DEVERÍAMOS SUBESTIMAR OS POVOS DO PALEOLÍTICO?

Existe uma forte tendência em subestimar os povos primitivos de nossa espécie, reduzindo-os a indivíduos ignorantes, desprivilegiados intelectualmente e civilizatoriamente. Esta é uma concepção errada, preconceituosa e nela mora a ignorância. Hoje vamos destacar que povos do passado não eram ignorantes e desenvolveram competências, habilidades e cultura que nos surpreende porque nós a perdemos ao longo de nossa história.

Cultura Lascaux França. Cervideos

Cultura Lascaux França. Cervideos.

A história começa a publicação de um artigo na PLOS (2012), destacando uma análise feita de esculturas e desenhos de animais quadrúpedes, feitos tanto por indivíduos da pré-história tanto quanto as sociedades mais recentes. Foram analisadas mais de mil estatuas e pinturas que retravam a biomecânica desses animais. O estudo concluiu que a taxa de erro sobre a biomecânica de animais quadrúpedes feitas por civilicaçoes pré-Muybridgeanas modernas foi de 83,5%, e que diminuiu para 57,9% após o ano de 1887, no peíodo pós-Muybridgean. Constatou-se que as representações de passeio quadrúpedes pré-históricos teve a menor taxa de erro, cerca de 46,2%. Todas essas diferenças foram estatisticamente significativas. Assim, os homens das cavernas eram mais profundamente conscientes do movimento mais lento de suas presas como ilustrado nas cavernas.

Estas informações constatadas levaram movimentos anti-ciência a alegarem que os povos primitivos não poderiam ser competentes nesse tipo de habilidade. Em linhas gerais, o que transpareceu foi que povos antigos são ignorantes e incultos, e nós, Homo sapiens atuais somos dotados das melhores tecnologias, conhecimento e deveríamos ter uma taxa de erro menor.

Argumentação anti-científica

Argumentação anti-científica. Clique para ampliar

A comparação feita no estudo usa uma pintura da French Cave Lascaux, datada entre 30 e 17 mil anos. Aqui alguns pontos precisam ser considerados. O primeiro é; se o movimento anti-ciência esta aceitando este artigo como algo que se opõem a evolução, eles estão aceitando que a pintura na caverna francesa apresenta uma datação que extrapola o tempo de criação estabelecido pelo movimento criacionista. Eles estão assumindo que a Terra tem mais de 6 mil anos.

Não era surpresa alguma que o Homo sapiens de 30 a 17 mil anos atrás fosse competente, considerando que a partir de 50 mil anos houve um crescimento expressivo na expressão artística, no desenvolvimento de ferramentas mais complexas, aumento expressivo das sociedades e relações sociais mais complexas, domesticação de plantas e animais e desenvolvimento de agricultura. Tudo isto documentado a mais de 12 mil anos.

Este tipo de pensamento parte do pressuposto que se é pré-histórico, Paleolítico, é inferior a nós, quando na verdade, esta premissa é que inferior. É como presumir que nós, atualmente, somos melhores caçadores de búfalos do que o povo que viveu 7, 10 ou 15 mil anos atrás, porque temos rifles, mas é improvável que o autor da falácia acima fosse capaz de capturar um búfalo somente uma lança. Um ataque a um animal como um búfalo exige coordenação de grupo, elaboração complexa de um plano de ataque, ferramentas eficientes. A Arqueologia cognitiva trata de estudar este tipo de construção.

