SISTEMA IMUNOLÓGICO II – ORIGEM E EVOLUÇÃO.

Embora o sistema de coagulação faça parte do sistema imunológico nós os separamos a um tópico específico para destrinchar aspectos ligados a sua evolução. Aqui, trataremos dos genes envolvidos no sistema imunológico. Este sistema é uma unidade evolutiva complexa e seria simplista concluir que o sistema imunológico de todos os vertebrados é primitivo.

Cyclostomata é um grupo de cordados que compreende os peixes sem mandíbula vivos: as lampreias e peixes-bruxa. Os gnatostomados (do grego gnathos, mandíbula, e stomatos, boca) constituem uma superclasse de animais vertebrados, onde são reunidos os peixes que possuem mandíbula e os tetrápodes.

Cyclostomata (ou agnathas) é um grupo de cordados que compreende os peixes sem mandíbula vivos, por exemplo as lampreias e peixes-bruxa. Os Gnatostomados constituem uma superclasse de animais vertebrados, onde são reunidos os peixes que possuem mandíbula e os tetrápodes.

Os agentes patogênicos podem rapidamente evoluir e adaptar-se de modo a evitar a detecção e neutralização por parte do sistema imunitário, com isso mecanismos de defesa também evoluíram no sentido de reconhecê-los e neutralizar. É um processo co-evolutivo. Até o mais simples organismo unicelular possui algum sistema de defesa rudimentar, seja na forma de enzimas que os protegem de infecções por vírus especializados a invadir bactérias (bacteriófagos). Outros mecanismos imunitários básicos acompanharam a evolução dos eucariotas e estão hoje presentes nos seus descendentes contemporâneos, como as plantas e os insetos.

Entre estes mecanismos estão a fagocitose, a produção de peptídeos antimicrobianos,  defensinas, e o sistema complemento. Para compreender as evidencias de sua evolução é preciso compreender o sistema imunológico e suas respectivas classificações. O sistema imune pode ser dividido em sistema imunológico inato e adquirido.

O sistema imune inato baseia-se primeiramente nas barreiras fisiológicas e químicas que estão em todo corpo, principalmente no trato gastro-intestinal e sistema respiratório no homem. Existem barreiras físicas, diversos grupos celulares e proteínas que atuam na resposta inata.

Os pêlos do nariz e a pele fazem parte desse sistema. No trato gastro-intestinal há a saliva com enzimas hidrolíticas, no estômago a pH é ácido (2,0), no intestino é alcalino (8,0) e a Bili quebra gordura através de enzimas proteolíticas também causando a morte dos microrganismos; no sistema respiratório os pêlos do nariz impedem a entrada de material particulado, além de existir um muco protetor; nos brônquios e alvéolos há macrófagos.

As celulas de defesa são as células brancas como os leucócitos polimorfos nucleares; os neutrófilos que são a primeira linha de defesa que é responsável pela fagocitose dos microrganismos invasores. Quando mortos, eles adquirem a cor amarelada e são chamados de piócitos. Há tmabém os eusinófilos que geralmente aumentam sua concentração no inverno e só reagem na presença de vermes ou de processos alérgicos. Um aumento de 35% já indica infecção por vermes. Os basófilos também reagem a processos alérgicos e a enzima lactoferrina é quem faz a lise desses microrganismos a partir dos lisossomos.

Na medula óssea os monócitos se dividem, recebem seus receptores específicos que no tecido onde atuam se diferenciam em macrófagos, já que estes não ocorrem no sangue. No fígado dão origem ás células de Kupffer, no pulmão aos macrófagos alveolares, no baço os macrófagos esplênicos, macrófagos peritôniais e a microglia no sistema nervoso central.

As células natural killer ou (NK) são exclusivas para tumores ou infecção viral. Não tem receptor TCR, destruindo as células por contato liberando perfurina e granzimas, uma vez que essas células defeituosas não apresentam mais os receptores KIR (inibidor de células NK).

