O QUE VOCE PRECISA SABER ANTES DE ARRISCAR SE TORNAR UM NEGACIONISTA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS.

Um dos aspectos mais notáveis do registro paleoclimático é a forte correspondência entre a temperatura e a concentração de dióxido de carbono na atmosfera observada durante os ciclos glacial nos últimos milhares de anos. Infelizmente, é uma tendência cada vez maior de certos grupos negarem essas evidências cientificamente constatadas e que somos os protagonistas das mudanças climáticas. Existem pessoas que observam cidades expandindo-se, a demanda energética cada vez maior, crescimento do consumo de combustíveis fósseis, a crescente liberação de gases não só nocivos a saúde mas as condições ambientais, derretimento de geleiras, invernos e verões cada vez mais rigorosos, condições climáticas extremas intensificadas por fenômenos como El Niño, extinção da vida selvagem, desflorestamento, queimadas, poluição de recursos hídricos, atmosfera e do solo e ingenuamente dizem que nada disto esta acontecendo. Ou pior, dizem que tudo isto é perfeitamente natural.

© Woods Hole Oceanographic Institution. Corrente do Golfo

© Woods Hole Oceanographic Institution. Corrente do Golfo.

O termo “Aquecimento global” foi citado pela primeira vez no anos de 1975 pelo geoquímico Wallace Broecker em um artigo publicado no periódico Science intitulado. Antes deste artigo, o termo utilizado na literatura científica era “mudança inadvertida do clima”. Isto porque na época ainda havia muita polêmica sobre o papel do homem e dos aerossóis na mudança do clima. Somente em 1979, com um estudo publicado pela NASA que se utilizou pela primeira vez o termo “Mudanças climáticas”. Quando ele se referia ao aumento da temperatura da superfície do planeta, utilizava o termo “Aquecimento global” e quando se referia aos efeitos do aquecimento global chamava de mudanças climáticas. Assim, as mudanças climáticas são decorrentes do aquecimento global, que é o aumento da temperatura média do planeta (ScienceBlogs, 2009).

A ciência tem conhecimento hoje, que quando a concentração de dióxido de carbono (CO2) sobe, a temperatura sobe. Quando a concentração de dióxido de carbono cai, a temperatura também cai. Uma pequena parte desta correspondência é devido à relação entre a temperatura e a solubilidade do CO2 na superfície do oceano, mas a maior parte desta correspondência é consistente com uma reação entre o CO2 e do clima. Estas mudanças são esperadas se a Terra está em equilíbrio radiativo, e são consistentes com o papel dos gases de efeito estufa na mudança climática.

Aqui, vamos apresentar argumentos científicos e justificados contra os três principais questionamentos dos negacionistas das mudanças climáticas:

1-  CO2 não interfere no clima do planeta.

2 – A atividade solar não exerce aumento na temperatura da Terra

3 – Não há derretimento de geleiras, isso é um ciclo natural do planeta

A primeira e a segunda afirmação podem ser desconstruídas pelos simples experimentos feitos por três pessoas importantes na história da física e da química.

Na história recente da química a primeira proposta ligada as mudanças climáticas veio do francês Jean Baptiste Joseph Fourier que em 1820 calculou que um objeto do tamanho da Terra e sua distância em relação ao Sol deveria consideravelmente ser mais frio do que se o planeta fosse aquecido exclusivamente por efeitos da radiação solar incidente. Após várias análises de diferentes fontes do calor ele publicou artigos entre 1824 e 1827 sugerindo que a radiação solar poderia ser responsável por uma grande parte do calor adicional na atmosfera terrestre e sobre a possibilidade de que a atmosfera da Terra agiria como um isolante térmico. Esta foi á primeira proposta referente ao efeito estufa (Fourier, 1824 e 1827 & Weart, 2008). O trabalho de Fourier foi simples; ele usou a equação de Stefan-Boltzmann (E = σ.T4 / onde E= emissividade) para calcular a entrada e saída de calor.

Em termos práticos, ele calculou que 1.367 W/m2 (Watts = Joules por segundo) era o fluxo de entrada de energia na Terra e que a saída deste calor em infravermelho deveria ser ter o mesmo valor, assim, a temperatura do planeta seria constante. Ao realizar seus cálculos ele obteve a temperatura média do planeta em torno de 19°C (ou 254°K) e notou que a temperatura não correspondia á realidade. Dois cenários poderiam estar acontecendo: ou muito calor estava chegando a Terra, ou pouco calor estava sendo emitido de volta ao espaço.

Após estudar as variáveis de seus cálculos notou o papel dos gases da atmosfera como isolante térmico e considerou-os em seus novos cálculos, tendo no final a temperatura média do planeta em 15°C (ou 288°K). Fourier foi o primeiro a constatar o efeito estufa potencial agente importante na alteração da temperatura média do planeta.

Portanto, Sim! A atividade solar exerce uma forte influência no aumento da temperatura da Terra e a atmosfera atua como um isolante térmico.

Entretanto, não podemos confundir clima com temperatura. O clima é dinâmico e depende de vários fatores, a temperatura aumenta a medida que grande parte da energia é retida na atmosfera por diversos processos químicos e/ou físicos. Isto influencia profundamente o clima do planeta.

Em seguida, o escocês John Tyndall constatou, em 1863, o que Fourier havia sugerido. Tyndall fez um experimento colocando tubo com uma vela em uma extremidade e um detector de infravermelho na outra. Seu experimento consistiu em preencher este tubo com gás carbônico. Ele notou que este gás atuava como um isolante impedindo a passagem de raios infravermelhos e aprisionando o calor da vela. Ele acabou constatando o papel dos gases como promotor da manutenção e aumento de temperatura de um sistema. Portanto; sim o CO2 interfere no clima do planeta na medida que retém, ou aprisiona o calor (Ecolnews).

A experiência mostrando o absorção de radiação infravermelha pelo dióxido de carbono foi repetida no programa da BBC 2 “Earth: The Climate Wars“.

Em 1896 o famoso químico sueco Svante Gustav Arrhenius (aquele que conceituou ácido, base e sal e é um dos pais da química moderna) descreveu o efeito estufa e propôs a teoria de que mudanças na concentração de CO2 da atmosfera poderiam afetar a temperatura na superfície da Terra. Ele estimou que, dobrando a quantidade de CO2, haveria um aumento de temperatura da ordem de 4 a 6°C. Suas previsões estavam corretas, e estão até os dias de hoje.

Na década de 1930, G. S. Callendar sugeriu que o aquecimento global verificado a partir de 1860 (quando as medições meteorológicas passaram a ser feitas rotineiramente) poderia ser consequência do aumento do COna atmosfera.  Portanto, a constatação de que os gases emitidos pelo homem tem grande contribuição com a as mudanças climáticas é sugerida de longa data.