Pinturas da Caverna de Lascaux. A ultima figura representa um Auroque. Clique para ampliar

Pinturas da Caverna de Lascaux. A ultima figura representa um Auroque. Clique para ampliar

A construção de ferramentas exige abstração; exige partir de um imaginário de ferramenta para a construção dela no ambiente físico ou representa-los em forma de símbolos que pode ser armazenado e expresso em comportamentos simbólicos e favorecer mecanismos simples de difusão social (Tattersall, 2007). Isto exige habilidades cognitivas, competências biomecânicas que os primeiros Homo sapiens tinham, já que surge como uma espécie com um potencial cognitivo expressivo. O homem moderno, dito “civilizado”, que vive na cidade grande e usa tecnologia de ponta certamente não teria a mesma competência que os povos do passado e algumas tribos africanas atuais têm, na arte da caça. A caça é um processo e existe ainda hoje em tribos antigas porque foram desenvolvidas e transmitidas culturalmente, o que demonstra a habilidade que povos do passado.

Presumir que os povos do passado eram ignorantes nessas práticas é partir do pressuposto de que nós conseguirmos produir ferramentas líticas melhor que os povos Pelolíticos, ou que podemos navegar no mar melhor que os Vikings porque temos conhecimento astronômico superior graças ao Hubble e o desenvolvimento tecnológico avançado. Porém, só os Vikings (e os Polinésios) usavam cotidianamente as estrelas como referencia para navegar, já que amaior parte de sua vida era vivida em navios. Nós, apesar de mais desenvolvidos tecnologicamente não sabemos mais usar estrelas como referências para navegação. Poucas pessoas hoje sabem usar esta tecnologia. Sem GPS o homem moderno tem dificuldade de navegar. Os Vikings, por outro lado, não tinham GPS, mas navegavam muito bem até em dias de céu nublado com o uso de rochas a base de calcita, com caráter cristalino e pequenas marcas que permitiam fazer o papel de uma bússola usando a sombra como referência (Karlsen, 2003).

É como presumir que os egípcios antigos eram ignorantes e não tinham competências, habilidades manuais e intelectuais em engenharia, portanto, somente um designer inteligente extraterrestre poderia construir tais pirâmides.

Isso não quer dizer que somos inferiores aos povos do passado, mas que o contexto na qual as práticas e as técnicas surgiram são distintos. É inegável que os estudos anatômicos e representações engenheiradas de Da Vinci são melhor do que a de nossos antepassados, pois representam momentos distintos da história de uma mesma espécie. Mas seria injusto eu usar povos de 5 mil anos atrás para defender uma tese que apresenta argumentações sobre povos do Paleolítico da França datados de 30 mil anos. Portanto, o contexto preciso ser dado.

Devemos lembrar que o Homo sapiens emerge com atributos referentes e idiossincráticos á sua espécie, que é caracterizado pelo desenvolvimento de habilidades específicas, e que se pronunciam a partir de 50 mil anos com expressões artísticas referentes a rituais ligados a fertilidade e de sepultamento e desenvolvimento envolvendo pinturas e esculturas. Um abrigo de rochas onde viviam os primeiro Homo sapiens Europeus (Cro-Magnon) em Les Eyzies, foi datado em 40 mil anos e apresentava restos de conchas cauris representando o nascimento de uma criança estava coberto de um pigmento de cor ocre vermelha. Sepultamentos de crianças também foram encontrados neste sítios, com diversos ornamentos. Este tipo de prática estava ligada ao ritual de adoração às estatuetas femininas. Escavações demonstraram que tais estatuetas eram feitas em adoração a deusas como a Vênus ou Juno, encontradas muitas vezes em uma posição central, em oposição aos símbolos masculinos localizados em posições periféricas as estatuetas femininas (Neves et al, 2015).

Instrumentos musicais como flautas datadas de 32 mil anos (Tatersall, 2007), ou como o Mamute de Marfim de Madeleine-Dordogne datado do Paleolítico superior (40-10 mil anos) no sítio arqueológico da Europa são representações complexas, o que é característico de nossa espécie e de um período sabidamente representativo da história de nossa espécie (Neves et al, 2015). Também foram desenhados rinocerontes, cavalos e leões.

