ESPIRITISMO E CRIACIONISMO – DUAS PSEUDOCIÊNCIAS QUE NÃO SABEM NADA SOBRE EVOLUÇÃO BIOLÓGICA.

Poucas foram às oportunidades em que duas pseudociências puderam ter argumentos desconstruídos em um único texto e ao mesmo tempo serem vistas de modo igualitário. Apesar de serem teologicamente distintas, aqui, se juntam de modo a contemplar um ponto em comum; ambas apresentam os mesmos elementos pseudocientíficos de tal forma que para cada conjunto identitário que classifica uma, a outra apresenta elementos análogos.

Sem títuloUma das maiores descontextualizações que ocorre quando grupos religiosos se propõem a falar de ciência, é a respeito do posicionamento pessoal de Darwin sobre aspectos sociais.

Aqui pretendo desmembrar certos discursos relacionados á questão racial que foram atribuídos a biologia evolutiva. Estes discursos foram apresentados por grupos religiosos com a finalidade de atribuir valores racistas a ideias científicas e deturpações a respeito de outras doutrinas alheias. Ou seja, abordaremos a crítica criacionista ao espiritismo, e abordaremos o criacionismo como crítico do espiritismo a luz dos fatos históricos de ambas as doutrinas.

Certos grupos religiosos descontextualizam a posição pessoal de Darwin em benefício próprio, para justificar uma falsa afirmação racista. Porém, não fazem somente isto; descontextualizam também importantes conceitos da evolução biológica, como chamar de saltacionismo a evolução biológica. Se isto não for uma forma de descontextualização, certamente se encaixa em analfabetismo científico por não conhecer conceitos básicos de biologia, ou daquilo que pretende-se discutir em ciência em geral.

Fanáticos religiosos eventualmente usam a falsificação de Piltdown para justificar uma suposta refutação a teoria da evolução desconsiderando o fato de que tal episódio foi orquestrado por Pierre Teilhard de Chardin. Também não citam que o “Homem de Nebraska” sempre foi visto com ceticismo pelos paleontólogos, e que estes refutaram tal fóssil, demonstrando o poder “auto-corretivo” da ciência através de seus consecutivos paradigmas. Isso sem contar aspectos ligados a outras teorias da biologia, como a Biopoese, na qual comumente (e erroneamente) é vista pela pseudociência como sinônimo de geração espontânea.

O criacionista (literalista na qual defende um posicionamento “científico” da bíblia) hoje é visto como a pessoa que não sabe quase nada sobre aquilo na qual crítica e sabe menos sobre aquilo na qual ele acredita. Então aqui vamos fazer duas abordagens desmistificadoras. A primeira refere-se á afirmação de que Darwin era racista; e a segunda é a relação do espiritismo com fundado sobre as bases da teoria da evolução de Darwin, fomentando uma justificativa racista.

Para desmistificar certas atribuições feitas a boca de Darwin vamos citar um trecho de seu livro “The Descent of Man” (A descendência do Homem) na qual ele trata de discorrer sobre o conflito entre o que ele chamou de raças civilizadas e as raças selvagens.

As palavras de Darwin são:

“At some future period, not very distant as measured by centuries, the civilised races of man will almost certainly exterminate and replace throughout the world the savage races. At the same time the anthropomorphous apes, as Professor Schaaffhausen has remarked, will no doubt be exterminated. The break will then be rendered wider, for it will intervene between man in a more civilised state as we may hope, than the Caucasian and some ape as low as a baboon, instead of as at present between the negro or Australian and the gorilla.”

“Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem vão certamente exterminar e substituir as raças selvagens em todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos… serão sem dúvida exterminados. A distância entre o homem e seus parceiros inferiores será maior, pois mediará entre o homem num estado ainda mais civilizado, esperamos, do que o caucasiano, e algum macaco tão baixo quanto o babuíno, em vez de, como agora, entre o negro ou o australiano e o gorila.”
(The Descent of Man, p. 178)

O grande equívoco, ou golpe, apresentado pelos anti-evolução está em não citar a frase sob seu contexto completo. Eis aqui o contexto:

“A grande distância na cadeia orgânica entre o homem e seus aliados mais próximos, os quais não podem ser ligados por nenhuma espécie viva ou extinta, tem freqüentemente avançado como uma grave objeção para a ideia de que o homem avançou de espécies inferiores; mas essa objeção não parecem ter tanto peso para aqueles que, por razões gerais, entendem os princípios gerais da evolução. Lacunas sempre ocorrem em todas as partes das séries, algumas sendo largas, vivas e definidas, outras menos, em vários degraus; como nos orangotangos e nossos aliados – entre o Tarsius e outros Lemuridae – entre o elefante e de uma maneira mais radical entre o ornitorrinco e a equidina, e todos os outros mamíferos. Mas essas distâncias dependem somente de quantas espécies se tornaram extintas. Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem vão certamente exterminar e substituir as raças selvagens…”

Isso significa que as palavras de Darwin foram tiradas do contexto. Em momento algum Darwin tenta justificar qualquer relação de superioridade ou inferioridade perante a variedade na espécie humana, ou seja, ele não justifica qualquer forma de racismo. Pelo contrário!

Em seu diário de bordo “Darwin – The Voyage of the Beagle” ele condena a escravidão quando visita o Brasil. Como alguém que condena a escravidão no Brasil tentaria de alguma forma justificar inferioridade racial em sua obra?

