VÍTIMAS DE ESTUPRO DA BOB JONES UNIVERSITY DISSERAM SE ARREPENDER E PROCURAM A “RAIZ DO PECADO” QUE CAUSOU O ATAQUE.

gregos

De acordo com uma reportagem investigativa da Al Jazeera América, vítimas de estupro na Universidade Bob Jones (BJU) em Greenville (Carolina do Sul) que buscara ajuda foram orientadas a se arrepender e buscar a “raiz“ do pecado que levou elas a ser estuprada.

No ano passado BJU abriu sua própria investigação sobre abuso sexual e estupro, e agora ex-alunos que foram vítimas estão contando suas histórias sobre a vida no campus onde eles estavam envergonhados e disse para manter as suas histórias para si mesmos.

Vindo de uma família conservadora menonita, Katie Landry, que aos 19 anos nunca tinha sequer andado de mãos dadas com um menino, foi estuprada várias vezes por seu supervisor em seu trabalho de verão. Dois anos depois, assombrado pelos ataques da Bob Jones University, ela procurou a ajuda no decano dos estudantes, o Jim Berg.

Segundo Landry, Berg perguntou se ela tinha bebido ou fumado maconha e se ela era “impura”. Ele, então, trouxe a “raiz do pecado”.

“Ele disse, ‘Bem, há sempre um pecado sob outro pecado. Há um pecado raiz”, explicou Landry. E ele disse: “Nós temos que encontrar o pecado em sua vida que causou a sua violação”. E eu apenas corri.

“Ele acabou de confirmar o meu pior pesadelo”, ela acrescentou. “Era algo que eu tinha feito. Era algo sobre mim. A culpa foi minha”.

Landry, eventualmente, retirou-se da escola e não contou a ninguém por mais de cinco anos.

Em entrevista com Al Jazeera, outras vítimas de abuso também houve justificativa a escritura bíblica foi usada para colocar a culpa dos estupros em seus próprios pecados, e que seu trauma foi um sinal de que eles estavam lutando contra Deus e nunca teriam paz novamente até que perdoassem seus estupradores.

Chamado de “Fortaleza do fundamentalismo“, a abordagem filosófica de Bob Jones University para quase todos os problemas mentais, além de problemas médicos, é que eles são o resultado do pecado.

Em um livro de 1996 intitulado de “Becoming an Effective Christian Counselor”(Tornando-se um conselheiro cristão eficaz), escrito pelo ex-BJU da Educação Walter Fremont e sua esposa, os conselheiros são instruídos a enfatizar que a culpa recai sobre o agressor. No entanto, os autores também afirmam que sendo abusada sexualmente não é uma desculpa para “sentimentos pecaminosos” de descontentamento, ódio, medo, e, especialmente, a amargura; chamando por resolver a raiva de “rebelião e amargura contra Deus”.

Anteriormente, a Al Jazeera já havia informado sobre uma estudante da BJU identificada apenas como Lídia, que havia sido estuprada e foi ao campus em busca de ajuda, informando às autoridades escolares que somente acabaram questionando a manipulação do incidente.

Fonte: Rawstory

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Comentários internos

Segundo essa concepção extremamente fundamentalista, a culpa do estupro não é do estuprador, e sim da vítima. Notem a inversão de valores e como isso é erroneamente justificado com base na bíblia sagrada. Se há um problema moral, não é unicamente com o ato do estupro em si, mas com a forma com que a Universidade trata o assunto, onde o erro de conduta é do estuprado e não do estuprador. O pior de tudo é justificar tal interpretação com base em um livro sagrado. A pessoa estuprada é vitima e não culpada. Usar um pecado para justificar outro não é uma justificativa cristã séria, é leviana e cega. Todos nós somos pecadores; deveríamos todos nós ser estuprados? Jesus foi crucificado como fruto de seu pecado original?

Nenhum aluno vai a universidade com a intenção de ser estuprado independente de religião, de cor do modo que se veste ou da opção sexual. A Bob Jones University presta um desserviço publico em uma visão reducionista e muito conveniente; é mais fácil culpar quem esta por perto do que efetivamente tratar o fato como um problema social e tomar as medidas coerentes com a legislação; investigar, encontrar, julgar e condenar os estupradores, e não traumatizar ainda mais as vitimas como se fossem responsáveis pelo estupro. O fardo da culpa é do estuprador e claro, da Universidade que esta sendo omissa e conivente com tal ato ao tomar essa postura incoerente.

A BJU tem uma conduta muito fundamentalista, é universidade protestante privada. Desde 2005 BJU é credenciada pela Associação Transnacional de Faculdades e Escolas Cristãs.