Mamute de Marfim de Madeleine-Dordogne datado do Paleolítico superior (40-10 mil anos)

Mamute de Marfim de Madeleine-Dordogne datado do Paleolítico superior (40-10 mil anos). Clique para ampliar

Notamos então, que apesar de não ter conhecimento científico formalizado como se faz hoje na ciência moderna, eles eram capazes e competentes intelectualmente e manualmente de construir ferramentas e adotar procedimentos complexos. A pintura usando ocre (hematita) exige habilidades específicas de manipulação dos materiais que criam o padrão de coloração desejado. E embora não soubesse especificamente sobre o papel do óxido de ferro na formação de seus pigmentos, das concentrações adequadas ou da engenharia de materiais sobre ferramentas, eram capazes de notar que rochas mais duras poderiam ser usadas para moldar rochas mais frágeis. Estes atributos também são encontrados de modo mais rudimentar em outros hominídeos, e até em primatas símios-antropomorfos, bem como macacos que são capazes de desenvolver ferramentas e transmiti-las culturalmente. Orangotangos são capazes de utilizar galhos para criar alavancas e abrir frutas da planta Nessia (van Schaik, 2007). Macacos no Japão aprenderam a usar a água do mar para limpar frutas sujas de areia. Um procedimento estimulado por humanos (na década de 50) que hoje é aprendido e transmitido de modo independente e faz parte da cultura desses macacos japoneses (Neves et al, 2015). Alguns macacos usam rochas para abrir frutas duras.

Chimpanzés tem a capacidade desenvolver e coordenar ataques em bando a monocarvoeiros de forma sofisticada, bem elaborada e orquestrada. Além da habilidade de usar varetas para pescar cupins (De Waal, 2007)

Não é de espantar que povos de 50 ou 70 mil anos tivessem capacidade de idealizar rituais, artes como pinturas, gravuras, esculturas, ornamentação corporal, música, adereços, notação, compreensão ainda que sutil de diversos materiais, sepultamentos adornados, desenvolvimento de decorações feitas com esmeraldas, vestimentas, e chapéus. A noção apresentada no argumento anti-ciência é de um homem pré-histórico ignorante, bestial, animalesco e desumano. Essa noção é completamente contrária aos achados paleoantropológicos, e parece muito mais próxima aquelas vistas em desenhos infantis. É esta noção errada que vamos tratar de desconstruir e reerguer uma a visão segundo as evidências que demonstram um homem pré-histórico cognitivamente apto e criativamente desenvolvido.

O homem no Paleolítico

Há 40 mil anos atrás vestígios culturais da Era do Gelo vários outros adornos culturais começaram a brotar no elenco de comportamentos humanos. Os povos de Ródano tinham expressão musicais e culturais expressivas, além de armamento pesado. Há 43 mil anos, no Quênia, povos usavam facas de obsidianas e raspadores feitos com cascas de ovos de avestruz (Wong, 2007). No sítio de Mladeč, na Oloumouc (República Tcheca), datado em 35 mil anos encontrou-se diversos elementos da cultura local desse grupo (Neves et al, 2015). Uma das evidências mais antigas tentativas de domesticação do lobo pelo homem (embora seja evidente que ela ocorreu várias vezes, em diferentes pontos do planeta em tempos distintos) esta na República Tcheca, no Vale Bečva. Tal domesticação ocorreu há 27 mil anos quando o homem ainda vivia de modo caçador-coletor. Os povos que viveram ali são chamados de gravetianos. Sua dieta era á base de mamutes e muitas omoplatas desses animais foram encontradas; eram usadas na fabricação de abrigos e para cobrir túmulos em rituais ao mortos. Alguns crânios de canídeos foram encontrados e em comparação com o de lobos demonstrou terem focinhos incomuns; mais curtos com caixa craniana mais larga e dentição agrupada. Essas são características comuns a cães em relação a lobos. Alguns desses “lobos” (ou cães) eram mortos e utilizados em rituais, e seus filhotes eram capturados e cuidados para uso em ataque a mamutes. Essa relação inicial entre o lobo e o homem não foi amistosa, e portanto, muitos dos achados feitos na região dos gravetianos apresentavam crânios de lobos com marca de pauladas. Em estudos como este descobriu-se que os cães (Canis familiaris) atuais não são a versão domesticada do lobo (Canis lupus) mas que eles tiveram um ancestral comum ainda a ser descoberto e que permita a datação dessa separação ancestral (Morrell, 2015).