As moléculas de CO2 podem absorver a energia da radiação infravermelha. Ela absorve um fóton infravermelho de entrada. A energia do fóton faz com que a molécula de CO2 vibre. Pouco tempo depois, a molécula devolve esta energia extra através da emissão de outro fóton em infravermelho, mantendo-o dentro da atmosfera, sem dissipa-lo de volta para o espaço. Uma vez que a energia extra foi removida pelo fóton, o CO2 deixa de vibrar. Esta capacidade de absorver e re-emitir energia infravermelha é o que faz um gás de efeito estufa CO2 eficaz em reter calor, mas não o único.

Nem todas as moléculas de gás são capazes de absorver a radiação Infravermelha. Por exemplo; o nitrogênio (N2) e oxigênio (O2), que constituem mais de 90% da atmosfera da Terra não absorvem fótons e cumprimentos de onda infravermelhos. Moléculas de CO2 podem vibrar de um forma que as moléculas de nitrogênio e oxigênio mais simples não podem, o que permite que o carbono possa captar os fótons e infravermelho. Assim, os gases de efeito estufa desempenham um papel importante no clima da Terra, e foi importante para a origem da vida em nosso planeta.

Variação de temperatura (azul) e variação de dióxido de carbono (vermelho) observada nos registros do núcleo de gelo.

Variação de temperatura (azul) e variação de dióxido de carbono (vermelho) observada nos registros do núcleo de gelo.

Embora possa parecer simples determinar a relação causa e efeito entre o CO2 e o clima, a determinação é complicada pois exige separar o que é emissão natural do que é proveniente da atividade humana. Muitas mudanças estão envolvidas na determinação do clima, incluindo vegetação alterada, características da superfície da terra, e a extensão do manto de gelo no caso de regiões frias e tantas outras.

Tomando estas diferentes influências em consideração, é possível determinar quanto a temperatura diminuiu e quando o dióxido de carbono foi reduzido e usar este escalonamento (denominado sensibilidade do clima) para determinar o quanto a temperatura pode aumentar com o aumento do dióxido de carbono. Uma estimativa do oceano tropical, longe da influência das camadas de gelo, indica que o oceano tropical pode aquecer 5°C para uma duplicação do CO2. Os dados fornecem uma verificação independente sobre a sensibilidade dos modelos climáticos, e o valor de 5 ° C é consistente com muitos dos modelos climáticos acoplados atuais.
Outros perfis paleoclimáticos podem nos ajudar a entender o papel dos oceanos nas mudanças climáticas do passado e projetar o futuro. O oceano contém 60 vezes mais carbono do que a atmosfera, e como esperado, as mudanças no CO2 da atmosfera foram acompanhadas por mudanças no carbono do oceano ao longo das últimas centenas de milhares de anos. Enquanto o mar muda muito mais lentamente do que a atmosfera, o oceano desempenhou um papel essencial em variações passadas do CO2, e também vai desempenhar um papel no futuro ao longo de milhares de anos.

Os dados paleoclimáticos revelam que a mudança climática não é apenas sobre a temperatura. Como o COmudou no passado, muitos outros aspectos do clima também mudaram. Durante os períodos glaciais, linhas de neve foram menores, os continentes eram mais seco e as monções tropicais eram mais fracas. Algumas destas alterações podem ser independentes e podem ter outros elementos acoplados ao nível de alteração de CO2. Compreender quais dessas mudanças podem ocorrer no futuro, e quão grande essas mudanças podem ser, continua a ser um tema de pesquisa vigoroso. O programa de Paleoclimatologia existe para ajudar os cientistas a documentar essas mudanças que ocorreram no passado como uma abordagem para compreender as alterações climáticas futuras (National Climatic Data Center – NOAA).

O gás carbônico não é o único gás capaz de impedir que a radiação infravermelha emitida da Terra escape. Na verdade este contribui com cerca de 53% do total dos gases estufa, sendo que outros gases produzidos pelas atividades humanas também contribuem para o efeito estufa: metano (17%); CFCs (12%), e óxido nitroso (6%), entre outros. Além de estar em maior porcentagem, a concentração do gás carbônico vem aumentando rapidamente nas últimas décadas. Recentemente batemos a marca de 400 partes por milhão (ppm).

Obviamente, nem todos os gases de efeito estufa absorvem igualmente o calor. Uma molécula de metano absorve com uma eficiência 23 vezes maior os raios infravermelhos que uma molécula de gás carbônico. Já uma molécula de CFC-12, gás que foi muito utilizado em geladeiras, tem um poder de aquecimento por molécula 8.100 vezes maior que o gás carbônico. A maior porcentagem de óxido nitroso (NO) está nos processos naturais devido às atividades biológicas no solo e nos oceanos, mas a manipulação do solo pelo homem, especialmente para o uso de fertilizantes tem aumentado a emissão desse gás para a atmosfera. O ozônio (O3) nas camadas mais baixas da atmosfera (a troposfera) é extremamente nocivo a saúde e tem um elevado poder de aquecimento. A água (em vapor) tem grande capacidade para armazenamento calor, embora não se enquadre precisamente nos gases de efeito estufa devido sua quantidade na atmosfera depender de outros gases. Isto significa que quanto maior a temperatura da atmosfera, maior a evaporação da água dos rios, oceanos e de outros reservatórios e se a concentração dos gases de efeito estufa aumentar devido a ação do homem, o aumento do vapor de água da atmosfera será uma conseqüência.

Se a emissão de gás carbônico continuar aumentando proporcionalmente como vem ocorrendo nos últimos anos, a temperatura do planeta poderá aumentar e causar os desastres previstos pelas modelagens climáticas. Se o gelo das regiões polares derreter, causará inundações em grande parte da costa dos continentes, e isto já vem sendo evidenciado (USP – Química ambiental). Cidades litorâneas poderão desaparecer como já esta ocorrendo em alguns locais e como já é evidenciado cientificamente. As correntes oceânicas poderão ser afetadas de forma a alterar a distribuição de calor na Terra. Os oceanos e suas correntes são fundamentais para a manutenção do clima em escala global, e já sofre alterações.

É possível saber qual era a concentração de CO2 na atmosfera há milhares de anos atrás e fazer projeções sobre o clima atual. A neve que caiu sobre a Antártida há milhares de anos ainda está lá soterrada, pois ainda não derreteu. Se a neve for escavada e trazida para a superfície, é possível cortar o gelo em fatias, determinar sua idade e recuperar os gases que estavam na atmosfera há milhares de anos atrás (como os isótopos de 16O analisados aqui). Os cilindros de gelos escavados trazem informações sobre o clima na Terra no passado. Ao derreter esse material em condições controladas, os gases que estavam presos na neve foram liberados e analisados por um espectrômetro de massa tornando possível determinar a composição da atmosfera na época em que a neve caiu, sendo possível avaliar o clima do planeta no passado. A figura abaixo mostra a concentração de gás carbônico e de metano na atmosfera há 420 mil anos atrás e faz uma correlação com as variações de temperatura nesse período. O bloco de gelo foi retirado da região de Vostok, na Antártida. É possível notar que a temperatura sobe quando a concentração dos gases também aumenta, mostrando a forte correlação entre essas variáveis (USP – Química ambiental).

