CAI POR TERRA MAIS UMA GROSELHA CRIACIONISTA – QUANDO MICHELSON REFUTA MICHELSON

Sim, novamente os criacionistas cantaram vitória em um ato falho. Desta vez referindo-se a refutação da ciência sobre o Chert de Apex (chert é um tipo de quartzo) e sobre o membro posterior das baleias.

Sem título

Digo novamente, pois recentemente fiz uma crítica a um texto divulgado por este mesmo autor sobre o Archaeopteryx (embora ele não fosse o autor), na qual desmistifiquei uma série de falsas premissas sustentadas pelos literalistas e que não correspondiam ás devidas referências bibliográficas. Hoje, vamos tratar de duas falácias promovidas por este autor que também é pastor adventista criacionista. Elas dizem a respeito das evidências mais antigas dos seres vivos e o clichê criacionista sobre a negação da evolução usando cetáceos como argumento.

Analisemos os dois casos de ato falho.

Adeus Apex, seja bem vindo Barbeton

A primeira alegação trata-se do chert de Apex na Austrália Ocidental. O achado foi datado em cerca de 3,5 bilhões de anos, e corresponde a uma formação sedimentar no piso de um antigo lago ou oceano. Segundo a primeira descrição de Apex, nele foram encontrados microfósseis de bactérias e algas que ficaram presas nos sedimentos e foram preservados. Estes fósseis de bactérias teriam apenas 10-20 micrômetros de comprimento, de modo que só podem ser vistos através de um microscópio.

Sem título

Na época em que foi descrito, acreditava-se que se tratava de cadeias de células individuais, formando filamentos, muito parecido com bactérias e algas azul-verdes que hoje encontramos em lagos modernos. Estes filamentos de células têm as mesmas formas como algumas estruturas em ALH 84001, o que sugere que as estruturas do meteorito também poderiam fósseis de bactérias.

A crítica pseudocientífica criacionista enxergou esta refutação como uma anulação da teoria da evolução, e não como uma calibragem da própria ciência sobre os seus próprios achados com seus próprios méritos.

Para o autor adventista criacionista que faz sua postagem em uma página (em que se auto-intitula herança judaica), essa descoberta refere-se á queda de evidências da evolução;

Argumentação criacionista

Argumentação criacionista

De fato, o caso do chert de Apex foi descartado como evidência da vida mais antiga da Terra. Isso porque novas análises sugerem que na verdade, não são fósseis. David Wacey, da Universidade da Escola de Ciências da Terra de Bristol, que participou do novo estudo destaca que os microfósseis na verdade são pilhas de minerais de argila em forma de placas configurados em cadeias que se assemelham bastante a vermes ramificados e cônicos. O que ocorre é que o carbono do material rochoso foi absorvido para as bordas destes minerais durante a circulação de fluídos na porção interna da rocha criando uma falsa impressão de vida fossilizada, com paredes e estruturas celulares. Como ressalta Wacey “…ficou claro que a distribuição de carbono era diferente de todas as outras observadas em microfósseis autêntico…A falsa aparência de compartimentos celulares é dada por vários pratos de minerais de argila que têm uma química inteiramente compatível com um ambiente hidrotermal de alta temperatura”.

O problema desta alegação criacionista é que ela descarta toda a evolução com base na refutação da ciência sobre os achados de Apex.

Infelizmente para os criacionistas, outros microfósseis datados em milhões e bilhões de anos ainda persistem. E são de fato microfósseis.

O que Apex finaliza foi uma questão que já era discutida á décadas, sobre a confiabilidade dos achados de Apex e se de fato representavam procariotos primitivos. Em um artigo de 2003 da Universidade do Arizona, de Gregorio e Sharp já discutia a validade deste achado. Eles ainda ressaltaram:

The Apex Chert microfossils were originally described as septate filaments composed of kerogen similar in morphology to Proterozoic and modern cyanobacteria [1, 3]. However new thin section analysis shows that these carbonaceous structures are not simple filaments [2]. Many of the original microfossils are branched and have variable thickness when the plane of focus is changed. Hydrothermal alteration of organic remains has also been suggested for the creation of these strange morphologies [4].

