BIÓLOGOS OBSERVARAM PELA PRIMEIRA VEZ O COMPORTAMENTO HOMOSSEXUAL SELVAGEM EM GORILAS FÊMEAS. (Comentado)

Este comportamento homossexual é praticamente inédito no reino animal. Mas, pela primeira vez, um biólogo documentou evidências de gorilas fêmeas na selva ficando quente e molhadas em conjunto.

 Photo credit: Two female mountain gorillas engaging in homosexual mounting. Cyril Grueter/University of West Australia/PLOS One

Crédito da foto: Duas gorilas da montanha do sexo feminino envolvias em montagem homossexual. Cyril Grueter / Universidade de Austrália Ocidental / PLOS One

O comportamento foi observado em Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda por um pesquisador da Universidade da Austrália Ocidental (UWA). Os resultados foram publicados recentemente no jornal da PLoS ONE.

O estudo, liderado pelo Dr. Cyril Grueter, professor adjunto da Escola de Anatomia, Fisiologia e Biologia Humana da UWA, detalhou como ele observou as fêmeas em engajamento,  “proximidade” e “fricção genital,” com movimentos pélvicos. Ele também observa que os gorilas foram “proferindo vocalizações copulatórias” durante o ato – que presumivelmente é a linguagem científica para “falar putaria”. Ele também conseguiu capturar fotografias do ato, que até agora só foi observado em cativeiro.

Mas isso estava longe de ser uma ocorrência one-off. Descobriu-se que 18 das 22 gorilas fêmeas estudadas também foram encontradas se envolvendo em atividade sexual com outras fêmeas.

“Dado que todas estas observações vêm de grupos selvagens, não de gorilas em cativeiro, é óbvio que a atividade homossexual é parte do comportamento natural dos gorilas”, disse Dr. Grueter em um comunicado. “Minha impressão é que estas fêmeas derivam prazer da interação sexual com outras mulheres.”

Isso está em contraste com outras teorias que o comportamento homossexual em primatas é usado tanto como uma afirmação agressiva de domínio ou como uma forma de vínculo social.

Dr. Grueter também observou que ele chamou de “efeito pornográfico”. Em alguns casos, ele percebeu que as fêmeas se envolviam em comportamento do mesmo sexo pouco depois de terem testemunhado um macho adulto iniciar o sexo com outra fêmea. Isto sugere que este comportamento poderia agir como uma saída alternativa para a sua excitação sexual.

Alternativamente, outra hipótese do estudo, que Greuter admite manteve-se sem verificação, é que as fêmeas que se engatam nesse comportamento o fazem para diminuir a motivação de outra fêmea para ter relações sexuais com machos, a fim de garantir seu próprio sucesso reprodutivo.

Fonte: IFLScience

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Comentários internos

Existe muitos estudos feitos e em andamento para entender as causas do comportamento homossexual, e a indicação é de que ele seja não seja resultado de um fator único. Acredita-se que ele seja determinado por fatores biológicos e ambientais, cuja orientação sexual é determinada em uma idade adiantada, e o desenvolvimento da orientação sexual envolve uma complexa interação entre natureza e criação. Os fatores biológicos são genéticos e hormonais, podendo afetar tanto o desenvolvimento fetal do sistema nervoso, quanto fatores ambientais, e podem ser ordem sociológica, psicológica ou intra-uterino (Ann Lamanna et al, 2014). A ciência não aceita mais a velha alegação de que a orientação sexual seja uma questão de escolha (Ann Lamanna et al, 2014). A ciência aceita que o comportamento homossexual é uma condição natural. Em outras palavras, homossexualidade não é doença ou síndrome: faz parte do elenco natural de comportamentos sexuais que encontramos na natureza (e não único e exclusivo a humanidade).

Houve tentativas fracassadas de tentar entender a origem da homossexualidade. Algumas delas recorreram a teorias da sociologia. Quando alguém defende que a homossexualidade é um transtorno metal, esta promovendo uma ideia criada no século 19 que defendia que tal comportamento era causado pela má criação da criança. Esta ideia reina até hoje em certos grupos familiares e nichos mais conservadores que acreditam inclusive, que uma criação dura inibe a formação do comportamento homossexual. Muitos usam a violência para justificar uma correção de comportamento sexual (defendendo agressão física a meninos que estão se tornando homossexuais, e estupro em caso de mulheres homossexuais). Obviamente, que se essa ideia estivesse certa, seria possível evitar e até reverter quadros homossexualidade, o que não ocorre. O fracasso deste tipo de pensamento se deu em 1973 quando a Associação Psiquiátrica Americana suspendeu tratamentos sob a homossexualidade e parou de trata-la como um transtorno (Szklarz, 2006).

