FEVEREIRO CONTINUA NA RISCA DE BAIXA RECORDE DO MAR ÁRTICO EXTENSÃO DO GELO. (Comentado)

O gelo do mar Ártico bateu o recorde pelo satélite sendo o mais baixo pelo segundo mês consecutivo. Nas primeiras três semanas de fevereiro via-se pouco o crescimento do gelo, mas a medida aumentou durante a última semana do mês. O gelo do mar Ártico normalmente atinge o seu limite máximo para o ano em meados e final de março.

Arctic extensão do gelo marinho para fevereiro 2016 foi 14,22 milhões de quilômetros quadrados (5,48 milhões de milhas quadradas). A linha magenta mostra a 1981-2010 medida mediana para esse mês. A cruz preta indica o pólo norte geográfico. Crédito: National Snow and Ice Data Center.

A extensão do gelo marinho no Ártico em fevereiro 2016 foi 14,22 milhões de quilômetros quadrados (5,48 milhões de milhas quadradas). A linha rosa mostra a 1981-2010 medida mediana para esse mês. A cruz preta indica o pólo norte geográfico. Crédito: National Snow and Ice Data Center.

A extensão do gelo marinho do Ártico para Fevereiro foi em média 14,22 milhões de quilômetros quadrados (5,48 milhões de milhas quadradas), o menor grau de fevereiro, no registro do satélite. Ele é de 1,16 milhões de quilômetros quadrados (448 mil milhas quadradas) abaixo do 1981-2010, uma média de longo prazo de 15,4 milhões de quilômetros quadrados (5,94 milhões de milhas quadradas) e é de 200 mil quilômetros quadrados (77 mil milhas quadradas) abaixo da mínima recorde anterior para o mês registrado em 2005.

Nas primeiras três semanas de fevereiro via-se pouco o crescimento do gelo, mas a medida aumentou durante a última semana do mês, principalmente devido ao crescimento no Mar de Okhotsk (180 mil quilômetros quadrados ou 70 mil milhas quadradas) e, em menor medida, na baía de Baffin (35 mil quilómetros quadrado ou 13.500 milhas quadradas). A medida é atualmente abaixo da média nos mares de Barents e Kara, bem como o Mar de Bering e do Mar Leste da Groenlândia. A medida diminuiu nos mares de Barents e no Leste da Groelândia durante o mês de fevereiro. Em outras regiões, como o Mar de Okhotsk, baía de Baffin, e no Mar do Labrador as condições do gelo estão perto de média, um pouco acima da média para esta época do ano. Uma exceção é o Golfo de St. Lawrence, que permanece em grande parte livre de gelo.

Na Antártida, o gelo do mar atingiu sua extensão mínima para o ano em 19 de fevereiro, com média de 2,6 milhões de quilômetros quadrados (1 milhão de milhas quadradas). É o nono mais baixo do mar Antártico em extensão mínima de gelo no registro do satélite.

Fonte: Nasa

.

Comentários internos

Como evidenciado pelos dados da NASA, nosso planeta continua a aumentar a temperatura média, litorais em todo o mundo vão avançar para o interior, a longo prazo. Isso significa que algumas cidades costeiras, como a Flórida possam território onde as pessoas vivem atualmente.

Um novo estudo publicado na revista Earth System Dynamics forneceu alguns cálculos relativos à escala do que seria necessário para alterar este cenário. Essa escala acaba por ser simplesmente grande em última análise e que se apresenta como uma de iniciar uma discussão sobre a problemática ambiental, especialmente na temática do quão grande o problema do nível do mar é realmente. O documento traz como proposta bombear o excesso de água do mar para mais de duas milhas da parte superior da camada de gelo da Antártida, onde ele iria congelar e ficar fixado por um tempo relativamente longo. O novo estudo, portanto, usa um modelo de computador sobre a Antártida para estudar as consequências da adição de grandes volumes de água salgada em diferentes partes da camada de gelo. Este é o menor dos problemas.

O grande lance esta na quantidade de energia incomensuravelmente necessária e a geo-engenharia de que o projeto necessitaria. Assim, o Instituto Potsdam norteou a pesquisa como apoiando a ideia de que “o futuro do aumento do nível do mar é um problema, provavelmente, demasiadamente grande para ser resolvido, mesmo por geo-engenharia sem precedentes. Isto só reforça o que tem sido dito aqui no NetNature, de que a crise ambiental só pode ser resolvida no âmbito social e econômico e que a solução não deve ser tecnicista.

Todas essas medidas são propostas para o efeito e não a causa do problema; adotar uma proposta técnica e esquecer a real dimensão do problema ambiental será como enxugar gelo, literalmente.

Como destacou o Washington Post, o problema com o uso de geo-engenharia para combater a elevação dos mares é que cada milímetro de elevação do nível do mar é equivalente a 360 bilhões de toneladas de água do mar. E os mares estão aumentando a um ritmo de mais de 3 milímetros por ano, e como a taxa de crescimento deverá crescer ainda mais no futuro. Isto obviamente inviabiliza o projeto do estudo, mas pode permitir uma abordagem sobre a temática ambiental abrindo questões sobre a origem e a procedência da problemática e sob quais posturas e mudanças sociais podemos ser protagonistas para melhorar nossa relação com o meio ambiente.

