MARK ARMITAGE – DEMITIDO POR QUESTIONAR A IDADE DOS DINOSSAUROS OU PORQUE ESTAVA FAZENDO PSEUDOCIÊNCIA?

Recentemente surgiu uma notícia que deixou os criacionistas perplexos, a demissão de Mark Armitage da Universidade Estadual da Califórnia (UEC), em Northridge (Estados Unidos), por questionar a idade dos dinossauros.

Mark Armitage recebeu seu mestrado da Institute for Creation Research Graduate School, e permanece filiado ao ICR

Mark Armitage recebeu seu mestrado da Institute for Creation Research Graduate School, e permanece filiado ao ICR

Segundo as alegações, Armitage trabalhava em uma escavação em Hell Creek, em Montana, e encontrou um chifre de Triceratope. Ao analisar o achado com um microscópio, o cientista encontrou tecidos moles na amostra. Para os criacionistas, dinossauros em geral teriam co-existido com o homem a apenas 4 mil anos. Mas para a ciência, os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos.

Mark Armitage assume que é criacionista, não em seu artigo, mas em suas condutas dentro da Universidade. Esse seu posicionamento criacionista não é recente. De fato, como esta escrito do CreationWiki ele assume essa posição a muitas décadas:

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O advogado de Armitage afirma que a descoberta de tecidos moles no chifre de Triceratopo oferece evidências de uma Terra jovem devido á presença desses tecidos moles preservados no chifre do animal, e a demissão de Armitage confere discriminação com base em um posicionamento religioso.

Temos duas afirmações que precisam ser analisadas nesse discurso de seu advogado: tecidos moles e discriminação religiosa. Pontuemos cada uma delas

Tecidos moles não representam uma evidência de Terra jovem. De fato, essa não é a primeira vez que tal peculiaridade é encontrada nos registros fósseis. Há artigos científicos disponíveis até pela UNICAMP que atestam como se da a fossilização de tecidos moles. O Artigo Tecidos moles (não resistentes): como se fossilizam? é um exemplo.

Outro exemplo é um estudo publicado na revista Science em 2005 onde paleontólogos encontraram uma substância transparente e flexível na perna fossilizada de um Tyrannoraurus Rex.

Quando um animal morre, todos os seus tecidos moles se decompõem e o material ósseo começa a sofrer com a pressão da coluna de sedimentos que se acumula sobre ele, suas características anatômicas passam por processos tafonômicos e diagênecos transformando seu corpo em um molde mineralógico. Este é o processo de fossilização.

Quando equipe da Universidade da Carolina liderada pela pesquisadora Mary Schweitzer dissolveu os minerais deste T. rex, ela encontrou filamentos de vasos sanguíneos, vestígios de células sanguíneas e de outras células responsáveis por compor e manter os ossos do animal.

Este não é o único caso. Praticamente todo o registro fóssil da biota de Ediacara é formado por animais de tecidos mole, como a Dickinsonia constata. Essa biota é datada em 600 milhões de anos pela geologia convencional, ou seja, pelo que é reconhecido como ciência. No caso dos tecidos moles preservados do Cambriano sabe-se que as condições físico-químicas do oceano (como o pH, escassez de oxigênio, sulfato e presença de carbonato de cálcio) permitiram a preservação de tecidos moles (Saiba mais em TO GET FOSSIL GUTS, EXTREME CHEMISTRY NEEDED).

Paleontólogos descobriram fósseis com diversas partes moles extremamente preservados, como é o caso do artrópode Leanchoilia que viveu meio bilhão de anos atrás. A composição química dos oceanos do Cambriano eram muito diferentes das atuais. Isso bloqueou a atividade bacteriana e portanto, a decomposição das partes moles do corpo.

Vemos então que a preservação de tecidos moles não é uma exclusividade do Triceratopo de Armitage. De fato, há diversos artigos publicados em revistas científicas descrevendo outros tecidos moles preservados no registro fóssil cuja datação radiométrica excede facilmente a datação de Armitage baseada em uma Terra jovem. Essa datação criacionista é baseada em uma concepção religiosa do século XVI e nunca foi aceita pela comunidade científica.

Isso nos leva a segunda questão; Armitage, seu posicionamento religioso e a discriminação religiosa.

A datação é feita com base em um procedimento cientifico, é determinada por uma fórmula específica que envolve o decaimento radioativo de rochas vulcânicas. Evidentemente que se Armitage optou por uma datação baseada em uma descrição bíblica, pautada no criacionismo a data seria muito mais recente. Mas o caso de Armitage foi ainda pior. Seu artigo foi publicado de modo científico, mas a sua conduta interna foi o que pesou.

