GEOCENTRISMO – A VOLTA DO IDIOTISMO PRÓDIGO.

Idiotia é uma palavra de origem grega, (ἴδιος – idhiótis), que indicava um cidadão privado, individualista. Idiossincrasia refere-se ao caráter privado e individual que garante a identidade (id) de alguém. Embora os gregos utilizassem esta definição em questões políticas para discutir aspectos ligados a decisões pensadas no coletivo (polis) ou no interesse pessoal (como a política de idiotia), gostaria de pegar emprestado este conceito e trazer para definir a concepção geocentrista, que toma a Terra e o homem como centro do Universo.

Geocentrismo

Geocentrismo

O cerne do presente texto é analisar se a Terra pode ser considerada um local especial como sugerem antigos livros sagrados. Recentemente, a internet deu voz a grupos que defendem tanto a concepção de Terra plana quanto a do modelo geocêntrico. Para tanto, devemos primeiramente definir o nosso objeto de estudo; o planeta Terra.

Planetas são, do ponto de vista etimológico, viajantes do espaço. O termo deriva do grego “planetes” (πλανήτης), que significa “aquele que vagueia” ou “que viaja”. É um adjetivo que aparece na expressão aster planetes (“astros errantes”), designando astros que se movem, por oposição aos que são “fixos”. Para os astrônomos da Antiguidade, que observavam o céu a olho nu, as estrelas mantinham-se a mesma distância entre si, enquanto os planetas davam a impressão de movimentar-se erraticamente no espaço. A astronomia clássica reconhecia sete planetas: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, além do Sol e da Lua, incluídos na lista porque não eram estáticos. Os demais planetas só foram descobertos como o desenvolvimento dos instrumentos ópticos ao longo da história da astronomia e da física. Ao definir o que é um planeta, podemos descartar a vaga ideia de que planeta se refere a um corpo plano, e notar que sua estrutura linguística a partir do grego define tal corpo segundo seu caráter motor, criando um falso cognato que é defendido por terra-planistas. Mas, não estamos aqui para discutir o terra-planismo, e sim o geocentrismo.

Geocentrismo é um modelo cósmico que defende que a Terra é o centro do Universo. Não há evidência alguma que indique que a Terra seja o centro do Universo. Esta concepção geralmente esta veiculada a textos muito antigos e carece de respaldo científico, empírico, prático, mecanicamente compreendido. O mais importante de destacar neste momento é que certas religiões convivem razoavelmente bem com a ciência, e gradualmente vão retrocedendo em suas posições mais conservadoras deixando de interpretar literalmente as afirmações religiosas sobre a centralidade, formato e a origem da Terra, gerenciando-se de acordo com as evidências científicas sem que isto afete sua fé. Por mais que os fanáticos odeiem admitir, existem cristãos que aceitam o modelo heliocêntrico de uma Terra esférica que se originou a cerca de 4,54 bilhões de anos. Alguns aceitam também a origem do Universo proposta pela ciência e até mesmo a evolução biológica.

Algumas das ideias cosmológicas defendendo o geocentrismo datam mais de 1500 anos embora muitos pensadores antigos, da Grécia, por exemplo, já tivessem concepções opostas a este pensamento. A primeira pessoa conhecida por ter proposto um sistema próximo ao heliocêntrico (embora não tenha cunhado este nome, ou defendido desta forma) foi Aristarco de Samos (270 a.c). Bem como Eratóstenes, Aristarco calculou o tamanho da Terra, e mediu o tamanho e distância da Lua e do Sol. Ele concluiu suas estimativas dizendo que o Sol era de seis a sete vezes maior do que a Terra e, portanto, centenas de vezes mais volumoso. Infelizmente, suas obras e se perderam ao longo da historia da humanidade, mas algumas informações sobre sua vida e obra são conhecidas devido a comentários críticos de seus contemporâneos, como Arquimedes que disse:

Vocês Rei Gelon estão cientes do ‘universo’ é o nome dado pela maioria dos astrônomos para a esfera cujo centro é o centro da Terra, enquanto seu raio é igual à linha reta entre o centro do Sol e o centro do Terra. Esta é a conta comum, como você já ouviu falar dos astrônomos. Mas Aristarco trouxe um livro composto por determinadas hipóteses, em que ele aparece, como consequência das hipóteses, dizendo que o universo é muitas vezes maior do que o “universo” que acabamos de mencionar. Suas hipóteses são que as estrelas são fixas e o Sol permanece imóvel, e que a Terra gira em torno do Sol sobre a circunferência de um círculo, o sol deitado no meio da órbita, e que a esfera das estrelas fixas, é situada sobre o mesmo centro como o Sol, é tão grande que o círculo em que ele supõe que a terra gira e suporta tal proporção com a distância das estrelas fixas como o centro da esfera suporta sua superfície.

