CIENTISTAS LIMITAM O ANTROPOCENO AOS PRIMEIROS AGRICULTORES (Comentado)

Uma nova análise do registro fóssil mostra que um padrão profundo na natureza permaneceu o mesmo durante 300 milhões de anos. Então, a 6.000 anos atrás, o padrão foi interrompido – mais ou menos ao mesmo tempo que a agricultura se espalhou por toda a América do Norte.

Quando fez dominação humana do início planeta, pede um novo estudo que agora relata uma mudança dramática em uma das regras da natureza cerca de 6.000 anos atrás, conectados a crescente população humana ea ascensão da agricultura. Nick Gotelli usou sua experiência em estatísticas ecológicas para encontrar o padrão. Crédito: © Pworadilok / Fotolia

Quando a dominação humana começou a ocorrer no planeta? Um novo estudo relata uma mudança dramática em uma das regras da natureza a cerca de 6.000 anos atrás, conectada a crescente população humana e a ascensão da agricultura. Nick Gotelli usou sua experiência em estatísticas ecológicas para encontrar o padrão. Crédito: © Pworadilok / Fotolia

“Quando os primeiros humanos começaram a cultivar e tornaram-se dominantes na paisagem terrestre, vemos essa reestruturação dramática das comunidades vegetais e animais”, disse Universidade de Vermont biólogo Nicholas Gotelli, um especialista em estatísticas e autor sênior do novo estudo.

Na caça pelo início do muito debatido “Antropoceno” – uma suposta nova era geológica definida por influência humana do planeta – a nova pesquisa sugere a necessidade de olhar mais para trás no tempo do que a chegada das mudanças climáticas causada pelo homem, armas atômicas, a urbanização ou a revolução industrial.

“Isso nos diz que os seres humanos têm produzido um efeito enorme sobre o meio ambiente por um longo tempo”, disse S. Kathleen Lyons, um paleobiologista no Museu Nacional de História Natural do Smithsonian que liderou a pesquisa nova. O estudo foi publicado na revista Nature.

Divisão espécies

Gotelli e Lyons fazem parte de uma equipe de 29 cientistas, apoiado pela National Science Foundation, que estudou conjuntos de dados de plantas e animais de ambos, os ecossistemas modernos e de registro fóssil remontando ao Período Carbonífero, bem antes do surgimento dos dinossauros.

Examinando milhares de espécies, os cientistas olharam para ver quantas vezes um determinado conjunto de espécies vegetais ou animais foi encontrado dentro de uma mesma comunidade. As análises de comunidades modernas de plantas e animais têm demonstrado que, para a maioria das espécies, a presença de uma espécie dentro de uma comunidade não influencia se o outro está presente ou ausente. “Nós não esperamos muita interação entre, digamos, um pica-pau e uma minhoca”, explica Gotelli.

Mas algumas espécies parecem ser “agregadas”, que significa que eles tendem a aparecer juntos na natureza mais frequentemente do que seria de esperar por acaso – como guepardos e girafas que ambos dependem de habitats de savana. Outras espécies são “segregadas”, o que significa que quando um é encontrado, é improvável encontrar a outra lá também – “dizer que duas espécies de pica-pau que concorrem para predar um inseto”, diz Gotelli – sendo conduzido para além de, talvez, um habitat diferente ou necessita de uma concorrência feroz, para que eles ocorram em conjunto com menos frequência do que seria esperado pelo acaso.

Para as comunidades modernas de plantas e animais, estudos recentes mostram que pares de espécies segregadas são mais comuns do que os agregados. Mas quando a equipe investigou a composição das comunidades antigas usando dados de fósseis, eles foram surpreendidos ao encontrar o padrão oposto: de 307 milhões de anos atrás até cerca de 6.000 anos atrás, houve uma maior freqüência de pares de espécies agregadas. Então, a partir de 6.000 anos atrás até o presente, o padrão mudou para uma predominância de pares de espécies segregadas. Uma antiga regra havia mudado.

Os seres humanos estavam aqui

“Não temos evidência direta para mostrar que essa mudança de padrão foi causado por seres humanos”, adverte Gotelli, mas a evidência indireta é convincente. Análises estatísticas da equipe consideraram quase 358.896 pares de organismos em 80 de plantas ou comunidades de mamíferos em diferentes continentes, com conjuntos de dados que cobriam coletivamente os últimos 300 milhões de anos da história da Terra – incluindo conjuntos de dados que mediram a enorme extinção do Permiano-Triássico (o “Grande morte” – 252 milhões de anos atrás), a extinção do Cretáceo-Paleogeno dos dinossauros (66 milhões de anos atrás), e um período de rápida mudança global do clima em torno de 56 milhões de anos atrás.

O padrão de ocorrências de espécies agregadas permaneceu o mesmo em todos estes distúrbios maciços e intervalos de tempo, mas, em seguida, um padrão dramaticamente novo emergente começou cerca de 6.000 anos atrás, durante a grande revolução neolítica, quando os humanos desenvolveram a agricultura e as suas populações cresceram e se espalharam globalmente. A partir deste momento até o presente, as comunidades vegetais e animais apresentam menos co-ocorrência e uma maior freqüência de pares de espécies segregadas.

