MÉTODO DE DATAÇÃO – A FALÁCIA CRIACIONISTA DE ANDREW SNELLING

Andrew snelling

Andrew snelling

Um texto publicado no Answers in Genesis denominado “Radiometric Dating: Making Sense of the Patterns” o criacionista Andrew Snelling, tem a pretensão de demonstrar que os métodos de datação radiométrica, por vezes, produzem resultados conflitantes, mas a técnica em si é científica e confiável. Uma vez que os resultados são interpretados em um quadro bíblico, eles produzem padrões claros que nos ajudam a compreender melhor a história da terra desde a criação há seis mil anos. Essa é a alegação de Snerlling, e o texto faz diversas alegações sem qualquer fundamentação em artigos referenciados e, quando o faz, aplica equivocadamente o disposto nestes artigos, se valendo da mais sórdida técnica de distorção, de forma a dar suporte as suas alegações. Ao longo deste trabalho, analisaremos o referido texto. A primeira coisa ao analisar um texto, é verificar sua procedência e se o conteúdo dentro dele é realmente científico. A maior dica que temos dessa procedência esta nas referências usadas. Esse texto de Snerlling é repleto de alegações, as quais serão analisadas.

“Furthermore, new evidence indicates that radioactive elements in the rocks, which are used to date the rocks, decayed at much faster rates during some past event (or events) in the last 6,000 years. So the claimed ages of many millions of years, which are based on today’s slow decay rates, are totally unreliable“.

Onde claramente faltam as evidências.

Onde tais afirmações foram publicadas? Quem as fez? Qual a metodologia do trabalho?

Não há referências. Ele ainda afirma por exemplo:

“They also allow us to compare rock units in different areas of the world to find which ones formed at the same time. Furthermore, if physicists examine why the same rocks yield different dates, they may discover new clues about the unusual behavior of radioactive elements during the past. “

Sem citar que físicos são estes. Onde foi publicado? Qual metodologia foi utilizada?

“Recently, creationist researchers have utilized all four common radioactive clocks to date the same samples from the same rock units.2 Among these were four rock units far down in the Grand Canyon rock sequence (Figure 1), chosen because they are well known and characterized. These were as follows…”

Sua única referência é um texto denominado “Isochron Discordances and the Role of Inheritances and Mixing of Radioisotopes in the Mantle and Crus” e o seu livro “Radioisotopes and the Age of the Earth” postado no Institute for Creation Research na qual não é reconhecido como ciencia.

O livro cita algumas referências bibliográficas científicas, mas as conclusões não possuem relação com o que é citado. Há inúmeras alegações sem qualquer citação científica que as corrobore, bem como ainda faz assunções absurdas como dilúvio, escrituras e métodos de datação alternativos não convencionais e não usados pela geologia.

Vale citar que não há qualquer trabalho de cunho científico e referenciado que corrobore a ideia proposta pelo livro. O ponto especifico do livro onde se encontra a idéia central é o capítulo 8 o qual trata de “Radiohalos”, sendo suas fontes Robert. Gentry, o qual já foi desbancado e não acrescenta nada mais do que aquilo que já sabemos (para saber sofre a refutação de Robert Gentry clique aqui)

Em seu livro, na página 442 há uma tabela onde foram encontradas as rochas com radiohalos:

Página 443 as referências geológicas:

Página 443 as referências geológicas:

Página 444 a geologia das localidades.

Página 444 a geologia das localidades.

Todavia, temos gnaisse, granitos e granitos pegmatitos.

Todavia, temos gnaisse, granitos e granitos pegmatitos.

A pg. 445 está a tabela que traz a idade desses veios:

Sem título

Nota-se que nada disso se trata de granitos primordiais, pois rochas pré-cambrianas não são primordiais e tampouco as gnaisses, uma vez que estes são granitos metamorfizados, o que mostra o erro na metodologia de Gentry.

Portanto, ainda que fossem encontrados radiohalos de polônio isolados nesses veios, não se tratariam de qualquer rocha primordial ou formada instantaneamente.

Eis parte da conclusão do texto pag. 456:

Sem título

Como destacado anteriormente (Veja aqui) vimos que a metodologia de Gentry está completamente equivocada, o que mata seu trabalho na raiz.