Aristarco acreditava que as estrelas estavam muito longe, e viu isso como a razão pela qual não havia um deslocamento aparentemente visível, isto é, um movimento observado das estrelas em relação á outra, e como a Terra se movia em torno do Sol. As estrelas estão, de fato, muito mais longe do que a distância que foi geralmente assumida nos tempos antigos, razão pela qual o movimento deslocamento estelar aparente só é detectável com telescópios.

Arquimedes diz que Aristarco calculou distâncias maiores das estrelas, sugerindo que ele estava respondendo a objeção natural e que o heliocentrismo requer oscilações de deslocamento estelar aparente. Ele aparentemente concordou com o ponto, mas colocou as estrelas tão distantes fazendo o movimento de deslocamento invisível e minúsculo. Assim, o heliocentrismo poderia abrir um caminho para a ideia de que o universo era maior do que os geocentristas ensinavam (Rawlins, 2008).

A partir de 1500, com Nicolau Copérnico, gradualmente a ideia helicêntrica foi ganhando espaço apesar das reações negativas dos católicos. Com o tempo os cientistas foram adotando-a cada vez mais o modelo. De acordo com o Professor Fernando Lange da UFRGS, do ponto de vista estritamente cinemático podemos referir os movimentos de objetos a qualquer sistema de referência. Usar a Terra como sistema de referência é extremamente útil, mas isto não torna-a o centro do Universo. Aqui, entramos no conceito de localidade, já que a Terra é a referencia universal ao geocentristas, e isto tem graves consequências.

Ramos da física moderna sugerem que em um nível profundo de análise, conceitos como posição, distância e localidade podem não existir. A natureza favoreceu circunstâncias em que obedece a localidade para que possamos existir (como favorecer uma espécie em um forrageamento), mas na sua estrutura básica a localidade podem não existir. Einstein propôs a Relatividade geral com a finalidade de banir a não-localidade da física. Estamos acostumados com conceito de não localidade dentro de questões quânticas como o emaranhamento quântico, mas não é só isto (Scientific American, 2015).

A gravidade Newton age através da distância, e a relatividade quebrou esta ideia ao mostrar que a atração gravitacional era causada pela curvatura do espaço-tempo e não por algo invisível. Bem, isto ficou evidente recentemente com a constatação das ondas gravitacionais.

Ok, mas, porque estamos tratando isto? Pelo simples fato de que a localidade vai depender de referências. Quando dizemos que a Itália fica localizada na Europa, restringimos a área geográfica onde este belo país está. “Europa” é uma coordenada, afinal, ninguém pensaria em procurar a Itália no continente americano. Quando dizemos que este país fica a abaixo da Suíça, e fica mergulhado dentro do Mar mediterrâneo, que a leste depois do Mar Adriático encontramos países como a Eslovênia e a Croácia; estou simplesmente dando um sistema de coordenadas criado por nós que serve como referência de localização. Entretanto, esta localidade não esta fixa no Universo. E porque não está fixa?

Localização da Itália

Localização da Itália

Ora, em um nível mais profundo, devemos considerar que a Terra realiza um movimento de rotação e translação, que placas tectônicas deslocam a Itália para em certo sentido geológico e que o Universo esta em expansão acelerada distanciando cada vez mais as Galáxias, de tal forma, que a Itália atual não esta mais no mesmo local detalhado no começo desta frase. De fato, ela esta em algum outro ponto do Universo que já não é mais mesmo do começo desta frase. A mesma coisa acontece quando queremos saber onde fica o Toilette (no final do corredor a direita) ou quando perguntamos ao frentista do ponto de gasolina onde fica um determinado local (primeira a esquerda, no segundo farol a direita). Usamos um sistema de coordenadas que simplesmente remete a nossa facilidade de encontrar locais, em navegar espacialmente dentro de um conjunto específico de dicas visuais. Se não houvesse “fim do corredor á direita”; se não houvesse o “segundo farol”, não houvesse a coordenada de “Europa” ficaria difícil se localizar e navegar espacialmente. Por isto, nós, como espécie, forrageadora, criamos um sistema de coordenadas, mas que não é determinado de maneira alguma intencionalmente pelo Universo.

