E SE O Archaeopteryx NÃO FOR A PRIMEIRA AVE? – VALE MENTIR EM NOME DE DEUS PARA JUSTIFICAR O CRIACIONISMO?

O criacionismo não se defende mais como fazia no julgamento de Scopes. Hoje, a sua argumentação ficou mais frágil e indecente, geralmente embasada na descontextualização de artigos científicos. Não! Não é mais o mero ceticismo quanto a evolução, o argumento é “se não pode refutar, invente e confunda”. Um exemplo que representa bem este tipo de argumentação pseudo-crítica é dado pelo site Criacionismo, cujo autor do site é pastor Adventista com formação em jornalismo (ainda que o texto divulgado não seja de sua autoria).

A crítica a ser apresentada aqui não se fundamenta no fato do autor do site descarregar suas deficiências críticas em doses homeopáticas (contribuindo para a divulgação da pseudo-ciência), analfabetismo científico ou total incapacidade de participar em qualquer debate em alguma rede social; mas pelo fato se fundamentar em artigos científicos para justificar sua posição pseudocientificista com incoerências primárias.

O mais novo exemplo dado pela página criacionista é o uso de artigos científicos que defendem claramente a origem de aves a partir de dinossauros terópodes para tentar justificar que aves não descendem de dinossauros. Sim, por mais incoerente que seja, a proposta deles é exatamente esta “artigos que defendem a evolução refutam a evolução”.

Desta forma, encontramos uma excelente oportunidade não só de desmentir as falácias pseudocientificistas da página, mas uma oportunidade de aprofundamento na anatomia e origem das aves, bem como um excelente exemplo para demonstrar como o método científico funciona e como a ciência trabalha. Este texto não só refuta afirmações criacionistas, mas ele oferece detalhes cruciais sobre comportamento e ecologia de Archaeopteryx; a primeira ave, ou o último dinossauro terópode antes da origem do vôo.

Sem título

Escolhemos um texto postado nesta página por representar um grande exemplo de incompreensão e falácia sobre o assunto. De tal forma que não informaremos o endereço virtual pelo simples fato de que a política do NetNature é de não contribui para a divulgação de textos pseudocientíficos. Sendo assim, a procura do texto completo fica a critério de quem se interessar. Aqui, destacamos apenas os parágrafos na as qual falácias foram produzidas, e a primeira alegação falaciosa é uma citação de um estudo de 2008 onde o autor criacionista cita que a ciência:

alegava ter descoberto um dinossauro que respirava como as aves.[1] Esse artigo foi quase todo baseado em mera especulação. Sua investigação foi promovida pelos meios de comunicação populares como sendo um fato irrefutável”.

O problema é que o artigo não foi baseado em especulação, pelo contrário. Ao ler o simples abstract do artigo atesta-se exatamente o contrário do que é alegado pelos criacionistas. O artigo trata de um estudo sobre a origem dos sacos aéreos com base em registros fósseis, e ainda retrata o esvaziamento pneumático da fúrcula e ílio. O artigo ainda destaca uma modelagem dos possíveis passos (estamos falando de modelos e não dogmas) pela qual essas estruturas anatômicas se originaram no dinossauro argentino (Aerosteon riocoloradensis) datado em 83 milhões de anos. Vale lembrar que de acordo com a teoria da evolução o marco simbólico da origem das aves é dado pelo Archaeopteryx (160 milhões de anos). Simbólico exatamente porque a transição de dinossauros para aves envolve mais de 20 espécies distintas e mais de 40 milhões de anos de evolução. Note que entre o Archaeopteryx e Aerosteon passaram-se 80 milhões de anos. É simbólica também porque evita a falsa premissa saltacionista de que dinossauros saltam espontaneamente para aves (superficialmente chamado de “dinos-canários” por criacionistas), ou, como relatado na imagem sensacionalista acima. Este tipo de alegação só ressalta a incompetência criacionista ao diferenciar evolução de saltacionismo. Coisa que é primária quando se propõe discutir tal assunto.

É preciso deixar claro que o “elo de transição” entre dinossauros e aves não é representado por uma espécie-chave meio dino/meio ave (razão pela qual Archaeopteryx é simbólico), e que esta transição é feita de modo cladístico e não anagênico de tal forma que há muitos ramos colaterais na filogenia. A pontualidade dos fósseis e os estudos paleontológicos e genéticos estabelecem a partir da parcimônia a melhor relação entre os fósseis.

Sendo assim, o autor do estudo ainda ressalta que esses dois ossos (fúrcula e ílio) são pneumatizados pelo divertículo de sacos de ar (clavicular e abdominais) que estão envolvidos na ventilação pulmonar. Eles ainda destacam a presença no registro fóssil de vários gastrália pneumatizada (costelas abdominais), que sugerem que o divertículo do sistema de sacos aéreos estavam presentes nos tecidos superficiais do tórax do animal. Os autores ainda destacam que as evidências do registro fóssil para a origem e a evolução desse sistema é extremamente limitado, porque os pulmões não se fossilizam. Os autores do artigo original ressaltam:

“ As a result of an extraordinary level of pneumatization, as well as the excellent state of preservation of much of the axial column and girdles, Aerosteon helps to constrain hypotheses for the evolution of avian-style respiration…. the precise phylogenetic position of Aerosteon but rather to describe its most salient features, outline the range of its remarkable pneumatic spaces, and discuss their relevance to understanding the early evolution of avian air sacs and lung ventilation…. A thermoregulatory role for the early evolution of air sacs in nonavian dinosaurs should not be ruled out without further evidence from nonvolant ratites….In sum, although we may never be able to sort out the most important factors behind the origin and evolution of the unique avian pulmonary system, discoveries such as Aerosteon provide clues that help to constrain the timing and circumstances when many of the fundamental features of avian respiration arose.

Vale lembrar que a repercussão da comunicação popular (termo usado pelo autor criacionista) não tem valor sobre a suposta irrefutabilidade de uma proposta científica. O modelo proposto pelos autores deste artigo pode sim ser refutado e portanto, respeita as premissas básicas do método científico, verificabilidade e falseamento.  De fato, a análise do próximo trecho de texto cai exatamente em uma possibilidade de refutação, portanto, a teoria da evolução se encaixa nos princípios popperianos da ciência.

Sendo assim, a alegação falaciosa feita neste texto é referente á improbabilidade de aves terem se originado a partir dos dinossauros.

Em outra citação, o autor criacionista diz:

“…cientistas da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, analisou a capacidade pulmonar das aves e sugeriu que é improvável que elas descendam de algum tipo de dinossauro.[2]  Segundo os pesquisadores, “as conclusões juntam-se a outras evidências que podem, finalmente, forçar muitos paleontólogos a reconsiderar a longa crença segundo a qual as aves modernas seriam descendentes diretos de muitos dinossauros carnívoros”.[3]”

Neste ponto, apesar de citar duas referências, ambas tratam do mesmo artigo. A referência (2) trata do artigo original (Cardio-pulmonary anatomy in theropod dinosaurs: Implications from extant archosaurs) e a referência (3) trata especificamente de uma reportagem do Science daily sobre o artigo da referência 2. O artigo em questão trata de algumas considerações importantes sobre a anatomia dando destaque para as modificações que ocorreram no decorrer da evolução de aves em comparação com crocodilianos. O artigo diz:

“During the course of avian evolution, the progressive migration of the long axis of the femur, from vertical in early forms to an almost horizontal position adjacent to the flank, has long been recognized (Gatesy, 1995; Hertel and Campbell, 2007; Fig. 5). Significantly, in modern birds, the subhorizontal femoral/thigh muscle complex is functionally incorporated into the body wall and invested by the trunk integument. This ‘‘migration’’ of the distal femur (probably in response to a cranially displaced center of mass) is coupled with the thigh’s relatively minor contribution to stride generation during cursorial locomotion (replaced by substantial contributions from knee and ankle movements). In kinematic studies of walking guinea fowl, the femur retracted little, only 5–158 compared with 60–808 retraction observed in the vertically oriented femur of walking alligators, while the avian knee moved through a 50–708 arc (Gatesy, 1995)”.

 

“Durante o curso da evolução das aves, a migração progressiva do longo eixo do fêmur, a partir da vertical em formas precoces para uma posição quase horizontal para o flanco adjacente, tem sido reconhecida (Gatesy, 1995; Hertel e Campbell, 2007; Fig. 5). Significativamente, nas aves modernas, o complexo muscular sub-horizontal femoral/coxa é funcionalmente incorporado a parede do corpo e investido pelo tegumento tronco. Esta “migração” distal do fêmur (provavelmente em resposta a um centro de deslocamento cranialmente de massa) é acoplada com contribuição relativamente menor da coxa gerada durante a locomoção cursorial (substituído por contribuições substanciais de movimentos do joelho e tornozelo). Em estudos cinemáticos do andar, o fêmur retraiu pouco, em comparação com a retração 5-158 comparada com 60-808 observada no fêmur orientado verticalmente pelo andar dos crocodilos, enquanto o joelho de aviária era movido através de um arco 50-708 (Gatesy, 1995)”.

