber, quer eles aceitem isto ou não. O que nos permite concluir que afirmar não é comprovar, negar não é refutar. Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias, o que pode ser afirmado sem provas também pode ser rejeitado sem provas.

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A Migração de Monarcas

Outra citação bastante recorrente no caso das borboletas monarcas é a sua migração. Existe uma falsa correlação estabelecida por estes grupos religiosos de que o que é complexo precisa ser único, e exclusivamente obra de desígnio. Complexidade não é sinônimo de criação, porque o que temos como referencia de criação intencional somos nós mesmos.

Esta é outra alegação que é defendida por dois grupos religiosos, e aqui disponibilizo os links  dos textos sobre migração de monarcas de tais grupos religiosos; Answer in Genesis e o grupo Creationis (texto chamado Mission Impossible: the Monarch Butterfly)

Como os textos são antigos e defendem uma concepção religiosa embora o tema seja claramente cientifico analisemos os erros e julgaremos tais afirmações sobre a luz de artigos científicos.

Até hoje, nenhum cientista sabe ao certo . Parece que eles têm material magnético em sua cabeça e região do tórax, para que eles possam usar o campo magnético da Terra para ajudá-los. No entanto, a maioria dos cientistas acreditam que eles só usam o magnetismo da terra para dar-lhes a direção geral. Eles usam a posição do sol para a maioria da sua navegação , para localizar onde estão sobre a superfície da terra …Não é provável que os monarcas teriam tinha programado para eles, desde o início da criação, a rota exata de sua viagem , mas sim a capacidade de estabelecer os padrões de migração e levá-las para fora. O mundo mudou significativamente desde o grande dilúvio global, monarcas fizeram claramente ajustes em seus padrões ao longo do tempo . Isso requer um nível ainda maior de sofisticação design.

Answer in Genesis – An Electronic Design Expert  Ponders the Stunning Navigational  Exploits of the Monarch Butterfly.

É notável que o autor use o dilúvio como referência a sua alegação, sendo ele um defensor da ideia de Terra jovem, um conceito criado pela geologia do século 16 e que hoje não tem mais peso acadêmico. Por essa razão a Chart Stratigraphy emite anualmente uma carta atualizada com as novas descobertas e refina cada vez mais seus métodos de datação. A ideia de que a Terra tem 6 mil anos foi dada por Arcebispo de Armagh chamado James Ussher. Baseando-se na Bíblia, ele escreveu o livro The Annals of the World em 1658. Segundo a cronologia da vida na Terra baseada em estudos bíblicos e de outras fontes Ussher concluiu que a criação do mundo ocorreu no dia 23 de outubro do ano 4004 antes de Cristo (a. C.) as 9 horas da manha pelo calendário juliano. Na época, a afirmação foi amplamente aceita, porem hoje, não mais. Tendo a geologia descartado a concepção da Terra jovem, vejamos o que a ciência propõem no caso da migração das monarcas.

A primeira questão a ser tratada é que a migração de borboletas não é algo exclusivo a monarcas. Há outros grupos de borboletas que transitam em ciclos de migração bem mais longos e tão complexos que o da monarca. É o caso da borboleta Vanessa cardui (veja aqui) que foi descoberto a pouco tempo e vem sendo estudado por lepidopterologistas do Reino Unido. Outro caso notável é o fato de que borboletas monarcas de outros países não migram, apesar de compor a mesma espécie. É o caso das monarcas do Brasil.

EU E AS MONARCAS

Isso quer dizer que a migração de monarcas é um comportamento regional. Outro detalhe importante é que a migração é feita ao longo de gerações e não em uma única viagem. Sabendo disto, podemos seguir com a análise.

Há evidências de alguns modos na qual as borboletas podem realizar a migração: através de estruturas de interpretação do magnetismo da terra; dicas visuais. As duas propostas tem igual peso, embora a proposta mais aceita seja a de que a magnetorrecepção não é necessária. Vejamos as duas propostas:

