PSICOLOGIA EVOLUTIVA – MODELO COMPUTACIONAL, MODULARIDADE E ADAPTACIONISMO.

Psicologia evolutiva é uma ciência baseada em uma perspectiva evolutiva sobre o comportamento humano ou animal. Ela completa a psicologia com os princípios centrais da biologia evolutiva. A ideia central dessa proposta é que nossa mente foi modelada pelo passado, e a teoria da evolução pode ajudar a compreender não só nosso corpo como fruto de processos adaptativos, mas também nossa mente e nossos comportamentos. Para isso, é necessário entender sua história, fundamentos e sua estrutura conceitual fundada no modelo de computação, modularidade e adaptacionismo. 

psicologia evolutiva

Caçadores coletores

Nessa perspectiva, o sistema nervoso central do homem pode ser visto como um conjunto de sistemas computacionais resultante do processo de seleção natural cuja função seria resolver problemas adaptativos de sobrevivência enfrentados por nossos ancestrais. Por exemplo; serpentes, aranhas foram ameaças recorrentes durante a origem da humanidade nas savanas africanas. Esses estímulos geram os medos mais comuns na humanidade, com uma constatação estatística considerável, e muito maior do que o medo de ameaças atuais e mais perigosas, como armas de fogo (Confer et al., 2010).

A psicologia evolutiva emerge como uma ciência cujas raízes se respaldam na biologia evolutiva, ecologia comportamental, inteligência artificial, genética, etologia, antropologia, arqueologia, biologia e zoologia e especialmente na neurociência, psicobiologia com uma expressão maior da psicologia cognitiva, além de estar intimamente associada á sociobiologia (Durrant & Ellis, 2003). Tradicionalmente, entende-se o antropólogo John Tooby e a psicóloga Leda Cosmides como fundadores do campo da psicologia evolutiva (Pinker, 2002).

Para a psicologia evolutiva, a mente humana é um conjunto de adaptações cognitivas projetadas pela seleção natural, e os problemas de adaptação que moldaram a nossa mente não foram únicos. Os processos industriais durante os últimos 200 anos, uma vida como agricultores durante os últimos 10 mil anos ou as características de uma vida baseada em um sistema caçador-coletor moldou módulos neurais e gerou comportamentos adaptativos. Uma vez que esses problemas variavam consideravelmente, a mente humana contém muitas adaptações de problemas específicos. A tarefa da psicologia evolutiva é descobrir quais são esses módulos, e para isto recorre a uma análise funcional, onde um começa com hipóteses sobre os problemas adaptativos enfrentados por nossos ancestrais. Em seguida, tenta inferir as adaptações cognitivas que devem ter evoluído para resolve-los. Sendo assim, nossa mente é um conjunto complexo de tais mecanismos chamados de módulos específicos de domínio. E eles definem nossa natureza humana universal.

Desce já, faz-se necessário uma digressão entre o se entende por módulos e comportamentos universais, e aspectos ligados a determinismos.

Uma das críticas mais comuns é também bastante descontextualizada é que a psicologia evolutiva abraça o determinismo biológico, segundo a qual o nosso comportamento é determinado por nossa composição genética, e que, uma vez universalizado, não pode ser influenciado por meio de aprendizagem social, educação, e assim por diante (Dorothy Nelkin 2000).

Robin Dunbar sustenta que esse “destino genético” parece estar à procura de características geneticamente determinadas que são universalmente válidas para todos os seres humanos, e que essa afirmação faz pouco sentido porque o número de características genuinamente universais ilustra no máximo, aspectos simples (Dunbar 1988).

De fato, a psicologia evolutiva procura comportamentos e módulos humanos universais, mas também é verdade que ela afirma que os seres humanos não são geneticamente muito semelhantes e portanto, nem tudo pode ser adaptações cognitivas (Tooby e Cosmides 1990). A alegação da psicologia evolutiva é que os mecanismos cognitivos subjacentes ao comportamento são universais, e não implica que o nosso comportamento seja determinado única e exclusivamente por genes.

De fato, é globalmente aceito entre os psicólogos evolucionistas que o comportamento, como qualquer outra característica humana, é o resultado da complexa rede de interação, entre fatores genéticos e ambientais. O determinismo genético é falso, porque todas as características fenotípicas são totalmente e igualmente co-determinadas pela interação de genes do organismo e seus ambientes ontogenéticos (Tooby e Cosmides 1992), como é bem ilustrado pelo fato de que nem mesmo clones genéticos, gêmeos monozigóticos terem fenótipos absolutamente idênticos. Na verdade, o trabalho em psicologia evolutiva tem enfatizado a natureza altamente flexível e contingente de adaptações cognitivas.

Outra tendência errada sobre a psicologia evolutiva é acreditar que ela justifica questões morais e/ou sociais.  Um dos principais focos da psicologia evolucionista é estudar o sexo, a raça, as diferenças de inteligência. Algumas pessoas erroneamente acreditam que não há nada que possamos fazer, uma vez que essas diferenças são resultados de nossos mecanismos cognitivos. E como são resultado da seleção natural, são as melhores soluções para os problemas de adaptação de longa data.

Esse é um exemplo do que muitos estudiosos consideram como uma inferência falaciosa, ou a Falácia Naturalista. A ideia de que estamos fadados, condenados, determinados a seguir nossa biologia, já que somos programados como maquinas a segui-lo.