Os cientistas exploraram – e eliminaram – muitas razões possíveis para explicar o por que deste novo padrão aparecer, incluindo vários tipos de artefatos estatísticos e de amostragem que podem explicar a mudança que eles viram nos dados. Por exemplo, o clima da Terra se tornou muito mais variável durante tempos modernos, e a equipe se perguntou se isso poderia explicar a mudança. Mas quando eles rastrearam as tendências climáticas que ocorreram durante os períodos representados pelos seus fósseis, utilizando dados obtidos a partir de gelo antigo e de núcleos de grande profundidade, eles não encontraram nenhuma evidência de que a variabilidade do clima antigo fosse responsável pela mudança nos padrões de co-ocorrência.

“Então, ficamos com impactos humanos”, disse Lyons. “Nós pensamos que é algo que os seres humanos fazem que faz com que as barreiras à dispersão para ambas as espécies de plantas e animais.” Essa idéia é suportada por dados de modernas comunidades insulares de plantas e animais, que mostram ainda menos pares de co-ocorrência do que comunidades do continente modernos. Conjuntos de dados em ilhas, observam os autores, são um exemplo extremo desse fenômeno.

“Se a atividade humana tem causado na paisagem terrestre um efeito semelhante ao de ilhas, mais fragmentado,” Gotelli disse, “seria consistente com este padrão de pares de espécies mais segregadas”.

Dispersão difícil

Neste tempo todo, padrões foram alterados, os seres humanos foram se tornando cada vez mais dependentes da agricultura – uma mudança cultural que alterou fisicamente o ambiente e teria introduzido novas barreiras à dispersão de plantas e animais. Mesmo durante o desenvolvimento inicial da agricultura e da expansão das populações humanas, os cientistas puderam detectar uma mudança na estrutura de co-ocorrência entre espécies, sugerindo que as espécies não foram capazes de migrar tão facilmente como eles fizeram nos últimos 300 milhões de anos.

“O padrão de espécies co-existentes manteve-se estável através da evolução dos organismos terrestres, desde os primeiros tetrápodes através de dinossauros, plantas e mamíferos”, disse Anna K. Behrensmeyer, um paleobiologista do Museu de História Natural do Smithsonian e um co-autor do estudo. “Esse padrão não se alterou por causa de extinções em massa anteriores ou a variabilidade do clima antigo, mas em vez disso, as atividades humanas aos 6.000 anos atrás, de repente começou a redefinir uma propriedade básica das comunidades naturais.”

Considerações climáticas

E essa mudança em um antigo padrão natural pode ter implicações para a conservação moderna. “Isolar espécies tem consequências – pode catalisar a mudança evolutiva ao longo de centenas de milhões para milhares de anos”, disse Behrensmeyer, “mas também torna as espécies mais vulneráveis à extinção”.

“Nós, seres humanos temos influenciado a paisagem, mas talvez por muito mais tempo do que tinha reconhecido anteriormente”, diz Gotelli, um professor no departamento de biologia da UVM. “Quando olhamos para paisagens e dizemos, ‘este local é intocado ou inalterado,’ isso não é necessariamente verdade. Podemos ter mudado as regras sobre uma escala muito maior do que nós apreciamos.”

Forças humanas modernos, como as alterações climáticas e a poluição, são “ordens de magnitude mais destrutivas do que o que os primeiros seres humanos estavam fazendo”, disse Lyons, mas ainda no alvorecer da civilização humana, as pessoas estavam certamente criando importantes – e sem precedentes – impactos ecológicos, disse ela. “Se estamos pensando em como vamos restaurar os ecossistemas, ou como eles vão responder à mudança climática”, Gotelli de UVM disse, “nós precisamos entender como eles foram organizados antes dos humanos entrarem em cena.”

Journal Reference:
Kathleen Lyons, Kathryn L. Amatangelo, Anna K. Behrensmeyer, Antoine Bercovici, Jessica L. Blois, Matt Davis, William A. DiMichele, Andrew Du, Jussi T. Eronen, J. Tyler Faith, Gary R. Graves, Nathan Jud, Conrad Labandeira, Cindy V. Looy, Brian McGill, Joshua H. Miller, David Patterson, Silvia Pineda-Munoz, Richard Potts, Brett Riddle, Rebecca Terry, Anikó Tóth, Werner Ulrich, Amelia Villaseñor, Scott Wing, Heidi Anderson, John Anderson, Donald Waller, Nicholas J. Gotelli.Holocene shifts in the assembly of plant and animal communities implicate human impactsNature, 2015; DOI: 10.1038/nature16447

Fonte: Science Daily

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Comentários Internos

Estas afirmações apresentadas pelo artigo de Gotelli trazem uma série de discussões secundárias que complementam o assunto, tais como: a controversa nomeação do antropoceno e a data de seu início; e a relação clara entre o desenvolvimento da agricultura que é parte da nossa essência como espécie que evoluiu de outros primatas apresentando um excelente exemplo para refletirmos sobre o modo como agricultamos atualmente nossas terras, e seus respectivos impactos ambientais.

Eu mesmo já fui cético quanto a concepção do antropoceno e até mesmo das mudanças climáticas. Atualmente, diante das evidências e dos artigos publicados em revistas científicas, uso-os para demonstrar que tal processo global de fato ocorre.