Existem também os fatores solúveis, polissacarídeos que fazem parte da resposta inata, e estão presentes no plasma sanguíneo; o interferon, que são pequenas proteínas produzidas por leucócitos, macrófagos e linfócitos diante de um antígeno (agente invasor). Células cancerosas também o expressam inibindo a produção de proteínas de células vizinhas impedindo assim a divisão de células infectadas por vírus.

A Fibronectina também é produzida e permite que as células se liguem no colágeno. A Beta-lisina é um polipeptídeo liberado pelas plaquetas em processos infecciosos, sua função é destruir a membrana celular. A interleucina é um polipeptídeo secretado por macrófagos diante de patógenos, ativam a produção, diferenciação e divisão dos linfócitos T.

As proteínas séricas são aquelas presentes no plasma sanguíneo como vimos na parte I. As prostaglandinas são lipídios associados a membrana que atuam como hormônios e são ativos durante a agregação plaquetária aumentando a permeabilidade vascular e estimulando terminais nervosos da dor. Há properdina é associada ao sistema complemento ou quando ele não ocorre. O complexo imune compreende a ligação Ag-Ac, a properdina entra na via alternativa e atrai fagócitos.

O sistema complemento é um conjunto de 20 a 30 proteínas em cada um dos complexos do plasma sanguíneo e visa á complementação do complexo Ag-Ac. São processadas ainda no plasma, cuja proteases desencadeiam uma cadeia de eventos bioquímicos transformando os precursores em complexos ativos. Algo bastante semelhante ao que vimos na coagulação sanguínea. Lembrando que essa descrição se foca na resposta imune humana.

Na resposta imunológica há a participação de três vias principais.

A via clássica faz parte da resposta adaptativa. Onde um complexo complementa o outro. A relação do anticorpo com a bactéria ocorre pela ligação de C1-C4-C2-C3 (C3 convertase) -C5-C6-C7-C8-C9 causando a morte do organismo pelo peso molecular.

A via alternativa é dada pela resposta inata onde não necessita de todo o complexo. Não precisa de anticorpo. Inicia-se direto no C3. Por exemplo: C3-fB-C5-C6-C7-C8-C9.

A via lecitina faz parte da resposta inata, a lecitina se liga ao antígeno carregando o sistema complemento junto. Por exemplo: Man/GlcNac, MBL, MASP1, MASP2, C4-C5-C6-C7-C8-C9. Ataca causando poros no microrganismo.

O sistema complemento é um conjunto de 20 a 30 proteínas em cada um dos complexos do plasma sanguíneo e visa a complementação do complexo Ag-Ac. Em evidencia a via clássica, a via lecitina e a via alternativa

O sistema complemento é um conjunto de 20 a 30 proteínas em cada um dos complexos do plasma sanguíneo e visa a complementação do complexo Ag-Ac. Em evidencia a via clássica, a via lecitina e a via alternativa

Outra forma de atuação do sistema imunológico é através da Inflamação. Este é um mecanismo de defesa da resposta imune inata. Na inflamação ocorre a ativação de células fagocíticas, e diante de um dano tissular, proteínas como as prostaglandinas são ativadas. No local as proteínas cininas contraem o músculo retendo o sangue e as células endoteliais são relaxadas pelos axônios aumentando a permeabilidade vascular. Os leucócitos, macrófagos e neutrofilos vão para o tecido através da diapedese. Deixando o local quente devido ao aumento do fluxo sanguíneo, formando um inchaço pela retenção de líquidos e coceira causada pela cinina.

A imunidade adquirida ocorre quando se é exposto a um antígeno. A primeira medida tomada pelo corpo humano é a produção de linfócitos T na medula, onde lá se dividem, são selecionados e sofrem processo de maturação, ganhando seus respectivos receptores prontos para reconhecer seus antígenos específicos.

O principal receptor é o TCR que está presente somente nos linfócitos T. Os macrófagos que determinam a ativação dos linfócitos T. A forma de atuação do macrófago é variada, podendo inclusive formar um granuloma, onde ainda jovens se fundem gerando uma única célula multi-nucleada.

