E SE OBSERVADORES EXTRATERRESTRES NOS CHAMAREM, MAS NINGUÉM OUVIR? (Comentado)

Cientistas intensificam suas buscas por outras formas de vida no universo, dois astrofísicos estão propondo uma maneira de se certificar de que não perca o sinal se observadores extraterrestres tentarem entrar em contato conosco primeiro.

Medindo o escurecimento da luz das estrelas como um planeta cruza o rosto de sua estrela durante a órbita, os cientistas podem recolher uma riqueza de informações, mesmo sem nunca ver esses mundos diretamente. Crédito: elementos desta imagem equipada pela NASA; © nikonomad / Fotolia

Medindo o escurecimento da luz das estrelas quando um planeta cruza o rosto de sua estrela durante a órbita, os cientistas podem recolher uma riqueza de informações, mesmo sem nunca ver esses mundos diretamente. Crédito: elementos desta imagem feitos  pela NASA; © nikonomad / Fotolia

René Heller e Ralph Pudritz dizem que a melhor chance para nós encontrarmos um sinal do além é presumir que os observadores extraterrestres estão usando os mesmos métodos de pesquisa que nós estamos usando para procurar vida fora da Terra.
Aqui na Terra, os pesquisadores espaciais estão concentrando a maior parte de seus esforços de pesquisa em planetas e luas que estão demasiadamente longes para ver diretamente. Em vez disso, eles estão estudando-as, acompanhando suas sombras como elas passam na frente de suas próprios estrelas hospedeiras.

Medindo o escurecimento da luz das estrelas e como um planeta cruza o face de sua estrela durante a órbita, os cientistas podem colher uma riqueza de informações, mesmo sem nunca ver esses mundos diretamente.

Usando métodos que lhes permite estimar a iluminação estelar média e temperaturas em sua superfície, os cientistas já identificaram dezenas de locais onde a vida poderia existir.
Em um artigo para publicação na revista Astrobiology, e disponível online em breve, Heller e Pudritz viraram o telescópio em torno e pensaram; e se observadores extraterrestres descobrirem a Terra e como ela transita sob o sol?

Se esses observadores estão usando os mesmos métodos de pesquisa que os cientistas estão usando na Terra, os pesquisadores propõem que a humanidade deve voltar sua orelha coletiva da Terra para a “zona de trânsito”, a fatia fina de espaço a partir do qual a passagem do nosso planeta na frente do sol pode ser detectada.

“É impossível prever se os extraterrestres usam as mesmas técnicas de observação, como fazemos”, diz Heller. “Mas eles terão de lidar com os mesmos princípios físicos que nós, e trânsitos solares da Terra são um método óbvio para nós detectar”.

A zona de trânsito é rica em estrelas hospedeiras de sistemas planetários, oferecendo cerca de 100 mil potenciais alvos, cada uma potencialmente orbitada por planetas habitáveis e luas, dizem os cientistas – e isso é só um número, podemos ver com tecnologias de telescópio de rádio de hoje.
“Se qualquer um desses planetas acolher observadores inteligentes, eles poderiam ter identificado Terra como um planeta habitável, até mesmo como um mundo vivo há muito tempo e que poderíamos estar recebendo suas transmissões hoje”, escreve Heller e Pudritz.
Heller é um estudante de pós-doutorado, enquanto que McMaster, trabalhou com Pudritz, é professor de Física e Astronomia. Heller está agora no Instituto de Astrofísica, em Göttingen, Alemanha.
A questão do contato com outros indivíduos fora da Terra é quase hipotética, já que vários projetos estão em andamento, tanto para enviar sinais a partir da Terra e para procurar sinais que foram enviados direta ou ter “vazado” em torno de obstáculos, possivelmente, viajando por milhares de anos.
Heller e Pudritz propor que o Breakthrough Ouça iniciativa, parte da pesquisa mais abrangente para a vida extraterrestre já realizado, pode maximizar suas chances de sucesso, concentrando a sua pesquisa no zona de trânsito da Terra.

Fonte: Science Daily

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Comentários internos

Este é um comentário que gostaria de ter feito muito tempo antes, porque há muitos dados interessantes e críticas a serem feitas a certos grupos direcionados pela pseudociência. É muito comum textos como este acima, acabarem sendo subvertidos ou recontextualizados em sites de pseudociência, em especial a ufologia, tendo desdobramentos e consequências dramáticas a sociedade. Portanto, vale uma reflexão que ponha em cheque a ufologia.

Primeiramente, vale lembrar que jamais fizemos nenhum contato com qualquer população inteligente de outro planeta. É considerável a argumentação de que o Universo é suficientemente grande para acreditarmos que não estamos sozinhos nele, mas é igualmente considerável que o Universo não tem pretensão alguma sobre relação custo/benefício, e portanto, existir uma ou mais civilizações não faz parte de um planejamento premeditado do Universo.

Essas são algumas de uma série de questões que os cientistas levantam quando se trata de vida inteligente fora do planeta Terra. Faz sentido acreditar que existe vida além da Terra, mas entre acreditar e saber há um imenso abismo epistemológico. Este abismo não é encontrado somente na ufologia, mas está muito presente em pseudociências que partem de alguma entidade sobrenatural criadora.

Somente 5% dos objetos voadores são realmente não-identificados, o que novamente não implica em dizer que sejam naves espaciais, mas simplesmente fenômenos ainda desconhecidos. Uma luz no céu pode ter uma gama enorme de explicações plausíveis e significados constatáveis. Poderiam ser simplesmente balões meteorológicos, fulgurações, faróis no céu, aviões em formação, aeronaves militares, pássaros, aviões que refletem o Sol, dirigíveis, helicópteros, planetas como Marte ou Vênus, meteoros, meteoritos, lixo espacial, satélites, paréfilos, relâmpagos circulares, cristais de gelo, luz refletida por nuvens, luzes no solo ou refletidas por janelas de cabines de avião.

Todos esses são eventos que já confundiram os ufólogos guiados pelo senso-comum e foram desmistificados por estudos sérios e criteriosos. Isto não significa que todos os casos de objetos voadores não-identificados tenham explicações. Mas o fato de ainda não haver uma explicação natural para um fenômeno, não implica que ele seja fruto de uma entidade sobrenatural.

Um cientista coerente que acredita na ocorrência de vida inteligente fora da Terra ou em algum canto do Universo ressaltaria com humildade o suficiente que não há, ao menos até o momento, qualquer evidência que apoie sua crença. De fato, há objetos não identificados vistos no céu, mas como seu nome diz, eles são meros objetos não-identificados, e isto é diferente de pressupor naves espaciais e abduções. Isto são identificações, tentativas baseadas no senso-comum de tornar conhecido algo desconhecido, e a conclusão de que estes objetos não-identificados são visitantes extraterrestres não é apoiada por qualquer evidência sólida, é sempre circunstancial, e muitas vezes revelada uma farsa.

