OS CIENTISTAS DIZEM QUE OS ÁCAROS DO ROSTO EVOLUÍRAM AO LADO DOS HUMANOS DESDE OS PRIMÓRDIOS DE SUAS ORIGENS. (Comentado)

Os cientistas descobriram uma verdade humana universal sobre nossos corpos: todos eles, sem exceção, têm ácaros. Um novo estudo, conduzido por cientistas da Bowdoin e da Academia de Ciências da Califórnia, explora a fascinante história natural pouco conhecida da espécie rosto de ácaros Demodex folliculorum, usando testes genéticos para conectar a evolução do animal microscópico ao nosso próprio, ser humano em constante evolução na história. Ao olhar mais profundamente o material genético (DNA mitocondrial) em amostras de ácaros de todo o mundo, os cientistas descobriram que diferentes populações humanas têm diferentes ácaros, que esses ácaros seguem as famílias através de gerações, e que eles não são casualmente transferidos entre os seres humanos. O estudo foi publicado na revista PNAS.

Um close-up em uma face ácaro Demodex folliculorum, o foco de um novo estudo que usa o teste genético para revelar elo evolucionário do animal microscópico a nossa própria história em constante evolução humana. Fazendo um zoom no DNA mitocondrial nas amostras de ácaros de todo o mundo, os cientistas descobriram que diferentes populações humanas têm diferentes ácaros, que esses ácaros siga as famílias através de gerações, e que eles não estão casualmente transferidos entre os seres humanos. Crédito: Direitos Autorais California Academy of Sciences

Um close de um ácaro Demodex folliculorum, foco de um novo estudo que usa o teste genético para revelar elo evolucionário de nossa própria história e a constante evolução humana. Dando um zoom no DNA mitocondrial nas amostras de ácaros de todo o mundo, os cientistas descobriram que diferentes populações humanas têm diferentes ácaros, e que esses ácaros seguem as famílias através de gerações, e que eles não são casualmente transferidos entre os seres humanos. Crédito: Direitos Autorais California Academy of Sciences

Dr. Michelle Trautwein, Academia curador de entomologia e autor sênior das novas descobertas, diz a melhoria da compreensão dos ácaros que vivem nos folículos capilares humanos ajuda a lançar luz sobre a evolução humana e pode permitir aos cientistas identificar o papel dos ácaros na saúde humana. Apelidado de “ácaros de rosto”, o D. folliculorum são realmente minúsculos aracnídeos que habitam pêlos em todo o corpo humano e consomem as células da pele e óleos. Os ácaros existem em ouvidos humanos, sobrancelhas, cílios, assim como os cabelos que cobrem mamilos e órgãos genitais.

Para a maioria das pessoas, os ácaros são inofensivos. Para alguns, no entanto, ácaros pode ser associados a vários distúrbios da pele e dos olhos, incluindo rosácea e blefarite. Trautwein diz que esta é uma razão entre muitas que os cientistas precisam aprender mais sobre esses constantes companheiros humanos.

“É chocante que nós estamos descobrindo apenas agora o quão profundamente nossas histórias são compartilhadas com os ácaros em nossos corpos”, diz Trautwein, que tem viajado o mundo para testar ácaros e aprender mais sobre suas vidas enigmáticas. “Eles não são apenas aracnídeos em nossos rostos, eles são contadores de histórias. Ácaros nos dizem sobre a nossa própria história antiga -. É uma história complexa, e nós apenas arranhamos a superfície.”

Para entender como e por que os ácaros variam geograficamente, autores do estudo amostraram 70 hospedeiros humanos de todo o mundo. Em alguns indivíduos, ácaros intactos foram recolhidos na curva final da testa; em outros, espátulas de metal de laboratório foram usadas para recolher amostras que incluíam uma mistura de cabelos e células da pele (incluindo ácaros) da bochecha e do nariz exterior. Os cientistas então sequenciando o DNA de ácaros em o DNA mitocondrial de cada sujeito.

“Descobrimos que as pessoas de diferentes partes do mundo sediar diferentes linhagens de ácaros”, diz Trautwein. “O continente onde os ancestrais de uma pessoa originado tende a prever os tipos de ácaros em seus rostos. Descobrimos que as linhagens de ácaros pode persistir em hospedeiros para as gerações. Mesmo se você mudar para uma região distante, seus ácaros ficar com você.”