Em 1991 o neurocientista anglo-americano Simon LeVay (que é homossexual) anunciou ter encontrado no hipotálamo a região chave da sexualidade no cérebro; a região chamada INAH-3 que era entre 2 e 3 vezes menor nos gays. Apesar da primeira impressão indicar uma origem biológica da homossexualidade, os gays estudados em sua amostragem haviam morrido por causa do HIV, criando um viés para determinar se esta alteração era causa ou efeito da homossexualidade.

Obviamente, na questão humana a investigação sobre as causas da homossexualidade acabam se desdobrando em debates políticos, religiosos e sociais criando preocupações sobre a caracterização genética e testes pré-natais (Robert, 2007). Isto não significa que haja um “gene-gay”. De fato, um estudo de 2011 com gêmeos univitelinos (ou seja, com o mesmo DNA) apontou que as chances de um irmão ser gay se o outro for é somente de 20%. Isto demonstra que o ambiente tem uma importante contribuição, talvez até mais significativa que os genes. Claro, existe evidências para uma base genética da homossexualidade especialmente no sexo masculino com base em estudos individuais, com alguma associação com regiões do cromossomo 8 e no cromossomo X.

Quem diz isto são as pesquisas de Dean Hamer, geneticista do Instituto Nacional do Câncer, nos EUA. Hamer descobriu que dentro de algumas famílias havia muito mais gays provenientes do lado materno. Então ele estudou o cromossomo X (cromossomo na qual as mulheres possuem dois, e em homens que possuem um X e um Y) para scanear e descobriu uma região do cromossomo X chamada Xq28, eque era idêntica em muitos irmãos gays. Hamer destacou, porém, que fatores biológicos (genes e hormônios) são certamente responsáveis por mais de 50% da orientação sexual, admitindo que há espaço para fatores psicológicos (Ngun, 2014).

“Os estudos com gêmeos feitos até agora nos permitem uma estimativa de que até 40% da orientação sexual venha dos genes”, diz o pesquisador Alan Sanders, da Universidade Northwestern, EUA.

Recentemente, a epigenética tem sido relacionada no estabelecimento da orientação sexual humana. Em cinco regiões do genoma o padrão de metilação parece muito estreitamente ligada à orientação sexual. O padrão de metilação previu a orientação sexual de um grupo de controle com precisão de quase 70%. (Balter, 2015).

Epigenética e homossexualidade. Clique para ampliar. Fonte: CedsRio

Epigenética e homossexualidade. Clique para ampliar. Fonte: CedsRio

Um estudo encontrou informações genéticas que permitiram aos cientistas prever a orientação sexual em homens. As evidências estavam em marcadores epigenéticos (que alteram a forma como os genes se expressam). Elementos epigenéticos podem ser transferidos dos pais aos filhos por uma via alternativa ao DNA, mas também podem surgir durante a gestação ou mesmo na vida adulta. Um estudo publicado na revista Nature analisou um grupo de cinco desses marcadores epigenéticos em 37 pares de gêmeos idênticos, nos quais apenas um irmão era gay. Também participaram 10 pares de gêmeos heterossexuais, como grupo de controle. Através da análise descobriram que esse conjunto de marcadores estava presente no gêmeo gay, mas não em outro. Em 67% dos casos, o estudo acertou em prever quando alguém era homossexual, ou não.

Algumas evidências indicam que a formação da sexualidade pode ocorrer antes do nascimento, ao menos, por parte dos genes, e por fatores que atuam no desenvolvimento do feto. Um deles é a presença de hormônios pré-natais. Esta hipótese defende que os hormônios sexuais masculinos (andrógenos) se ligam ás partes responsáveis pelos desejos sexuais no sistema nervoso central e alteram seu crescimento, tornando-o mais tipicamente masculino ou feminino. A conexão dependeria das proteínas receptoras de andrógenos que funcionam restringindo sua entrada nas regiões responsáveis pela sexualidade, formando um cérebro sub-masculinizado. Nas mulheres, facilitariam entradas maiores, construindo uma estrutura super-masculinizada, atuando como conseqüência do número de receptores androgênicos de cada feto, e que talvez se deva à carga genética.

