CÓLERA – COMO A DOENÇA PEGA CARONA NO EL NIÑO E ALCANÇA NOVAS PRAIAS (Comentado)

Uma nova pesquisa publicada destacou como o El Niño poderia ser o transportador e propagador de doenças transmitidas pela água, como cólera a milhares de milhas, através dos oceanos, com impactos significativos para a saúde pública.

2016 El Niño 'Godzilla' - comparando os dados de 1997, com 2015 destaques dos efeitos extraordinários "de El Niño nos últimos tempos. Crédito: autores do estudo e instituições.

2016 – Um El Niño ‘Godzilla’ – comparando os dados de 1997 com os de 2015 em destaques os efeitos extraordinários do El Niño nos últimos tempos. Crédito: autores do estudo e instituições.

O estudo, publicado na revista Nature Microbiology por uma equipe internacional de pesquisadores no Reino Unido e EUA, explora como a chegada de novas e devastadoras doenças causadas pelo vibrião na América Latina coincidiram no tempo e no espaço com eventos significativos de El Niño.

O El Niño descreve o aquecimento anormal das águas superficiais ao longo da costa oeste da América do Sul tropical. Estes eventos tendem a ocorrer a cada 3 – 7 anos; algo que muitos sugerem é que tornaram-se mais regulares e extremos nos últimos anos, como resultado das mudanças climáticas.

Através do novo estudo, o resultado de uma colaboração de longo prazo com o Instituto Nacional de Saúde (INS) no Peru, os autores observam que as doenças relatadas causadas por bactérias transmitidas pela água na América Latina parecem estar se movendo em conjunto com quando e onde as águas quentes do El Niño fazem contato com a terra.

Mais significativamente, com base em novos dados provenientes de toda o sequenciamento do genoma de estirpes bacterianas, eles sugerem que há ligações entre os organismos que causam doenças na Ásia, com aquelas que emergem na América Latina.

Nos últimos 30 anos, coincidindo com os últimos três eventos significativos El Niño em 1990-1991, 1997-1998 e 2010, novas variantes de agentes patogênicos surgiram na América Latina.

Estes incluíram um surto de cólera devastador no Peru em 1990, levando a mais de 13 mil mortes, bem como duas instâncias em 1997 e 2010, onde novas variantes da bactéria Vibrio parahaemolyticus levou à doença humana disseminada através de mariscos contaminados.

O autor principal da Universidade do Centro de Milner de Bath há Evolução e Departamento de Biologia e Bioquímica, Dr. Jaime Martinez-Urtaza explica: “Através de nossos resultados, sugerimos que os chamados Vibrios – bactérias microscópicas comumente encontradas nas águas do mar – podem anexar-se a maioria dos organismos tais como zooplâncton e viajar para oceanos. Numerosos estudos anteriores mostraram como tais vibriões se ligam e usam estes organismos maiores como uma fonte de energia e através deste mecanismo, sugerimos, que eles são, essencialmente, capazes de viajar para oceanos distâncias com tais doenças, impulsionados pelas correntes oceânicas.

“Os efeitos do El Niño e seus impactos sobre o clima local, a pesca e o risco de eventos meteorológicos mais extremos já estão bem documentados. Agora a compreensão do papel das correntes oceânicas também esta envolvida no transporte dessas doenças que tem um enorme significado para campanhas de saúde pública nesses países”.

Co-autor, Dr. Craig Baker-Austin do laboratório do Reino Unido Cefas Weymouth acrescentou: “Um evento El Niño poderia representar uma forma eficiente de longa distância ‘corredor biológico”, permitindo o deslocamento de organismos marinhos de áreas distantes Este processo pode fornecer uma fonte periódica e única de novos agentes patogênicos para a América com implicações graves para a propagação e controle da doença”.

Fonte: Science Daily

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Comentários internos

Em uma publicação feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em 2001 destacou-se que 71% das amostras de água de lastro de navios em cinco portos do Brasil continham bactérias marinhas, inclusive a Vibrio cholerae O1. A cólera foi introduzida no Brasil, em 1991, via água de lastro proveniente e navios vindos do Peru através da coleta de água levaram também moluscos e frutos do mar capturados nas regiões de despejo da água de lastro (Brasil Escola). O Brasil registrou 33 mortos pela cólera, número que respectivamente subiu nos dois anos seguintes para 462 e 650 casos (Zanella, 2010).

É possível notar que o foco inicial da cólera foi o Peru que é um ponto-chave para os ventos alísios que promovem o El Niño, e que é a costa que fica em direção ao Pacífico e Ásia, corroborando o que o texto acima afirma.