Quando um astrônomo olha para o céu ele usa coordenadas para visualizar estrelas, e sempre deve ir corrigindo as coordenadas pois a mecânica do sistema solar e o Universo em si é dinâmico. De tal forma, que não é possível, profundamente dizer que qualquer coisa seja o centro do Universo. Não há “O centro do Universo”!

Einstein foi genial ao reconhecer isto em 1915, esta ambiguidade não é um erro, mas sim essencial, pois nunca observamos posições absolutas e que atribuímos localidade segundo a relação entre objetos que são posições objetivas. Então, observadores diferentes podem atribuir posições diferentes de um mesmo local, mas concordarão sobre as relações de um determinado objeto em um determinado local determinando eventos que podem ocorrer. Ambiguidades são exemplos de não-localidade. Portanto, ainda que os geocentristas desejem profundamente, a Terra não é centro de Universo algum, pois em um Universo em expansão ela não permanece fixa por um gancho metafísico de Deus para satisfazer nossas necessidades mais religiosas, egocêntricas, narcisistas ou de idiotia.

A ciência vai procura uma descrição do universo de maneira simples. Esta simplicidade vai descrever e prever os movimentos dos planetas do sistema solar a partir da mecânica Newtoniana, por exemplo, tomando o Sol como referência ou as chamadas “estrelas fixas”. Mas se a Terra possui um movimento de rotação e de translação em torno do Sol, como proposto aqui, então há consequências derivadas dessa suposição, tais como o deslocamento aparente das estrelas, o achatamento da Terra, a ocorrência de vórtices atmosféricos etc e tal. Todas estas conseqüências foram corroboradas, e tiveram potencial sucesso explicativo para chutar a Terra e sua imobilidade do centro do universo.

O grande valor que dão a Terra ser o centro do Universo não é pelo fato do planeta em si ser o centro de tudo, mas o que o planeta tem de tão especial que o torna referência universal; a vida humana. Os geocentrista (ao menos antigamente) defendiam tal proposta pelo valor especial que querem dar a vida humana, ápice da criação, criatura que é imagem e semelhança do Criador, racional (ainda que imperfeita), mas especial, e daí, a referência universal. Este é todo o arcabouço filosófico/teológico de um geocentrista.

Infelizmente, como bem lembrou o professor Fernando Lange, a ciência adota o pressuposto do Princípio da Mediocridade, em que nem a Terra, e tão pouco o homem, são centro de nada. A localidade especial no universo é meramente aparente e individual.

O mesmo pressuposto é tomado por aqueles que defendem o Princípio Antrópico Forte, acusando o Universo de ter sido forjado para ser palco da vida humana, criando uma proposta anacrônica de que primeiro a vida é criada e precisa de um palco para encenar. Então o Criador separa a luz da escuridão e cria tudo, tirando-o do mundo das ideias e consolidando a sua imagem e semelhança no pó da Terra.

Todos esses pressupostos, em especial o geocêntrico, tem se mostrado extremamente frutífero, indo de encontro com muitas concepções religiosas retrógradas e antropocêntricas, feitos sob uma leitura religiosamente pobre, analfabeta e cientificamente tendenciosa. É este caráter tendencioso que vamos discutir no final deste texto.

Uma dos argumentos defendidos pelos geocentristas atualmente é que o modelo heliocêntrico é vigente porque é cômodo. Esta afirmativa é falsa e verdadeira. É verdadeira porque a comodidade deste modelo supre com explicações perfeitamente naturais á dinâmica do sistema solar, diferente do sistema ptolomaico, que, de fato, também explicava muito bem para sua época, mas com limitações claras. Ao mesmo tempo, é falsa porque tal comodismo não ocorreu porque queremos que o sistema solar seja assim, mas porque constatamos através da história da física que ele desta forma. Assim sendo, ele não é essencialmente cômodo, mas muito mais coerente com as evidências; coisa que o sistema ptolomaico (que era geocentrista) falhava rudemente.

Cláudio Ptolomeu era um filósofo alexandrino que viveu entre os anos 90 e 168 d.c. e foi o primeiro astrônomo a estabelecer um modelo geocêntrico com precisão razoavelmente acurada a fim de descrever os movimentos dos planetas no firmamento conforme inferidos a partir da Terra. Entretanto, seu modelo não continha uma causa física para tais movimentos astronômicos. Ainda sim, o modelo ptolomaico foi vigente por mais de mil anos, embora críticas não faltassem, especialmente feita pelos muçulmanos.

