NASA CONFIRMA ÁGUA LIQUIDA E SALGADA EM MARTE – IMPLICAÇÕES SOBRE A VIDA.

A National Aeronautics and Space Administration (NASA) publicou um artigo na revista Nature Geosciences intitulado Spectral evidence for hydrated salts in recurring slope lineae on Mars na qual admite que em Marte há não somente água congelada, mas que ela se descongela e cria correntes em sua superfície. Foram encontrados evidências de sais minerais “hidratados”, silicatados que só poderiam se formar na presença de água.  

Delta de rio em Marte

Delta de rio em Marte

Um dos minerais mais encontrados são as hematitas, goetitas (NASA, 2007), jarosita mineral (que só se forma na presença de água ácida)(NASA, 2010),

As evidências mais recentes para a existência de água líquida em Marte vieram da constatação do gesso mineral pela sonda Opportunity Rover de Marte em dezembro de 2011 (NASA, 2011).

Agora sabemos que faixas estreitas de água tende a aparecer derretendo em porções montanhosas nos meses mais “quentes” no planeta, que podem chegar a 23°C negativos; e desaparecer no restante do ano, quando a temperatura cai ainda mais representando o inverno. Isto ocorre porque o sal diminui o ponto de congelamento da água, explicando os riachos sazonais.

Ponto de fusão da água salgada

Ponto de fusão da água salgada. Clique para ampliar

Esta possibilidade já havia sido cogitada e publicada anteriormente em 2011 (veja aqui) e muitas evidências já apontavam para a presença de água no planeta vermelho, como a foto acima na qual demonstra um delta de rio que secou, e provavelmente mantém sua água congelada no interior do solo. Enormes faixas lineares de terra lavada, conhecidas como outflow channels (canais de escoamento), eram cortadas em toda a superfície em mais de 25 lugares diferentes do planeta. Estes canais foram formados pela erosão que ocorreu durante a libertação catastrófica de água a partir dos aquíferos subsuperficiais, embora algumas dessas estruturas também tenham sido propostas para resultar da ação de geleiras (Kerr, 2005 & Jaeger, 2007).

Teoricamente, a água não pode existir em forma liquida na superfície de Marte devido à baixa pressão criada pela atmosférica que é muito fina do que a da Terra (NASA, 2012). Essa possibilidade só ocorreria em baixas elevações e em períodos bem curtos para períodos (NASA, 2010 & Heldmann, 2005). A NASA já havia cogitado a possibilidade de que as duas calotas polares pareciam ser feitas em grande parte de água congelada, criando um permafrost e que o volume de gelo no polo sul, se derretido, seria suficiente para cobrir parte da superfície do planeta (Byrne & Ingersoll, 2003).

Esta capa de gelo seco permanente no polo sul tem pavimentos rasos e poços de circulares que se repetem e se expandem alguns metros por ano marciano. Isso sugere que a cobertura permanente do CO2 sobre a água no polo sul está se degradando ao longo do tempo, passando por períodos de aquecimento global (Malin et al, 2001). A calota polar norte tem um diâmetro de cerca de 1.000 km e contém cerca de 1,6 milhões quilômetros cúbicos de gelo. A calota polar sul tem um diâmetro de 350 km (Phillips, 2007).

Essa confirmação das NASA traz implicações para outra questão igualmente importante, a possibilidade de origem da vida fora da Terra.

De fato, é sabido que Marte teve uma superfície muito semelhante a da Terra durante mais de 1 bilhão de anos. Marte teria sofrido choques de meteoros e consequentemente isso teria aumentado seu poder de gravidade, expulsando a sua fina atmosfera fazendo com que a água se perdesse no solo e congelasse e que perdesse seu campo magnético.

A European Space Agency’s Mars Express encontrou um brilho ultravioleta proveniente formando “guarda-chuvas” magnéticos no hemisfério sul. Como Marte não tem um campo magnético global que orienta partículas carregadas que entram na atmosfera acabou perdendo também parte da dinâmica que permitia a manutenção da temperatura e atmosfera do planeta. Marte tem vários campos magnéticos irregulares em forma de guarda-chuva no hemisfério sul, que são remanescentes de um campo global que decaiu bilhões de anos atrás. No final de dezembro de 2014, a NASA detectou evidências de auroras no hemisfério norte de Marte. As partículas causam uma aurora que penetrou na atmosfera marciana, criando auroras inferiores a 100 km acima da superfície. As auroras da Terra variam de 100 km para 500 km acima da superfície. Esses campos magnéticos irregulares formam uma proteção contra ventos solares sobre Marte. Isso causou a aurora fora dos campos em forma de guarda-chuvas (NASA, 2015). Isso dificulta a existência de vida, ao menos após o período em que Marte perdeu suas características atmosféricas e magnéticas e se tornou frio.