Dentro deste texto, notamos que a evolução e a questão ambiental se mostram claramente relacionadas, como demonstrado acima. Não é possível falar do impacto que o homem exerce em seu ambiente sem o contexto histórico, sem o seu componente social e econômico. A oikos/logia humana (palavra grega que refere-se a ecologia) depende de fatores sociais, evolutivos, ecossistêmicos e da economia.

Talvez, esta relação entre as mudanças climáticas e a ascendência humana como espécie de primata agricultor, socialmente complexo é o que leva grupos americanos (e alguns brasileiros) a tomar posturas anti-aquecimentistas e anti-evolucionistas.

Jared Diamond, famoso geógrafo autor do clássico “Armas, germes e aço” vai estabelecer que o desenvolvimento da agricultura se apresentou, de fato, como um evento que cria um contexto negativo a espécie humana. Ele destaca que ao desenvolver a agricultura e formar as primeiras cidades, as sociedades foram estratificadas, a disponibilidade nutricional tornou-se restrita a alguns grãos junto com o emergente sedentarismo; e claro, viver em sociedade propaga com maior facilidade doenças elevando a mortandade.

Convém aqui então falar sobre três temas importantes: a complexidade social, o desenvolvimento da agricultura e a situação atual na qual estamos inseridos no contexto brasileiro dentro da problemática ambiental da agricultura.

Diferentes estágios caracterizam a estrutural social do homem ao longo de sua história: bandos, tribos, chefias e estados. Bandos e tribos tendem a ser grupos mais igualitários, exceto ao que se refere ao sexo, idade, iniciação ritual e aspectos individuais. Nos bandos as relações são dadas especialmente pelo parentesco, enquanto tribos se relacionam pela linhagem, convencionalmente chamadas de clã (Neves et al, 2015).

Chefias e estados são estruturamente desiguais com hierarquizações de autoridade e acesso diferencial a recursos criando elites que atuam em função de um governante que toma decisões que estão acima do âmbito doméstico/familiar e podem ser muitas vezes coerçivos. Este tipo de estratificação social foi iniciada com a origem das agriculturas que culminaram nas primeiras sociedades. E claro, estes modelos de organização de sociedade ao longo da humanidade são muito criticados pois tratam de uma visão sempre linear, o que é falso, pois tais relações sociais podem ser mais complexas e ramificadas em relação ao que estamos acostumados a classificar. Por exemplo, segundo as evidências arqueológicas e paleoantropológicas, sociedades caçadoras-coletoras podem ser mais complexas do que previamente tínhamos imaginado, exigindo uma forma de classificação única, porque não se organizavam em clãs. Sendo assim, eram tão complexas quanto as sociedades atuais apresentando poucas divisões de papeis sociais dentro do grupo (Neves et al, 2015).

Um estudo publicado em 2015 mudou um pouco alguns aspectos sociais ligados a questão da igualdade entre os sexos. No Paleolítico (que refere-se ao período da pré-história a  cerca de 2,5 milhões a.c., quando os antepassados do homem começaram a produzir os primeiros artefatos em pedra lascada/ferramentas líticas, até cerca de 10000 a.C., quando houve a chamada Revolução Neolítica [veja mais em Deveríamos subestimar os povos do paleolítico?]), as pessoas se organizavam em tribos de coletores e caçadores e homens e mulheres tinham a mesma influência sobre as decisões dos grupos. Mark Dyble, um antropólogo da University College London que liderou o estudo publicado na revista Science afirma que a igualdade entre os sexos pode ser um dos importantes fatores que nos diferencia dos nossos parentes primatas. Seu estudou analisou dados de duas populações de caçadores-coletores do Congo e Filipinas. Estes grupos se organizaram em sociedades de 20 pessoas, mudavam constantemente de local (a cada dez dias) e viviam de caça, peixe e frutas, vegetais e mel. Nas Filipinas, as mulheres caçavam e eram responsáveis por coletar o mel. Os homens atuavam significativamente no cuidado das crianças.

Para Dyble, com o advento da agricultura, as pessoas começaram a acumular recursos, surgiu a desigualdade.  A origem dos males da civilização, como a desigualdade, estava na origem da propriedade privada, que produzia uma forma de conduta moral degenerada das pessoas, com sentimentos como o egoísmo e o desejo de posse (Revista Galileu, 2015).

A complexidade social pode se dar de modo vertical ou horizontal. O modo vertical defini-se pela presença de diferentes modos de hierarquização de governança, como a concentração de poder. No modo horizontal, ocorre a diversificação da população em uma população com vários papéis dentro de um mesmo grau hierárquico, ou seja, é uma organização heterarquica.

Mesmo entre o Paleolítico (2,6 milhões de anos) até no Mesolítico (entre 20 mil anos e 9.600 a.c) ja se observa evidências de segmentação social em alguns grupos, divisão desigual ao acesso a bens de prestígio (Neves et al, 2015).

Para o arqueologo americano Kent V. Flannery, da Universidade de Michigan a criação de clãs pode ter fomentado a construção da desigualdade entre grupos e complexidade simbólica observada a partir de 50 mil anos, pois ritos exigidos por clãs criaria divisões internas, coisa que é pouco observada em grupos nômades. A partir de 9.500 a.c o comércio a longa distância se desenvolveu, com indivíduos que viviam exclusivamente destas rotas de escoamentos de produtos, com a especialização de cultivos de certas variedades de grãos, desenvolvimento de técnicas de plantio, ferramentas específicas a agricultura, tração animal e sistemas de irrigação (aproximadamente a 7.000 a.c) e obviamente, autoridades centralizadoras de poder.