Para complicar ainda mais, temos a equação para a meia vida de isótopos radioativos da Física Quântica Robert Eisberg e Robert Resnick Editora Campus):

Sem título

onde:

e = base neperiana;
h = constante dePlanck/(2*π) = 1,05457168 * 10-34J.s ou 6,58211915* 10-16 eV.s;
m = massa da partícula alfa;
E = energia cinética das partículas alfa.
r = distância a partir do núcleo.
r’ = raio nuclear, onde V(r) > E;
r’’’ = distância onde V(r) < E;
e = carga do elétron ou carga elementar. É a carga de um único elétron. Seu valor é 1,60217657 × 10-19 C;
Z = número de prótons do núcleo após a ejeção da partícula alfa, sendo Z*e = carga nuclear;

Constante de Planck (h*2π) → descreve o tamanho dos quanta. Quanta é a mínima quantidade de qualquer entidade física envolvida numa interação. Seu valor é dado por 6,62606957 × 10-34 m2 kg / s

Permissividade do vácuoo)→ mede a permissividade elétrica do vácuo. Seu valor é 8,85418782 × 10-12 m-3 kg-1 s4 A2.

Sua fórmula é dada por:

εo = (μoc2)-1

onde:

 c = velocidade da luz no vácuo = 299,792,458 m/s
μo = permeabilidade do vácuo 4π×10−7 V·s/(A·m). esta constante deriva da produção de um campo magnético por uma corrente elétrica ou pelo movimento de uma carga elétrica a partir de outras fórmulas de campo magnético produzidos no vácuo.

Tais grandezas (e, c, μo, h) são constantes universais, embora haja trabalhos que questionem a constância das constantes do Universo (Time Variation of the Fine Structure Constant Driven by Quintessence – Luis Anchordoqui and Haim Goldberg).

A formulação da constante alfa ou constante de estrutura fina que caracteriza a magnitude da força eletromagnética e é dada por:

Sem título

Esta constante depende da velocidade da luz e da constante de Planck, dois alicerces de toda a física moderna. Para manter a constante alfa, esta exige que ambos os valores continuem sendo constantes. Ocorre que algumas observações recentes tinham levado à incômoda conclusão de que a constante alfa pode ter sido diferente no passado.

 

Questionamentos do texto:

Um dos questionamentos se refere ao decaimento beta e sua aceleração quando da ionização de materiais radioativos conforme citado no trabalho Bound state and beta decay of highly ionized atoms (Takashi etal, 1983)e Nuclear p-decays of highly ionized heavy atoms in stellar interior (Takahashi & Yokoy, 1983).

No primeiro trabalho, é dada a tabela:

Sem título

Em física, um estado é uma quantidade matemática (que varia de acordo com a teoria) que determina completamente os valores das propriedades físicas do sistema associadas a ele num dado instante de tempo (ou as probabilidades de cada um de seus valores possíveis serem medidos, quando se trata de uma teoria probabilística). Em outras palavras, todas as informações possíveis de se conhecer em um dado sistema constituem seu estado.

Na mecânica quântica,um estado quântico é representado matematicamente por uma função de onda. Na representação mais simples, a função de onda depende das variáveis​​de posição apropriadas para o sistema e para o tempo.

A função mais geral onda representa um estado em que os vários estados observáveis ​​do sistema não têm valores específicos; em vez disso,cada estado observável pode assumir um valor dentro de um número de possíveis valores permitidos, “cada um com uma probabilidade não nula.

O processo de medição de um estado observável em particular ratifica uma dessas possibilidades, deixando o sistema em um estado onde a medida do estado observável assume um valor definido.  Há dois tipos de estado: os contínuos e os ligados.

Uma partícula em um estado contínuo não sofre qualquer restrição. Se o estado contínuo é não estacionário, em seguida, então a região de localização (isto é, a região onde a partícula é mais provável e ser encontrada em uma medida de posição) pode mover-se através do espaço conforme decorrer do tempo.

Um estado  ligado (bound state) descreve um sistema em que uma partícula é sujeita a um potencial, de tal forma que a partícula tem uma tendência a permanecer localizada em uma ou mais regiões de espaço (um elétron orbitando em torno de um núcleo positivo). O potencial pode ser: ou um potencial externo, ou pode ser o resultado da presença de uma outra partícula.

Uma partícula em um estado ligado é espacialmente localizada por todo o tempo em determinada região do espaço-próximo a energia potencial que o torna ligado.

Na mecânica quântica (em que o número de partículas é conservado), um estado ligado é um estado no espaço de Hilbert, que corresponde a duas ou mais partículas cuja energia de interacção é menor do que a energia total de cada partícula separada e, portanto, essas partículas não podem ser separadas a menos energia seja dissipada.