Água de lastro é o nome daquela água introduzida no casco do navio que auxilia na estabilidade e segurança do navio que carrega grandes cargas. A água de lastro pode transportar espécies exóticas dentro dos tanques dos navios, como peixes de 30 centímetros, em estágio larval ou planctônico. Além disto, pode carregar anêmonas, cracas, caranguejos, caracóis, mexilhões, ouriços do mar, bem como os agentes patogênicos como a cólera (ANVISA, 2003).

Uma projeção publicada na revista médica inglesa ‘The Lancet‘, prevê que até o ano 2085 cerca cerca de 50-60% da população mundial (ou 6 bilhões de pessoas) viverá em áreas com condições de alto risco de transmissão de dengue. Por efeito de comparação, no ano 1990 essa taxa era de 30% (ou, 1,5 bilhão de pessoas). Estudos feitos sobre a cólera também reforçam projeção, de que há uma relação clara entre altas temperaturas e doenças. Os trabalhos, publicados na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Science (PNAS) usaram a cidade de Bangladesh, na Ásia, onde o problema é endêmico. O estudo demonstrou que o aumento da temperatura no Pacífico provocado pelo El Niño tem relação direta com a incidência de epidemias de cólera na região. Tal influência tem se tornado ainda mais intensa nas últimas décadas, e claro, o efeito El Niño tem sido intensificado pelo aumento da temperatura média do planeta. Não é surpresa quando se observa o caminho que o vírus da dengue, chicungunya e zika fizeram até chegar a América e como o resente El Niño tem intensificado seus casos.

Muitos problemas podem ser agravados nesta situação, e a maior delas é a alteração na distribuição e freqüência de doenças tropicais transmitidas por insetos, especialmente a dengue e a malária. Pesquisadores neozelandeses e australianos que fizeram a projeção sobre a distribuição da doença até 2085 considerando o aumento da temperatura do planeta, a ocorrência de chuvas e doenças veiculadas por mosquitos. O microbiologista Alexandre Adler, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, explicou que com o calor, os ovos se transformam em mosquito (da dengue, por exemplo) mais rapidamente. O metabolismo do inseto também fica mais veloz durante o desenvolvimento e isto levar o mosquito a procurar mais fontes de alimento. O resultado é que uma fêmea que picava de 15 em 15 dias, passa a picar de 4 em 4.

A malária é mais suscetível às variações climáticas. Um estudo feito pela Escola Médica de Harvard, dos EUA, demonstrou que até a metade deste século o aquecimento global colocará 60% dos seres humanos em áreas de risco. Atualmente, cerca de 45% (ou aproximadamente 300 milhões) de novas infecções ocorrem por ano. A doença duplicaria na Amazônia e na África tropical, espalhando-se pelo sul dos Estados Unidos e até pelo norte da Rússia onde é frio.

Nos Estados Unidos, por exemplo, existem algumas espécies do Anopheles (mosquito que transmite a malária), em regiões mais quentes, mas ultimamente eles têm se espalhado para outras áreas do país. Em 2002, o país registrou o verão mais quente dos seus últimos 70 anos. Nos países onde existe uma densidade alta de insetos nas terras baixas e há aumento da temperatura, os mosquitos radiam-se para áreas mais altas, chegando em áreas que antes não conseguiam porque devido o frio. Epidemias de malária também têm sido apontadas como uma das conseqüências após desastres naturais provocados pelo El Niño, como fortes chuvas, furacões e tufões. Em climas secos, a chuva forte cria condições onde as águas ficam empoçadas e servem de criadouros dos mosquitos (Revista Galileu).

Outro problema são os surtos de hantavirosa, infecção respiratória transmitida por urina, fezes, saliva e secreções de roedores. Elas ocorreram com mais frequência no sudoeste dos EUA. Em 1993 e 1998 ocorreram com certa frequência.

Na região onde surgiu a doença em 1993 houve uma seca de seis anos e depois começaram intensas chuvas, até que na primavera daquele ano houve enorme aumento de sementes de pinha. Isso contribuiu para a proliferação de gafanhotos, se alimentavam desta planta e que serviram de alimento para roedores que também se proliferaram e impulsionaram os casos de hantavirose. Os pesquisadores detectaram na área cerca de 10 vezes mais roedores do que o normal. Houve um aumento expressivo de casos em humanos (Revista Galileu).