Outro ponto importante a destacar é que o artigo de Gotelli traz uma perspectiva do auge da agricultura. Entretanto, a agricultura foi desenvolvida diversas vezes, de diversas formas em locais distintos do planeta Terra. O registro mais antigo é na China, a beira dos rios Yangtzé e Amarelo. O que não é novidade alguma, uma vez que cerâmicas encontradas no local foram datadas entre 17 e 19 mil anos. Há 15 mil anos assentamentos sedentários foram responsáveis pela domesticação do milhete, do porco a 12 mil anos, arroz a 8 mil e tubérculos (como o taro) a cerca de 7 mil anos (Neves et al, 2015).

Após este período, houve uma grande dispersão da técnica agrícola na Ásia, chegando na Índia e Coreia a cerca de 8 mil anos, com a domesticação do arroz, e a Indonésia a 5 mil anos.

No Oriente Médio houve a domesticação do trigo, cevada, lentilha, ervilhas, linho, cabras, porcos, cavalos, bois e do muflão-asiático a cerca de 10 mil anos. Ainda na Índia, a 7 mil anos houve a domesticação do gado zebuíno, iaque, búfalos indianos, gaial e Bateng. Os cavalos foram domesticados a 6 mil anos cuja função principal não era o transporte, mas sim o consumo de sua carne. Posteriormente houve a domesticação dos bois e e jumentos que foram muito utilizados em bigas (Neves et al, 2015).

Principais centros de desenvolvimento de agricultura a entre 17 e 8 mil anos atrás.

Principais centros de desenvolvimento de agricultura a entre 17 e 8 mil anos atrás. Clique para ampliar

A agricultura na Ásia surgiu de modo precoce, e de certa forma, todas as agriculturas foram desenvolvidas com a domesticação de um grupo de plantas, que foi sendo cultivada e ao redor dos campos agrícolas desenvolveu-se aldeias e posteriormente grandes cidades com o aumento da complexidade social. As únicas exceções ocorrem na América do Sul onde primeiramente se desenvolveu cidades e posteriormente a domesticação e a agricultura das plantas para cultivo em função das cidades já criadas (Neves et al, 2015).

A agricultura se desenvolveu também na África Subsaariana e nos planaltos da Nova Guiné. Entre 12 e 5 mil anos o Egito e a Europa desenvolveram a agricultura, a domesticação do cão e do gato (em Israel, Chipre) e de uma série de alimentos usados até hoje pelo homem.

No Nilo e Crescente Fertil a agricultura se desenvolveu a cerca de 12.800 mil anos, em plena  Era do gelo. Em uma dieta a base de grãos como o centeio e trigo a 11 mil anos, cevada e grão de bico a 10.500 anos e as primeiras cerâmicas só foram desenvolvidas a cerca de 7 mil anos (Neves et al, 2015).

Em Uruk, no atual Iraque, grandes centros urbanos com mais de 30 mil pessoas se desenvolveram a mais de 6 mil anos, a domesticação de suínos e baixas condições sanitárias dizimaram muitas pessoas com doenças tipicamente urbanas. Neste momento, as sociedades já apresentava graus de estratificação social bem caraterísticos. Em Uruk por exemplo já existiam sacerdotes, camponeses e artesãos. E em a 5.200 anos atrás surge o primeiro estado Egípcio ditado pelo Faraó Menes (Neves et al, 2015).

Vale lembrar que a queda do império egípcio se deu por questões climáticas associadas a expansão da agricultura. As diferenças de temperatura entre os oceanos e as plataformas continentais ampliam a intensidade de ventos das monções e trazem umidade dos oceanos, criando contextos de chuvas intensas favoráveis (ou não) a produção agrícola. Foi no Período Úmido da África que se estabeleceu os primeiros povos que deram origem a civilização egípcia. Além da questão climatológica, diversas mudanças políticas e sociais se seguiram, impulsionando ao longo da história deste povo períodos de grande aridificação reduzindo intensamente o regime de chuvas e comprometendo a produção agrícola. Isto culminou se refletindo diretamente na qualidade de vida da civilização e levando a mortes (Scientific American, 2015).

Três grandes períodos foram marcantes para esta civilização. Eles foram estudados a partir dos dados climatológicos, fósseis e das pinturas egípcias (ricas em detalhes históricos) e permitiu entender o que aconteceu no passado da civilização. Os dados mostram que a queda do Império Egípcio foi gradual. As primeiras espécies a morrer foram herbívoras; zebras, búfalos, antílopes e girafas, seguido de predadores como leões, leopardos, chacais e gazelas. Esses três períodos coincidiram com três pulsos de seca intensa associados a grandes mudanças históricas na civilização egípcia de acordo com Gross e colegas publicado na PNAS (2014).

O primeiro período ocorreu a  cerca de 5 mil anos, e forçou os povos a um confinamento as margens do Nilo, estimulando a unificação do Império Antigo estabelecendo o período faraônico. A ascensão e prosperidade do Império Antigo ocorreu as custas da agricultura por um lado e extinção por outro. Em 5 mil anos foram perdidas 9 espécies (girafas, elefantes, antílopes e leões).