Apesar de dificultar que haja vida em Marte, existe a possibilidade dela surgir em um planeta e migrar para outros planetas.

Existe a possibilidade deste evento ter ocorrido entre Marte e a Terra considerando que o planeta vermelho durante aproximadamente 1 bilhão de anos foi muito semelhante astronomicamente a Terra. Além de deltas de rios, leques aluviais preservados em crateras, trazem evidência de climas mais quentes, com condições mais úmidas em algum intervalo ou intervalos da história Marte (Lewis & Aharonson, 2006).

Este tipo de evento chama-se Panspermia, mas para que ocorra é necessário alguns passos. Geralmente, essa migração ocorre a partir de impactos de corpos celestes. Para que ocorra, o choque do meteoro sobre a superfície planetária não pode destruir o material orgânico, nem o organismo vivo contido naquele material, isso inclui como fatores de risco o calor ou pressão.

Ao se chocar, o meteoro exerce uma pressão sobre um ponto específico do solo do planeta e propaga. Seu impacto faz com que as rochas da superfície sejam ejetadas como uma rocha sobre uma catapulta e então saem da atmosfera planetária em direção ao espaço. Ao entrarem no espaço pode ocorrer vários eventos. Geralmente os materiais mais pesados ou maiores demoram mais para chegar a outro planeta, é o caso do meteorito ALH84001 que vagou pelo espaço durante 11 milhões de anos. Se o material for leve e pequeno como poeira e pequenos fragmentos ele viaja mais rápido, demorando “apenas” 4 milhões de anos, aproximadamente.

Enquanto esses meteoritos vagueiam pelo espaço recebem uma carga de radiação muito alta que pode comprometer o material de sua superfície, ou até mesmo um pequeno trecho da porção interna do meteoro já que muitos comprimentos de radiações (como a Raio Gama) que podem penetrar nesse corpo celeste ou poeira e se espalhar.

Quando o material entra na atmosfera de outro planeta, ele é puxado pela força da gravidade que permite o atrito entre partículas da atmosfera com o meteorito, provocando o aquecimento desse corpo e podendo destruir formas de vida presente nele. Ou seja, as formas de vida que sobrevivem estarão restritas ao núcleo desse meteorito.

Somente desta forma, qualquer material biológico poderia chegar a Terra durante bilhões de anos e podem ter favorecido o planeta água a dar origem as primeiras formas de vida.

Titã e Marte apresentam condições para cogitar que no passado já tenha tido vida.

Não só Marte e Titã, mas Vênus em tese poderia também ter tido vida ainda que precocemente. Europa (nome do quarto maior satélite natural de Júpiter) parece possuir água líquida sob a superfície congelada (Fortes, 2000).

Saiba mais em: GRANDE PARTE DA ÁGUA DA TERRA É MAIS VELHA DO QUE O SOL

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Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, NASA, Marte, Vida, Água

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Referências

Byrne, Shane; Ingersoll, Andrew P. (2003). “A Sublimation Model for Martian South Polar Ice Features”. Science 299 (5609): 1051–1053.

Fortes, A. D. (2000). “Exobiological implications of a possible ammonia-water ocean inside Titan”. Icarus 146 (2): 444–452.

Heldmann, Jennifer L.; et al. (May 7, 2005). “Formation of Martian gullies by the action of liquid water flowing under current Martian environmental conditions” (PDF). Journal of Geophysical Research 110 (E5): Eo5004.

Jaeger, W. L.; et al. (September 21, 2007). “Athabasca Valles, Mars: A Lava-Draped Channel System”. Science 317 (5845): 1709–1711.

Kerr, Richard A. (March 4, 2005). “Ice or Lava Sea on Mars? A Transatlantic Debate Erupts”. Science 307 (5714): 1390–1391.

Lewis, K.W.; Aharonson, O. (2006). “Stratigraphic analysis of the distributary fan in Eberswalde crater using stereo imagery”. Journal of Geophysical Research 111 (E06001).

Malin, M.C.; Caplinger, M.A.; Davis, S.D. (2001). “Observational evidence for an active surface reservoir of solid carbon dioxide on Mars” (PDF). Science 294 (5549): 2146–8.

Phillips, Tony. “Mars is Melting, Science at NASA”. Retrieved February 26, 2007.

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