DESIGN INTELIGENTE NÃO É CIÊNCIA. (Comentado)

Ensinar o design inteligente como uma alternativa para a evolução não é apenas uma péssima ciência, é também uma atitude anti-cristã.

Sem título

A aula de ciências nas escolas é para o ensino do currículo de ciências e não para ensinar ideias não-científicas. Ciência não deve ser carregada com um excesso de bagagem ideológica. As teorias científicas são limitadas no seu âmbito explicativo e tem uma tarefa em mãos: fornecer “mapas” conceptuais que tornam conjuntos de dados específicos coerentes. E é assim que elas devem ser ensinadas.

A evolução biológica é a melhor explicação que temos sobre as origens de toda a diversidade biológica, tanto do passado quanto do presente. Não há tópicos teóricos rivais sérios, embora haja muita discussão sobre os detalhes.

Infelizmente, a evolução, desde Darwin tem sido frequentemente utilizada em apoio a uma ampla gama de agendas sociais, políticas e religiosas, muitas delas mutuamente exclusivas, incluindo o capitalismo, o comunismo, a eugenia, o racismo, o teísmo, ateísmo, feminismo e até o militarismo. Como George Bernard Shaw comentou onze: Darwin “teve a sorte de agradar a todos que tinha um machado para moer”. Por isso é importante que seja ensinado a evolução como teoria científica e não com um qualquer “ismo” anexado.

Alastair Noble têm sugerido recentemente que o “design inteligente” deveria ser ensinado nas aulas de ciências, como uma alternativa à evolução, uma vez que ela é uma ciência ao invés de religião. O design inteligente é a noção de que algumas entidades biológicas (como o flagelo bacteriano, veja mais aqui) são tão complexas que não poderiam vir a existir por um processo de evolução gradual. Elas são, portanto, consideradas “irredutivelmente complexa” e assim exibem um “design”, apontando assim para um “designer” (PORQUE O FLAGELO BACTERIANO SEPULTOU A COMPLEXIDADE IRREDUTÍVEL)

O design inteligente é uma exportação dos EUA para o Reino Unido, veio para minar as o estudo numa tentativa de trazer o ensino do design inteligente na sala de aula da escola norte-americana. Isto levou ao julgamento Dover (2005) presidido pelo juiz Jones, um luterano praticamente nomeado pelo presidente Bush. Após exaustivas investigações, o juiz determinou que o design inteligente não pode ser ensinado na sala de aula, porque era “não ciência” e não conseguiu “cumprir as regras essenciais da terra que limitam a ciência para testáveis, explicações naturais”.

Eu acho que o juiz Jones em sua decisão foi correto. É uma simples questão de fato que as formas do design inteligente não partem da ciência contemporânea. Ideias científicas ganham aceitação através do voto do público, mas não via o caminho difícil de publicação de artigos em jornais peer-reviewed de ciência. O design inteligente não conduz a ideias testáveis ​​(como você pode testar a ideia de que o flagelo foi “projetado”?), Não é de surpreender que não gerou nenhum programa de investigação frutífera.

Assim, o ensino do design inteligente nas aulas de ciências, como se fosse considerado dentro da comunidade científica como uma teoria rival para a evolução seria enganoso. A principal preocupação dos cristãos é dizer a verdade sobre a criação de Deus. Na verdade os cristãos que são cientistas vêem isso como parte de sua adoração. É claro que todos nós sabemos que as teorias científicas não nos fornecem a “história final” – ao desenvolver teorias nossa compreensão cresce. Mas a educação científica praticada hoje com integridade vai transmitir a ciência atual, não uma moda privada do professor.

Há outra razão pela qual os cristãos são contra o ensino do design inteligente: porque promove uma compreensão não-cristã de Deus como criador. No entendimento cristão, Deus é visto como o compositor e condutor de toda a “música da vida” em toda a sua plenitude. Em vez disso o design inteligente promove um “design-de-lacunas” em que o “designer” é usado para tapar os buracos atuais dos conhecimentos científicos, o “designer” que vai desaparecer inevitavelmente como as próximas lacunas fechadas.

Fonte: The Guardian

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Comentários internos

O criacionismo não é só anti-científico por não seguir o que prescreve a filosofia da ciência, como é anti-cristão por não seguir o que prescreve o cristianismo.

A negação da evolução vem devido a falsa dicotomia disseminada pelos movimentos fundamentalistas em que o debatedor deve aceitar a teoria da evolução e abrir mão de Deus ou ser cristão e, portanto, criacionista. Nada mais falso, vide a quantidade de cientistas cristãos que aceitam a evolução sem qualquer contradição teológica ou filosófica.