Sistema Ptolomaico (geocentrista)

Sistema Ptolomaico (geocentrista) Clique para ampliar.

No ano de 1028, o filosofo matemático e astrônomo Alhazen escreveu uma crítica pesada contra o modelo de Ptolomeu. Embora ele não descartasse o modelo geocentrista, ele direcionou uma crítica pesada ao modelo de Ptolomeu expondo uma série de falhas (Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2004). No século 12, o astrólogo e astrônomo muçulmano Arzachel usou a argumentação dos gregos antigos para defender que o planeta Mercúrio se move em uma órbita elíptica (Rufus, 1939 & Willy, 1955) enquanto o astrônomo Alpetragius propunha um modelo planetário que abandonasse os epiciclos e mecanismos de excêntricos (Goldstein, 1972). Epiciclo era um modelo geométrico usado para explicar as variações de velocidade e direção do movimento aparente da Lua, Sol e dos planetas. Isto culminou em um sistema que era matematicamente menos preciso (Gale, 2006). O astrônomo Fakhr al-Din al-Razi (1149-1209), rejeitou a proposta aristotélica e a noção do filosofo Avicena da centralidade da Terra dentro do universo, e argumentou que há “milhares de mundos além deste, de tal forma que cada um desses mundos poderia ser maior e mais maciço, bem como caracteristicas que há aqui”. Para justificar seu argumento, que era antes de tudo teológico, ele citou o Corão (Setia, 2004).

Houve um movimento revolucionário astronômico erguido assumidamente para bater no sistema ptolomaico. A “Revolução Maragha” era uma tradição astronômica começada no observatório Maragha e continuou com astrônomos da mesquita de Damasco e Samarkand. Tal como os seus antecessores (da Andaluzia), estes astrônomos tentaram resolver o problema do círculo em torno cuja circunferência de um planeta ou o centro de um epiciclo que foi concebido para mover uniformemente (chamado de Equante) e produzir configurações alternativas para o modelo ptolomaico sem abandonar o geocentrismo. Eles tiveram mais sucesso na produção de configurações não-ptolemaicas, eliminando o equante e aspectos excêntricos, sendo mais precisos do que o modelo ptolomaico em prever numericamente posições planetárias, além, de estarem em melhor concordância com observações empíricas (Saliba, 1994). Muitos astronômos muçulmanos (Saliba, 1994) participaram na produção deste novo modelo geocêntrico islâmico e produziram muitos livros importantes sobre o assunto. Um deles, escrito pelo astrônomo árabe Ibn al-Shatir propôs modelos e parâmetros que eram muito próximos ao de Copérnico, embora ainda fossem geocentristas. Esta descoberta sugere (especulando) a possível transmissão destes modelos para a Europa (Guessoum, 2008) e muitos argumentos usados nos observatórios Maragha e Samarkand sobre a rotação da Terra foi discutido por al-Tusi e Ali Qushji por volta de 1403. Muitos deles se assemelham aos usados ​​por Copérnico para apoiar o movimento da Terra (Ragep, 2001a,b).

Cláudio Ptolomeu, o último dos grandes astrônomos gregos (150 d.C.), quem construiu o modelo geocêntrico mais completo e eficiente. Ptolomeu explicou o movimento dos planetas através de uma combinação de círculos: o planeta se move ao longo de um pequeno círculo chamado epiciclo, cujo centro se move em um círculo maior chamado deferente. A Terra fica numa posição um pouco afastada do centro do deferente (portanto o deferente é um círculo excêntrico em relação à Terra). Para dar conta do movimento não uniforme dos planetas, Ptolomeu introduziu ainda o equante, que é um ponto ao lado do centro do deferente oposto à posição da Terra, em relação ao qual o centro do epiciclo se move a uma taxa uniforme.