Os céticos, ou negacionistas das mudanças climáticas dizem que a oscilação de gases na atmosfera é um efeito natural visto que há milhares de anos isso já foi observado, porém os resultados da análise do testemunho de Vostok mostram que apesar da concentração de gases de efeito estufa terem variado grandemente durante a história do planeta (resultando nos chamados períodos Glaciais e Interglaciais), nunca houve um aumento tão abrupto e tão intenso na concentração de CO2 como se está sendo observado hoje com um aumento da temperatura média do planeta.

Relação entre as concentrações dos gases CO2 e CH4 com a variação da temperatura nos últimos 420 mil anos.

Relação entre as concentrações dos gases CO2 e CH4 com a variação da temperatura nos últimos 420 mil anos.

A quantidade de CO2 está aumentando, acabamos de passar a marca 400 ppm de concentração de CO2 atmosférico, acima dos cerca de 280 ppm antes da revolução industrial. Isso é um aumento de 42,8%. O gelo da Antártida nos últimos 200 mil anos apresenta uma concentração de CO2 entre de 200 a 280 g/t e permaneceu oscilando neste parâmetro até o século 19. Nos últimos 130 anos a concentração aumentou de 280 para 360 g/t até 1990. Um aumento de 30%. A taxa de emissão de gases do efeito estufa a partir de queimadas, desflorestamento queima de combustíveis fósseis aumentam 4,3% por ano (Science News, 2016). Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Binghamton analisou cristais de nacolita da formação do Green River de Colorado formados a 50 milhões de anos, durante um clima de estufa.  Eles descobriram que os níveis de CO2 durante este tempo poderiam ter sido tão baixos quanto 680 ppm. Os novos dados sugerem que previsões passadas subestimaram significativamente o impacto do aquecimento pelo efeito de estufa e que o clima da Terra pode ser mais sensível ao aumento do dióxido de carbono do que se pensava (Jagniecki et al, 2015)

Uma pequena quantidade de CO2 e outros gases de efeito estufa, como o metano e vapor de água mantém a superfície da Terra 30°C (54°F) mais quente do que seria sem eles. Nós adicionamos 42% mais CO2, mas isso não significa que a temperatura vai subir em 42% também.

Existem várias razões para que isto não ocorra. Duplicando a quantidade de CO2 não dobra o dobro do efeito estufa, porque a relação não é uma proporção de 1 para 1. A forma como o clima reage também é complexa, e é difícil separar os efeitos de alterações naturais da aqueles feitos pelo homem ao longo de períodos de tempo curtos.

À medida que a quantidade de CO2 de origem humana (antrópica) sobe, as temperaturas não sobem na mesma proporção. Embora as estimativas variem (a sensibilidade climática) o intervalo provável, médio, é um aumento entre 2 e 4,5°C, para cada duas vezes a quantidade de CO2 em relação aos níveis pré-industriais.

Até o presente momento, a temperatura média global subiu por volta de 0,8°C (ou 1,4°F) desde 1880 segundo cientistas do Instituto Goddard da NASA para Estudos Espaciais (GISS) (NASA). Dois terços do aquecimento ocorreu desde 1975, a uma taxa de cerca de 0,15 a 0,20°C por década.

A velocidade do aumento varia também. Infelizmente, como a citação de NASA demonstra, a mudança climática antropogênica está acontecendo muito rapidamente em comparação com as mudanças que ocorreram no passado. Segundo a NASA:

“As the Earth moved out of ice ages over the past million years, the global temperature rose a total of 4 to 7 degrees Celsius over about 5,000 years. In the past century alone, the temperature has climbed 0.7 degrees Celsius, roughly ten times faster than the average rate of ice-age-recovery warming”.

Segundo a NASA “À medida que a Terra se movia fora de Eras de Gelo ao longo dos últimos milhões de anos, a temperatura global aumentou de um total de 4 a 7°C durante cerca de 5 mil anos. No século passado, por si só, a temperatura subiu 0,7°C, cerca de dez vezes mais rápido do que a taxa média de aquecimento de gelo-idade de recuperação.”

Segundo a NASA “À medida que a Terra se movia fora de Eras de Gelo ao longo dos últimos milhões de anos, a temperatura global aumentou de um total de 4 a 7°C durante cerca de 5 mil anos. No século passado, por si só, a temperatura subiu 0,7°C, cerca de dez vezes mais rápido do que a taxa média de aquecimento de gelo-idade de recuperação.”

Pequenos aumentos da temperatura podem ser difíceis de medir ao longo de períodos curtos, porque eles podem ser mascarados pela variação natural. Por exemplo, os ciclos de aquecimento e resfriamento dos oceanos causam mudanças de temperatura, mas eles são difíceis de separar de pequenas variações de temperatura causadas pelas emissões de CO2 que ocorrem ao mesmo tempo.

Emissões de partículas minúsculas provenientes da queima de carvão ou madeira também estão sendo pesquisadas, porque eles podem ter um efeito de resfriamento. Cientistas medem as alterações durante longos períodos de tempo de tal modo que os efeitos de variações naturais curtas podem ser distinguidos dos efeitos do CO2 de origem humana.

A taxa de aquecimento da superfície diminuiu na última década. No entanto, as propriedades físicas de CO2 e outros gases de efeito estufa não podem mudar. A mesma energia que eles re-irradiam de volta à Terra durante décadas anteriores devem ser evidentes agora, apenas sujeita a mudanças na quantidade de energia que chegam a partir do sol – e sabemos que mudou muito pouco. Se isso é verdade, para onde está indo esse calor?

A resposta é; para os oceanos profundos. Um artigo produzido por Nuccitelli et.al (2012) mostra por onde para onde vai o calor.

Terra, atmosfera e aquecimento do gelo (Vermelho), aumento OHC 0-700 metros (azul claro), 700-2,000 metros aumento OHC (azul escuro). De Nuccitelli et al. (2012).

Terra, atmosfera e aquecimento do gelo (Vermelho), aumento OHC 0-700 metros (azul claro), 700-2,000 metros aumento OHC (azul escuro). De Nuccitelli et al. (2012).

Os oceanos absorvem a maioria do calor do aquecimento global e isto ocasiona mudanças climáticas (como destacado no inicio do texto segundo suas respectivas definições). O movimento do calor nos oceanos profundos ainda não é bem compreendido, mas conforme melhorias nas técnicas de medição surgirem aos cientistas terão dados mais precisos sobre a quantidade de energia que os oceanos estão absorvendo.

O clima da Terra é um sistema complexo, agindo de maneiras que nem sempre pode-se prever. A energia que o CO2 antropogênico está adicionando ao clima não está aparecendo como aquecimento da superfície, porque a maioria do calor vai para os oceanos. A superfície fica mais fria, a umidade reduz (vapor de água é um gás de estufa poderoso), temperatura do arcai.

A taxa em que as temperaturas de superfície sobem não são proporcionais à taxa de emissões de CO2, mas aumenta com a quantidade total de CO2 atmosférico adicionado desde o início da Revolução Industrial. Basta olhar para as tendências de longo prazo – 30 anos é o período padrão em ciência do clima – nós podemos medir o aumento da temperatura de superfície com precisão e distingui-las das variações naturais de curto prazo (Skeptical Science, 2015).