Como Robert Kurzban (2002) apontou, os psicólogos evolucionistas estão bem conscientes de que é ilegítimo passar do primeiro para o segundo domínio, ou seja, que há uma diferença entre a ciência do que pode nos ajudar a entender o que é a moralidade, e o que diz respeito ao que deveria ser a moralidade. Quanto ás adaptações cognitivas, não se pode inferir o que deve ser a moralidade porque; 1) não há garantia de que a seleção natural sempre encontra uma solução ótima; 2) uma vez que o ambiente mudou, algo que era bom para os nossos antepassados pode não mais ser para nós. Por exemplo, o sentido do que era considerado “bom” para os nossos ancestrais poderia possuir um mecanismo cognitivo que os pré-dispõem a matar as crianças de seu parceiro já que não era seu próprio filho. Então, “bom” não é, definitivamente, o sentido de “bom” que é relevante para o discurso ético. Não faz sentido justificar tal ato como eticamente válido por uma questão biológica exatamente por não haver determinismo biológico.

Essas falácias são bastante comuns em debates com criacionistas que puxam as ideias de Darwin para fora do contexto, tentando atribuir valores morais á aspectos científicos mesmo quando os cientistas deixam claro que suas alegações explicam fenômenos naturais e não justificam os atos das pessoas.

Dizer que a psicologia evolutiva fundamenta comportamentos imorais é um grande equivoco, pois dilui a especificidade da natureza humana a uma natureza genérica, desconsiderando o fato de que somos natureza com atributos próprios que nos definem como espécie (cultura, trabalho, história e etc). Também acaba forçando um discurso ideológico de orientação liberal de que é natural para a evolução a eliminação dos mais fracos, de grupos étnicos ou aspectos discriminatórios. Ou seja, que é eticamente válido a desigualdade ou mesmo a miséria.

Na primatologia, a moralidade surge do altruísmo e da reciprocidade, e no caso da moral humana, há outras variáveis que permitem que ela seja construída

A cultura e a memética

Antes de entrar especificamente na psicologia evolutiva é fundamental descrever um pouco sobre a memética e a cultura.

Ainda existe relutância nas pessoas em entender como a cultura tem um papel importante na biologia e como ela pode emergir como parte de nossa biologia. Uma extensão de nossa natureza já que tal estruturação cultural é um aspecto idiossicrático inerente a nossa espécie. Não que sejamos os únicos animais a ter cultura. Chimpanzés selvagens têm aspectos culturais bem estabelecidos com transmissão de conhecimento, comportamentos e práticas ligeiramente distintas em diversos locais da África.

Levianamente ainda confunde-se cultura com memética. A memética ainda é vista como uma pseudociência, mas a cultura faz parte do estudo sociobiologia. Essa digressão deve ser clara para evitar confundir psicologia evolutiva e sociobiologia como uma pseudociência, ainda que a memética tenha sido citada mais em recentes estudos e comece a ganhar campo.

Enquanto a sociobiologia estende seus estudos tomando uma base biológica do comportamento humano e sua interação na sociedade, a memética trata os humanos não só como produto de uma evolução biológica, mas de uma evolução cultural também. Ela se apresenta como uma abordagem de modelos evolutivos da transferência de informação cultural com base no conceito de que essas unidades de informação têm uma existência independente, auto-replicante, sujeita a processos seletivos através de forças ambientais. A grande diferença é que a cultura estabelece o modo de vida de um povo e cria conjuntos de códigos simbólicos, e os memes são informações produzidas pela estrutura social e cultural. Embora as dimensões culturais sejam construções nossas, a ideia de que as informações evoluem em um modo análogo aos genes é ainda especulativa. A cultura aborda não somente o conjunto de formas de conduta, mas a informação que as especifica. Sendo assim, entre a cultura pode ser definida como conjunto de formas de conduta e suas respectivas informações, e elas evoluem. Se elas modificam em um molde análogo ao darwiniano como se estabelece as construções memeticas, não sabemos, os resultados são duvidosos, muitas vezes não testáveis ou que foram mensurados de forma suspeita (Polichak, 2002).

Sendo assim, a cultura é uma estruturação social, onde mamíferos (e em nosso caso) são seres altamente sociais graças ao desenvolvimento do neocórtex. Mas a cultura não se resume única e exclusivamente a informações socialmente criadas. Ela abrange modos de vida e condicionamento comportamental.

Essa distinção fica mais evidente ao notarmos situações reais, como as diferenças existentes no repertório combinado de padrões comportamentais em diferentes comunidades de chimpanzés, que demonstram fenômenos caracteristicamente semelhantes a cultura humana, não reconhecido anteriormente em espécies não humanas.

A transmissão cultural é vista como um dos dois únicos processos importantes que podem gerar mudanças evolutivas; a transmissão intergeração de comportamentos pode ocorrer tanto geneticamente ou através da aprendizagem social, com processos de variação e seleção que moldam a evolução biológica, no primeiro caso e evolução biológica, e no segundo, a cultural. Exemplos destes tipos existem e vão desde dialetos em vocalização de aves, até macacos que lavam batata-doce em Koshima, ou o manuseio de rochas por macacos japoneses em Arashiyama. No entanto, para cada caso há variações no comportamento padrão.