O autor destaca que certos aspectos da comparação são irrelevantes e que o registro fóssil é escasso, mas há características em tecidos esqueléticos e tecidos não-resistentes de terópodes que permitem dar informações sobre seu aparelho respiratório e as suas capacidades aeróbias de pássaro ou em animais semelhantes a crocodilos:

However, the exact number of chambers that theropod dinosaur hearts possessed is somewhat irrelevant, their closest living relatives (i.e., crocodilians and birds) possess four-chambered hearts and, by itself, this factor would provide no real insight into their cardiovascular capacities. Arguments have been made that some Permian crocodylomorphs may have required a four-chambered heart (Fisher et al., 2000; Seymour et al., 2004; Hillenius and Ruben, 2004b) and similar arguments may be applied to the Dinosauria…. However, indirect but reliable indicators of theropod cardiovascular anatomy may be found in the evidence for avian or crocodilian-like aerobic capacities in these animals, and, by extension, the cardiovascular anatomy requisite for its support and maintenance…Definitive anatomic features functionally linked to the aerobic capacity of modern animals are unlikely to be preserved in the fossil record. Blood oxygen carrying capacities, blood oxygen affinity and tissue mitochondrial volumes are characters of the soft tissue and have not been described in any fossilized remains.

However, there exists further evidence in the skeletal and soft tissue remains of theropod dinosaurs that provides insight to their respiratory apparatus and their bird-like or crocodilian-like aerobic capacities”.

 

No entanto, o número exato de câmaras que os corações de dinossauros terópodes possuía é um pouco irrelevante, seus parentes vivos mais próximos (ou seja, os crocodilianos e aves) possuem corações com quatro cavidades e, por si só, esse fator não daria nenhuma visão real sobre as suas capacidades cardiovasculares. Argumentos foram criados em alguns crocodilomorfos do Permiano e pode ter exigido um coração de quatro câmaras (Fisher et al, 2000;. Seymour et al, 2004;. Hillenius e Ruben, 2004b) e argumentos semelhantes podem ser aplicadas para o Dinosauria …. No entanto, os indicadores indiretos de confiança de anatomia cardiovascular terópode podem ser encontrados na evidência de capacidades aeróbias aviárias ou semelhantes a crocodilos nestes animais, e, por extensão, o requisito da anatomia cardiovascular por seu apoio e manutenção … Características anatômicas definitivos funcionalmente ligadas à capacidade aeróbia dos animais modernos não são susceptíveis de ser preservados no registro fóssil. Sangue oxigenado, afinidade de oxigênio no sangue e nos tecidos volumes mitocondriais são características de tecido não-resistentes e não foram descritos em quaisquer restos fossilizados.
No entanto, existe mais uma prova no tecido esquelético e não-resistente de restos de dinossauros terópodes que permitem dar informações sobre seu aparelho respiratório e as suas capacidades aeróbias de pássaro ou semelhantes a crocodilos”.

Em outros trechos do artigo o autor ressalta diferenças cardio-vasculares entre aves e crocodilos, especialmente a respeito dos sacos aéreos não vascularizados, estrutura flaveolar do pulmão, pressões intra-celômicas, movimentação de costelas e esterno bem como o aparato da pelve em contraste com os crocodilianos atuais com um sistema diafragmático associado a músculos intercostais e abdominais. Destaca também que os pulmões de crocodilianos são maiores embora o de aves seja o mais eficiente dentre todos os vertebrados, citando ainda o livro referência de fisiologia animal de Schmidt-Nielsen, que no Brasil foi traduzido pelo professor Bicudo da USP e que é referencia em evolução e fisiologia.

Embora a conclusão do autor seja de inconsistências entre terópodes e aves ele deixa claro, como vimos acima, que faltam registros fósseis. O autor ainda cogita a possibilidade de que terópodes possam ter possuído sacos aéreos:

“Many modern ‘‘reptiles’’ possess well defined abdominal air-sacs whose functions have nothing to do with an avian style, air-sac lung. Similarly, although theropod dinosaurs may well have possessed abdominal air-sacs linked to vertebral pneumatization, there is little evidence that they could have functioned in a manner consistent with the modern avian-style air-sac system: abdominalair-sacs in theropods seems to have been far smaller than in modern birds and mechanisms for their ventilation were absent.

We conclude that there are few data supportive of there having been an avian style lung air-sac system in theropods or that these dinosaurs necessarily possessed cardiovascular structure significantly different from that of crocodilians. These conclusions are reinforced by previously cited evidence for crocodilian-like lung ventilation in theropod dinosaurs (Ruben et al., 2003)”.

 

“Muitos ”répteis” modernos possuem sacos aéreos abdominais bem definidos cujas funções não têm nada a ver com um estilo aviária, sacos aéreos pulmonar. Da mesma forma, embora dinossauros terópodes possam muito bem ter possuído sacos aéreos abdominais ligadas à pneumatização vertebral, há pouca evidência de que eles poderiam ter funcionado de uma forma consistente com o sistema de sacos aéreos aviários modernos: sacos aéreos abdminais em terópodes parecem ter sido muito menor do que nas aves modernas e mecanismos para a sua ventilação estavam ausentes.
Conclui-se que há poucos dados de apoio de ter havido um pulmão com o sistema de sacos aéreos em terópodes ou que estes dinossauros tinham necessariamente estrutura cardiovascular significativamente diferente a dos crocodilianos. Estas conclusões são reforçadas por evidências citados anteriormente para a ventilação pulmonar de animais semelhantes a crocodilos, como em dinossauros terópodes (Ruben et al., 2003) “.

Note que o autor não descarta que os terópodes não possam ser evolutivamente relacionados com o de aves. Ele apenas deixa claro que de acordo com as evidências de seu artigo, crocodilianos e aves têm poucos indícios de que o sistema de sacos aéreos e cardio-vascular sejam relacionados, embora essa possibilidade exista. O mais interessante é que há outras considerações sobre esse assunto segundo outros autores.

Não é mencionado no artigo, nem na Science Daily (por razões obvias) e muito menos pelos criacionistas (o que é mais obvio ainda), mas há pesquisadores que apresentaram evidências e argumentos fortes para a origem de sacos aéreos em Sauropodes, Prossauropode, Coelurosaurus, Ceratossauros e Terópodes. De fato, o próprio Aerosteon (citado na primeira parte deste texto) e Coelophysis apresentam tais evidências (Wedel, 2006).

Estudos indicam que fósseis de Coelurossauros (Naish et al, 2004), Ceratossauros (O’Connor & Claessens, 2005) e os Terópodes Coelophysis e Aerosteon tinham tais estruturas. Em Coelophysis, por exemplo, a partir do final do Triássico, é um dos primeiros dinossauros cujos fósseis mostram evidências de canais para sacos de ar (Wedel, 2006).

O Aerosteon, que é um Alossauro do Cretáceo, teve sacos de aéreos mais próximos aos vistos nas aves modernas (Sereno et al, 2008). Novos fósseis podem estreitar ainda mais esta relação se mostrando mais próximos. O fato de termos o Aerosteon como um animal com sacos aéreos muito próximos ao das aves modernas pode ter sido o motivo pelo qual o autor criacionista tenha dito que o artigo sobre Aerosteon foi “quase todo baseado em mera especulação”. Uma alegação negacionista, anti-científica (pois omite argumentos contrários a sua alegação) na tentativa de invalidar o artigo já que ele não combina com suas premissas teológicas pessoais do autor criacionista.

Para piorar a situação, as evidências que apontam que os primeiros Sauropodomorphos, incluindo os Prossauropodes também podem ter tido sacos de ar. Embora os possíveis entalhes pneumáticos que tenham sido encontrados em Plateosaurus e Thecodontosaurus, ainda são muito pequenos. Um estudo realizado em 2007 concluiu que Prossauropodes provavelmente tiveram sacos de ar abdominais e cervicais. Com base nas evidências eles foram classificados como táxons irmãos de Terópodes e Sauropodes. O estudo concluiu que era impossível determinar se Prossauropodes tinham um pulmão de pássaro, mas que os sacos de ar estavam presentes (Wedel, 2007).

Outra indicação da presença de sacos de ar e seu uso na ventilação pulmonar vêm de uma reconstrução do volume de troca de ar (o volume de ar que troca com cada respiração) de Plateosaurus. Quando expresso como uma razão de volume de ar por peso corporal em 29 ml/kg é semelhante aos valores de gansos e outras aves, e muito maior do que os valores típicos dos mamíferos (Mallison, 2010).

Até agora, nenhuma evidência de sacos de ar foi encontrada em dinossauros ornitisquios, mas isso não quer dizer que eles não poderiam ter tido taxas metabólicas comparáveis ​​aos dos mamíferos, uma vez que os mamíferos também não têm sacos aéreos (Reid, 1997).

Em resumo, ainda que o autor do artigo considere inconsistências ao comparar pulmões de terópodes e aves, devemos lembrar que a suposição foi feita com base em comparação com crocodilianos, e que ele não descarta a possibilidade dessa relação. Sobre o sistema cardio-vascular não se sabe muito e pode ser uma questão a ser solucionada somente no futuro porque depende de fósseis que preservem tecidos não-resistentes já que não se conhece o sistema cardio-vascular dos fósseis das primeiras aves e dos terópodes. As evidências comparativas entre aves e crocodilianos são indiretas e inconclusivas. Vimos também que há outros artigos que sustentam a origem do sistema de sacos aéreos a partir de terópodes e que há outros grupos de dinossauros com tais estruturas. Como de costume, os criacionistas citam somente o fragmento que lhe interessa para negar (e não refutar) a proposta cientifica.