A ciência nunca havia fechado a possibilidade deste achado ser definitivamente um fóssil. De fato, muitas críticas foram tecidas a estes microfósseis. O próprio autor do artigo, Wacey e o Science Daily tratam da conclusão como uma solução final para um achado que sempre foi tão controverso. O mais importante é que a descrição inicial do chert de Apex foi dada pela ciência segundo o que havia disponível para sua época para classifica-lo como ser vivo, e agora, a própria ciência esta se corrigindo. Com este artigo da PNAS a ciência esta separando os acertos dos erros e assegurando cada vez mais a confiabilidade de suas contribuições ao conhecimento humano. Coisa que a pseudociência não tem competência ou intenção de fazer.

O fato do chert de Apex ter caído por terra não extingui a teoria da evolução, e nem descarta uma vida antiga para a vida. O que caiu por Terra foi o achado de Apex, mas não todos os microfósseis que existem, afinal, a ciência conhece microfósseis de datações próximas ás datas vista no chert de Apex.

Por exemplo; o chert da Formação da Figueira nas montanhas Barbeton entre a cidade de Swaziland e a África do Sul que tem preservado fósseis unicelulares não-coloniais de bactérias datados em 3,2 bilhões de anos (Tree Formation of South Africa). Este, provavelmente se tornara agora o achado mais antigo, até que novos estudos encontrem outros achados ou até que eventualmente a ciência descarte-os em uma análise semelhante ao de Apex.

Há também o Chert Gunflint de Ontário ocidental, datado entre 1,9 a 2,3 bilhões de anos, e preserva não só bactérias e cianobactérias, mas também organismos consumidores de amônia e alguns que se assemelham algas verdes e fungos.

A Formação Bitter Spring da Bacia de Amadeus na, Austrália Central preserva cianobactérias e algas de 850 milhões de anos. Há também o chert Devoniano de Rhynie da Escócia de 400 milhões de anos que tem os restos mais antigos da flora da terra e a preservação é tão perfeito que ele permite que estudos celulares dos fósseis (Berkeley University).

Isso sem considerar nos achados microfósseis de Diatomáceas, Foraminíferos, algas, microcrustáceos do Cambriano que são conhecidos pela ciência á anos e que de fato representam microfósseis.

Como o presente estudo de caso se refere ao mais antigo microfóssil, a Formação da Figueira nas montanhas Barbeton parece ser o chert que ficara no lugar de Apex.

O mais interessante, é que a refutação deste achado considera as rochas com 3,5 bilhões de anos. O que o artigo da PNAS fez foi refutar os microfósseis, não a datação da rocha. Desta forma, o artigo ainda reitera a posição científica atual da geologia, de que a terra tem bilhões de anos de idade, e não 6 mil como pressupõem os criacionistas adventistas. Ao adotar o artigo da PNAS como referencia para refutar a origem antiga da vida, os criacionistas adotam também a datação usada das rochas que é de bilhões de anos. Ato falho!!!

E os supostos filamentos visualizados no meteoro ALH 84001 nunca foram vistos como microfósseis. A própria ciência constatou isto.

Portanto, as evidências quanto á origem antiga da vida ainda se fazem válidas, o que a ciência faz a partir desta refutação é descartar Apex como um (apenas um) registro antigo, e passa a considerar somente aqueles que têm validação.

O peso das Baleias sobre o criacionismo

A segunda evidência supostamente refutada refere-se aos membros posteriores das baleias. Neste ponto o autor criacionista cita:

Argumentação criacionista

Argumentação criacionista

O primeiro ponto relevante desta afirmação é que os órgãos vestigiais das baleias não têm funções locomotoras de fato, afinal, eles são vestigiais e as baleias não os utilizam para caminhar. Isto é óbvio!!! Entretanto, por serem estruturas ósseas oferecem suporte á musculatura e a órgãos. O fato de não ser uma estrutura locomotora já é sabido pela ciência á décadas e não significa nada como argumentação anti-evolução.

A função locomotora que poderia ter estava restrita aos antigos indivíduos das linhagens de cetáceos que apresentam os membros posteriores mais desenvolvidos e com estruturas funcionais para a locomoção, ou seja, os últimos terrestres e os primeiros cetáceos aquáticos.

Saber se os ossos da pelve da baleia são de fato vestigiais não é difícil de constatar. É só observar se os genes Hox que os determinam são os mesmos que determinam os membros posteriores dos outros tetrápodes. Se realmente o forem, ainda que tenham funções distintas, temos a homologia estabelecida do ponto de vista não só da estrutura em si, mas do ponto de vista genético; e assim, adeus argumentação criacionista!

