SEM SURPRESA, MAIO BATE A OITAVA SEQUENCIA RECORDE DE TEMPERATURA GLOBAL SEGUIDA. (Comentado)

Rufando os tambores, por favor … E nós fizemos isso de novo! Maio de 2016 é a maio mais quente já registrado. Sim, não estamos tão surpresos, lamentavelmente. Mesmo com um dos mais fortes El Niños já registrados, finalmente, sobre o declínio, o planeta tem continuado a aquecer, tornando-se o oitavo mês consecutivo de quebra recorde de temperatura, de acordo com a NASA.

Maio bateu o record de mês mais quente.

Maio bateu o record de mês mais quente.

Os últimos números divulgados pela NASA agora deixam ainda mais a certeza de que 2016 também será o ano mais quente já registrado, um recorde que só foi estabelecido no ano passado. Eles descobriram que maio foi de 0,93°C (1,67°F) mais quente que o 1951-1980 média, o que é realmente o primeiro mês desde outubro do ano passado que a média mensal não era uma completa 1°C (1,6°F) mais quente que a linha de base. Mas não se deixe enganar em pensar que as coisas estão melhorando.

O Ártico está realmente sentindo o peso de tudo isso. O gelo do mar caiu para uma baixa recorde em maio, alimentando temores de que este ano vai quebrar o recorde do pior derretimento do gelo, pior que o do verão de 2012. Este foi combinado com as geleiras na Groenlândia derretendo a uma taxa recorde, com as camadas de gelo que experimentam temperaturas normalmente associadas com o verão no começo de abril deste ano. Na verdade, tem havido tantos dias anormalmente mais quentes no Ártico durante o último ano que é realmente esta fora do gráfico.

dados NASA: mais quente de maio em registro faz com que os 12 meses que executam temperatura global média anomalia (mostrado) subir para + 1°C

Dados da NASA: o registro do mês de maio mais quente faz com que os últimos 12 meses executem temperatura global média em anomalia (mostrado) subindo para +1°C

Enquanto a temperatura média global está agora em torno de 1°C (1,6 °F) mais quente, o extremo norte está aquecendo a um ritmo muito mais rápido. A Finlândia, por exemplo, descobriu que a temperatura média de maio foi entre 3 e 4°C (5,4 e 7,2°F) mais quente, enquanto no Alasca coisas são ainda mais extremas como, de acordo com a NOAA, este inverno veio em surpreendentes 10°C (16 ° F) acima da média.

Exatamente como estas temperaturas absurdamente quentes vão manifestar-se para além do derretimento do gelo ainda é desconhecida, mas é esperado para ter efeitos desastrosos sobre a vida selvagem na região. Os ursos polares, por exemplo, já estão gastando mais e mais tempo em terra, e tendo maior contato com seus primos de urso marrom.

Em uma declaração, o diretor da World Climate Research Programme, em Genebra disse: “O estado do clima até agora este ano nos dá muito motivo para alarme. O super-El Niño é apenas parcialmente a culpa. Anormal é o novo normal”.

A NOAA esta programado para liberar seus números nesta sexta-feira, e de acordo com os seus dados, este será o 12º mês consecutivo em que os registros mensais de temperatura foram esmagadores.

Fonte: IflScience

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Comentários internos

Algumas pessoas tem perguntado como o Brasil poderia estar passando pela forte onda de frio se o planeta passa por um período de aquecimento global. Esta linha de pensamento que parece ser um contrassenso, na verdade não é. De fato, é claramente previsível que isto aconteceria; ou seja, que em um período de aumento da temperatura média do planeta, haja locais de intensificação do frio.

A cidade de São Paulo, por exemplo, passou pela onda de frio mais intensa dos últimos 22 anos (Folha, 2015). E para entender o que esta acontecendo precisamos voltar ao ano passado e consultados os dados meteorológicos. O ano de 2015 foi marcado pela atuação do fenômeno El Niño, que caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial e que intensifica os extremos climáticos, ou seja, uma região chuvosa fica com mais precipitações e onde costuma fazer calor.