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As correntes determinando o clima

O oceano não apenas armazena radiação solar; ele também ajuda a distribuir o calor ao redor do globo. Quando as moléculas de água são aquecidas, elas participam livremente do ar durante o processo de evaporação. A água do oceano esta constantemente evaporando favorecendo o aumento da temperatura e da umidade do ar ambiente para formar chuva e tempestades que são depois transportadas por ventos, muitas vezes grandes distâncias. De fato, a grande maioria das chuvas que caem em terra começaram a se formar no oceano. Os trópicos são particularmente chuvosa devido a absorção de calor e, assim, a evaporação do oceano, é maior nesta área.

Fora das áreas equatoriais da Terra, os padrões climáticos são impulsionados em grande parte pelas correntes oceânicas. Correntes são movimentos da água do oceano em um fluxo contínuo, criado em grande parte por ventos de superfície, mas também em parte pela temperatura, gradientes salinidade, rotação da Terra e marés (os efeitos gravitacionais do sol e da lua). Principais sistemas atuais normalmente fluem no sentido horário no hemisfério norte e anti-horário no hemisfério sul, em padrões circulares que muitas vezes traçam as linhas costeiras. As correntes oceânicas agem como um sistema transportador de água em diferentes temperaturas, precipitam a partir do equador para os pólos e a água fria a partir dos pólos de volta para os trópicos. Assim, as correntes de regular o clima global, ajudando a neutralizar a distribuição desigual da radiação solar que atinge a superfície da Trra. Sem correntes, as temperaturas regionais seria mais extrema-super quente no equador e frígida em direção aos pólos e muito menos da superfície terrestre seria habitável (National Oceanic and Atmospheric Administration).

Embora o calor nos oceanos profundos ainda não seja bem compreendido sabemos como as mudanças climáticas causadas pelo homem afetam a circulação do oceano. O atual sistema de correntes oceânicas é relativamente estável, e poderia ser interrompido se adicionarmos na atmosfera com gases de efeito estufa.

Embora a causa da mudança climática antropogênica esteja na atmosfera, os oceanos são fatores de vital importância para a determinação do clima na Terra. Aqui, vale a pena relembrar três conceitos importantes que geralmente são confundidos pelos; temperatura, calor e clima.

O conceito de temperatura se refere a uma grandeza física diretamente relacionada ao estado de movimento ou agitação das partículas que compõem os corpos. O calor deve ser definido como a diferença de temperatura existente e notória se comparamos dois corpos. Entende-se como energia térmica em movimento, passando de um corpo a outro. O clima se refere as formas visíveis e marcantes que ocorrem em determinados locais  de acordo com o conjunto de condições atmosféricas ali presentes como umidade, pressão, chuva, ventos, temperaturas. O clima se forma ou é influenciado diretamente pelos tipos de tempo (estado parcial ou momentâneo) que podem estar acontecendo em uma região ao mesmo tempo (PostDam Institute for Climate Impact Research).

Os oceanos não respondem passivamente às mudanças atmosféricas, mas são um componente muito ativo do sistema climático. Há uma intensa interação entre os oceanos, atmosfera e o gelo. Mudanças na circulação oceânica geram oscilações climáticas que tem sido fortemente amplificadas durante as Eras de Gelo, e as oscilações internas da circulação oceânica pode ser a causa de algumas das últimas variações climáticas.

As correntes oceânicas têm uma profunda influência sobre o clima. Eles cobrem cerca de 71% da Terra e absorvem cerca de duas vezes mais radiação do sol que a superfície da terra. Com a sua capacidade de calor enorme, os oceanos amortecem as flutuações de temperatura, mas desempenham um papel ainda mais ativo e dinâmico. As correntes oceânicas movem grandes quantidades de calor em todo o planeta; aproximadamente a mesma quantidade que a atmosfera faz. Mas, em contraste com a atmosfera, os oceanos estão confinados por massas de terra, de modo que o seu transporte de calor é canalizado para regiões específicas.

Eventos como o El Niño no oceano Pacífico trazem uma impressionante demonstração de como uma mudança nas correntes oceânicas regionais (neste caso, a corrente de Humboldt)  pode afetar as condições climáticas em todo o mundo (PostDam Institute for Climate Impact Research).

Outra região que sofre grande influência das correntes oceânicas é o Atlântico Norte. É na extremidade há um sistema de recepção de circulação de águas que liga a Antártida com o Ártico, conhecido como “circulação termoalina” ou “Great Ocean Conveyor Belt”.

circulação termoalina” ou “Great Ocean Conveyor Belt”.

circulação termoalina” ou “Great Ocean Conveyor Belt”.

A Corrente do Golfo (em evidência na primeira imagem deste texto; globo) e sua extensão em direção a Escócia desempenha um papel importante neste sistema. O termo “circulação termoalina” descreve as forças motrizes da temperatura (termo) e salinidade (alina ou salina) de água do mar e determinam as diferenças de densidade da água que, em última instância conduzem o fluxo, ou a corrente.

O termo “cinturão transportador” (Conveyor Belt) descreve sua função muito bem: o ramo superior carrega calor para o Norte e oferece o calor para a atmosfera, e depois retorna ao Sul (a cerca de 2-3 km abaixo da superfície do mar) com o nome de North Atlantic Deep Water (NADW). A corrente transporta grande quantidade de calor para o norte do Atlântico Norte é: algo em torno de 1 picowatt (PW), que é equivalente à saída de um milhão de centrais elétricas. Bodö na Noruega tem temperaturas médias de -2°C em janeiro e 14°C em julho; Nome na costa do Pacífico do Alaska, na mesma latitude, tem um frio muito mais intenso, por volta de -15°C em janeiro e apenas 10°C em julho (PostDam Institute for Climate Impact Research).

As imagens de satélite mostram como a corrente quente mantém grande parte do Mar noruegues da Groenlândia livre de gelo, mesmo no inverno apesar do resto do Oceano Ártico (mesmo muito mais ao sul) ficar congelado.

Bodö na Noruega e Nome na costa do Pacífico do Alaska.

Bodö na Noruega e Nome na costa do Pacífico do Alaska.

Manabe e Stouffer (1988) foram os primeiros a analisar o que acontece quando este cinturão transportador está ausente em um modelo de circulação oceano-atmosfera. Eles descobriram que as temperaturas da superfície do mar no norte do Atlântico Norte caiam até 7°C. As temperaturas do ar caíram ainda mais, até 10°C ao longo dos mares Árticos perto Escandinávia, embora a causa raiz para o resfriamento da atmosfera eram as temperaturas da superfície do mar. A razão para esta amplificação do aquecimento foi o avanço de gelo do mar, o que reflete a luz solar de volta para o espaço e, assim, conduzido a um resfriamento adicional. As mudanças de temperatura do ar, segundo o modelo, são consistentes com a diferença observada entre Bodö e Nome, confirmando que esta diferença é de fato causado principalmente pelo calor norte interposto pelas correntes oceânicas do Atlântico no clima atual.