O espectro de energia de um estado ligado é discreto, ao contrário do espectro contínuo visualizado em partículas isoladas.

Em estados ligados, como o elétron girando ao redor do núcleo de um átomo, a energia não se troca de modo contínuo, mas sim de modo discreto (descontínuo), em transições cujas energias podem ou não ser iguais umas às outras. A ideia de que estados ligados têm níveis de energias discretas é devida a Max Planck.

Na verdade, é possível ter estados ligados  instáveis, ​​com uma energia de interação positiva, desde que haja uma “barreira de energia” que tem de ser tunelada, a fim de que esse estado decaia. Isto é verdadedeiro para alguns núcleos radioativos e para alguns materiais, capazes de transportar carga elétrica por longos períodos denominados electretos (materiais dielétricos que possuem carga elétrica ou polarização de dipolo quasi- permanentes.

Para esclarecera distinção entre estado contínuo e estado ligado, considere o átomo de hidrogênio: um elétron no campo de Coulomb provocado por um próton.

Em umestado ligado, a probabilidade de encontrar o elétronlonge donúcleodiminuiexponencialmente para zero, conformedistância do núcleoaumentaao infinito.

Por outro lado, em um estado contínuo, o elétron pode escapar para a vizinhança do próton podendo ser encontrado, arbitrariamente, a grandes distâncias a partir do próton. Neste caso, o elétron está ionizado. Estados contínuos são particularmente importantes devido à sua função na dinâmica de colisões. Por esta razão, um estado contínuo é frequentemente chamado de estado de dispersão. (Morrison & Homer, 2013)

Todavia, em ambos os trabalhos, a questão se refere a estados ionizados de isótopos e não estes em seu estado normal. Quando um estado está ionizado, o que temos é um ganho ou perda de carga no elemento químico.

Para o decaimento beta, sua meia vida é dada por:

λ = 1/τ =∫0t0 P(T) dT
P(T) dT = G2*│M2│* F(Z,T)* (T + moc2) * (T2 + 2 moc2T)1/2 * (To – T)2 dT
(T + moc2) = energia total;
(T2 + 2 moc2T)1/2= momento;
(To – T)2 = energia dissipada na desintegração;
F(Z,T) = { 2*(1+S) * (2pρ)(2S-2) * eπη * │Г (S + iη)│2} / [Г (1+2S)2]

[Versuch einer Theorie de beta strahlen I Enrico Fermi]

e = base neperiana;
mo = massa de repouso do elétron;
Z = número atômico;
S = (1 – α2Z2)1/2;
α = e2*2π/hc; constante de estrutura fina;
h = constante de Planck;
c= velocidade da luz;
e = carga do elétron;
│Г (S + iη)│2 = modulo da função gama complexa = número real.
η = +_ αZE/pc;
pc = (T2 + 2 moc2T)1/2;
ρ = 2πrn/h;
rn = raio do estado final do núcleo;
To = energia disponível para a desintegração = (Mi – Mf)*c2;
T = moc2 * [ (1-v2/c2)-1/2 – 1];
v = (H*r*e/ mo) * [c2 + (H * r *q/mo)/ c2]-1/2;
H = campo magnético a que a partícula é submetida;
r = raio da órbita;
q = carga da partícula;
G = função de forma que depende da permissividade do decaimento. Para os decaimentos permitidos ela é constante.
G – C(T) = força de Fermi.
G = 21/2 * g2 * (hc/2π)3/(8*mw2);
m= massa do bóson W.
g = constante de acoplamento da força fraca que determina a interação que se separa em interação cinética e interação de acoplamento propriamente dita. É o parâmetro de acoplamento de calibre, também definida por αw, ou constante de acoplamento da força fraca.

Primeiro deve-se definir a constante de acoplamento da força forte dada por:

αs (E) = 12 π/[(33 – nf) * ln(E/Λ)2]
nf = numero de quarks ativos na produção do par (> 6);
Λ = número de valor de energia de máximo comprimento de onda ou “cut off” no campo do ultravioleta (μ << Λ e g <<1) de acordo com a QED, onde se tem a máxima energia e o menor comprimento de onda. Depende do “bremsstrahlung” ou o máximo valor da partícula beta a partir do qual a energia começa a decair.