Uma equipe de investigação liderada por Gegear e amigos (2010) usou moscas modificadas para estudar a falta da molécula criptocromo (Cry1), um fotorreceptor de luz azul já conhecido por estar envolvido na interpretação de sinais magnéticos em insetos. Ao inserir nas moscas deficientes o Cry1 de borboleta, um homólogo da proteína da mosca (ou a proteína borboleta relacionada Cy2), os pesquisadores descobriram que ele pode restaurar o sentido magnético das moscas de uma maneira dependente, ilustrando um papel para os dois tipos Cry, a magnetorrecepção. A proteína Cry2 da borboleta está intimamente relacionado com a de vertebrados, como a encontrada em aves que usam o campo magnético da Terra para ajudar a migração. A descoberta fornece a primeira evidência genética de que a magnetorrecepção esta presente em vertebrados. Uma característica interessante do trabalho da equipe foi que ela refutou uma opinião generalizada sobre como estas proteínas podem quimicamente sentir um campo magnético. Estes resultados sugerem que existe um mecanismo fotoquímico desconhecido que os Crys usam. O grupo agora esta desenvolvendo ensaios comportamentais para mostrar que os monarcas pode realmente usar campos geomagnéticos durante a sua migração. Um dos autores, Reppert, é também o Professor Higgins Family of Neuroscience que tem sido uma força pioneira no esforço para compreender navegação borboleta monarca e migração. No início de 2010, ele e seus colegas demonstraram um mecanismo chave que ajuda as borboletas a se orientarem usando o sol como referencias. E demonstrou que para chegar ao seu destino final não precisa de um mapa cerebral, como se pensava anteriormente

Essa explicação foi dada em 2010, e descartou a necessidade de um mapa espacial que continha o caminho para a migração, ele apenas mostrou que há mecanismos fisiológicos pelos quais podem servir de guia para as borboletas.

Em 2012 uma equipe testou se os monarcas são verdadeiros navegadores que podem determinar sua localização em relação ao seu destino final, utilizando tanto uma “bússola” e um “mapa”. Usando simuladores de vôo, o estudo trabalhou com a orientação das monarcas selvagens capturados no sudoeste de Ontário e descobriram que os indivíduos geralmente voam em direção ao sudoeste, seus locais de invernada. Quando deslocados 2,5 mil quilômetros a oeste, os mesmos indivíduos continuaram a voar em direção ao sudoeste geral, sugerindo que os monarcas usar uma estratégia de vetor de navegação simples (ou seja, usam uma bússola específica sem compensar deslocamento). A equipe usou mais de 5 décadas de dados de campo e marcando algumas monarcas criando dois modelos matemáticos conseguiram descrever a distribuição direcional de migrantes esperados sob uma estratégia de vetor-navegação. A análise das recuperações mostra que o aumento da direcionalidade de migração de norte a sul é em grande parte por causa da presença de barreiras geográficas que orientam indivíduos para os sítios de hibernação. O trabalho sugere que a reprodução das monarcas no leste da América do Norte provavelmente combinar mecanismos de orientação simples, com características geográficas que os encaminham tais sítios de hibernação mexicanos. Ou seja, sem a necessidade de magnetorrecepção (Mouritsen et al, 2012)

Sendo assim, há duas propostas perfeitamente naturais que permitem explicar como ocorre a migração de tal borboleta.

Uma coisa é certa, panapanas de borboleta aumentam as chances de sobrevivência. Análises de borboletas em cinco locais de hibernação no México e observações de forrageamento de aves em bandos mistos indicam que algumas aves aprenderam a suportar a impalatabilidade das monarcas provocada pela ingestão de cardenolídeos ainda no estagio larval. E o estudo notou que a predação é inversamente proporcional ao tamanho da colônia, e concluiu que a formação dessas migrações parecem ser uma explicação evolutiva fruto das agregações densas (Calvert etal, 1979)

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Relação planta-hospedeiro e Metamorfose de Borboletas

Eu possuo muitos livros sobre borboletas e já visitei conservatórios de borboleta proeminentes em vários países, e na minha experiência com evolucionistas, eles nem sequer tentam explicar como tal criatura poderia ter evoluído. Eles simplesmente presumir que elas evoluíram. Eles ainda falam sobre a “co-evolução” da borboleta e da flor, como se a seleção natural e mutação ou qualquer outro conceito naturalista poderia explicar a origem de tais relações simbióticas maravilhosas! Como poderia cegar evolução criar uma coisa dessas? Se a flor e o inseto polinizador fez evoluir, eles tinham que ter evoluído exatamente ao mesmo tempo – como no mesmo dia ou semana – porque eles são dependentes uns dos outros para sua própria existência.