Isto quer dizer que a temperatura caiu porque houve um resfriamento na atmosfera que foi causado por alterações na corrente transportadora de calor (PostDam Institute for Climate Impact Research).

As correntes oceânicas eram diferentes no passado segundo as evidências encontradas em sedimentos do fundo do mar que permitiu aos cientistas obter com riqueza de detalhes a dinâmica das correntes oceânicas e o quão distantes elas se ramificavam.

O assoalho do oceano concentra linhas de sedimentação, que permitem entender o sentido e a dinâmica das correntes, a datação delas tal qual vemos os anéis de árvores (dendrocronologia) ou as camadas anuais de neve acumulada nas geleiras (PostDam Institute for Climate Impact Research).

Os detalhes são tão precisos que é possível fazer a distinção entre condições na superfície do mar e na parte inferior, onde a principal fonte de dados são as conchas de organismos minúsculos. Sob o microscópio, a abundância destas espécies diferentes podem ser contadas e identificadas como seres de superfície ou moradores de fundo de oceano. A composição química das suas conchas foi determinada pelo conteúdo de temperatura, salinidade e de nutrientes das águas os organismos viviam na, que por sua vez revela informação sobre as correntes oceânicas do tempo (PostDam Institute for Climate Impact Research).

Olhando para os registros oceânicos dos últimos 100 mil anos é possível identificar as variações das correntes e como sucederam ao longo do tempo. Apenas os últimos 8 mil anos, ou seja, a maior parte do Holoceno foi um período relativamente estável. Antes disso, ao longo da última idade do gelo, mudanças súbitas e solavancos ocorrem no registro aproximadamente a cada mil anos. Estes dados são consistentes entre os diferentes núcleos de sedimentos, e a maioria dos picos nas condições oceânicas correspondem a mudanças climáticas síncronas em terra como registrado na calota glacial da Groenlândia (Bond et al, 1993).

Este gráfico mostra oito reconstruções diferentes de temperatura do Holoceno. A linha preta grossa é a média destes. O tempo progride da esquerda para a direita. O gráfico da Idade da Pedra mostra apenas uma variação de apenas grau mais quente do que hoje. A maioria das fontes menciona que a Escandinavia da Idade da Pedra eram cerca de 2-3 graus mais quente do que atualmente. Alguns reconstruções mostram um aumento dramático vertical na temperatura por volta do ano 2 mil anos, mas que não parece razoável uma vez que esse tipo de gráficos não mostra a temperatura em anos específicos, deve necessariamente ser suavizados por uma espécie de média matemática, talvez com períodos de cem anos, e, em seguida, uma alta temperatura em um único ano. Por exemplo, o ano de 2004 será muito menos visível. A tendência parece ser que a temperatura do Holoceno mais alta foi alcançada na época dos caçadores da Idade da Pedra há cerca de 8 mil anos. Posteriormente, a temperatura veio caindo, no entanto, sobreposta por muitos períodos frios e quentes, incluindo o período de aquecimento moderno. No entanto, de modo geral o Holoceno representa um clima estável onde o resfriamento durante o período tem sido limitada a alguns graus.

Este gráfico mostra oito reconstruções diferentes de temperatura do Holoceno. A linha preta grossa é a média destes. O tempo progride da esquerda para a direita. O gráfico da Idade da Pedra mostra apenas uma variação de apenas grau mais quente do que hoje. A maioria das fontes menciona que a Escandinávia da Idade da Pedra eram cerca de 2-3 graus mais quente do que atualmente. Alguns reconstruções mostram um aumento dramático vertical na temperatura por volta do ano 2 mil anos, mas que não parece razoável uma vez que esse tipo de gráficos não mostra a temperatura em anos específicos, deve necessariamente ser suavizados por uma espécie de média matemática, talvez com períodos de cem anos, e, em seguida, uma alta temperatura em um único ano. Por exemplo, o ano de 2004 será muito menos visível. A tendência parece ser que a temperatura do Holoceno mais alta foi alcançada na época dos caçadores da Idade da Pedra há cerca de 8 mil anos. Posteriormente, a temperatura veio caindo, no entanto, sobreposta por muitos períodos frios e quentes, incluindo o período de aquecimento moderno. No entanto, de modo geral o Holoceno representa um clima estável onde o resfriamento durante o período tem sido limitada a alguns graus.

Alguns episódios de clima frio começaram com uma queda de temperatura de 5°C sobre a Groenlândia há algumas décadas ou até menos. A explicação mais plausível para essas mudanças climáticas repentinas são rápidas mudanças ou avarias na dinâmica das correntes oceânicas do Atlântico Norte. O momento exato, a sequência de eventos e as causas últimas

Dois pesquisadores, Lohmann e Dima (2010) descobriram um enfraquecimento da corrente de circulação Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC), a corrente de circulação mais longa do oceano Atlântico. Este enfraquecimento ocorre desde o final da década de 1930 . Os cientistas do clima Michael Mann da Penn State e Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático sugeriram que o padrão de frio observado durante anos de registros de temperatura é um sinal de que a AMOC pode estar enfraquecendo. Eles publicaram suas descobertas em um estudo e concluíram que a circulação AMOC mostrou uma desaceleração excepcional no século passado e que a Groenlândia em processo derretimento é um contribuinte possível.

O aquecimento global pode, por meio de uma paralisação da circulação termoalina, desencadear o resfriamento no Atlântico Norte, Europa e América do Norte (Science Daily, 2004). Isso afetaria áreas como as Ilhas Britânicas, França e nos países nórdicos, que são aquecido pela deriva do Atlântico Norte (Wheter Online). As principais consequências para além de resfriamento regional, poderia também incluir um aumento nos grandes inundações e tempestades, um colapso das populações de plâncton, mudança no regime de chuva nos trópicos e aquecimento do Alasca e Antártida (incluindo os elementos que intensificam o efeito El Niño), maior frequência e intensidade do El Niño, ou um evento anóxico no oceânico Uma causa provável dos eventos de extinção em massa que ocorreram no passado (Schiermeier, 2007).

De acordo com um novo estudo publicado na Nature Climate Change por Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático está acontecendo uma desaceleração da grande circulação oceânica que, entre outras funções planetárias, ajuda para dirigir em parte da corrente do Golfo, que é apenas uma parte de um sistema de transporte oceânico regional mais amplo (a AMOC), que por sua vez é apenas uma parte do maior circulação global a termoalina. (Neste vídeo da NASA visualiza-se a circulação termoalina por todo o globo. Rahmstorf também tem um blog postar em RealClimate.org explicando sua pesquisa.)

O sistema tem uma vulnerabilidade chave. A água salgada e fria é mais densa do que a água quente, por isso afunda. No entanto, se o degelo é intenso (como na Groenlândia) ocorre um resfriamento ainda maior em uma água menor salgada. A água menos salgada torna-se menos densa e reduz a sua tendência em circular abaixo da superfície. Isso retarda ou cessa a circulação.