Os linfócito T são divididos em várias categorias, em TCD4 e TCD8. Os TCD4 são diferenciados em células de memória e TH1 e TH2. Os TH1 auxiliam diferenciando monócitos em macrófagos. Se infectado, os macrófagos ativam células NK ou neutrófilos que destroem o agente patológico. Os TH2 ativam linfócitos B.

Os TCD8 são linfócitos T citotóxicos específicos para células tumorais ou infecção intracelular. O metabolismo dessa célula infectada permite que resíduos fique na membrana, isso serve de estímulo para a interação Ag-Ac. Sua citotoxicidade é dada pelas enzimas perfurina e granzimas. As células TCD8 ainda se diferenciam em CLT que são células responsáveis pela memória imunológica.

Os linfócitos B são ativados pelas células TH2, mas também são auto-ativadoras. Ao reconhecer o antígeno ele é processado e se divide permitindo a passagem da informação para as outras células originando as células de memória e de ataque efetivamente. Os linfócitos B são ricos em reticulo endoplasmático rugoso e produzem 2000 anticorpos por segundo. O anticorpo é dividido em parte variável onde há sua bivalência, por polipeptideos ligados por pontes de sulfeto. E a porção constante que é quem realizada a função biológica.

Os anticorpos mais comuns são IgA, que age em locais de secreção como as mucosas da boca, mamas e o trato gastro-intestinal. O IgM ocorre somente em fase aguda após a entrada ou contato com o microrganismo. Os IgG ocorrem durante toda a fase crônica e é o melhor neutralizador de todos. O IgE ocorre somente em casos específicos como a infestação por vermes ou processos alérgicos; e o IgD é um marcador de membrana e maturação de linfócito B.

 

Evolução do Sistema imunológico

Devido ao grande número de elementos envolvidos, muitos eventos evolutivos devem ter ocorrido, alguns deles neutros, alguns deles selecionados para constituir os sistemas imunológicos que conhecemos hoje. Sim, sistemas imunológicos, no plural, uma vez que ele evoluiu de forma bastante diversificada em diferentes grupos biológicos.

Um resumo da evolução do sistema imunológico em deuterostomos. Os estágios da filogenia em que as moléculas do sistema imunológico surgiram. Moléculas restritas aos vertebrados com mandíbulas e sem mandíbula são indicados em azul e verde, respectivamente. Moléculas que surgiram nos invertebrados estão em rosa. Gene (ou genes) RAG como ativação de recombinação (indicados em púrpura) são de origem viral ou bacteriana (a partir da família do transposon transib) e também estão presentes nos genomas de ouriços do mar e anfioxos. Receptores de agnathas emparelhados assemelham-se aos receptores de antigênos (APAR) e novidades no imunorreceptor de ativação baseado em tirosina de receptor contendo as modificações da superfamília de imunoglobulinas (NICIR, também conhecida como receptor de células T-(TCR) estão na superfamília de imunoglobulina de agnathan (IgSF), moléculas que estão relacionadas com os precursores de TCR e receptores de células B (BCR).  1R e 2R indicam as duas rodadas de duplicação todo o genoma (WGD). Se a 2r (a segunda rodada de WGD), ocorreu antes ou após a divergência dos vertebrados com mandíbulas e sem sem mandíbula é controversa; a figura coloca-o após a divergência de acordo com a opinião generalizada. Acredita-se que algum antepassado da maioria dos Actinopterygii tenha  experimentado um adicional, de linhagem específica WGD (designado como 3R) por volta de 320 milhões ano ago. O tempo de divergência dos animais (mostrados em milhões de anos) baseia-se no método Blair e Hedges. MHC, complexo principal de histocompatibilidade; NLR, receptor Nod-like; SR, receptor de limpeza; TLR, receptor Toll-like; VCBP, V-região que contém proteína de ligação de quitina; VLR, receptor de linfócitos variável.

