CULTURA EM CHIMPANZÉS, ORANGOTANGOS, GORILA E EM HUMANOS.

Os primatalogistas sabem hoje que chimpanzés podem aprender socialmente um com outro e, assim, transmitir informação. Isso é importante não só para compreender sua biologia, mas também para entender porque existem diferentes tipos de mudança cultural e evolução de diferentes tradições culturais em espécies diferentes. Geralmente os estudos com cultura em chimpanzés (Pan troglodytes) se fixam no desenvolvimento de tecnologias, como ferramentas. Para compreender cultura no âmbito do homem é preciso que haja aumento de conhecimento. Aplicando isto a chimpanzés, é preciso primeiro que haja a informação de como construir uma ferramenta; então a variação da tecnologia (e não só no modo de construí-la, mas na tecnologia em si) favorecendo aumento de sua eficácia, pois mostra aumento de conhecimento e transmissão. Neste sentido, é fundamental distinguir cultura em chimpanzés e a sua evolução da evolução cultural humana.

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Chimpanzé têm cultura? A resposta esta pergunta é discutida a décadas e surgiu em 1958 quando Kawamura e Kawai, da Universidade de Kioto, verificaram que macacos da ilha de Koshima eram capazes de lavar as batatas-doces sujas de areia em um córrego das proximidades. Tal comportamento foi definido pelos autores como “pré-cultura” e passou a constar dos livros de texto como demonstrativo da existência de cultura nos animais. A partir de 1990 outros pesquisadores questionaram a definição argumentando que essa habilidade dos macacos levou anos para se disseminar entre os componentes do grupo, sugerindo mais reinvenção individual do que um aprendizado propriamente coletivo característico dos agrupamentos humanos. A maioria das pessoas considera a cultura uma característica tipicamente humana que envolve linguagem, expressões artísticas, utilização de ferramentas e hábitos do cotidiano. No entanto, na biologia admite-se que qualquer comportamento comum a uma população e que tenha (ou possa ser) aprendido com um dos componentes do grupo pode ser classificado como traço cultural. Nesse caso, dialetos de pássaros cantores ou a forma de gritar de um orangotango na floresta seriam considerados expressões culturais.

Os antropólogos são mais exigentes na definição e defendem que o conceito de cultura deve incluir necessariamente a linguagem e sistemas de comportamento complexos, só encontrados na espécie humana (Varella, 2011).

Evolução cultural refere-se a uma série de processos pelos quais uma tradição cultural entre vários indivíduos de um grupo executem um mesmo comportamento que tenha sido socialmente aprendido, para a execução de uma mesma função, mas que possa mudar ao longo do tempo.

Uma tradição em particular pode simplesmente desaparecer se a condição ambiental desaparece. Vejamos um exemplo; se uma presa desaparece em um ambiente, ou se a estrutura social do grupo muda e estabelece que jovens não entrem em contato com os modelos sociais que permitam os jovens irem caçar com adultos. Alternativamente, se ele serve as suas funções de forma adequada e se as condições ambientais relevantes permanecem constantes, uma tradição cultural pode persistir durante um longo período de tempo. Mas mudanças ambientais podem levar a mudanças culturais.

Certas tradições culturais mudam com o tempo de maneira que parecem ser adaptáveis. Um exemplo disto pode ser dado se uma presa conquista um novo habitat, levando o grupo a se adaptar às novas condições através da aprendizagem individual e social; isto provoca um “desvio” das condições iniciais. Outra maneira poderia ser pelo que é chamado de “ramificação”, quando uma única variante desenvolve aspectos culturais para diferentes situações, por exemplo, como recorte de folha pelos chimpanzés de Taì, que inicialmente utilizavam-nas apenas na percussão e começou a ser utilizada para descanso tão bem quanto os chimpanzés de Gombe, e que ainda incluir o esmagamento de ectoparasitas (Boesch 1995). O processo de ramificação no permite supor uma forma de diversificação mais rápida porque exige menos na forma de inovação do que a criação de comportamentos culturais totalmente novos (Boesch & Tomasello, 1998).

