VIVA CHILE – GEOLOGIA DE SANTIAGO E A CORDILHEIRA DOS ANDES

A morfologia da região começou a se consolidar no Fim do Paleozóico, que foi quando iniciou-se a convergência da Placa de Nazca com a Placa Sul-Americana quando ainda pertenciam ao continente de Gondwana.

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Fonte: Infor7

A Cordilheira dos Andes é um sistema de cadeias montanhosas da América do Sul que se formou no período Terceário (65 milhões até 2,6 milhões), mas a sua base geológica é muito mais antiga do que isto.  A cordilheira se estende pelos países andinos, desde a Venezuela até a Patagônia, atravessando todo o continente sul-americano, pegando o Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Equador e Colômbia (INE, 2005).

Muitas cidades se desenvolveram ao redor das montanhas, ou mesmo nelas, ou ainda em formações pré-andinas, resultado desse evento geológico. Por exemplo, a Cidade de Santiago, capital do Chile, localiza-se em um vale chamado de “vale central” que faz parte da Depressão Intermediária. Ela é delimitada pelo “cordão de Chacabuco” no norte, a Cordilheira dos Andes a leste, Angostura de Paine no sul e a Cordilheira da Costa a oeste. Esse vale tem uma extensão de 80 km na Direção Norte-Sul e de 35 km na Direção leste-oeste. Há milhões de anos o atual território da cidade era banhado pelo oceano e recebeu muitos sedimentos marinhos sendo a unica parte atual existente na época formada pela Cordilheira da Costa (INE, 2005).

A morfologia da região começou a se consolidar da forma atual no Fim do Paleozóico (entre 542 milhões e 245 milhões), que foi quando iniciou-se a convergência da Placa de Nasca com a Placa Sul-Americana, na qual ainda pertenciam ao continente de Gondwana.

A Convergência levou ao surgimento de uma área terrestre a partir do Triássico (250 a 200 milhões de anos), levantando uma grande e larga parte de toda essa área a formar os Andes. Então, outras atividades tectônicas geraram uma fragmentação da grande massa rochosa levantada, consolidando a formação da Depressão Intermediária(INE, 2005).

A região continua a alterar sua morfologia, de tal forma que glaciares cobriram parte da região com gelo e formações montanhosas sinuosas. Uma forte atividade vulcânica presente nessa área e nessa época levou a uma série de erupções vulcânicas e lançando grandes fluxos de lava que provocaram o derretimento das porções glaciares. Isto gerou mais depósito de sedimentos no vale central, que foi sendo complementado ao longo dos milhões de anos com as chuvas.

As últimas grandes erupções vulcânicas ocorreram até mais ou menos 5 mil anos. Esses sedimentos permitiram a formação de uma bacia sedimentar fertil que cobriu o relevo na formação andina, deixando somente a parte mais de alguns morros, que são chamados de “Morros ilhas”. Isto é visto por todo redor da cidade de Santiago (INE, 2005).

Santiago é delimitada no plano da bacia com uma altitude de 400 metros nas áreas a oeste e chega a 540m na Praça Baquedaño. Durante as últimas décadas, o crescimento urbano expandiu os limites da cidade até o setor Leste se aproximado da Pré-Cordilheira dos Andes. É onde se localiza o ponto turístico de Valle nevado.

Em locais como La Dehesa, Lo Curro e El Arrayán se superou a barreira dos 1000 metros de altitude. Algumas áreas de baixa altitude periféricas ocupam o que eles chamam de “cuenca” e vieram da Pré-Cordilheira, como e o caso do cordão montanhoso do Cerro La Pirámide e do Cerro San Cristóbal na porção noroeste de Santiago (INE, 2005).

A Geologia dos Andes

De modo bem simples, a formação andina se dá com o choque da Placa de Nazca, na base do Oceano Pacífico, com a placa Sul-americana, do Escudo Brasileiro. Uma grande parte do magma foi também empurrada para cima pelo mesmo fenômeno. Tudo isso despertou atividade vulcânica ao longo da costa. Vários cones vulcânicos surgiram e formaram a maioria das cadeias vulcânicas (Andean Summits).

Sem título

Durante a formação andina uma grande quantidade de água ficou presa entre essas formações criando um enorme mar interno. Eventualmente, os restos deste mar formaram o lago Titicaca, lago Poopo e os lagos de sal de Uyuni e Coipasa no planalto boliviano.

Na porção vulcânica ocidental essa formação é datada do Cenozóica (65 milhões de anos até o presente) com vulcões, fluxos de magma, ignimbritas (fluxos de cinzas quentes) e rochas sedimentares derivadas desta atividade vulcânica. As principais atividades vulcânicas ocorreram entre 25 e 22 milhões anos atrás, durante o Mioceno. Não houve erupções vulcânicas registadas recentemente, embora alguns dos vulcões são classificados como ativo. O vulcão Ollague, onde há fumarolas muito ativas e ventilação de gases de enxofre no sul, o Guallatire com as maiores fumarolas de enxofre proveniente de suas geleiras, e o Putana onde há alguns lava líquida em sua cratera e Uturuncu estão ainda ativas e representam os vulcões que mais crescem na terra (Andean Summits).