O comportamento do Homo sapiens foi muito próximo ao de sua espécie irmã (Homo neanderthalensis) e de seu possível ancestral, Homo heidelbergensis. O que notamos ao observar os registros antropológicos é que há 50 mil anos atrás uma gama de novos objetos, tecnologia, adereços e manifestações artísticas explodiu em diversidade. Uma abrupta mudança cognitiva culminou em uma revolução criativa no Paleolítico que tornou complexo tanto essas manifestações, quanto as relações sociais. Na beira do Rio Nilo, ao menos 6 culturas complexas distintas surgiram por volta de 50 mil anos; 4 culturas complexas se desenvolveram na França e deram origem as artes da caverna analisada pelo estudo acima (Neves et al, 2015).

Sepultamento ornamentado com 4.903 contas de um Homo sapiens em Sungir (Russia) datado do Paleolítico (26-19 mil anos). Foi encontrado mais de 250 caninos perfurados e a ossada de uma criança com mais de 5.300 contas.

Sepultamento ornamentado com 4.903 contas de um Homo sapiens em Sungir (Russia) datado do Paleolítico (26-19 mil anos). Foi encontrado mais de 250 caninos perfurados e a ossada de uma criança com mais de 5.300 contas. Clique para ampliar

Ferramentas líticas deixaram de ser feitas do modo antigo (Olduvaiense e Acheulense) e deram origem a uma nova metodologia de produção, com um elenco de novas ferramentas, produzidas a partir de laminas transversais e não mais exclusivamente de lascas de rocha. Isso apresentou uma área de corte mais ampla com arestas específicas. O uso do fogo se tornou absoluto, inclusive na manufatura de ferramentas de pedra lascada; como diversos artefatos de argila endurecidos no fogo encontrados em sítios arqueológicos da República Tcheca, Dolní Věstonice, na Morávia, Pavlov e Prědmostí, datados em 27 mil anos. Ferramentas compostas surgiram; este tipo de ferramenta compreende o uso de uma ferramenta lítica, um lâmina, com haste de madeira articulada. Algumas ferramentas compostas tinham sua lança formada por ossos. Na Sibéria, as ferramentas compostas tinham pontas ocas para facilitar o sangramento do animal e evitar que a caça se afaste muito do local onde foi atacada inicialmente. Muitas zarabatanas e lançadores de dardos datados de mais de 20 mil anos foram encontrados no Paleolítico e o uso de recursos marinhos aumentou expressivamente, criando uma engenharia naval específica com o uso de arpões de pesca, arpões serrilhados, anzóis, redes de pesca, linhas e embarcações rudimentares, tal como as que poderiam chegar a Austrália e Nova Guiné (Neves et al, 2015).

Em Les Trois Frères na França esculturas xamanistas foram encontradas, na Alemanha (Hohlenstein) esculturas de pouco mais de 10 centímetros entalhada em Marfim fazem homenagem ao uma entidade, o “homem-leão”. Mesmo na Espanha, 3 mil anos depois das pinturas encontradas na caverna Francesa citadas pelo artigo, já se encontrava banquetes a base de frutos do mar, carne de veados, bisões e cavalos servidos em rituais de adoração a deuses, datados em 14 mil anos (Neves et al, 2015).