Vejamos um exemplo. Um caso de farsa foi o exemplo de Doug Bower, Dave Chorley e John Lundberg que saíram do anonimato e se tornaram famosos mundialmente por anunciar que eram os autores dos primeiros círculos de plantação que foram ingenuamente atribuídos a entidades extraterrestres. Esses círculos são geralmente vistos como sendo um rastro, ou vestígio de quando o alienígena pousava sua nave nos pastos ou campos de trigo e seus discos voadores deixam marcas, segundo uma das versões mais populares. Estas figuras são melhores observadas de um ponto mais alto, fazendo pouco sentido quando são observadas no nível da plantação. A aparência geométrica é influenciada por alguns fractais. Algumas empresas com objetivos publicitários encomendam o desenho nas plantações à artistas de “circlemakers” que usam apenas tábuas para pisar nas plantas. A conclusão é que os círculos de plantações jamais foram feitos por entidades extraterrestres ou naves. Eles foram desde o início uma criação humana, cujo designer que foi capaz de criar desenhos relativamente complexos e matematicamente desenhados.

Outro ponto importante desta discussão é que existe uma tendência nas pessoas em confundir a astrobiologia com a ufologia, porque ambas trabalham o mesmo tema, mas não da mesma forma. De fato, trabalham de modo completamente distinto para averiguar a existência de vida extraterrestre. Na astrobiologia, o estudo é feito de modo interdisciplinar (utilizando conhecimento da astronomia, biologia, química, geologia, física, radioastronomia) para buscar a origem, evolução e distribuição da vida no universo. A astrobiologia é considerada uma ciência/proto-ciência porque passa por complicações epistemológicas no que diz respeito a extrapolação da perspectiva evolutiva, mas intercambeia conhecimento com outros disciplinas. Por exemplo, ela estuda exoplanetas (e exoluas), e seus sistemas físicos e gravitacionais. Ela busca entender a evolução biológica a partir da perspectiva cósmica e a compreensão do ambiente geológico extraterrestre como suporte na busca pela vida extraterrestre, inclusive a vida inteligente. Ela tenta aplicar uma teoria científica da origem da vida na Terra e até no Universo.

Na ufologia, o objeto de estudo são os objetos voadores não identificados (OVNIs). É neste ponto que os ufólogos se encaixam na pseudociência. O erro que eles cometem esta quando assumem que um objeto não-identificado é a manifestação de uma entidade de outro planeta. O correto seria admitirmos a ignorância, o fato de que não sabemos do que se trata aquele objeto voador não-identificado. E como vimos, somente 5% deles é realmente não-identificado. Não saber o que é um OVNI é diferente de assumir que um OVNI é um disco-voador tripulado por entidades de outro planeta. É aqui que a ufologia morre, ela ignora o abismo entre o não-saber e dogmatizar uma resposta sem evidências sólidas, fundada exclusivamente no senso-comum. Se um objeto não é identificado ele não pode ser um disco voador. Ao fazer a passagem do desconhecido para o conhecido com base em crenças a ufologia se funda na pseudociência.

Na ufologia qualquer pessoa pode defender alguma ideia e ganhar fama sem fazer qualquer progresso científico, porque tal abordagem não é interdisciplinar como na astrobiologia, e não parte do ceticismo, mas do dogmatismo e muitas vezes com respostas pré-determinadas. A ufologia não faz uso metodologia científica, não publica descobertas e estudos em revistas científicas, não submete suas afirmativas sob a crítica da comunidade acadêmica (o que chamamos de intersubjetividade acadêmica) e não tem suas publicações sujeitas a uma revisão por pares que possa ser replicada por outros pesquisadores interessados na sua descoberta. A ufologia é caracterizada pela filosofia da ciência como uma pseudociência porque não tem objeto de estudo; não age com rigor metodológico e não produz conhecimento passível de verificação empírica (não é testável). A ufologia é totalmente baseada em relatos, documentos e registros informais, alegados na maioria das vezes por indivíduos cujas observações não podem ser provadas ou testemunhadas.

A ufologia muitas vezes acaba se fundindo com outras pseudociências, ou com a religião ou teorias conspiracionistas (o caso dos reptilianos/Illuminati é o mais conhecido). Muitos pseudocientistas afirmam que a identidade criadora de nossa espécie é um designer de outro planeta, enquanto outras abordagens da ufologia misturam-se com a parapsicologia. Esta pseudociência defende que o ser humano possui atividades além da psique e que pode revelar episódios de abduções alienígenas. Há também a clássica pseudoarqueologia (ou ufoarqueologia) na qual descaracteriza a arqueologia como ciência para defender um significado extrapolado ao original.

O maior representante desta vertente (e que mistura componentes religiosos) é Erich von Däniken que ficou conhecido por criar diversas teorias sobre a suposta influência extraterrestre na cultura humana desde os tempos pré-históricos. Däniken é o principal responsável por popularizar a crença de que os deuses, descritos na literatura e escrituras das principais religiões e civilizações, eram na realidade extraterrestres.

Mais tarde ficou evidente que Däniken retirou muitos de suas ideias de livros como “O Despertar dos Mágicos”, que por sua vez foi influenciado grandemente pelos Mitos de Cthulhu e nas histórias de H. P. Lovecraft em “The Call of Cthulhu” escrita em 1926 e “At the Mountains of Madness” escrita em 1931(Colavito, 2004).

O que von Däniken fez foi propagar a falsa idea de que os antepassados na ilha de Páscoa, os povos egípcios e tantos outros povos eram ignorantes e incapazes de construções complexas. Para ele, a aprendizagem de empilhamento dos blocos e a engenharia egípcia vieram de conhecimento alienígena. A pseudociência é perigosa por propagar este tipo de pensamento, muitas vezes etinocêntrico, de inferiorização, de apequenamento do próximo pelo uso da ignorância para simplesmente justificar uma crença xucra em extraterrestres. De fato, nunca foi coerente a ideia de que um indivíduo com um isqueiro na mão dentro de uma pirâmide, dotado de revelações profético-ufológicas fosse mais competente que os arqueólogos com anos de estudos criteriosos para dizer algo sobre uma determinada civilização do passado.

Muitas pessoas seguiram a linha de pensamento de von Däniken e fizeram pressuposições sobre as linhas Nazca no Peru, ou mesmo no Coliseu alegando que povos do passado receberam informações tecnológicas de outras civilizações para construir tais monumentos históricos rebaixando a competência humana. Däniken nunca escondeu o fato de que jamais participou de explorações citadas em seu livro e simplesmente narrou coisas que nunca constatou (Nogueira, 2014). Tudo foi forjado para aumentar o interesse dos leitores em contos míticos fundamentados em falsificações grosseiras e sem qualquer respaldo acadêmico por parte dos arqueólogos. De fato, o próprio Carl Sagan manifestou seu repudio e indignação pelo desserviço as alegações de von Däniken que promoviam o analfabetismo científico. Muitos destes contos narrados foram retirados de descontextualizações até mesmo da Bíblia, onde passagens de Gênesis e Ezequiel foram recontextualizadas sob uma luz ufológica, ou seja, sob a luz de viagens extraterrestres.

Esta é outra característica da pseudociência, especialmente da ufologia, ela consegue agregar outros pressupostos pseudocientíficos em um contexto ainda maior e com menos uso da razão: ela pode misturar religião, conspiração, esoterismo, numerologia e tudo que garante sua perpetuação.