O filme “O Dia Depois de Amanhã” (2004) tratou de representa este processo de desligamento que desencadeia uma Era do Gelo, e proferir um desastre em escala global.

O estudo aponta que o aquecimento global parece estar abrandando a circulação como demonstrado acima. E enquanto quase catastrófica, que não pode ser uma boa notícia. Entre os efeitos muito reais, observa Rahmstorf do Instituto Potsdam destaca que pode ocorrer um possível aumento do nível do mar nos EUA se toda a circulação quebrar.

O estudo usa uma reconstrução das temperaturas da superfície do mar no Atlântico Norte, e também constatou que a partir de 1970 ou 1975 a circulação começou a enfraquecer – um evento provavelmente desencadeado por uma quantidade incomum de gelo do mar viajando para fora do oceano Ártico, derretendo, e causando o resfriamento. A circulação, em seguida, começou a se recuperar na década de 1990 e parece apresenta uma recuperação temporária, embora atualmente esteja ainda mais enfraquecida.

A razão pela qual essa nova queda esta acontecendo vem da hipótese de que a lâmina de gelo da Groenlândia pode estar perdendo água doce o suficiente devido ao aquecimento,  derretimento e consequente enfraquecimento da circulação. Tudo indica que uma determinada região do oceano do Atlântico Norte ao sul da Groenlândia e entre o Canadá e Grã-Bretanha está se tornando mais fria, um indicador de menos transporte de calor para o norte. Uma publicação recente do National Oceanic and Atmospheric Administration que analisou dados do inverno de dezembro 2014 até de fevereiro 2015 mostra que este foi o período de inverno mais quente já registrado para o mundo como um todo. Houve várias anomalias e não apenas um inverno frio para os EUA Oriental, mas também temperaturas frias no meio do Atlântico Norte:

De acordo com o National Climatic Data Center, o mundo só vi o seu inverno mais quente de sempre ... exceto em um ponto no oceano Atlântico Norte (a cor azul profundo acima), que estabeleceu um recorde para o frio. Que não é bom. (NCDC)

De acordo com o National Climatic Data Center, o mundo viu seu inverno mais quente… exceto em um ponto no oceano Atlântico Norte (a cor azul profundo acima), que estabeleceu um recorde para o frio; que não é bom. (NCDC)

Tendemos a nos concentrar em temperaturas da superfície terrestre, porque é onde vivemos e desprezamos locais que são de fundamental importância no estabelecimento do clima. O calor da superfície é apenas uma fração da equação alterações climáticas. Apenas 7% do calor do sol fica preso por gases de efeito estufa, os 93% restantes são absorvidos pelos oceanos, ganhando regiões profundas como vimos.

A pesquisa indica que desde 1970 indicou que os oceanos do mundo absorveram 251 zettajoules de energia. Mas zettajoule é uma maneira muito esotérica para falar de calor. Em termos práticos, um zettajoules é suficiente para abastecer 25 bilhões de casas americanas médias durante um ano. A energia média anual absorvida pela camada superior do oceano sozinho é igual a 43 vezes a quantidade de energia consumida os EUA em 2012, o ano mais recente com dados disponíveis.

Então quando um negacionistas disser que “A atividade solar não exerce aumento na temperatura da Terra” ele esta completamente errado porque este calor que entra na atmosfera terrestre simplesmente não desaparece. Ele exerce uma profunda influência no clima.

Este calor é absorvido pelos oceanos que representam a grande porcentagem da superfície do planeta, é também absorvido em áreas continentais (que tem taxas de absorção dependendo se são áreas ainda florestadas ou não). Nos oceanos onde há as correntes marinhas, um dos principais definidores do clima do planeta. Quanto maior a temperatura (ou maior calor aprisionado), maior serão ás consequências climáticas. Quanto maior a concentração de CO2 na atmosfera maior será a contribuição deste aprisionamento de calor que se refletirá na temperatura média global. Tudo isto terá consequências a curto, e longo prazo na dinâmica climática que regimes de chuvas, intensificando fenômenos climáticos e assim em diante.

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Hemisférios

Existe uma crítica a questão climática que se concentra em afirmar que os dados apresentados pelos climatologistas foram constatados somente no Hemisfério Norte, e isto seria um viés. Isto é importante destacar porque existe mais superfície terrestre no Hemisfério Norte do que no Hemisfério Sul. Logo, locais com maior proporção de terra absorvem mais calor, especialmente se forem áreas desflorestados para a construção de megacidades.

Por si só isto ja reflete parte dos problemas ambientais. Estamos desflorestando grandes áreas e contribuindo para mudanças climáticas, sejam elas regionais ou globais. Toda a Europa, área correspondente a Rússia, China e proximidades, e a América do Norte sofreram grandes perdas de florestas historicamente dando origem a grandes cidades e áreas de monocultura. Obviamente, a temperatura no Hemisfério Norte vai ser maior. Mas há dados no Hemisfério Sul. Ao longo dos últimos mil anos, as diferenças de temperatura entre os hemisférios norte e sul foram maiores do que se pensava anteriormente.

Utilizando novos dados do Hemisfério Sul, os pesquisadores demonstraram que as simulações de modelos climáticos superestimam as ligações entre as variações climáticas em toda a Terra com implicações para as previsões regionais.

O Hemisfério Sul é um lugar mais difícil de se estudar o clima. Seus vastos oceanos, gelo da Antártida e desertos tornam particularmente difícil recolher informação sobre o clima presente e, mais ainda, sobre o clima passado. No entanto, reconstruções multi-centenário do clima passado dos chamados arquivos de proxy (representativos), como árvore-anéis, sedimentos lacustres, corais e gelo núcleos são necessários para entender os mecanismos do sistema climático.

Pesquisadores em todo mundo tem feito um esforço coordenado para desenvolver e analisar novos registros que fornecem evidencias sobre a variação do clima em todo o Hemisfério Sul. Existe um projeto conjunto de cientistas do clima da Austrália, especialistas em clima na Antártica, bem como especialistas de dados e modeladores do clima do Sul e América do Norte e Europa participaram do projeto. Eles compilam dados climáticos de mais de 300 locais diferentes e aplicaram uma série de métodos para estimar as temperaturas do Hemisfério Sul ao longo dos últimos mil anos. Em 99,7% dos resultados a década mais quente do milênio ocorre depois de 1970 no Hemisfério Sul.

O estudo constatou também que apenas duas vezes ao longo de todo o último milênio ambos os Hemisférios apresentaram simultaneamente temperaturas extremas. Uma dessas ocasiões foi um período de frio global no século 17; a outra foi na fase de aquecimento atual com ininterruptos extremos quentes globais desde a década de 1970. “O ‘Período Quente Medieval“, como identificado em algumas crônicas europeus, foi um fenômeno regional.