Um estudo feito com chimpanzés selvagens (Whiten et al., 1999) categorizou 65 tipos de comportamentos para analisar a evolução cultural. Este estudo é o único que representa um registro da inventividade dos chimpanzés selvagens. Nele, foram encontrados 39 variantes comportamentais, ou seja, mais do que se esperava para os chimpanzés selvagens.

Alguns padrões usuais e habituais são exclusivos para determinadas comunidades, mas outros são compartilhados entre duas ou mais comunidades. Tais padrões variam tanto entre os locais associados a uma mesma sub-especie (como Pan troglodytes verus em Bossou vs Tai, no lado oeste da África, e Pan troglodytes schweinfurthii na porção oriental), como entre os sub-espécies deles mesmos.

A única grande diferença entre as populações ocidentais e orientais é que quebra de cocos ocorre no oeste; embora este comportamento termine abruptamente no rio Sassandra-N’Zo dentro da gama da sub-species verus que mostra que é culturalmente, em vez de geneticamente, transmitidos. Esses padrões podem se assemelham aos de sociedades humanas, em que as diferenças entre as culturas são constituídas por uma multiplicidade de variações na tecnologia e costumes sociais. Não sabemos se isso ocorre somente para chimpanzés, ou se qualquer outra espécie animal, se estudados da mesma forma, iria revelar

padrões qualitativamente semelhantes, mas outras comparações culturais entre humanos e não-humanos têm-se centrado sobre os processos cognitivos envolvidos. Esses estudos apontam que se os processos de transmissão cultural humana, tais como a aprendizagem de imitação e de ensino, não são encontrados em animais, a cultura em animais é apenas um análogo do que é nos seres humanos, ao invés de homólogos.

Como estudos mostram que chimpanzés copiam os métodos usados por outros para manipular e abrir artificialmente frutas eles mostram uma versão comportamental ligeiramente diferenciada de cada um dos métodos usados para processar os alimentos.

Do mesmo modo, algumas das diferenças entre as comunidades de chimpanzés do estudo acima não só representam o contraste entre habitual contra ausente, mas também o contraste entre as diferentes versões de um teste padrão de outra forma semelhante. Os exemplos incluem o uso de ferramentas, como dois métodos diferentes de capturar formigas. Nesse comportamento, uma longa varinha é realizada em uma mão, e uma “bola“ de formigas é retirada com a outra, enquanto que no segundo método a vara curta é realizada em uma mão e usado para coletar um número menor de formigas, que são transferidas diretamente para a boca.

Outros exemplos ocorrem no comportamento social, tais como as variantes utilizadas para lidar com ectoparasitas descobertos durante o grooming que ocorre em diferentes comunidades. É difícil ver como os padrões de comportamento poderiam ser perpetuar por processos de aprendizagem social mais simples do que a imitação. Estudos experimentais sobre a aquisição de uso de ferramentas e habilidades de processamento de alimentos por crianças e chimpanzés de cativeiro indicam que há uma mistura complexa de imitação e de outras formas de aprendizagem social e individual.

Infelizmente, a cultura é definida de maneira muito diferente em diferentes disciplinas acadêmicas. Em um extremo, alguns antropólogos culturais insistem em mediação linguística, para que a cultura seja obrigada a ser um fenômeno exclusivamente humano (Kroeber, 1949). Para as ciências sociais em geral, a descrição de cultura tem respaldo na formulação de Tylor em que ela se apresenta como um conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais artificiais, ou seja, não naturais ou biológicas, que são aprendidas de geração em geração por meio da vida em sociedade.

Na filosofia, a cultura é entendida como um conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural.

Na psicologia evolutiva, não se reivindica que o comportamento ou a cultura humana seja a mesma em todos os lugares. Obviamente, há uma diversidade comportamental e cultural significativa em todo o mundo. O que eles reivindicam é que os genes que são necessários para as nossas adaptações cognitivas, para o desenvolvimento e as próprias adaptações cognitivas devem ser o mesmo em todo o mundo, embora, o comportamento que resulta de tais produtos possa variar.

Modelo computacional, Modularidade e Adaptacionismo

Existe um pilar que sustenta a psicologia evolutiva como ciência. Para entender um comportamento como fruto de um modelo do sistema nervoso a psicologia se respalda no modelo computacional de dados ambientais, na modularidade e no adaptacionismo.

Para a psicologia evolutiva, a função evolutiva do cérebro humano é processar informações de maneiras que conduzam a origem de um comportamento adaptativo, sendo a mente uma descrição do funcionamento de um cérebro que mapeia a entrada de informações sobre a saída de um comportamento. O cérebro não é, portanto, apenas como um computador, ele atua como um sistema físico que foi projetado pela seleção natural (e outros processos evolutivos) para processar a informação. Essa perspectiva, do cérebro como um modelo computacional de inputs do ambiente surgiu da Teoria da Mente, um modelo computacional criado pela filosofa Hilary Putnam e Jerry Fodor (Cosmides e Tooby 1987). Uma vertente de pesquisadores que estuda plasticidade cerebral argumenta que o encéfalo humano é muito plástico e que várias capacidades humanas dependem de alta fluidez cognitiva. Entretanto, as evidências da neurociência tem corroborado tanto a hipótese de modularidade como a de plasticidade, e embora nenhuma função cerebral seja fixa por uma região específica do encéfalo, então nem todas as regiões encefálicas são igualmente responsáveis por uma função específica. Sendo assim, a modularidade e a plasticidade não se anulam.

