TARDÍGRADOS CALAM A BOCA DA CRIAÇÃO

Tardígrados vivem em ambientes extremos, suportam pressões altas, grandes doses de radiação, mas sua característica mais excepcional é dobrar a língua dos criacionistas.

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Tardígrado

O lado bom de estudar borboletas é que elas nos servem não só como modelo beleza e atração ao estudo da ciência, elas servem como referência para estudos de caso envolvendo genética, fisiologia, evolução, mimetismo, bioindicadores ambientais e mais uma porrada de coisas que a maioria dos desavisados nunca entenderiam. Ao dar minhas aulas para o ensino médio costumo demonstrar a amplitude de cada assunto e seu potencial para explicar outras coisas que vão além do básico. Com artrópodes em geral, isto também é possível. Ao estudar a origem de artrópodes, podemos estudar a segmentação de seus corpos, a origem deles analisando os fósseis, e ao olhar para os fósseis que deram origem a este grupo animal conseguimos solucionar problemas como o da explosão Cambriana, ou como surgiram os aracnídeos, centopeias, onicóforo, insetos, crustáceos, ou como foi a colonização do ambiente terrestre.

Hoje, apresento aqui um esclarecimento sobre a origem dos tardígrados. Faço isto a pedido de um grande amigo que é engenheiro e físico, que já escreveu textos aqui para o NetNature. Ele estava pesquisando sobre Tardigrados, e encontrou um site da pseudociência criacionista afirmando dentre tantas bobagens que

Os Tardígrados surgiram no planeta Terra repentinamente há mais de 500 milhões de anos sem qualquer história evolucionária anterior”.

Ignorei o fato de que eles tratarem a evolução como sinônimo de aleatoriedade, já que esta desconstrução é feita com grande propriedade pelos biólogos a cada debate que vejo, e nada nas ciências da vida sustenta este tipo de concepção, de tal forma que, entendemos que tal alegação é usada não por desconhecimento, mas com a má-intenção de “ensinar” errado o que é evolução para facilitar sua refutação. Mesmo assim, fica declarado aqui que evolução não é aleatoriedade.

O que nos interessa aqui é a afirmação de que tardígrados surgiram “magicamente” na história da vida, segundo a concepção criacionista. Bem, esta é de fato uma concepção criacionista e não científica, uma vez que os artigos são claros em especificar onde os tardígrados se encontram na árvore da vida, e quais evidências fósseis e moleculares suportam tal posição.

Para começar, quem são os “malditos” tardígrados?

Seu nome refere-se a um animal que anda lentamente (Tardi/grados), e são conhecidos como “ursinhos d´água”. Foram descritos pela primeira vez por J.A.E. Goeze em 1773. O nome Tardigrada foi dado por Spallanzani em 1776. A maioria deles é fitófagos, embora alguns sejam excelentes predadores. A maioria deles é bastante resistente, sobrevivendo a temperaturas extremas, desde o zero absoluto até os 150 °C (Idan, 2009). Também suportam pressões de até 6 mil atmosferas e exposição excessiva a radiação (Jönsson, 2008).

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Anatomia básica de Tardigrado

Em 2007 alguns tardigrados de duas espécies foram enviados ao espaço por cientistas, onde foram expostos não apenas ao vácuo do espaço, mas também a níveis de radiação capazes de incinerar um ser humano. De volta ao planeta Terra, um terço deles ainda estava vivo, tornando-se assim os únicos animais nativos do planeta Terra capazes de sobreviver às condições extremas do espaço, além de que 10% dos sobreviventes deste experimento foram capazes de reproduzir-se com sucesso, produzindo ovos que eclodiram normalmente (Jönsson, 2008). Isto ocorre porque podem sobreviver por muitos anos em estado de dormência, quando expostos a condições ambientais adversas, permanecendo em um estado denominado criptobiótico.

Sabendo unicamente disto, os gurus da criação supuseram que o fato de ter tais especialidades os tornam seres especiais, e pela falta de pesquisa (e certamente pela má-intenção) propuseram uma criação espontânea para tal grupo.