Nos parágrafos seguintes os autores do artigo reiteram que aves descendem de dinossauros, eles apenas questionam a ligação direta entre aves e dinos da mesma forma na qual Henry Gee (Editor Sênior da revista Nature) criticou a evolução humana segundo uma perspectiva anagênica. As partes grifadas demonstram a mesma perspectiva que Gee, de ver a evolução não como um processo linear, progressivo, anagênico, mas com uma visão cladística.

Veja:

“The newest findings, the researchers said, are more consistent with birds having evolved separately from dinosaurs and developing their own unique characteristics, including feathers, wings and a unique lung and locomotion system.

There are some similarities between birds and dinosaurs, and it is possible, they said, that birds and dinosaurs may have shared a common ancestor, such as the small, reptilian “thecodonts,” which may then have evolved on separate evolutionary paths into birds, crocodiles and dinosaurs. The lung structure and physiology of crocodiles, in fact, is much more similar to dinosaurs than it is to birds”.

E no parágrafo seguinte a citação ipsis litteris do autor Quick sobre tal relacionamento. Ele é categórico em dizer que:

We aren’t suggesting that dinosaurs and birds MAY NOT HAVE HAD a common ancestor somewhere in the distant past,” Quick said. “That’s quite possible and is routinely found in evolution. It just seems pretty clear now that birds were evolving all along on their own and did not descend directly from the theropod dinosaurs, which lived many millions of years later.”

Portanto, por si só, os artigos e autores citados no próprio texto criacionista refutam as afirmações declaradas pelo autor. Isso demonstra que as argumentações criacionistas são forjadas com base em descontextualizações, na não-leitura dos artigos ou na má-intenção de defender posicionamentos teológicos com ênfase em posturas anti-ciência.

Seguindo as declarações do texto, no próximo trecho a ser analisado, o autor destaca um  estudo e suas objeções:

“Em 1997, por exemplo, um estudo analisou as origens dos três ossos dos dedos/asas e pés dos dinossauros terópodes e aves modernas.[4] Os resultados indicaram claramente que as mãos dos dinossauros terópodes são derivadas de dígitos I, II e III, enquanto que as asas das aves, embora sejam parecidas em termos de estrutura, são derivadas de dígitos II, III e IV.  Essa pesquisa rompeu o vínculo da hipótese dino-ave visto que, se os pássaros forem descendentes dos dinossauros terópodes, seria de se esperar estruturas homólogas derivadas a partir de regiões comparáveis”.

A citação acima é sobre o artigo de Alan Feduccia e Ann C. Burke. O problema é que dois estudos realizados por Vargas e Fallon (2005) sugerem que os embriologistas erraram na análise dos dígitos de aves. Embora as condensações dos dígitos se assemelhem aos dígitos 2, 3 e 4, os padrões de expressão de genes Hox sugerem que os dígitos são de fato 1, 2 e 3, assim como nos dinossauros terópodes. Fallon e Vargas afirmam que o dígito 1 (polegar/hallux) é caracterizado unicamente (pelo menos no membro posterior de aves, e no membro anterior e posterior de ratos) pela expressão do gene Hoxd13, na ausência de expressão Hoxd12. Todos os outros primórdios digitais expressam tanto Hoxd12 e Hoxd13. Vargas e Fallon propõem que os dígitos de asa de aves são realmente 1-2-3, e esse arranjo de dígitos em aves é mais uma evidência clara do que uma refutação a ideia de que as aves são descendentes dos dinossauros.

Estudos recentes estão fornecendo mais suporte para esta visão. A expressão de Hox em dígitos de jacarés (Vargas et al. 2008) também sugere que, na asa dos pássaros, os dígitos 1, 2, 3 se desenvolvem a partir de posições embriológicas esperadas dos dígitos 2, 3 e 4. Além disso, Vargas e Wagner (2009) mostraram que se a ciclopamina for administrada ela inibe a sinalização de genes Hox nos membros de pintinhos, a morfologia dos dígitos que geralmente se desenvolvem a partir de posições 2 e 3 deslocam-se de tal modo que eles desenvolveram a partir de posições 3 e 4. Estas análises se tornaram referência hoje nos estudos de desenvolvimento dos membros para estudos paleontológicos (Wagner e Gauthier 1999) levantando a hipótese de que, quando os dígitos 4 foram perdidos em aves, uma mudança homeótica (ou seja, na expressão de genes Hox) ocorreu, levando os dígitos 1, 2, e 3 a se desenvolverem a partir das posições embriológicas anteriores que deram origem dos dígitos 2, 3 e 4. No entanto, conciliar isso com o registro fóssil significa que o interruptor homeótico poderia ter ocorrido muito mais cedo do que o esperado (Bevers et al, 2011).

A evolução dos dígitos de pássaros nos membros anteriores continua a ser um “ponto de discórdia”, embora as evidências embriológicas favoreçam claramente a evolução de aves a partir de dinossauros (Xu e Mackem 2013). Para o biólogo Richard Hinchliffe (1994, 1997) especialista em biologia do desenvolvimento (que era crítica da origem das aves a partir de terópodes), hoje, praticamente todos os biólogos evolucionistas concordam que as aves e os dinossauros evoluíram a partir da mesma classe de criaturas pré-históricas. Ele ressalta que “a única questão que estamos discutindo é se [aves] derivam muito tarde no tempo a partir de um grupo específico de dinossauros terópodes, o chamado modo raptor, ou são derivadas de um ancestral comum com outros dinossauros“. O mais importante é notar que a avaliação de Feduccia foi feita em 1997 e nas 2 últimas décadas muitos avanços ocorreram na paleontologia e na biologia do desenvolvimento que vem reiterando essa relação evolutiva entre dinossauros e aves.

Em outra citação falaciosa do criacionista ele cita outro artigo de 1997:

“Em 1997, outro estudo analisou o membro anterior do terópode e descobriu que ele é muito menor (em relação ao tamanho do corpo) do que o do Archaeopteryx.[5] A pequena “proto-asa” do terópode não é muito convincente, especialmente considerando o peso bastante robusto desses dinossauros. Na grande maioria dos terópodes falta o osso do pulso semilunate, e eles têm um grande número de outros elementos de pulso, que não têm homologia com os ossos de Archaeopteryx”.

Este trecho também se refere a mesma posição proposta por Feduccia, mas após 1997 a homologia entre esses membros foi estabelecida.

O que o autor sugere neste trecho é que a homologia não ocorre, citando o exemplo do osso semilunar. Ele faz esta afirmação usando um artigo de 1997 (artigo de mais de 20 anos), onde até aquele momento a semelhança entre os membros anteriores do Archaeopteryx (parte superior) e do dinossauro terópode Deinonychus (que é o terópode citado no trecho acima) poderia ser resultado de convergência evolutiva e não de uma linha evolutiva comum (Xu et al, 2014).

O padrão de desenvolvimento de dígitos nas asas e pernas de aves é muito similar com o do jacaré, que é um réptil próximo dos dinossauros.  O caso mais específico é o do carpo semilunar, na qual um artigo de 2014, publicado na Revista Nature por Xu e amigos destacou tal solução.

A homologia do carpo semilunar é uma importante estrutura que liga os dinossauros não-aviários aos aviários e tem sido controversa de fato, mas não descarta a relação filogenética entre dinossauros terópodes e aves. Talvez a concepção de linha evolutiva sim, mas não a concepção cladística. A morfologia de alguns pulsos de dinossauros terópodes possui o carpo semilunar que não é formado pelos mesmos elementos do carpo em todos os terópodes e que alguns grupos possuem esse recurso. O envolvimento do carpo mais lateral na formação do carpo semilunar das aves é uma herança de seus antepassados ​​terópodes não-aviários (Xu et al, 2014).

A maximização das características morfológicas relevantes indica que estas características evoluíram de maneira incremental e a estrutura semilunar foi submetida a um deslocamento lateral de sua posição original durante a evolução de terópodes, possivelmente como resultado da seleção de asas dobráveis ​​em aves e dos seus familiares próximos terópodes. A proposta mais aceita é que a transformação homeótica (de genes hox) estava envolvido na evolução do carpo semilunar, em combinação com dados de desenvolvimento em dígitos asa aviário, sugerindo que esse processo homeótico desempenhou um papel significativo na evolução da mão de terópodes em geral, e se refletiu nas aves. Tendo o deslocamento não só dos dígitos mas dos semilunares (Xu et al, 2014).

A argumentação criacionista vem do problema que existe entre embriologistas (que estudaram a formação dos dígitos) e alguns paleontólogos (que usam como referência os fósseis) que se opõem à ligação ave-dinossauro com base nesse argumento da não-homologia. Hoje sabemos que fósseis de terópodes mais avançados (como do grupo Tetanurae) tem os dígitos 1, 2 e 3 (alguns gêneros dentro Avetheropoda também têm um dígito IV reduzido) (University of Maryland, 2006). Isso significa que o desenvolvimento dos dígitos 2, 3 e 4 nas aves poderia ser uma indicação contra a ascendência de aves a partir de dinossauros terópode. No entanto, não há uma base ontogênica que satisfaça esta visão (como vimos acima). Isso significa que não se pode afirmar definitivamente que são dígitos definitivos em uma mão terópode (porque terópodes não-aviários não podem ser observados crescendo e se desenvolvendo atualmente). Desta forma, tal classificação da mão do terópode não é conclusiva para refutar a ascendência das aves a partir de dinossauros. Somando-se o fato de que há evidências embriológicas, como as citadas no começo deste texto pelo pesquisador Vargas et al, há sim evidências embriológicas a respeito da relação evolutiva e homologia entre membros de Terópodes e aves.