Flauta Paleolítica datada de 50 mil anos. Clique para ampliar

Flauta Paleolítica datada de 50 mil anos. Clique para ampliar

Todos estes achados, e tantos outros aqui não citados correspondem a um período entre 50 e 20 mil anos que compreendem culturas complexas e bem instrumentalizadas, com alto poder cognitivo e que antecedem, que se sobrepõem ou que se referem á cultura citada no artigo acima, demonstrando que tais grupos não eram ignorantes e que a visão torpe não se faz presente diante das evidências. De fato, a complexação das sociedades paleolíticas apresenta maior densidade populacional, que pode estar relacionada a planejamento de atividades econômicas evidenciada por uma serie de comparações feitas entre acampamentos Paleolíticos e sociedades caçadoras-coletoras. Regiões com recursos escassos criariam sociedades com grupos de ate 30 indivíduos. Em contrapartida, segundo os achados paleoantropológicos, áreas ricas em recursos poderia criar sociedades com mais de 200 indivíduos (Neves et al, 2015).

Na fileira de cima: Vênus Brassempouy, Vênus de Willendorf e Vênus de Lespugue. Na fikeira de baixo: Cabeça de cavalo de Mas de A´zil e a Hiena Madeleine-Dordogne

Na fileira de cima: Vênus Brassempouy, Vênus de Willendorf e Vênus de Lespugue. Na fileira de baixo: Cabeça de cavalo de Mas de A´zil e a Hiena Madeleine-Dordogne. Clique para ampliar

Entretanto, o que mais impressiona não é essa explosão criativa dada no Paleolítico superior, mas o que antecede-a. A constatação paleoantropológica de culturas complexas muito mais antigas e anteriores a do Paleolítico. Um dos exemplos mais expressivos vem do Pinnacle Point.  Blombos e Pinnacle Point foram 2 sítios paleontropológicos na África do Sul que estão associados a comportamentos simbólicos bem primitivos, pelo menos 40 mil anos anteriores ao Paleolítico. Em Blombos, conchas perfuradas formando colares de contas foram encontrados e datados em 76 mil anos. Em Katanda (República Democrática do Congo) artefatos de pontas de ossos cuidadosamente trabalhados e considerados modernos foram datados em 70 mil anos. A Caverna de Pigeon (Marrocos) apresenta fragmentos de conchas manufaturadas e colares de contas datados em 80 mil anos. Mas os achados mais impressionantes são de Pinnacle Point onde há evidencias de uso de fogo, alimentos de origem marinha, como mariscos, e sociedades que viviam em cavernas datados em 164 mil anos. A coleta de conchas e mariscos das entre-marés exige conhecimento sobre o calendário lunar rústico. Também foram encontrados pigmentos associados a paredes foram encontrados e datados de 160 mil anos. Em Qafzeh (Israel), sepultamentos de adultos cobertos de oferendas e adornos,  e de oferendas com galhada de cervos datam 100 mil anos (Neves et al, 2015).

Do ponto de vista cognitivo a hipótese neural, em que o comportamento complexo foi surgindo gradualmente não contempla a melhor explicação diante das evidências. De tal modo que a complexidade social e simbólica parece ter emergido cedo na história do Homo sapiens.

A hipótese mais aceita para explicar este Levante cultural esta associado a adensamento de populações humanas, onde hábitos e tecnologias são amplamente desenvolvidos e difundidos de forma facilitada porque mais pessoas tinham acesso á informação de produção dessas técnicas. Este adensamento criaria também divisão das tarefas e trabalhos e a cooperação, intensificando as relações sociais, que impulsionaria e intensificaria ainda mais o comportamento simbólico. Isto significa que o Homo sapiens já emerge com um grande potencial simbólico que permanece inerte em grande parte da sua historia, mas que torna-se expressivo diante do cenário demográfico adequado, que ocorreu a cerca de 50 mil anos com o adensamento populacional (Neves et al, 2015).

Os hominíneos anteriores ao Homo sapiens também apresentam desenvolvimento relativamente complexo de técnicas de produção de ferramentas.