Já se notou que meninos com irmãos mais velhos têm maiores chances de serem homossexuais e que cada irmão mais velho aumentaria as chances da homossexualidade em cerca de um terço. A ideia é que a cada gravidez de um bebê do sexo masculino, o corpo da mãe desenvolve uma reação imunológica a proteínas que tem um papel no desenvolvimento do cérebro masculino. Esta reação afeta a formação do bebê depois que muitos irmãos já nasceram. Esta peculiaridade pré-natal pode ter respostas na evolução, como veremos mais adiante. A exposição a concentrações incomuns de hormônios antes do nascimento também poderiam afetar a consolidação da orientação sexual. Por exemplo, fetos de fêmeas expostos a altos níveis de testosterona antes do nascimento demonstram altos índices de lesbianismo posteriormente (BBC, 2014).

Outras linhas de pensamento defendem que a explicação para a expressão da homossexualidade vem da convivência familiar. Esta não tem a ver com hormônios, mas com a a mãe que trataria o filho caçula como a menina que ela não teve. Ou ainda, os irmãos mais velhos também tenderiam a “dominar” o mais novo, influindo em seus sentimentos sobre si e os demais. Não há evidências, por exemplo, de que o abuso sexual na infância condicione a pessoa a homossexualidade. O número de gays não é maior em lares chefiados por mulheres nem entre filhos criados por casais gays. Tampouco há mais casos de homossexualidade após períodos de guerra, quando os pais se ausentam de casa, o que enfraquece as hipóteses sobre dinâmicas familiares. Nem mesmo a ideia proposta pelo psicanalista Sigmund Freud encontra respaldo científico quando afirma que mães super-protetoras e pais ausentes poderiam conduzir o filho a homossexualidade (Szklarz, 2006).

Apesar da origem e a determinação da homossexualidade ser um mistério com poucas respostas e ainda sendo explorado pela ciência, tem resultados positivos. Para o antropólogo Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia, as pesquisas são importantes porque desconstroem a noção religiosa milenar de que homossexualidade é um comportamento diabólico e patológico. Ocorre na nossa espécie assim como outras, e não há evidência alguma de que uma das mais de 500 espécies animais que apresentam tal comportamento (sem contar registros informais que chegam a 1.500 espécies) correm risco de extinção por se tornarem exclusivamente homossexuais. Não há espécies exclusivamente homossexuais, não há motivos para presumir que nossa espécie seja um caso excepcional e não há motivo algum para presumir que a homossexualidade seja um comportamento patológico, anti-natural e que, portanto, precisa ser contido com base em mecanismos religiosos/ideológicos.

Aqui, portanto, há uma questão evolutiva muito importante que precisa ser contextualizada. Desde o começo da década de 90, pesquisadores vêm mostrando que a homossexualidade é mais comum em irmãos e parentes da mesma linhagem materna. Mas, como gays e lésbicas têm normalmente menos filhos biológicos do que os heterossexuais, uma questão fica intrigando pesquisadores de todo o mundo, em especial, os biólogos evolucionários; se a homossexualidade é um traço genético, como teria persistido ao longo do tempo se os indivíduos que carregam os supostos genes-gays não se reproduzem?

É um paradoxo do ponto de vista evolucionário, e muitas das teorias envolvem pesquisas realizadas sobre a homossexualidade masculina, e a evolução do lesbianismo permanece muito pouco estudada. Por isto, o estudo acima, com a homossexualidade em gorilas fêmeas pode nos ajudar a entender como tal comportamento se estabelece em nossa espécie no sexo feminino.

Uma explicação talvez seja que o alelo que influencia a orientação homossexual também pode trazer vantagens reprodutivas. Isso compensaria a falta de reprodução da população homossexual, mas assegura a continuação dessa característica nas outras gerações, uma vez que não-homossexuais também poderiam herdar esses genes e transmiti-los para seus descendentes. Sabe-se que as mulheres tendem a gostar de traços e comportamentos mais femininos nos homens, e isso pode estar associado ao talento para ser pai e a empatia, diz Qazi Rahman, coautor do livro “Born Gay; The Psychobiology of Sex Orientation”. Por essa hipótese, uma quantidade pequena desses alelos aumentaria as chances de sucesso reprodutivo do portador desses genes, porque torna-os atraentes para o sexo oposto.