Sendo o sistema nervoso um receptor de sinais do ambiente, ocorre a modularidade. As primeiras tentativas de simular a inteligência humana revelaram que os sistemas cognitivos artificiais não estão equipados com uma quantidade razoável de “conhecimento inato” sobre o domínio de um problema particular, ou seja, não são capazes de resolver até mesmo os problemas mais fáceis. Do mesmo modo que nosso corpo contém um número de características inatas, órgãos geneticamente pré-dispostos que servem a uma função específica. A nossa mente também pode conter uma série de sistemas de processamento de informação (como o dispositivo de aquisição de linguagem), que são chamados de “órgãos mentais” ou módulos. Psicólogos evolucionistas concluem que a mente humana é composta principalmente de processos cognitivos pensados cuja função é governar como se adquire uma língua e uma identidade de gênero, uma aversão ao incesto ou um medo de aranhas. De fato, quase todos os pensamentos e sentimentos de que os seres humanos são capazes “(Ermer et al., 2007) são insuficientes. Tais mecanismos seriam “limitados para saber o que pode ser validamente derivado de processos gerais de informação perceptual” (Cosmides e Tooby 1994) e, portanto, incapaz de resolver de forma eficiente problemas de adaptação. Em vez disso, para a psicologia evolutiva a nossa arquitetura cognitiva se assemelha a uma confederação de centenas ou milhares de “computadores” funcionalmente organizada em módulos (Tooby e Cosmides 1995).

Mecanismos cognitivos não são diretamente observáveis, estudá-los requer alguma forma indireta de descobri-los, afinal, comportamento não se fossiliza. Os psicólogos evolucionistas adotam o tipo de raciocínio adaptacionista bem conhecido da biologia evolutiva que também caracteriza muitas obras da sociobiologia (Wilson, 1975). Durante os anos 1970, os sociobiólogos argumentaram que “os comportamentos sociais também são moldados pela seleção natural” (Lumsden & Wilson 1981) e começou a buscar explicações para adaptações cognitivas, culturais e sociais, como a capacidade de se comportar de forma altruísta, diferentes preferências de acasalamento em machos e fêmeas, ou os conflitos entre pais e filhos frequentemente observados.

Como a psicologia evolutiva tem uma forte relação histórica e de origem a partir da sociobiologia, ela herdou um programa adaptacionista. É a ideia de que muitas características psicológicas são adaptações, assim como muitas características físicas, e que os princípios da biologia evolutiva que são usados para explicar os nossos corpos são igualmente aplicáveis às nossas mentes” (Durrant e Ellis 2003). Sendo assim, nossa mente é um conjunto complexo, funcionalmente integrado de mecanismos cognitivos, e uma vez que o único processo natural conhecido que pode provocar tal complexidade funcional é a evolução por seleção natural (Tooby Cosmides, 1990), estes mecanismos cognitivos são susceptíveis de adaptações para os problemas adaptativos dos nossos antepassados. Isto vincula intimamente a psicologia com a teoria da evolução, ou seja, como a arquitetura da mente humana adquiriu a sua organização funcional através do processo evolutivo, as teorias da função adaptativa são a base lógica sobre a qual construir teorias do desenho de mecanismos cognitivos (Ermer et al., 2007).

Na psicologia evolutiva, uma enorme quantidade de pesquisas empíricas cobrem quase todos os tópicos que se possa imaginar, incluindo questões tão diversas como a linguagem, a moral, as emoções, o investimento parental, o homicídio, a coerção social, certos tipos de violação, psicopatologias, preferências ou mesmo habilidades espaciais (Buss, 2000).

Exemplos da psicologia evolutiva ligada ao Sexo

David Buss (2000) argumenta que existem grandes diferenças entre homens e mulheres em relação a escolha do companheiro e o ciúmes é a resposta evoluiu sob diferentes pressões seletivas. Para ele, os homens precisam se proteger contra a traição, enquanto as mulheres precisam se proteger contra a perda de recursos econômicos de seu companheiro, então, segundo ele, os homens devem se preocupar mais com sinais de infidelidade sexual do que com a perda de apego emocional de sua parceira, enquanto que as mulheres devem se preocupar com estímulos que sinalizam a infidelidade emocional do que com sinais de infidelidade sexual (Buss et al. 1992)

Isso não quer dizer que a evolução justifica traição, pois reduziria nossa especificidade como espécie, que tem a capacidade de julgar se tal ato é moral ou imoral. E claro, o componente social e cultural influencia através dos costumes.

Outro caso interessante é citado por Margie Profet (1992) que argumentou que os sintomas de gravidez (aversão ao alimento, náuseas, vômitos e que algumas mulheres experimentam durante os primeiros três meses de gravidez) são uma adaptação para proteger o embrião contra a ingestão materna de toxinas abundantes nos alimentos naturais. Eles eventualmente, podem acabar baixando o limiar de tolerância humana a toxinas durante o período de máxima susceptibilidade do embrião.

Irwin Silverman e Marion Eals (1992) argumentam que, do ponto de vista evolutivo a vantagem masculina em habilidades espaciais normalmente encontradas em experimentos psicológicos não faz sentido. Embora a caça, a tarefa primordial de nossos ancestrais do sexo masculino, exijam habilidades espaciais, não é menos verdade isso para a coleta de plantas, feita principalmente pelos nossos antepassados femininos. Para serem forrageiros eficientes, os nossos antepassados do sexo feminino devem ter sido capazes de codificar e lembrar a localização de milhares de plantas diferentes. Quando Silverman e Eals projetaram testes espaciais que mediram a capacidade dos sujeitos para lembrar a localização de itens em uma matriz complexa ou objetos em um quarto, eles descobriram que as mulheres de fato consistentemente lembraram mais de objetos do que os homens, recordando sua localização com mais precisão.