Vejamos outro exemplo. Todos nós já ouvimos falar que os Illuminati formam uma ordem secreta dentro da maçonaria (a partir do grau 33) e que são formados por reptilianos que estão inseridos na sociedade, nos grandes governos ocultos e que visam a dominação do planeta muito antes da humanidade existir. Esta ideia foi criada por David Icke.

Neste caso há a mistura de teorias de conspiração com ufologia e muitas vezes com componentes religiosos. Geralmente as pessoas que se deixaram levar por essas interpretações saborosas para justificar suas crenças e perdem o uso da razão: não conseguem distinguir os fatos das conspirações. É comum notar que defensores desta linha de pensamento confudam questões econômicas com dominação reptiliana, grupos de discussão política com novas ordens mundiais, questões socioeconômicas com escravidão de governos ocultos, desenvolvimento de pesquisas com manipulação genética para controle populacional etc e tal.

Esta mistura de pseudociências “startada” pela ufologia é encontrada no discurso dos reptilianos de David Icke. Ele defende que reptilianos da constelação Draco hibridizaram-se a espécie humana e que tais exemplares puramente reptilianos conseguem se disfarçar de humanos; que a humanidade foi manipulada geneticamente e uma serie de pressupostos ufológicos sem qualquer respaldo acadêmico. Não é preciso dizer que não tais pressupostos, novamente, fogem da constatação científica e aqueles que são passíveis de análise se mostraram falsos.

Tanto no caso de von Däniken quanto dos reptilianos de David Icke não há resquício algum de qualquer entidade extraterrestre em nosso planeta. Jamais encontramos evidências de viagens no tempo, de naves, de restos mortais de entidades de outro planeta, imagens de alienígenas pelas ruas se transformando em humanos ou análises anatômicas de seus corpos: e claro, dado nossa semelhança aproximada dos chimpanzés em 99% do DNA, sabemos que nosso material genético jamais foi manipulado artificialmente por qualquer entidade. Portanto, é necessário separar o que é cientificamente viável e constatável do que é ficção, pseudociência e magia.

A busca por vida fora da Terra pode ser feita se for respaldada por mecanismos científicos que permitam mensurar, qualificar e quantificar quaisquer formas de vida. A astrobiologia entra como carro chefe neste quesito. Quando se procura vida em outros planetas, algumas hipóteses simplificadoras são úteis para reduzir a amostragem e as probabilidades. Um deles é o pressuposto informado que a grande maioria das formas de vida em nossa Galáxia são baseadas em produtos químicos do carbono, assim como todas as formas de vida na Terra (Salama, 2008). O carbono é bem conhecido em uma variedade grande de moléculas. É o quarto elemento mais abundante no universo e a energia necessária para estabelecer ou quebrar um vínculo é adequada para a construção de moléculas que não são estáveis apenas, mas também reativas. O fato dos átomos de carbono estabelecerem ligações a outros átomos de carbono permite a construção de moléculas arbitrariamente longas e complexas.

A presença de água no estado líquido é um pré-requisito assumido ser essencial, uma vez que é uma molécula comum e proporciona um excelente meio para a formação de moléculas complexas à base de carbono e que podem, eventualmente, levar induzir o aparecimento de vida (Macmillan, 2006).

Outra forma de buscar vida inteligente fora da Terra é através da identificação de planetas encontrados na zona ecologicamente viável, conhecida vulgarmente como “zona Cachinhos Dourados”. Esta é uma zona habitável, uma região do espaço em torno de uma estrela adequada para a existência de água líquida e consequentemente a vida, da maneira a qual conhecemos. Os planetas nessa região não estão em um local tão quente, o que faria a água ferver, nem tão frio, o que congelaria a água. Apontar telescópios para eles é então uma boa ideia.

Os astrônomos acreditam que os planetas habitáveis são rochosos e não pode ser um planeta muito pequeno, pois não seria capaz de segurar gravitacionalmente alguma atmosfera. A presença de uma atmosfera é fundamental.

Analisar atmosferas em busca de pistas da vida é a principal ferramenta astrobiológica atualmente. Se um planeta em trânsito não tiver atmosfera, ele irá bloquear a mesma quantidade de luz das estrelas em todos os comprimentos de onda. Por outro lado, se um planeta tem uma atmosfera, os gases irão absorver a luz da estrela em comprimentos de onda específicos. A partir dos padrões de absorção dos diferentes tipos de átomos e moléculas que constituem a atmosfera – como oxigênio e nitrogênio – os astrônomos podem descobrir que elementos existem na atmosfera (Veja mais aqui).

A pesquisa sobre a comunicação com inteligência extraterrestre (CETI) concentra-se em compor e decifrar mensagens que poderiam, teoricamente, ser compreendidas por outra civilização tecnológica. Tentativas de comunicação por seres humanos incluíram a transmissão de linguagens matemáticas, sistemas pictóricos como a mensagem de Arecibo e abordagens computacionais para detectar e decifrar a comunicação linguagem “natural”. O programa Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI), por exemplo, usa os dois telescópios de rádio e telescópios ópticos para procurar sinais deliberados de uma inteligência extraterrestre. Enquanto alguns cientistas, como o próprio astrônomo Carl Sagan, defendeu a transmissão de mensagens (Sagan, 1973), cientistas como Stephen Hawking advertiu contra ela, sugerindo que os alienígenas podem simplesmente invadir a Terra por seus recursos e, em seguida, seguir em frente.

Em 15 de agosto de 1977, um radiotelescópio do SETI captou uma mensagem estranha. Foi um sinal de rádio muito mais intenso que os ruídos comuns vindos do Cosmo que durou 72 segundos. Ao analisar as impressões em papel feitas pelo aparelho, o cientista Jerry Ehman percebeu que o sinal era 30 vezes mais forte que o normal. Ehman ficou tão impressionado que circulou os dados do computador e escreveu ao lado: “Wow!”. O caso ficou conhecido como “Wow signal” e até hoje é o episódio mais marcante na busca por inteligência extraterrestre. O SETI e outras instituições tentaram detectar o sinal várias vezes depois, mas ele nunca mais foi encontrado. Desde 1977 nenhum sinal que chamasse a atenção foi novamente detectado. Até agora, mais de 30 anos depois, não se chegou a uma conclusão sobre a origem do sinal, se é que é uma emissão de uma civilização inteligente. Na época houve tentativas de explicar o tal sinal. A primeira hipótese foi á lente gravitacional; onde uma fonte natural de radio que é distorcida e amplificada no espaço-tempo devido á presença corpos celestes de grande massa. As lentes gravitacionais foram previstas na teoria da relatividade geral de Albert Einstein antes de serem observadas pelos modernos telescópios. No caso “Wow!” esta explicação foi descartada porque estas distorções na lente gravitacional duram longos períodos de tempo mais e não apenas alguns segundos. Outra possibilidade foi á cintilação interstelar que ocorre quando um sinal distante sofre distorções ao atravessar um ambiente com muitas estrelas. Esta possibilidade foi descartada porque nenhuma cintilação foi detectada. A hipótese mais coerente hoje é que tenha sido uma interferência de um par de cometas. Seja como for, não houve repetição do sinal. Tentativas de detecta-lo foram feitas em outros programas do SETI em 1987, 1989, 1995, 1996 e 1999 (Nogueira, 2014)

