EMISSÕES DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS AFETAM DATAÇÃO POR RADIOCARBONO – SERÁ QUE ISTO INVALIDA A TEORIA DA EVOLUÇÃO?

Este ano, um artigo publicado por Graven “Impact of fossil fuel emissions on atmospheric radiocarbon and various applications of radiocarbon over this century” trata um assunto bastante relevante ao biólogos; como emissões de combustíveis fósseis podem no futuro tornar impossível para a datação por radiocarbono distinguir novos materiais a partir de artefatos que tenham centenas de anos de idade.

Sem título

Alguns grupos anti-evolução então resolveram utilizar esta afirmação para justificar que a Teoria da evolução estaria morta, que os carbonos dos fósseis estão contaminados, ou que a presença de tecidos não-resistentes (tecidos moles) demonstra uma presença recente dos dinossauros com os homens etc e tal.

Não pretendo estender esta discussão sobre tecidos não-resistentes ao demonstrar que eles em nada tem a ver com o registro “flintstoniano” que o criacionismo tenta propor. Esta discussão já esta encerrada e ficou bem evidente no caso de Mark Armitage ( Veja aqui e aqui) e claro, com artigos científicos que explicam como tecidos não-resistentes podem ser preservados e sobre quais condições. Sugiro a leitura de “Tecidos moles (não resistentes): como se fossilizam?

O que discuto aqui é o fato do carbono 14 não justificar uma Terra de milhões de anos. E de fato ele nem mesmo se justifica coo ferramenta de trabalho.

A datação por carbono é usada na arqueologia ou paleoantropologia, em momentos recentes. Qualquer artefato ou material orgânico a ser analisado que se suponha ter mais de 60 mil anos não será datado com o uso de carbono 14, mas sim, outros elementos cujo calculo de meia vida seja maior do que tal data.

Para facilitar a compreensão do argumento usarei a evolução humana para desconstruir tal ideia sobre o carbono14 usando as evidências da origem de nossa própria espécie, e os métodos de datação corretos; coisa que certamente os opositores não aceitam. Exatamente por esta razão será utilizado nossa espécie como ferramenta de desconstrução do ideal criacionista e o carbono14.

Nada acima de 40 mil anos de idade é datado com uso de carbono em evolução biológica. A datação da primeira onda de dispersão do Homo sapiens a partir da África (170 mil anos) já exige o uso de outros métodos de datação, e tornam o carbono 14 é inútil. A Datação dos Neandertais mais antigos (com características mais robustas e menos gráceis) exige elementos de meia vida maior, pois estamos falando de períodos de 300 a 600 mil anos. Que inclusive é corroborado pela datação do DNAmit (DNA mitocondrial) em estudos feitos com material coletado de fósseis de Vindja, na Croácia (Neves et al, 2015).

Desta forma, a datação por carbono só seria afetada na arqueologia, o que não justifica a concepção defendida pelos criacionistas da Terra jovem. Em outras palavras, a Terra não deixara de ter 4,56 bilhões de anos porque sua datação não usa carbono14 (e a evolução também não usa este tipo de datação já que considera que a origem de espécies ocorre em escalas de tempo de milhões de anos). Tal datação também não tornará a Terra jovem, nem justificará tal afirmação já que o carbono agora induz a erros de datação.
Infelizmente para os promotores do discurso anti-evolucionista a análise de fósseis é feita por mais de um método de datação, e as datações sempre são calibradas.

Para os evolucionistas o carbono 14 deixa de ser usado quando o material estudado tem mais de 40 mil anos. É mais rigoroso do que os achados arqueológicos, e em evolução humana, é especialmente rigoroso.