Enquanto instalado nesta propriedade, eu estava quase sendo uma testemunha ocular de um desses atos atrozes, que só pode ocorrer em lugar como um país de escravos. Devido a uma discussão e uma ação judicial, o proprietário estava a ponto de tomar todas as mulheres e crianças dos escravos do sexo masculino, e vendê-los separadamente no leilão público no Rio. Lucro, sem qualquer sentimento de compaixão, ninguém impediu esse ato. Na verdade, eu não acredito na desumanidade de separar trinta famílias, que viveram juntas durante muitos anos, e o mesmo ocorreu para o proprietário. No entanto, vou testemunhar, que na humanidade e na boa sensação de que ele era superior aos homens comuns. Pode-se dizer que há limite para a cegueira de interesse e hábito egoísta. Posso mencionar uma anedota muito insignificante, que na época me pareceu mais força do que qualquer história de crueldade. Eu estava atravessando uma balsa com um negro, que era extraordinariamente tolo. No esforço para fazê-lo entender, eu falei alto, e fiz sinais, passando a mão perto de seu rosto. Ele, eu suponho, pensou que eu estava com raiva, e estava indo atingi-lo; instantaneamente, com um olhar assustado e olhos meio fechados, ele deixou cair as mãos. Nunca vou esquecer meus sentimentos de surpresa, nojo e vergonha, ao ver um grande homem poderoso com medo e até mesmo se afastar de um golpe, dirigido, como ele pensou que iria ser, ao seu rosto. Este homem tinha sido treinado para uma degradação mais baixa do que a escravidão dos animais mais desamparados.
“Enquanto instalado nesta propriedade, eu estava quase sendo uma testemunha ocular de um desses atos atrozes, que só pode ocorrer em lugar como um país de escravos. Devido a uma discussão e uma ação judicial, o proprietário estava a ponto de tomar todas as mulheres e crianças dos escravos do sexo masculino, e vendê-los separadamente no leilão público no Rio. Lucro, sem qualquer sentimento de compaixão, ninguém impediu esse ato. Na verdade, eu não acredito na desumanidade de separar trinta famílias, que viveram juntas durante muitos anos, e o mesmo ocorreu para o proprietário. No entanto, vou testemunhar, que na humanidade e na boa sensação de que ele era superior aos homens comuns. Pode-se dizer que há limite para a cegueira de interesse e hábito egoísta. Posso mencionar uma anedota muito insignificante, que na época me pareceu mais força do que qualquer história de crueldade. Eu estava atravessando uma balsa com um negro, que era extraordinariamente tolo. No esforço para fazê-lo entender, eu falei alto, e fiz sinais, passando a mão perto de seu rosto. Ele, eu suponho, pensou que eu estava com raiva, e estava indo atingi-lo; instantaneamente, com um olhar assustado e olhos meio fechados, ele deixou cair as mãos. Nunca vou esquecer meus sentimentos de surpresa, nojo e vergonha, ao ver um grande homem poderoso com medo e até mesmo se afastar de um golpe, dirigido, como ele pensou que iria ser, ao seu rosto. Este homem tinha sido treinado para uma degradação mais baixa do que a escravidão dos animais mais desamparados”.

Darwin contribuiu para o trabalho missionário para melhorar as condições dos nativos da Tierra del Fuegans. No contexto, o que Darwin diz esta de pleno acordo com o que afirmava o professor Schaaffhausen; de que em todo o mundo os macacos antropomorfos serão sem dúvidas exterminados. A distância entre o homem e seus parceiros inferiores (animais, em especial outros primatas) será maior, pois mediará entre o homem em um estado ainda mais civilizado, e algum macaco tão baixo quanto o babuíno, em vez de, como agora, entre o negro ou o australiano e o gorila.

Este é um comentário que culmina exatamente no posicionamento muito comum entre os criacionistas que sempre perguntam “se o homem descende dos chimpanzés, porque ainda existem chimpanzés?”. Comentário este que é comum vindo de algum leigo no assunto que pensa na evolução como algo linear. Tal concepção foi destrinchada pelo editor chefe da Revista Nature (Henry Gee) após ter suas afirmações igualmente distorcidas por criacionistas (Veja aqui).

Em seu texto, Darwin está fazendo um comentário científico sobre a realidade do futuro de certas espécies, especificamente do homem e por que ainda deveriam existir espécies distintas se todos evoluíram de um mesmo ancestral. A sua resposta é dada pela competição entre as formas que ganham pequenas vantagens sobre as outras, que tendem a ser eliminadas naturalmente, dando origem a lacunas entre as formas remanescentes, que tendem a aumentar com o tempo. Isso está relatado no próprio título da maior obra de Darwin, “A origem das espécies” no seu nome completo é “On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life” (Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida). A “preservação de raças” trata-se não no sentido de conceito de raça estabelecido pela sociedade para justificar superioridades e inferioridades, mas na diversidade de espécies com suas variações ecotípicas, ecológicas ou geográficas. É este o conceito de raça; variedades de formas de vida em competição, que Darwin usa.

A descontextualização das ideias de Darwin para um contexto social não tem qualquer respaldo acadêmico que justifique racismo, preconceitos ou pré-julgamentos como fizeram os proponentes da pseudociência eugenista ou do darwinismo social. Essas foram descontextualizações tomadas como princípios para justificar o injustificável. A ciência explica fenômenos e não justifica ideologias. Mesmo se houvesse qualquer constatação de aspectos desiguais entre indivíduos não se justificaria qualquer posicionamento racista ou preconceituoso na tentativa de inferiorizar o próximo, pois isto diluiria as especificidades da natureza humana a uma natureza genérica. E isto merece uma explicação á altura!