Cláudio Ptolomeu, o último dos grandes astrônomos gregos (150 d.C.), construiu um modelo geocêntrico eficiente. Ptolomeu explicou o movimento dos planetas através de uma combinação de círculos: o planeta se move ao longo de um pequeno círculo chamado epiciclo, cujo centro se move em um círculo maior chamado deferente. A Terra fica um pouco afastada do centro do deferente (portanto o deferente é um círculo excêntrico em relação à Terra). Para dar conta do movimento não uniforme dos planetas, Ptolomeu introduziu ainda o equante, que é um ponto ao lado do centro do deferente oposto à posição da Terra, em relação ao qual o centro do epiciclo se move a uma taxa uniforme. Fonte: UFRGS

No entanto, a escola Maragha nunca fez a mudança de paradigma para o modelo heliocentrismo (Huff, 2003), embora tenha contribuído muito para demonstrar uma série de falhas do sistema ptolomaico (Huff, 2003). A influência da escola Maragha para Copérnico é meramente especulativa, já que não há evidência documental alguma para isto. A possibilidade de que Copérnico tenha desenvolvido de forma independente a mesma crítica permanece aberta e mais coerente uma vez que nenhum pesquisador tem ainda demonstrado que ele sabia sobre o trabalho de Tusi ou a da escola Maragha (Huff, 2003 & Kirmani et al, 2005).

À parte seus defeitos, o modelo de Ptolomeu foi prontamente assimilado e difundido pelas sociedades da Idade Média. Esse sistema se mostrou muito favorável a teologia da Igreja Católica Romana e, por isso mesmo sobreviveu por aproximadamente 13 séculos. O geocentrismo só veio a ser efetivamente contestado a partir do julgamento do astrônomo e físico italiano Galileu Galilei, no século XVII. E de fato, foi apenas no século XVIII que o estudo mais aprofundado da mecânica e dos corpos celestes demonstrou definitivamente que o geocentrismo havia sido um engano perpetuado por mais de milênio, regrado por muitas exceções astronômicas e falhas de previsão.

Um sistema muito mais simples, elegante (com hipóteses concatenadas) fisicamente construído foi proposto pela mecânica desde o século XVIII e cientificamente selecionado analisar os movimentos dos planetas e do sistema solar. Quando Copérnico estabeleceu o modelo heliocêntrico aceitável em sua obra “De revolutionibus orbium coelestium” (1543), a precisão empírica não era muito melhor do que a fornecida por Ptolomeu e seu sistema ainda deixava muito a desejar. Copérnico usou uma série de evidências para suportar seu modelo. Dentre elas: os movimentos dos astros são uniformes, eternos, circulares ou uma composição de vários círculos (os epiciclos); o centro do universo é perto do Sol; próximo ao Sol, em ordem, estão Mercúrio, Vênus, Terra, Lua, Marte, Júpiter, Saturno e as estrelas fixas; a Terra tem três movimentos: rotação diária, volta anual, e inclinação anual de seu eixo; o movimento retrógrado dos planetas é explicado pelo movimento da Terra; e a distância da Terra ao Sol é pequena se comparada à distância às estrelas (Fraser, 2006).

Como se nota a posição da Terra estava em clara contradição com interpretações literais de algumas passagens bíblicas feitas pela Igreja Católica que aceitava o geocentrismo aristotélico. Durante sua vida, Copérnico não encontrou críticas sistemáticas ao modelo heliocêntrico por parte do clero católico. Somente com a defesa feita por Galileu, quase um século depois, que a teoria heliocêntrica vai deparar-se com grandes resistências no seio da Igreja Católica. O final mais trágico ficou com Giordano Bruno no século XVI, acusado de panteísmo e queimado vivo por defender com exaltação poética a doutrina da infinitude do Universo (o que ia contra a ideia de Criação divina) e por concebê-lo não como um sistema rígido de seres, articulados pela eternidade, mas como um conjunto que se transforma continuamente. Giordano Bruno defendia uma cosmologia não só de universo infinito, mas de uma infinidade de estrelas semelhantes ao Sol, muitos outros planetas nos quais, assim como na Terra poderia existir vida inteligente (Firpo, 1983) e claro, o helioncentrismo. Toda sua argumentação foi embasada em obras e ideias de Nicolau da Cusa, Nicolau Copérnico e Giovanni Battista della Porta.

O modelo copernicano foi posteriormente melhorado pelo astrônomo alemão Johannes Kepler, que usou dados coletados por Tycho Brahe ao longo de 20 anos de sua vida, abandonou a ideia de órbitas circulares e construiu um modelo centrado no sol com os planetas revolvendo em órbitas elípticas ao redor deste (Fraser, 2006).