Uma estimativa para o número de planetas com vida extraterrestre comunicativo inteligente pode ser adquirida (ou especulada) a partir da equação de Frank Drake, essencialmente, uma equação que expressa a probabilidade de vida inteligente como o produto de fatores, como a fração de planetas que podem ser habitável e a fração de planetas em que possa surgir vida (Ford, 1995). Equação de Drake, onde:

N = número de civilizações comunicativas; R* = a taxa de formação de estrelas adequadas (estrelas como o nosso Sol); fp = A fração dessas estrelas com planetas (evidências atuais; indicam que sistemas planetários podem ser comuns para estrelas como o Sol); ne = O número de mundos do tamanho da Terra por sistema planetário: fl = A fração desses planetas do tamanho da Terra onde a vida realmente desenvolve; fi = A percentagem de pontos de vida onde a inteligência se desenvolve; fc = A fração de planetas comunicativas (aqueles em que a tecnologia de comunicações eletromagnéticas se desenvolve); e L = A "vida" de civilizações comunicantes.

N = número de civilizações comunicativas; R* = a taxa de formação de estrelas adequadas (estrelas como o nosso Sol); fp = A fração dessas estrelas com planetas (evidências atuais; indicam que sistemas planetários podem ser comuns para estrelas como o Sol); ne = O número de mundos do tamanho da Terra por sistema planetário: fl = A fração desses planetas do tamanho da Terra onde a vida realmente desenvolve; fi = A percentagem de pontos de vida onde a inteligência se desenvolve; fc = A fração de planetas comunicativas (aqueles em que a tecnologia de comunicações eletromagnéticas se desenvolve); e L = A “vida” de civilizações comunicantes.

Embora a lógica por trás da equação seja o som, é improvável que a equação se restrinja a tais limites, e claro, há variáveis. O primeiro termo, N, número de estrelas, é geralmente restrito a poucas ordens de magnitude. O segundo e terceiro termos, fp para estrelas com planetas e fe para planetas com condições de habitabilidade, são avaliados na vizinhança da estrela. Mas a fórmula tem uma falha: ela não pode ser utilizada para gerar ou hipóteses porque contém fatores que não podem ser verificados. Drake, o autor da formula construiu tal fórmula meramente como uma agenda para discussão na conferência de Green Bank (51). Entretanto, a partir dela, algumas aplicações tinham sido tomadas literalmente e relacionado a argumentos simplistas ou pseudocientíficos (Astrobiology, 2006). Outro tema relacionado é o paradoxo de Fermi, que sugere que, se a vida inteligente é comum no universo há um paradoxo: com o aparente tamanho e idade do universo sugere-se que muitas civilizações extraterrestres tecnologicamente deveriam existir, entretanto, esta hipótese parece inconsistente com a falta de evidência observacional para suportá-la.

Claro, a ausência de evidências não é evidência de ausência, mas diversas tentativas de resolver o paradoxo de Fermi foram feitas: localizar evidências de civilizações extraterrestres, propostas de que tal vida poderia existir sem o conhecimento humano; ou que a vida extraterrestre inteligente não existe, ou ocorre tão raramente que os humanos dificilmente farão contato com ela.

Se a vida inteligente for muito rara, nada garante que ela tenha competência para criar algum tipo de mecanismo tecnológico capaz de manter alguma forma de comunicação. Cetáceos, pássaros e primatas que são conhecidos por sua excelência em comunicação devido ao alto índice de massa encefálica em relação a massa corporal, mas não construíram qualquer mecanismo que fosse capaz de se comunicar com membros de outro planeta durante 99% da existência da vida na Terra. De fato, a única espécie que conseguiu esta regalia foi um primata, nós, humanos, Homo sapiens.

Há a probabilidade da vida existir vida lá, mas não significa que seja vida inteligente. Pode ser um planeta cheio de vida, mas formado por microrganismos, seres equivalentes aos nossos unicelulares sem qualquer tipo de tecnologia de comunicação. De fato, a história da vida na Terra pode exemplificar isto. Durante a maior parte do tempo da vida na Terra (cerca de 3 bilhões de anos), a vida só se apresentava em forma de seres unicelulares: as cianobactérias, também chamadas de algas verdes e azuis. A vida na Terra só se tornou multicelular próximo (ou em meados) do Pré-cambriano, cerca de 800 milhões de anos. O primeiro ser inteligente o suficiente para construir ferramentas a 2 milhões de anos e o primeiro capaz de construir ônibus espacial para chegar a Lua a menos de 200 mil anos. Sendo que nossa única viagem a Lua ocorre foi em 1969, pouco mais de 45 anos. Se vamos cogitar vida inteligente em outros planetas, devemos considerar que eles tenham se originado a muito mais tempo que nossa espécie embora tenham seguido um caminho evolutivo próximo (tetrápode) o que torna tal convergência evolutiva improvável. Para eles serem mais inteligentes que nossa espécie deveriam ter surgido em Sistemas Solares de Galáxias mais antigas e talvez terem tipo um tempo extra para se tornarem tão competentes em suas supostas tecnológicas. Mesmo considerando este cenário, faltam evidências para tal crença.

Devemos lembrar que a Terra surgiu a 4,5 bilhões de anos, ou seja, 9,4 bilhões de anos após o Big Bang, e portanto havia passado tempo suficiente para a formação dos elementos leves e um pesados da tabela periódica (formados a cerca de 1 bilhão de anos após a origem do Universo). Isto significa que entre o potencial químico para o surgimento da vida e a origem da Terra há um intervalo de 9 bilhões de anos e isto poderia favorecer alguma forma de vida que surgiu anterior a nossa, mas obviamente, não há nada que comprove tal processo. De fato, não há nada que tenha sido tecnologicamente avançado a tal ponto de manipular nossa genética, se apresentar na terra somente para os povos antigos e sumir sem deixar qualquer evidência de sua presença.

Á pouco tempo atrás explodiu um suposto Wow signal de origem biológica dentro do SETI. A ideia veio de matemáticos do Cazaquistão de que o código genético de nossa espécie havia sido criado para funcionar na síntese de proteínas dentro do sistema de trincas por entidades extraterrestres e que tal sistema era uma pista de um suposto designer de nossa espécie. Os matemáticos ignoraram artigos sobre a origem e evolução do código genético.