Creation Vs Evolution – The Monarch Butterfly

Existem modelos explicativos sobre a origem da Ordem Lepidóptera, e sobre as Rhophalocera (grupo informal da classificação onde estão as borboletas (Papilionoidea + Hesperoidea)). Como são muitos detalhes e muitos artigos deixo alguns links (1,2,3,4,5,6,7)

Toda relação relação planta-hospedeiro e Metamorfose de Borboletas é estudada por biólogos, entomólogos e geneticistas e oferece insights importantes sobre a origem e evolução da dessas relações ecológicas e da metamorfose. Evidências fósseis e moleculares apontam tanto em mariposas quanto em borboletas para a origem e evolução de angiospermas. Elas estão completamente relacionadas a grupos polinizadores, que obviamente não são apenas borboletas. Evidências embriológicas, endocrinológicas. genéticas e registros fósseis demonstram como ocorreram as etapas da metamorfose. Um texto que explica cada detalhe dessa transformação é EVOLUÇÃO DE LEPIDOPTEROS – COEVOLUÇÃO COM PLANTAS E A ORIGEM/EVOLUÇÃO DA METAMORFOSE SOB A PERSPECTIVA MOLECULAR E DE REGISTROS FÓSSEIS.

Ainda sim, destaco aqui uma previa sobre este assunto. A 100 milhões de anos atrás as principais ordens de insetos já existiam, e podiam desenvolver o papel de polinizador, especialmente abelhas e borboletas (Veja FÓSSIL DE ÂMBAR REVELA REPRODUÇÃO ANTIGA DE ANGIOSPERMAS). Existe uma forte relação entre esses animais e suas respectivas plantas hospedeiras. Grande parte das mariposas e borboletas mudaram suas plantas hospedeiras conforme as angiospermas surgiram. Algumas mariposas, em especial aquelas com traços primitivos, até hoje se alimentam de grupo de plantas antigos como coníferas. Agathiphaga é um gênero de mariposas da família Agathiphagidae conhecida como “traças kauri” que faz exatamente isto (Kristensen et al, 2007).

Embora o maior período de radiação das angiospermas tenha ocorrido entre 140 e 100 milhões de anos, os dados de fósseis sugerem que a diversificação de lepidópteros primitivos tenha ocorrido antes dessa época e as borboletas se irradiaram muito tempo depois da origem das suas atuais plantas hospedeiras. Ou seja, as borboletas se adaptaram as angiospermas a cerca de 75 milhões de anos. Até pouco tempo nenhum estudo havia testado os efeitos das inovações importantes na diversificação das borboletas sob uma perspectiva co-evolutiva. Para explorar o potencial do papel da coevolução na diversificação das borboletas um grupo de pesquisadores usou a borboletas da família Pieridae como referência para tal hipótese. Recentes avanços em genômica funcional e filogenia desta família oferecem uma oportunidade única para resolver as controvérsias sobre o estabelecimento de plantas hospedeiras em determinados grupos de borboletas. Os Pieridae usam três principais grupos de plantas hospedeiras: as Fabales (Leguminosas), os Brassicales (plantas com glucosinolatos como as couves e Arabidopsis), e viscos. A reconstrução filogenética de Pierideos é bem compreendida e foi construída com quase 90% dos gêneros do grupo. Pieridae tem 74 gêneros reconhecidos, mais 6 subgêneros e sua filogenia foi baseada em em 1066 pb do gene EF-1. Os resultados dessa filogenia indicam que a alimentação em Fabales é o estado ancestral de Pieridae. (Christopher et al, 2007).