O estudo é basicamente uma modelagem que sugere que o bombeamento de águas profundas para o centro da Antártida, a 700 quilometros de profundidade para o interior do continente a mais de duas milhas para cima do nível do mar. Usemos os dados do estudo para ter uma breve noção da dimensão do problema.

A adição do valor de um metro de elevação do nível do mar se traduziria em uma elevação total do gelo continental em 25 metros. Isto significa que se você bombear água a esta região extremamente remota, que é o local de congelamento durante os próximos 1.000 anos, apenas cerca de 20% do seu equivalente irá retornar para o oceano na forma líquida, através do gradual espalhando e fluxo de gelo da Antártida em direção ao mar sob o seu próprio peso. Então, na verdade, a Antártica seria de fato um estoque do nível do mar ascensão (contanto que você bombeie continuamente a água).

Ainda assim, haveria uma enorme captura. De fato, o sistema estaria movendo tanta água que simplesmente levantaria valor de nível do mar em 3 milímetros (que corresponde aos valores atuais) mas a quantidade de energia necessária equivaleria a 7% de toda a energia que o mundo gera. Para bombear ainda mais água, como a subida do nível do mar acelera, seria preciso ainda de mais energia.

Além disso, teria que fazer tudo isso em um lugar extremamente remota, onde agora, não há nada como a capacidade de gerar tanto poder energético.

Portanto, a pesquisa constata, que seria necessário instalar 850 mil turbinas de vento em torno da Antártida. O lugar mais ventoso do planeta iria gerar um fluxo constante de 1.275 gigawatts de energia elétrica. Isso equivaleria a 8%  do potencial total de energia eólica da Antártica, diz o estudo. A título de comparação, a capacidade de geração total de eletricidade nos EUA em 2012 foi de apenas 1.063 gigawatts.

Para o bombeamento, seria precisaria 90 das maiores estações de bombeamento atualmente em construção em Nova Orleans, cada um dos quais seria capaz de bombear 360 metros cúbicos de água por segundo, segundo o estudo calculou.

O escopo de um projeto como este é sem precedentes e exigiria grandes inovações técnicas. Portanto, os custos não podem ser estimados com segurança. Há um milhão de problemas associados a este método que o estudo não levantou mas esta ciente e isto inclui o problema da adição de grandes volumes de água salgada no topo de uma camada de gelo de água doce, com consequências ainda desconhecidas. A pesquisa também observou que a intervenção humana maciça, sem dúvida, esta deflagrando os ecossistemas costeiros exclusivamente preservados da Antártica e, assim, violando o Tratado da Antártida.
A escala desta proposta é, no final, auto-refutável ainda que tenha sido publicado em uma revista revisada por pares, mas pode oferecer um registro pedagógico importante para dimensionar o estrago que esta sendo causado pelo homem e suas atividades e o reflexo disto para futuras gerações.
A história da Antártida é delicada, e sugere uma camada de gelo no limiar do perigo. Com níveis de dióxido de carbono acima de 600 partes por milhão (ppm) poderia induzir derretimento rápido segundo a análises e evidências do passado, há cerca de 34 milhões de anos atrás. Os cientistas identificaram um dióxido de carbono de “zona de perigo” para o desaparecimento do manto de gelo. Com base nos níveis de CO2 quando as camadas foram formadas, os pesquisadores relatam que o gelo da Antártica será “drasticamente” mais vulnerável ​​ao derretimento se o nível de CO2 ultrapassar 600 ppm na atmosfera.

Lembrando que, as concentrações do gás de efeito estufa atingiram 400 ppm no ano passado, bem acima do seu nível pré-industrial que era de 280 ppm. O gelo da Antártida nos últimos 200 mil anos apresenta uma concentração de CO2 entre de 200 a 280 g/t e permaneceu oscilando neste parâmetro até o século 19. Nos últimos 130 anos a concentração aumentou de 280 para 360 g/t até 1990. Um aumento de 30%. A taxa de emissão de gases do efeito estufa a partir de queimadas, desflorestamento queima de combustíveis fósseis aumentam 4,3% por ano.

Com as taxas de emissão de hoje em dia, espera-se que cheguemos em 600 ppm antes do final deste século, diz a co-autora do estudo Simone Galeotti, uma cientista paleoclimatologista na Universidade de Urbino, na Itália. Os estoques da lâmina de gelo são suficientes para elevar o nível do mar de cerca de 60 metros e remodelar litorais de toda a Terra. Seu trabalho, publicado na revista Science, fornece a melhor estimativa para o limiar de CO2 que promoveu a aparência da camada de gelo da Antártida.