Altruísmo e Egoísmo

Os biólogos há muito tempo estão intrigados com a nossa capacidade de se envolver em comportamentos altruístas, onde um indivíduo realiza uma tarefa em benefício de outro indivíduo.

Robert Trivers (1971) argumenta que o comportamento altruísta pode evoluir se for recíproco. Interações que satisfazem essa estrutura de custo-benefício constituem o que é chamado de “troca social.” Chamamos de grooming nos primatas, e de “cafuné” em outros mamíferos.

Uma vez que as trocas sociais entre indivíduos A e B incorrem a uma rede de benefícios, Trivers fundamenta que o comportamento altruísta pode evoluir. No entanto, o problema é que uma vez que uma propensão para o comportamento altruísta evolui, é obviamente melhor para um indivíduo enganar ao aceitar o benefício de um ato altruísta, sem pagar o custo da reciprocidade. Claro, há variantes disso, pois o grooming não estabelece só o serviço de limpeza do amigo, mas também a socialização. Grande parte dos primatas passam muito tempo fazendo o grooming não porque seu companheiro esta sujo ou empesteado de parasitas, mas pelo ato da interação e socialização.

A longo prazo, isso levaria a um aumento no número de trapaceiros, até altruísmo ser levado à extinção. Para o altruísmo evoluir, Trivers conclui que a seleção natural deve favorecer as habilidades mais agudas para detectar a fraude deste trapaceiro. Cosmides e Tooby (1992) viu uma ligação entre a necessidade de detectar trapaceiros em atos de troca social. Constatou-se que, a seleção natural deveria ter projetado um módulo que permite detectar aqueles que aceitam o benefício, sem retribuir adequadamente em situações de intercâmbio social. Conseqüentemente, devemos ser melhores em testes de regras de contrato social que dizem “Se a pessoa A proporciona o benefício solicitado ou cumpre a exigência da pessoa ou do grupo B, então B irá fornecer o benefício para A” (Cosmides e Tooby 2000)

Quando Cosmides e Tooby categorizaram o conteúdo dessa relação com contratos sociais, um padrão marcante surgiu. Efeitos replicáveis e robustos foram encontrados apenas para as regras que relacionavam os termos como benefícios custo/requisitos no formato de um contrato social padrão (Cosmides e Tooby 1992).

Eles também realizaram uma série de experimentos para testar a hipótese de que nosso sistema cognitivo é capaz de lidar melhor e de forma mais eficaz com os problemas familiares (como beber/problema de idade) do que com os problemas não familiares (como o problema números/letra). Eles compararam o desempenho em regras sociais não familiares com o desempenho em regras não-sociais não familiares.

Os resultados confirmaram a previsão de detecção de trapaceiro (Cosmides e Tooby 1992): 75% responderam corretamente ao problema das regras sociais não familiares, mas apenas 21% o problema das regras não-sociais não familiares. Ou seja, há módulos de detecção de egoístas em grupos sociais.

O caso do Pleistoceno

Uma grande dificuldade enfrentada pelos defensores da psicologia evolutiva é que parte das suas teorias depende de evidências a respeito do ambiente no qual os nossos ancestrais evoluíram, ou seja, do ambiente de adaptação evolutiva.

Como muitos aspectos do nosso ambiente de adaptação mudaram radicalmente do ambiente das savanas africanas, alguns autores argumentam que nem todos os comportamentos humanos atuais podem nos informar sobre os comportamentos dos seres humanos que viveram no Pleistoceno, ou sobre a aptidão que estes comportamentos conferiram aos nossos ancestrais, visto que os mesmos mecanismos psicológicos podem estar envolvidos na produção de diferentes comportamentos em diferentes ambientes e que boa parte dos nossos comportamentos provavelmente são novidades evolutivas por conta da construção de nichos diferenciados ao longo da história evolutiva da nossa espécie. Estes mecanismos cognitivos são supostamente adaptações criadas a partir da evolução pela seleção natural, ou seja, variação hereditária em fitness. Adaptações são características presentes hoje porque no passado ajudaram nossos ancestrais a resolver problemas recorrentes mo ambiente. Portanto, foram preservados devido sua função em manter o grupo vivo e gerar descendentes com tais características adaptativas.

Em particular, a psicologia evolutiva está interessada nessas adaptações que evoluíram em resposta a problemas adaptativos caracteristicamente humanos que moldaram a vida dos nossos antepassados caçadores-coletores durante nosso passado evolutivo no Pleistoceno, como por exemplo; escolher e garantir um companheiro, reconhecimento de expressões emocionais, aquisição de uma língua, distinguir parentes de não-parentes, detectar trapaceiros ou lembrar a localização de plantas comestíveis. O objetivo da psicologia evolutiva é descobrir e explicar esses mecanismos cognitivos que orientam o comportamento humano atual, porque eles foram selecionados como soluções para problemas recorrentes no ambiente evolutivo de nossos antepassados. Uma vez que a descrição das condições ancestrais é um aspecto indispensável de caracterização de uma adaptação (Tooby e Cosmides 1990), a descoberta de módulos da mente exige saber o que é exatamente o ambiente de adaptação evolutiva.