Novamente, a ufologia permite se aliar a outras pseudociências e isto chamou a atenção de criacionistas favoráveis ao cenário do designer inteligente: vertente cristã que pressupõem que o relato mítico-religioso da criação em Gênesis pode ser entendido literalmente e cientificamente. O Wow signal genético foi recebido com muito ceticismo pelos biólogos e geneticistas que acusaram tal pressuposto de numerologia porque mistura derivações numerológicas sem funcionalidade que pouco tem a ver com a funcionalidade molecular do DNA criando uma alegação non-sense (Nogueira, 2014). Esta mistura de ufologia com religião defendida pelos matemáticos do SETI e aceita de bom-grado pelos proponentes do design inteligente não difere em quase nada ao que von Däniken ou David Icke defendiam. De fato, tal defesa não poderia (e nem deveria) se encaixar no pressuposto do design inteligente porque se a alegação é que a trinca de DNA tem evidências de manipulação genética então nossa espécie (assim como toda a vida na Terra) não foi criada, mas sim manipulada. Neste sentido não faz sentido a aceitação dos proponentes do design inteligente em presumir que o criador seja uma entidade extraterrestre e sim a concepção de praxe deles, de que o tal design seja Deus do cristianismo (o que também compreende uma pseudociência, pois Deus não é constatável cientificamente).

Neste sentido, o contexto melhor aplicado no caso do Wow signal biológico seria a panspermia dirigida que não se encaixa no contexto do design inteligente porque a vida ainda sim teria surgido a partir de processos biopoiéticos. O NetNature discutiu sobre este caso quando o artigo dos matemáticos do Cazaquistão saiu em 2012 pela revista Icarus, e de fato, como ressaltou o biólogo P.Z Myers, a alegação se encaixa em pura numerologia. Veja o “WOW SIGNAL”– DESCONSTRUINDO O SINAL INTELIGENTE.

As representações dos seres de outro planeta feitas por pessoas abduzidas sempre retratam indivíduos com muitas características anatômicas e morfológicas semelhantes aos seres humanos.

Ufólogos poderiam argumentar que nossa espécie surgiu posteriormente a partir da manipulação e engenharia genética feitas em seus experimentos criando um grupo alternativo a espécie patriarca. Isto obviamente não faria sentido sabendo que temos 99% de semelhança com símios, ou primatas de grande porte. Se nossa espécie surgiu fruto da manipulação genética de chimpanzés feita por alienígenas, não faz sentido que humanos, chimpanzés e entidades extraterrestres sejam semelhantes anatomicamente. Neste sentido, não há qualquer evidência a respeito da origem de nossa espécie a partir de uma fonte inteligente extraterrestre ou que eles sejam fruto de nossa biologia. De fato, qualquer afirmativa neste sentido parte do pressuposto da existência de vida inteligente extraterrestre e que não tem evidência empírica alguma.

Para se comunicar com alguma entidade inteligente é preciso primeiramente que ambos falem a mesma linguagem, e portanto, não pode ser um sinal emitido naturalmente, mas que seja artificial e reconhecível entre ambos, para estabelecer um dialogo. Uma forma de comunicação poderia ser, por exemplo, a transmissão de ondas eletromagnéticas. Outro ponto importante é a frequência de monitoramento. Drake, Cocconi e Morrinson estabeleceram a faixa de radio por volta de 1,42GHz, a mesma das emissões de hidrogênio que é o elemento mais comum no Universo e que foi captado no Wow signal de 1977. E claro, é livre de ruído cósmico (Nogueira, 2014).

A Sociedade Planetária tem mais de 8,4 milhões de canais individuais de comunicação monitorados ao mesmo tempo e captam desde interferências de rádios a satélites na órbita da Terra. Cada canal tem uma assinatura com frequências específicas. A expectativa sempre foi que alguma civilização envie algum tipo de sinal para nós, mas até o presente momento nada sólido foi encontrado. Não sabemos se a contato seria dado por uma civilização mais antiga ou mais recente, ou mesmo se seriamos capazes de ouvir e decodificar o sinal enviado. A expectativa é receber uma frequência ou sequencia de pulsos que não tivesse qualquer relação com uma origem natural. Por exemplo, uma sequencia de números primos, uma vez que até o momento nenhum fenômeno natural seja capaz de produzi-las (Sagan, 2008).

Neste sentido, antes de lamentar a solidão da humanidade no Cosmos, talvez ela pode ser uma boa notícia. Porque se seres inteligentes extraterrestres realmente existirem, não temos certeza alguma de que sejam bondosos. Não sabemos s tais civilizações teriam relações éticas, religiosas ou artísticas com a espécie humana; ou se teriam alguma semelhança biológica com nossa espécie no que diz respeito ao processo darwiniano.

Outras questões de grande importância saltariam sob esta nova perspectiva: como isto seria encarado do ponto de vista religioso? Como encarar a perspectiva de que o homem pode não ter sido feito a imagem e semelhança de Deus? O que esta entidade ser respira? Se é que respira e; Como se comunica?

Em uma entrevista na revista Super Interessante o físico Marcelo Gleiser disse em 2013 que pelo menos 25% das estrelas têm planetas. E, dessas estrelas, pelo menos a metade tem planetas semelhantes à Terra. O satélite Kepler, da NASA, tinha catalogado 2.740 planetas semelhantes a Terra, onde água líquida e vida talvez pudessem existir. Um dos mais “próximos” é o Kepler 42d, a 126 anos-luz do Sol (um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros).

A missão Kepler, de 600 milhões de dólares, foi lançada em março de 2009, com o intuito de descobrir qual era a taxa de planetas parecidos com a Terra dentro da nossa Galáxia. O Observatório Espacial detectou planetas extrassolares ao observar pequenas diminuições de brilho das estrelas, que são causadas pela passagem de planetas em seus discos. Segundo a cientista da NASA, Natalie Batalha, existe cerca de 70 bilhões de estrelas de sequência principal na Via Láctea, portanto, estamos falando de dezenas de bilhões de planetas potencialmente habitáveis, apenas em nossa Galáxia. Desde o início da missão Kepler, em 2009, já foram descobertos 21 planetas com tamanhos de no máximo duas Terras, localizados em zonas habitáveis de suas estrelas. Como mostra a figura, as esferas laranjas representam os 9 novos planetas anunciados recentemente. As esferas azuis representam os outros 12 planetas que já eram conhecidos (Galeria do Meteorito, 2016):

Infográfico de pequenos exoplanetas em zonas habitáveis. Créditos: NASA / Kepler Tradução: Galeria do Meteorito.

Infográfico de pequenos exoplanetas em zonas habitáveis. Créditos: NASA / Kepler. Fonte: Galeria do Meteorito.

Cerca de 24% das estrelas abrigam planetas potencialmente habitáveis que são menores do que cerca de 1,6 vez o tamanho da Terra. É um número interessante para a astrobiologia porque há a chance de serem planetas rochosos. Entre as descobertas do telescópio Kepler até agora, os planetas Kepler-186f e Kepler-452b são provavelmente os mais parecidos com a Terra em termos de propriedades como tamanho, temperatura da estrela em volta da qual orbitam e energia recebida desta estrela. Timothy Morton, da Universidade de Princeton em Nova Jersey, afirmou que a grande maioria dos exoplanetas encontrados pelo Kepler estão na categoria de superterra – de 1,2 a 1,9 vez maior do que o raio da Terra – e um tamanho menor que Netuno – entre 1,9 e 3,1 vezes maior do que o raio da Terra. Morton afirma que não se conhecem planetas análogos a estes, nestes tamanhos, em nosso Sistema Solar.