Antes de Copérnico propor o heliocentrismo na Europa houve algumas especulações feitas por outros pensadores. Martianus Capella propôs um modelo heliocêntrico para Vênus e Mercúrio, que foi discutido por vários comentadores anônimos do século IX (Eastwood, 2007). Durante o final da Idade Média, o bispo Nicole Oresme discutiu a possibilidade de que a Terra girasse em seu eixo, enquanto o cardeal Nicolau de Cusa em sua obra “De Docta Ignorantia” questionava se havia qualquer razão para afirmar que o Sol (ou qualquer outro ponto) era o centro do universo. Em paralelo com uma definição mística de Deus, Nicolau de Cusa escreveu que “Assim o tecido do mundo (machina mundi) irá quasi ter seu centro em todo lugar e circunferência em lugar nenhum” (De docta ignorantia, 1440).

Sistema geocêntrico copernicano. Fonte: Site Astronomia

Sistema geocêntrico copernicano. Fonte: Site Astronomia. Clique para ampliar

Aryabhata (476–550), um matemático indiano propôs em “Magnum opus Aryabhatiya” um modelo planetário que tinha a suposição de que a Terra girava sobre seu eixo e os períodos dos planetas eram dados em relação ao Sol. Alguns interpretaram este modelo como sendo um modelo heliocêntrico (van der Waerden, 1970).

As primeiras propostas contra-intuitivas de uma Terra se movendo e que o Sol estava no centro do sistema solar são encontradas em textos védicos e pós-védicos do hinduísmo (Sidharth, 1999).

“O sol está estacionado pela eternidade, no meio do dia. […] Do sol, que está sempre em um e o mesmo lugar, não há nem nascer nem poente”

” O sol prende estes mundos – a terra, os planetas, a atmosfera – a si mesmo em uma linha.

Plutarco, um historiador e filósofo médio platônico grego menciona os “seguidores de Aristarco” deixando claro que houve astrônomos no período clássico que também cogitaram o heliocentrismo, cujo trabalho hoje esta perdido para nós. O único outro astrônomo da antiguidade que é conhecido pelo nome que sabe-se ter apoiado o modelo heliocêntrico de Aristarco de Samos foi Seleuco de Selêucia. Este, foi um astrônomo mesopotâmico que viveu um século após Aristarco. Seleuco adotou o sistema heliocêntrico de Aristarco e defende que ele havia confirmado a teoria heliocêntrica (Index of Ancient Greek Philosophers-Scientists). Seleuco pode ter provado a teoria heliocêntrica determinando as constantes de um modelo geométrico para a teoria heliocêntrica e desenvolvendo métodos para computar posições planetárias usando este modelo. Ele pode ter usado métodos trigonométricos primitivos que estavam disponíveis em sua época, já que era contemporâneo de Hiparco (van der Waerden, 1987), astrônomo pioneiro na construção de uma tabela trigonométrica com valores de uma série de ângulos, utilizando a ideia de Hipsicles (180 a.c), herdada dos babilônios, da divisão do círculo em 360 partes iguais (140 a.c.) e a divisão do grau em sessenta minutos de sessenta segundos.

Na Índia medieval o matemático e astrônomo Nilakantha Somayaji (1444–1544), em sua obra “Aryabhatiyabhasya”, comenta a respeito de Aryabhatiya e desenvolve um sistema computacional para um modelo planetário parcialmente heliocêntrico em que os planetas orbitavam o Sol, que por sua vez orbitava a Terra, similar ao sistema Tychonico proposto mais tarde por Tycho Brahe, no fim do século XVI. O sistema de Nilakantha, entretanto, era matematicamente mais eficiente que o sistema Tychonico, pois levava em conta a equação do centro e movimento latitudinal de Vênus e Mercúrio. A maioria dos astrônomos da escola Kerala de astronomia e matemática que seguiram-no e aceitaram seu modelo planetário (Sarma, 2010).

É interessante notar que a ideia heliocêntrica já vinha borbulhando em certos momentos da historia e que representam a necessidade de revisar se o geocentrismo era a melhor proposta astronômica.

A cartada final veio com a explicação física causal para o modelo de Kepler que foi fornecida por Isaac Newton pela Lei da gravitação universal, modelo estabelecido e de grande valia até os dias de hoje. Por esta razão é natural esperar que os geocentristas tentem fomentar certa rejeição a Newton, ainda que seja uma defesa mal fundamentada.

Em 1687, Isaac Newton publicou seu famoso “Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica”, onde indicou uma explicação para as leis de Kepler, em termos de gravitação universal e que veio a ser conhecido como Leis de Newton. Esse trabalho forneceu uma forte base teórica para um heliocentrismo já próximo a proposta moderna. Em meados da década de 1680, ele reconheceu o “desvio do Sol” do centro de gravidade do sistema solar (Wilson, 1989). Neste momento, a Igreja manteve-se oposta ao heliocentrismo como uma descrição literal.