Tudo isto é impulsionado pelo El Niño que cria uma condição mais quente do mar e também facilita a proliferação de microrganismos, como os zooplânctons, que servem como reservatórios do Vibrio cholerae, a cólera. Estimativas mostram que aumentando em 1ºC a temperatura, o número de microrganismos aumenta em 10 vezes. Isto significa que se em uma determinada quantidade de água havia 100 mil microrganismos, com a nova condição passa a existir cerca de um milhão. O impacto das variações climáticas na incidência de epidemias varia de acordo com o contexto social, é claro, e evidente, especialmente no momento em que vivemos atualmente; El Niño e epidemias de dengue, chicunguya e zika.

El Niño e La Niña – A intensificação pelas mudanças climáticas.

E El Niño tem um efeito mais significado sob as condições climáticas que a La Niña. Devemos entender o que esses são dois fenômenos climatológicos distintos, que ocorrem no Pacífico. Aqui, cabe uma definição de cada um deles para compreender como as mudanças climáticas têm contribuído para a intensificação desses fenômenos.

La Niña (ou “a menina”) é um fenômeno oceânico e atmosférico na qual ocorre o resfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial; ou seja, o oposto do que ocorre no El Niño (aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico). Os resultados são dinâmicas climáticas distintas. Em La Niña há uma intensificação dos ventos alísios; aqueles ventos que sopram na faixa equatorial de leste para oeste.

Ventos alísios

Ventos alísios

Com a intensificação dos ventos, uma quantidade maior que o normal de águas quentes se acumula no Pacífico Equatorial Oeste, enquanto no Pacífico Leste (próximo ao Peru e Equador, verifica-se a presença de águas mais frias). Isto gera o aumento no desnível entre o Pacífico Ocidental e Oriental. O aumento na intensidade dos ventos alísios provoca intensificação dos movimentos de ressurgência; quando ocorre a subida das águas profundas e frias para as camadas superficiais do oceano no lado leste do Pacífico Equatorial, junto à América do Sul.

Essas águas profundas sobem carregadas de nutrientes e microrganismos que vão servir de alimento para os peixes, atraindo cardumes para as águas superficiais e favorecendo a pesca.

As águas quentes que ficam “represadas” no canto oeste do Pacífico próximo a Indonésia e Ásia em geral. Neste momento ocorre uma alta taxa de evaporação e consequentemente a formação de nuvens de chuva que geram as células de circulação, ou célula de Walker.

La Niña. Fonte: geoexame. Clique para ampliar

La Niña. Fonte: Geoexame. Clique para ampliar

A La Niña ocorre geralmente em intervalos de 2 a 7 anos, e dura de 9 meses a um ano. Atualmente são bem menos frequentes que o El Niño. Quando a La Niña ocorre, afeta a circulação de ar, ventos e temperatura da atmosfera culminando em mudanças nas condições climáticas de várias regiões. Por exemplo, na Colômbia e Austrália as chuvas se tornam abundantes e podendo causar enchentes. Em contrapartida, há uma diminuição das chuvas no oeste da Argentina e do Chile, no Peru, Paraguai e Equador. No Brasil, em anos de La Niña, ocorrem chuvas mais abundantes no norte e leste da Amazônia. Há um aumento na vazão dos rios da região e ocorrem grandes enchentes. No Nordeste ocorre um aumento de chuvas favorecendo a região semiárida. Na região Sul observa-se a ocorrência de secas severas e aumento das temperaturas prejudicando as atividades agrícolas da região. Na região Sudeste e Centro-Oeste os efeitos são instáveis, podendo variar entre secas ou inundações promovidas por grandes tempestades (InfoEscola).

O El Niño, como dito, caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, predominantemente na sua faixa equatorial. Tal aquecimento ocorre geralmente no mês dezembro, próximo ao Natal, por isso recebeu o nome de “El Niño”, em referência ao “Niño Jesus” (Menino Jesus). Termo dado por pescadores peruanos.

Nos anos sem El Niño, os ventos alísios sopram de leste para oeste, acumulando água quente na camada superior do Oceano Pacifico perto da Austrália e Indonésia. Como as águas do oceano no Pacífico Oeste são mais quentes, consequentemente ocorre maior evaporação e formam-se nuvens em grandes áreas do oceano. Nos níveis superiores da atmosfera os ventos sopram de oeste para leste. Assim o ar frio desce no Pacífico Leste (junto à costa oeste da América do Sul), completando a circulação, novamente, da célula de Walker. Ocorre também a a ressurgência das águas; a água fria do fundo do oceano flui para a superfície.

Em anos com o El Niño, ocorre enfraquecimento dos ventos alísios, fazendo com que a camada de águas superficiais quentes do Pacífico se desloque ao longo do Equador em direção à América do Sul. Há um deslocamento da célula de Walker que fica bipartida. Ocorre em todo o Pacífico um aquecimento das águas na porção Equatorial. Esse fenômeno interfere na circulação geral da atmosfera.