Os cientistas usaram uma técnica de estatísticas para autenticar mais de 1.284 exoplanetas a partir de um grupo de 4.302 planetas “candidatos” catalogados pelo Kepler em julho de 2015. A equipe de pesquisadores identificou outros 1.327 candidatos que têm uma probabilidade maior de serem novos planetas.

O telescópio Kepler emprega o método de trânsito para detectar planetas orbitando outras estrelas. Isto envolve medir uma leve diminuição na luz de uma estrela quando um planeta que a orbita passa entre ele e a Terra (BBC, 2016).

Em 2014 uma equipe internacional de astrônomos liderados pela Universidade de Genebra descobriu a existência de um novo tipo de planeta, de composição rochosa e com uma massa 17 vezes maior que a Terra. É um planeta de característica rochosa, batizado de “Kepler-10c” e indica a possibilidade de existência de vida. Este planeta se situa a cerca de 560 anos-luz da Terra, o que significa que está um pouco mais longe do que o “Kepler-186f”, que foi o primeiro planeta descoberto fora do sistema solar. Calcula-se que sua idade é de 11 bilhões de anos, ou seja, três bilhões de anos depois do “Big-Bang”, época na qual existiam poucos elementos químicos necessários para a criação de grandes planetas rochosos, como o silício e o ferro (Exame, 2014)

Muitas missões para Marte têm sido criadas. Só em 1996 foram duas missões, Mars Global Surveyor e Mars Pathfinder; em 1998 duas missões foram perdidas, a Mars Climate Orbiter por falha humana e a Mars Polar Lander por problemas técnicos; entre 2001 e 2003 foram três missões, a Mars Odyssey, Spirit e Opportunity; entre 2005 e 2013 foram 4 missões, Mars Reconnaissance Orbiter (2005), Phoenix (2007), Curiosity (2011) e Maven (2013) (Nogueira, 2014). As evidências mais recentes para a existência de água líquida em Marte vieram da constatação do gesso mineral pela sonda Opportunity Rover de Marte em dezembro de 2011 (NASA, 2011). Teoricamente, a água não pode existir em forma líquida na superfície de Marte devido à baixa pressão criada pela atmosférica que é muito fina do que a da Terra (NASA, 2012). Essa possibilidade só ocorreria em baixas elevações e em períodos bem curtos para períodos (NASA, 2010).Essa confirmação das NASA traz implicações para outra questão igualmente importante, a possibilidade de origem da vida fora da Terra.

De fato, sabe-se que Marte teve uma superfície muito semelhante a da Terra durante mais de 1 bilhão de anos, mas teria sofrido choques de meteoros e consequentemente isso teria expulsado a sua fina atmosfera fazendo com que a água se perdesse no solo e congelasse e que perdesse seu campo magnético.

No final de dezembro de 2014, a NASA detectou evidências de auroras no hemisfério norte de Marte. As partículas causam uma aurora que penetrou na atmosfera marciana, criando auroras inferiores a 100 km acima da superfície. As auroras da Terra variam de 100 km para 500 km acima da superfície. Esses campos magnéticos irregulares formam uma proteção contra ventos solares sobre Marte. Isso causou a aurora fora dos campos em forma de guarda-chuvas (NASA, 2015). Isso dificulta a existência de vida, ao menos após o período em que Marte perdeu suas características atmosféricas e magnéticas e se tornou frio.

Os problemas da Ufologia

Uma luz, ou um conjunto delas, vista por um indivíduo ou um conjunto de pessoas não indica absolutamente nada sobre a existência de seres extraterrestres. Luzes no céu se tornaram extremamente comuns depois da invenção de balões, pipas e principalmente, de aviões.

Curiosamente, assim que alguém vê algum fenômeno que não consegue explicar, subsequentemente outras pessoas passam a vê-lo também e protagonizan casos recorrentes de OVNIs. Ora, meras luzes não são suficientes para presumir o que defende a ufologia. Como diria Carl Sagan, afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias, e convenhamos, não há nada de extraordinário em luzes no céu, seja qual for o seu padrão de expressão em pleno século XXI. O relato de uma pessoa abduzida é claramente um discurso isolado que depende exclusivamente de aceitar ou não o relato daquele indivíduo, sem qualquer evidência sólida: algo fora do escopo da ciência que depende unicamente da palavra da pessoa.

Como cético que deveríamos todos ser, devemos notar que há diversos casos de supostas abduções e nenhuma delas apresenta uma evidência sólida: nenhum fragmento da fuzilagem de naves ou mesmo imagem do interior de uma nave espacial. Muitas vezes nos enganamos com visualizações que não correspondem aos fatos, constatando apenas psicopatologias, ou ainda, fraudes conscientes de OVNIs. A ufologia perde credibilidade não só por não apresentar qualquer critério de avaliação, replicação e por ser relatos informais, mas porque é recheada de casos claramente mal interpretados e a maioria deles fraudulentos, conscientes ou inconscientes. Vimos acima alguns deles.

Um dos casos mais comuns foi de agricultores que confundiram um silo de armazenamento de grãos com um disco voador no Novo México em 1950. O caso gerou uma repercussão enorme para um simples engano.

Outro caso em que houve confusão foram os canali descoberto por Giovanni Schiaparelli em 1877. O italiano observava Marte quando notou canais na superfície do planeta. Inicialmente ele não inferiu se era um fenômeno natural ou artificial. No entanto, Percival Lowell um matemático e astrônomo amador da Universidade Harvard começou a estudar tais estruturas de Marte. Estudou com tanto afinco que criou seu próprio laboratório de pesquisa. Estava tão interessado nos supostos canais de Marte, que começou a cogitar que eram criações extraterrestres; sistemas de irrigação alternativos devido a seca do planeta. Mesmo Giovanni Schiaparelli, que era diretor do Observatório de Milão ficou assustado ao notar certa vez a duplicação paralela de um dos canais, mas ainda sim se posicionou defendendo uma explicação natural. Lowell morreu em 1916 e nas décadas seguintes a hipótese dos canais construídos por civilizações marcianas foi descartada quando se atribuiu tais canais a ilusões de ópticas causadas pelo método de observação adotado por Schiaparelli e Lowell (Nogueira, 2014).

Estes casos deixam claro que não importa o quão fantástica seja uma visão, se ela tiver um ponto cego, um ponto fraco, uma falha, todo o relato vai ruir porque da margem a uma explicação natural e não sobrenatural sobre um fenômeno. Afinal, é mais fácil e evidente que o homem minta ou se engane sobre um determinado fenômeno do que a natureza desviar do seu curso.

A ufologia também é recheada de casos de fraude, de má-intenção que queimaram a credibilidade dos ufólogos. Muitos casos ficaram mais evidentes como farsa nos últimos 15 anos devido o desenvolvimento de mecanismos capazes de averiguar a veracidade das supostas aparições, e os fenômenos mais antigos ficam a cargo de relatos sem que a averiguação seja possível, ou seja, anedóticos.