Eventualmente, quando um membro da família recebe esses genes, orientam a sua sexualidade para este comportamento homo-afetivo.

Um pesquisa feita por Paul Vasey em Samoa, na Polinésia, baseou-se na teoria da seleção de parentesco ou hipótese do “ajudante no ninho” para explicar evolutivamente a presença do comportamento homossexual. A ideia é que os homossexuais compensariam a falta de filhos ao promover a aptidão reprodutiva de irmãos e irmãs, contribuindo financeiramente e/ou cuidando dos sobrinhos. Afinal, partes do código genético do homossexual são compartilhadas com sobrinhas e sobrinhos e, segundo a teoria, os genes que determinam a orientação sexual também podem ser transmitidos (BBC, 2014). O que se sugere é que genes que predispõem a homossexualidade podem conferir uma vantagem de acasalamento em heterossexuais, o que poderia ajudar a explicar a evolução e manutenção da homossexualidade na população.

Vasey se surpreendeu com os resultados de Samoa porque já havia estudado e comprovado previamente que homossexuais no Japão não eram mais atenciosos ou generosos com seus sobrinhos e sobrinhas do que homens e mulheres heterossexuais sem filhos. O mesmo resultado foi encontrado na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e no Canadá.

Vasey acredita que o resultado em Samoa foi diferente porque os homens que ele estudou lá tinham uma formação homossexual distinta. Ele pesquisou o grupo dos Fa’afafine, que se identificam como um terceiro gênero, vestindo-se como mulheres e tendo relações sexuais com homens que se consideram heterossexuais. Eles são parte de um grupo transgênero e não gostam de ser chamados de gays nem de homossexuais. Se isso for comprovado, a teoria do “ajudante no ninho” pode explicar em parte como um traço genético da atração pelo mesmo sexo não foi excluído dos humanos ao longo da evolução.

O terceiro gênero Fa'afafine. Foto de Jeantine Mankelow

O terceiro gênero Fa’afafine. Foto de Jeantine Mankelow

Nos Estados Unidos, aproximadamente 37% da população LGBT têm filhos, e 60% dos casos são filhos biológicos. Estes dados podem não ser altos o suficiente para sustentar que traços genéticos específicos ao grupo sejam passados adiante, mas o biólogo evolucionista Jeremy Yoder destacou que durante boa parte da história moderna, os homossexuais não viveram vidas abertamente sobre sua sexualidade, porque muitas vezes eram obrigados pela sociedade a casarem-se e ter filhos; e suas taxas reprodutivas devem ter sido mais altas do que são hoje.

Até mesmo a definição de “homossexual” como sendo a atração pelo mesmo sexo se torna muito difusa quando temos uma perspectiva multicultural, diz Joan Roughgarden, um biólogo evolucionista na Universidade do Havaí. No Ocidente, por exemplo, há indicadores de que muitas pessoas passam por uma fase de atividade homossexual, mesmo que sejam claramente heterossexuais. Isso tornaria mais difícil afirmar que somente pais que levam uma vida homossexual poderiam passar “genes-gays” adiante (BBC, 2014).

Um artigo de revisão publicado por por Bailey e Zuk (2009) analisou estudos feitos com homossexuais e comparou com o comportamento sexual em animais. O resultado desafia a ideia de que o comportamento homossexual diminui o sucesso reprodutivo, citando várias hipóteses sobre como pessoas do mesmo sexo e o comportamento sexual podem ser adaptativo; essas hipóteses variam muito entre espécies diferentes. Bailey e Zuk sugerem que as pesquisas futuras precisam de olhar para as consequências evolutivas do comportamento homossexual e não apenas olhar para as origens de tal comportamento.

Comportamentos homossexuais, bissexuais e transgêneros ocorrem em muitas espécies animais. Eles incluem tanto a atividade sexual quanto relações de compromisso e afeto e são difundidas. Um artigo de revisão de 1999 publicado pesquisador Bruce Bagemihl mostra que o comportamento homossexual tem sido documentado em cerca de 500 espécies, variando de primatas a vermes.