Esta energia é dada por Q = Kf – Ki;

Para o decaimento beta tem-se:

β+ → Q = (Mi – Mf + 2me)*c2
β → Q = (Mi – Mf )*c2;

Captura de elétron →Q = (Mi – Mf )*c2;

E = hλ/v
λ = comprimento de onda;

Este comprimento de onda é determinado em um campo de potencial de aceleração do elétron (U) até uma velocidade v dada por:

v = (2eU/mo)1/2; sendo  λ = h*(2eU mo)-1/2
v = velocidade da partícula;

A energia E será dada por: E = h2/( mov2)

Assim, pra os delta e sigma bárions temos:

αw = αs * 3*10-7;

A liberdade assintótica, propriedade das teorias de calibre que causam ligações entre partículas, estas ligações se tornam assintoticamente fracas, a mdida que a energia cresce e a distância decresce. Essa teoria trata da interação nuclear entre quarks e glúons.

Sem título

Sendo βo, que se trata de uma função beta, dado por:

Sem título

Para a normalização para do grupo SU(N), encontra-se as seguintes expressões para os fatores de cor:

Sem título

Para o grupo SU(N) = grupo especial unitário de grau n de matrizes unitárias n X n com determinante 1, substituindo para o grupo SU(3), sendo N=3 os fatores de cor dos glúons, o resultado obtido pela QCD é:

Sem título

 [The four-loopβ-function in Quantum Chromodynamics – T. van Ritbergen, J.A.M. Vermaseren e S.A. Larin].

│M│2 = módulo quadrado do elemento de matriz que é a probabilidade de que o núcleo sofra uma transformação beta, conforme as transições permitidas e proibidas.

É o salto entre os estados inicial e final do núcleo. É valorada por meio das funções de onda que envolvem números complexos e, portanto, │M│2 é   um número real que depende de h, e, mo e α, bem como da energia.

É representada por uma série infinita de equações simultâneas, conforme segue:

Sem título

O seu segundo termo é menor que o primeiro por uma ordem de 100 e o terceiro e menor que o segundo por quase o mesmo fator.

Estes fatores são descritos pela teoria perturbativa quântica. [Mecânica quântica obra coletiva -p 92], [A strongly perturbed quantum system is a semiclassical system – MarcoFrasca],[ Perturbation theory e [Rayleigh–Schrödinger perturbation theory- UniFr].

Assim, o número de elétrons dado na equação acima variará (uma vez que Z varia do estado ionizado para o estado normal) e o decaimento sofrerá mudanças em suas taxas.

Segundo o trabalho de Takashi etal (1983) os núcleos pesados foram envolvidos em um plasma de elétrons e de íons a altas temperaturas e de altas densidades. Entretanto, na natureza, uma rocha não se encontra em estado de plasma, sendo que seus isótopos se encontram sob a forma de átomos neutros que é um átomo cujo número de elétrons é o mesmo daquele do número de prótons, o qual não possuirá carga elétrica.

Dessa forma, aplicar a idéia de decaimento beta à datação radiométrica é completamente equivocado, não passando de mais uma demonstração da má fé existente no seio do criacionismo.

No livro de DeYoung (2005) denominadoRadioisotope Dating Case Studiesnão traz nada além das mesmas alegações falaciosas e descontextualizadas pregadas por criacionistas. A surpresa que este livro traz é Baugardner em seu capítulo 3, e a retenção do He em zircônio, e Gentry em seu capítulo 5.Temas estes que também já foram desbancados por erros procedimentais na manipulação das amostras e por análises equivocadas (Veja questões 203, 204, 205, 206, 207 do texto 330 RESPOSTAS QUE COMPLICAM A VIDA DOS CRIACIONISTAS).

Na tabela do Answer in Genesis foi utilizada uma tabela explicativa:

Sem título

Tal tabela não destaca a metodologia foi utilizada na elaboração dos dados. Nem quem fez tais anotações, onde foram publicadas, que material foi analisado e de onde foi extraído.

Seguem as alegações do texto:

“It is immediately apparent that the ages for each rock unit do not agree. Indeed, in the Cardenas Basalt, for example, the samarium-neodymium age is three times the potassium-argon age.

Onde foi publicado? Que metodologia foi utilizada?

“Nevertheless, the ages follow three obvious patterns. Two techniques (potassium-argon age and rubidium-strontium) always yield younger ages than two other techniques (uranium-lead and samarium-neodymium). Furthermore, the potassium-argon ages are always younger than the rubidium-strontium ages. And often the samarium-neodymium ages are younger than the uranium-lead ages.”