O que eles não sabiam é que há artigos que desmontam a concepção criacionista deste grupo biológico, e que ele se relaciona claramente com os artrópodes. De fato, Tardigrados formam um grupo irmão de Onycophoros e Artrópodes. As relações genéticas e morfológicas mostram isto claramente, englobando todos os artrópodes vivos, seus grupos irmãos e ancestrais fósseis em um grupo ainda maior chamado Panartropodes, que é sabidamente conhecido como um grupo monofilético (Campbell et al, 2011 & The Royal Society, 2003). Ou seja, todos eles descendem de um ancestral comum, certamente mais antigo que 600 milhões de anos.

De fato, o grupo dos tardigrados é relacionado aos Lobopoda, que por sua vez é um ancestral dos Artropodes em geral.

As relações dos clados de artrópodes eram muito controversas, com refinamentos a partir de dados moleculares um consenso emergiu. No entanto, filogenia molecular têm recuperado informações que filogenias morfológicas não haviam encontrado, incluindo a posição de hexapodes como um grupo parafilético de Crustacea, e uma aliança entre Miriapodes e Chelicerata. Com o tempo, dados reforçaram a congruência entre as filogenias moleculares e morfológicas com base em 753 caracteres morfológicos de 309 fósseis de Panarthropodes. O resumo das relações entre os principais taxa de artrópodes com base em 753 caracteres. A árvore completa mostra ramos da transformação entre antenas e quelíceras (Genes Hox evolvidos). Linhagens que possuem uma visão anterior (presumivelmente deutocerebral) e par de antenas são indicados em verde, linhagens portadoras quelíceras em vermelho, e os táxa que secundariamente perderam seus apêndices deutocerebral em azul. Os táxa onde faltam apêndices encefálicos especializados estão identificados em preto. Números associados com os nós são valores da análise estatística dos grupos comparados. Retirado de Legg, Sutton e Edgecombe, 2013.

As relações dos clados de artrópodes eram muito controversas, com refinamentos a partir de dados moleculares um consenso emergiu. No entanto, filogenia molecular têm recuperado informações que filogenias morfológicas não haviam encontrado, incluindo a posição de hexapodes como um grupo parafilético de Crustacea, e uma aliança entre Miriapodes e Chelicerata. Com o tempo, dados reforçaram a congruência entre as filogenias moleculares e morfológicas com base em 753 caracteres morfológicos de 309 fósseis de Panarthropodes. O resumo das relações entre os principais taxa de artrópodes com base em 753 caracteres. A árvore completa mostra ramos da transformação entre antenas e quelíceras (Genes Hox evolvidos). Linhagens que possuem uma visão anterior (presumivelmente deutocerebral) e par de antenas são indicados em verde, linhagens portadoras quelíceras em vermelho, e os táxa que secundariamente perderam seus apêndices deutocerebral em azul. Os táxa onde faltam apêndices encefálicos especializados estão identificados em preto. Números associados com os nós são valores da análise estatística dos grupos comparados. Retirado de Legg, Sutton e Edgecombe, 2013.

E mesmo dentro do grupo dos tardigrados há uma diversidade muito grande que só é, e só pode ser explicada pela Teoria da evolução.

E mesmo que eles não fossem fossilizáveis, o sequenciamento genômico mostra a relação entre os diversos tardígrados. Para piorar a situação, já se encontrou muitos fósseis de tardígrados nos depósitos do Cambriano da Sibéria e alguns preservados em âmbar (que foram chamados de “proto-tardigrados”). Isso quer dizer que há explicação evolutiva para tardígrados, ao contrário da especulação mágica dos amigos da criação.

Espécimes raros foram preservados em âmbar, datado do Cretáceo, e são da espécie Milnesium swolenskyi, de Nova Jersey, sendo que o fóssil mais velho conhecido hoje, cujas garras e peças bucais são indistinguíveis são da Milnesium tardigradum e ainda estão vivos. O fato desta espécie ainda existir levou os criacionistas a assumirem que eles nunca evoluíram, e portanto teoria da evolução esta morta.