Montagem meramente ilustrativa

Montagem meramente ilustrativa

Há outro tipo de mudança evolutiva que pode (ou não) ser característica da cultura chimpanzé, e que é exibido por muitas (mas não todas) tradições culturais humanas. Muitas tradições culturais humanas mostram uma acumulação de alterações ao longo de gerações na direção de uma maior complexidade, de tal maneira que uma ampla gama de funções está englobada. Isso pode ser chamado de evolução cultural cumulativa, ou, efeito catraca (por analogia com o dispositivo que mantém as coisas no lugar, enquanto o usuário se prepara para avançar ainda mais). Por exemplo, a maneira pela qual os seres humanos têm se abrigado tem evoluído significativamente ao longo da história humana, e como indivíduos em culturas particulares têm adaptado seus abrigos existentes para protegê-los de vários aspectos do clima, da exposição a vários predadores e pragas fornecendo privacidade e proteção contra outros grupos. Apesar de não ter tais registros de artefatos detalhados, é presumivelmente o caso de alguns rituais culturais e convenções (por exemplo, as línguas humanas e rituais religiosos) se tornarem mais complexos ao longo do tempo e acabarem sendo modificados de tal forma a atender às novas necessidades comunicativas e sociais. Este processo é característico de algumas culturas humanas e algumas práticas comportamentais, no entanto, todas as sociedades humanas parecem ter pelo menos alguns artefatos produzidos pelo efeito catraca; um mínimo de linguagem e algumas ferramentas.

Um agravante no caso dos chimpanzés é que não os observamos em seus habitats naturais tempo suficiente a tal ponto de conhecer profundamente algumas de suas práticas que mostrem o efeito catraca porque 30 anos de pesquisa em grupos de chimpanzés pode não ser bastante suficiente para o desenrolar do processo. Outro ponto é que as restrições sociais na dispersão das variantes culturais entre os chimpanzés sugerem que qualquer tendência na evolução cultural cumulativa pode ser limitada a um pequeno subconjunto dentro de uma população ou algumas tradições selecionadas. É possível que em sociedades chimpanzés as variantes culturais novas sejam desencorajadas ativamente em muitos domínios como ocorre em algumas culturas humanas. A ciência ainda não sabe, até que ponto certas tradições culturais de chimpanzé podem mostrar a evolução cultural cumulativa como ocorre na espécie humana, ou seja, uma força que é poderosa tanto cognitivamente quanto socialmente.

Entretanto, é possível que culturas chimpanzés não evidenciem tradições culturais cumulativas na mesma medida que as culturas humanas. Dois aspectos da paisagem e transmissão de culturas podem limitar a eficácia do efeito catraca no grupo; uma certa “derrapagem” na transmissão de informações que pode limitar tanto a gama quanto a precisão deste efeito, e a transmissão inconsistente pode bloqueá-la completamente. Assim, se um indivíduo chimpanzé inventou uma maneira mais eficiente de imersão de formigas que seja a aplicada a uma ampla variedade de espécies de formigas (por exemplo, movendo o “stick” que é uma maneira particular de capturar formigas), os jovens capazes apenas de aprender por emulação não reproduzirão essa variação com precisão, porque eles não concentram as técnicas comportamentais do chimpanzé inovador. Os jovens que eram capazes de aprendizagem imitativa (e julgam que a inovação foi “melhor” do que a sua prática atual) adotariam a nova técnica comportamental com muito pouca derrapagem, e isso pode, em seguida, definir o cenário para mais inovações que construíram um sobre o outro através das gerações. Este mesmo processo parece estar ocorrendo em comportamentos sociais, como gestos comunicativos, e na a evolução cultural cumulativa que ocorre somente se os jovens copiarem membros da mesma espécie de modo relativamente fiel ao longo do tempo. A derrapagem cultural limita a precisão e a gama de informações adquiridas através do efeito catraca.

Tomasello, Kruger, e Ratner (1993) levantaram a hipótese de que as tradições e artefatos culturais de chimpanzés não mostram o efeito catraca porque os chimpanzés não costumam imitar as ações instrumentais de membros da mesma espécie ou se envolver no ensino intencional. É um paradoxo, pois a evolução cultural acumulada depende de dois processos, inovação e aprendizagem imitativa (talvez assistido por ensino ativo), na qual é algo tipicamente individual e a outra exclui o teste individual. A evolução cultural cumulativa implica em uma combinação da avaliação individual das variantes culturais presentes em uma população e a imitação fiel da variante que foi considerada a “melhor”. Assim, enquanto os chimpanzés são muito hábeis em cognição individual e até mesmo a inovação cultural (Boesch 1995, Kummer e Goodall 1965), eles podem não ser tão hábeis na aprendizagem imitativa e no ensino ativo que serve para passar estas inovações tecnológicas para os outros.