Um resumo da evolução do sistema imunológico em deuterostomos. Os estágios da filogenia em que as moléculas do sistema imunológico surgiram. Moléculas restritas aos vertebrados com mandíbulas e sem mandíbula são indicados em azul e verde, respectivamente. Moléculas que surgiram nos invertebrados estão em rosa. Gene (ou genes) RAG como ativação de recombinação (indicados em púrpura) são de origem viral ou bacteriana (a partir da família do transposon transib) e também estão presentes nos genomas de ouriços do mar e anfioxos. Receptores de agnathas emparelhados assemelham-se aos receptores de antigênos (APAR) e novidades no imunorreceptor de ativação baseado em tirosina de receptor contendo as modificações da superfamília de imunoglobulinas (NICIR, também conhecida como receptor de células T-(TCR) estão na superfamília de imunoglobulina de agnathan (IgSF), moléculas que estão relacionadas com os precursores de TCR e receptores de células B (BCR).
1R e 2R indicam as duas rodadas de duplicação todo o genoma (WGD). Se a 2r (a segunda rodada de WGD), ocorreu antes ou após a divergência dos vertebrados com mandíbulas e sem sem mandíbula é controversa; a figura coloca-o após a divergência de acordo com a opinião generalizada. Acredita-se que algum antepassado da maioria dos Actinopterygii tenha experimentado um adicional, de linhagem específica WGD (designado como 3R) por volta de 320 milhões ano ago. O tempo de divergência dos animais (mostrados em milhões de anos) baseia-se no método Blair e Hedges. MHC, complexo principal de histocompatibilidade; NLR, receptor Nod-like; SR, receptor de limpeza; TLR, receptor Toll-like; VCBP, V-região que contém proteína de ligação de quitina; VLR, receptor de linfócitos variável.

Todos estes sistemas têm evoluído talvez para além do estado evolutivo aparente das espécies em que estes se encontram. Eles foram modulados por fatores ligados não somente a evolução interna dos seus genes elementares, mas também por co-evolução com fatores do ambiente interno, tais como as restrições celulares, metabolismo, reprodução e assim por diante. As boas invenções são de longa duração, que é a razão por que alguns elementos do sistema imune de invertebrados possam ser encontrados com funções semelhantes em vertebrados (por exemplo, as defensinas).

Também por essa razão os domínios de Ig foram explorados em muitas formas, quer para o sistema imune ou não. E claro, eles tiveram uma evolução própria. O estudo comparativo filogenético dos sistemas imunológicos mostra um mundo particularmente dinâmico e diversificado. As comparações entre as soluções escolhidas pelos diversos filos do reino animal, ou os grupos mais próximos dos vertebrados nos permite distinguir as características essenciais do sistema imunológico. Deste ponto de vista, a abordagem não é apenas de interesse filogenético, mas também permite aumentar nosso conhecimento nesta área e poderia ajudar a sugerir soluções para os médicos quando eles se deparam com deficiências e anomalias no sistema imunológico do homem, sejam elas letais ou não. Senão são letais e tem explicações evolutivas, obviamente não são irredutivelmente complexas, afinal, além de poder ser vista sob uma perspectiva evolutiva não significa que seu mau funcionamento comprometa a sobrevivência do indivíduo. (Du Pasquier, 1992)

O sistema imune em mamíferos é centrado em linfócitos com receptores de antígeno que são gerados por recombinação somática e segundo as análises genômicas surgiram cerca de 500 milhões de anos em peixes com mandíbulas. Este sistema de defesa complexo é composto por muitas moléculas, células que não estão presentes nos vertebrados sem mandíbulas. Segundo as evidências, dois eventos macroevolutivos contribuíram para a gênese do sistema imunológico: a emergência do gene (RAG), um transposon ativador de recombinação, e duas rodadas de duplicação do genoma.

O gene RAG (que na verdade é um conjunto de genes) codifica uma enzima que desempenha um papel importante no rearranjo e recombinação de genes de imunoglobulina e as moléculas de receptores de linfócitos T durante o processo de recombinação de VDJ. Este processo é um mecanismo de recombinação genética nas fases iniciais da imunoglobulina (Ig) e receptores das células T (Abbas & Lichtman, 2003).