Ao mesmo tempo, as temperaturas no Hemisfério Sul foram apenas medianas. Os pesquisadores atribuem estes grandes diferenças com a chamada “variabilidade interna“. Este termo descreve a interação caótica do oceano e a atmosfera dentro do sistema climático que leva a temperaturas a mudar em uma ou outra direção. Diferenças regionais nestas flutuações parecem ser maiores do que se pensava. Os modelos climáticos são incapazes de simular satisfatoriamente as diferenças consideráveis entre os hemisférios. Os modelos parecem subestimar a influência da variabilidade interna, em comparação com forças externas, como a irradiação solar, erupções vulcânicas ou as emissões de gases com efeito de estufa humanos (Neukom et al, 2014).

Há também problemas de amostragem que muitas vezes não mostram os dados representando os fatos em sua plenitude. Muitas vezes os dados são subestimados. Um artigo publicado na revista Nature Climate Change usou observações de satélite e um grande conjunto de modelos climáticos para demonstrar que o aquecimento dos oceanos a longo prazo nos últimos 700 metros dos oceanos do Hemisfério Sul provável tem sido subestimada. O resultado veio de uma má amostragem antes da última década e limitações dos métodos de análise de armazenamento de calor do oceano. Isto é importante porque representa mais de 90% do excesso de calor da Terra que está associado com o aquecimento global. O oceano e atmosfera em aquecimento observado é resultado de uma contínua emissão de gases de efeito estufa e outros fatores. Os oceanos do Hemisfério Sul compõem 60% dos oceanos do mundo. Modelos climáticos que simulam o aumento relativo da superfície do mar em altura, um dos principais indicadores de mudança entre o clima Hemisférios Norte e Sul, são consistentes com observações de altimetria de alta precisão.

O aquecimento dos oceanos nos Hemisférios Norte e Sul são inconsistente com estimativas observadas na mudança de conteúdo de calor do oceano. Isto significa que estas alterações de conteúdo do nível do mar e oceano calor deve ser consistentes e sugerem que melhorias recentes ocorridas no sistema de observação no início do século 21 e que as alterações no Hemisfério Sul e alterações de conteúdo de calor do oceano provavelmente foram subestimadas.

Contribuições fracionárias do Hemisfério Sul para conteúdo de calor superior oceano global ou a média de altura da superfície do mar na anomalia global para diferentes tendências (de 1 a 35 anos). Em A e B os resultados ao longo de (1970-2004) para a superfície do mar altura (A) e conteúdo de calor do oceano (B).

Contribuições fracionárias do Hemisfério Sul para conteúdo de calor superior oceano global ou a média de altura da superfície do mar na anomalia global para diferentes tendências (de 1 a 35 anos). Em A e B os resultados ao longo de (1970-2004) para a superfície do mar altura (A) e conteúdo de calor do oceano (B).

Desde 2004, perfilamentos automatizados chamados de “Argo” flutuam sobre o oceano são  usados para medir a temperatura dos oceanos globais desde a superfície até 2 mil metros abaixo do nível do mar.

A Argo observa que o oceano global fornece uma cobertura sistemática do Hemisfério Sul apresentando medições do flutuador durante a última década que junto a dados de medições anteriores mostram que o oceano foi gradualmente se aquecendo. A conclusão do estudo é que o aquecimento tem sido subestimada, concordando com estudos anteriores. Os resultados são consistentes com outro paper da Nature Climate Change. O Co-autor Felix Landerer do Jet Propulsion Laboratory da NASA mostrou que os estudos com o aquecimento no fundo do oceano descobriram que a partir de 2005 até o presente há um aquecimento contínuo da parte superior do oceano no Hemisfério Sul.

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Derretimento de geleiras

Céticos e negacionistas das mudanças climáticas frequentemente alegam que não há derretimento de geleiras, e que tudo não passa de um ciclo natural do planeta.

Infelizmente as evidências não apontam para este cenário. Bem, vimos como as correntes marinhas estão passando por um enfraquecimento devido diversas influências, inclusive o derretimento de certas geleiras (Groenlândia).

A capacidade de reposição do gelo esta diminuindo, e qualquer acompanhamento que se faça das publicações científicas deixa isto bem claro.

Um estudo publicado pela NASA em 2015 mostrou que apesar de um aumento na acumulação de neve da Antártida que começou há 10 mil anos e haver adição de gelo suficiente no continente para compensar o aumento das perdas com suas geleiras; as camadas de gelo mostraram um ganho líquido de 112 bilhões de toneladas de gelo por ano entre 1992 e 2001. Entretanto, tal ganho esta cada vez mais reduzido. Esse ganho líquido diminuiu para 82 bilhões de toneladas de gelo por ano entre 2003 e 2008. Isto significa que a taxa de reposição do gelo esta diminuindo.

Mudanças acumulativa nas massas do

Mudanças acumulativa nas massas do Leste da Antártica, Oeste da Antártica e Península Antártica.

Em um estudo publicado por Shepherd, (2012), constatou-se que há uma variação entre as regiões dentro Antártica, com o manto de gelo da Antártida Ocidental, a perda de massa de gelo na Península Antártica e com uma taxa crescente. A camada de gelo do leste da Antártida está crescendo ligeiramente ao longo deste período, mas não o suficiente para compensar as outras perdas. Existem incertezas nos métodos de estimativas, mas os dados independentes de várias técnicas de medição mostram a mesma coisa, a Antártida está perdendo gelo como um todo, e estas perdas estão acelerando rapidamente”.

O ano de 2016 abriu com resultados semelhantes publicados pela NASA. A extensão do gelo marinho do Ártico em fevereiro foi em média 14,22 milhões de quilômetros quadrados, o menor grau de todos os fevereiros no registro do satélite. Ele estava 1,16 milhões de quilômetros quadrados abaixo dos dados coletados entre 1981 á 2010, uma média de longo prazo de 15,4 milhões de quilômetros quadrados abaixo da mínima recorde anterior para o mês registrado que foi em 2005.

Arctic extensão do gelo marinho para fevereiro 2016 foi 14,22 milhões de quilômetros quadrados (5,48 milhões de milhas quadradas). A linha magenta mostra a 1981-2010 medida mediana para esse mês. A cruz preta indica o pólo norte geográfico. Crédito: National Snow and Ice Data Center.

A extensão do gelo marinho no Ártico em fevereiro 2016 foi 14,22 milhões de quilômetros quadrados (5,48 milhões de milhas quadradas). A linha rosa mostra a 1981-2010 medida mediana para esse mês. A cruz preta indica o pólo norte geográfico. Crédito: National Snow and Ice Data Center. Clique para ampliar

Nas primeiras três semanas de fevereiro via-se pouco o crescimento do gelo, mas a medida aumentou durante na última semana do mês, principalmente no Mar de Okhotsk (180 mil quilômetros quadrados) e, em menor medida na baía de Baffin (35 mil quilômetros quadrados). A medida é atualmente abaixo da média nos mares de Barents e Kara, bem como o Mar de Bering e do Mar Leste da Groenlândia. A medida diminuiu nos mares de Barents e no Leste da Groenlândia durante o mês de fevereiro. Em outras regiões, como o Mar de Okhotsk, baía de Baffin, e no Mar do Labrador as condições do gelo estão perto de média, um pouco acima da média para esta época do ano. Uma exceção é o Golfo de St. Lawrence, que permanece em grande parte livre de gelo.