Registros fósseis e artísticos mostram que o colapso da fauna egípcia foi gradual. As primeiras espécies a desaparecer foram herbívoras, como as zebras, búfalos, grandes antílopes e girafas. Seguido por predadores como leões e leopardos

Registros fósseis e artísticos mostram que o colapso da fauna egípcia foi gradual. As primeiras espécies a desaparecer foram herbívoras, como as zebras, búfalos, grandes antílopes e girafas. Seguido por predadores como leões e leopardos. Clique para ampliar

O segundo período ocorreu a cerca de 4.100 anos com inundações frequentes em decorrência da intensidade de chuvas aumentada, interferindo diretamente a produção agrícola. Este, contribuiu para o colapso do governo central egípcio, fechando o ciclo do Antigo Império Egípcio. Deu-se início ao sistema de dinastias. Nele, foram perdidas mais 4 espécies de mamíferos, entre elas o cão selvagem, que atualmente esta a beira da extinção.

O terceiro grande marco na história egípcia ocorreu a 3 mil anos  com a aridificação africana responsável pela queda do Novo Império. Foi um cenário de fome generalizada, baixa produção agrícola e criou o atual cenário ambiental formado quase que exclusivamente por pradarias e savanas. Tal mudança provocou a extinção de algumas espécies remanescentes de leões e de uma segunda espécie de guepardo.

O desenvolvimento da agricultura, decisões políticas e sociais condenaram a civilização ao fracasso e a morte além de contribuir para a extinção de espécies. Estudos com fósseis de mamíferos africanos em períodos anteriores a civilização egípcia demonstraram que no Império Egípcio a diversidade de mamíferos com peso médio maior que 5kg era cinco vezes menor que a do Período Úmido da África, que contavam com 37 espécies na região. Atualmente, o Egito conta com apenas 8 espécies de mamíferos de grande porte, sendo que 5 delas são herbívoras. São duas gazelas (Gazella  dorcas e Gazella leptoceros) sendo esta última em grande risco de extinção, e um antílope. Duas cabras (Capra ibex e Ammotragus lervia) ocorrem principalmente nas montanhas e o maior mamífero terrestre egípcio hoje é o asno-selvagem (Aqqus africanus) também em risco de extinção. Dromedários foram extintos ainda no Período Úmido, mas foram re-introduzidos de outras áreas após a domesticação na Ásia.

Piramides de Gizé vistas sob outro angulo.Geralmente vemos a foto das primaides com o deserto ao fundo. isto ocorre porue geralmente as fotos são tiradas em solo no sentido oposto ao da cidade. Aqui é possível ter a dimensão de como o desenvolvimento das cidades tomou conta de grande parte do territorio que um dia foi savana no Egito.

Pirâmides de Gizé. Geralmente vemos a foto das pirâmides com o deserto ao fundo. Isto ocorre porque geralmente as fotos são tiradas no solo e no sentido oposto ao da cidade. Aqui é possível ter a dimensão de como o desenvolvimento desenfreado das cidades tomou conta de grande parte do território que um dia foi savana. Clique ampliar

Da fauna carnívora só existe a raposa-vermelha (Vulpes vulpes), o chacal-dourado (Canis aureus) e a hiena-listrada (Hyaena hyhena). Um novo quarto período de extinção esta assolando o Egito atualmente e começou a 150 anos atrás com a expansão da industrialização e episódios crescentes da população humana que esta dirigindo a extinção espécies atuais como o leopardo, antílope, duas espécies gazelas e o hipopótamo. A extinção dessas espécies não esta associada somente a diminuição da vegetação por questões climáticas, mas claramente associada com a expansão territorial humana, mudança de regimes climatológicos provocados pela poluição, promovidos pela ação antrópica, razão pela qual o nome Antropoceno foi cunhado.

Na América a agricultura se desenvolveu na porção Leste dos EUA, mas a maior contribuição americana aconteceu na porção Mesoamericana e America do Sul.

Na América Central a agricultura se deu por conta dos Olmecas, a 4.500 anos que criaram campos intensos de agricultura e suas respectivas pirâmides, expressando o grau de complexidade social. Posteriormente vieram os Maias datados entre 4 mil até 1.100 anos ocupando o México, Honduras, Guatemala, El Salvador e as sucessivas ondas de colonização feitas pelos Toltecas, Zapotecas, Aztecas e Chichimecas. Neste momento já havia sido domesticada a abóbora a 10 mil anos (como sugerem evidências da caverna Guilá Naquitz), artefatos líticos e arroz a 6.300 anos, a ocupação Xihuatoxtla (no México) e a domesticação do feijão 9 mil anos junto como teosinto. Ambas foram domesticadas juntas porque o feijão é uma planta trepadeira e precisa do substrato do teosinto para se apoiar e crescer alcançando a luz do sol (Neves et al, 2015). O teosinto por sua vez necessita das raízes do feijão que são fixadoras do nitrogênio, obedecendo a equação:

Equação fixação Nitrogênio:

N2 + 16 ATP + 8 e + 8H+ —> 2 NH3 + H2 + 16 ADP + 16 Pi.