Onde foi publicado? Que metodologia foi utilizada?

“What then do these patterns mean? All the radioactive clocks in each rock unit should have started “ticking” at the same time, the instant that each rock unit was formed.”

O fato de uma metodologia diferir da outra não leva à conclusão de que “relógios atômicos” foram calibrados ao mesmo tempo. Isso é uma argumentação non sequitur, ou seja, que designa a falácia lógica na qual a conclusão não decorre das premissas

De fato “relógios atômicos” são calibrados assim que a rocha se solidifica e não por que isótopos decaem a taxas distintas.

Não sabemos a metodologia utilizada para dar sustento às alegações de Snelling, mas o que se pode dizer é que não está devidamente adequada, além do fato que o autor apenas demonstra falta de conhecimento na respectiva disciplina.

“So how do we explain that they have each recorded different ages? The answer is simple but profound. Each of the radioactive elements must have decayed at different, faster rates in the past!

Esse é uma forte e expressiva falácia non sequitur do texto, especulação sobre especulação, pois não há nada que corrobore tal ideia, uma vez que cada isótopo possui uma meia vida que depende das constantes universais e não há nada que diga que elas tenham variado ao longo do tempo. Principalmente no que concerne ao tempo do surgimento e evolução do sistema solar.

“In the case of the Cardenas Basalt, while the potassium-argon clock ticked through 516 million years, two other clocks ticked through 1,111 million years and 1,588 million years. So if these clocks ticked at such different rates in the past, not only are they inaccurate, but these rocks may not be millions of years old!

Novamente uma alegação non sequitur, pois se há 516 mi, 1,588 bi e 1,111 bi  como as rochas não teria milhões de anos?

De fato, vale pergunta, que amostras foram analizadas? Saíram do mesmo estrato rochoso? Onde foram coletadas dentro da extensão do Grand Canyon? Quantas análises foram feitas do material?

“But how could radioactive decay rates have been different in the past? Creationist researchers don’t fully understand yet. However, the observed age patterns provide clues. Potassium and rubidium decay radioactively by the process known as beta (β) decay, whereas uranium and neodymium decay via alpha (α) decay (Figure 6). The former always gives younger ages. We see another pattern within beta decay. Potassium today decays faster than rubidium and always gives younger ages.”

O raciocínio não tem qualquer coerência. Vejamos!

A meia vida do K-40 é de 1,275 (K-40 à Ar – 40) bilhão de anos e a do Rb-87 é de 49 bilhões de anos (Rb-87 à Sr -87). Este é o decaimento beta, onde um próton se converte em um nêutron. Ambos se tratam de um decaimento β+.

O método do U-Pb apresenta duas séries de decaimentos:

U – 238 à Pb-206, meia vida de 4.47 bilhões de anos;

U – 235 à Pb-207 meia vida de 704 milhões de anos.

O decaimento dos isótopos de urânio se dá por uma sequência de decaimentos alfa e beta, conforme as respectivas séries.

Quanto ao decaimento do método do Samário-Neódmio se dá por decaimento alfa, conforme segue:

Sem título

Os decaimentos β+ obedecem a seguinte equação:

Sem título

Na qual é liberado um pósitron e um neutrino do elétron. Este decaimento não ocorre em prótons isolados, porque requer energia, devido à massa do nêutron é maior do que a massa do próton. Este decaimento somente ocorre dentro de núcleos quando o núcleo filho tem uma energia de ligação maior, e, portanto, uma energia total mais baixa que a do núcleo pai.

A diferença entre estas energias vai para a reação de conversão de um próton para um nêutron, um pósitron e um neutrino, e para a energia cinética das partículas.

Em um processo oposto ao decaimento beta negativo, a interação fraca converte um próton em um nêutron através da conversão de um quark up em um quark down por este emitir um bóson W + ou absorver um bóson W-.

A emissão de pósitron se dá da seguinte forma:

Dentro de prótons e nêutrons, existem partículas fundamentais chamadas quarks. Os dois tipos mais comuns são: quarks up quarks, que têm uma carga de 2/3 e para baixo quarks, com uma carga de  -1 / 3.

Os quarks se organizam em conjuntos de três, de tal forma que eles são as partículas elementares que originam os prótons e nêutrons. Em um próton, cuja carga é de 1, há dois quarks up e um quark down. Os nêutrons, têm carga nula, endo formados por um quark up e dois quarks down.