O conjunto emite enxofre (especialmente Ollague, Uturunco) e borato. Hoje em dia existem inúmeras empresas de mineração que exploram os vulcões em busca de ouro e prata.

A Cordilheira Oriental é composta principalmente de rochas sedimentares do Paleozóico (600-225 milhões de anos) e e Mesozóico eras (225-65 milhões de anos) com ocasionais formações mais recentes formadas por rochas intrusivas e vulcânicas. As formação conta com rochas sedimentares como: arenitos, siltitos, xistos, calcários, e quartzitos. Volumetricamente e economicamente, folhelhos e siltitos do Ordoviciano e Siluriano são as mais importantes (formadas entre 500-440 milhões de anos e 440-395 milhões de anos).

A milhares de anos atrás, várias eras glaciais produziram enormes lagos cobriram a maior parte das terras altas. Sinais claros desses lagos pode ser encontrado nesse locais altos. As montanhas e colinas baixas do Altiplano mostram penhascos que foram esculpios em diferentes altitudes por ondas pré-históricas (Andean Summits).

Desta forma, os geólogo tratam a formação andina como um cinturão orogênico Mesozóico-Terciário de montanhas ao longo do Anel de Fogo do Pacífico, uma zona de alta atividade vulcânica que abrange a orla do Pacífico das Américas, bem como a região da Ásia-Pacífico. Os Andes são o resultado de processos de placas tectônicas, causada pela subducção de crosta oceânica sob a placa sul-americana. A orogênia estuda o conjunto de processos que levam à formação ou rejuvenescimento de montanhas ou cadeias de montanhas produzido principalmente pelo diastrofismo geológico (dobramentos, falhas ou a combinação dos dois), e sismos. Desta forma, estuda a deformação compressiva da litosfera continental.

Anel de Fogo do Pacífico

Anel de Fogo do Pacífico

A borda ocidental da Placa Sul-Americana tem sido o local de vários processos orogênicos pré-andinos, pelo menos desde o Proterozóico e Paleozóico, quando vários terrenos e microcontinentes colidiram formando um amalgama com os antigos crátons do leste da América do Sul, que até então fazia parte de Gondwana.

Crátons (kratos – bebê) são porções geológicas antigas, tendo se mantido relativamente estáveis por no mínimo 500 milhões de anos. Por estabilidade entende-se que estes se mantiveram preservados e foram pouco afetados por processos tectônicos de separação e amalgamação de continentes ao longo da história geológica do planeta. Suas rochas podem ter até 4,5 bilhões de anos de idade. Crátons são compostos por dois tipos de rochas: magmáticas, que se formam com o resfriamento e a cristalização do material magmático; e as metamórficas, rochas preexistentes, que foram alteradas (passando por recristalização) devido a pressão e temperaturas altas promovidas pelo deslocamento de placas ou vulcanismo.

A formação dos Andes modernos começou com os eventos do Triássico (200 milhões de anos), quando Pangaea começou a quebrar e várias fendas se desenvolveram. Essa formação inicial se estendeu até o período Jurássico (199 a 145 milhões de anos). Foi durante o período Cretáceo (65 milhões) que o Andes começaram a tomar sua forma atual, pelo dobramento de rochas sedimentares e metamórficas dos crátons antigos no sentido leste. O aumento dos Andes não tem sido constante em diferentes regiões devido a diferentes graus de pressão tectônica e erosão. Mas teve uma contribuição biológica muito importante.

Forças tectônicas acima da zona de subducção ao longo de toda a costa oeste da América do Sul, onde a Placa Nazca e uma parte da placa da Antártida estão deslizando por baixo da placa da América do Sul continuam a produzir eventos orogênicos, resultando em grandes terremotos e erupções vulcânicas. No extremo sul há uma grande falha que separa a Tierra del Fuego da pequena placa Scotia.

Grande parte do vulcanismo andino é também um resultado da subducção da Placa de Nazca e placa Antártica.

A cordilheira dos Andes abriga grandes depósitos de minério, de sal e um pouco de sua dobra oriental oferece quantidades comercialmente exploráveis de hidrocarbonetos. No deserto de Atacama algumas das maiores mineralizações de cobre pórfiro ocorre fazendo do Chile e Peru os primeiro e segundo maiores exportadores de cobre do mundo.  O cobre pórfiro nas encostas ocidentais dos Andes foi gerado por fluídos hidrotermais (principalmente água) durante o resfriamento dos sistemas vulcânicos.