O milho foi domesticado a 6 mil anos, culminando no seu aumento de tamanho por seleção artificial de variedades. Os Incas surgiram a 2 mil e viveram até aproximadamente 467 anos atrás dominando territórios do Chile, Andes, Argentina, Bolívia, Peru e Equador e mantiveram o padrão de desenvolvimento agrícola. Houve também as civilizações Pré-Colombiana na América do Sul datadas em 15 mil anos e que domesticaram tubérculos como o arirá a cerca de 12 mil anos, a alpaca, vicunha lhama, guanaco e porquinho-da-índia (que não é dá Índia mas sim americano). No Peru a 10 mil anos houve novamente a domesticação da abóbora e pimentas datados em 6 mil anos e da folha de coca a 8 mil anos. O algodão, batata e quinoa foram domesticados a cerca de 6 mil anos. Sistemas de irrigação datados de 4.600 anos foram desenvolvidos pelos povos pré-colombianos e especialmente pelos Incas no Peru.

Na Amazônia houve também civilizações que desenvolveram a agricultura de modo tão complexo quanto nos outros locais. Certamente foi desenvolvida por povos originários dos Andes ou Caribe. Nela, houve a domesticação da mandioca, pupunha, amendoim e da pimenta próximo ao rio madeira, a cerca de 8.500 mil. Houve também o desenvolvimento da cerâmica marajoara a cerca de 7 mil anos. Posteriormente a domesticação do abacaxi a 6 mil anos, do guaraná (a beira do rio Tapajós e Madeira) a 5 mil anos, do pato-do-mato a 4 mil anos, além do milho (a beira do Rio Amazonas) criando sistemas agrícolas intensivos com desenvolvimento também da pesca. Houve a criação de sistemas indígenas e cacicados (Neves et al, 2015).

Atualmente o mundo passa por um contexto de mudanças climáticas promovidas por uma série de atividades humanas, como o desenvolvimento da monocultura, um estilo de agricultura vindo da Europa. Na maioria das vezes utiliza-se herbicidas, agroquímico e inseticidas que quando em contato com a água se tornam tóxicos causando a magnificação trófica (passado a diferentes níveis tróficos da teia alimentar) além de super populações de pragas. Ao retirar as ervas daninhas, é retirado também o alimento dos insetos que a partir daí se tornam pragas rurais. Além disso a toxicidade compromete a microbiota tornando o solo pobre, desertificado, sujeito a erosão; especialmente com o plantio de apenas um tipo de vegetal.

No Brasil, a agricultura caminha favorecendo um crescimento econômico, mas não um  desenvolvimento econômico (com os ganhos capitais sendo investido na mudança do tecido social) da nação pautado em uma agricultura sustentável ou numa postura economicamente verde. Pelo contrário, a questão ambiental no Brasil é secundária, e vista como empecilho ao desenvolvimento do país.

A problemática já começa com a Ministra da Agricultura, Katia Abreu (rainha da moto-serra) que se pronunciou a Folha de SP dizendo que o Brasil tem:

“uma das melhores e mais produtivas agropecuárias do mundo…Que bom seria se pudéssemos produzir tudo o que produzimos sem ter desmatado uma árvore…Era um sonho, uma utopia que não é verdadeira…Temos que assumir isso com muita tranquilidade porque desmatamos não foi para deixar as áreas ao vento e ao léu. Foi para fazer uma das melhores e mais produtivas agriculturas do mundo”.

Além disto, defendeu que o ministério trabalhe para reduzir o desmatamento ilegal no país, mas que é preciso “tirar o preconceito e as acusações vãs” sobre práticas agrícolas no Brasil.

A agricultura do país não é uma das mais produtivas do mundo, discutir o papel da agricultura atual no Brasil (e no mundo, com seus respectivos problemas) não é uma questão preconceituosa, é uma questão de necessidade e de aprofundamento a problemática ambiental, que para a ministra é desconsiderada e desdenhada.

A agricultura brasileira é uma da mais perigosas do mundo, afinal, já se sabe que o Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo (veja aqui). Ser mais produtivo não considera a compensação por danos sócio/ambientais, especialmente quando o Brasil afrouxou seu Código Florestal em 2012 (favorecendo ruralistas, inclusive com a anistia de multas milhonárias). Ou ainda; o significado de produtividade é favorável a quem, ao povo brasileiro ou aos agricultores/grandes empresários? Ser mais produtivo poderia significar produzir mais sem precisar desmatar mais. Ser mais produtivo poderia referir-se a uma produção agrícola mais verde, como agroflorestas? Sem uso de agrotóxico?

Nenhum desses questionamentos se encaixam na perspectiva de Katia Abreu, exceto aquele em que o ganho da produção é dado pela arrecadação em dividendos, desconsiderando completamente as questões ligadas ao ambiente e a esfera social. Não é possível dizer que um país esta se desenvolvendo quando a medida para desenvolvimento é dada pelo consumo de bens. Como o consumo de bens pode ser uma medida de desenvolvimento sustentável de um país?

A questão da agricultura no Brasil não contempla a questão ambiental, ela contempla apenas uma esfera, a econômica, especialmente as commodities.

