OS PULMÕES ATROFIADOS DO CELACANTO

O celacanto – um peixe (erroneamente) considerado um “fóssil vivo” mantém um esboço de pulmões, que não são mais funcionais mas que eram uma característica de seus antepassados ​​que viveram há 400 milhões de anos atrás. Daqueles antigos peixes desenvolveram-se os primeiros animais que saíram do mar, eles começaram a colonizar o continente

Cortesia de Laurent Ballesta / Andromede Oceanology Ltd/Nature

Cortesia de Laurent Ballesta / Andromede Oceanology Ltd/Nature

O celacanto é um peixe grande que viveu em áreas rochosas entre 110 e 400 metros de profundidade nas águas costeiras do Canal de Moçambique e Sulawesi – tem pulmões, embora apenas sejam apenas uma estrutura vestigial não-funcional. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e do Centro de paleo-diversitade da Sorbonne, que assinaram um artigo publicado na “Nature Communications“.

Cortesia de Laurent Ballesta / Andromede Oceanology Ltd/Nature

Cortesia de Laurent Ballesta / Andromede Oceanology Ltd/Nature

Os celacantideos mais antigos de que há registro fóssil remonta pelo menos 400 milhões de anos atrás, foram considerados extintos há 70 milhões de anos atrás, até que, em 1938, foram descobertos espécimes de Latimeria chalumnae, uma espécie pertencente a esse grupo, e em 1997 ele se juntou por outro, Latimeria menadoensis.

O celacantideos mais antigo têm um lugar especial na história da evolução, porque acredita-se que eles são descendentes dos primeiros animais que deixaram os mares para colonizar a terra, como é evidenciado pelos tipos de estruturas pulmonares identificáveis ​​em seus fósseis. Estas estruturas não aparecem, no entanto, presentes em Latimeria.

Agora, por meio da análise de tomografia de raios-X de embriões de Latimeria em diferentes estágios de desenvolvimento, Camila Cupello e colegas descobriram que o que parece ser um divertículo do esôfago curto rodeado por uma gordura corporal é o que resta da estrutura pulmonar.

Cortesia de Cupello et al./Brito/Nature

Cortesia de Cupello et al./Brito/Nature

Os pesquisadores observaram que, durante o desenvolvimento embrionário, este pulmão se desenvolve em um órgão potencialmente funcional, mas, em seguida, o seu crescimento desacelera e uma estrutura adiposa acaba colabando-o sob o intestino. Segundo os pesquisadores, esta gordura está ligada à adaptação à água profunda de algum tipo de celacantideo antigo, que originalmente viveu em águas rasas, tanto sal quanto água doce.

A identificação do órgão vestigial pulmonar foi confirmada pela descoberta de placas calcificadas na superfície exterior dos pulmões que são muito similares as encontradas nos fósseis. Acredita-se que estas placas auxiliam o peixe a ajustar o volume dos pulmões.

A maior elucidação da história evolutiva complexa de celacantideos – dos quais cerca de 130 espécie são conhecidas no registro fóssil – virá a partir da análise das muitas descobertas que acabam de ser anunciadas na “Jornal de Zoologia da Linnean Society“. Trata-se se trinta exemplares completos de uma nova espécie de celacantideos – batizado de Serenichthys kowiensis – que viveu a cerca de 360 ​​milhões de anos atrás no estuário de um rio que corria perto da atual cidade de Grahamstown, na parte sul da África do Sul .

De acordo com os dois paleontólogos que descreveram os fósseis – Robert Gess Universidade de Witwatersrand, África do Sul, e Michael Coates, da Universidade de Chicago – S. kowiensis é uma das espécies fósseis que mais se assemelha aos Latimeria e seu estudo englobará lançar luz sobre uma outra característica dos celacantideos: a prática da ovoviviparidade. Entre os novos fósseis, há inúmeros exemplos de formas jovens, de modo que os investigadores acreditam que o estuário antigo foi usado por S. kowiensis como uma espécie de berçário.

Fonte: Le Scienze

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Comentários Internos

Existe um profundo erro em enxergar o grupo Latimeria como celacantos. O grupo estudado acima não é de celacantos, mas de celacantiformes (Coelacanthiformes).

Existe diferença?

Sim, e muita. Chamar Latimeria de Celacanto é como chamar chimpanzés (da Família Hominidae) de babuínos (da Família Cercopithecidae). Embora ambos sejam primatas, os chimpanzés não são macaco, e sim símios. O problema de popularizar certos nomes é que a adoção publica dos nomes tende a direcionar a classificação como um rótulo, e chamar todos os animais próximos com um único nome.  Isto não reflete a realidade da natureza e idiossincrasias do animal.

Existem diferenças taxonômicas importantes. O fato de encontrar espécies de Latimeria não implica que os celacantos do passado tenham sobrevivido, mas que parte do grupo celacantiforme sobreviveu.

O celacanto não existe mais, estão extintos, mas outros animais próximos a ele (chamados de Coelacanthiformes) ainda existem, como é o caso do gênero Latimeria que pertence a subordem Latimerioidei e a família Latimeriidae.

Os celacantos extintos fazem parte de uma família específica de Coelacanthiformes, chamada Coelacanthidae e não pertencem a subordem Latimeriodei.

Resumo das relações filogenéticas entre os C

Resumo das relações filogenéticas entre as famílias de Coelacanthiformes. Note o distanciamento entre Coelacanthidae e Latimeriidae,

Somente uma família de Coelacanthiformes sobreviveu, a Latimeriidae. Por ser uma família relativamente próxima a dos celacantos (Coelacanthidae) seu estudo permite entender melhor a biologia do grupo que deu origem aos primeiro tetrapodes.

Coelacanthiformes formam uma ordem taxonômica rara de peixe que inclui duas espécies existentes no gênero Latimeria, no Oeste do Oceano Índico (Latimeria chalumnae) e na Indonésia (Latimeria menadoensis).

Fazem parte de uma antiga (Classe) linhagem viva conhecida como Sarcopterygii, onde estão classificados os peixes de nadadeira lobada e os tetrápodes.

Os Sarcopterygii, são divididos em três principais grupos; Actinisia (onde estão os Celacantiformes), Dipnoi (peixes primitivos conhecidos como “salamaderfish” com nadadeiras lobadas) e os tetrapodomorpha (vertebrados de 4 patas, peixes labirintodontes, como os extintos Tiktaalik chamados popularmente de fishiapodes) (Veja mais sobre Tiktaalik aqui).

A subclasse Actinistia, onde estão os Coelacanthiformes, é um grupo de peixes do período Devoniano (419-358 milhões de anos) e são formados por indivíduos pulmonados pertendentes aos grupos osteolepiformes, porolepiforms, rhizodontes e panderichthys (Forey, 1998). Portanto, o grupo dos Latimeria é parente próximo dos celacantos, razão pela qual são classificados como celacantiformes (formato de celacanto), mas não são celacantos propriamente ditos, compreende famílias taxonômicas distintas aqui que sejam de mesma ordem.

Saiba mais em: EVOLUÇÃO DE ANFÍBIOS E DIVERSIDADE NA MATA ATLÂNTICA

A GRANDE CONQUISTA

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Celacanto, Latimeria, Celacantiformes,
Sarcopterygii, Tetrapodas, Tiktaalik.

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Referências

Forey, Peter L (1998). History of the Coelacanth Fishes. London: Chapman & Hall.

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