No que diz respeito as “proto-asas” precisamos primeiro entender a classificação destes grupos dentro da biologia.

Como dito, o Archaeopteryx é uma referência simbólica para explicar a origem das aves. Quase todos os paleontólogos consideram as aves como dinossauros terópodes Coelurosaurianos (Padian, 2004). Dentro de Coelurosauria, várias análises cladísticas têm encontrado apoio para um clado chamado Maniraptora, que consiste em um grupo que agrupa Therizinosauroides, Oviraptorosauros, Troodontídeos, Dromeossaurídeos e aves (Senter, 2007 e Turner et al, 2007 e Holtz et al, 2004).  Os Dromeossaurídeos e Troodontídeos são normalmente unidas no clado Deinonychosauria, que é um grupo irmão de aves, dentro de um clado chamado de Paraves (Senter, 2007 e Turner et al, 2007).

Outros estudos têm proposto filogenias alternativas, em que certos grupos de dinossauros  considerados não-aviários podem ter evoluído a partir de ancestrais aviários. Uma análise de 2002 concluiu que oviraptorosaurus eram aves basais (Osmólska et al, 2002). Alvarezsaurideos conhecidos da Ásia e das Américas, foram diversas vezes classificados como Maniraptoranos basais (Senter, 2007 e Turner et al, 2007 e Martinelli et al, 2007 e Novas et al, 2002),  Paraves (Holtz et al, 2004) que é o táxon irmão de Ornithomimosauro (Sereno, 1999), bem como primeiras aves especializadas (Perle et al, 1993 & Chiappe et al, 2002).

O gênero Rahonavis, originalmente descrito como um dos primeiros pássaros (Forster et al, 1998) foi identificado como um Dromaeosaurideo não-aviário em vários estudos (Turner et al, 2007 e  Makovicky et al, 2005) e Dromeossaurídeos e Troodontídeos-se também são classificados, em alguns estudos, dentro do grupo de Aves (Paul, 2002 & Mayr et al, 2005). Nota-se que tal transição dinos-aves não se deu de forma saltacionista mas de forma gradual, dificultando a identificação de onde acaba dinossauros e começam as aves. Muitas vezes essa delimitação é subjetiva, o que demonstra o caráter simbólico de Archaeopteryx e que ele pode ser substituído como modelo de origem das aves.

A citação a respeito das “proto-asas” refere-se ao “paradoxo temporal” e a citação dos digitos dos dedos citados acima. A crítica feita pelo autor criacionista é a mesma citada em um artigo da Revista Science na qual destaca que poderia não haver homologia dos dígitos dos dedos e que isto poderia ser um exemplo de evolução convergente. Vimos acima que o problema dos dígitos ‘’é sim um exemplo de homologia como citado nos artigos de Vargas et al. O artigo da Science ainda cita a possibilidade de convergência (em vez de origem comum) como uma explicação das semelhanças entre a estrutura do membro anterior (e, na verdade, de outras estruturas) dos terópodes e a asa do Archaeopteryx (Hu et al, 2009).

Tal artigo destaca que as dúvidas sobre a homologia dos dígitos entre terópodes e aves nos conduz a outras situações problemáticas quanto a origem as aves a partir de dinos; Primeira) o membro anterior dos terópodes é muito pequeno e contrasta com o tamanho das asas de Archaeopteryx. Sendo assim, tais membros pequenos não são convincentes como sendo exemplos de proto-asas para dinossauros que poderiam ser relativamente pesados. Segunda) a raridade em terópodes do osso do pulso semilunar, conhecido em apenas quatro espécies (incluindo Deinonychus). A maioria dos terópodes têm relativamente grande número de elementos de pulso o que torna difícil estabelecer homologias com os de Archaeopteryx. Terceiro) O “paradoxo temporal” em que dinossauros terópodes, em especial os Dromeossauros semelhantes as aves, aparecem muito mais tarde no registro fóssil, após  Archaeopteryx (Hu et al, 2009).

A segunda problemática envolvendo o osso semilunar ja foi resolvida como citado acima. A primeira e terceira problemática pode ser resolvida pelo artigo publicado em 2009 na qual um Pré-Archaeopteryx encontrado na China preenche as “lacunas” propostas pelo criacionista.

Anchiornis huxleyi (LPM-B00169). Abbreviations: cav; caudal vertebra, cev; cervical vertebra, dr, dorsal rib; dv, dorsal vertebra; f, feather; fu, furcula, ga; gastralia; lfe, left femur; lfi, left fibula; lh, left humerus; lil, left ilium; lis, left ischium; lm, left manus; lp left pes; lr, left radius; ls, left scapula; lt, left tibiotarsus;lu,left ulna;ma, mandible;pu, pubis; rc,right coracoid; rfe, right femur; rh, right humerus; ril, right ilium; rm, right manus; rp, right pes; rr, right radius; rs, right scapula; rt, right tibiotarsus; ru, right ulna; sk, skull; sy, synsacrum. Scale bar, 5cm.

Anchiornis huxleyi (LPM-B00169). Abreviações: cav-Vértebra caudal; cev-Vértebra cervical; dr-Costela dorsal; dv-Vertebra Dorsal; f-Pena; fu-Fúrcula; ga-Gastralia; lfe-Fêmur esquerdo; lfi,-Fíbula esquerda; lh-Humero esquerdo; lil-Ílio esquerdo; lis-Ísquio esquerdo; lm-Membro anterior esquerdo; lp-Pé esquerdo; lr-Rádio esquerdo; ls-Escapula esquerda; lt-Tibia-tarso esquerdo; lu-Ulna esquerda; ma-mandíbula esquerda; pu-púbis; rc-Coracoide direita; rfe-Fêmur direito; rh-Humero direito; ril-Ílio direito ; rm-Membro anterior direito; rp-pé direito; rr-Rádio direito; rs-Escapula direita; rt-Tíbia-tarso direito; ru-ulna direita; sk-crânio; sy- Sinsacro. Escala em 5cm.

O argumento do “paradoxo temporal” é quebrado depois da descoberta de um pequeno espécime terópode (Anchiornis huxleyi) encontrado na Formação Tiaojishan Jurássica de Liaoning ocidental, na China, um fóssil excepcionalmente bem preservado. O espécime é relativo ao Troodontidae, que estão entre os terópodes mais estreitamente relacionados aos pássaros. Esta nova descoberta refuta tal paradoxo e fornece informações importantes sobre o quadro temporal da divergência de terópodes, além de apresentar um ampla difusão deste espécime, em particular a fixação de penas longas aos pés, e lança nova luz sobre a evolução inicial de penas demonstrando a distribuição complexa de características do esqueleto (Hu et al, 2009).

Este dinossauro foi classificado com os principais grupos de Coelurosaura e estava presente ao longo do Jurássico, ou seja, muito antes das aves. Essa descoberta têm melhorado bastante a congruência entre estratigrafia e filogenia para terópodes derivados e, efetivamente,
rejeita o conceito de “paradoxo temporal”. Mais importante ainda, essas descobertas fornecem novas informações significativas que apoiam as posições relativamente basais do Tyrannosauroidea e Alvarezsauroidea entre os Coelurosauria. Eles permitiriam uma nova hipótese filogenética para as inter-relações de Paraves, em que o Archaeopteryx,  Dromaeosauridae e o Troodontidae formam um grupo monofilético enquanto o Scansoriopterygidae, outras aves basais, e provavelmente o oviraptorosauria formam outro clado. Mapeando algumas das características mais salientes para uma filogenia de terópode temporalmente calibrada as evidências apontam que características relacionadas ao vôo e preenchimento de habitat arborícola evoluiu na base de Paraves, mais cedo do que o Jurássico (Xu et al, 2010).

Em um estudo publicado na edição de setembro da Revista Evolution, Larsson e Dececchi (2013) descobriram que durante a maior parte da história de dinossauros carnívoros, o comprimento dos membros mostravam uma relação em escala relativamente estável ao tamanho do corpo. Como por exemplo a diferença de 5 mil vezes em massa de Tyrannosaurus rex e os menores terópodes emplumados da China. Esta escala de membro mudou, na origem dos pássaros, quando ambos os membros anteriores e membros posteriores foram submetidos a uma dissociação dramática do tamanho do corpo. Essa mudança pode ter sido crítica para permitir a origem precoce do vôo, e, em seguida, para explorar o dossel da floresta. Isso permitiu que os membros anteriores alongassem, tendo tempo suficiente para servir como um aerofólio, permitindo a evolução do vôo. Pernas mais curtas teriam auxiliado na redução da força de  arrasto durante o voo e isto explica porque aves modernas dobram as pernas quando voam, ou porque empoleiram-se e movendo-se em pequenos ramos em árvores. Esta combinação de melhores asas com as pernas mais compactas teria sido crucial para a sobrevivência das aves em um momento em que um outro grupo de répteis voadores, os Pterossauros, dominaram os céus e começaram a competir por alimento.

Os resultados obtidos nas análises de Larsson e Dececchi sugerem que as aves foram submetidas a uma mudança brusca em seus mecanismos de desenvolvimento, de modo a que os seus membros anteriores e membros posteriores tornaram-se sujeitos a diferentes controles e comprimento. Desvios em relação às regras escalares de membros de um animal com mudanças no tamanho do corpo é um exemplo de adaptação evolutiva. Pernas relativamente longas com braços curtos de seres humanos geralmente indicam alguma grande mudança na função ou comportamento. Esta dissociação pode ser fundamental para o sucesso das aves, atualmente a classe mais diversificada de vertebrados terrestres na Terra.