OVNIs falsificados do Haiti

OVNIs falsificados do Haiti

Os casos mais recentes de fraude ocorreram de 2007 em diante. Um dos mais famosos ocorreu no Haiti em 2007 ou quando imagens mostraram uma suposta visita de um grupo de discos voadores. O problema é que com o advento de fácil acesso aos softwares de alta qualidade de renderização 3D, o público levou as falsificações de observações de OVNIs a um novo nível, mais sofisticado, visto especialmente na Grã-Bretanha e Estados Unidos. Mas igualmente é verdade que muitas das técnicas de verificação e validação quebraram muitas alegações.

Na filmagem do Haiti nota-se claramente ser uma farsa quando notamos que as palmeiras mostradas são exatamente iguais, apenas duplicadas. As naves também foram criadas por programas em 3D, assim como todo e qualquer movimento, incluindo a paisagem de fundo. O criador do vídeo, conhecido online como Barzolf, declarou publicamente que usou um programa chamado “Vue 6 Infinite” para criar a montagem para diversão.

Em 2008 houve a suposta aparição de uma esfera verde filmada no Reino Unido onde alguns meses depois, The Faking Hoaxer, um artista gráfico digital, publicou o making of onde explica como criou a farsa.

Houve também o caso das luzes misteriosas em New Jersey em 2009 que foi criada pelo grupo da revista Skeptic com a finalidade de mostrar como é fácil enganar a todos e, ao mesmo tempo, testar a reação das pessoas quando elas se deparam com fenômenos “inexplicáveis”. Eles simplesmente foram para uma floresta com um alguns balões com hélio, linha de pesca, fita adesiva, sinalizadores e uma câmera de vídeo e criaram o fenômeno.

Em 2011 houve relatos de OVNIs sobrevoando prédios em Londres, mas era apenas um viral criado para divulgar a produtora de efeitos especiais Mill, ganhadora de vários prêmios internacionais. Em 2011 OVNIs foram filmados em Jerusalém. Foi só uma questão de dias para descobrir que tudo não passou de montagens. Em 2011 um suposto corpo extraterrestre encontrado na Sibéria, 2011 chamou a atenção do mundo. Na época, a polícia local investigou o caso e descobriu que o extraterrestre era, na verdade, um boneco feito com pedaços de frango.

No Brasil também houve relatos de fraude ou suspeitos. Um deles é o suposto disco voador de Embu das artes em 2011. O OVNI era uma pipa com leds ligadas a uma bateria de celular, criada por um mecânico morador da cidade.

Curiosamente, no Brasil houve o primeiro relato de abdução alienígena no mundo. Na madrugada de 16 de outubro de 1957, Antônio Villas-Boas arava a terra sozinho com o trator quando foi surpreendido por uma luz vermelha. A luz se aproximou, aumentando gradualmente de tamanho. Era um objeto oval e brilhante, que ficou estático a uns 50 metros acima do agricultor. Antônio ficou paralisado por alguns minutos, o objeto desceu e pousou a uns 15 metros de distância. Foi quando ele pôde distinguir nitidamente os contornos da máquina: era parecida com um ovo alongado, apresentando três picos metálicos, de ponta fina e base larga, disposto um ao lado do outro. Em cima da nave algo girava a alta velocidade e emitia uma luz vermelha fluorescente. Antônio pulou do trator e começou a correr, porém um ser que mal chegava a altura dos seus ombros agarrou-o pelo braço. Antônio tentou golpea-lo, mas perdeu o equilíbrio. Quando levantou e tentou correr, três seres o agarraram pelos braços e pernas e o ergueram do solo. Antônio ofereceu resistência, mas os alienígenas conseguiram por fim fazê-lo subir por uma escada flexível e bambeante para o interior da nave. Sim, para adentrar na nave era preciso escalar uma escada de barbante!

No interior da nave Antônio foi despido, teve o sangue coletado e posteriormente surgiu uma mulher inteiramente nua. Seus cabelos eram macios e louros, caíam na nuca, com as pontas viradas para dentro. Usava o cabelo repartido ao meio e tinha grandes olhos azuis, amendoados. Segundo Antônio, a alienígena era baixa, mas belíssima. O que mais lhe chamou a atenção foi o fato dela ter os pêlos das axilas e do púbis vermelhos. Ela abraçou Antônio e começou a esfregar seu rosto e corpo contra o dele. A porta se fechou e Antônio ficou a sós com a alienígena, com quem acabou tendo várias relações sexuais. Posteriormente, Antonio foi liberado da nave.

Não é possível fazer qualquer análise científica do caso, nem sequer saber se o relato é confiável. Não há evidência alguma da abdução de Antônio Villas-Boas. Na época não foram feitas fotografias das marcas do trem de pouso da nave. Nenhum fragmento da nave, nenhuma evidência de retirada de sangue ou de introdução de material no corpo de Antonio. Para piorar a situação, o depoimento de Antônio foi divulgado pelo jornalista João Martins, da revista O Cruzeiro, que havia sido protagonista de outro caso ufológico, um caso na Barra da Tijuca, de 1952, que foi comprovadamente uma fraude.

Um OVNI visto em Três Pontas (Minas Gerais) em 2012 na verdade era um balão. Quem confirmou foi o próprio dono do brinquedo. Em entrevista, o autor disse que o balão em formato de tubarão escapou da mão quando brincavam no quintal da sua casa.

Outra fraude ocorreu no Novo México, em 2012, quando um OVNI criado com a ajuda de computação gráfica enganou muita gente.

Outro caso que sempre foi muito saboroso aos olhos da ufologia é o da esfera de Dyson. O caso é referente a uma constatação feita pelos pesquisadores do Planet Hunters que detectaram com o satélite Kepler que uma estrela sofria apagões de até 80% de sua luz. Isto fomentou teorias absurdas como a esfera de Freeman Dyson; de que uma civilização alienígena estaria sugando toda energia desta estrela com uma obra de engenharia gigantesca para finalidades específicas. Neste caso, a melhor explicação ficou com a professora da Universidade de Yale, Tabetha Boyajian que destacou que tal fenômeno pode ser resultado da passagem de um grupo enorme de restos e estilhaços de cometas na frente da estrela (The Washington Post, 2015).

O caso Roswell é um dos casos mais famosos da ufologia mundial. Ele relata uma série de acontecimentos ocorridos em julho de 1947 na localidade de Roswell, no estado do Novo México, nos Estados Unidos, onde, segundo os teóricos da conspiração/ufólogos um objeto OVNI teria caído. A versão oficial do governo relata que um balão de vigilância da Força Aérea dos Estados Unidos caiu num rancho na cidade de Roswell, mas muita gente levantou afirmações de que o objeto que caiu teria sido de uma nave alienígena. Os militares informaram oficialmente que a queda apenas tinha sido mesmo de um balão meteorológico. O interesse sobre o caso era pouco até os anos 70, quando ufólogos começaram a criar uma serie de teorias da conspiração, afirmando que uma ou mais naves extraterrestres haviam colidido com a superfície terrestre, e que os tripulantes alienígenas haviam sido recuperados por militares que depois cobriram a situação e tentaram esconder o que realmente tinha acontecido. Criaram até um cenário de autopsia de um dos tripulantes alienígenas.