O criacionismo não é considerado ciência e sim uma pseudociência por todas as universidades, desde Harvard, Oxford e até mesmo Universidades do Kentucky onde o criacionismo é difundido ferindo a primeira emenda americana (Veja CRIACIONISMO E “TEORIA” DO DESIGNER INTELIGENTE É PSEUDOCIÊNCIA – DIZEM OS MAIORES CENTROS DE PESQUISA DO MUNDO)

Como Armitage trabalha em uma universidade, um ambiente acadêmico científico, espera-se do pesquisador que o que é estabelecido como ciência seja seguido, e não sua posição pseudocientífica ou mesmo religiosa. O que pauta a ciência é o seu método científico. Portanto, não cabe ao pesquisador usar sua posição religiosa para pautar seu estudo acadêmico, dentro de uma Universidade.

Antes do advogado acusar a Universidade de discriminação religiosa, cabe ao advogado reconhecer que Armitage trouxe seu posicionamento religioso para dentro de um ambiente acadêmico, de seu trabalho, que não tem vinculo algum com qualquer entidade religiosa. E ainda sim, a acusação não se encaixa em perfil de discriminação religiosa, pois a exigência para se fazer ciência é o cumprimento de sua identidade, ou seja, do método, na qual o autor seguiu, porém não de acordo com sua conduta.

Sua demissão não foi dada pelo fato dele encontrar um tecido mole, mas pelo fato de ele divulgar uma posição pseudocientífica e tentar validá-lo como se fosse algo científico pregando um posicionamento religioso pessoal, e apresentado-o dentro de um ambiente acadêmico. O problema foi que ele analisou o Triceratopo corretamente, mas tentou pregar outra conclusão.

Em outras palavras, a sua demissão não foi dada pelo fato dele ser cristão, mas pelo fato de ele apresentar um resultado seguindo a metodologia cientifica mas internamente na universidade assumir um posicionamento e claramente justificado como pseudociência, o criacionismo.

Vale lembrar que muitos pesquisadores que produzem artigos validando a evolução biológica e uma terra datada em bilhões de anos são cristãos e não tem problema algum em assumir a aceitação da teoria. Isso comprova que não é uma questão de discriminação, e que a demissão de Armitage é baseada em sua incompetência em concluir algo diferente do que ele publicou usando o método cientifico. Essa sua incompetência é respaldada em um movimento ideológico que não tem validação acadêmica. Armitage analisou o Triceratopo de maneira científica, o problema é que ele não concordava (e nunca concordou) com sua própria conclusão. Armitage foi demitido porque internamente na Universidade ensinava o criacionismo. Seu artigo tem uma conclusão cientificamente correta (clique para ver). Embora tenha feito em uma revista de pouco impacto no meio acadêmico (1.760)

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Pouco impacto acadêmico

O fato de ele ser formado em educação (e não em biologia) não garante absolutamente em nada que sua produção seja científica. Alias, Armitage tem poucos artigos publicados. De fato, formar-se em uma disciplina acadêmica é perfeitamente comum e relativamente fácil. Difícil é manter-se íntegro na produção de conhecimento pautando-se no exercício do método e seguindo com coerência os resultados obtidos nos experimentos. Razão pela qual temos muitas pessoas formadas em filosofia ou ciência que não exercem a profissão com honradez, e acabam usando tal formação como argumento de autoridade em um assunto na qual não tem competência para falar, para validar outras propostas. Por vezes usando a própria disciplina ou formação acadêmica para justificar ou tentar validar um posicionamento ideológico, religioso, racial ou pior, fundamentalista. Nestes casos, a estas pessoas, denomina-se obscurantistas, ou seja, grupos ou pessoas que visam impedir os fatos ou que detalhes de algum assunto se tornem conhecidos, público por diversos motivos, especialmente restringir um conhecimento crítico de oposição à propagação de conhecimento que refutaria ou feriria uma premissa religiosa, política ou ideológica. Esse é o caso onde a notícia da demissão de Armitage repercutiu.

Repercussão somente em sites religiosos

Repercussão somente em sites religiosos

Os lugares onde essa noticia repercutiu foram exatamente em sites de grupos religiosos e criacionistas que visam obscurecer a biologia evolutiva como um fato científico. Minando a produção científica com falsas alegações, como a de Armitage, ou simplesmente negando aspectos cientificamente comprovado (inclusive por ele mesmo), selecionando o que eles desejam acreditar e que vai de encontro com um posicionamento pré-concebido.

A grande falha de Armitage foi que ele analisou o Triceratopo de modo correto, mas pregava em sua posição religiosa e ideológica dentro da Universidade.

Em conclusão, Mark Armitage foi demitido não por tentar mudar a conclusão, mas por pregar pseudociência.

 .

Victor Rossetti e Paulo Corgosinho

Palavras Chave: NetNature, Rossetti, Mark Armitage, Pseudociencia, Obscurantismo, Criacionismo, Datação, Geologia, triceratopo.

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