Outra possibilidade é que a transmissão inconsistente esteja bloqueando a evolução cultural cumulativa. Nem todos indivíduos de uma espécie podem ser capazes de imitar, ou alguns indivíduos não podem imitar todos os modelos disponíveis que eles tem contato. Isto pode significar que somente as alterações cumulativas irregulares ou raras sejam transmitidas, bloqueando assim o efeito catraca. Boyd e Richerson (1996) publicaram um artigo intitulado “Why Culture Is Common and Cultural Evolution Is Rare?” (Por que a cultura é comum e Evolução Cultural é raro?) e argumentam que a imitação e ensino, os apoios psicológicos para a evolução cultural acumulados podem ser mais raros em indivíduos de outras espécies do que em seres humanos. Se apenas alguns indivíduos imitarem e ensinar e/ou fazê-lo apenas raramente, a evolução cultural cumulativa vai ser muito difícil, uma vez que haverá muitos elos fracos da cadeia de transmissão. O argumento principal é que a diferença entre os mecanismos de transmissão cultural em chimpanzé e humanos e não são qualitativos, mas apenas uma diferença quantitativa na frequência e prevalência de imitação e de ensino, o que pode levar a diferenças qualitativas dos tipos de evolução cultural que possa ocorrer. Esta hipótese explicaria o fato de que em algumas populações de chimpanzés e para algumas tarefas de habilidades de imitação e de ensino são mais provavelmente presentes, embora não haja ainda evidências de evolução cumulativa. O problema em testar estas duas hipóteses é simplesmente que ainda não há dados suficientes que permita os primatologistas e psicólogos quantificar a frequência de eventos de aprendizagem imitativos em qualquer chimpanzé ou sociedades humanas.

Entender estas diferenças entre os processos de culminam na evolução cultural em chimpanzés e em seres humanos nos ajuda a reconhecer o que é único sobre os artefatos e práticas das duas espécies, e o que torna tais facilitadores poderosos da cognição individual e prática (Tomasello & Call 1997). As crianças herdam de suas gerações futuras não apenas seus genes, mas os seus ambientes em constante transformação, cheios de produtos culturais (incluindo a linguagem), com uma longa história de invenção e inovação, usos e modificações e o que temos de fazer é imitativamente aprender como participar nas práticas necessárias. As habilidades cognitivas sociais de chimpanzés para criar artefatos e desenvolver práticas ainda é pouco conhecida. Na comparação entre culturas chimpanzés e humanas, observamos muitas semelhanças profundas. Por exemplo, ambas espécies têm padrões de atividades que são socialmente aprendidas e que persistem ao longo de gerações, ajudando os jovens a se adaptar a seus ambientes de forma que, presumivelmente, é mais eficiente e menos desgastante aprender do que descobrir por si mesmos qualquer técnica. No entanto, as evidências tem apontado para o uso de meios indiretos de transmissão, língua, que podem permitir que os seres humanos transmitir informações através de grandes períodos de tempo e espaço e, ou melhor dizendo, diferentes tipos de informação.

Algumas tradições culturais humanas e artefatos parecem acumular modificações ao longo do tempo de modo que a sua gama de utilidade é progressivamente alargada. Esse processo depende de indivíduos imitando as estratégias comportamentais dos outros e, possivelmente, na instrução ativa em uma determinada taxa. A questão então é se os chimpanzés têm algumas tradições deste tipo se é algo desconhecido porque não há ou porque a ciência não observou tempo suficiente para saber (Tomasello, Kruger, e Ratner 1993).

Corvos da Nova Caledônia (Corvus moneduloides), apresentam evidências de complexidade do projeto em ferramentas de pesca-de-cupins que é muito usada por chimpanzés no Triângulo Goualougo (República do Congo).