Em “O Mundo Assombrando pelos Demônios” o astrônomo Carl Sagan defende que “grande parte das provas relativas ao “incidente” Roswell parecem apontar ao lançamento de um grupo de globos de grande altitude, possivelmente do campo aéreo da Armada do Alamogordo ou do campo de provas do White Sands, que se estrelaram perto do Roswell; o pessoal militar recolheu apressadamente os restos dê instrumentos secretos, e em seguida apareceram artigos na imprensa anunciando que era uma espaçonave de outro planeta. Um relatório encarregado em 1994 pelo secretário das Forças Aéreas e o Departamento de Defesa em resposta à insistência de um congressista de novo o México identifica os resíduos do Roswell como restos de um sistema de detecção acústica de baixa freqüência que levavam os globos, de comprimento alcance e altamente secreto, chamado “Projeto Mogul”: um intento de captar explosões de armas nucleares soviéticas a altitudes da tropopausa”.

Obviamente, as conspirações continuaram ignorando o relato oficial. A autópsia feita no suposto alienígena se mostrou uma farsa, criada a partir de um exame de dissecção feito em um boneco retratado em um filme preto e branco lançado na década de 1990 pelo empresário Ray Santilli. Ele apresentou-o como uma autópsia autêntica sobre o corpo de um extraterrestre que foi recuperado da queda em 2 de junho de 1947. Supostamente a filmagem foi fornecida a ele por um cinegrafista militar aposentado que desejavam permanecer anônimo (British Sky Broadcasting, 2006).

Depois do caso explodiu o número de pessoas que supostamente avistaram OVNIs na região, como parte de uma onda infestada pelo espírito pseudocientífico da ufologia. Estes episódios são recorrentes após a espetacularização de contos que mexem com o desconhecido e tem grande comoção.

No mesmo ano já havia ocorrido o caso de Washington onde nove objetos não-identificados haviam sido vistos voando sob o captólio. Segundo os dados a velocidade dos objetos era por volta de 2.700 km/h, ou seja, acima da velocidade do som que é de 1.700km/h.

No Brasil, final da década de 70 pescadores em Marajó (Pará) ficaram assustados com registros de luzes piscantes no céu. Na década de 70 o capitão da equipe da Força Aérea Brasileira (FAB) defendeu que era um fenômeno inexplicável. Posteriormente casos como este começaram a ocorrer. Este registro ficou conhecido como Operação Prato, conduzida por oficiais da Aeronáutica na região nordeste do Pará, em 1977. São centenas de relatos. Fernando Costa, que assina um blog na internet como Fernando Dako, era filho do oficial da Aeronáutica responsável pela documentação da operação e tinha sido encarregado pelo pai de revelar as fotos tiradas pela Aeronáutica. Em uma entrevista ao portal da internet Vigília, especializado em OVNIS, Fernando confessou “Eu passei a sacanear, ampliando qualquer ponto luminoso impresso no filme, para que ficasse parecido com um disco voador. Eu ria muito quando tinha notícias de publicações delas em livros de ufologia. Eu dividia o motivo da risada apenas com alguns amigos mais chegados” (G1, 2010).

Em 1986 um documento da FAB mostrou que jatos foram solicitados e acompanharam de longe sinais intermitentes no radar. Eram objetos com velocidades variáveis, sub e supersônicas, variação de cores aceleração e desaceleração repentinas e efetuava curvas constantes. O episódio ficou conhecido como “A noite do OVNIs”. O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) declarou que não dispunha de estrutura especializada para realizar as investigações científicas a respeito do registro. Os relatórios produzidos são apenas uma compilação de relatos. Não há nenhuma análise científica, embora se de fato, o relato for real, representa um caso curioso, mas que não permite concluir algo ligado a vida inteligente, visitações, sinais em plantação etc e tal. Ele é simplesmente não-identificado e qualquer afirmativa além disto é meramente especulação e espetacularização.

Outro caso que ficou famoso no Brasil foi o avistamento do “ET de Varginha” em 1996, em Minas Gerais quando 3 mulheres passavam por um terreno baldio e avistaram uma criatura abaixada com pele marrom, viscosa, olhos grandes, avermelhados e saliências na cabeça. O problema é que o relato fica por conta somente das três pessoas que viram o suposto indivíduo e não há qualquer forma de averiguar a veracidade da ocorrência, nem reproduzi-la. Neste caso, assim como no caso do chupa-cabras trata-se de uma pseudociência chamada Criptozoologia na qual estuda animais e figuras lendárias avistadas por poucas pessoas.

Em todos os casos, há avistamentos que de fato são suspeitos, mas, ainda sim informais, sem análises criteriosas porque ocorreram á muito tempo e não podem ser postos a prova. Muitos relatos são incompletos, conflitantes e circunstanciais e muitas vezes floreados pela criatividade humana não podendo extrair nada de concreto a respeito de sua veracidade. O que deve ficar claro é que não podemos duvidar da existência de objetos voadores não-identificados, mas sim que a identificação deles seja dada por respostas baseadas no senso-comum e na crença pessoal não-constatável e não-avaliável do ponto de vista científico. Considerando o histórico não muito confiável da ufologia, que aceita qualquer teoria de conspiração ou outros mecanismos pseudocientíficos para valida-se, não parece coerente aceitar a alegação de que objetos não-identificados sejam naves manipuladas por entidades extraterrestres.

Se observarmos o caso de 1986 onde há registros de objetos com peculiaridades aerodinâmicas e luminescentes temos registros objetos voadores cujas identidades não podem ser estabelecidas, mas não implica que sejam entidades inteligentes de outro planeta. Nestes casos, o ceticismo e a ignorância parecem ser a melhor resposta tal caso: melhor do que qualquer identificação que seja feita com base na crença, ao invés de análises criteriosas.

Saiba mais em: POR QUE ABDUÇÕES ALIENÍGENAS CAÍRAM DRAMATICAMENTE.

Victor Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Astrobiologia, Método Científico, Exoplanetas, Ufologia, Pseudociência, Vida inteligente, OVNI, Disco Voador, Ceticismo.

 

Referências

Astrobiology“. Biology Cabinet. 26 September 2006.
Climatologia Geográfica – Astrobiologia ou Ufologia? Um conflito entre ciência e pseudociência. 2015.
Colavito, J. (2004). “An investigation into H.P. Lovecraft and the invention of ancient astronauts. As seen in Skeptic magazine” (10.4).
Eamonn Investigates: Alien Autopsy, British Sky Broadcasting. First shown on Sky One, 4 April 2006.
Ford, Steve (August 1995). “What is the Drake Equation?”. SETI League. Archived from the original on 29 October 2008.
Macmillan Science Library: Space Sciences. “Astrobiology”. 2006.
Nogueira, S. Extraterrestre. Super Interessante. 2014
Universo Racionalista – Antigos Astronautas: uma reflexão sobre a pseudociência da ufologia. 2016.
Polycyclic Aromatic Hydrocarbons: An Interview With Dr. Farid Salama”. Astrobiology magazine. 2000. Retrieved 20 October 2008.
Sagan, Carl. Communication with Extraterrestrial Intelligence. MIT Press, 1973.
Sagan, Carl. Variedades de uma experiência científica.Companhia das Letras, 2008.

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