Na Antártida, o gelo do mar atingiu sua extensão mínima em 19 de fevereiro (2016), com média de 2,6 milhões de quilômetros quadrados. É o nono mais baixo do mar Antártico em extensão mínima de gelo no registro do satélite.

Partes do Ártico estavam cerca de 16°C mais quentes do que o “normal” para o mês de fevereiro, trazendo-os uns poucos graus acima de zero próximos aos níveis típicos de Junho, em que é normalmente o mês mais frio do ano.

O arquipélago de Svalbard da Noruega, tem em média de 10°C acima da media invernal e com temperaturas crescentes acima da marca de zero em quase duas dezenas de dias desde o dia 1 de dezembro de 2015. Este tipo de clima extremamente incomum levou a baixa do gelo do mar do Ártico, no mar de Barents e especialmente a área ao norte da Europa estabelecendo recordes (Slate, 2016).

Ao longo de 1982 - período de 2004 descrita acima, há um contraste muito forte entre as tendências de temperatura observados através da camada de gelo.

Ao longo do período de 1982 – 2004 há um contraste muito forte entre as tendências de temperatura observados através da camada de gelo da Antártica.

Os dados de fevereiro são tão expressivos que até mesmo os céticos da mudança climática têm abraçado os novos registros. Em seu blog, o ex-cientista da NASA, Roy Spencer disse que, segundo o satélite de registros, o conjunto de dados de escolha por céticos do clima, por uma variedade de razões em fevereiro 2016 caracterizou-o como “colossal” as anomalias de temperatura especialmente no Ártico. Estimulado pela descrença, Spencer verificou com outros os seus dados divulgados e disse que a sobreposição é “quase tão boa quanto a que eu tenho”. Ele disse ao Washington Post, que os dados de fevereiro provaram “ter-se aquecido”. A questão é o quanto de aquecimento tem havido”.

Ártico este ano com o gelo quebrando recordes diários Clique para ampliar

Ártico este ano com o gelo quebrando recordes diários

Conclusão

É preciso ter muito cuidado antes de abraçar determinadas posturas diante das evidências apresentadas pela ciência. Muitas vezes as pessoas se deixam levar pela negação da ciência  ao mesmo em que tentam se justificar cientificamente. Não duvido que haja céticos com dados importantes e críticas concisas que possam por duvida ás mudanças climáticas promovidas pelas atividades humanas. Entretanto, por se trata de um tema de grande relevância e principalmente, por contemplar a ciência segundo o método científico, é necessário que as críticas sejam feitas usando referências científicas e não a pura e simples negação por algum tipo de desconforto, ou pior, por motivos irracionais como certos grupos defendem; conspiracionismo ou tentar minar a evolução biológica colocando falsas críticas ás mudanças climáticas e a ciência em geral. Isto não se manifesta apenas como pseudociência mas como movimentos anti-ciência.

É compreensível que na formação do Ensino Superior muitas vezes somos direcionados a aceitar determinadas posturas sem mesmo questiona-las. Em minha graduação resolvi por em teste a teoria da evolução. Hoje compreendo-a como um fenômeno natural que é coerente, concatenado e bem justificado cientificamente. Após minha formação entrei em contato com certos céticos e críticos das mudanças climáticas e de fato aceitei grande parte das críticas deles me posicionamento muitas vezes contra as mudanças climáticas argumentando que o CO2, ou a simples presença de um gás na atmosfera não poderia ter efeito sobre o clima do planeta.

Ás vezes é preciso ser cético quando ao nosso próprio ceticismo e fazendo isto, lendo artigos, acompanhando os dados entendo hoje, que este modelo explica satisfatoriamente bem uma série de problemáticas ambientais que causam mudanças climáticas regionais e globais. Se o aquecimento global é um fato, opto por pressupor que sim diante das evidencias. Entretanto, como honesto ao método científico que sou, devo dizer que é um modelo paradigmático satisfatório e não um dogma que deva ser seguido religiosamente. Ainda sim, há uma necessidade absurdamente evidente de mudança de postura das sociedades e engajamento global para sanar problemáticas ambientais bastante evidentes que foram citadas logo no inicio deste texto e que muitas independem de aceitar ou não o paradigma do aquecimento global.

Especialmente no que diz respeito a qualidade do solo, das águas, de uma estrutura agrícola menos nociva, uma diminuição absurda do desmatamento em diversos países, uma necessidade absurda de mudar um sistema mercantilizador da vida, da natureza que percebe-a como um recurso natural a ser explorado de modo predatório sem responsabilidade e afundado em um profundo desinteresse quanto as gerações futuras. Sendo assim, sugere-se que leia uma literatura científica de peso, de revistas científicas sérias antes de se posicionar contra o paradigma. Se for para descartar o paradigma vigente que seja com o uso da razão e da coerência substituindo por uma explicação melhor e mais plausível; e não pelo simples negar dos fatos.

Saiba mais em: Aquecimento global

Sugestões de leitura

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Mudanças climáticas, Dióxido de carbono, Degelo, Correntes oceânicas, Hemisfério Sul, Antártida, Ártico, Groenlândia.

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Referências

Bond, G., W. Broecker, S. Johnsen, J. McManus, L. Labeyrie, J. Jouzel and G. Bonani, 1993: Correlations between climate records from North Atlantic sediments and Greenland ice. Nature, 365, 143-147.
Dima, M & Lohmann, G. (2010). “Evidence for Two Distinct Modes of Large-Scale Ocean Circulation Changes over the Last Century”. AMS.
Fourier J (1824). “Remarques Générales Sur Les Températures Du Globe Terrestre Et Des Espaces Planétaires”. Annales de chimie et de physique [S.l.: s.n.] 27: 136–67.
Fourier J (1827). “Mémoire Sur Les Températures Du Globe Terrestre Et Des Espaces Planétaires”. Mémoires de l’Académie Royale des Sciences [S.l.: s.n.] 7: 569–604.
Jagniecki, E. A. Tim K. Lowenstein1, David M. Jenkins1 and Robert V. Demicco1. Eocene atmospheric CO2 from the nahcolite proxy. Geological Society of America. 2015
Manabe, S. and R. J. Stouffer, 1988: Two stable equilibria of a coupled ocean-atmosphere model. J. Clim., 1, 841-866.
Neukom, R. Joëlle Gergis, David J. Karoly, Heinz Wanner, Mark Curran, Julie Elbert, Fidel González-Rouco, Braddock K. Linsley, Andrew D. Moy, Ignacio Mundo, Christoph C. Raible, Eric J. Steig, Tas van Ommen, Tessa Vance, Ricardo Villalba, Jens Zinke, David Frank. Inter-hemispheric temperature variability over the past millennium. Nature Climate Change, 2014
Schiermeier, Quirin (2007). “Ocean circulation noisy, not stalling”. Nature 448 (7156): 844–5.
Weart, S. (2008). The Carbon Dioxide Greenhouse Effect. Página acessada em 27 de maio de 2008.

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