Os criacionistas sempre puxam as ideias do Darwin para fora do contexto, tentando atribuir valores morais á aspectos científicos mesmo quando os cientistas deixam claro que as alegações científicas explicam fenômenos naturais e não justificam os atos das pessoas. Dizer que as ideias de Darwin fundamentam comportamentos imorais é um equivoco triplo.

Primeiro porque finaliza-se em diluir a especificidade da natureza humana a uma natureza genérica, desconsiderando o fato de que somos natureza com atributos próprios que nos definem como espécie (cultura, trabalho, história e etc). Segundo, acaba forçando o ideológico discurso de orientação liberal de que é natural para a evolução a eliminação dos mais fracos, ou seja, que é eticamente válido a desigualdade socioeconômica e a miséria (Loureiro, 2004). Isto não tem qualquer respaldo científico. A falácia do naturalista e a falácia moralista representam parte deste argumento falho. No vídeo abaixo ela é desconstruída de modo brilhante pelo paleontólogo Pirulla.

Geralmente os criacionistas não entendem o que Darwin disse com “evolução por seleção natural” puxando suas alegações para um discurso anti-ético e descontextualizado-o. O terceiro ponto é aquele que ignora o contexto histórico em que Darwin formula os paradigmas dominantes, naquele momento de expansão do capitalismo, cultura europeia como a única válida e de afirmação das abordagens positivistas cartesianas. A distorcida biologização da política e politização da biologia no nazismo, num uso tendencioso da antropologia para justificar a existências de raças ou de desigualdades e miséria (Loureiro, 2004).

Ainda sim, durante o debate sempre há criacionistas afirmando que a eugenia fomentou as ideias de Darwin quando na verdade tal idealização foi um termo criado posteriormente as ideias de Darwin, e posteriormente a sua morte. Historicamente fica claro que houve uso descontextualizado da ciência para fomentar tais atrocidades.

Outra questão sobre a citação de Darwin no seu livro “A descendência do Homem”, ele refere-se a “raças civilizadas” como a cultura europeia, e a “selvagens” e “negros” sobre o que atualmente chamamos de aborígines, pois esse era o termo usado na época sem conotação pejorativa. Além disto, nesta citação de Darwin exposta acima, mostra que previu corretamente o que estaria por vir ao dizer que “raças civilizadas do homem vão certamente exterminar e substituir as raças selvagens em todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos… serão sem dúvida exterminados”.

Várias espécies de gorilas e outros primatas estão em fase de extinção ou de desapropriação por causa da expansão humana (desmatamento), globalização e as culturas aborígines africanas (que de certa forma são realmente menos avançadas que as europeias) estão desaparecendo, descaracterizadas culturalmente e sendo absorvidas pela cultura ocidental, ou dizimadas em guerras civis.

Portanto, quando alguém disser que Darwin era racista, ou que justificou preconceitos com base científica, esteja ciente que estão mentindo. O posicionamento de Darwin foi genuinamente científico, e como pessoa jamais foi defensor de estratificação social. Tenha conhecimento de que pessoas mal intencionadas estão defendendo causa própria e para isto, estão se valendo de mentiras, golpes e descontextualizações.

A outra acusação feita com base no uso das ideias de Darwin refere-se a doutrina espírita de Allan Kardec, e a afirmação de que ele seria evolucionista e teria usado tal teoria para justificar um suposto racismo.

O espiritismo é considerado uma pseudociência e tal classificação tem mérito na incapacidade de demonstrar aspectos ligados á reencarnação ou a questão espiritual segundo o método científico. O espiritismo se apresenta como uma abordagem ontológica, onde trata de questões “científicas”-espirituais-filosóficas. Não é ciência, pois não preenche aspectos básicos do método cientifico; e também não é filosofia, pois ao estabelecer para onde o “eu” se desloca após a morte refere-se a uma concepção religiosa (razão pela qual o budismo é considerado religião, embora inicialmente a sua construção por Sidartha Gautama não se aproximasse de qualquer concepção de transcendência após a morte) (Masquelier, 2015). Uma das formas de descobrir se uma determinada afirmativa é religiosa, ou não, refere-se ao que acontece após a morte. Se há uma descrição de um plano pós-mortem, então é uma concepção religiosa.

A questão é; de onde surgiu a concepção “científica” do espiritismo?

Ela surge do contexto histórico no qual as bases desta religião foram criadas. O espiritismo se fundamenta em cinco obras, que juntas formam a Codificação Espírita. Elas foram elaboradas através da observação de fenômenos que para Kardec eram manifestações de inteligências incorpóreas ou imateriais, que ele chamou de espíritos.

A proposta de Kardec sempre foi criar algum tipo de suporte à espiritualidade humana em um momento histórico em que a ciência avançava em produção de conhecimento, muito mais que as religiões. Kardec criou um novo modo de unir o mundo real (com a ascendência da ciência) e a decadência da religião, a partir da análise de discursos de ocorrências mediúnicas da Europa e Estados Unidos, compilando-os em uma forma de prática e ensinamentos (Alvarado et al, 2007) Kardec tentou fazer uso de práticas empíricas da ciência para extrair desses diálogos mediúnicos consequências ético-morais úteis ao ser humano e sua evolução. Disto, ele criou a doutrina espírita em 1857, e publicação do “O Livro dos Espíritos”.