El Niño - aquecimento das águas do pacífico. Fonte: Climatempo

El Niño – aquecimento das águas do pacífico. Fonte: Climatempo

No Brasil o El Niño causa o aumento de chuvas na região Sul, acarretando prejuízos aos agricultores. No Norte ocorre redução de chuvas nos setores norte e leste da Amazônia, levando ao aumento significativo de incêndios florestais. No Nordeste ocorre diminuição das chuvas. Em locais como o Sertão nordestino essa redução chega a 80% no período chuvoso. Ocorre também aumento nas temperaturas do Sudeste e Centro-Oeste.

O ano de 2016 começou com os efeitos intensificados do fenômeno climático, sendo considerado como um dos mais fortes das últimas três décadas. Todos lembram do calor que passamos no começo do ano, e de fato, os termômetros do mundo todo sentiram que a temperatura estava mais alta que o normal. De fato, como vimos na reportagem acima, as temperaturas ainda permanecem altas, pelo oitavo mês consecutivo.

Mas as simulações meteorológicas mostraram que o El Niño perdeu força a partir do segundo trimestre, entre os meses de abril e junho (Tempo Agora, 2016).

Fonte: Climatempo

Fonte: Climatempo

O El Niño está enfraquecendo rapidamente, e os principais centros mundiais de monitoramento do fenômeno concordam que as águas do oceano Pacífico Equatorial devem voltar ao padrão de temperatura normal até o fim do outono, no caso, no dia 20/06 quando o inverno oficialmente começa.

Apesar do oitavo mês de temperaturas altas recordes, o Brasil segue em um frio intenso, resultado do enfraquecimento do El Niño, que é expresso no gráfico da reportagem. Se observamos o gráfico da reportagem, notaremos que o mês de maio estava frio no Brasil (manchado de azul). O enfraquecimento do El Niño, se deu exatamente pela volta a temperatura normal das águas da porção central-leste do oceano Pacífico Equatorial explica em parte a reviravolta da temperatura em maio no centro-sul do Brasil. A mudança na temperatura da água do oceano Atlântico Sul na costa da Região Sudeste também tem muita importância.

 Recorte da america do sul onde nota-se a baixa temperatura do mês de maio no Brasil.


Recorte da América do sul onde nota-se a baixa temperatura do mês de maio no Brasil.

É possível que em um período de aumento da temperatura média do planeta (vulgarmente conhecido como aquecimento global) haja regiões que sofram com uma intensificação do frio. Parece contra intuitivo, mas o aumento da temperatura média leva a mudanças climáticas, alteração da dinâmica de correntes marinhas e consequências globais diversas.

Por exemplo, o aumento das temperaturas globais pode anular processos de refrigeração localizados e causados pela perda de gelo do mar Ártico.

Masato Mori, da Universidade de Tóquio, e colegas do Instituto Nacional do Japão de Estudos Ambientais e do Instituto Nacional de Pesquisa Polar, realizaram 200 simulações de computador da circulação atmosférica global ligeiramente diferentes, baseadas em medições do gelo marinho feitas desde 2004, momento em que houve anos de alta e baixa cobertura de gelo marinho nos mares de Barents e Kara. Eles descobriram que o declínio no gelo do mar estava associado com um padrão de “bloqueio” nas correntes de ar atmosféricas de alta altitude. Esse bloqueio se tornou duas vezes mais provável em anos de baixa de gelo marinho e favoreceu o transporte do ar gelado do Ártico para o sul e oeste sobre a Europa e Ásia.

Isto quer dizer que mudanças climáticas são efeitos do aquecimento global, ou seja, quando há um aumento da temperatura média do planeta, há consequências climáticas.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Frio, El Niño, Aquecimento Global, Temperatura, Record.

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