Olhando somente para a nossa linhagem, o Homo heidelbergensis já fazia abrigos, lanças de madeira com pontas complexas. O desenvolvimento dessa tecnologia substituiu outras formas mais simples de tecnologia, como a Acheulenses e Olduvaiense que eram características de Homo erectus.

As ferramentas Acheulenses foram criadas por volta de 1,6 e 1,4 milhões de anos pelo Homo erectus. Era muito mais simples do que as encontradas na espécie humana. Os registros mais antigos são do Turkana Boy. Eram ferramentas líticas retocadas de ambos os lados com acabamento regular, e a porção lascadora era retocada com rochas maiores e mais pesadas. Ganhava um formato de gota, arredondado com uma extremidade pontiaguda. Posteriormente o Homo erectus desenvolveu o cutelo, instrumento em forma de losango afiado por lascamento e polido em umas das bordas. Uma indústria de ferramentas bifacial foi construída por esses indivíduos e embora fosse bem mais rudimentar tinham grande valor adaptativo a espécie. Ela foi descoberta pelo primeira vez na França na região Saint-Acheul e por isto recebe este nome.
Mas esta ferramenta não é a mais antiga. O grupo mais antigo são as ferramentas Olduvaienses, encontradas na Tanzânia, na Garganta de Olduvai. Ela era formada pela quebra de uma rocha. O lascamento gerava uma porção pontiaguda e outra arredondada (o núcleo ou chopper). O ângulo de batida e a força eram bastante variados e produziam resultados bastante diferentes individualmente, mas são conhecidamente ferramentas, constatadas pelo estudo de micro-desgastes onde se encontrou fragmentos de ossos, chifre, carne, plantas e em alguns casos, até couro fresco. Este tipo de ferramenta também foi criado por Homo erectus. Mas algumas evidencias sugerem que poderia ter sido usado por Hominineos mais antigos como os Homo habilis há 1,9 milhões de anos (Richards, 2002), ou mesmo Australopithecos garhi a 3,4 milhões de anos (Neves et al, 2015).

Ferramentas do Paleolítico superior. Aurignacense Solvieux do sul da França.

Ferramentas do Paleolítico superior. Aurignacense Solvieux do sul da França.

Victor Rossetti

Palavras Chave: NetNature, Rossetti, Evolução Humana, Paleolítico, Homo sapiens, Ferramentas Líticas, Cultura, Cognição, Paleoantropologia, Olduvaiense, Acheulense.

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Referências

Karlsen, Leif K. 2003. Secrets of the Viking Navigators. One Earth Press. ISBN 978-0-9721515-0-4, 220 pp

Morell, V. Do Lobo ao Cão. Scientific American Ano 13. N 159. 2015

Neves, W. A. Junior, M. J. R. Murrieta, R. S. S. Assim caminhou a Humanidade. Palas Athenas. 2015

Richards, M.P. (December 2002). “A brief review of the archaeological evidence for Palaeolithic and Neolithic subsistence”. European Journal of Clinical Nutrition. 56 Supplement 1, March 2002 (12): 1270–1278.

Tattersall, I. Como nos tornamos humanos? edição especial – Scientific American Brasil – Ed. nº 17. 2007

The Waal  F. Eu, primata. Editora Companhia das letras. 1ºed., 2007.

van Schaik. C. Por que alguns animais são tão inteligentes? Scientific American.2007

2 thoughts on “DEVERÍAMOS SUBESTIMAR OS POVOS DO PALEOLÍTICO?

  1. Imbora a tecnologia e inegavel , preciosa ferramenta de propagacao ,poucos a utilizam para questoes tao amplas e extraordinarias .

  2. Esse texto foi mal traduzido, tem frases faltando palavras e frases que só devem fazer sentido em inglês… só colocar no google tradutor não dá, se vai postar algo em outra língua, tem que traduzir e revisar depois para não ficar frases sem sentido, pq uma vírgula fora do lugar muda toda a frase, então você pode estar passando alguma informação errada.

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