A investigação científica dos fatos e causas dos fenômenos mediúnicos é objeto de intenso estudo, principalmente pela pseudociência da parapsicologia, tal como ocorre na criação literal de gêneses que é informalmente afirmada pelo criacionismo. E da mesma forma que práticas como a psicografia, psicometria, psicofonia ou medicina espiritual (e tantas outras) foram criadas pelos espíritas, os criacionistas desenvolveram também suas práticas para justificar sua devida fundamentação teológica fanática usando a baraminologia, design inteligente, mito da arca de Noé, entropia genética, terra plana (em alguns casos), terra jovem e conspiracionismo acadêmico evolucionista/ateísta.

Allan Kardec tentou incorporar o método científico em sua metodologia ao fundar o espiritismo, mas não se restringiu a ciência, criando uma abordagem ontológica sobre a questão religiosa e uma base filosófica. Por não conseguir suportar a concepção científica (e também filosófica) é classificado como uma pseudociência ou superstição (Buckingham et al, 2011), tal qual é o criacionismo, embora este último não tenha, nem mesmo, uma abordagem ontológica.

Mesmo não considerados ciência em sentido estrito, justamente por serem sustentados também por pilares religiosos, os fenômenos defendidos por eles foram e ainda são, contudo, assegurados por membros que alegam ter evidências espíritas ou de criação divina proposital inteligente com desígnios específicos.

A necessidade de citar a história do espiritismo se faz necessária porque grupos criacionistas que tentam criar uma ponte entre espiritismo e evolução biológica dizendo que tal concepção religiosa justifica o racismo com base na teoria da evolução. Uma delas foi expressa recentemente em um debate. Segundo o autor:

Sem título

Evolução espiritual e não biológica

Esta afirmação apresentada em um debate por um criacionista foi criada por Orlando Fedeli, um historiador católico fundador de uma associação católica tradicionalista na qual é muito criticada pela Igreja Católica devido a suas posturas radicais.

O problema desta afirmação de Kardec, é que ela não se fundamenta na biologia evolutiva. A concepção de evolução dada pelo espiritismo refere-se á questão do espírito e não a biologia. Biologia evolutiva trata do nível da espécie e dos indivíduos que sobrevivem na competição. Estes, passam suas características as gerações seguintes; é a evolução por seleção natural.

A argumentação de Allan Kardec não tem ligação com a biologia evolutiva por dois motivos. Primeiro porque refere-se a uma concepção de evolução espiritual; Segundo porque a concepção progressista do argumento não é correspondente a evolução biológica.

A evolução espiritual não tem nenhuma base empírica ou da biologia evolutiva já que esta última não trata de aspectos espirituais ou sobrenaturais. Evolução biológica trata de descendência com modificação.

A evolução do espírito tem um significado distinto ao de evolução biológica, e ambas não se relacionam. Razão pela qual, tal concepção é apresentada como progressista no texto de Kardec.

A afirmação de que os “recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a terra” demonstra claramente uma concepção religiosa e, portanto, não é científica ou biológica.

E ainda, ao declarar que “tornam mais sensíveis á diferença de progresso” demonstra uma concepção errada de evolução (caso fosse um contexto biológico) que não condiz com o que preconiza teoria da evolutiva.

Claro, o texto ainda apresenta uma contextualização a respeito da criação, onde destaca que os “animais selvagens mal se distinguiriam dos macacos, chineses ou europeus civilizados”. Neste ponto ele declara a impossibilidade de atribuir que todos esses grupos foram criados em um mesmo momento. Além de não deixar claro qual o significado de “criação”, que pode muito bem ser divina, e portanto, religiosa. Em citações posterores Kardec deixa a entender exatamente esta concepção.

Desta forma, de acordo Kardec, não é possível atribuir um mesmo momento de criação a todos esses grupos. Demonstrando que tal contexto não trata da questão evolutiva e sim da criação desses grupos e sua inteligência bem como a sua sensibilidade ao progresso, que é claramente espiritual.

O que Kardec tenta relacionar a evolução biológica é que o progresso da inteligência ocorreu mais em algumas raças do que outras e que isto afetou a sensibilidade espiritual ao progresso.

O problema é que a evolução nunca justificou que há superioridades raciais, mesmo porque a estruturação de raças dada por Darwin não refere-se a diferenças de inteligência, e sim a variações regionais de acordo com as pressões seletivas onde os diversos povos humanos colonizaram. Se Kardec faz uma citação racista, não é com base na teoria da evolução.

Não há relação alguma entre inteligência progressiva (pela própria concepção de progressividade) e de espiritualidade. Portanto, se a condição que Kardec tenta apresentar é de distinção racial com base nas diferenças intelectuais como resultado de processos evolutivos, ele não tem respaldo científico. Esta concepção é religiosa e não científica.

Infelizmente o contexto completo não é citado nem por Orlando nem pelo criacionista que citou Kardec, mas um segundo trecho de Orlando Fedeli nos é oferecido:

Allan Kardec foi de fato um racista grosseiro e bruto, acrescentando ao evolucionismo darwiniano a sua doutrina gnóstica, muito mal aprendida e pior explicada. Seus textos indicam um homem cheio de contradições e de baixo nível intelectual.

Quero citar dele novos textos, comprovantes desse evolucionismo bruto e grosseiro do espiritismo kardecista.

No mesmo livro A Gênese, que já mencionei, se pode ler o seguinte:

“Esses Espíritos dos selvagens, entretanto pertencem à humanidade; atingirão um dia o nível de seus irmãos mais velhos, mas certamente isso não se dará no corpo da mesma raça física, impróprio a certo desenvolvimento intelectual e moral. Quando o instrumento não estiver mais em relação ao desenvolvimento, emigrarão de tal ambiente para se encarnar num grau superior, e assim por diante, até que hajam conquistado todos os graus terrestres, depois do que deixarão a Terra para passar a mundos mais e mais adiantados” (Revue Spirite, abril de 1863, pág. 97: Perfectibilidade da raça negra, in Allan Kardec, A Gênese, Lake _ Livraria Allan Kardec editora, São Paulo, p. 187. O negrito é do original e o sublinhado é meu).