Este conceito, ambiente de adaptação evolutiva humana, consiste em conjunto de condições ambientais encontradas pelas populações humanas durante o Pleistoceno (de 1,8 milhões de anos atrás a 10 mil anos atrás), quando os primeiros hominídeos viviam nas savanas da África Oriental como caçadores-coletores.

O ambiente de adaptação evolutiva não é um lugar ou um habitat, ou mesmo um período de tempo. Ele é um composto estatístico das propriedades relevantes de adaptação dos ambientes ancestrais encontrados pelos membros de populações ancestrais, ponderados pela sua frequência e conseqüências adaptativas. Mais especificamente, é um “composto de propriedades ambientais do mais recente segmento da evolução de uma espécie, que abrange o período durante o qual seu elenco de adaptações modernas assumiram a forma atual (Tooby e Cosmides 1990). Portanto. diferentes adaptações terão diferentes ambientes de adaptação evolutiva.

Alguns deles, como a linguagem, estão firmemente ancorados em aproximadamente os últimos dois milhões anos; outros, como o apego infantil, refletem uma história evolutiva muito mais longa (Durrant e Ellis, 2003).

Há duas questões cruciais no que diz respeito do ambiente de adaptação evolutiva: Devemos supor que nossos mecanismos cognitivos, mesmo que sejam adaptações, foram moldados para solucionar problemas enfrentados por nossos ancestrais? Atualmente, como podemos determinar os detalhes do ambiente de adaptação evolutiva?

A psicologia evolutiva oferece dois argumentos relacionados à primeira pergunta. O primeiro chama a atenção para a grande quantidade de tempo gasto em nossas condições ancestrais do Pleistoceno, em comparação com o breve período de tempo que se passou desde o advento da agricultura ou da industrialização. Nossa espécie passou mais de 99% da sua história evolutiva como caçadores-coletores em ambientes do Pleistoceno. Mecanismos psicológicos humanos são adaptados a esses ambientes e não necessariamente para o mundo do século XX industrializados. O segundo argumento é que a seleção natural é um processo lento, e não têm sido suficiente para gerações criar novos mecanismos cognitivos que são bem adaptadas à nossa vida pós-industrial agrícola. Assim, mudanças importantes e complexas em processamento de informações inatas específicas presentes nos mecanismos psicológicos humanos não parecem ser propensas a ter um lugar em períodos breves de tempo histórico (Tooby e Cosmides 1987).

Ambos os argumentos parecem sofrer com a mesma dificuldade. Os 10 mil anos que se passaram desde o Pleistoceno correspondem a cerca de 400 gerações, e se a pressão de seleção e a herdabilidade (a grosso modo, uma medida da resposta à seleção) são altos o suficiente, muito pode acontecer em 400 gerações. Em particular, ninguém precisa sustentar que novos órgãos mentais inteiros poderiam evoluir desde o Pleistoceno.

Em resposta à segunda questão, os psicólogos evolucionistas apontam que podemos estar relativamente seguros de que as condições físicas eram comparáveis com as atuais e um grande número de fatores, desde as propriedades da luz, às leis químicas para a existência de parasitas, têm permanecido de maneira estável (Tooby e Cosmides 1990) e, em segundo lugar, podemos estar relativamente certo por motivos paleontológicos que uma grande parte dos nossos antepassados gastaram uma grande parte de seu tempo em savanas africanas como caçadores-coletores. No entanto, uma vez que é em resposta aos problemas sociais enfrentados por nossos ancestrais que nossas adaptações cognitivas evoluíram, o que importa não é tanto o ambiente físico (que pode ter ficado constante, de modo geral), mas o ambiente social, e a questão é o que podemos saber com certeza sobre a vida social de nossos antepassados, dado que as características sociais não se fossilizam.

Psicólogos evolucionistas afirmam que no que diz respeito ao ambiente social pouco mudou também: os nossos antepassados, sem dúvida, tinham que atrair e reter companheiros, cuidar dos seus filhos, entender as intenções e emoções das pessoas com quem eles se engajaram em troca social, e assim por diante, assim como nós atualmente.

No entanto, tal conhecimento geral sobre o ambiente de adaptação evolutiva parece ser de pouca utilidade, pois a descoberta de adaptações cognitivas requer a formulação de uma teoria computacional que fornece “um catálogo dos problemas de processamento de informações específicas” (Cosmides e Tooby 1987), e que vai significativamente além de ser dito que os nossos antepassados tiveram de encontrar companheiros, cuidar dos filhos, encontrar comida e assim por diante. Essa questão permanece em aberto embora muito conhecimento tenha sido produzido por essa nova ciência cognitiva evolutiva. Ainda sim, a psicologia traz perspectivas interessantes para o futuro se for utilizada com sabedoria e respeitando seus limites. É preciso que as abordagens feitas por essa ciência sejam feitas com cautela para separar o que se tem de fato constatado cientificamente, usando em paralelo o conhecimento produzido pela neurociência, psicobiologia e sociobilogia para conquistar novas perspectivas a respeito de nosso comportamento, e dos animais. Infelizmente, por ser uma ciência nova, ainda há muitas afirmações especulativas e incertas misturadas com o que de fato tem base científica, empírica e falseável.