Em 1664, o Papa Alexandre VII publicou seu “Index Librorum Prohibitorum Alexandri VII Pontificis Maximi jussu Editus” (Índice de Livros Proibidos, publicado por ordem de Alexandre VII, P.M.), na qual incluiu condenações aos livros heliocêntristas (Roberts, 1885).

Por volta do século XVIII a oposição da Igreja começou a desaparecer e o geocentrismo foi sendo quebrado com o desenvolvimento da ciência. Uma cópia anotada do livro de Newton foi publicado em 1742 pelos padres le Seur e Jacquier dos franciscanos Mínimos, dois matemáticos católicos, com um prefácio afirmando que o trabalho do autor assumiu o heliocentrismo. Em 1758 a Igreja Católica deixou cair a proibição dos livros que defendiam o heliocentrismo (Heilbron, 2005). O Papa Pio VII aprovou um decreto em 1822 pela Sagrada Congregação da Inquisição para permitir a impressão de livros heliocêntricos em Roma e o helioecentrismo deslanchou.

Infelizmente, o geocentrismo como uma crença religiosa nunca morreu completamente mesmo diante das evidências. Nos Estados Unidos entre 1870 e 1920 diversos membros de Igrejas Luteranas, como o “Sínodo de Missouri” publicou artigos depreciativos a astronomia copernicana, e ensinando o geocentrismo amplamente dentro do Sínodo (Babinski, 1995) No entanto, em 1902, Al Graebner escreveu ao Theological Quarterly que o Sínodo não tinha posição doutrinária sobre o geocentrismo, heliocentrismo ou a qualquer modelo científico, a menos que fosse para contradizer a Escritura sagrada. Ele afirmou que eventuais declarações de geocentristas não definiam a posição do corpo da igreja como um todo (Graebner, 1902).

Algumas argumentações defendendo que o geocentrismo era uma perspectiva bíblica apareceram em boletins de “ciências da criação” associados ao Creation Research Society (grupo criacionista fundamentalista defensor de uma leitura literal da bíblia e propagador de posturas pseudocientíficas e anti-ciência) apontando para algumas passagens da Bíblia, que, quando tomadas literalmente, indicam que os movimentos aparentes diários do Sol e da Lua são devido a movimentos reais em torno da Terra e não devido à rotação do nosso planeta em torno do seu eixo. Eles utilizam a passagem de Josué 10:12 e Salmos 93:1. Os defensores contemporâneos para tais crenças religiosas incluem Robert Sungenis (presidente do Fórum teológico de Belarmino e autor do livro Galileo Was Wrong) e as pessoas que defendem uma opinião a partir uma leitura simples da Bíblia, especialmente na forma pela qual o Universo foi criado, recorrendo a uma visão de mundo geocêntrica. A maioria das organizações criacionistas contemporâneas rejeitar tais perspectivas, mas defendem concepções igualmente esdrúxulas, como a Terra jovem.

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Uma pesquisa feita nos EUA mostra que cerca de 20% da população acreditam que o sol gira em torno da Terra (geocentrismo), em vez de a Terra gira ao redor do Sol (heliocentrismo), enquanto outros 9% afirmaram não saber (Berman, 2006). Pesquisas realizadas pela Gallup na década de 1990 descobriu que 16% dos alemães, 18% dos americanos e 19% dos britânicos afirmam que o Sol gira em torno da Terra (Crabtree, 1999). Um estudo realizado em 2005 por Jon D. Miller, da Universidade Northwestern, um especialista na compreensão pública da ciência e tecnologia (Miller, 2007), descobriu que cerca de 20%, ou um em cada cinco dos adultos americanos entrevistados acreditam que o Sol gira em torno da Terra (Cornelia, 2005). De acordo com a VTSIOM, em 2011 cerca de 32% dos russos acreditam que o Sol gira em torno da Terra.

Em conclusão, notamos que o heliocentrismo não é convencional porque não abraça as concepções individuais, mas sim um modelo que conquistou seu posto com base em uma série de evidências que sugeriam uma terra se movendo em torno do Sol. Ele explicou fenômenos astronômicos que o sistema geocêntrico ptolomaico ou islâmico falhava. Da mesma forma, que esfericidade ou a Relatividade não é convencional. Não há razão alguma para que pessoas adeptas do geocentrismo rejeitem Einstein ou Newton. Se o fazem, é por razões convencionais fundadas em uma leitura empobrecida de escrituras sagradas ou por motivos pessoais.