O comportamento sexual animal assume muitas formas diferentes, mesmo dentro da mesma espécie. As motivações para e implicações desses comportamentos ainda estão sendo estudadas e não são completamente compreendidas uma vez que a maioria das espécies ainda não foram totalmente estudados (Gordon, 2007). De acordo com Bagemihl, o reino animal apresenta uma diversidade sexual que inclui a homossexualidade, bissexualidade e sexo não reprodutivo constatado pela comunidade científica e que a sociedade em geral tem certa dificuldade em aceitar (Reid, 1999).

Atividade sexual de casais do mesmo sexo já foi constatada muitas vezes entre machos e fêmeas, e tem sido monitorada em muitas espécies de mamíferos (Bagemihl, 1999). No artigo de Grueter e Stoinski (2016), os autores que estudaram a homossexualidade nas fêmeas de gorilas descrito acima, destacam que a prática de tal comportamento pode vir como resultado de funções sociais, ou seja, de expressão dominante, para a regulação da tensão social, a reconciliação, ligação social, formação de alianças, aquisição de cuidados parentais, atração do sexo oposto, a inibição da reprodução do concorrente, a prática de atividades heterossexuais, e seleção de parentesco. Outros também têm enfatizado a não-funcionalidade deste comportamento, argumentando que ele poderia ser um não-funcional e um sub-produto da evolução ou mesmo, uma patologia (Vasey et al, 2006; Bailey & Zuk, 2009).

Do ponto de vista filogenético, remontando a ocorrência evolutiva do comportamento homossexual pode contribuir para a compreensão de tal comportamento nos seres humanos, que são únicos entre os primatas, não só se envolvendo em práticas homossexuais, mas também formar alianças de pares homossexuais (Kirkpatrick, 2000). Comportamento sexual com membros do mesmo sexo ocorre em todos os grandes macacos: é mais comum e bastante variada entre os famosos bonobos (Fruth et al, 2006), ou sendo mais raros entre os chimpanzés (Anestis, 2004), ou ausentes em orangotangos (van Schaik, 2003), pois pode haver, mas ainda não ter sido constatado.

Em gorilas, os únicos relatos detalhados que há sobre este comportamento é de macho com macho, especialmente em gorila-da-montanha (Gorilla beringei beringei)(Yamagiwa, 2006). Houve relatos de interações homossexuais entre indivíduos imaturos e entre adultos (Yamagiwa, 1987) na qual foi apresentada somente evidências superficiais entre o contato genital fêmea-fêmea em gorilas, geralmente em cativeiro (Fischer & Nadler, 1978). Alguns constatos esporádicos foram constatados por Fischer e Nadler (1978) em gorilas-ocidentais do sexo feminino.

Tudo o que se sabia sobre a homossexualidade feminina do gorila-da-montanha são afirmações informais. Fossey (Fossey, 1983) destacou a ocorrência do contato genital do mesmo sexo ocorrendo em estágios avançados da gravidez antes do parto e incluiu vocalizações copuladores ou movimentos pélvicos e que tal comportamento reforça laços sociais das fêmeas grávidas dentro do grupo antes do parto.

O relatório de de Grueter e Stoinski mostrou pela primeira vez que os contatos sexuais entre as fêmeas são claramente parte do repertório comportamental de gorilas-da-montanha, ainda que relativamente pouco frequentes. Tendo em vista que as interações homossexuais aconteceram em um ambiente selvagem, a alegação de que o comportamento seria exclusivamente do cativeiro não faz mais sentido. Contatos genitais entre as fêmeas também têm sido documentados em outros grupos de gorila-de-montanha, embora este comportamento não pareça ser uma tradição específica de um grupo.

A interferência sexual em episódios heterossexuais tem sido interpretada como uma estratégia adaptativa para reduzir a incerteza de paternidade (Neimeyer, 1983), a interferência em atos homossexuais poderia ser considerada como um processo evolutivo sub-produto de tal adaptação. A razão pela qual cópulas tendiam a ocorrer em lugares isolados com visibilidade limitada é provavelmente para evitar uma resposta negativa por parte do macho. Encontrar uma explicação evolutiva adequada para o comportamento homossexual em qualquer primata é um desafio.

No caso do gorila-da-montanha, algumas hipóteses podem ser descartadas a priori: que o ato é destinado a treinamento e prática uma vez que o ato frequentemente ocorre em fêmeas altamente experientes. A hipótese de status social, ou seja, que a direcionalidade do ato sexual é um indicador de posição social, foi apenas parcialmente suportada pelos dados. Um estudo recente de Clay e Zuberbühler (2012) descobriram que as fêmeas de alto escalão não ocupavam a primeira posição com mais frequência do que as fêmeas de baixa patente, mas contatos genitais eram mais propensos a ser iniciada por fêmeas dominantes.