Primeiramente, é válido ressaltar que Kardec não acrescenta a evolução biológica uma doutrina gnóstica (trecho sublinhado). É o exato oposto; Kardec tenta introduzir ao seu conteúdo doutrinário espírita uma concepção de evolução, mas que em nada tem a ver com a evolução biológica. Esta inversão de valores apresentada por Orlando é errada, mas importante, pois ressalta claramente que a ciência da biologia evolutiva até os dias de hoje nega qualquer componente religioso em seu conteúdo. Isto quer dizer que qualquer introdução de elementos religiosos ou sobrenaturais é feita por proponentes que ora não entendem o significa da evolução biológica, ora fazem tal introdução de modo a sustentar concepções pessoais; como fizeram no caso da evolução espiritual ou faz o criacionismo.

Curiosamente, hoje a mecânica quântica sofre com as mesmas falácias que tem corrompido o nome desta genuína ciência, feita por certos grupos que tentam justificar posicionamentos religiosos que não condizem com o campo de atuação da física de partículas. A ideia de saúde quântica, espiritualidade quântica e tudo aquilo que foge do campo da física é terminantemente rejeitado pelos físicos e considerado charlatanismo. Assim, qualquer componente adicional que sustente uma visão religiosa é rejeitado pelo fato da ciência não ser um campo competente para solucionar questões da alma, do espírito, transcendência da morte ou de Deus. A ciência por ser empírica restringe-se ao campo do observável e estes elementos do espiritismo e do criacionismo não são.

Na citação de Kardec que Orlando faz, destaca-se uma concepção espiritual de evolução e não biológica. No contexto, Kardec traz a noção de que o espírito dos selvagens atingirão um nível mais alto de desenvolvimento intelectual e moral, mas não pelo corpo físico.

A justificativa pode ser sim considerada preconceituosa – ainda que o momento histórico em que foi cunhado precise ser considerado – mas não corresponde a uma prerrogativa biológica e tão pouco científica. O texto refere-se a um processo de edificação estritamente espiritual dentro dos limites de uma doutrina religiosa e não científica.

A afirmativa de que há grupo de pessoas intelectualmente inferiores não tem apoio científico. Razão pela qual as afirmativas tiradas da frenologia (ou frenologia espiritista no caso do kardecismo), eugenia e darwinismo social foram claramente consideradas pseudociências sem respaldo acadêmico e com metodologias e constatações forjadas em erros e alterações metodológicas como ressalta Stephen Jay Gould em A falsa medida do Homem. Outras noções, como a das recapitulações filogenéticas durante a ontogenia foram refutadas.

Para piorar a situação, Orlando não cita o primeiro parágrafo do texto “Perfectibilidade da raça negra” de Kardec onde ele deixa claro que se o negro é inferior, esta criação seria de Deus, e portanto, não justificável por um posicionamento biológico ou científico, mas estritamente religioso, e em nome de Deus.

Consultando a fonte de Kardec, ele cita no primeiro parágrafo:

“A raça negra é perfectível? Segundo algumas pessoas, esta questão é julgada e resolvida negativamente. Se assim é, e se esta raça é votada por Deus a uma eterna inferioridade, segue-se que é inútil nos preocuparmos com ela e que devemos nos limitar a fazer do negro uma espécie de animal doméstico, preparado para a cultura do açúcar e do algodão. Entretanto a Humanidade, tanto quanto o interesse social, requer um exame mais cuidadoso”.

Perfectibilidade da raça negra. Pag-141

Nas partes decorrentes do livro Kardec faz uma análise de tal premissa sob a luz da frenologia, que era comum em sua época.

“A frenologia nos servirá de ponto de partida. Exporemos sumariamente as suas bases fundamentais para melhor compreensão do assunto”.

Perfectibilidade da raça negra. Pag-141

O discurso de Kardec se apresenta de modo a ver o negro como inferior, com justificativas religiosas:

“Assim, como organização física, os negros serão sempre os mesmos; como Espíritos, trata-se, sem dúvida, de uma raça inferior23, isto é, primitiva; são verdadeiras crianças às quais muito pouco se pode ensinar. Mas, por meio de cuidados inteligentes é sempre possível modificar certos hábitos, certas tendências, o que já constitui um progresso que levarão para outra existência e que lhes permitirá, mais tarde, tomar um envoltório em melhores condições.”

Perfectibilidade da raça negra. Pag-150-151

No texto citado acima, não há qualquer ocorrência sobre isto ser biologicamente justificável. A única citação da palavra “evolução” que se apresenta no texto se dá em uma nota de rodapé da revista onde ratifica que Kardec estava descrevendo sobre a evolução espiritual.

Nota de rodapé

Nota de rodapé

Evolução espiritual é uma condição teológica, esotérica e/ou espiritual de que a natureza e os seres humanos ou a cultura humana evoluem espiritualmente. Portanto, em nada tem a ver com evolução biológica. Essa ideia de evolução se faz mais presente no espiritismo de dissidência do Roustainguismo. Essa doutrina da reencarnação afirma que o espírito somente reencarna no reino hominal (humanidade), após sua evolução pelos reinos mineral, vegetal e animal, para os quais não retornará mais. Existem diversas concepções de evolução espiritual, abordando discursos tanto cosmológicos (em um aspecto global), individual, idealista (onde a realidade é essencialmente mental ou espiritual) ou não-dual. Curiosamente, dentre tantos gurus defensores da concepção espiritista esta Pierre Teilhard de Chardin, padre jesuíta defensor do criacionismo, que era considerado um místico e que foi a cabeça que engendrou a falsificação do Homem de Piltdown.

