A ORIGEM DO DESENVOLVIMENTO DO CÓRTEX CEREBRAL HUMANO

Um grupo particular de células-tronco neurais, encontradas em abundância somente durante o desenvolvimento embrionário em seres humanos, tem uma capacidade muito maior de proliferar células que dão origem ao córtex em outros animais. A elas devemos nosso excepcional desenvolvimento do córtex que caracteriza nossa espécie e, em menor grau, outros primatas.

Science Picture Co./Corbis

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É um grupo de células-tronco pequenas e específicas que dá origem, ao longo do desenvolvimento embrionário, a uma grande parte dos 16 bilhões de neurônios que formam o córtex cerebral do cérebro humano. Para identificar a “assinatura genética” – ou, mais precisamente o padrão particular de expressão de seus genes – um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco, assinou um artigo publicado na revista “Cell“. A descoberta ajuda a lançar luz sobre os processos em curso da evolução levaram a um aumento dramático no córtex cerebral de primatas, e especialmente do ser humano.

© Viaframe/Corbis

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Até há pouco tempo, o que era conhecido do processo de desenvolvimento do córtex derivava do estudo de animais tais como ratinhos, cujos neurônios cerebrais são produzidos por um grupo de células estaminais radial glia ventricular (VRG) que são encontradas em uma camada profunda do cérebro, da zona ventricular (VZ), caracterizado por uma taxa de crescimento rápido.

Em 2010, no entanto, a equipe de Arnold R. Kriegstein, que também dirigiu o estudo atual, descobriu que o cérebro humano é rico em um tipo de células-tronco neurais – as células-tronco chamada de glia radial externa (ORG), porque elas são localizadas em uma área afastada da zona ventricular – que são muito raras no cérebro dos ratos.

Agora, pesquisadores descobriram que estas células produzem neurônios a uma taxa excepcionalmente elevada: enquanto a VRG dos ratos produzem de 10 a 100 cada células filhas durante o desenvolvimento do cérebro, na ORG de um único ser humano pode produzir muitos milhares de neurônios e células gliais, isto é, são as células do cérebro que não são neuronais mas que são responsáveis por uma ampla gama de funções necessárias para “manutenção” e o correto funcionamento do cérebro.

Ao definir o perfil de expressão de genes destas células-tronco, Kriegstein e colegas também descobriram que a excepcional capacidade proliferativa destas células está ligada à expressão de certos marcadores de células que melhoram a capacidade de reproduzir. A descoberta oferece a oportunidade para melhorar drasticamente as técnicas de cultivo de circuitos cerebrais in vitro.

Os resultados também podem ter implicações para o estudo de glioblastoma, o tumor mais comum e mais maligno do cérebro, cuja capacidade de crescer, migrar e influenciar o fluxo de sangue para o cérebro parece basear-se num padrão de atividade do gene semelhante ao identificados nestas células-tronco neurais.

Fonte: Le Scienze

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