A origem das aves e do vôo controlado é uma grande transição evolutiva clássica e os resultados sugerem que os comprimentos dos membros de aves tiveram que ser dissociados da dimensão geral do corpo antes que eles pudessem irradiar com tanto sucesso. Esta característica lhes permitiu tornar-se mais do que apenas uma outra linhagem de Maniraptoranos, e levou-os a expandir-se para a vasta gama de formas e tamanhos de membros presente nas aves de hoje.

Coincidindo com a redução de tamanho de membros de dinossauros teropodes, uma tendência aparente dos membros anteriores das aves foi o alongamento quando terópodes Maniraptoranos continuaram com as primeiras aves, e tiveram relativamente membros anteriores mais robustos e mais tempo do que os não-aviários.

O comprimento dos membros são amplamente usados ​​como a base em caracteres filogenéticos e para derivar cenários evolutivos. O que Larsson fez foi mostrar que é necessário estabelecer uma linha de base pré-transição para a evolução antes de examinar a evolução dos membros através do terópode não-aviário. Ele demonstrou que há uma tendência de que membros anteriores alonguem-se em Maniraptoranos como consequência alométrica de redução do tamanho corporal, e não um padrão independente de tamanho. E que os primeiros membros deste grupo divergiram radicalmente, tanto no membro anterior quanto no posterior em terópodes não-aviários. As primeiras aves têm um alongamento notável e integração do membro anterior que não está presente em terópodes não-aviários. Estes resultados sinalizam uma mudança fundamental no desenvolvimento do esqueleto entre terópodes-aviários e não-aviários sugerindo divergências comportamentais e ecológicas entre estes clados. Considerando que há Pré-Archaeopteryx tais passos se tornam mais claros para a origem de aves a partir de dinossauros terópodes.

Os resultados de Larsson reforçam os achados anteriores de uma desintegração do sistema do membro anterior e membro posterior ancestral dentro terópodes. Embora terópodes não-aviários foram cursores terrestres, aves rapidamente diversificaram-se ecologicamente (em ambientes terrestres, marinhos e migratórios) e mostram evidências de uma continuação da dissociação dos módulos de voo e anatômicos dentro do membro. Esta dissociação começou com a capacidade de ter membros livres de escala ancestral de terópodes não-aviários, permitindo que cada membro ganhe um novo grau de liberdade seletiva. Os resultado sugerem um controle mais independente no desenvolvimento dos membros que evoluiu na origem das aves se dissociando dos comprimentos dos membros anteriores e posteriores. Essa dissociação, entre os membros foi fundamental para a diversificação inicial das aves (Larsson & Dececchi, 2013).

Outro trecho citado pelo criacionista diz respeito a fisiologia das aves. O criacionista diz:

“Ainda em 1997, uma pesquisa analisou a morfologia e a função de ambos os pulmões de dinossauros terópodes e as primeiras aves (Archaeopteryx e Enantiornithes) e descobriu que eles eram septados, isto é, possuíam um grande alvéolo único, pouco vascularizado e ectotérmico (sangue frio), no entanto, as aves se distinguiam dos dinossauros por não apresentar um mecanismo de diafragma pistão hepático; tais características sugerem a impossibilidade de ter evoluído para os pulmões de aves modernas de alto desempenho.[6]”

Este trecho foi retirado do abstract do artigo, mas foi alterado no final. O abstract do artigo diz:

“Reptiles and birds possess septate lungs rather than the alveolar-style lungs of mammals. The morphology of the unmodified, bellows like septate lung restricts the maximum rates of respiratory gas exchange. Among taxa possessing septate lungs, only the modified avian flow-through lung is capable of the oxygen–carbon dioxide exchange rates that are typical of active endotherms. Paleontological and neontological evidence indicates that theropod dinosaurs possessed unmodified, bellowslike septate lungs that were ventilated with a crocodilelike hepatic-piston diaphragm. The earliest birds (Archaeopteryx and enantiornithines) also possessed unmodified septate lungs but lacked a hepatic-piston diaphragm mechanism. These data are consistent with an ectothermic status for theropod dinosaurs and early birds”.

 

“Répteis e aves possuem pulmões com septos, em vez de os pulmões de estilo alveolar de mamíferos. A morfologia inalterada, com fole septado no pulmão restringe as taxas máximas de troca gasosa respiratória. Entre táxons possuindo pulmões septados, apenas o pulmão aviária tem o escoamento modificado e é capaz de taxas de câmbio de oxigênio dióxido de carbono, que são típicos de endotérmicos ativas. Evidências paleontológicas e neontological indica que dinossauros terópodes possuía, pulmões septadas inalterado que foram ventilados com um diafragma-pistão como de crocodilos. As primeiras aves (Archaeopteryx e habitou enantiornithines) também possuíam pulmões septadas não modificados, mas faltava um mecanismo de diafragma-pistão. Estes dados são consistentes com um status de ectotermicos em dinossauros terópodes e aves precoces”.

Ou seja, são consistentes, ao contrário do que diz o autor criacionista ao afirmar que “sugerem a impossibilidade de ter evoluído para os pulmões de aves modernas de alto desempenho”.

Outro problema é que o autor não leu o artigo completamente, pois este destaca que aves, assim como todos os sauropsídeos, possuem pulmões com septos, mas elas contornaram as limitações fisiológicas inerentes a taxa respiratória e de trocas gasosas colocados pela estrutura não-aviária de sauropsídeos. Especialmente porque desenvolveram estruturas parabrônquicas associadas, em parte, com modificação das câmaras não vascularizadas dos pulmões de répteis a partir de uma série de extensos sacos de ar altamente compatíveis que se estendem em ambas as cavidades; torácica e abdominal. Durante a ventilação do pulmão, os sacos de ar funcionam gerando um fluxo unidirecional de ar através parte vascularizada do pulmão durante a inalação e na exalação. Consequentemente, as aves são capazes de manter um eficiente padrão de corrente cruzada de ar com um intercâmbio de gases no sangue (Ruben et al, 1997).

O que o artigo destaca é que pássaros utilizam movimento costais associados ao esterno para ventilar seus sacos de ar não-vascularizados. As costelas de pássaros Ornithiurine possuem uma articulação intracostal sinovial que permite o movimento da caixa torácica durante a ventilação do pulmão. Por consequência, durante a ventilação, as costelas de aves giram para que o esterno seja comprimido na inalação,  criando uma pressão negativa intra-abdominal de enchimento dos sacos de ar abdominais. Então, considerando a afinidade de aves com outros dinossauros sauropsídeos, provavelmente, as primeiras aves possuíam pulmões com septos.

No entanto, dinossauros terópodes eram improváveis de ter possuído um fluxo de ar semelhante ao de aves e com pulmões com septos. Os terópodes tem uma caixa torácica-peitoral complexa desprovida de indicações da capacidade músculo/esquelética para enchimento de sacos de ar abdominais na inalação de ar. Para terópodes faltavam costelas articuladas como a das aves  ou costelas articuladas e um esterno expansivo para ter uma estrutura ventilatória adequada. Estas modificações primeiro aparecem em aves ornithiurine do Cretáceo, tais como Chaoyangia (Ruben et al, 1997).

Terópodes apresentam evidências de que, como nos crocodilianos modernos, eles provavelmente possuía uma subdivisão tóraco-abdominal vertical da cavidade visceral e contou com um  diafragma-pistão para ventilar o pulmão com septos. Terópodes descritos recentemente, datados do Cretáceo Inferior (Sinosauropteryx) rétem contornos preservados de grande parte da cavidade visceral. As cavidades apresentam uma separação tóraco-abdominal definida por uma partição notavelmente crocodiliana disposta verticalmente e orientada na superfície anterior em forma de cúpula disposta sobre o fígado (Ruben et al, 1997).

Sem título

Retirado de Ruben et al 1997 “Lung structure and ventilation in theropod dinosaurs and early birds.” Science.

Como dinossauros terópodes, as primeiras aves, incluindo o Archaeopteryx e Enantiornithines eram susceptíveis de terem o pulmão com septos. Estes grupos não tinha a capacidade esquelética e muscular para ventilar os sacos de ar abdominais (Ruben et al, 1997).

No entanto, evidências encontradas em aves modernas e no próprio Archaeopteryx demonstra que ele usava movimentos pélvicos e da cauda para auxiliar na ventilação pulmonar. A pelve destas aves primitivas é convencionalmente comparável ao de dinossauros terópodes, especialmente Unenlagia. Nestas aves, o púbis é rotacionado pôstero-dorsalmente  de tal forma que sua extremidade distal está situada posteriormente, tanto para o ílio e ísquio, e dorsalmente para a posição em qualquer dinossauro terópode.

Retirado de Ruben et al 1997 “Lung structure and ventilation in theropod dinosaurs and early birds.” Science.

Retirado de Ruben et al 1997 “Lung structure and ventilation in theropod dinosaurs and early birds.” Science.

Ao contrário de dinossauros terópode, pássaros primitivos possuíam um bem desenvolvido corpo hipopúbico invertido que provavelmente serviu como um importante local de origem para a extensa musculatura supra-púbica. Essas condições são amplamente incompatíveis com a noção de que a pelve aviária primitiva serviu como um local de origem para os músculos que dão poder diafragmático de ventilação. Isso sugere que ele usava movimentos pélvicos e  caudais para auxiliar na ventilação pulmonar. O púbis destes pássaros antigos prenunciavam a condição da pelve em aves modernas voadoras especialmente para as que tem hábitos arborícolas (Ruben et al, 1997).

