BALEIA DE 28 MILHÕES DE ANOS USAVA SISTEMA DE ECOLOCALIZAÇÃO, DIZ ESTUDO (Comentado)

Cientistas dos EUA analisaram fóssil de parente de botos e golfinhos.  Mecanismo permitia se orientar pela emissão de sons de alta frequência.

Fóssil de Cotylocara macei foi encontrado na região de Charleston, na Carolina do Sul (EUA) (Foto: James Carew and Mitchell Colgan/Handout/Reuters)

Fóssil de Cotylocara macei foi encontrado na região de Charleston, na Carolina do Sul (EUA) (Foto: James Carew and Mitchell Colgan/Handout/Reuters)

Um parente distante das baleias dentadas, botos e golfinhos que viveu há cerca de 28 milhões de anos já possuia a ecolocalização, um sistema biosonar baseado emissões de sons de alta frequência e seus ecos, segundo estudo publicado esta semana na revista “Nature” feito por cientistas do Instituto de Tecnlogia de Nova York, nos Estados Unidos. Fósseis da criatura chamada Cotylocara macei foram descobertos na região de Charleston, litoral da Carolina do Sul.

Segundo o professor Jonathan Geisler, que liderou os estudos desta nova espécie, as baleias dentadas, golfinhos e botos produzem sons de alta frequência através de uma área contraída nas passagens nasais abaixo do espiráculo (orifício respiratório por onde a baleia expele a água), enquanto todos os outros mamíferos, incluindo os seres humanos, produzem sons na laringe. O mecanismo de reprodução de som nas baleias dentadas é complexo, com grandes músculos, bolsas de ar e gordura.

Geisler disse que o estudo do crânio de Cotylocara macei levou os pesquisadores à conclusão de que ela também era dotada do sistema de ecolocalização que ajudou o animal a encontrar comida durante a noite ou em águas turvas águas do oceano. Segundo o pesquisador, a Colytocara tinha uma cavidade profunda no topo da cabeça. “A anatomia do crânio é realmente incomum. Eu não vi nada parecido em qualquer outra baleia, viva ou extinta”, disse Geisler.

Fonte: G1

Comentarios internos

Encontrar ecolocalização em parente de 28 milhões de anos não é algo tão supreendente considerando que o pakicetus (55 milhões de anos) já continha característica da orelha interna semelhante a de cetaceos: o grande auditório bulla, formado a partir do osso ectotimpânico. Isso sugere que se trata de uma transição entre este grupo extinto de mamíferos terrestres e os modernos cetáceos.

Botos e golfinhos são pertencentes a mesma ordem (Cetacea) e sub ordem (Odontocenti),na qual reúne só os cetáceos com dentes. A diferença é a família na qual ocorrem. Na família  Delphinidae reúne somente espécies que vivem no mar. Por exemplo, o boto-tucuxi, o golfinho-nariz-de-garrafa e a orca que nãoé uma baleia mas sim um golfinho. A outra é a família Platanistidae que reúne só as espécies que vivem em rios. Do boto-cor-de-rosa ao golfinho-do-ganges e uma nova espécie descrita no começo do ano de 2014.

Essa nova espécie de golfinho foi identificada pela primeira vez depois de quase um século sem descobertas sobre tal grupo. O estudo sobre esta nova espécie de golfinho foi publicado na revista científica PLoS ONE, e os pesquisadores disseram que sua descoberta destaca o déficit de nosso conhecimento em biodiversidade da região.

A equipe de cientistas da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus, encontrou um grupo de botos, separado de outras populações no rio. Após uma analise mais criteriosa, eles perceberam que os botos eram geneticamente e morfologicamente diferentes de outras espécies de golfinhos rio conhecidos. Eles propuseram nomear a nova espécie de “boto araguaiano” (Inia araguaiaensis). Botos verdadeiros estão entre as mais raras e mais ameaçadas espécies de extinção de todos os vertebrados, disseram os pesquisadores. O boto, que é um tipo de golfinho do rio é apenas o quinto do grupo. A última vez que uma nova espécie boto foi encontrada foi em 1918. Os pesquisadores estimam que há cerca de 1.000 botos Araguaianos atualmente vivendo na bacia do rio.

Os cientistas afirmam que tal espécie provavelmente tenha se separado de outras espécies de boto Sul-americano de mais de 2 milhões de anos atrás. Comparado com botos relacionados, o boto Araguaiano é menor e tem um número diferente de dentes, mas a maioria de suas diferenças são genéticas. “Olhamos para o DNA mitocondrial, que é, essencialmente, a olhar para as linhagens, e não há partilha de linhagens”, disse o autor principal do estudo Tomas Hrbek para uma reportagem da BBC.

“Os grupos que vemos, os haplótipos, são muito mais intimamente relacionados entre si do que para os grupos em outros lugares. Para que isso aconteça, os grupos devem ter sido isolados um do outro por um longo tempo. A divergência observada é maior do que as divergências observadas entre outras espécies de golfinhos”, disse ele .

Hrbek e seus colegas sugerem que as espécies consideradas como ameaçadas de extinção e – no mínimo – ser listado como “vulnerável “na União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) na Lista Vermelha. Três das quatro espécies de golfinhos rio previamente conhecidos estão listados como “ameaçada” na lista vermelha.

Veja o artigo original na íntegra: A New Species of River Dolphin from Brazil or: How Little Do We Know Our Biodiversity.

 .

Victor Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Cetaceos, Baleias, Golfinhos, Orcas, Boto, Ecolocalização, Evolução, Meio ambiente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s