O clima seco nos Andes central e ocidental também contribuiu para à criação de depósitos de salitre que foram amplamente extraídos até a invenção de nitratos sintéticos. Outro resultado do clima seco são os salares de Atacama e Uyuni. Atacama é a maior fonte de lítio e a segunda maior reserva mundial do elemento. No início do Mesozóico e Neogene formou-se os depósitos de elementos muito importantes, especialmente na Cordilheira Central da Bolívia, onde se criou o cinto de estanho boliviano, bem famoso por ter se esgotado recentemente.

A Flora e Fauna andina

A região andina corta várias regiões naturais com conjuntos florísticos e faunisticos muitas vezes restritos. Ele é fortemente influenciado pelo Caribe, Venezuela, ventoso umidos vindos do Cabo da Tierra del Fuego, pelo deserto do Atacama. Florestas tropicais umidas cercam a maior parte dos Andes ao norte, mas estão agora grandemente diminuído, especialmente nos vales Chocó e inter-andinos da Colômbia. No lado oposto das porções úmidas estão as encostas secas na maior parte ocidental do Peru Chile e Argentina.

Juntamente com vários vales inter-andinos encontramos uma vegetação tipicamente dominada por uma floresta de folha caducifólia (também chama de decídua, pois as plantas em certa estação do ano perdem suas folhas) geralmente nos meses mais frios), arbustos e vegetação xérica (formada por plantas espinhosas, suculentas, com acentuado aspecto tropofítico, dada sua caracteristica caducifólia), chegando ao extremo nas encostas perto do deserto de Atacama praticamente sem vida.

Cerca de 30 mil espécies de plantas vasculares vivem nos Andes, sendo cerca de metade delas endêmicas para a região, superando a diversidade de qualquer outro hotspot (Tropical Andes). A árvore Cinchona pubescens é uma fonte de quinino, usado para tratar a malária e encontra-se amplamente distribuida nos Andes até o sul da Bolívia. Outras culturas importantes que se originaram a partir do Andes são o tabaco e batatas. A alta altitude de florestas e bosques de Polylepis são encontrados nas áreas andinas da Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Chile. Estas árvores, são vistas encontradas pelas populações tradicionais até a 4.500m de altitude. Ainda não está claro se a distribuição desigual dessas florestas e bosques é natural, ou o resultado de compensação que começou durante o período inca. Independentemente disso, nos tempos modernos, a remoção da vegetação tem se acelerado, e as árvores estão agora considerado altamente ameaçadas de extinção (Plants of the Andes, 2007).

O Andes tem uma rica fauna, com cerca de 3.500 espécies catalogadas pela ciência. Cerca de 2/3 são endêmicas da região, a Cordilheira dos Andes é uma das regiões mais importantes do mundo para anfíbios, contém quase 600 espécies de mamíferos (13% endêmicas), 1.700 espécies de aves (1/3 endêmica), 600 espécies de répteis (45% endêmicas), e cerca de 400 espécies de peixes (1/3 endêmica) (Tropical Andes).

A vicunha e guanaco podem ser encontrados vivendo no Altiplano, enquanto a lhama e a alpaca são intimamente relacionadas e amplamente mantidas pelos habitantes locais como animais domésticos para transporte de carga, consumo de carne e lã.

As chinchilas tem habitos crepusculares e habitam essas regiões. O condor andino, é a maior ave da porção Ocidental ocorre em grande parte da Cordilheira dos Andes, mas geralmente em densidades muito baixas. Outros animais são encontrados em habitats abertos dos Andes, como o huemul (Hippocamelus bisulcus),  puma, raposas no gênero Pseudalopex. Também há aves locais, como o nambu (Nothoprocta), ganso andino, galeirão gigante, flamingos (no lagos hipersalinos), Rhea, tarambola, mineiros, Sierra-tentilhões e Diuca-tentilhões.

O Lago Titicaca abriga várias espécies endêmicas, algumas altamente ameaçadas de extinção como o Grebe do Titicaca o Sapo de Titicaca. Algumas espécies de beija-flores, nomeadamente alguns do gênero Urochroa, que ocorre em altitudes acima de 4.000m. Outros beija-fores podem ser encontrados em altitudes mais baixas, especialmente nas florestas úmidas andinos que crescem nas encostas da Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Argentina. Estes tipos de floresta inclui o Yungas, que é um trecho de floresta ao longo da vertente oriental da Cordilheira dos Andes do Peru, Bolívia e norte da Argentina. São florestas muito ricas em flora e fauna.

Aves de florestas úmidas andinos incluem alguns tipos de tucanos, quetzales e o Galo-da-rocha-andino, com bandos mistos dominados por tanagers, furnariids, carriças, tapaculos e antpittas.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Chile, Santiago, Cordilheiras, Andes, Fauna

Referências

Instituto Nacional de Estatísticas do Chile (INE) – Chile: Ciudades, Pueblos, Aldeas y Caseríos (2005)
Andean Summits. Geological history of the Andes.
Tropical Andes – biodiversityhotspots.org
“Plants of the Andes”. Archived from the original on 15 December 2007. Retrieved 2007-12-09.

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