Além claro, o criacionista demonstra uma fé abalada que oposta de quem acredita em Deus e na criação segundo Gênesis e que a tem simplesmente pela fé.

Quem procura por evidências e quer fazer disso uma jornada em prol da comprovação de Gênesis simplesmente demonstra a mesma forma de pensar de Tomé ou mesmo de um ateu; “preciso ver para crer”. Esses criacionistas são tão céticos quanto um ateu e por isso correm atrás da ciência, na tentativa de agarrar em um “boia” para não afundar em um mar de incertezas e dúvidas quanto aquilo que eles mesmos creem. E claro, fazem isto de modo errado.

É comum em debates o criacionista alegar que não ve a evolução e por isso não acredita. Além dessa concepção ser falsa poderíamos alegar que não vemos dilúvios ou mesmo entidades sobrenaturais, então o argumento deles começa a ruir exatamente por tomarem posicionamentos literalistas e substituem a fé (ou tentam racionaliza-la) por um modelo “cientifizado” de fé. Diga-se de passagem, que esta é uma posição anti-cristã, pois é uma tentativa de se unir ao ímpio.

Para o cristão, algumas vezes, a ciência é vista como uma forma de profanação, pois se guiam

por 1 Timóteo 6:

“Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência”

“A qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém”.
1 Timóteo 6:20-21

Quem desceu as águas e renasceu em Cristo Jesus em um novo mundo com boas novas, ou seja, quem é batizado sabe do que estou falando.

Ora, Hebreus 11 deixa claro que crer é pela fé.

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”.
Hebreus 11:1

A bíblia não é um livro científico e não é preciso negar a razão para acreditar em Deus (ou negar a Deus para ser cientista). Nem por isso é preciso ser ateu para aceitar a evolução, portanto, este comentário aqui esta longe de ser um convite ao ateísmo, mas sim um convite para refletir sobre os limites de onde acaba a religião e começa ciência, e vice e versa.

O cristão deve crer pela fé, o criacionismo se apresenta como uma forma de charlatanismo cristão. Estes são a laranja podre.

O criacionista não é só um analfabeto científico, mas também um analfabeto teológico porque crê, não sabe porque crê, não pensa no porque crê, ou como poderia ocorrer as coisas na qual crê. Ele simplesmente nega aquilo que ele tende como uma ameaça a sua fé abalada. Por isso é visto como parte do movimento anti-ciência, além claro, de carregar discursos ideológicos que devem ser distanciados da produção cientifica como destaca o texto acima.

Vide o tanto de pseudo-cristãos que têm nas comunidades defendendo Terra jovem, moléculas desenhadas inteligentemente, discursos literalistas biblicistas abrindo mão de interpretações corretas considerando o contexto sócio/histórico/cultural na qual as passagens bíblicas foram escritas.

Não são os cristãos ou ateus que estão perdidos no mundo.  A crença não é o problema. O problema está no que as pessoas fazem com sua crença, ou o modo na qual as expressam. Aristóteles dizia que não é a tradição q e nociva e sim o comodismo.
Os falsos profetas estão aqui pregando o criacionismo com uma visão superficial de cristianismo. Abandonaram-no para tentar fazer “ciência” da crença.

Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”.
Mateus 24:24

“E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos”.
Mateus 24:11

No final, eles não têm nada, nem ciência nem religião ao pregar a paz do Santo Design inteligente. Eles não têm ciência porque ciência trabalha com hipóteses testáveis e mensuráveis com modelos paradigmáticos (temporários e substituíveis), e religião que trabalha com dogmas propostos pela autoridade bíblica e verdades absolutas.

Se criacionismo é autoridade então não é paradigma, se ele é paradigma então não é absoluto e portanto não é verdade finalista o que dizem.

Eles não têm nada no final das contas, o criacionismo (biblicamente) não existe, ele é uma invenção humana literalista corrupta fundamentalista e ideológica criada por grupos específicos na década de 20 nos EUA. É apenas uma fé abalada de um fanático, uma dissonância cognitiva fundada em uma necessidade patológica de negar o que na maioria nem se prestam a ler.

Victor Rossetti

Palavras Chave: NetNature, Rossetti, Criacionismo, Design Inteligente, Pseudociencia, Fundamentalismo religioso, Movimento Anti-ciência, Falsos profetas, Analfabetismo científico.

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