Por meio da interação fraca, os quarks pode mudar o “sabor” de downpara up, resultando em emissão de elétrons. A emissão de pósitrons acontece quando um quark up se transforma em um quark down, conforme a equação:

  u + e− + νe → d

É o que ocorre com o método do Rubídio-Estrôncio, conforme segue a equação:

Sem título

Núcleos que decaem por emissão de pósitrons também podem decair por captura de elétrons. Para decaimentos de baixa energia, a captura eletrônica é energeticamente favorecida por 2me*c2 = 1,022 MeV, uma vez que o estado final tem um elétron removido ao invés de um pósitron acrescentado, conforme segue:

p + e− → n + νe

Como a energia de decaimento aumenta, o mesmo acontece com a taxa de energia de ramificação para a emissão de pósitrons.

No entanto, se a diferença de energia é menos do que 2me*c2, a emissão de pósitrons não poderá ocorrer e a captura de elétrons será o único modo para que o decaimento ocorra.

Esta reação faz o número de elétrons no núcleo aumentar de 1 e o número de prótons decrescer de 1, sendo que o número de massa permanecerá o mesmo. Assim, o isótopo filho e o isótopo pai serão isóbaros, sendo ambos elementos químicos distintos.

O elétron que é capturado é um dos próprios elétrons do átomo, e não um novo elétron, como pode ser sugerido pela forma como a reação abaixo do método do Potássio-Argônio é descrita:

Sem título

Dessa forma, o texto se refere a três padrões supostamente observados:

Os métodos do K/Ar e do Rb/Sr levando a idades mais jovens que os métodos U/Pb e do Sm/Nd;

O método do K/Ar levando a idades mais jovens que o método do Rb/Sr;

O método do Sm/Nd levando a idades mais jovens que o método do U/Pb.

Segue conforme a tabela:

Sem título

Vale lembrar um detalhe importante, o anfibolito é uma rocha metamórfica e as demais são ígneas. Entretanto, como se pode notar não há completude nas tabelas,e, tampouco se sabe qual foi a metodologia utilizada, bem como a forma de coleta de material e de onde especificamente foram coletadas as amostras. Segue mais uma alegação:

“Both of these patterns suggest something happened in the past inside the nuclei of these parent atoms to accelerate their decay. The decay rate varied based on the stability or instability of the parent atoms. Research is continuing.”

Trata-se novamente de uma falácia non sequitur. Uma vez que sequer se conhece a metodologia aplicada no suposto trabalho, e tampouco há uma publicação referenciada, e sabida a fórmula da equação de decaimento, a assunção em torno de que a taxa de decaimento tenha variado é no mínimo descabida.

Há ainda a seguinte figura:

Sem título

Esta figura afirma que as medidas efetuadas seguem claramente certos padrões, que se rejeitados os milhões de anos, as medidas conferem padrões de “idades relativas” das camadas de rochas que mostram a ordem em que foram formadas “durante a semana da criação” [SIC] e do dilúvio [SIC].

Isso se trata de outro non sequitur e de uma afirmação sem qualquer base que a corrobore.

Devemos ainda distinguir minerais máficos e félsicos.

Os minerais máficos são aqueles ricos em elementos químicos pesados, nomeadamente em compostos ferromagnesianos, e relativamente pobre em sílica. O vocábulo máfico deriva da aglutinação de magnésio e ferro (magnésio + ferro + sufixo ico), indicando a riqueza em ferro e magnésio desses minerais e rochas. Quando a riqueza em compostos ferromagnesianos é muito grande, os materiais são referidos como ultramáficos.

Segue a tabela dos minerais máficos:

Sem título

Os minerais félsicos são aqueles ricos em elementos leves como o silício, oxigênio, alumínio, sódio e potássio. Este termo é uma combinação das palavras “feldspato” e “sílica”.

Segue a tabela dos minerais félsicos:

Sem título

Minerais félsicos mais comuns incluem quartzo, moscovita, ortoclasio, e os feldspatos plagioclásios ricos em sódio.

Quando se fala em datação, os métodos são baseados em minerais que são incrustados nas formações rochosas.

Por exemplo, no método do Rb/Sr as micas excluem o estrôncio quando se cristalizam, mas incorporam em seus retículos o rubídio.

