ANTIGO “SAPO DE FOGO” É UM DOS NOVOS ANFÍBIOS ENCONTRADOS NO BRASIL

Cerca de 278 milhões anos atrás, um grupo diversificado de criaturas estranhas percorria os pântanos do que é hoje nordeste do Brasil.

Um esqueleto parcial do recém anfíbio anneae Timonya, que viviam em lagos tropicais no que é agora nordeste do Brasil. FOTOGRAFIA DE JUAN CISNEROS

Um esqueleto parcial do recém encontrado anfíbio Timonya anneae (sapo de fogo), que vivia em lagos tropicais no que é hoje nordeste do Brasil. FOTOGRAFIA DE JUAN CISNEROS

Um rico depósito de fósseis no nordeste do Brasil tem fornecido aos paleontólogos um novo olhar sobre o momento em que muitos anfíbios estranhos, incluindo o “sapo de fogo” prosperavam em pântanos antigos.

Os anfíbios fósseis incomuns, descritos no Field Museum pelo paleontólogo Kenneth Angielczyk e colegas do na revista Nature Communications, foram encontrados na Paranaíba, uma Bacia do Brasil e remontam ao início do período Permiano, cerca de 278 milhões anos atrás.

Os fósseis foram conhecidos a partir desta área há décadas, mas, Angielczyk foi a busca de um determinado tipo de animal que ele e seus co-autores acreditam ter um outro olhar.

“Nós, na verdade, começamos lá com a esperança de encontrar primeiros therapsideos” primos humanos – protomamiferos que prosperaram durante o Permiano (veja “Our Prehistoric Cousins Had Demonic Skulls”).

Até agora, a maioria do que se sabe sobre este tempo na história da Terra veio da América do Norte. Em rochas, agora no Texas e Oklahoma, estavam perto da linha do Equador dando apenas uma visão estreita do Permiano e desde cedo de como era a vida então.

“Estamos especialmente no escuro sobre o que estava acontecendo em Gondwana”, ou o grande supercontinente do sul que existia na época, diz Angielczyk, cujo trabalho foi apoiado pelo National Geographic Society’s Committee for Research and Exploration.

A Bacia do Paranaíba parecia um bom lugar para olhar para começar a preencher algumas das lacunas globais: Por um lado, ela foi localizada em regiões subtropicais, território ao sul do bem conhecido, diz Angielczyk.

Enquanto a equipe ainda tem de descobrir alguns therapsideos, Angielczyk diz que nas explorações têm aparecido uma variedade de outros fósseis ímpares. (Saiba mais sobre animais pré-históricos).

“A bacia do Paranaíba teve um lago com um grande número e ambientes de áreas úmidas naquela época, e os fósseis que estamos descobrindo mostram que havia uma comunidade diversificada de plantas, peixes, tubarões e anfíbios lá, bem como os répteis presentes na terra” Angielczyk diz.

Além de alguns animais previamente conhecidos – como um gigante crocodilo semelhante a um anfíbio chamado de Prionosuchus plummeri – os pesquisadores descobriram alguns novos animais, incluindo um tipo de salamandra Timonya anneae e o Procuhy nazariensis, cujo nome significa “o sapo fogo de Nazaria” (uma combinação da língua timbira e o nome de um local da cidade).

Mais descobertas esperam

“É muito emocionante”, diz a paleontóloga Julia McHugh do Museum of Western Colorado.

Além de preencher uma lacuna fóssil em uma parte anteriormente pouco conhecida do mundo, a Bacia do Paranaíba tem o potencial para explicar como alguns desses anfíbios estranhos evoluíram e se movimentaram em torno do planeta, diz McHugh, que não estava envolvido no novo estudo.

Por exemplo, a descoberta de um tipo de anfíbio chamado de dvinosaur na bacia do Paranaíba adiciona um novo ponto no mapa junto com achados da América do Norte e da Rússia, diz ela. “Esta localidade preenche a lacuna biogeográfica díspar entre as espécies do grupo”, diz McHugh. (Saiba mais aqui)

Ancient animals swim in a tropical lake in an artist's imagining. They include Timonya anneae (left foreground), the "fire frog" Procuhy nazariensis (larger animal, right), and a rhinesuchid amphibian (left, background, under a fallen branch). ILLUSTRATION BY ANDREY ATUCHIN

Animais antigos nadando em um lago tropical em uma retratação artística. Eles incluem Timonya anneae (primeiro plano esquerdo), o “sapo fogo” Procuhy nazariensis (maior animal, à direita), e um anfíbio Rhinesuchus (à esquerda, fundo, sob um galho caído). ILUSTRAÇÃO DE ANDREY ATUCHIN

O trabalho no Brasil ainda não está terminado. Angielczyk diz que esforços continuam e vai  cavar pelo que pode estar escondido neste local particular.

“Levamos um tempo para descobrir os melhores lugares para procurar fósseis, e nós só encontramos nossos primeiros répteis este ano”, diz ele.

O “sapo fogo”, ele espera, é a apenas a faísca para muitas descobertas por vir.

Fonte: National Geographic

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