Durante o desenvolvimento dos membros posteriores é possível identificar evidências da evolução nos animais que tem membros reduzidos, ou não. Na biologia há vários exemplos de redução progressiva dos membros posteriores, especialmente em serpentes, e claro, na perda óssea em baleias. É possível analisar estes fenômenos a luz dos mecanismos genéticos envolvidos. Por exemplo, alterações em padrões genéticos de desenvolvimento e evolução são responsáveis pela perda dos membros em serpentes. A perda do membro, mudanças morfológicas e fisiológicas concomitantemente associadas com a transição de ambiente terrícola para aquático parece ser a melhor explicação para a origem da redução dos membros posteriores em cetáceos (Tanaka et al, 2005).

A ênfase na análise é colocada no desenvolvimento dos membros posteriores, com os membros anteriores transformados em nadadeiras, e como os membros posteriores regrediram deixando nenhum elemento ou elementos esqueléticos vestigiais. De acordo com a filogenia e análises recentes, os membros posteriores provavelmente começaram a regredir somente após os ancestrais das baleias entrarem no ambiente aquático. Assim, a função dos membros posteriores foi cooptada pela locomoção ondulatória axial vertical. A perda dos membros posteriores foi associada com o alongamento do corpo durante a transição da terra para a água. Em serpentes, a perda desses membros também está associada com a adoção de um novo estilo de vida (críptico) e foi impulsionado por mudanças de desenvolvimento associados com o alongamento do corpo (Tanaka et al, 2005).

A base genética molecular de perda do membro foi estudada em muitas linhagens de seres vivos. Em serpentes Python, a expressão de genes Hox para a identidade de membros as estruturas anatômicas expandem rostralmente. Isso acaba resultando na perda de posições axiais adequadas para a iniciação do membro peitoral. Apesar de sinais de posicionamento para membros peitorais serem alterados em serpentes como as jibóias, as evidências sugerem que as conseqüências aberrantes em brotos dos membros pélvicos de Python ocorrem no início do desenvolvimento, mas não conseguem sustentar crescimento associado a inativação de vias de sinalização (Cohn & Tickle, 1999). Como em jibóias, os embriões de baleias iniciam os brotos dos membros pélvicos mas não conseguem continuar o desenvolvimento (Bejder & Hall, 2002). Isso demonstra que são homólogos como estrutura. Vejamos agora do ponto de vista dos genes.

Os mecanismos responsáveis ​​pela perda do membro em cetáceos são como os observados em serpentes e lagartos. Cetáceos formam dois brotos do membro posterior durante a embriogênese (Figuras B e C).

Em A e B mostra-se embriões de golfinho pintado, Stenella attenuata, sendo que em (A) vemos m embrião 24 dias e (B) a 48 dias de gestação para mostrar os brotos dos membros anteriores bem desenvolvidos (f; observe o primórdio digital), e um bem desenvolvida broto de membro posterior evidenciado pela letra (h). No 24 dias de gestação (A), um broto de membro posterior que começa a regredir em 48 dia. Em C e D nota-se o osso pélvico rudimentar em uma baleia piloto, Globicephala sp. em exposição na Escócia Museu de História Natural, Halifax Nova. Em (C) a vista dorsal, anterior e em (D) a vista lateral dos ossos pélvicos e coluna vertebral. Observe o tamanho geral (25 cm de comprimento) e da orientação dos ossos pélvicos e a sua falta de ligação com a coluna vertebral Reproduzido de Sedmera et al, (1997).

Em A e B mostra-se embriões de golfinho pintado, Stenella attenuata, sendo que em (A) vemos m embrião 24 dias e (B) a 48 dias de gestação para mostrar os brotos dos membros anteriores bem desenvolvidos (f; observe o primórdio digital), e um bem desenvolvida broto de membro posterior evidenciado pela letra (h). No 24 dias de gestação (A), um broto de membro posterior que começa a regredir em 48 dia. Em C e D nota-se o osso pélvico rudimentar em uma baleia piloto, Globicephala sp. em exposição na Escócia Museu de História Natural, Halifax Nova. Em (C) a vista dorsal, anterior e em (D) a vista lateral dos ossos pélvicos e coluna vertebral. Observe o tamanho geral (25 cm de comprimento) e da orientação dos ossos pélvicos e a sua falta de ligação com a coluna vertebral Reproduzido de Sedmera et al, (1997).

Conforme demonstrado acima, em embriões de golfinho pintado (Stenella attenuata) os membros surgem de brotos, formam uma crista ectodérmica apical, mas não conseguem desenvolver mais (Sedmera et al, 1997) devido a uma incapacidade para mantê-las com o alongamento do corpo. Este broto, mostrado nesta foto, é uma evidência clara de homologia dos membros presentes em tetrápodes e demonstra o ato falho criacionista.