As relações entre os filos animais e subfilos com influência direta sobre as origens da recombinação V(D)J em vertebrados com mandíbula. Os principais grupos do superfilo deuterostomo são mostrados (o pequeno filo Xenoturbellida é omitido). Seqüências do genoma recentes de cada um desses clados estão aumentando rapidamente nossa compreensão das origens da imunidade adaptativa dos vertebrado com mandíbula. Hemichordata (ou Hemicordados) têm características de cordados, com os quais já foram colocadas em BIOLOGIA AVANÇADA – RUMO AOS VERTEBRADOS, mas agora são classificados como um grupo irmão dos equinodermos. Os “diamantes” amarelos indicam a colocação de duas formas de imunidade adaptativa em vertebrados com mandibulas e sem mandíbula; círculos amarelos indicam clados com famílias multigênicas complexas que codificam receptores da imunidade inata.

As relações entre os filos animais e subfilos com influência direta sobre as origens da recombinação V(D)J em vertebrados com mandíbula. Os principais grupos do superfilo deuterostomo são mostrados (o pequeno filo Xenoturbellida é omitido). Seqüências do genoma recentes de cada um desses clados estão aumentando rapidamente nossa compreensão das origens da imunidade adaptativa dos vertebrado com mandíbula. Hemichordata (ou Hemicordados) têm características de cordados, com os quais já foram colocadas em BIOLOGIA AVANÇADA – RUMO AOS VERTEBRADOS, mas agora são classificados como um grupo irmão dos equinodermos. Os “diamantes” amarelos indicam a colocação de duas formas de imunidade adaptativa em vertebrados com mandibulas e sem mandíbula; círculos amarelos indicam clados com famílias multigênicas complexas que codificam receptores da imunidade inata.

Existem dois produtos do gene RAG chamados de RAG-1 e RAG-2, cuja expressão celular está restrita aos linfócitos durante as suas fases de desenvolvimento. RAG-1 e RAG-2 é essencial para a geração de linfócitos B e T maduros, dois tipos de células que são componentes cruciais do sistema imunitário adaptativo (Jones & Martin, 2004)

Eles também têm sua própria história evolutiva. Com base na homologia das sequencias genéticas acredita-se que a proteína de RAG-1 evoluiu a partir de um transposon da superfamília Transib (Kapitonov, 2005). Embora as origens dos transposons destes genes sejam bem estabelecidas, ainda não há consenso sobre quando o ancestral de RAG1 e 2 tornou-se presente no genoma dos vertebrados. Isso porque em peixes Agnathas falta um elemento do núcleo RAG1, e foi assumido que tradicionalmente RAG1 invadiu os agnathas/gnathastomata a mais de 590 milhões de anos (Suzuki et al, 2004).

No entanto, recentemente a sequência de núcleo de RAG1 foi identificada nos equinodermos Strongylocentrotus purpuratus (Fugmann et al, 2006) e no anfioxo Brachiostoma floridae (Holland et al, 2008). Estes resultados indicam RAG1 pode ter invadido muito mais cedo na história evolutiva do que se pensava anteriormente. Com base na evidência atual, não é claro se RAG1 teria invadido em um antepassado muito precoce de todos deuterostômos (a cerca de 896 milhões de anos) e depois foi perdido em agnathas, ou ainda, RAG1 pode ter possivelmente invadido o genoma várias vezes. Atualmente a hipótese de que a invasão de RAG 1/2 é o evento evolutivo mais importante em termos de modificar o sistema imunitário adaptativo dos gnathostoma contra o sistema de receptores de linfócitos variável em agnathas.

Recentemente, foi descoberto que sistemas imunológicos não baseados em RAG e com semelhanças com o de peixes de mandíbula – incluindo duas linhagens de células linfóides  – que surgiu em peixes sem mandíbula por evolução convergente (Flajnik & Kasahara, 2010).

Or órgãos linfoides são responsáveis pela produção e armazenamento de células específicas do sistema imune. Os órgãos linfóides primários são formados pelo timo, que é responsável pela produção de linfócitos T, e a bolsa de Fabrício. Os secundários são os linfonodos e baço, onde ocorre a interação entre o sistema imune e o antígeno. No baço estão as células vermelhas, brancas e linfócitos; MALT (Tecido linfóide associado a mucosa), BALT (Tecido linfóide associado aos Broquios), GALT (Tecido linfóide associado a trato gastro-intestinal).