O final da década de 1960 foi marcado pelo surgimento da Ciência Cognitiva, uma área interdisciplinar que culminou na junção dos esforços e conhecimento produzidos pela neurociência, psicologia cognitiva, antropologia, ciência da computação, filosofia e da pesquisa em inteligência artificial para compreender como o ser humano processa informações.

Foi da união entre a ciência cognitiva e a biologia evolucionista que surgiu a Psicologia evolutiva, uma área de pesquisa com o objetivo de estudar o comportamento humano como produto de mecanismos psicológicos evoluídos que dependem de inputs internos e ambientais para o seu desenvolvimento, ativação e expressão no comportamento manifesto (Confer et al., 2010).

Atualmente, os psicólogos evolucionistas se dividem em dois grupos, um grupo representado pelos fundadores da disciplina Cosmides e Tooby, e os segundos sendo pesquisadores interessados pelo pensamento evolucionista na teorização em psicologia, mas que não concordam necessariamente com a proposta de Cosmides e Tooby. Muitos autores defendem que ambas abordagens defendem que a teoria da evolução de Darwin deveria fazer pela psicologia o mesmo que fez pela biologia, unir todas as suas áreas compondo uma metateoria organizada e unificada (Duntley e Buss, 2008).

Referências

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5 thoughts on “PSICOLOGIA EVOLUTIVA – MODELO COMPUTACIONAL, MODULARIDADE E ADAPTACIONISMO.

  1. Torna-se repetitivo comentar textos deste naipe aqui no site do Rossetti.
    Adotas-se um ‘dogma de fé”, como verdade absoluta, e tudo o resto há que se ajustar ao dogma de fé. Nisso criacioanistas e evolucionistas são exatamente iguais.
    Não são os fatos que são verdades, mas as interpretações dos fatos à luz de algum dogma de fé. No caso, o tal evolucionismo. E aí valem explicações cuja “verdade” condiz com o dogma do evolucionismo, como dizer que o cérebro evolui por “decisão” dos genes, como se isso fosse até um “destino”.
    Uma característica do dogmatismo “científico” do evolucionista, é encher uma mera filosofia oca, de inúmeros “causos” científicos, que até poderiam ser rebatidos uma a um, como mera perda de tempo.
    Escolhi apenas o cérebro.
    O cérebro É UM COMPUTADOR, OU MELHOR, UM PROCESSADOR COMPUTATORIZADO extremamente comum nas nossas máquinas atuais, e é claro que Darwin não tinha isso para comparar, mas hoje temos. E Darwin não expôs nenhum dogma de fé, EXPÔS SEU PALPITE, COMO AS ESPÉCIES QUE SEQUER EXISTEM, SÃO INVENÇÕES HUMANAS, TERIAM EVOLUÍDO NO TEMPO, através de uma “seleção natural” que nem ele ou qualquer outro homem até hoje constatou no que quer que seja. Palpites se tornaram dogmas de fé, exatamente como o Geocentrismo de Aristóteles, ou o criacionismo de Deus Infinito dos católicos medievais.
    Há um única evidência de que o cérebro do primeiro homo-sapiens seja um “mm” diferente dos nosso homens atuais? Exceto pelas divergência individuais, como o motor de cada carro? SE HÁ, COMO TERIA SIDO VERIFICADA?
    O que há é que o “comportamento” do homem atual e do homo-sapiens são completamente diferentes, e que intriga os cientistas “dogmáticos evolucionistas”
    é exatamente “não entender o comportamento”, não só do homem, mas de qualquer outra espécie. COMPORTAMENTO NÃO BATE COM O DOGMATISMO DE QUE TUDO ESTÁ NA MATÉRIA, e é claro que não está, mas ainda é questão de mera crença de cada um. Há cientista que estão procurando a “alma” nos neurônios do cérebro, como algum imbecil procurar a inteligência do homem nos chips dos computadores. Os chips são de fato evidências da inteligência, e não o contrário.
    Uma enxurrado de “causos interpretados” e uma enxurrada de “bibliografia” que sustentam a “verdade”, é a ritualística tida como “modelo científico”, algo como a velha ritualística das igrejas para provarem alguma verdade que sequer existe.
    O fato é que o homem tem sua inteligência em contínua evolução, e se expressa através dos nossos organismos materiais, que, como humanos, ainda são os mesmos dos nossos ancestrais homo-sapiens, e que pouco diferem do ponto de vista de “projeto”, dos antepassados hominídeos, são muito semelhantes a todos os mamíferos existentes etc. etc. Exatamente como comparar nossos veículos de transportes desde a carroça de burros.
    Isso é fato, o resto é encher linguiça para provar “dogmas de fé”, coisas que tiveram as igrejas como mestres até hoje. Uma teoria ou doutrina é no máximo uma presunção de verdade, desde que não exista outra melhor, ou que se comprove sua veracidade! Provar não é “presumir”. E só se pode provar com os recursos que se tenham, daí que a prova de agora, pode ser mentira amanhã, ou daqui algum tempo.
    Qualquer dogma de fé dispensa prova, o evolucionismo da “seleção natural” até agora não se tem uma única prova, APENAS ARRANJOS DE PEDAÇOS DAQUI OU ALI. Mas se tornou o dogma de fé dos evolucionistas, e até a sociologia, psicologia, filosofia etc, etc. se “ajustam” a esse dogma de fé, como se faziam há alguma tempo se ajustando aos dogmas dos religiosos.
    A questão não é de ciência disto ou daquilo, mas de crenças pessoais deste ou daquele.