Commodities significa mercadoria no inglês, reflexo de uma postura mercantilizadora da questão ambiental, social em tudo que possa se tornar moeda de troca (exemplo: créditos de carbono). O termo é usado como referência aos produtos de base em estado bruto (matérias-primas) ou com pequeno grau de industrialização, de qualidade quase uniforme, produzidos em grandes quantidades e por diferentes produtores. Estes produtos “in natura“, cultivados ou de extração mineral, podem ser estocados por determinado período sem perda significativa de qualidade, dependendo de sua conservação. Possuem cotação e negociabilidade globais, utilizando bolsas de mercadorias. Alguns exemplos delas são; Commodities agrícolas: soja, suco de laranja congelado, trigo, algodão, borracha e café; Commodities minerais: minério de ferro, alumínio, petróleo, ouro, níquel e prata; Commodities financeiras: moedas negociadas em vários mercados e títulos públicos de governos federais e há até as Commodities ambientais; como os créditos de carbono (é a mercantilização do selo de ambientalmente correto).

O Brasil, durante quase uma década cresceu economicamente amparado nas commodities que produz para o mercado internacional. Com o recuo dos preços de alimentos e minérios devido a crise no mercado internacional, a situação no campo e na balança comercial brasileira deu uma segurada. Ainda que as cotações estejam altas, a queda sugere um fim para este ciclo, especialmente as commodities agrícolas e industriais.

O preço da soja recuou 40% em relação ao ano de 2012, quando atingiu o pico na Bolsa de Chicago, de US$ 17,7 por bushel (o que equivale a 27,2 quilos). Desde agosto de 2012, a desvalorização do milho chega a 60%, a do minério de ferro (carro-chefe das exportações brasileiras), perdeu quase 40% em 2014 (Gazeta do Povo).

Resumindo a situação; a nossa agricultura que é a mais produtiva (segundo Katia Abreu) transformou nossas áreas verdes em plantios de commodities que servem a preço de banana um mercado internacional, que as compra, transforma em produtos finais que são revendidos para vários países, inclusive o Brasil com preços altos. São altamente tributados pelo governo (temos uma carga tributária que equivale a 36% do PIB e o gasto do governo geral em investimentos em 2013 não chegou a 4% do PIB) e repassado para o consumidor comprar. Quando a economia internacional quebra, o Brasil sobra com uma produção que agora é dispensável ao mercado, e claro, os custos ambientais ficam por nossa conta.os custos ambientais, tão quanto os sociais culminam criando então uma crise que é apresentada como econômica, deixando de lado aspectos que não são mercadológicos. A crise é de caráter!

Retirado de Gazeta do Povo, 2014

Retirado de Gazeta do Povo, 2014

A crise econômica não abarca fatos como o Cerrado que perdeu mais de 50% de sua vegetação e, segundo estimativa de estudiosos. Bioma na qual nasce os principais rios do país. E que contém metade da água acumulada no subsolo e que gera 14% dos fluxos para as três grandes bacias nacionais – a amazônica, a do Paraná e a do São Francisco. Bioma que pode perder ainda mais território com a expansão da fronteira agropecuária, pressionada pela maior exportação de commodities, na busca pelo aumento do consumo interno e pela expansão dos agrocombustíveis. Tudo isso resulta em ampliação do uso da terra e das taxas de desmatamento. A crise economica não discute por exemplo que estudos apontam para os impactos do clima nas populações de polinizadores, principalmente abelhas, das quais depende cerca de 10% da produção agrícola mundial, perto de US$ 212 bilhões anuais. Os polinizadores estão sendo afetados principalmente pelas mudanças no uso da terra, secas, inundações. Áreas particularmente atingidas são as de produção de verduras e frutas. E a perda da biodiversidade originária – estudo da Natura – pode ser muito problemática, já que um hectare de palmeiras de dendê produz 200% mais óleo de palma do que um hectare de sistema agroflorestal. No mundo todo, afirma o economista indiano Pavan Sukhdev, o custo da perda da biodiversidade pode chegar a US$ 4,5 trilhões por ano (Washington Novaes, 2014).

Para o economista uruguaio Luis Bértola, a América Latina deveria ter aproveitado o período da alta dos preços das commodities, para diversificar sua estrutura produtiva e investir em tecnologia, além de adotar políticas ambiciosas de integração no continente desenvolvendo um mercado regional atuante como um contrapeso aos freios da economia mundial. A América Latina não centrou esforços em lançar bases para um crescimento sustentável e sempre permaneceu na dependência de uma situação externa favorável de preços de commodities (Folha SP).

Todo este cenário de descaso, incompetência e mercantilização da natureza, reduzindo-a a recurso natural w commodities a ser explorada cria contextos em que historicamente já se sabe, ser o promotor de cursos de extinção em massa e colapsos de civilizações. Discorremos acima o caso do Egípcios que perderam grande parte de sua fauna de grandes mamíferos; agora imaginemos o que aconteceu com a Mata Atlântica em 500 anos de exploração, com somente 7% do seu território restante, alto grau de endemismo, muito poucas áreas preservadas em Unidades de Conservação e ainda concentrando a 4 maior cidade do mundo, São Paulo, bem no seu centro. Considere o impacto que o desmatamento esta promovendo na Índia com a população de grandes felinos como leopardos invadindo cidades para se alimentar de animais domésticos ou de crianças; ou a exploração excessiva dos EUA a seus recursos naturais reduzindo sua economia a um imperialismo sob países de terceiro mundo; a Europa que concentra as maiores variações de temperaturas sazonais devido ao desmatamento ao longo de sua história. Dentro deste contexto o nome Antropoceno se fez presente como um indicativo evidente e cientificamente constatado de que o homem tem um papel central; é protagonista na promoção de mudanças climáticas em nível global.