Durante a cristalização fracionada, o Sr tende a concentrar-se em plagioclasios, deixando o Rb na fase líquida. Assim, a relação Rb/Sr em magma residual pode aumentar ao longo do tempo, resultando em rochas com o aumento da relação Rb/Sr com o aumento da diferenciação. Relações Rb/Sr mais altas (10 ou superior) ocorrem em pegmatitos. Dessa forma este método é mais utilizado para minerais félsicos.

Para o método do U/Pb o zircão exclui o Pb mas incorpora o U. Este método pode ser usado em monazita, titanita e baddeleyita.

O método foi desenvolvido principalmente em torno do mineral zircão (ZrSiO4). É mais utilizado para datar minerais félsicos devido à ocorrência limitada do zircão somente certas rochas ígneas félsicas, aquelas constituídas em grande parte de silício e alumínio e minerais ricos em feldspato e quartzo onde também se encontram monazita, titanita, e baddeleyíta.

Além disso, a perovskita (CaTiO3), um componente comum de algumas rochas ígneas ultramáficas, é passível de ser datada com precisão pelo método do U/Pb. Como resultado destes desenvolvimentos, praticamente todas as rochas ígneas podem agora ser datadas.

Neste método utiliza-se minerais muito resistentes à ação intempérica (zircão, monazita, titanita, rutilo, xenotina, etc.). Portanto, mesmo amostras muito alteradas são passíveis de utilização nas datações U/Pb.

A razão pela qual o método do U/Pb é superior a outros métodos é simples: há dois cronômetros de urânio e chumbo, uma vez que há dois isótopos de urânio radioativo. Logo, duas idades podem ser calculadas para cada análise. E plotadas em um diagrama de concórdia.

Sem título

Se o ponto cai sobre a curva superior mostrada, o locus de idades idênticas, o resultado é dito concordante, e uma idade inequívoca em sistema fechado será estabelecida. Se abaixo teremos idades discordantes.

No entanto, os minerais (ou frações de minerais) analisados não plotam exatamente em cima da linha concórdia por uma série de razões, sobretudo pelo fato de que o sistema U-Pb não seria totalmente fechado nos minerais utilizados na datação. Dificilmente são obtidas idades concordante. Todavia, as diversas frações de minerais se alinham ao longo de uma reta denominada de discórdia, cuja interseção com a concórdia indica a idade dos minerais.

Sem título

Em inúmeros casos, os pontos analíticos se mostram discordantes da curva concórdia, mas alinhados segundo uma reta denominada de discórdia. As idades 206Pb/238U, 207Pb/235U e 207Pb/206Pb calculadas com base nas equações 5, 6 e 8, neste caso, se mostram discordantes. A idade obtida pelo intercepto superior da reta discórdia com a curva concórdia pode representar a idade da cristalização dos cristais de zircão. Para o intercepto inferior existem interpretações que relacionam o valor obtido a uma perda de Pb episódica ou contínua. Se a perda estiver relacionada a um episódio tectônico, a idade obtida para o intercepto inferior pode ser associada ao mesmo e, portanto, ter significado geológico. Por outro lado, se a perda de Pb é contínua, tal como observada em cristais de zircão metamíctico, a idade do intercepto inferior não terá significado geológico (Novas Técnicas Aplicadas ao Método U-Pb no CPGeo – IGC/USP:Avanços na Digestão Química, Espectrometria de Massa (TIMS) e Exemplos de Aplicação Integrada com SHRIMP) e (A determinação da idade das rochas – UNICAMP).

O método do Sm/Nd é mais utilizado em minerais máficos. A concentração de Sm e Nd, em minerais de silicatos aumenta com a ordem na qual eles se cristalizam a partir de um determinado magma, de acordo com a série de reações de Bowen.

O Samário é acomodado mais facilmente em minerais máficos, de modo que uma rocha máfica que cristaliza minerais máficos irá concentrar Neodímio na fase de fusão mais rápidamente que em relação ao Samário.

 Assim, como um material fundido é submetido a cristalização fracionada a partir de uma composição máfica para uma composição mais félsica, a abundância de Sm e Nd modificam, assim como a relação Sm/Nd.

O método do K/Ar é usado em micas, minerais de argila, tephra ou piroclasto (fragmentos de rochas ígneas) e evaporitos (sedimento mineral formado por evaporação de água ex. Halita).

As rochas também incorporam minerais que podem se cristalizar mais de uma vez conforme a condição a que são submetidos.