El Niño. Fonte: Geoexame. Clique para ampliar

El Niño. Fonte: Geoexame. Clique para ampliar

No Brasil o El Niño causa o aumento de chuvas na região Sul, acarretando prejuízos aos agricultores. No Norte ocorre redução de chuvas nos setores norte e leste da Amazônia, levando ao aumento significativo de incêndios florestais. No Nordeste ocorre diminuição das chuvas. Em locais como o Sertão nordestino essa redução chega a 80% no período chuvoso. Ocorre também aumento nas temperaturas do Sudeste e Centro-Oeste.

Grandes secas na Índia, Austrália, Indonésia e África são causadas por esse fenômeno. No Peru, Equador e no meio oeste dos Estados Unidos ocorrem enchentes. Na Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana e Guina Francesa as chuvas são reduzidas, com exceção da costa da Colômbia que recebe intensas chuvas (InfoEscola).

Uma publicação recente da NASA mostra o desdobramento do El Niño em 2015 no oceano Pacífico e como as temperaturas da superfície do mar criando diferentes padrões do El Niño de 1997-1998.

O início de um El Niño é importante. Por exemplo, o El Niño de 1997 começou a partir de temperaturas da superfície do mar mais frias do que a média, mas o evento 2015 começou com temperaturas mais quentes do que a média, não só no Pacífico, mas também em no Atlântico e Índico.

O El Niño de 1997 era muito mais forte no Pacífico Oriental, com muito mais águas aquecidas até a costa da América do Sul. Em 2015, as águas mais quentes estavam no Pacífico Central e estenderam-se a oeste. As variações de temperatura da água típicas do El Niño não são apenas na superfície do Pacífico equatorial, mas abaixo da superfície também. E estas variações também foram diferentes em 2015, em comparação a 1997. No auge do El Niño (em novembro) as temperaturas mais frias do que a média no Pacífico Ocidental e temperaturas mais quentes do que a média no Pacífico Oriental eram mais intensas e estendidas mais profundamente em 1997 do que em 2015.

Modelos de computador construídos com bóias oceânicas, e modelos atmosféricos com dados de satélite e outras fontes, também podem simular as temperaturas da água dos oceanos para nos próximos meses. A previsão sazonal feita pelo Global Modeling and Assimilation Office que leva 18 horas para ser concluída cria mais de 9 terabytes de dados e mostrou que o El Niño  de 2015 poderia ser diferente até o final (Science Daily, 2016).

A questão de como o aquecimento global vai influenciar El Niño tem sido um desafio para os cientistas a responder. Em 2011 a Climate Central indicou que alguns modelos climáticos sugerem que o aquecimento global já começou a provocar mudanças sutis no ciclo de oscilação sul do El Niño, e que se tornarão mais pronunciadas no final deste século. Porém, destacou que um estudo publicado no Journal of Climate não encontrou muitas evidências para isso. Isso porque o aquecimento global teria mudado o campo de atuação em que El Niño e La Niña operam (Central Climate, 2011).

Entretanto, um artigo publicado na Nature mostrou que o El Niño tem uma característica proeminente de variabilidade climática com impactos climáticos globais. O episódio 1997/98 e o 1982 contou com uma extensão para leste pronunciada com um aquecimento a oeste do Pacífico e desenvolvimento de convecção atmosférica criando um enorme aumento das chuvas em um Pacífico Oriental Equatorial que normalmente é frio e seco. Tal reorganização maciça de convecção atmosférica tem os padrões climáticos globais gravemente afetados e alterou ecossistemas e produções agrícolas, forçando a formação de ciclones tropicais, secas, incêndios florestais, inundações e outros eventos climáticos extremos em nível mundial. Segundo o artigo, o aumento da frequência surge a partir de um aquecimento da superfície projetado sobre o leste do Pacífico equatorial facilitando mais ocorrências de convecção atmosférica na região equatorial oriental intensificando o fenômeno.

Outros estudos sugerem que o número total de El Niños é improvável a aumentar, mas poderia intensificar o evento criando “super-El Niños” susceptíveis de ocorrer duas vezes mais em um mundo em aquecimento. Parece contraditório, mas não é!