Essa condição de pélvis é consistente com a noção de que estas aves arborícolas, viviam penduradas em galhos. Isto esta em contraste com as medidas da curvatura das garras do Archaeopteryx que tem sido visto como adaptada principalmente para um ambiente terrestre em vez do que arborícola. Contudo, como em Enantiornithines, a morfologia e anatomia da pélvis do Archaeopteryx é melhor vista como adaptada para uma vida exclusivamente arbórea.

Todas estas informações retiradas do artigo original foram omitidas no texto criacionista. De fato, outras objeções foram encontradas no texto criacionista, especialmente esta:

“Em 2013, foram descobertos restos fósseis de uma nova espécie de dinossauro, o Eosinpteryx, cheio de penas e parecido com as aves modernas, mas não podia voar. Esse achado desafiou a teoria de que o famoso fóssil de Archeopterix foi essencial na evolução dos pássaros modernos, e mostrou que a origem do voo foi mais complexa do que se esperava.[9]”

O problema é que a ciência sabe porque este animal não podia voar, e este achado não desafiou o Archaeopteryx. O achado simplesmente encontrou uma politomia onde há espécies que ora são classificadas como aves e ora como terópodes devido aos caracteres presentes no fóssil. O que demonstra que não houve saltacionismo e a subjetividade de onde termina dinos e começam as aves (Godefroit et al, 2012).

O Eosinopteryx brevipenna é um fóssil de um único espécime que representa o esqueleto quase completo de um individuo sub-adulto. É um dinossauro não-aviário que mede cerca de 30 centímetros de comprimento. Ao contrário da maioria Troodontídeos, o focinho dele é muito curto, menor do que o diâmetro da cavidade ocular. As asas eram do mesmo tamanho que a dos Anchiornis huxleyi (o chamado pré-Archaeopteryx), com as penas primárias das asas mais longas do que o úmero (osso do braço). Um arranjo incomum dos ossos da asa teria impedido qualquer movimento de bater de asas, e sua cauda era muito curta em comparação com a maioria dos Troodontídeos e Dromeossaurídeos. Os pés e os dedos eram muito delgados, sem garras curvadas para a predação ou escalada. A cauda não mostra sinais da presença de penas com rectríces complexas (tipo de pena), e os tarsos inferiores e pés parecem não terem penas, ao contrário de muitas espécies relacionadas com “asas traseiras” na parte inferior das pernas e pé (Godefroit et al, 2013).

Análises filogenéticas de E. brevipenna e de sua espécie irmã Anchiornis huxleyi colocam-na a base de Troodontidae.

Sem título

Ambos os táxons compartilham um eixo ílio dorsal curvado, um púbis orientado posteriormente e a uma linear que não é curvada em direção ao úmero. Archaeopteryx e Wellnhoferia formam uma politomia não resolvida na base de Deinonychosauria em uma árvore de consenso estrito, apoiando a hipótese de que Archaeopteryx é um terópode Deinonychosauro em vez de um pássaro primitivo. Entretanto, devemos notar que esta filogenia foi fracamente apoiada devido ás numerosas homoplasias amplamente distribuídas pelos Coelurosaurianos (Godefroit et al, 2012).

Homoplasias são características semelhantes encontradas em duas espécies diferentes, que geralmente surgiram através de convergência evolutiva. Por exemplo, a plumagem quase completa de Eosinopteryx brevipenna é menos desenvolvida do que a de outros Deinonychosauros conhecidos do Jurássico Médio. A ausência completa de rectríces na cauda não pode ser explicada por fatores tafonômicos e não refletem a posição filogenética basal para Eosinopteryx brevipenna entre Paraves, porque rectríces longas são agora conhecidas por ocorrem em pelo menos um membro basal de cada uma das cinco grandes linhagens conhecidos nesta região da árvore de terópodes, incluindo aviários basais, Deinonychosauros basais, Archaeopteryx e Wellnhoferia, o Troodontídeos basal Anchiornis, o Scansoriopterygideo do grupo Epidexipteryx, e o Dromaeosaurideo basal Microraptor (Godefroit et al, 2012).

A perda secundária das rectríces nesta filogenia é considerada como uma autapomorfia inequívoca para E. brevipenna.

Além disto, o autor do artigo em momento algum destaca uma refutação de aves descendendo de dinossauros. O que ele destaca é que sempre se cogitou que as penas evoluíram primeiramente distalmente nos membros posteriores, e nos membros dianteiros e cauda ​​em terópodes e Paraves basais, e só se propagam na porção proximal em uma fase posterior na evolução terópode. O que ele propõe é destacar que tais características poderiam estar presentes nos grupos de terópodes e em grupos anteriores ou contemporâneos ao Archaeopteryx, razão pela qual destaca uma politomia. Ele destaca que a organização das penas na superficie plana pedal sugere que tais estruturas tinham potencialmente a função aerodinâmica em Anchiornis. Em nenhum momento ele põem em risco o Archaeopteryx como sendo um grupo não ligado a origem das aves. Ele tenta destacar uma origem mais antiga das aves, talvez anterior a Archaeopteryx (Godefroit et al, 2012).

Em outro trecho o criacionista cita:

“Em 2014, um estudo reexaminou um fóssil de epidendrosaurus (antes classificado como uma transição entre dino-ave), pré-Archaeopteryx, e os resultados novamente desafiaram a hipótese amplamente aceita de que as aves evoluíram dos dinossauros. O epidendrosaurus não tinha as características estruturais do esqueleto fundamentais para classificá-lo como um dinossauro, portanto, ele era apenas uma ave que foi precipitadamente tida como um fóssil de transição.[10]”

Epidendrosaurus foi classificado como um dinossauro não-aviário e é mais antigo que  Archaeopteryx, datado em 169 milhões de anos. A idade deste grupo tem implicações para a relação entre Epidendrosaurus e dinossauros semelhantes, bem como para a origem das aves em geral. Sendo do Jurássico, significaria que os dinossauros aviários poderiam ser mais velhos do que o Archaeopteryx, mas não exclui a origem das aves a partir de dinossauros. Para derrubar a teoria de que aves descendem de dinossauros Terópodes seria preciso que tal conexão fosse refutada a partir de evidências que demonstrem que tais grupos não se relacionam biologicamente, ou que se originem independentemente.  O autor do artigo não sugere que aves e dinos não tem relacionamento. O que ele sugere é que há fosseis de dinossauros com penas e que poderiam voar e que são mais antigos do que o Archaeopteryx (Czerkas & Feduccia, 2004). Isso somente estende para trás a origem das aves, mas não refuta o relacionamento filogenético entre os dois grupos. Se novos fósseis estabelecerem uma conexão mais precisa e mais antigo com terópodes, este será o novo paradigma vigente. Se for demonstrado que não há relacionamento entre aves e dinossauros, outro paradigma que explique melhor a origem das aves deve ser estabelecido respeitando o método científico. Não hã espaço para o misticismo criacionista/design inteligente no método científico.

Em outra crítica tecida pelo criacionista, ele refere-se a uma tese de 2009:

“Em 2009, um extenso estudo não encontrou nenhuma diferença estatística (com base em análise cladística) entre a hipótese de que as aves eram um clado aninhado dentro da espécie de dinossauros terópodes Maniraptora e a hipótese de que clades principais da Maniraptora realmente voavam e que as radiações do voo dentro do clade eram suportadas pelo Archaeopteryx e aves modernas.[7] “

A tese faz uma análise estatística sobre as hipóteses BMT (abreviação de Birds, Maniraptora and Theropoda). Apesar de uma crítica estatística bem fundamentada, ele dá duas soluções alternativas que ainda sim são evolutivas e estatisticamente válidas para a relação entre aves e dinossauros. A conclusão da tese diz:

“We  have  pursued  two  goals:  evaluation  of  whether the BMT hypothesis is as well supported  as has been claimed, and evaluation of alternative

hypotheses for the origin of birds within a comparative  phylogenetic  framework.  We  conclude  that,  because  of  circularity  in  the  construction  of  matrices,  inadequate  taxon  sampling,  insufficiently rigorous application of cladistic methods,  and a verificationist approach, the BMT hypoth esis  has  not  been  subjected  to  sufficiently  rigorous attempts at refutation, and the literature does  not provide the claimed overwhelming support. 

Our analyses and independent data indicate that two of the alternatives to the BMT hypothesis are as probable as the BMT and are potentially supported by specific osteological data. These alternatives are the early archosaur hypothesis, positing a  sister group  relationship  between  Longisquama and Aves,  and  a  variant  of  the  crocodylomorph  hypothesis. Both hypotheses include the proposition  that  some  maniraptorans  are  actually  birds more derived than Archaeopteryx.

Ostrom  (1975,  1976a,  b)  and  subsequent  researchers   like  gauthier   (1986)   were   correcting   noting   the   extensive   similarities   between maniraptorans   and   birds,   a   conclusion   only strengthened  by  more  recent  discoveries,  but evidence  suggests  that  at  least  some  maniraptorans  belong  within  Aves.  if  Aves  (inclusive  of some  maniraptorans)  does  not  belong  within Theropoda,  at  least  some maniraptorans  should be  classified as  birds  rather  than  dinosaurs,  and  Aves should not be considered a lineage of living dinosaurs.  On  the basis  of  our  results,  the  next two major challenges are to evaluate further the possibility  that  some  maniraptorans  in  fact  be­long within Aves, rather than the reverse, and to  further explore whether birds may have been derived from theropods, “early archosaurs,” or crocodylomorphs,  the  three  most  likely  candidates given current evidence. At present, the origin of birds is an open question”.