A hipótese de ligação social também pode ser rejeitada com base nas provas preliminares obtidas até o momento. A maioria das práticas deste tipo ocorrem em indivíduos que não parecem ter laços sociais ou de filiação fortes, tal como ocorre em bonobos (Fruth, 2006).

Pode ser que a preparação social entre fêmeas próximas seja suficiente para a manutenção de relacionamento (com o benefício adicional da higiene)(Sommer et al, 2006). Não foi encontrado nenhum efeito do parentesco que fosse consistente com o que foi mostrado para macacos japoneses, onde o comportamento sexual não foi observada entre parentes próximo do sexo feminino (Chapais et al, 1997) mas 7,5% das cópulas com membros do mesmo sexo entre fêmeas ocorreu no contexto de conflito entre os membros do grupo (Sommer et al, 2006).

No estudo com gorilas, 72% das práticas homossexuais ocorreram sem qualquer relação óbvia com cópulas heterossexuais. A maioria dos casos de comportamento homossexual  (10/14) do estudo de Grueter e Stoinski envolveu fêmeas grávidas e lactantes, ou seja, eles não estavam em um ponto onde eles poderiam ter estado ovulando. A concorrência com períodos de ‘cio’ é, portanto, uma explicação provável para a realização de um ato homossexual, mas a excitação sexual em geral ainda pode desempenhar um papel desencadeador do comportamento homossexual.

Trabalhos com primatas revelaram funções socio-sexuais de comportamento homossexual e concluíram que o comportamento homossexual (em primatas) pode ser puramente sexual (Fruth, 2006). As explicações funcionais parecem ser um ajuste bastante pobre para o padrão observado do comportamento homossexual entre gorilas-da-montanha do sexo feminino embora houvesse apoio parcial para a hipótese de que a direcionalidade da montagem é um indicador de posição social. Portanto, tudo indica que o comportamento homossexual em gorilas-da-montanha do sexo masculino parece não ter qualquer função sócio-sexual (Yamagiwa, 2006). É concebível que o sexual prazer/satisfação seja o principal benefícios no sexo entre fêmeas gorilas (Harcourt et al, 1981). Muitos atos homossexuais de proximidade genital foram acompanhados por chamadas de cópula, uma indicação de que a gratificação sexual ocorreu.

Em resumo, enquanto havia suporte limitado para a hipótese de status social, o comportamento homossexual em gorilas-da-montanha do sexo feminino poderia muito bem ser de natureza puramente sexual. Mais os estudos sistemáticos de coleta de informações adicionais e testes de hipóteses alternativos ajudam a defender uma possível função adaptativa.

Como vimos, a questão do comportamento homossexual sempre despertou interesse no que diz respeito a questão evolutiva, e há registros de casos não só em mamíferos, mas também em aves, répteis e até mesmo em invertebrados.

Nota-se também que alguns pesquisadores acreditam que esse comportamento pode se expressar como uma forma de organização social masculina e dominância social. Outros no entanto (como Bagemihl, Joan Roughgarden, Thierry Lodé (2006) e Paul Vasey sugerem a função social do sexo, como vimos (tanto homossexuais e heterossexuais). E pode não estar ligada a uma posição dominante, mas serve para fortalecer alianças e vínculos sociais dentro de um grupo.

Muito se argumenta que a hipótese de organização social é inadequada porque não pode explicar alguns comportamentos homossexuais, por exemplo, em espécies pinguim no qual indivíduos do sexo masculino se recusam a cruzar com fêmeas quando for dada a oportunidade (Deutsche Welle, 2005).

Há muitos relatos informais sobre o tema mas os registros na literatura científica são crescente e mostram que a homossexualidade permanente e ocorre não só em espécies com ligações de par permanente (Kate, 2009). De fato, estudos têm demonstrado que de 10 a 15% das gaivotas ocidentais fêmeas selvagens tem comportamento homossexual (Smith, 2004). Estima-se que ¼ de todos os cisnes pares pretos são de machos homossexuais. Eles roubam ninhos, ou formar trios temporários com fêmeas para obter ovos, afastando a fêmea depois que ela põe os ovos  (Braithwaite, 1981). Estes cisnes sobrevivem até a idade adulta mais do que aqueles fazem pares com sexo diferente, e devido sua superior capacidade de defender grandes porções de terra. O mesmo exemplo é encontrado em pares de flamingos machos (Bagemihl, 1999).