A imunidade adaptativa é mediada através de inúmeros processos genéticos e celulares que geram variantes somáticas favoráveis dos receptores de ligação ao antígeno, isso ocorre sob pressão de seleção evolutiva por agentes patogênicos e outros fatores.

Os avanços na nossa compreensão da imunidade em mamíferos e outros organismos modelo estão revelando a base subjacente e complexidade deste sistema. Embora a evolução da imunidade adaptativa seja vista pela capacidade de aquisição de capacidades moleculares, uma quantidade crescente de informações de novos sistemas de modelos sugerem que a co-opção e reorientação dos sistemas pré-existentes são a principal fonte de inovação.

A via da lectina (MBL – MASP) é homóloga da via clássica do sistema complemento, mas utiliza opsoninas, manana com ligações a via lectina (MBL, MBP) e ficolinas em vez de C1q.

Ficolinas diversificadas são de particular importância em invertebrados, que não possuem a resposta imune adaptativa, e evoluíram cerca de 500 milhões de anos atrás em vertebrados com mandíbula.

Receptores de varredura de macrófagos parecem mediar importantes, funções conservadas, por isso os receptores de reconhecimento de padrões prováveis certamente surgiram no início da evolução dos mecanismos de acolhimento de defesa. Os eicosanóides desempenham um papel proeminente em respostas imunitárias e inflamatórias e claro, a evolução de receptores eicosanóides foi analisada com base nas sequências de aminoácidos. Esses receptores estão localizados em uma variedade de células, tecidos e órgãos e podem ser ativado por qualquer ligante seletivo ou não.

A versatilidade, a resposta específica e a memória com capacidade adaptativa imune evoluiu mais recentemente, a cerca de 450 milhões anos atrás e é encontrada em todos os vertebrados com mandíbulas (Gnatostomados), mas não em invertebrados.

Leucocito granulosos

Leucócito granulosos

Embora as células B de vertebrados superiores não têm capacidades fagocíticas, foi recentemente demonstrado sua presença a partir de peixes teleósteos (ósseo) e em anfíbios com as capacidades fagocíticas. A captação de partículas pelas células B induz a ativação de vias de degradação levando à formação de ‘fagolisossomo’ e morte intracelular de microrganismos ingeridos. O mais provável é que respostas menos elaboradas adaptativas restritiva a peixes e anfíbios permitiu a preservação da fagocitose, uma vantagem evolutiva para células B em sua defesa contra patógenos. Estes resultados suportam a idéia de que as células B evoluíram a partir de um tipo de célula fagocítica ancestral, fornecendo um quadro evolutivo para a compreensão da estreita relação entre os linfócitos B de mamíferos e macrófagos.

Leucócitos com granulações liberam histamina e outros mediadores vasoativos em resposta aos alérgenos. Embora esta reação seja mais frequentemente encontrada em reações alérgicas, elas aparentemente evoluíram como um sistema de defesa contra o parasitismo intestinal, tais como infestações de tênia.

A superfamília das imunoglobulinas versátil é evolutivamente antiga, é amplamente expressa, e é a longo prazo regulada. Os anticorpos de imunoglobulina são libertados por células B ativadas no sistema imune, em que eles também atuam como proteínas marcadoras de superfície. A enorme diversidade de anticorpos é atribuível ao splicing alternativo de recombinação VDJ.

RAG1 e RAG2, as proteínas que mediam a recombinação VDJ, estão intimamente relacionados ás transposases, e acredita-se que a evolução do genoma dos vertebrados inclui a sua entrada como parte de uma super família do transposon Transib (MNT, 2006).

As respostas imunes celular e humoral eficazes feitas por células T e B, respectivamente, requerem a participação de várias células fagocíticas, células dendríticas (DC), as natural killer e outros tipos de células do sistema imune inato que têm importantes funções indutivas ou efetoras para proporcionar seu efeito.