Um estudo publicado em 2009 por Crickette Sanz, Josep Call, David Morgan analisou se os chimpanzés poderiam realizar modificações deliberadas nas varas de pesca, aumentando sua eficácia na captura de cupins. Com base nos conjuntos de ferramentas que chimpanzés de Camarões fizeram, constatou-se que este grupo deliberadamente fabricaram varetas com pontas em escova, desfiadas para capturar cupins de dentro de seus ninhos como também usaram sua flexibilidade para a pesca de cupins (Sugiyama 1985).

Antes da pesca-de-cupins, os chimpanzés aplicavam um conjunto de ações deliberadas para modificar hastes de ervas para formar uma estrutura semelhante a uma ponta de pincel, que é diferente de instrumentos de pesca utilizadas pelos chimpanzés na África Oriental e Ocidental. Isso significa que as varas de pesca com ponta de escova não são um subproduto de uso, mas um recurso de design deliberado ausente em outras populações de chimpanzés. As modificações especializadas para preparar uma ferramenta de pesca-de-cupins, reparar escovas não-funcionais e orientação apropriada sugerem que estes chimpanzés selvagens estão atentos às modificações de ferramentas. Ensaios experimentais mostraram que uma vara com ponta de escova é mais eficaz na coleta de insetos do que uma vara de pesca não modificada. Com base nestes resultados, sugerimos que os chimpanzés da Bacia do Congo, desenvolveram um projeto de vara que aumenta a eficácia da pesca.

Tanto chimpanzés selvagens quanto orangotangos (Pongo abelii) têm sido vistos como os utilizadores de ferramentas mais sofisticadas do mundo natural dentre os animais-não humanos. Algumas formas de avaliar a sofisticação e uso de ferramentas em outras espécies sugerem modelos que permitam compreender as capacidades cognitivas dos animais. Alguns estudos recentes sobre as habilidades de uso de ferramentas desses corvos da Nova Caledônia mostraram um repertório de vários comportamentos de ferramentas diferentes, alguns dos quais mostram evidências de complexidade de projeto para ferramentas (Hunt & Gray, 2003; Hunt et al, 2006).

Complexidade de design de ferramentas é invocada quando existem formas alternativas de uma ferramenta, alguns dos quais envolvem etapas de processamento que resultam em transformações materiais mais complexas do que outras (Hunt & Gray, 2003; Hunt et al, 2006). Na Nova Caledônia corvos fabricam ferramentas a partir das folhas da planta Pandanus e deixam-nas com inúmeras variáveis entalhadas ao longo de sua borda, mas não há nenhuma evidência de que ferramentas complexas são mais eficazes do que as outras variantes.

No caso dos chimpanzés, varas com ponta de escova são encontradas em locais da África Central e mostram uma forte semelhança na forma (comprimento, diâmetro e modificação do pincel) (Fay e Carroll 1994; Suzuki et al, 1995;. & Bermejo Illera 1999). Em contraste com os chimpanzés da África Oriental que removem ativamente as pontas desfiadas das varas de pescar cupins (McGrew et al, 1979), e as pontas desfiadas foram encontradas em 81% das ferramentas de pesca-de-cupins e em seis comunidades de chimpanzés no Goualougo (Sanz et al, 2004).

O estudo conduzido por Crickette Sanz, Josep Call, David Morgan (2009) constatou que a fabricação da extremidade em forma de escova ocorreu antes dos animais entrarem em contato com o ninho de cupins em 96% das observações (52/54). Nas duas outras observações, uma fêmea adulta masculina e um sub-adulto utilizaram a extremidade cega da haste para entrar em contato com os orifícios de saída de termiteiros (cumpinziero), possivelmente, para testar se o furo estava aberto. Ambos os indivíduos posteriormente fabricaram um pincel e, em seguida, começaram a pesca de cupins. Observou-se cinco tipos diferentes de modificação nos caules das erva durante a fabricação da escova, usando os dentes (75% de modificações); a dividida longitudinalmente (16%); fibras separadas por mordidas (3%); cortando o comprimento da vareta (2%); e supressão de vegetação estranhas (3%).

Depois de 93% das observações de fabricação da escova os chimpanzés foram observados puxando a ponta da escova usando o punho parcialmente fechado para compactar e alisar as fibras de escova em um único sentido para facilitar a inserção no ninho.