Mesmo os pinguins, já foram observados se envolvendo em comportamentos homossexuais a mais de um século. George Murray Levick, que documentou este comportamento nos pinguins-de-adélia em Cape Adare, em 1911. O relatório foi considerado “pesado” demais e censurado ao público na época. O artigo foi descoberto apenas um século mais tarde, e publicado em Polar Record em junho de 2012 (ABC News, 2012).

Pinguins em zoológicos de Nova York também foram vistos formado pares com indivíduos do mesmo sexo (Columbia News Service, 2002). Zoológicos no Japão e na Alemanha também documentaram casais de pinguins machos homossexuais (Deutsche Welle, 2005). Os casais construíram ninhos juntos e usaram uma pedra como um substituto para o ovo. Pesquisadores da Universidade de Rikkyo, em Tóquio encontrados 20 pares de pinguins homossexuais em 16 grandes aquários e zoológicos no Japão.

O jardim zoológico de Bremerhaven, na Alemanha tentou incentivar reprodução de pingüins em extinção através da importação de fêmeas da Suécia e separando três pares masculinos, mas não teve sucesso. O diretor do zoológico disse que as relações eram “muito forte” entre os pares homossexuais. Dois pinguins africanos fêmeas se relacionaram em Ramat Gan Safari em Israel. Inicialmente pensava-se ser um casal heterossexual, mas quando o sangue foi analisado descobriu-se que se trata de duas fêmeas (Schuster, 2013).

No Brasil, há registros de botos no rio Amazonas na qual formam grupos de de 3 a 5 indivíduos do mesmo sexo que exercem uma atividade sexual. Os grupos incluem geralmente jovens do sexo masculino e, por vezes, uma ou duas fêmeas. O sexo é realizado em formas não-reprodutivas, usando focinho e fricção genital em distinção ao sexo genital-genital (Bagemihl, 1999). Em cativeiro, praticam sexo homossexual e penetração heterossexual da bolha; um buraco homólogo com a narina de outros mamíferos, tornando este o único exemplo conhecido do “sexo nasal” no reino animal (Bagemihl, 1999). Os machos, por vezes, também fazem sexo com machos da espécie tucuxi, um tipo de pequena toninha (Bagemihl, 1999).

Na África e Ásia, machos de elefantes se envolvem em relação com membros do mesmo sexo. Tais encontros são frequentemente associados com interações afetivas, como beijar, entrelaçamento de tromba, e colocando a tromba na boca um do outro. Os machos muitas vezes vivem independentemente do rebanho geral, muitas vezes formam “companheiros”, em que um indivíduo é alguns anos mais mais velho que o outro do sexo masculino e o comportamento sexual é parte importante da dinâmica social. Ao contrário de relações heterossexuais, que são sempre de natureza fugaz, as relações entre os machos podem durar anos. Os encontros são análogos aos ataques heterossexuais, um macho muitas vezes estende a tromba ao longo das costas do outro empurrando-o para a frente com suas presas indicando que quer praticar sexo. As relações sexuais com membros do mesmo sexo são comuns e freqüentes em ambos os sexos. Elefantes asiáticos (Elephas maximus) em cativeiro dedicam 45% dos encontros sexuais para a atividade sexual com membros do mesmo sexo (Bagemihl, 1999)

Montagem macho-macho de girafas. Fonte:

Montagem macho-macho de girafas. Clique para ampliar. Fonte: Yomyomf

Girafas machos (Giraffa camelopardalis) foram observadas em altas freqüências de comportamento homossexual, especialmente após uma investida agressiva, onde é comum que duas girafas macho se acariciem e leva a montagem de um macho no outro. Essas interações entre machos eram mais frequentes do acoplamento heterossexual (Coe, 1967), mostrando que o processo é o mesmo, só que ocorre entre membros do mesmo sexo. Um estudo apontou que até 94% dos incidentes de montagem em girafas ocorreram entre dois machos com uma frequencia de atividades sexuais variando entre 30 e 75%. Isto significa que um a cada vinte machos estava envolvido em comportamento afetuoso, não-combativa, com outro macho. Apenas 1% dos incidentes de montagem do mesmo sexo ocorreu entre as fêmeas (Bagemihl, 1999).