Dois espécimes provenientes do Canadá, são 15 a 20 milhões de anos mais jovem do que M. swolenskyi. Em um estudo posterior estabeleceu-se que estes 2 espécimes davam origem a um próprio gênero e família, e foi chamado de Beorn leggi apresentando uma grande semelhança com muitos espécimes da família Hypsibiidae (Grimaldi et al, 2005 & Cooper, 1964)

Taxonomicamente, Ecdysozoa é um clado composto por oito filos, entre eles: os artrópodes, tardigrados e onicóforos, que divide segmentação e apêndices com nematóides, nematomorfos, priapulideos, kinorhynques e loriciferos, que são vermes com uma probóscide anterior ou introvertida. Ecdysozoa contém a maior parte das espécies animais e existe uma grande diversidade de planos corpóreos entre os membros vivos e fósseis. A monofilia do clado tem chamado á atenção dos pesquisadores com base em análises de conjuntos de dados de genomas inteiros. O estudo de Telford et al. (2008) revisou os grupos que suportam conclusivamente uma origem única destes filos. A comparação de sequências de DNAr 18s entre uma espécie de Tardigrada e um grande número de sequências de artrópodes, outros protostomados, deuterostomas, e um platelminto indicam claramente que os Tardigrada estão intimamente relacionados com a linhagem Arthropoda. Os resultados suportam claramente a ideia de eles e os artrópodes formam um clado monofilético (Wray et al, 1996).

Sendo assim, o filo Tardigrada é bastante antigo. Há também fósseis datados do Cretáceo (144 milhões de anos). Evidências desta antiguidade é suportada por descobertas biogeográficas sobre este grupo. Por exemplo, evidências datando de Gondwana e Laurásico apontam que a fauna tardígrada colonizou o Paleártico e Neoártica. E estudos apontam que faunas Tardigradas laurásicas representam a sobrevivência de muitos tardígrados Pan-Árticos, constituindo verdadeiras relíquias evolutivas e que tardígrados do Plioceno foram levados para o sul da Europa e América do Norte pelo avanço das calotas polares em períodos de glaciação. Eles foram eliminados por glaciação do Pleistoceno e substituídos durante o Holoceno por uma fauna comum não-Ártica (Philip & Sandra, 1998). Portanto, ao contrário do que argumenta o criacionismo…

“…500 milhões de anos sem qualquer história evolucionária anterior, são “campeões da sobrevivência”, não evoluíram um milímetro todos esses anos… Eles já surgiram assim, cheios de recursos e talentos natos, não “evoluíram aleatoriamente por seleção natural”

…os tardígrados não estão estagnados evolutivamente. Eles conservam muitas características primitivas, mas não significa que as espécies de hoje sejam as mesmas do Cambriano. Houve processos biogeográficos que moldaram sua diversidade biológica através de seleção natural (não aleatória). Seu conjunto faunístico, e claro, seu patrimônio genético foram alterados e o fato de conservarem características morfológicas primitivas não implica que não tenham evoluído. É um erro básico em biológica presumir fixismo e imutabilidade e infantilidade acreditar que durante milhões de anos seres vivos não mudem.

Temos diversos exemplos de grupos biológicos que conservam características primitivas e ganharam características derivadas ao longo da evolução, como aranhas da família Liphistiidae que mantém as marcas de seu abdome segmentado, samambaias que conservam estruturas morfológicas vegetais semelhantes as do Cretáceo. Sendo assim, a alegação de que tardígrados não evoluem, e por assimilação, a Teoria Sintética da evolução esta morta, é falsa!

Como sempre, toda a semana um criacionista decreta a “morte” da Teoria da evolução, mas tal declaração nunca é feita em uma publicação científica ou em um periódico academicamente válido. Tal grito sempre é dado em sites religiosos, ou em comunidades de rede de relacionamento onde é fácil arrebanhar pessoas que pouco sabem ciência básica ou tem uma denominação religiosa fundamentalista. Este tipo de pratica criacionista é feita para recrutar pessoas ignorantes em ciência e não incentiva-las a pesquisar artigos ou a ter uma formação crítica ou acadêmica que contribua com a produção de conhecimento.