 

“Temos compendido dois objetivos: avaliar se a hipótese de BMT é bem suportada como tem sido afirmado, e avaliação de alternativas hipóteses para a origem dos pássaros dentro de uma estrutura filogenética comparativa. Conclui-se que, por causa da circularidade na construção de matrizes, a amostragem de taxon é inadequado, insuficientemente rigorosa aplicação de métodos cladísticas, e uma abordagem verificacionista, a Hipótese BMT não tem sido submetida a tentativas suficientemente rigorosas na refutação, e a literatura não fornece o apoio esmagador reivindicado.
As nossas análises e dados independentes indicam que duas das alternativas para a hipótese de BMT são tão prováveis quanto BMT e são potencialmente suportadas por dados osteológicos específicos. Estas alternativas são a hipótese dos primeiros arcossauros, postulando uma relação de grupo irmão entre Longisquama e Aves, e uma variante da hipótese crocodylomorpha. Ambas as hipóteses incluem a proposição de que alguns são realmente aves Maniraptoranos mais derivadas do que o Archaeopteryx.
Ostrom (1975, 1976a, b) e investigadores posteriores, como Gauthier (1986) estavam corretos ao observar as extensas semelhanças entre maniraptorans e aves, uma conclusão que só se fortaleceu por descobertas mais recentes, mas as evidências sugerem que pelo menos alguns maniraptorans pertencem ao grupo de Aves. Se Aves (inclusive de alguns Maniraptorans) não pertencem ao Theropoda, pelo menos alguns Maniraptoranos devem ser classificadas como pássaros em vez de dinossauros, e Aves não devem ser consideradas uma linhagem de dinossauros vivos. Com base nos nossos resultados, os próximos dois grandes desafios são avaliar ainda mais a possibilidade de que alguns Maniraptoranos na verdade pertencem as Aves, e não o contrário, e para explorar ainda mais se as aves podem ter sido derivadas de terópodes, “primeiros arcossauros,” ou “crocodilomorfos”, os três candidatos mais prováveis da corrente de evidência atual. Atualmente, a origem das aves é uma questão em aberto.

Em outro trecho o criacionista cita:

“Em 2011, um estudo também desafiou a centralidade do Archaeopteryx na transição para as aves; a descoberta de um novo fóssil de pássaro removeu o Archaeopteryx (o suposto elo perdido entre dinossauros e aves) da família aviária e o colocou em uma família estreitamente relacionada de dinossauros não aviários.[8]”

Segundo o autor do artigo, Archaeopteryx é amplamente aceito como sendo a ave mais basal e, consequentemente, é considerado como fundamental para compreender as origens de avialan; no entanto, recentes descobertas de Maniraptoranos derivados têm enfraquecido o status avialano de Archaeopteryx. Foi relatado um novo terópode semelhante ao Archaeopteryx na China. Este demonstra que muitas características anteriormente consideradas como sendo de Avialae, incluindo membros dianteiros longos e robustos, na verdade, caracterizar o grupo mais inclusivo de Paraves (composto pelos Avialans e os Deinonychosauros). Notavelmente, acrescentando que o novo táxon em uma análise filogenética abrangente desloca Archaeopteryx ao Deinonychosauria. Apesar do apoio estatístico apenas provisório, este resultado desafia a centralidade do Archaeopteryx na transição para as aves. Se esta nova hipótese filogenética for confirmada por uma investigação mais aprofundada, os pressupostos atuais acerca da condição ancestral de Avialan terá de ser reavaliada (e não refutou a relação dinos e aves). Isso demonstra que a ciência se pauta nas evidências. Se as evidências apontam para uma origem mais antiga, um novo paradigma é consolidado com base nesta reavaliação das evidências. Ainda que Archaeopteryx seja deslocado como fóssil simbólico para a origem das aves, sendo superado por outros fósseis mais antigos, os autores de todos estes artigos defendem claramente que as aves derivam de dinossauros. A grande dificuldade esta em qual grupo classificar os fósseis existências segundo as evidências. A superação de Archaeopteryx como representante da origem das aves (se realmente ocorrer) trará dados mais consistentes sobre a origem das aves respeitando o método científico. Ao que tudo indica, tal superação ainda se respaldará em dinossauros como grupo precursor das aves. E isto os criacionistas terão de engolir novamente vendo sua posição mística sendo novamente marginalizada da ciência.

Como conclusão, o autor criacionista defende que:

“Resumindo, aves foram projetadas para ser aves, e dinossauros foram projetados para ser dinossauros. É vexatório para a teoria da evolução o acúmulo de tantas fraudes e erros interpretativos. Ela é o maior conto de fadas para adultos, diferenciando-se dos contos infantis devido a apenas um elemento: o tempo. Para concluir, uma reflexão: “Embora a teoria da evolução forneça uma robusta explicação para o aparecimento de variações menores no tamanho e na forma das criaturas e das partes que as compõem, ela não dá grande orientação para a compreensão do aparecimento de estruturas completamente novas como dígitos, membros, olhos e penas.”[11] Assim, manter-se evolucionista mesmo diante de tantas evidências contrárias é questão de uma fé cega e irracional.”

Segundo as evidências, citadas aqui inclusive, há dinossauros com penas, ou grupos de dinossauros que podem ser classificados como aves. Seja ave ou dinossauro, o Archaeopteryx apresenta um sistema nervoso projetado naturalmente para o vôo segundo evidências do endomolde deste animal. Um artigo de 2013 revelou que pelo menos alguns dinossauros não-aviários tinham cérebros que eram tão grandes ou maiores do que o do Archaeopteryx. Isso indica que alguns dinossauros poderiam ter a capacidade de vôo sustentada por um cabeamento neurológico necessário para esse comportamento. Este “hiperinflação”, mais evidente na parte frontal do cérebro, é importante para proporcionar a visão superior e coordenação necessária para voar. Mas os cientistas estão encontrando cada vez mais recursos considerados exclusivos das aves modernas, como penas e a presença da fúrcula, são agora conhecidos por terem apareceu pela primeira vez em dinossauros não-aviários. A fúrcula (ou forquilha) é um osso bifurcado encontrado em aves e dinossauros terópodes, formado pela fusão das duas clavículas. Nas aves tem como função reforçar o esqueleto torácico para que possa suportar o voo. Alguns terópodes tinham a fúrcula; Dromaeosauridae, Oviraptor, Tyrannosaurus, Troodon, Coelophysis, Allosaurus.

Ao juntar as tomografias computadorizadas, os cientistas criaram reconstruções 3-D de interiores dos crânios. Além de calcular o volume total de cérebro de cada animal, a equipe de pesquisa criou um modelo tridimensional extraindo o tamanho de grandes regiões anatômicas de cada cérebro, incluindo os bulbos olfatórios, encéfalo, lobos ópticos, cerebelo e tronco encefálico. Os pesquisadores descobriram que em termos de medições volumétricas, o Archaeopteryx não está em uma posição única de transição entre dinossauros não-aviários e aves modernas. Vários outros dinossauros não-aviários amostrados, como os e troodontídeos, na verdade tinham cérebros maiores em relação ao tamanho do corpo do que o Archaeopteryx. Os pesquisadores também analisaram outro fator importante para o vôo nas aves modernas: a estrutura neurológica chamada de pérola, que é usada no processamento de informações e controle motor. A equipe identificou um recuo no cérebro dos Archaeopteryx que pode ser homólogo ao talão visto em aves vivas (Amy et al, 2013).

Isto demonstra que a projeção de estruturas para consolidar o grupo das aves é explicada naturalmente, tendo a evolução por seleção natural (e outros mecanismo) como projetista de tal grupo biológico.

Notamos também que nenhum destes artigos foi pautado em fraudes ou erros, mas sim em reavaliações de todos os grupos citados aqui de acordo com as evidências que novos fósseis apresentam. A ciência é auto-corretora e se pauta pelas evidências de tal forma que a preposição dada pelo autor criacionista não é suportada. Não há fraudes nos dados, e as filogenias apresentam apenas o relacionamento cladístico mais parcimonioso dos fósseis. A única fraude encontrada foram as distorções e desontextualizações dos artigos científicos dada pelo autor criacionista na tentativa de validar uma prerrogativa mística fragilizando uma proposta cientifica a partir de descontextualizações e falta de leitura completa dos artigos citados.

A conclusão do autor criacionista ainda recorre a reductio ad absurdum para fragilizar a teoria uma vez que nenhum artigo científico que fragilize de fato a teoria de que aves descendem de dinos foi proposta. A citação da Scientific American destaca que a evolução explica ligeiras variações, mas a orientação de novas estruturas esta ligada ao mecanismo de variação do material genético, as mutações, elas é quem determinam a alteração do fenótipo. A evolução, pela seleção natural apenas filtra fenótipos de tal forma que ela não cria nada, apenas mantém vivo. Razão pela qual nem mesmo é tautológica, como já se tentou afirmar. Os dígitos e os membros são resultado da atividade de expressão de genes Hox e a origem das penas são explicadas sim pela evolução, inclusive por divulgações da própria Scientific American, mesmo na versão brasileira da revista (Edição Especial Junho/Julho sobre dinossauros “Dinossauros Bem Representados” de 2015, Nº 65 – Página 43 “Vitória alada” e página 48 “Quem nasceu Primeiro a Pena ou a Ave?”).