    arioba

    • Bom, voce esta dizendo que eu estou tomando isto como um fato. Acho que a ciência toma isso como modelo explicativo. Se é fato ou não, se é absoluto ou não certamente não é, mas é o que se tem atualmente. Conforme a ciencia vai avançando ela vai produzindo explicaçoes melhores que não precisam ser absolutistas ou definitivas, apenas serem funcionais e aplicaveis. é isso que a torna interessante e a faz avançar.
      Se não lhe agrada o texto ou as colocaçoes voce pode escrever artigos e publica-los, se lhe parece a mesma coisa que criacionismo talvez falte um pouco mais de leitura e entendimento da filosofia da ciência. Inclusive para fazer uma digressao entre conceitos que voce põem tudo no mesmo saco de gatos.

      Abraços!!!

      • Os textos me agradam muito, por isso os comentam, senão não perdia tempo. E nem levo para a coisa pessoal, que é típica de qualquer crente. CRITICO O QUE SE ESCREVE, claro que o mesmo não ocorre na réplica. POR QUE NÃO REBATE O QUE ESTA ESCRITO, COMO FAÇO^? Será que chamar um evolucionista ateu de crente, arranca pedaço? E O VOCÊ ENTENDE QUE SEJA A CIÊNCIA? AS BOBAGENS QUE MUITOS CIENTISTAS ESCREVEM?
        Nada pessoal, e gosto muito dos textos, até por isso os critico, a maioria nem sequer leio, quando se trata de coisas específicas de profissionalismo de alguém. Claro que se alguém fizer um texto falando sobre carburadores de carros, ou técnicas de tênis, também não comento, tanto quanto falar de genes, coração ou cérebro como meros órgãos. A crítica é quanto se trata de “filosofia”, isto é, POSTURAS MENTAIS.

        Mostre-me onde as crenças dos evolucionistas são diferentes como conceitos, das crenças dos criacionistas?
        Lembre-se que já desafiei todos os evolucionistas e me mostrarem um único exemplo ou “causo” de “seleção natural” que não seja mera crença evolucionista. Aliás, outro desafio, mostre-me uma única espécie andando por aí, pois se trata apenas de “invenção do homem”, como também é a religião e a própria ciência. Você já viu alguma “espécie humana, ou de símios, ou de bactérias” andando por aí? CONFUNDIMOS INDIVÍDUOS OU SER-VIVO COM ESPÉCIE? A velha história que de tanto mentir, a mentira vira verdade?
        Isso é pessoal, e está aí como desafio para qualquer cientistas me responder, pouco importa se evolucionista, criacionista, ateu ou carola de qualquer igreja. Confunde-se até igreja com religião!

        Amigo, não leve para a questão pessoal, APENAS COMENTO O QUE SE ESCREVE, E POUCO IMPORTA QUEM SEJA. Vira e meche critico também o arcebispo de São Paulo que também expõe seus dogmas de fé. ELE É MAIS SUTIL, SEQUER RESPONDE, o que também pouco me importa. NÃO É apenas O AUTOR E NEM O CRÍTICO QUE LÊ o que se escreve. Quando alguém não responde, ou não tem argumentos, ou não interessa a resposta, e tudo fica na mesma.
        Quanto a escrever algo, LHE MANDEI UM VASTO TEXTO A RESPEITO, e se observa, todas minhas críticas são coerentes com esse texto, então, nem isso é real na sua replica. Claro que o texto não tem o vasto repertório bibliográfico, que torna algo DIGNO DE FÉ para o cientista menos avisado.
        Desculpe o tamanho, mas me enervo com “bobagens científicas”, tanto quanto outras bobagens de vários gêneros principalmente quando se vai para o caso pessoal.
        Sou um crente como você, APENAS ARGUMENTO ESSA CRENÇA.

        arioba.

  2. Parabéns pelo texto Victor.

    Estou me formando em Biologia e com projeto em neurociência computacional. Gosto muito também, claro, de evolução, etologia, e principalmente, psicologia evolucionista.

    Sugiro que você separe artigos sobre neurociência e ciências cognitivas afins por categoria.

    Seu site é ótimo, fantástico. Gostei muito. Nem sabia que tinha tanto conteúdo assim. Infeki

    • Eu já pensei nisto o ano todo. Pensei em fazer uma categoria de Neurociência e Psicologia, mas ai precisaria de muito mais textos e me falta tempo. rsrsrsr eu to com alguns textos de psicologia aqui e com umas referencias para descrever sobre a origem da consciência sob a perspectiva da evolução, e o psicologia evolutiva do medo da morte e seu valor adaptativo. Mas isto deixarei para o ano que vem.
      Talvez eu cria sim uma categoria de neuro e psico, mas só para guardar os textos que ja escrevi, por falta de tempo não me foco muito nestes temas, embora goste demais, ja que minha graduação foi em neurofisiologia do cortex entorrinal.
      Mas todo ano eu escolho um tema para discutir no blog, eu tenho planos para fazer um ano especial de fisiologia e neurociência, assim como de geologia e botânica, ou filosofia e historia da ciência (cada par de temas em anos diferentes).
      Ano que vem será eucariogênese (primeiro semestre) e segundo será evolução humana.

      Obrigado pelo elogio e pelas sugestões. Grande abraço!!!!

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