Notem isso! A Bob Jones University apoia o ensino do criacionismo da Terra jovem, onde todo o seu corpo docente é formado por criacionistas defensores da Terra Jovem que rejeita a evolução, chamando-lhe “na melhor das hipóteses uma hipótese insustentável e inviável”. Alguns representantes dessa universidade estão presentes aqui no Brasil defendendo a Terra Jovem com base em fundamentalismo religioso, pseudociência diluviana e teoria de hidroplacas, descontextualização de trechos bíblicos para justificar crenças pessoais.

A escola oferece cursos de graduação em biologia, química, engenharia e física e também oferece cursos de astronomia. Em 2008, nenhum membro da Faculdade de Ciências BJU realizou uma licenciatura em geologia, e da universidade oferecia apenas um curso introdutório sobre o assunto embora insista em defender a Terra Jovem. Isso quer dizer que a ideia de Terra Jovem não tem base geológica nem pelos próprios membros da Universidade que naturalmente não oferecem o curso de geologia por motivos óbvios que são e já conhecidos na historia do criacionismo americano. Todas as vezes que grupos religiosos defensores da Terra Jovem apresentaram algum curso prático de geologia, os alunos acabam abandonando a Terra Jovem e defendendo uma Terra com escala de milhões de anos. Isso se da especialmente porque ao notar-se que um paredão de 80 metros de camadas estratigráficas jamais se formaria em um processo de decantação de sedimentos de um período de tempo de um ano após o dilúvio. Criacionismo da Terra Jovem oferecer curso de geologia é oferecer a chance que os alunos tem para tecer criticas ao método de datação e a confiabilidade do relato diluviano com base em conceitos geológicos. Por essa razão grupos criacionistas pregam a Terra Jovem, a “geologia do dilúvio”, mas jamais ensinam isso do ponto de vista prático. Além de oferecer um desserviço social no caso dos estupros, oferecem pseudociência e um elenco acrítico de plataformas disciplinares nas ciências naturais.

Alguns professores dessa faculdade de ciências têm cursos de graduação na própria BJU embora tenham feito o doutorado em instituições credenciadas não-religiosas de ensino superior na tentativa de justificar que o que acreditam e as interpretações pessoais são validadas “cientificamente”. Com um currículo desse não surpreende que o corpo docente veja a vítima de estupro como culpada.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Universidade Bob Jones, Fundamentalismo, Criacionismo, Estupro.

3 thoughts on “VÍTIMAS DE ESTUPRO DA BOB JONES UNIVERSITY DISSERAM SE ARREPENDER E PROCURAM A “RAIZ DO PECADO” QUE CAUSOU O ATAQUE.

  1. Amigo, saudações!

    Eu só tenho uma coisa a lhes dizer: Parabéns pelo tema abordado!

    Nisto consiste a raiz de muitos males na nossa “sociedade”: “De acordo com uma reportagem investigativa da Al Jazeera América, vítimas de estupro na Universidade Bob Jones (BJU) em Greenville (Carolina do Sul) que buscara ajuda foram orientadas a se arrepender e buscar a “raiz“ do pecado que levou elas a ser estuprada”.

    Não tem sentido nada disto, desde quando um “Deus” que é (de acordo com as religiões Abraâmicas) “Todo Amor, Todo Misericórdia e Todo Bondade” se prestar a uma injustiça destas?
    Quer saber, eu sou a favor de pegar estes vagabundos e exterminá-los, seria um bom serviço a ser feito para a sociedade, tendo em vista que em uma outra reencarnação estes caras teriam uma chance de se melhorar (apesar de ser conhecedor das ciências, da Física, da Biologia, Bio Química, etc… acredito num Criacionismo Evolucionista estudado na Doutrina Espírita, onde um Ser Superior Poderoso e Imaterial criou a matéria, os Espíritos e todas as Leis da Natureza que regem nosso Universo e não pode se contradizer a bel prazer de qualquer um ou outro e, acredito na Reencarnação), sou a favor de juntar tudo, ou seja: as Leis de combate ao roubo, estupro, crimes e outras atrocidades seriam aplicadas de acordo com o Alcorão, perfazendo a justiça de Aláh, se trabalhar ou estiver impossibilitado por doença, deve receber sua remuneração e seu alimento para o corpo físico, conforme a palavra de “Deus” e, as leis do Judaísmo ficariam a cargo de quem estiver disposto a se casar, pois no Islã, o casamento é visto como um vínculo contratual entre um homem e uma mulher, através do qual eles se unem para criar uma família e, embora a procriação não seja o único propósito, um casamento judaico também é esperado para cumprir o mandamento de ter filhos. O foco principal centra-se em torno do relacionamento entre o marido e a esposa.

    Isto é um absurdo, seres humanos em pleno século XXI se prendendo a uma cultura arraigada de preconceitos e opiniões criadas por anciãos no séc. III A.C.

  2. Eu não sei o que é pior: a notícia ou esse comentário aí de cima, que não tem ponto nem vírgula e muito menor coerência.

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