Infelizmente, hoje passamos por um profundo analfabetismo científico (ou má-intenção) em que concepções básicas de físicas e astronomia passam a ser negadas por grupos organizados em redes sociais defendendo posturas que para eles são convencionais, porque um suposto geocentrismo vai de encontro com posturas religiosas. Este é o caso dos geocentristas ou mesmo dos defensores da Terra plana que vão dizer que o modelo heliocêntrico é convencional. Ora, se a relatividade do Einstein fosse convencional, então o que importa os fatos que a suporta?

Obviamente, se uma pessoa muda o modelo de curvatura de espaço-tempo e observa tudo sob outra perspectiva modelar, é possível defender a priori uma concepção plana da terra ou geocêntrica. Criando-se um modelo novo de espaço em que se abre a esfericidade da Terra de modo convencional, ignorando o fato da massa de corpos curvar o tecido do espaço (ignorando completamente as constatações empíricas das previsões de Einstein) e partir de um pressuposto que ao traçar uma linha reta em um sentido, o final será o início dela, teremos um modelo novo que vai se suportar apenas por uma lógica de castelos de cartas. Ignorando todos os dados do modelo espaço tempo é possível ter uma nova física inútil e fadada ao fracasso que não vai corresponder aos fenômenos astronômicos mais simples. Dizer que o sistema heliocêntrico ou da Relatividade é convencional (ou pior, que não é compreensível e portanto então não existe em uma distorção das ideias de Descartes) você pode favorecer a postura terra-planista ou gencentrista. Se a questão deixa de ser os dados empíricos que suportam os modelos e passa a ser convencionalidade dos modelos que mais gostamos, sigamos os terra-planistas e os geocentristas.

Trocando em miúdos, é possível observar a terra em uma perspectiva plana se voce destruir o modelo, espremer e tortura-lo até ele dizer algo que você queira e não exatamente aos fatos que ele descreve. Alguns grupos religiosos (criacionistas/designer inteligente) são excelentes em fazer alegações e tirar conclusões distorcidas de artigos científicos que não dizem metade do que lhes é atribuído.

Claro, qualquer distorção dos dados não vai corresponder a realidade (afinal, as constatações empíricas para o modelo atual e vigente são claras e escancaradas), e, para explicar uma série de fenômenos astronômicos em um modelo geocentrista será precisar de uma série de ad hocs, tal qual fazia o modelo ptolomaico. É preciso fazer das exceções ás regras do jogo para sustentar qualquer um destes modelos pseudocientíficos. Um dos melhores exemplos de ad hoc vem dos próprios terra planistas que afirmam que o Sol esta mais próximo da terra plana que a Lua e portanto a Lua passa por trás dele. Será sempre necessário um ad hoc gigantesco para explicar um eclipse solar, estações do ano, marés etc e tal. O mesmo ocorre com o geocentrismo e seria até compreensível uma defesa geocêntrica se não tivéssemos satélites no espaço observando a Terra esférica girar em torno de uma estrela. Afinal, dentro de um carro temos a vã impressão de que as árvores da rua estão correndo e que o carro esta parado. Alguém poderia alegar que as árvores correm, assim como o Sol corre em torno da Terra, tudo vai depender do referencial, e não é uma mera defesa de corrente filosófica (aristotélica) do tipo “o copo esta meio cheio ou meio vazio”. As mentes brilhantes da ciência notaram que na verdade é o oposto ocorre. Sem mudança de perspectiva, defendendo a postura de idiotia (no sentido grego) em uma terra/homem como centro de um Universo criado, o geocentrista sempre vai defender que o Sol gira em torno da Terra e que as árvores correm enquanto o carro esta parado.

Victor Rossetti

Palavras chave: Rossetti, NetNature, Geocentrismo, Heliocentrismo, Copérnico, Aristarco, Aristóteles, Copérnico, Kepler, Newton, Tycho, Sistema Ptolomaico.

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Referência

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4 thoughts on “GEOCENTRISMO – A VOLTA DO IDIOTISMO PRÓDIGO.

  1. Parabéns pelo texto, Rossetti. Um dos melhores e mais informativos que já li sobre o tema. Muito me lembrou Sagan. Deveria ser usado em escolas. Você já o publicou sobre forma de artigo acadêmico. Se sim, me passe as referências para que eu possa vir a citá-lo algum dia.

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