Desta forma, esta citação onde Orlando diz que Kardec se fundamenta na evolução biológica é falsa. Kardec se respalda em um conteúdo claramente religioso. Assim como se fundamentou o criacionista Louis Agassiz ao defender a conceito de poligenia; ou seja, um casal Adão e Eva branco e um casal Adão e Eva negro.

O criacionismo também já defendeu um conceito pseudocientífico para justificar uma distinção racial. Louis Agassiz era um naturalista criacionista e defensor de uma concepção separatista entre as raças humanas. De acordo com Stephen Jay Gould em seu livro “A falsa medida do Homem” Agassiz disse:

Citações racista do criacionista Louis Agassiz feitas no livro deStephen Jay Gould "A Falsa medida do Homem".

Citações racista do criacionista Louis Agassiz no livro de Stephen Jay Gould “A Falsa medida do Homem”.

E por fim, em uma última citação de Orlando Fedeli:

Vimos já várias citações escandalosamente racistas de Allan Kardec, frutos de sua doutrina caudatária do evolucionismo darwinista.

Hoje, queremos apresentar mais um texto desse autor, que, embora tendo baixíssimo nível intelectual, vem causando muito mal, particularmente no Brasil.

Na obra intitulada O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta:

 

“6 –Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomarmos uma criança hotentote recém nascida e a educarmos nas melhores escolas, fareis dela, um dia, um Laplace ou um Newton?” (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Instituto de Difusão Espírita, Araras, São Paulo, sem data, capítulo V, p. 126).

 

“Em relação à sexta questão, dir-se-á, sem dúvida, que o Hotentote é de uma raça inferior; então, perguntaremos se o Hotentote é um homem ou não. Se é um homem, por que Deus o fez, e à sua raça, deserdado dos privilégios concedidos à raça caucásica? Se não é um homem, porque procurar fazê-lo cristão ?” (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Instituto de Difusão Espírita, Araras, São Paulo, sem data, capítulo V, p. 127).

 Ao contrário do que cita Orlando, notamos que as citações racistas de Kardec refletem o contexto histórico na qual ele viveu (não que isto seja justificável), e obviamente, que tal concepção não tinha base científica e não emerge como fruto de uma concepção darwiniana.

Nesta questão Kardec aborda a concepção de inferioridade de povos Hotentotes, mas questiona a razão pela qual Deus faria-os deste modo.

Note que Kardec assume que tal inferioridade é resultado de uma criação divina. E pior, se não consideramos esses grupos como humanos, porque deveríamos converte-los ao cristianismo? Note que a posição de Kardec não é só de que tal povo inferior, mas é criação divina, e que desconsidera-los humanos torna desnecessário converte-los a concepção religiosa que é referencia de Kardec; o cristianismo.

Isto ocorre porque o espiritismo se apresenta como uma doutrina embebida no cristianismo. Kardec era francês e o catolicismo era a religião predominante durante a confecção de sua obra (para a tristeza de Fedeli).

A maior evidência disto vem de uma das maiores obras de Kardec “O evangelho segundo o espiritismo” onde os livros canonizados da bíblia são analisados segundo a luz do espiritismo.

Assim, agora só nos resta uma questão; afinal quem são os Hotentotes?

Eles são um grupo muito importante na história da religião no Brasil e, por ironia do destino, se relacionam ao espiritismo não só sob a ótica crítica de Kardec, mas na assimilação religiosa.

Khoisan é a designação de dois grupos étnicos do sudoeste da África que partilham algumas características físicas e linguísticas distintas da maioria Banta do sul da África.

Esses dois grupos são os san (também conhecidos por bosquímanos ou boximanes) formados por caçadores-coletores; e os khoikhoi, que são pastores e que foram chamados hotentotes pelos colonizadores europeus. Aparentemente, estes povos têm uma longa história, estimada em vários milhares (talvez dezenas de milhares) de anos, mas agora estão reduzidas a pequenas populações, localizadas principalmente no deserto do Kalahari, na Namíbia, mas também no Botsuana e em Angola (Godwin, 2001).

Qual a importância deles para nossa nação?

Este grupo veio trazido para o Brasil em forma de escravos, e aqui deram origem ás religiões africanas; o candomblé africano, candomblé indígena e o umbanda. A história destes grupos religiosos se mistura completamente com muitos elementos do catolicismo e do espiritismo.

As nações do Congo, Angola (congo-angolanas) e Cambinda são representantes do grupo dos Bantos. Uma característica dessa cultura africana é que são bastante dialogantes entre si e se fundem culturalmente quando chegam ao Brasil. Por serem uma cultura tão rica apresentam elementos do ioruba nas danças brasileiras, como o samba, capoeira e maculelê.

O candomblé é de origem Banta cujo nome vem da língua quicongo-angola (Ka-n-domb-el-e) e significa “ação de orar” derivado do verbo ku-dom-ba ou kolomba, significando orar, saudar ou invocar. Em muitos aspectos se assemelha a concepção espírita, uma vez que suas divindades chamadas Inquices (nkisi – universo recíproco) retratando o intercâmbio entre o mundo dos vivos e dos mortos, o visível e invisível.