Em hienas-malhadas (Crocuta crocuta) a estrutura familiar é matriarcal, e as relações de dominância com elementos sexuais fortes são cotidianamente vistas entre fêmeas. Em grande parte, à fêmea tem um sistema urogenital único que assemelha-se a um pênis em vez de uma vagina. Inicialmente, os naturalistas acreditavam que hienas do sexo masculino eram hermafroditas e que praticavam somente sexo homossexual (Michigan State University, 2006). Hoje sabe-se deste detalhe anatômico de sua genitália, e que o comportamento homossexual que ocorre é entre fêmeas.

O comportamento sexualmente agressivo entre as fêmeas, incluindo a montagem entre as fêmeas mostrou que em contraste com a maioria dos outros mamíferos do sexo feminino, as hienas fêmeas são maiores que os machos, e substancialmente mais agressivas, (Holekamp, 2003) sendo masculinizadas sem ser de-feminizadas (Michigan State University, 2006).

O estudo deste genitália única e comportamento agressivo nas hienas femininas levou ao entendimento de que as fêmeas mais agressivas são mais capazes de competir por recursos, incluindo alimentação e acasalamento parceiros (Selim, 2006). A pesquisa revelou a presença de níveis altos de testosterona no útero (Forger et al, 1998) contribuindo para a agressividade adicional. Machos e fêmeas montam membros de ambos o sexos (Forger et al, 1998), possivelmente agindo sob a ação de níveis mais alterados de testosterona no útero (Holekamp, 2003).

Leões e leoas (Panthera leo) têm sido registrados em comportamentos homossexuais (Bagemihl, 1999b). Os machos iniciam a atividade homossexual com carícias, levando a montagem e a prática do sexo. Cerca de 8% das cópulas foram observadas como entre machos. A prática em leoas é mais comum de ser registrada em cativeiro, mas não foram observadas na natureza.

Montagem macho-macho de girafas. Clique para ampliar. Fonte:

Montagem macho-macho de leões. Clique para ampliar. Fonte: Huffington Post.

Um estudo apontou que ovelhas (Ovis aries) tem atraído muita atenção devido ao fato de que cerca de 8 a 10% de carneiros têm uma orientação homossexual exclusiva (Roselli & Stormshak, 2009) e em torno de 18 a 22% de carneiros são bissexuais. Um estudo conduzido por Dr. Charles E. Roselli e colegas da Oregon Health and Science University (2003) afirmam que a homossexualidade neste grupo esta ligada a um núcleo nervoso associado ao dimorfismo sexual e que determina o comportamento homossexual (Roselli et al, 2004).

Em invertebrados também há casos registrados de comportamento homossexual. Em libélulas a homossexualidade masculina tem sido identificada em várias espécies (ordem Odonata). Um levantamento de 11 espécies de libélulas e libelinha (Dunkle, 1991) mostrou uma frequência de 20 a 80% na prática sexual entre machos, indicando um alto ocorrência de acoplamento sexual entre machos.

Em drosofilas moscas-de fruta-macho (Drosophila melanogaster) que possui duas cópias de um alelo mutante tendem a acasalar exclusivamente com outros machos (Gailey & Hall, 1989). A base genética da homossexualidade animal foi estudada pela primeira vez em moscas-de-fruta (Yamamoto & Nakano, 1999) e vários genes foram identificados influenciando o relacionamento homossexual e acasalamento (Yamamoto et al, 1996) através de feromônios, bem como alterações na estrutura do sistema nervoso do animal (Ferveur et al, 1997) e alguns, influenciados pelo ambiente (Svetec & Ferveur, 2005).

Seja como for, a expressão da homossexualidade nos humanos e animais ainda esta longe de ser descoberta. As evidências permite-nos dizer que não há motivos para suspeitar de que seja uma manifestação patológica e nenhum preconceito justifica-se. Devemos lembrar que o ser humano é  um ser biopsicossocial, e estras três dimensões estão interligadas, atuando juntas na determinação da nossa sexualidade, seja em um relacionamento homossexual ou heterossexual.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Homossexualidade, Comportamento Homossexual, Sexualidade, Epigenética, Genética, Ambiental, Hormônios, Sistema Nervoso, Gorila, Leão, Girafa, Hiena, Ovelha, Libélulas, Drosophila.

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