Vejamos o que os genes Hox dizem.

Os genes Hox especificam a padronização axial e posição dos membros durante o desenvolvimento embrionário de todos tetrápodes (Burke et al, 1995 e  Carroll 1995 e Shubin et al, 1997). Em ambos, peixes teleósteos e tetrápodes, os genes Hox estão envolvidos na especificação das estruturas ao longo das barbatanas peitorais corpo ou formação dos membros anteriores; os limites anteriores de expressão de HoxC-6 e HoxC-8 e 10 coincidem com a localização das gemas do membro posterior.

Os mesmos limites de expressão HoxC-6 terminam em diferentes níveis dos somitos embrionários em espécies diferentes; os somitos 11 e 12 em ratos, 18 e 19 em pintinhos, 20 e 21 em gansos e 3 e 4 em Xenopus (Burke et al, 1995). Genes Hox também são diferencialmente expressos em diferentes tecidos que contribuem para a formação do membro. Por exemplo, genes Hox-9 são regulados diferencialmente na porção lateral mesodérmica e na mesoderme paraxial do individuo (Burke et al 1995;. Cohn et al 1997;. Burke, 2000).

Sem título

Filogenia com os principais passos evolutivos deste o ancestral terrestre Pakicetus até os cetáceos modernos

Os HoxC-6 e HoxC-8 são diferencialmente expressos na mesoderme do pintinho e presumivelmente em outros tetrápodes. Por exemplo, seus padrões de expressão e sobreposição, comecem mais anteriormente e param igualmente anteriormente (antes de o território dos membros posteriores) em embriões de galinha. Em Pythons durante a fase embrionárias há a expressão expandida de HoxB-5, 6-HoxC, e HoxC-8 ao longo do eixo do corpo. Os genes HoxC-6 e HoxC-8 têm limites posteriores de expressão que são um pouco mais posteriores do que os observadas em embriões de galinha, estendendo-se para o território dos membros posteriores, mas vão muito mais longe anteriormente. De fato, para o limite anterior do tronco. Eis ai porque os membros são reduzidos; resultado de um prolongamento do corpo (Bedjer & Hall, 2002).

Geralmente vestígios são não-funcionais. Entretanto, em aves que apresentam asas reduzidas como os avestruzes, emas, casuares e kiwis tais apêndices vestigiais adquirem papéis funcionais em equilíbrio, comunicação ou funções de seleção sexual. Os pinguins e cormorões usam suas asas em uma função locomotora para a propulsão como submarinos. Os ossos pélvicos de baleias podem ser utilizados na comportamento reprodutivo e no caso dos avestruzes, as asas auxiliam no equilíbrio do corpo e no comportamento reprodutivo (Love, 2007).

Assim, uma característica vestigial pode ter uma função distinta a da condição inicial do ancestral, evidenciando a evolução no nível vestigial e exaptativo. Esses eventos evolutivos como os rudimentos e vestígios podem surgir da acumulação de mutações neutras através da deriva genética. Pode permitir que estruturas e comportamentos percam sua complexidade em associação com a seleção positiva para outras funções. Um exemplo disto é a redução concomitante dos olhos e a valorização da linha nervosa lateral e seus gânglios que formam a linha lateral em peixes cegos de caverna, como verificado em alguns membros do gênero Astyanax (Love, 2007).

No caso da Python reticulatus os brotos dos membros em embriões são um rudimento, mas alguns elementos dos ossos dos membros posteriores chegam eventualmente a afetar adultos, caracterizando vestígios. O que caracteriza uma distinção conceitual entre vestígios e rudimentos. Isso ocorre porque as serpentes evoluíram a partir de um ancestral totalmente tetrápode (provavelmente lagartos varanídeos) e porque suas estruturas são homólogas a deles. Elas ainda permanecem presentes nos taxa intimamente relacionados, tais como lagartos, e mesmo de todos os outros tetrápodes. As garras que compõem os vestígios das serpentes Pythons podem ser estruturas neomórficas que desaparecem, mas que em eventuais acidentes podem reaparecer com uma nova morfologia. É difícil precisar como de fato eram as garras dos ancestrais delas. É comum ocorrer esses vestígios neomórficos em mamíferos (Love, 2007).