Tardigrade topologia molecular da figura 2 com caracteres mapeadas e preferências de habitat. Ramos não estão à escala, mas valores de bootstrap são as mesmas como mostra a fig. 2 Chave de Personagens: 1. Eutardigrada: Não apêndices cefálica; falta de placas dorsais; rença placoids entiated; garras duplos com ramos secundários e primários. 2. Heterotardigrada: Cefálica apêndices; com pernas ou digitadas sem garras. 3. Parachela: Sem papilas cefálica; garras duplas por perna dividida em ramo secundário e primário. 4. Apochela: Six papilas cefálica; dois conjuntos de garras por perna, com garra primário não ramificado separado da garra secundária; 4-6 lamelas peribuccal. 5. Thulinius + Hypsibius + Calohypsibius: Garra seqüência 2121; Apophyses bucais assimétricas para o plano frontal. 6. Macrobiotus: Lamina presente ventral; garra seqüência 2121; 10 Perri lamelas bucal. 7. Thulinius + Hypsibius: n lâmina ventral. 8. Calohypsibius: '' Tipo Calohypsibius '' garras com ramo primário e secundário fundido de base; Ausente lâmina ventral. 9. Thulinia: peribuccal lamelas; 'garras' 'tipo' Hybsibius. 10. Hypsibius: lamelas Peribuccal ausente; 'garras' 'tipo' Hybsibius. 11. Echiniscus: Chapas blindadas presentes. 12. Batillipes: Chapas blindadas ausente. Habitats: Terrestre (T); Marine (M); ou de água doce (F). * As amostras não foram identificados para as espécies no estudo original, mas já foram verificados.

Topologia molecular de tardígrados com caracteres mapeados e preferências de habitat. Ramos não estão em escala. 1) Eutardigrada: Sem apêndices cefálico; falta de placas dorsais; placoides diferenciadas; garras duplas com ramos secundários e primários. 2. Heterotardigrada: Apendices cefálicos; pernas digitadas com ou sem garras. 3) Parachela: Sem papilas cefálicas; garras duplas por perna dividida em ramo secundário e primário. 4) Apochela: Seis papilas cefálicas; dois conjuntos de garras por perna, com garra primária não ramificada separada da garra secundária; 4-6 lamelas peribucal. 5) Thulinius + Hypsibius + Calohypsibius: Garra seqüência 2121; Apofises bucais assimétricas para o plano frontal. 6) Macrobiotus: Presente de lâmina ventral; garra seqüência 2121; 10 Perri lamelas bucal. 7) Thulinius + Hypsibius: Sem lâmina ventral. 8) Calohypsibius: “tipo Calohypsibius”  garras com ramo primário e secundário fundido de base; Ausencia de lâmina ventral. 9) Thulinia: lamelas peribucal; ‘garras’ ‘tipo’ Hybsibius. 10) Hypsibius: lamelas Peribucal ausente; ‘garras’ ‘tipo’ Hybsibius. 11) Echiniscus: Chapas blindadas presente. 12) Batillipes: Chapas blindadas ausente. Habitats: Terrestre (T); Marine (M); ou de água doce (F).

Para fechar nossa crítica, uma análise aprofundada de um organismo chamado Opabinia em 1975 revelou características incomuns deste grupo. Ele foi estabelecido como um ser alheio a qualquer filo conhecido, embora possivelmente relacionado ao ancestral hipotética dos artrópodes e de vermes anelídeos. Outros achados, principalmente o da Anomalocaris, sugeriu que ele pertencia a um grupo de animais que estavam intimamente relacionadas com os ancestrais dos artrópodes, onicóforos e tardígrades.

Em 1996 Graham Budd descobriu evidências de pernas curtas não-articulados em Opabinia. Sua análise da Kerygmachela (um tipo de anomalocaris) do Sirius Passet lagerstätte datado de 518 milhões anos atrás é 10 milhões de anos mais velho do que o Burgess Shale. Isto levou Budd a considerar que as pernas destes dois gêneros muito semelhantes aos do Burgess Shale onde foi encontrada a Aysheaia e os ancestrais dos Onicoforos modernos, que são considerados como estando intimamente relacionados com os antepassados ​​dos artrópodes. De fato, Aysheaia resolve muito bem a origem dos artrópodes em geral e a questão da Explosão Cambriana. Como dito no primeiro parágrafo do texto, artrópodes são exeplos bons para tratar de uma série de assuntos biológicos.