Vale lembrar também que somente a partir de 10 mil considera-se um material orgânico como subfóssil. Para ser considerável um fóssil o material deve ter mais de um milhão de anos (de acordo com taxas de permineralização, preservação e tantos outros modos de fossilização já identificados pela tafonômia). Os métodos usados em evolução são; o do radiopotássio 40K/40Ar usado em cinzas vulcânicas e que possibilita fazer datações mais antigas que 1 bilhão de anos (40K tem meia vida de 1,25 bilhões de anos) e foi utilizado na África para estabelecer a datação de fósseis da evolução humana em Olduvai (Neves et al, 2015).

O Urânio238 é utilizado em rochas vulcânicas e também foi usado na África para datações em evolução humana. Isótopos de 238U, 235U e 232Th podem ser usados em fundos de lagos e conchas para determinar datas de períodos glaciais e calibrar outros métodos de datação, inclusive o de radiocarbono (Neves et al, 2015).

Para datações mais recentes há métodos não radiométricos como a dendrocronologia, bandas de sedimentos ou racemização e epimerização de aminoácidos que auxiliam na datação paleoantropológica, paleomagnetismo, que foi muito importante para datar o Homo erectus na caverna Zhoukhoudian na China (o famoso “Homem de Pequim”) e fósseis de Atapuerca, provavelmente de Homo antecessor (Neves et al, 2015). Toda datação é feita com um conjunto de diferentes métodos que buscam validar se o outro método esta de fato batendo com as datas obtidas.

Há ainda a datação feita por taxa de mutação no DNA nuclear e mitocondrial, que foi suficiente para validar as datas estabelecidas nos métodos utilizados para determinar a idade dos Neandertais com características mais gráceis. Por exemplo, o sequenciamento completo do DNAmit de Neandertal contou com 16.565 nucleotídeos. Foi possível estabelecer a estimativa da idade do ancestral comum entre Homo sapiens e Homo neanderthalesis em 600 mil anos (com uma margem de 140 mil anos para mais ou para menos), sendo que tais resultados foram posteriormente corroborados por pesquisas arqueológicas (Neves et al, 2015).

Isso quer dizer que; o radiocarbono como datador é importante para a arqueologia (inclusive a “arqueologia bíblica”). Para qualquer coisa além de 40 ou 60 mil ela é dispensável e a presença desses elementos não afeta a cronologia e as datas oferecidas pela evolução.

Ao observar algumas argumentações em certos sites anti-ciência nota-se que tais proponentes não estudaram sobre o assunto, pois acreditam que a Teoria da evolução se justifica em um único método de datação cujo limite de datas nem é coerente com o que é proposto na teoria. Obviamente, excluem (ou omitem) outros métodos de datação para facilitar a “descarte” de uma teoria sólida, bem concebida e que vem gozando saúde.

Uma descrição pormenorizada dos erros ao tratar do caso do Carbono 14 foi citar o famoso caso do Criacionista Robert Gentry que tentou usar halos de Polônio como método de datação. Neste texto há uma descrição precisa dos erros grosseiros feitos pelos que afirmam o uso do carbono na datação bem como a refutação aos achados de Gentry.

Fica concluído então que: não há qualquer argumentação cientificamente valida ou mesmo respaldada nas afirmações de que o carbono seja usado para a datação e que a teoria da evolução esta descartada. De fato, as fontes negacionistas da teoria da evolução respaldaram seus argumentos em sites de religiosos sem a apresentação de um único artigo. Seria preciso, obviamente, respaldo acadêmico para determinar que a datação de carbono foi significativamente impactada. No futuro, como ela será impactada (e se é que de fato será impactada), o efeito será sentido do momento atual para frente; e ainda sim, será somente na datação de carbono como destaca o artigo original.

Sugestão de leitura: Dating Methods in Science, MÉTODO DE DATAÇÃO – A FALÁCIA CRIACIONISTA DE ANDREW SNELLING e 330 RESPOSTAS QUE COMPLICAM A VIDA DOS CRIACIONISTAS

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Datação, Carbono 14, Evolução humana

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Referências

Neves, W. A. Junior, M. J. R. Murrieta, R. S. S. Assim caminhou a Humanidade. Palas Athenas. 2015

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