Ao que diz respeito a metamorfose completa, ela evoluiu de metamorfose incompleta, isto é consenso acadêmico. Os mais antigos insetos fossilizados são muito parecidos com os ametabolos modernos e os hemimetabolos têm seus filhotes parecidos com adultos. Os fósseis que datam até 280 milhões de anos atrás, no entanto, registram o surgimento de um processo de desenvolvimento diferente. Nessa época, alguns insetos começaram a eclodir de seus ovos não como adultos minúsculos, mas como criaturas vermiformes com corpos gordos e muitas pernas minúsculas. Em Illinois, por exemplo, os paleontólogos descobriram um inseto que parece um cruzamento entre uma lagarta e um grilo, com cabelos longos revestimento de seu corpo. Ele viveu em um ambiente tropical e, provavelmente, seu microclima era a serrapilheira. Não se sabe o que definitivamente fez com que alguns insetos começassem a eclodir em forma larval, mas Lynn Riddiford e James Truman da Universidade de Washington em Seattle tem uma das teorias mais abrangentes. A ideia é que a fase pró-ninfa se originou para o estágio larval de metamorfose completa. Há 280 milhões anos atrás, através variações genômicas e/ou endócrinas algumas pró-ninfas não conseguiam absorver toda a gema de seus ovos, deixando um precioso recurso não utilizado. Em resposta a esta situação desfavorável, algumas pró-ninfas tiveram uma nova aptidão, a capacidade de se alimentar até a gema extra ainda dentro do ovo. Se essas pró-ninfas surgiam a partir os ovos antes de chegar à fase de ninfa teriam sido capaz de continuar a alimentar-se no mundo exterior. Ao longo das gerações, esses insetos “infantilizados” podem ter permanecido em uma fase pró-ninfa prolongada, crescendo com uma dieta especializada em frutas, folhas em vez de néctar ou outros insetos menores. Eventualmente, pró-ninfas e pré-púberes tornaram-se larvas que se assemelhavam as lagartas modernas. Desta forma, a fase larval da metamorfose completa corresponde à fase de ninfas de pró-metamorfose incompleta. A fase de pupa surgiu mais tarde, como uma espécie de fase de ninfa condensada que catapultou as larvas em suas formas adultas aladas sexualmente ativas. Algumas evidências anatômicas, hormonais e genéticas suportam esse cenário evolutivo. Anatomicamente, pró-ninfas têm muita coisa em comum com as larvas de insetos que sofrem metamorfose completa: ambos têm corpos moles, ausência do exoesqueleto escamoso e possuem sistemas nervosos imaturos. Um gene chamado Broad é essencial para completar a metamorfose e a fase de pupal. Se este gene for desligado, uma lagarta nunca forma uma pupa e não se tornar uma borboleta. Esse gene é importante para a muda durante a fase de ninfa e metamorfose incompleta corroborando a equivalência de ninfa e pupa. Da mesma forma, pró-ninfas e larvas têm altos níveis de hormônio juvenil (HJ), que é conhecido por suprimir o desenvolvimento de características adultas. Em insetos que sofrem metamorfose incompleta os níveis de HJ caem antes das mudas de pró-ninfa na ninfa. Na metamorfose completa, no entanto, o HJ continua a inundar o corpo da larva até pouco antes de pupa. A evolução da metamorfose incompleta para metamorfose completa certamente envolve o ajuste genético deste gene e do hormônio que banha o embrião mais cedo do que o habitual e manteve os níveis altos por um tempo anormalmente longo. No entanto, a metamorfose evoluiu, os números enormes de insetos que fazem metamorfose evidenciam seu sucesso reprodutivo (Truman & & Riddiford, 1999) Para entender todo o processo evolutivo da metamorfose é necessário ver o link postado no inicio deste tópico.

Veja mais em ONE BUTTERFLY INSPIRES MULTIPLE TECHNOLOGIES e WHY A BUTTERFLY FLUTTERS BY

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Borboletas, Mariposas, Lepidopoteros, Monarca, Danaus plexippus, evolução, ciência, ~criacionismo, designer inteligente, pseudo-ciência, negancionismo.

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Referências

Christopher W. Wheat*†‡, Heiko Vogel*, Ute Wittstock*§, Michael F. Braby, Dessie Underwood**, and Thomas Mitchell-O. The genetic basis of a plant–insect coevolutionary key innovation. PNAS [1] December 18, 2007 [1] vol. 104 [1] no. 51 [1] 20427–20431

Brower, A. V. Z.; Jeansonne, M. M. (May 2004). “Geographical Populations and “Subspecies” of New World Monarch Butterflies (Nymphalidae) Share a Recent Origin and Are Not Phylogenetically Distinct“. Annals of the Entomological Society of America 97 (3): 519–523

Gegear et al. Animal cryptochromes mediate magnetoreception by an unconventional photochemical mechanismNature, January 24, 2010;

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Insetos do Brasil. Capitulo 37 Lepidoptera. Duarte. M.; Marconato, G.; Specht, A.; Casagrande, M. Editora Holos. 2012

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* Niels p.Kristensen, Malcolm j. Scoble & Ole Karsholt. Lepidoptera phylogeny and systematics: the state of inventorying moth and butterfly diversity. Zootaxa 1668: 699–747 (2007).

Romeno, S. M. B. Fundamentos da Neurofisiologia Comparada – Da recepção a integração. 2000

WILLIAM H. CALVERT1, LEE E. HEDRICK1, LINCOLN P. BROWER1. Mortality of the Monarch Butterfly (Danaus plexippus L.): Avian Predation at Five Overwintering Sites in Mexico. Science 25 May 1979: Vol. 204 no. 4395 pp. 847-851

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