Depois de examinar vários conjuntos de características compartilhadas por estes e outros Lobopodes elaborou-se uma reconstrução em larga escala do grupo dos artrópodes que, em outras palavras, considerou “tias” e “primos” evolutivos deste grande grupo. Uma característica marcante desta árvore de família é que tardígrados modernos podem ser os parentes vivos mais próximos das Opabinias.

Victor Rossetti

Palavras Chave: NetNature, Rossetti, Evolução, Tardígrado, Panartropoda, Artropode, Onicóforo, Opabinia.

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Referências

Telford. M, J, Sarah J Bourlat, Andrew Economou, Daniel Papillon and Omar Rota-Stabelli. The evolution of the Ecdysozoa. Phil. Trans. R. Soc. B (2008) 363, 1529–1537
Wray, G. A., Levinton, J. S. & Shapiro, L. H. (1996) Science 274, 568–573.
Idan Ben-Barack “The Invisible Kingdom” Basic Books 2009 / páginas 32-33
Jönsson, K. Ingemar. (2008-09-09). “Tardigrades survive exposure to space in low Earth orbit”. Current Biology 18 (17): R729–R731.
Legg. D. Mark D. Sutton1& Gregory D. Edgecombe. Arthropod fossil data increase congruence of morphological and molecular phylogenies. NATURE COMMUNICATIONS|4:2485
Campbell, Lahcen; Omar Rota-Stabelli; Gregory D. Edgecombe; Trevor Marchioro; Stuart J. Longhorn; Maximilian J. Telford; Hervé Philippe; Lorena Rebecchi et al. (2011). “MicroRNAs and phylogenomics resolve the relationships of Tardigrada and suggest that velvet worms are the sister group of Arthropoda”. PNAS Early Edition 108 (38): 15920–4.
Sequencing of Tardigrade Genome” (PDF). The Royal Society. 2003. Retrieved 2013-05-31.
Grimaldi, David A.; Engel, Michael S. (2005). Evolution of the Insects. Cambridge University Press. pp. 96–97
Cooper, Kenneth W. (1964). “The first fossil tardigrade: Beorn leggi, from Cretaceous Amber”. Psyche – Journal of Entomology 71 (2): 41.
Philip J.A. Pugh Æ Sandra J. McInnes. The origin of Arctic terrestrial and freshwater tardigrades. Polar Biol (1998) 19: 177–182
Budd, G. E. (1996). “The morphology of Opabinia regalis and the reconstruction of the arthropod stem-group”. Lethaia 29 (1): 1–14.

5 thoughts on “TARDÍGRADOS CALAM A BOCA DA CRIAÇÃO

  1. Achei interessante o texto na hora de falar sobre os tardígrados, Rossetti. Só não entendi exatamente de que forma que eles “calam a boca” da Criação. Acho que a guerra não é entre Criação vs evolução e sim criacionismo vs evolução, visto que poderíamos colocar na mesa a possibilidade de que Deus criou pelo processo evolutivo.
    Paz!

    • Foi bom vc ter tocado neste assunto.
      Quando escrevo aqui sobre críticas a criação, me refiro a concepção criacionista que se apresenta como “cientificamente” válida. Não me refiro a posição das pessoas que acreditam que Deus criou porque a fé delas o faz crer nisto. Isto é fé, e não pseudociência criacionista.
      De fato, posso cogitar a possibilidade de que haja algo por trás e que não seja constatável pela ciência, mas entra em uma questão de fé. Em meus textos, quando trato de criação, são direcionados ao criacionista que defende que tal processo de criação é constatável cientificamente.
      A sua posição é baseada unicamente em fé, e acredito que vc seja um cristão genuíno neste sentido, assim como na minha família tenho pessoas que acreditam que tudo é criação mas nem por isto acreditam que a ciência constata isto.
      Foi bom vc pontuar isto, pq quando me refiro a criação, estou me referindo ao movimento criacionista literalista, aquele que acredita que a criação divina é constatável cientificamente. É a estes que critico.
      Se a sua concepção é igual aquele de hebreu 11:1-3 eu entendo e aceito como valida filosoficamente ou teologicamente.

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