Os cientistas já traçaram os primórdios da camada de gelo usando medições indiretas, como a diminuição do nível do mar. Estes métodos não são definitivos, no entanto, Galeotti e seus colegas estudaram um núcleo de sedimentos do mar a cerca de 900 metros de comprimento perfurados em 1999 ao longo da costa leste da Antártida. O núcleo forneceu um registro detalhado do tamanho da camada de gelo da Antártida de cerca de 34-31 milhões de anos atrás. À medida que a camada de gelo era expandida, sedimentos eram amontoados ao longo de sua borda externa. Usando o núcleo de sedimentos, os pesquisadores descobriram que a camada de gelo era formada em duas etapas.

Quando os níveis de CO2 caíram abaixo de 750 ppm e o gelo da Antártida apareceu pela primeira vez a 34 milhões de anos atrás, os pesquisadores descobriram que a camada de gelo era pequena. Suscetíveis a flutuações na quantidade de calor solar que aqueceu a Terra, essa camada de gelo no início passou por mudanças em grande escala de tamanho.

Uma vez que o CO2 caiu abaixo de 600 ppm, por volta de 32,8 milhões de anos atrás, a camada de gelo tornou-se mai resistente às mudanças climáticas, aumentando de tamanho e baixando o nível do mar. Se os níveis de CO2, mais uma vez subirem acima de 600 ppm, a camada de gelo da Antártida vai voltar a ser vulnerável ao derretimento rápido, alertam os pesquisadores.

 pesquisadores descobriram novos insights sobre a Antártida Os mantos de gelo origens usando um núcleo de sedimentos coletados no mar de Ross ao largo da costa leste da Antártida. A cerca de 900 metros de comprimento do núcleo oferecido pistas sobre a estabilidade do manto de gelo início em diferentes níveis de dióxido de carbono atmosférico.

Pesquisadores descobriram novos insights sobre a origem dos mantos de gelo da Antártida usando um núcleo de sedimentos coletados no mar de Ross ao longo da costa leste da Antártida. A cerca de 900 metros de comprimento do núcleo encontrou-se evidencias sobre a estabilidade do manto em diferentes níveis de dióxido de carbono atmosférico.

Caroline Lear, uma cientista paleoclimática da Universidade de Cardiff, no País de Gales, diz que o limite de 600 ppm para a plataforma de gelo não pode ser verdadeiro em certo sentido porque não sabemos se podemos usar o mesmo limiar de CO2 do passado para os dias de hoje. Afinal, a Antártica era diferente de 34 milhões de anos atrás.

Lear e Dan Lunt, um cientista paleoclimática da Universidade de Bristol, na Inglaterra, publicou um artigo perspectiva sobre a nova pesquisa na mesma edição da Science. O trabalho reforça a noção de que uma quantidade menor de CO2 facilita a formação da camada de gelo, diz Lunt. O gelo em expansão pode ter, por sua vez reduzido CO2. O gelo reflete a luz solar que de outra forma aqueceria o chão. Este efeito espelhado pode redirecionar ventos e correntes oceânicas, possivelmente favorecendo mais o rebaixamento do CO2 nos oceanos da Terra. A compreensão dessas interações ajudará os cientistas a prever melhor como o gelo da Antártida se sairá no futuro, diz ele (Science News, 2016).

Esta cada vez mais evidente a influência humana sobre o clima, que remonta à década de 1930 como sugere novas pesquisas. Os seres humanos têm provocado nos últimos 16 anos recordes de calor na Terra (até 2014).

Um recente estudo sugere que, sem as mudanças climáticas induzidas pelo homem, os últimos verões não seriam tão quentes. Os pesquisadores também descobriram que este efeito tem sido mascarado em muitas áreas do mundo pela ampla utilização de aerossóis industriais, que têm um efeito de resfriamento sobre as temperaturas.

Os últimos anos quentes recordes foram de muito variabilidade natural e que seriam quase impossíveis sem um aumento da temperatura média do planeta.

Os pesquisadores examinaram os eventos climáticos que excederam o intervalo de variabilidade natural e de modelagem climática utilizada para comparar esses eventos para criar uma condição de um planeta sem gases de efeito estufa emitidos pelo homem. O estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters, e na revista American Geophysical Union.
De acordo com o estudo, os recordes de calor atribuíveis às alterações climáticas correspondem aos anos de 1937, 1940, 1941, 1943-1944, 1980-1981, 1987-1988, 1990, 1995, 1997-1998, 2010 e 2014.

A Austrália, mostrou os últimos seis anos recordes de calor: os últimos três verões foram recordes de calor, promovidos pela influência humana sobre o clima. Foi claramente possível notar as mudanças climáticas na Austrália devido sua posição no Hemisfério Sul no meio do oceano, longe da influência do resfriamento de altas concentrações de aerossóis industriais.

Aerossóis em concentrações elevadas refletem mais calor para o espaço, baixando as temperaturas. Entretanto, quando esses aerossóis são removidos da atmosfera, o aquecimento retorna rapidamente. Os pesquisadores observaram esse impacto quando eles olharam para cinco diferentes regiões: Inglaterra Central, Europa Central, o centro dos Estados Unidos, da Ásia e Austrália. Houve períodos de resfriamento, provavelmente causados por aerossóis nesses locais durante os anos 1970 e um aquecimento acelerado.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Antartida, Dióxido de Carbono, Ártico

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s