A distância entre a chegada das populações Bantas (século XVI) e sudaneses (século XIX) fez com que o candomblé de origem Banta assimilasse estruturas ritualísticas jeje-nagô e a cosmogonia dos orixas. Razão pela qual a estética dos terreiros de macumba se assemelha aos rituais Bantos até os dias de hoje.

Além disto, o trabalho com ervas foi uma herança indígena onde o candomblé congo-angola assimilou essas praticas e criou a ramificação do candomblé indígena (ou candomblé caboclo), que cultua os antepassados indígenas e que deu origem ao Umbanda no começo da década de 20. Inicialmente chamada de “macumba”, termo muito usado no Nordeste, Rio e São Paulo, hoje este nome perdeu o sentido pejorativo e adotou também princípios da umbanda, religiões africanas, indígena, kardecismo e catolicismo (Silva, 2015).

Isto significa que muitos dos elementos kardecistas foram adotados pelos negros bantas que no Brasil deram origem a diversidade cultural das religiões africanas, e demonstra que elementos do cristianismo foram adotados por estas religiões.

Isto determina uma característica identitária de nossa nação, uma denominação que congrega grupos étnicos distintos, mas que se aproximam pela linguagem, hábitos e por rituais; o que não é muito diferente do que ocorre dentro da religião cristã ou especificamente do criacionismo na qual tendeu a absorver elementos mitológicos de criação da mitologia dos sumérios e mesopotâmica.

Neste sentido, ambos, o criacionismo e o espiritismo se apresentam como pseudociência, enquanto as religiões africanas se apresentam como construções teológicas genuínas, sem precisar se respaldar em qualquer argumentação (em forma de espantalho) pseudocientífica.

Conclusão:

A afirmação de que Darwin era racista não condiz com os elementos citados em seus livros, que faz uma pontuação científica a respeito da origem do homem e da diversidade de formas de vida. O fato de Darwin condenar a escravidão no Brasil, quando visitou o Rio de Janeiro (08-19 de abril de 1832), Salvador (18 de março de 1832) demonstra que ele jamais teve concepções racistas. Não há elementos na obra ou vida de Darwin em que ele demonstre tal concepção. E as pseudociências criadas a partir das distorções de suas ideias hoje estão descartadas do meio acadêmico de tal forma que nenhuma afirmação de cunho preconceituoso quanto a negros, índios, mulheres, homossexuais, asiáticos ou qualquer outro grupo tem respaldo acadêmico.

A alegação de que o espiritismo é fundamentado pela evolução biológica não tem respaldo algum. A concepção espírita é progressista, trata da evolução espiritual e não biológica, de tal modo que é possível afirmar que do ponto de vista científico, Allan Kardec não era evolucionista.

A apresentação dos dados apresentado por Orlando Fedeli demonstra sim uma concepção racista dentro do sistema doutrinário espírita, mas não há elementos que justifiquem uma concepção de evolução biológica, mas sim espiritual e divina. Neste sentido, Orlando Fedeli criou uma argumentação sem qualquer procedência. Como tradicionalista deveria prezar por uma argumentação genuína e não fadada ao fracasso por ser uma falácia do espantalho.

Dentro do contexto na qual o espiritismo e criacionismo se apresentam, ambos carregam o mesmo fardo da pseudocientífica, onde tentam justificar um sistema de crenças sem evidências e apresenta-los como se fosse um fato palpável a luz do método científico. Vale notar que o criacionismo de Louis Agassiz também se apresentou como uma concepção racista. Neste sentido, criacionismo e espiritismo são historicamente e metodologicamente iguais. Isto não significa que os seguidores dessas doutrinas sejam racistas, mas são consumadamente pseudociências.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature Rossetti, Darwin A descendência do Homem, Eugenia, Preconceito, Racismo, Criacionismo.

Referências

Alvarado, C. S.; Machado, F. R.; Zingrone, N. & Zangari, W. (2007). Perspectivas históricas da influência da mediunidade na construção de ideias psicológicas e psiquiátricas. Revista de Psiquiatria Clínica, v. 34, n. 1, p. 42- 53.
Buckingham, Will; et. alli. – O Livro da Filosofia – Editora Globo – São Paulo, SP – 2011 – ISBN: 978-85-250-4986-5
Godwin. P (fevereiro 2001). “Os Deuses devem estar loucos”. National Geographic Brasil (fevereiro 2001) p. 72-80. National Geographic.
Mosquelier, Y. T. A história de Deus –Divindades do Oriente. História viva 2015
Loureiro, Carlos F. Trajetórias e Fundamentos da Educação Ambiental. São Paulo: Cortez, 2004.
Silva, T. H. A história de Deus – As religiões de Axé. História viva 2015
Anúncios

4 thoughts on “ESPIRITISMO E CRIACIONISMO – DUAS PSEUDOCIÊNCIAS QUE NÃO SABEM NADA SOBRE EVOLUÇÃO BIOLÓGICA.