O autor criacionista ainda conclui sua superficial análise resgatando uma concepção religiosa e atribuindo-a em um contexto científico na tentativa de igualar ciência com religião, ainda que cada uma delas tenha aspectos idiossincráticos sobre a forma na qual constroem conhecimento, e na tentativa de fragilizar os dados empiricamente constatados.

Ao que parece, não há justificativa para crer que seja cegueira ou irracionalidade suportar a teoria da evolução uma vez que os dados apresentados no artigo são contundentes quanto a origem de aves a partir de dinossauros. Cegueira seria suportar evolução caso as prerrogativas falsas citadas pelo autor, e atribuídas aos artigos, fossem de fato constatadas.

Conclusão

Uma das vantagens que há em refutar textos criacionistas é que aprendemos muito sobre a biologia dos animais citados por eles. Nos casos em que eles citam as fontes dos artigos científicos utilizados para escrever suas falácias, acabamos encontrando referências de fato científicas que não condizem com o que esta escrito em seu texto. Nestes casos, os próprios criacionistas fornecem todo material necessário para refuta-los. Basta uma olhada de leve no artigo original e a ”crítica” criacionista começa a ruir.

Não é a primeira vez que este autor criacionista destaca afirmações que não condizem que os respectivos artigos referenciados, ou que omite informações do artigo para defender causa própria. Este mesmo autor escreveu textos descrevendo como mitológica a relação genética entre humanos e chimpanzés utilizando artigos na qual destaca características que temos diferentes de chimpanzés e que nos fazem humanos. Veja Semelhança genética de 99% com chimpanzés era mito.

É comum encontrarmos este tipo de argumentação na qual expressa somente a opinião e o negacionismo anti-científico de proponentes de correntes religiosas fundamentalistas e literalistas biblicistas. Isto expressa não somente a incompreensão do autor a aspectos básicos de ciência, na qual destacamos aqui, que a evolução ou outras teorias científicas não descarta a existência de Deus, ou tão pouco corroboram. A incapacidade de compreender essas premissas destaca somente a profunda defasagem e analfabetismo científico por parte do autor. Em segundo lugar, destacamos aqui a desonestidade de citar artigos com afirmações que não estão contidas neles e omitindo informações relevantes sobre o tema proposto. A refutação deve ser vinda não dá distorção das propostas apresentadas nos artigos, mas sim da apresentação de contrapontos empiricamente testados e justificados que conflitam com o paradigma vigente. Artigos não precisam ser interpretados, livros sagrados sim, razão pela qual existe a Hermenêutica bíblica e exegese.

Distorção de informação e omissão de detalhes de textos não consolidam uma refutação. A simples consulta aos artigos citados pelo autor criacionista me ofereceu todo o suporte empírico acadêmico que eu precisava para desmentir as afirmações criacionistas, o que em conclusão pode ser dito como; infundadas, tendenciosas e sem respaldo acadêmico.

Por mais incoerente que seja, os criacionistas rotulam a ciência como fraudulenta, errada, mentirosa…mas o próprio criacionista pede para que sua concepção seja aceita como ciência. Se de fato a ciência fosse fraudulenta, errada, mentirosa e omissa da verdade, então certamente ela poderia abarcar o criacionismo.

Saiba mais em:

PENAS DE DINOSSAUROS PRESAS EM ÂMBAR EM DIFERENTES ESTÁGIOS DE SUA EVOLUÇÃO

A CIÊNCIA DA MUDANÇA SOBRE AVES E NÃO-AVES

A HUMILHAÇÃO EVOLUTIVA DO ARCHAEOPTERYX CONTINUA

PÁSSAROS EVOLUÍRAM DOS DINOSSAUROS LENTAMENTE

PRIMEIRA ÁRVORE DA FAMÍLIA DAS AVES REVELA EVOLUÇÃO E DIVERSIFICAÇÃO 

CÉREBROS DE AVES PRECEDEM AS AVES: SEGUNDO TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA, O CÉREBRO APTO AO VÔO JÁ ESTAVA PRESENTE EM ALGUNS DINOSSAUROS NÃO-AVIÁRIOS

PRIMEIRA AVE É APENAS DINO COM PENAS, AFIRMA PESQUISA CHINESA

A EVO-DEVO E A PRESENÇA COTIDIANA DOS DINOSSAUROS

ESTUDO DESCOBRE QUE DINOSSAURO ALADO TINHA PENAS PRETAS

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Victor Rossetti

Palavras Chave: Rossetti, NetNature, Dinossauris, Terópodes, Aves, Paraves, Archaeopteryx, Pré-Archaeopteryx, Dromeossauros, Troodontide, Deynonichus.

 

Referências

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5 thoughts on “E SE O Archaeopteryx NÃO FOR A PRIMEIRA AVE? – VALE MENTIR EM NOME DE DEUS PARA JUSTIFICAR O CRIACIONISMO?

  1. Rosseti, escrevi para te parabenizar pelo artigo e por lutar contra o misticismo. Os artigos que rebatem as distorções criacionistas são os que mais me atraem aqui no site. Mas, antes do ataque mais recente o Michelson Borges já havia feito um outro ataque ridículo tentando descaracterizar através de pura retórica e desinformação o Archaeopteryx como fóssil de transição: http://www.criacionismo.com.br/2008/10/archaeopteryx-ave-extinta-ou-forma.html

    • Obrigado Vinicius. Eu ja notei isto tb. Quando rebato as groselhas dos caras chama bastante a atenção, inclusive deles pq sei que aparece la na casa deles os meus textos.
      De fato, o Michelson é um profundo desinforme da ciência. Ele distorce afirmações cientificas e interpreta de forma literal a bíblica. Cria um comodismo em suas alegações e foge de debates para não ser desmascarado.
      Es um exemplo de como muitas vezes os falsos profetas se apresentam, e como mentem em nome de Deus!!!
      Inclusive para provar que ele existe, recorrente a omissão, descontextualização e mentiras. É um exemplo claro de fanático religioso!!! Eu tenho dó do pobre diabo, mas não poupo palavras ao expor suas farsas!!! No fundo, é um covarde

      • Rossetti
        * Ele distorce afirmações cientificas e interpreta de forma literal a bíblica. Cria um comodismo em suas alegações e foge de debates para não ser desmascarado.
        – Ainda me lembro do documentário “Darwin matou Deus?”. O documentário é protagonizado por um evolucionista teísta que resolve investigar a alegada guerra entre o Cristianismo e a TE para chegar a uma conclusão, que afinal é: a tal guerra não era para existir e começou só recentemente. Foi mencionado por ele que Gênesis 1 e 2 se contradizem, daí que há uma explicação para isso: não são literais e têm intenções diferentes. Isso ocorre quando ele fala um pouco sobre Filo de Alexandria. Já essa parte aí de ele fugir de debates eu não sabia, mas acho que ele já deve estar avisado depois de ver o debate Ken Ham vs Bill Nye (se ele assistiu, é claro). Foi uma verdadeira piada, acho difícil chamar aquilo de “debate.”
        * Es um exemplo de como muitas vezes os falsos profetas se apresentam, e como mentem em nome de Deus!!!
        – Infelizmente você está certo. Falsos profetas, aliás, existem desde a Antiguidade e dificilmente deixarão de existir em breve. Me irritam gente como Miller, Harold Camping, Russel, E. G. White, etc. Tudo falsos profetas que tentaram datar o fim do mundo.
        * Inclusive para provar que ele existe, recorrente a omissão, descontextualização e mentiras. É um exemplo claro de fanático religioso!!!
        – Eu tento argumentar a favor da existência de Deus pela filosofia no meu caso. Acho que um cientista não deve buscar Ele pela ciência, assim como não deveria buscar refutar também. A “questão Deus” não pertence à ciência.
        * Eu tenho dó do pobre diabo, mas não poupo palavras ao expor suas farsas!!! No fundo, é um covarde
        – E um baita covarde MESMO! Nunca vejo ele aparecer para debater sobre coisa alguma com pessoa alguma. Algo notável também no blogue Criacionismo (não sei se o senhor Rossetti notou ou não) é a sua feroz defesa do Sábado, e constantemente aparecem lá (pseudo-)notícias falando sobre algo que vai acontecer em um Domingo (que os adventistas consideram a Marca da Besta, que pra mim é uma enorme bobagem) e também está sempre de olho no que o papa está fazendo (nada de errado, muito pelo contrário aliás, porém eles acreditam que o cara é a Besta, que na verdade é Antíoco Epifânio).

      • Voce esta certo. Deus é uma discussão filosófica, ou ate mesmo sobre historia do cristianismo. a ciência não tem competência para esta questão.
        Ainda que eu seja cético quanto a existência de Deus, não me pauto na ciência para me defender e sim na filosofia ou na teologia. Sabendo separar voce pode validar uma teoria como a da evolução e acreditar, ou não em Deus sem que haja contradição filosófica. Assim como vc tem argumentos a favor que até podem de fato ser válidos, outros tem argumentos que são contrários e igualmente válidos e nem por isto a gente precisa ficar na pseudagem da ciência para nos firmar-mos em nossas respectivas posições.
        Legal ter essa posição que voce tem!!!

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