No caso da baleia fica claro não só a homologia da estrutura em si mas dos genes Hox envolvidos, que são os mesmos em todos os tetrápodes (mais de 30 genes hox foram identificados em tetrápodes, todos homólogos).

O mais curioso ao analisar a argumentação feita pelo criacionista é que ela não corresponde com as referências. A referência citada pelo autor criacionista no final de sua citação é de um jornal de biologia evolutiva chamado Evolution. Ao consultar o artigo, o abstract não afirma absolutamente nada a respeito dos órgãos vestigiais terem sido refutados como evidências da evolução. Muito pelo contrário, ele ressalta inclusive o papel do órgão vestigial na seleção sexual:

Male genitalia evolve rapidly, probably as a result of sexual selection. Whether this pattern extends to the internal infrastructure that influences genital movements remains unknown. Cetaceans (whales and dolphins) offer a unique opportunity to test this hypothesis: since evolving from land-dwelling ancestors, they lost external hind limbs and evolved a highly reduced pelvis that seems to serve no other function except to anchor muscles that maneuver the penis. Here, we create a novel morphometric pipeline to analyze the size and shape evolution of pelvic bones from 130 individuals (29 species) in the context of inferred mating system. We present two main findings: (1) males from species with relatively intense sexual selection (inferred by relative testes size) tend to evolve larger penises and pelvic bones compared to their body length, and (2) pelvic bone shape has diverged more in species pairs that have diverged in inferred mating system. Neither pattern was observed in the anterior-most pair of vertebral ribs, which served as a negative control. This study provides evidence that sexual selection can affect internal anatomy that controls male genitalia. These important functions may explain why cetacean pelvic bones have not been lost through evolutionary time.

Tradução:

A genitália masculina evolui rapidamente, provavelmente como resultado da seleção sexual. Se este padrão se estende até a infra-estrutura interna que influencia os movimentos genitais permanece desconhecida. Cetáceos (baleias e golfinhos) oferecem uma oportunidade única para testar esta hipótese: desde a evolução a partir de ancestrais terrestres, eles perderam membros traseiros externos e evoluiu uma pélvis muito reduzida que parece servir a nenhuma outra função a não ser para ancorar os músculos que manobrar o pênis. Aqui, criamos um novo canal morfométrico para analisar o tamanho e a evolução dos ossos pélvicos de 130 indivíduos (29 espécies), no contexto do sistema de acasalamento inferido. Nós apresentamos dois resultados principais: (1) machos de espécies com a seleção sexual relativamente intenso (inferida pelo tamanho relativo dos testículos) tendem a evoluir pênis maiores e ossos pélvicos em relação ao seu comprimento do corpo, e (2) forma de osso pélvico divergiu em mais espécies pares que divergiram em sistema de acasalamento inferido. Nem o padrão foi observado no par anterior-mais de nervuras vertebrais, que serviu como um controle negativo. Este estudo fornece evidências de que a seleção sexual pode afetar anatomia interna que controla a genitália masculina. Estas funções importantes podem explicar por que os ossos pélvicos de cetáceos não foram perdidos ao longo do tempo evolutivo.

Conclusão

Desta forma, concluímos que o autor prescreveu uma conclusão na qual não esta de acordo com as publicações e com os achados acadêmicos. As evidências para a evolução continuam intactas. Com microfósseis de 3,2 bilhões de anos, sendo agora os mais antigos, e com evidências clara de que os ossos encontrados na pelve de baleias são resultados de membros posteriores reduzidos e que hoje estão exaptados a novas funções; perderam a função locomotora e se tornaram assessórios a reprodução. Vimos á homologia dos genes hox, comuns em baleias, aves, serpentes, lagartos, tetrápodes em geral. Como já descrito por Sean B. Carroll em seu livro “Infinitas formas de grande beleza” ele destaca as duplicações de genes hox que ocorreram bem na base da origem dos anfíbios e na origem dos tetrápodes.

Vimos também que a referência usada pelo autor criacionista na verdade ratifica ainda mais o papel da seleção sexual na alteração rápida da morfologia das baleias e como isto é um importante mecanismo evolutivo.

Agradecemos profundamente as referências citadas pelo criacionista que nos forneceu todo material necessário para refuta-lo.

Saiba mais em:

O JOGO SUJO CRIACIONISTA – O QUE DISSE HENRY GEE, EDITOR SÊNIOR DA REVISTA “NATURE”, E O QUE ELE NÃO DISSE SOBRE A EVOLUÇÃO.