O estudo revelou que, em alguns casos, os afro-americanos que viviam nos EUA tinham as gerações ainda hospedando ácaros de origem africana. Estes resultados sugerem que algumas populações de ácaros são mais capazes de sobreviver e se reproduzir em hosts de determinadas regiões geográficas. As diferenças nas linhagens de ácaros, os autores sugerem, serem consistentes com a divergência de populações humanas e apoiam a hipótese de “Out of Africa“. Esta teoria amplamente aceita sobre a origem da humanidade afirma que todos os seres vivos hoje humano são descendentes de um grupo que evoluiu na África e dispersou-se pelo resto do mundo. Embora os resultados do estudo sugiram que os ácaros antecederam a aurora dos humanos modernos, Trautwein diz que os ácaros foram provavelmente juntos para essa série de viagens fora do continente.

“Outra revelação emocionante do trabalho com ácaro é que eles não são compartilhados facilmente”, diz Trautwein. “Os ácaros não são casualmente transferidos para os transeuntes na rua. Nós parecemos compartilhar ácaros, principalmente com a nossa família, por isso provavelmente devido ao contato físico próximo para transmitir os ácaros”.

Daqui para frente, Trautwein e seus colegas multidisciplinares vão continuar a investigar a estranha vida dos ácaros e como eles se relacionam com a história evolutiva humana e da saúde. Trautwein está no meio de anos de amostragem do projeto (artrópodes e coletando amostras de ácaros) ao lado de cientistas e cidadão em casas em todos os sete continentes, explorando a vida esquecida que compartilha nossas casas e corpos em uma base diária. Expedições anteriores incluem a Suécia, na Amazônia peruana, casas em San Francisco e o próprio quintal da Academia. Trautwein continuará amostragem ácaros e coleta de artrópodes-moradia de casas na Austrália, Moçambique, China, e Antártica em 2016-17.

Journal Reference
1. Michael F. Palopoli, Daniel J. Fergus, Samuel Minot, Dorothy T. Pei, W. Brian Simison, Iria Fernandez-Silva, Megan S. Thoemmes, Robert R. Dunn, Michelle Trautwein.Global divergence of the human follicle miteDemodex folliculorum: Persistent associations between host ancestry and mite lineagesProceedings of the National Academy of Sciences, 2015; 201512609 DOI: 1073/pnas.1512609112

Fonte: Science Daily

 .

Comentários internos

Não é a primeira vez que este tipo de trabalho é feito. Algo parecido e mais detalhado foi alcançado usando piolhos como ferramenta de estudos em evolução humana.

Piolhos são insetos parasitas (da ordem Phthiraptera) e constituem mais de três mil espécies. Piolhos não têm asas e são ectoparasitas de mamíferos (com exceção dos monotremados e morcegos) e das aves. Os piolhos habitam o cabelo ou penas do hospedeiro, onde se alimentam de sangue, resíduos da epiderme (ou de penas) e secreções sebáceas. Cada espécie tem uma relação exclusiva com um determinado tipo de hospedeiro, o que significa que, um piolho de ave não afeta humanos e vice-versa (Goates et al, 1962–1970). Um dos mistérios mais embaraçosos da evolução humana é que as pessoas são hospedeiras de pelo menos três tipos de piolhos, embora um seja mais comum.

Um paper publicado na revista PloS – Biology em 2003 demonstrou que os piolhos revelam muito sobre a evolução humana. A pesquisa mostrou que uma espécie de piolho de cabeça infestou humanos arcaicos e modernos. Isto indica que o Homo sapiens conviveu com ancestrais extintos (Ciência hoje, 2009).

Piolho da espécie Pediculus humanus

Piolho da espécie Pediculus humanus

Quando se estuda evolução humana a partir de seus parasitas, é possível contar com mais material de pesquisa, especialmente DNA, uma vez que fósseis de espécies extintas de hominíneos podem ser limitados e pouco precisos nas evidências que oferecem. Uma vez que piolhos tenham co-evoluído com seus hospedeiros, seu material genético carrega informações que podem contribuir para a compreensão da trajetória humana ao redor do planeta (Ciência hoje, 2009).

Os pesquisadores analisaram a aparência física e o DNA mitocondrial dos piolhos (Pediculus humanus) que parasitam os humanos modernos e criaram uma árvore filogenética. A espécie tem duas linhagens genéticas distintas. O estudo situou a separação de ambas há cerca de 1,18 milhão de anos – aproximadamente no mesmo período em que houve a divergência evolutiva que separou o Homo erectus do homem moderno, o H. sapiens.