Se a vareta de pesca não era inserida com sucesso, os chimpanzés muitas vezes repetem a ação de alisamento até que as fibras da extremidade sejam adequadamente dispostas para inserção no ninho e enroscar os cupins. Chimpanzés também tomaram medidas para manter a integridade da escova durante a pesca de cupins. A manutenção da escova consiste em menos modificações, menor consumo de tempo e foram destinadas a dimensões da ferramenta e refino ou reparo da ponta do pincel.

Chimpanzés consistentemente usam não somente a extremidade da ferramenta modificada para a pesca de cupins, mas alguns chimpanzés invertem a orientação da ferramenta e usam para funções diferentes temporariamente, principalmente para perfurar e limpar os restos que possam ter tapado o buraco de pesca. Após a desobstrução da passagem, chimpanzés reorientam a ferramenta para sua função original usando a ponta de pincel.

A partir de matérias-primas para uma sonda ferramenta de cupins-pesca melhorada. (A) aprovar plantas Marantaceae usados para criar pesca, (b) a pesca chimpanzé cupins com uma sonda com ponta de escova, (c) imagens das sondas recuperadas em ninhos e (d) os detalhes de uma ponta do pincel com cupins.

A partir de matérias-primas até uma ferramenta de pesca-de-cupins melhorada. (A) Uma planta Marantaceae usada para criar varinhas-de-pesca, (B) a pesca de cupins em chimpanzé com uma vara com ponta de escova, (C) imagens das varas recuperadas em ninhos e (D) os detalhes de uma ponta do pincel com cupins.

Os resultados indicam que os chimpanzés têm um modelo mental da forma da ferramenta, o qual é utilizado na elaboração da ferramenta antes do uso e da refinação, durante o uso, que se expande.

Não só chimpanzés, mas outros primatas de também surpreendem. Um estudo conduzido por Kristina Ralene Walkup (2012) da Universidade de Iowa analisou orangotangos em uma série de experiências que requerem a construção de ferramentas que permitam a absorção, furos e limpeza e sondagem. Modificações de ferramentas foram registradas em todos os experimentos, com diferenças entre as ferramentas de acordo com o experimento. Os resultados sobre a fabricação e uso de ferramentas em orangotangos apoiam a tese de que eles usam ferramentas com complexidade cognitiva que envolve a compreensão das relações causais. Até pouco tempo acreditava-se que a compreensão das relações causais fosse uma habilidade exclusivamente humana e que os grandes símios não-humanos poderiam não ter essa capacidade. Com base nos dados acumulados em estudos apresentados na tese de Kristina, a hipótese foi suportada que orangotangos compreender as propriedades das ferramentas e suas relevâncias podendo compreender das relações causais. Estes resultados confirmam que o último ancestral comum partilhado pela linhagem que conduz aos grandes macacos africanos e asiáticos, incluindo seres humanos, tinha a capacidade de compreensão causal.

Segundo Boesch & Boesch (1990) os chimpanzés mostram grande especificidade no comprimento de diferentes tipos de ferramentas. Além disso, outras populações de chimpanzés e orangotangos foram vistas e relatadas na literatura científica usando ferramentas com características similares do projeto para aplicações de forrageamento particulares (Tutin et al, 1995; Fox et al, 1999). Isso torna mais provável que as tecnologias de ferramentas simples (que envolvem uma única ferramenta não modificada) foram precursoras de técnicas com mais modificações e favoreceram o estabelecimento de conjuntos de ferramentas mais complexas. Um exemplo disto vem do uso de ferramentas múltiplas envolvendo uma ferramenta de punção seguido por uma vara de pesca com ponta de escova que é provável que tenha surgido como uma elaboração da abordagem básica de pesca que envolveu simplesmente uma haste de erva não modificada. A maior eficácia na coleta de cupins poderia promover a adoção de tal conjunto de ferramentas ou modificação. Uma característica das tradições culturais humanas é que eles mudam ao longo do tempo, algumas delas mostrando um acúmulo de modificações que melhora sua funcionalidade (Boesch & Tomasello, 1998). Embora a tecnologia dos chimpanzés seja relativamente simples (o que era de se esperar) quando comparado com os seres humanos, têm demonstrado que certas populações de chimpanzés modificam as suas varetas de pesca-de-cupins em uma determinada forma que tem o potencial de melhorar o desempenho.