O termo Antropoceno foi criado na década de 80 pelo biólogo Eugene Stoermer e popularizado somente no anos 2000 por Paul Crutzen vencedor do Nobel de 1995. Para Crutzen, o Antropoceno começa no ano 1784, quando James Watt inventou a máquina a vapor.

O temo é uma proposta sobre a época que as atividades antrópicas (humanas) começaram a ter um impacto global significativo nos ecossistemas da Terra (Borenstein, 2014) O termo parece ter sido usado por cientistas soviéticos tão cedo quanto década de 1960 (Akademii͡a nauk, 2014) para se referir ao Quaternário, o período geológico mais recente que foi cunhado com um sentido diferente ao da década de 1980 (Revkin, 2011) por ecologista Eugene F. Stoermer citado acima.

Em 2008, foi apresentada uma proposta à Comissão Estratigrafia da Sociedade Geológica de Londres para fazer do antropoceno uma unidade formal das divisões época geológica (Zalasiewicz, 2008). A grande maioria dos representantes da Comissão Estratigrafia decidiu que a proposta tinha mérito e deveria ser objeto de maior estudo. Medidas estão sendo tomadas por grupos de trabalho independentes de cientistas de várias sociedades geológicas para determinar se o Antropoceno será formalmente aceito na Escala de tempo Geological (Zalasiewicz, 2010). Até 2015, o termo não tinha sido adotado oficialmente como parte da nomenclatura oficial do campo da geologia.

Muitos cientistas estão usando o termo antropoceno, mas alguns cientistas propõem que, com base em elementos de prova atmosférica, pode-se considerar que seu começo ocorreu na Revolução Industrial (século XVIII) (Zalasiewicz, 2008 & Crutzen, 2000). Outros cientistas vinculam o novo termo a eventos anteriores, como o aumento de agricultura e da Revolução Neolítica (a cerca de 12.000 anos atrás), como é o caso de Gotelli. Evidências do impacto humano relativo, como a crescente influência humana sobre o uso do solo, ecossistemas, biodiversidade e extinção de espécies é ainda controversa em alguns pontos, mas de modo geral, os cientistas acreditam que o impacto humano mudou significativamente a biodiversidade (Sahney et al, 2010). Alguns cientistas, assim como Gotelli, tem proposto datas até anteriores a 12 mil anos, extendendo-se até 14.000 a 15.000 anos com base em provas da litosfera; sugerindo que o início do período poderia ser estendido até muitos milhares de anos (Doughty et al, 2010), perto ou ainda sincronizado com a atual Holoceno.

Em janeiro de 2015, 26 dos 38 membros do International Anthropocene Working Group publicaram um artigo sugerindo que a proposta da nova época seja adotada (UC Berkeley News Centre, 2015). No entanto, uma minoria significativa suporta uma das várias datas alternativas Em março de 2015, um artigo publicado na revista Nature sugeriu que o inicio do antropoceno deveria estar entre 1610 ou 1964. Outros estudiosos apontam para o caráter diacrônicas dos estratos físico do antropoceno, argumentando que o início e o impacto estão espalhados ao longo do tempo, que não é redutível a um único instante ou data de início. Seja como for, o Anthropocene Working Group se reúne em 2016 para apresentar evidências e decidir se o antropoceno é uma verdadeira nova época geológica (International Commission on Stratigraphy, 2015).

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Antropoceno, Agricultura, Complexidade social, Commodities, Economia, Problemática ambiental.

Referência

Akademii͡a nauk SSSR. “Doklady: Biological sciences sections, Volumes 132-135”. google books. Retrieved 28 October 2014.
Borenstein, Seth (14 October 2014). “With their mark on Earth, humans may name era, too”. AP News. Retrieved 14 October 2014.
Crutzen, P. J., and E. F. Stoermer (2000). “The ‘Anthropocene'”. Global Change Newsletter 41: 17–18.
Doughty, C. E.; Wolf, A.; Field, C. B. (2010). “Biophysical feedbacks between the Pleistocene megafauna extinction and climate: The first human-induced global warming?”. Geophysical Research Letters 37 (L15703): 1–5.
International Commission on Stratigraphy. Subcommission on Quaternary Stratigraphy – Working Group on the ‘Anthropocene'”. Retrieved 28 November 2015.
Neves, W. A. Junior, M. J. R. Murrieta, R. S. S. Assim caminhou a Humanidade. Palas Athenas. 2015
Revkin, Andrew C. (May 11, 2011). “Confronting the ‘Anthropocene’”. New York Times. Retrieved 25 March 2014.
Sahney, S., Benton, M. J. and Ferry, P. A. (2010). “Links between global taxonomic diversity, ecological diversity and the expansion of vertebrates on land” (PDF). Biology Letters 6 (4): 544–547.
Scientific American. Egito, um exemplo do que deve ser evitado. Mathias Mistretta Pires. Ano 13. N 154. Março 2015.
UC Berkeley News Centre. Was first nuclear test the start of new human-dominated epoch, the Anthropocene? – UC Berkeley News Centre, 2015-1-16
Zalasiewicz, Jan; et al. (2008). “Are we now living in the Anthropocene?” (PDF). GSA Today 18 (2): 4–8
Zalasiewicz, J.; et al. (2010). “The New World of the Anthropocene”. Environment Science & Technology 44 (7): 2228–2231

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