Os pesquisadores identificaram que cada tipo de piolho infestou uma dessas espécies de hominíneos. Nesse caso, a linhagem de piolhos presente em H. erectus deveria ter entrado em extinção quando o H. erectus se extinguiu. Mas os genes de ambas linhagens são encontrados nos piolhos atuais. “O fato de piolhos de hominídeos arcaicos existirem em humanos modernos significa que eles não apenas coexistiram durante algum tempo, mas também tiveram contato”, de acordo com o professor Dale Clayton, da Universidade de Utah, nos EUA, e um dos autores da pesquisa (Ciência hoje, 2009).

As conclusões do estudo apoiam a ideia de que é possível entender a evolução humana seguindo ondas de dispersão. Segundo os dados deste estudo, os humanos modernos deixaram a África em direção a outros lugares do mundo em ondas migratórias distintas, convivendo com hominíneos arcaicos e certos grupos prevaleceram geneticamente (Ciência hoje, 2009).

R

Relacionamento filogenético de piolhos. O estudou foi feito em 2003, neste época se considerava que o ancestral comum entre homem e chimpanzé tinha quase 6 milhões de anos. Atualmente considera-se cerca de 8 ou 9 milhões de anos. Clique para ampliar

Para um dos autores, David Reed, do Museu de História Natural da Flórida, quando se descobriu que o H. sapiens e H. neanderthalensis haviam co-habitado certo locais, suspeitou-se que tal o contato tenha causado a extinção dos neandertais. O caso dos piolhos traz a tona evidências de que o contato com o H. erectus  foi imediatamente anterior à sua extinção, e nos faz questionar se causamos o desaparecimento de duas outras espécies humanas?

Dos três tipos de piolho do Homo sapiens, cada um ocupa um nicho diferente sobre o corpo humano. O piolho da cabeça, como vimos, é o Pediculus humanus. Entretanto, há também o piolho do corpo, que não vive exatamente na pele, mas em roupas. E claro, há o território exclusivo do piolho púbico, Phthirus pubis, que vivem nos pêlos da virilha. Esta é popularmente conhecida como “chato”.

O piolho da cabeça humana é uma espécie irmã do piolho do chimpanzé, mas o piolho púbico humano está mais intimamente relacionado com o piolho do gorila.

O número de diferenças de DNA entre o piolho do gorila e piolho púbico humano indica que eles divergiram a cerca de 3,3 milhões de anos atrás. Reed e seus colegas publicaram seus resultados na revista Biology Biomed Central. Entre as pessoas, o piolho púbico é geralmente transmitida por contato sexual, mas o piolho parece ter sido adquirido de alguma outra forma.

Esquema filogenético de piolhos e primatas. Nele é possível observar qual a procedência dos piolhos que infestam o homem moderno

Esquema filogenético de piolhos e primatas. Nele é possível observar qual a procedência dos piolhos que infestam o homem moderno. Clique para ampliar

Isto indica que ancestrais humanos já haviam perdido o pêlo do corpo por 3,3 milhões de anos atrás, confinando o piolho humano à cabeça e deixando a virilha aberta à invasão pelo piolho do gorila. Paleoantropolólogos afirmam que os ancestrais hum anos perderam seus pêlos do corpo quando saíram da sombra das florestas e se expuseram a savanas quentes, desenvolvendo uma pele nua em pêlos que favoreceu uma transpiração eficiente. A adaptação a savana é datada em 1,7 milhões de anos atrás. Mas a perda de pêlos no corpo poderia ter começado mesmo antes; e o resultado de Reed sugere um tempo para quando as pessoas tornaram-se mais desnudas.

Se os hominíneos começaram a ter menos pêlos a 3,3 milhões de anos atrás, quando eles começaram a usar roupas? Os piolhos forneceram parte da resposta. Embora os seres humanos possam ter usado peças soltas, como casacos de pele animal (que só posteriormente passaram a ser costuradas, no Paleolítico), a primeira “roupa” sob medida teria sido apertada o suficiente para tentar o piolho de cabeça para expandir seu território. Ele desenvolveu uma nova variedade, o piolho do corpo, com garras adaptadas para agarrado ao tecido, não pêlos (Reed et al, 2007).