Assim, geralmente o método do K/Ar pode levar a idade mais jovens que o método do,  Rb/Sr, U/Pb e do Sm/Nd, pois o Ar pode escapar do retículo cristalino para a atmosfera e, quando a rocha voltar a se solidificar, novamente o processo inicia.

O que podemos dizer sobre a metodologia aplicada?

Conforme a tabela:

Sem título

Temos basalto, diabásio (que são minerais máficos), granodiorito e anfibólitos (que contém mais plagioclásio e feldspato sendo minerais félsicos).

Dessa forma, o método K/Ar não é adequado para se fazerem medições nestas rochas, sendo que no Grand canyon houve frequente atividade vulcânica, o que alterou a estrutura das rochas e assim, seguramente o retículos minerais deixaram o argônio escapar.

O método do Rb/Sr é melhor para se datar os anfibólitos e os granodioritos, uma vez que é metodologia adequada para minerais félsicos.

O método do Sm/Nd é melhor para datar os minerais máficos, sendo melhor para o basalto e o diabásio.

Quanto ao método do U/Pb, não se conhece a metodologia utilizada por Snelling, embora seja mais adequado a rochas félsicas.

Mas o trabalho segue alegando que:

“So accordingly all four dated rock units (Table 1) are also Precambrian. And apart from the potassium-argon age for the Cardenas Basalt, all the radioactive clocks have correctly shown that these four rock units were formed earlier than Cambrian, so they are pre-Cambrian. (But the passage of time between these Precambrian rock units and the horizontal sedimentary layers above them was a maximum of about 1,700 years—the time between creation and the Flood—not millions of years.)

Similarly, in the relative sense the Brahma amphibolites and Elves Chasm Granodiorite are older (by hours or days) than the Cardenas Basalt and Bass Rapids diabase sill (Figure 1). Once again, the radioactive clocks have correctly shown that those two rock units are older than the rock units above them.

The radioactive clocks in the rock units at the bottom of the Grand Canyon, formed during Creation Week, have been ticking for longer than the radioactive clocks in the younger sedimentary layers higher up in the sequence that were formed later during the Flood.”

Bem a afirmativa é totalmente incoerente com os dados supostamente obtidos pelo próprio Snelling. E, tampouco, possui qualquer coerência com a equação da meia via para um isótopo acima apresentada, uma vez que as assunções para se chegar a esse valor, sequer são coerentes com a própria existência do universo em relação ás suas constantes.  Ou seja, o que verificamos aqui é o que se pode chamar de assunções e conclusões absurdas.

Ainda, vale salientar que estas idéias não são sustentadas por [On the Geologic Time Scale 2008 Felix M.Gradstein, James G.Ogg, and Martin van Kranendonk], [Introduction to Grand Canyon geology – Karl E. Karlstrom, J. Michael Timmons and Laura J. Crossey] e [Paleozoic  stratigraphy  of  the  Grand Canyon – Paige  Kercher]. Onde as maiores referências no assunto são: [L. K. Middleton and D. K. Elliott, “Tonto Group,” in Grand Canyon Geology, 2nd ed., eds. S. S. Beus and M. Morales (New York: Oxford University Press), pp. 90–106, 2003.] e [F. M. Gradstein, J. G. Ogg, and A. G. Smith, eds., A Geologic Time Scale 2004 (Cambridge University Press, United Kingdom), 2004] são citadas.

Conclusão:

O que se percebe claramente é que o artigo em si não guarda coerência nem com os próprios dados supostamente coletados pelo autor. Tampouco apresenta metodologia e nem mesmo descreve qualquer dado relacionado às amostras.

Assim, restam as perguntas: Que minerais foram datados para a constituição dos dados neste trabalho? Qual metodologia foi utilizada? Onde, por quem e de que forma foram realizados os testes? Qual a origem detalhada das amostras colhidas? Onde se encontram os artigos científicos referenciados que demonstram as conclusões do trabalho?

O que se pode concluir é que é mais uma das costumeiras artimanhas criacionistas, que a todo custo buscam atestar uma Terra jovem, ainda que por meio de total incoerência com os dados que utiliza para dar suporte ao artigo.

Referências

– Bound state and beta decay of highly ionized atoms de Takahashi, Boyd Mathews e Yokoy. Oc. 1983 Physical review

– Nuclear p-decays of highly ionized heavy atoms in stellar interior -Takahashi e Yokoy] .

Escrito especialmente pelo físico Elyson Scafati

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s