É difícil discernir a história evolutiva da extensa rede de tipos de células individuais que devem trabalhar em conjunto para ter uma imunidade eficaz.

Por exemplo, no momento não sabemos quando algumas chaves do sistema imunológico entraram em cena evolutiva, tais como as células NK e DCs. O que não significa que justifiquem um argumento de ignorância.

Além disso, mudanças evolutivas contínuas aumentam a confusão a respeito de sua história evolutiva. Um exemplo relevante é a evolução bastante recente dos diversos tipos de receptores de células NK em camundongos e humanos, que compartilharam um ancestral comum de cerca de 65 milhões de anos atrás. As células NK dos ratos usam receptores de lectina, enquanto que as células NK primatas usam imunoglobulina e receptores (KIR) para reconhecer classes de MHC ligantes que controlam sua ativação.

Dois tipos de sistema imunitário adaptativo evoluíram em vertebrados: um sistema recentemente reconhecido em vertebrados sem mandíbula (mixinídeos e lampreia) e o sistema imunológico adaptativo mais familiar dos vertebrados mandibulados. Estes dois sistemas utilizam diferentes tipos de antigénio e receptor de reconhecimento, mas usam estratégias de diferenciação de linfócitos semelhantes envolvendo duas linhagens de linfócitos que somaticamente são altamente diversificadas em seus receptores de antigénios.

Em vez de VDJ-C, a composição de receptores à base de imunoglobulinas de células B (BCR), e receptores de células T (TCR) nos vertebrados com mandíbulas, os receptores de linfócitos variáveis (VLRs) de vertebrados sem mandíbulas são compostos por sequências variáveis LRR ligadas por uma região flexível na superfície dos linfócitos. Os vertebrados sem mandíbula têm dois tipos de VLR e diversos repertórios de cada tipo de receptor são expressos por populações distintas de linfócitos que se assemelham a nossas células B e T.

A evolução dos sistemas imunes adaptativos alternativos foi facilitada por duas rodadas de duplicação inteira do genoma que permitiu a função original de um gene ser mantida enquanto a outra sofreu uma seleção evolutiva de modificações de cópias de genes adicionais para novas finalidades (Cooper & Herrin, 2010).

Saiba mais em SISTEMA IMUNOLÓGICO I – EVOLUÇÃO DA CASCATA DE COAGULAÇÃO E GENÉTICA DE ENSINO MÉDIO ATROPELAM COMPLEXIDADE IRREDUTÍVEL

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Evolução, Sistema imunológico, Inato, Adaptativo,

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Referências

* Jones, Jessica M.; Gellert, Martin (2004). “The taming of a transposon: V(D)J recombination and the immune system”. Immunological Reviews 200: 233–48.
* Kapitonov, V.V; Jurka, Jerzy (Jun 2005). “RAG1 core and V(D)J recombination signal sequences were derived from Transib transposons”. PLoS Biology 3 (6): 998–1011.
* Suzuki, Takashi; Pasquier, Louis Du (Feb 2004). “On the origins of the adaptive immune system: Novel insights from invertebrates and cold-blooded vertebrates”. Trends in Immunology 25 (2): 105–111.
* Fugmann, S. D.; Messier, C; Novack, LA; Cameron, RA; Rast, JP (7 Mar 2006). “An ancient evolution origin of the Rag1/2 gene locus”. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 103 (10): 3728–3733.
* Du Pasquier L. Origin and evolution of the vertebrate immune system. APMIS. 1992 May;100(5):383-92.
* Abbas AK and Lichtman AH (2003). Cellular and Molecular Immunology (5th ed.). Saunders, Philadelphia.
* Martin F. Flajnik* and Masanori Kasahara. Origin and evolution of the adaptive immune system: genetic events and selective pressures. nATuRe ReVIeWS | Genetics VoLuMe 11 | JAnuARy 2010 | 47
* Max Cooper and Brantley Herrin. How did our complex immune system evolve? Nature. 2 | JANuARy 2010 | VoLuME 10
* MNT. Discovery In The Evolution Of The Immune System Absorbing Cells. 2003

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