Em 2003, Mark Stoneking, geneticista do Instituto Max Planck em Leipzig, Alemanha, estimou a partir de diferenças de DNA que o piolho do corpo evoluíram a partir do piolho de cabeça a cerca de 107 mil anos atrás. Essa data confere com registros importantes sobre a origem da complexidade social dos humanos modernos e desenvolvimento de tecnologia. Por exemplo, nas cavernas de Pinaccle Point foram encontrados registros de uso de fogo, alimentos de origem marinha, formação de calendário lunar e uso de ocre datados em 164 mil anos. Em  Qafzeh (Israel) foram encontrados sepultamentos de adultos cobertos de oferendas e adornos, como galhada de cervos datadas em 100 mil anos. A partir de 70 mil anos, houve um processo de expansão cognitiva da espécie humana favorecendo o desenvolvimento de gravuras, pinturas, esculturas, abrigos, ferramentas compostas, ornamentos, sepultamentos, linha, costura, roupas, chapéus, redes de pesca, arpões, anzóis, embarcações, adereços com esmeraldas, contas, instrumentos musicais (Neves et al, 2015)(Veja mais em Deveríamos subestimar os povos do Paleolítico?).

Entretanto, este trabalho produzido por Reed foi refeito por ele mesmo, considerando dados arqueológicos novos, e métodos de cálculo mais adequado para minimizar erros nas estimativas. A evidência sólida mais antiga indica que os seres humanos modernos provavelmente começaram a usar roupas em uma base regular para manter quente quando foram expostos a condições de Idade de Gelo, isto ocorreu aproximadamente a 170 mil anos. Segundo estimativas de temperatura a partir de estudo de amostras de gelo e permafrost,  a última idade do gelo começou entre 180 e 130 mil anos, e confere com a datação proposta por Reed. Este avanço ajudou nossa espécie sobreviver após sair da África e se espalhar pelo mundo. Reed declarou a Live Science que “Acho surpreendente que os humanos modernos foram mexer com roupas, provavelmente, muito antes de eles realmente precisarem delas para sobreviver”. Este registro entre o início da perda de pêlos e início do uso de roupas corresponde a uma quantidade considerável de tempo, sem qualquer roupa ou o cabelo do corpo. É interessante notar que os seres humanos foram capazes de sobreviver em África há centenas de milhares de anos, sem roupa e sem pêlos do corpo.

A análise feita por Reed volta ainda mais cedo na evolução piolho. Para ele e seus colegas as duas espécies de piolhos tem origem em outros primatas, Pediculus e Phthirus, provavelmente divergiram um do outro em um hospedeiro primata datado em 13 milhões de anos atrás. A divergência pode ter acontecido depois que os piolhos começaram a se especializar em diferentes partes do corpo.

Cerca de sete milhões de anos atrás, esta espécie de piolho de primata dividiu-se especializando em gorilas e aos ancestrais dos humanos e chimpanzés criando um cenário onde ambas as linhagens estavam infestadas por ambas espécies de piolhos. Mas, em seguida, o Pediculus foi extinto em seus hospedeiros gorila, de acordo com a reconstrução filogenética de Reed, e Phthirus desapareceu do antepassado chimpanzé-humano. Quando chimpanzés e humanos divergiram, a linhagem de piolho divergiu junto com eles, criando Pediculus humanus e Pediculus schaeffi.

O último evento nesta história do homem e piolho foi a transferência do piolho do gorila Phthirus com as pessoas. Stoneking disse reconstrução de Reed é bastante razoável mas discorda sobre a forma de aquisição do piolho indicado  que a transferência não precisa ser obrigatoriamente via sexual, mas, presumivelmente, ele exige contato razoavelmente perto (The New York Times, 2007).

Reed também olhou para outras questões envolvendo piolhos, especialmente o povoamento das Américas. Há dois tipos de piolhos claramente diferentes entre si na América do Norte. Um pode ter chegado junto com os primeiros povos americanos e o outro veio com os europeus muito mais recentemente. Reed publicou seus dados na revista Molecular Biology and Evolution.

Os piolhos de múmias de 1.000 anos de idade em Peru estão lançando luz sobre a propagação dos seres humanos e doenças para as Américas. Estas novas descobertas sugerem, por exemplo, que Colombo não trouxe esses parasitas para o Novo Mundo, embora Vikings possam ter trazido. Ao estimar a idade do piolho do corpo humano, pesquisadores descobriram que os humanos modernos começaram a usar roupas costuradas de forma mais organizada a cerca de 40 mil anos atrás. Ao olhar para tênias, vermes, piolhos, ácaros ou percevejos podemos traçar importantes eventos na história humana em torno de dezenas de milhares de anos, ou milhões de anos.

Os estudos de Reed usaram três linhagens de piolhos para traçar a trajetória humana. Além de descrever quando os humanos começaram a usar roupas, ele descobriu que a linhagem A é encontrada em todo o mundo, tipo B nas Américas, Europa e Austrália, e do tipo C é rara, conhecida apenas no Nepal e Etiópia.