  1. Os acervos eu já escrevi textos sobre isto Ariovaldo. A arte, a ciência filosofia e ciência são modos de construir conhecimento. São bem delimitados, quando a ciência se delimita pela sua competência em construir conhecimento somente sobre aquilo que é empírico, o espiritismo cai por terra quando se apresenta como “ciência” pelo método. Não, você não testa um espírito dentro de um laboratório; Sim, Kardec foi influenciado pelo desenvolvimento da ciência durante a construção de sua linha ontológica; e Não, isto não muda o fato de que espiritismo não é empírico. Ele é no máximo uma postura religiosa, e caso tenha entendido o texto, eu ainda defendo o espiritismo tirando o fardo do argumento racista que foi atribuído ao espiritismo pela época em que Kardec viveu.
    Não se testa em laboratório o potencial de uma reencarnação de um espírito. Qual a frequência e intensidade na qual os espíritos reencarnam. Não mede nada daquilo que se refere a almas ou espíritos ou periespirito e toda aquela postura RELIGIOSA que ele apresenta.
    Acho que quem não entende o que é ciência aqui, é você meu caro. Afinal, quem defende que o espiritismo é ciência, adivinha, são os assumidamente espíritas 😉 com voce!!!
    Note que o que há de filosofia na discussão é referente aos limites epistemológicos do método científico. Ou do acervo da ciência. Quem ultrapassa os limites são aqueles que apresentam uma postura sobrenatural, uma defesa religiosa dentro de um método de outro acervo. E se para você delimitar os acervos pelos seus métodos é asneira filosófica, acho que ficou claro porque você não entende o que é ciência e seus limites.
    ALGUM BIÓLOGO MOSTRE UMA ÚNCIA CONSTATAÇÃO DESSA TAL “SELEÇÃO NATURAL”
    Sugiro consultar um dos 300 mil artigos disponíveis nas revistas científicas que demonstram o potencial da evolução pela seleção natural, ou o próprio livro de Darwin.
    Rejeitar fontes formalizadas é exatamente o que caracteriza a pseudociência Ariovaldo. Veja o criacionismo/DI , os anti-transgênicos, anti-vacinas, anti-fluoretação, negadores das mudanças climáticas….Isto ocorre porque como a pseudociência não consegue consolidar sua afirmativas dentro do que é constatado e não consegue defender isto formalmente porque não se encaixa no método, tende a rejeitar o que é formalmente aceito para facilitar a aceitação de suas premissas. E claro, usar o nome de ciência para criar um falso marketing de verificação e constatação de uma premissa que é meramente religiosa. Sim, religiosa, pois quando se trata de discutir para onde vamos após a morte não é tema da ciência e sim de religião. Ao contrário do que ocorre em ciência, onde tudo é postado em forma de artigos e formalizado com a descrição do método utilizado.
    Rejeitar as fontes formais, chamar os limites de “asneiras filosóficas” é uma forma de negar e não de refutar uma afirmativa científica. Voce tem uma bucha em mãos meu caro, uma serie de artigos que atestam a seleção natural e a evolução. E não é evolução espiritual, isto é biologia e não religião!!!
    Se vc não aceita o conhecimento formalizado isto é problema seu. Não adianta dizer que não aceita, fechar os olhos para não ver ou nega-la ad nausean. Nunca vi alguém refutar uma teoria dizendo que é besteira. Chamar a gravidade de uma teoria imbecil, como fazem os terraplanistas, não refuta Newton.

    Refute-a evolução, atesta empiricamente um espírito, ai sim mudamos o papo.
    Apresente os dados, crie uma teoria melhor. A seleção natural não vai deixar de ser o paradigma vigente porque vc se recusa a ler artigos, ou porque você lê e não concorda.
    Outra característica de uma pessoa que não sabe o que é ciência é exatamente transmigrar conceitos da religião para a ciência. Chamar paradigma de dogma, ou uma constatação empírica de mera crença especulativa é tentar dar o mesmo valor do acervo da religião para a ciência. E eles são epistemologicamente distintos. Mas para você isto pouco importa, afinal, são “asneiras filosóficas”. Certo? 😉
    O importante é colocar os acervos num saco de gato, delinear tudo da mesma forma e apresentar como fato, ops, dogma…..mas se for separar, devemos bater no criacionismo mas nunca no espiritismo, né?
    Desta vez não deu certo, a crítica ao espiritismo precisava ser feita, e ele é categorizado com o criacionismo quando tenta se impor como ciência. Sim, quando se apresenta como componente empírico dentro dos fenômenos espíritas mediúnicos ela se torna sim uma pseudociência, voce aceitando isto ou não. Comparável ao criacionismo.
    Quando ela se comporta como religião, isto é aceitável, tolerável e deve ser respeitado. Quando se apresentar como ciência, ela deve ser criticada até onde os limites permitirem. O fato de eu aceitar e respeitar não significa que eu concorde. A critica vai ser feita na medida em que o espiritismo tentar se apresentar como ciência. Ao contrário de seu discurso, a posição religiosa do espiritismo não é asneira, ainda que eu tenha minhas próprias críticas. E ao que parece, é somente mais uma religião, com uma baita defasagem filosófica e científica.

    Em conclusão
    Para você caro Ariovaldo, não há uma delimitação de onde termina ciência e começa a religião. Para você caro Ariovaldo, delimitar o modo como cada acervo desenvolve seu conhecimento é asneira filosófica. Para você caro Ariovaldo, as fontes bibliográficas e os artigo científicos publicados formalmente são besteirol. E sim, o espiritismo se encontra no mesmo patamar do cristianismo quando tenta tentam provar suas alegações científicamente: PSEUDOCIÊNCIA. E claro, eu sei o que é espiritismo, sei suficientemente mais do que você para aceita-lo como religião e não como ciência (apesar de não ser espírita).
    E em resumo caro Ariovaldo, NÃO SABE O QUE É CIÊNCIA E NEM O ESPIRITISMO QUE VOCE MESMO SEGUE
    Abraço!!!!

  2. Sério q vc acha q não tem prova da seleção natural? kkkkkk Isso prova uma coisa, q vc nem sabe o q é seleção natural, ou saberia q observa ela diariamente rs….
    Sempre completos ignorantes em biologia é q negam a evolução. Pq será? rs…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s