A DESONESTIDADE E IGNORÂNCIA DO CRIACIONISTA – O HOMEM VEIO DO BARRO, OU A ARGILA É UM CATALISADOR?

QUEBRANDO A HISTORY CHANNEL – TÍTULO SENSACIONALISTA NÃO CORRESPONDE AOS REGISTROS FÓSSEIS 

.

Victor Rossetti

Palavras chave: Rossetti, NetNature, Chert Apex, Refutação, PNAS, Baleias, Órgãos vestigiais, Genes Hox.

Referências

Alan C. Love. Functional homology and homology of function: biological concepts and philosophical consequences. Biol Philos (2007) 22:691–708
Bejder, L., Hall, B.K., 2002. Limbs in whales and limblessness in other vertebrates: mechanisms of evolutionary and developmental transformation and loss. Evol. Dev. 4, 445–458.
Bejder, L., Hall, B.Limbs in whales and limblessness in other vertebrates: mechanisms of evolutionary and developmental transformation and loss. EVOLUTION & DEVELOPMENT 4:6, 445–458 (2002)
Burke, A. C. 2000. Hox genes and the global patterning of the somitic mesoderm. Curr. Top. Dev. Biol. 47: 155–180.
Carroll, S. B. 1995. Homeotic genes and the evolution of arthropods and chordates. Nature 376: 479–485
Cohn, M.J., Tickle, C., 1999. Developmental basis of limblessness and axial patterning in snakes. Nature 399, 474–479.
Cohn, M. J., Pate, K., Krumlauf, R., Wilkinson, D. G., Clarke, J. D. W., and Tickle, C. 1997. Hox9 genes and vertebrate limb specification. Nature 387: 97–101.
Sedmera, D., Misek, I., and Klima, M. 1997. On the development of cetacean extremities. I. Hind limb rudimentation in the spotted dolphin (Stenella attenuata). Eur. J. Morphol. 35: 25–30.
Shubin, N., Tabin, C., and Carroll, B. B. 1997. Fossils, genes and the evolution of animal limbs. Nature 388: 639–648
Tanaka M. Laura A. Halea, Angel Amoresa, Yi-Lin Yana, William A. Creskoa, Tohru Suzukib, John H. Postlethwaita. Developmental genetic basis for the evolution of pelvic fin loss in the pufferfish Takifugu rubripes. Developmental Biology 281 (2005) 227–239

2 thoughts on “CAI POR TERRA MAIS UMA GROSELHA CRIACIONISTA – QUANDO MICHELSON REFUTA MICHELSON

  1. Se temos pouco petroleo nas camadas de pós sal, nada na camada de sal e temos muito petroleo nas camadas do pre-sal, isso é evidencia que reflete 3 grandes momentos na historia da terra

    1. atual com catástrofes sazonais

    2. Um momento de mar quente secando , de crosta quente cozinhando orgânicos enterrados abaixo (florestas de algas marinhas no fundo do mar) , época das LPIs (large provincie igneous) em que a crosta rachou formando as placas tectônicas . As transgressões e regressões marinhas produziriam incursões turbididicas em que camadas de sal poderiam ser depositadas

    3. Um momento de muita decantação de sedimentos enterrando florestas de algas + o que os turbiditos depositaram no fundo do mar (Diluvio)

    os primeiros seres vivos a receberem decantação dos sedimentos gerados pelas enérgicas erosões do diluvio e serem enterrados subtamente foram as algas , e o petroleo do pré sal é “algal” de origem de florestas de algas enterradas.

    O pré sal contendo muito petróleo é catástrofe. O sal é muito calor na crosta E o pós sal são sedimentações gradualistas hodiernas

    Na geologia nos chamamos de fase riff (pré sal), transicional (sal) e drift (pos sal)
    3 momentos distintos em termos contextuais , com padrões distintos se revelam nestas três camadas e apontam para um diluvio universal .

    • Animais não decantam Sodré. Daqui a pouco vai usar diagrama de fases de mistura pra justificar a disposição dos fósseis nas camadas estratigráficas. Fosseis estes que existem e de acordo com dados tafonômicos e diagenicos exigem milhões de anos para ocorrer. Não há diluvio Sodré, não chame de “nós” porque vcs não são geólogos, são religiosos e devo lembrar voce que o Diluvio nada mais é do que um conto mitólogico mesopotamico – ugarítico, babilonico, acadiano e sumério. Vai estudar Utah-Napshtin Ruqu😉

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s