O tipo B é abundante no Norte e América Central – responsável por mais da metade dos casos de piolhos. Os pesquisadores acreditam que o tipo A se originou da Europa e o tipo B das Américas. Ao analisar estes piolhos, os pesquisadores descobriram que doenças mortais são causadas pelo tipo A, como a tifo – que dizimaram grande exército de Napoleão – que foi predominantes no Novo Mundo antes da chegada de Colombo.

Os cientistas analisaram o DNA dos piolhos encontrados no cabelo trançado de um corpos mumificado bem preservado naturalmente pelas condições áridas do deserto litoral sul do Peru.

O trabalho revelou estes parasitas eram do tipo A, o tipo mais comum, encontrados tão longe quanto as terras altas de Papua, Nova Guiné, e não do tipo B. Mas descobriram que este parasita infestou as Américas quase 500 anos antes de Colombo chegar.

Dada sua abundância nas Américas em seres humanos vivos, acreditava-se que o tipo B era quem estava aqui o tempo todo e tinha sido estabelecido no Novo Mundo com os primeiros povos. Esses dados vão na contramão do pensamento convencional de que todas as doenças eram transmitidas do Velho Mundo para o Novo Mundo na época de Colombo.

Múmia Chiribaya do Peru mostrando cabelo intacto que ainda é trançado. Os piolhos do cabelo de tais múmias é lançar luz sobre os padrões de migração dos primeiros humanos da América. Crédito: Dr. Sonia Guillen.

Múmia Chiribaya encontrada no Peru mostrando cabelo intacto que ainda é trançado. Os piolhos do cabelo de tais múmias lançam luz sobre os padrões de migração dos primeiros humanos da América. Crédito: Dr. Sonia Guillen.

Em princípio, o tifo pode realmente ter se originado no Novo Mundo, e pegado uma carona a bordo dos europeus para devastar milhões. Os casos confirmados de epidemia de tifo antes do final dos anos 1500 são raros, o que tem provocado especulação de que o tifo não é uma doença do Velho Mundo, disse Reed disse ao Live Science. Uma conjectura semelhante cercou doenças como a sífilis.

Embora Colombo e expedições subseqüentes não poderiam ter trazido piolhos para as Américas, os cientistas observaram que os vikings durante a Idade Média podem ter sido os responsáveis. Ainda assim, o cenário mais provável é que os parasitas vieram com as primeiras pessoas a chegar nas Américas.

Há um grande debate a respeito de quando e como os ancestrais dos nativos americanos vieram pela primeira vez para o Novo Mundo e talvez o uso de piolhos um dia possa ajudar a esclarecer o que de fato aconteceu. É comum pensar que as pessoas que viajam por terra se estabeleceram nas Américas, mas “eles só teriam tido uma pequena janela de oportunidade a cerca de 13.500 anos atrás, quando havia uma lacuna nas camadas de gelo”, disse Reed.

No entanto, sabemos que os seres humanos tinham feito isso na América do Sul em um tempo muito anterior a 13 mil anos, por isso torna-se mais complicado entender o que de fato aconteceu. A evidência de DNA sugere que grupos de pessoas chegaram ao Novo Mundo a cerca de 30 mil anos; e alguns genes sugerindo até 50 mil anos. E claro, as evidências de pinturas rupestres encontradas na Serra da Capivara (Brasil) datam ainda mais pra trás o tempo de chegada nas Américas.

Outra maneira como as pessoas podem ter se instalado nas Américas inclui a vinda pelo mar, ou abraçando a costa em barcos do nordeste da Ásia (embora seja improvável), cruzando o oceano a partir das ilhas do Pacífico.

Pesquisas futuras com os piolhos poderia lançar luz sobre quando e por qual rota os ancestrais vieram parar nas Américas, bem como quem eram essas pessoas. Os dados dessa pesquisa foram publicados na Journal of Infectious Diseases.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Piolho, Púbis, Gorila, Evolução Humana, Reed.

.

Referências

Goates, Brad M.; Atkin, Joseph S; Wilding, Kevin G; Birch, Kurtis G; Cottam, Michael R; Bush, Sarah E. and Clayton, Dale H. (5 November 2006). “An Effective Nonchemical Treatment for Head Lice: A Lot of Hot Air”. Pediatrics (American Academy of Pediatrics) 118 (5): 1962–1970.
Neves, W. A. Junior, M. J. R. Murrieta, R. S. S. Assim caminhou a Humanidade. Palas Athenas. 2015

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s