 Um mapa mostrando anomalias de temperatura da superfície do mar que antecederam e durante a 1997-1998 Super El Nino. Crédito: NOAA Vista


Um mapa mostrando anomalias de temperatura da superfície do mar que antecederam e que ocorreram durante o El niño de 1997-1998, considerado um Super-El Niño.
Crédito: NOAA

O mais forte El Niño já registrado foi o citado aqui, que ocorreu em 1997-98. Isso gerou fortes chuvas em todo o sul do EUA, deslizamentos de terra no Peru, incêndios florestais na Indonésia e a formação de crateras de pesca no Pacífico oriental. Estes e outros impactos foram responsáveis cerca de US$ 35-45 bilhões em danos e 23 mil mortes em todo mundo. Outro super-El Niño em 1982-83 causou estragos semelhantes em todo o mundo. Em um estudo publicado na Nature Climate Change, pesquisadores mostram que a mudança climática poderia dobrar a frequência de eventos de super-El Niño.

Os pesquisadores da Commonwealth Scientific da Austrália e Organização de Pesquisa Industrial, utilizaram 20 modelos climáticos para simular temperaturas do oceano e precipitação no Pacífico tropical, com e sem alterações em gases de efeito estufa. O estudo observou especificamente o período de dezembro a fevereiro, quando El Niño tende a bater seu pico e seus impactos são mais generalizados.

Notou-se que o efeito estufa do Pacífico equatorial leste aquece mais rápido do que as regiões circundantes. Isto torna mais fácil alcançar as “máximas temperaturas da superfície do mar” no leste do Pacífico Equatorial, e, portanto, mais ocorrências de eventos extremos do El Niño.

As águas de superfície no Pacífico Tropical Oriental são em média de 22 e -12°C (72°F e 10°F) mais frias do que a porção Ocidental do Pacífico Tropical. Isto significa que são mais fáceis de aquecer, reduzindo assim a diferença de temperatura total entre as duas regiões e faz com que as condições fiquem mais convidativas a formação de super-El Niño. Especificamente, os resultados mostram que a probabilidade de super-El Niños ocorrer dobra. Isto quer dizer que um super-El Niño que ocorria a cada 20 anos no século 20, ocorrerá a cada 10 no século 21.

Localizado no Oceano Pacífico, esses mapas mostram padrões de temperatura da superfície do mar durante os episódios El Niño e La Niña. Crédito: Steve Albers / NOAA.

Localizado no Oceano Pacífico, esses mapas mostram padrões de temperatura da superfície do mar durante os episódios El Niño e La Niña. Crédito: Steve Albers / NOAA.

Embora os resultados mostrem um aumento anormal no número e força do El Niño, eles não mostram uma alteração no número total de El Niños. O estudo também mostra que a atual influência El Niño tem sobre o tempo e em outros lugares não deve mudar. Ambos são resultados que outros estudos descobriram. É possível que os estudos estejam superestimados por uma larga margem. Isso prejudica seriamente a confiança dos modelos adequado sobre as oscilações no El Niño no Sul (El Niño-Southern Oscillation ou ENSO) simulações e projeções futuras.

Alguns modelos climáticos de longo alcance também não conseguem simular adequadamente outros padrões climáticos naturais que influenciam o El Niño e muito menos como eles podem mudar em um mundo em aquecimento.

Lisa Goddard, diretora do International Research Institute for Climate and Society fez uma avaliação semelhante de alguns dos modelos utilizados no estudo. No entanto, ela disse que a metodologia os resultados são precisos e podem fornecer informações úteis para os cientistas que fazem previsões sazonais em torno do planeta.

Como a maioria das habilidades em previsões sazonais são realizadas durante eventos de El Niño (e previsões se tornam mais hábeis ao longo de áreas terrestres do mundo), seria possível se preparar muito melhor para os impactos desses eventos. Embora o El Niño de 1997-1998 tenha sido uma super-El Niño e provocou danos extensos, os tomadores de decisão na Califórnia aplicaram um extra de US$ 7,5 milhões para a preparação de inundações com base em previsões sazonais que predisseram com precisão meses antes do tempo. O estado ainda sofreu US$ 1,1 bilhões em perdas durante o evento, mas a perda foi muita maior em 1982-1983 com o Super-El Niño.

Os gestores de recursos hídricos na baía de Tampa usam regularmente previsões sazonais e a previsibilidade do El Niño para planejar a disponibilidade de água nos meses seguintes a catástrofe. Há evidências de que El Niño já esta mudando. Uma pesquisa publicada em janeiro de 2013 já vinha mostrando um aumento de cerca de 20% na intensidade do El Niño ao longo do século 20, apesar de não atribuir especificamente tal mudança ás emissões de gases com efeito de estufa humanos (Climate Central, 2014) coisa que esta ficando mais evidente agora.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, El niño, Cólera, Mudanças climáticas, Ressurgência, Célula de Walker

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Referência

Zanella, Tiago Vinicius. Água de Lastro: um problema ambiental global. Curitiba; Juruá, 2010.

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