Orangotangos estão entre os primatas mais inteligentes; eles usam uma variedade de ferramentas sofisticadas e construir elaborados ninhos para dormir todas as noites a partir de ramos e folhagens. Eles têm sido extensivamente estudados por suas habilidades de aprendizagem, com culturas distintas dentro das populações. Estudos de campo com este símio foram pioneiros e realizados por primatologistas como Birute Galdikas. Um das evidências de fabricação mais sofisticadas de ferramenta na natureza foi relatado a partir de uma população de orangotangos em Suaq Balimbing (Pongo abelii) (van Schaik et al, 1996). Estes orangotangos desenvolveram um kit de ferramentas para uso em forrageamento que consistia em ambas as ferramentas, de extração de insetos para uso nos ocos de árvores e ferramentas para extração de sementes. Os orangotangos ajustaram suas ferramentas de acordo com a natureza da tarefa em mãos, e foi dada preferência ao uso de ferramentas oral (Fox & Sitompul, 1996). Esta preferência também foi encontrada em um estudo experimental de orangotangos em cativeiro (P. pygmaeus) (O’Malley & McGrew, 2000).

O primatologista Carel van Schaik e o antropólogo biológico Cheryl D. Knott investigaram o uso de ferramentas em diferentes populações de orangotangos selvagens. Eles compararam variações geográficas na utilização de ferramentas relacionadas a retirada de sementes da fruta Neesia. Os orangotangos de Suaq Balimbing eram ávidos usuários de ferramentas de insetos e sementes de extração quando comparado a outros orangotangos selvagens (van Schaik et al, 2001).

Os cientistas sugeriram que estas diferenças são culturais, e os orangotangos em Suaq Balimbing vivem em grupos densos e são socialmente tolerantes; isso cria boas condições para a transmissão social (van Schaik et al, 2001). Outra evidência de que os orangotangos altamente sociais são mais propensos a apresentar comportamentos culturais veio de um estudo de comportamentos de transporte de folha de orangotangos ex-cativos que estavam sendo reabilitados na ilha de Kaja em Bornéu (Russon et al, 2007).

Orangotangos selvagens (P. pygmaeus wurmbii) em Tuanan, Bornéu, foram vistos usando ferramentas de comunicação acústica (Hardus et al, 2009). Eles usam as folhas para amplificar o barulho do beijo que eles produzem. Os macacos podem empregar este método de amplificação para enganar o ouvinte a pensar que eles são animais maiores (Hardus et al, 2009).

Em 2003, pesquisadores de seis locais descobriram que orangotangos diferentes usaram o mesmo esquema de codificação comportamental compararam os comportamentos animais de diferentes regiões. Eles encontraram diferenças culturais: a medida das diferenças aumentou consideravelmente em relação á distância dos grupos, sugerindo que uma difusão cultural estava ocorrendo, e o tamanho do repertório cultural dos orangotangos é aumentado de acordo com o contato social entre os presentes no grupo. O contato social facilita a transmissão cultural (van Schaik et al, 2003).

Um Sumatra espreita orangotango fora de seu ninho na floresta. (Todas as fotos por Adam van Casteren. Fonte: Earth in transition. Clique para ampliar

Um orangotango de Sumatra espreita fora de seu ninho na floresta. By Adam van Casteren. Fonte: Earth in transition. Clique para ampliar

A catalogação geográfica desses traços é de fundamental importância, como os usados na etnografia humana, levou à descrição de uma “cultura” em alguns grandes símios não-humanos. Nesses termos, é detectado como um padrão de ignorância local, resultante de restrições ambientais sobre a transmissão do conhecimento. Em muitos casos, as variações geográficas podem, alternativamente, serem explicadas pela ecologia. A transmissão social de informação pode ser identificada de forma confiável em muitas outras espécies animais, por meio de experiências ou padrões distintos na distribuição, mas a detecção de cultura em grandes símios depende da possibilidade de compreender a evolução da cultura tecnológica acumulada em seres humanos. Sabendo disto, grande parte das pesquisas com primatas de grande porte deve concentrar-se em padrões de comportamento tecnicamente complexos que são comuns dentro de uma população local e a forma na qual são transmitidos. Nestes casos, uma ontogenia totalmente não-social é altamente improvável. A partir desta perspectiva, a transmissão cultural tem um papel importante nas habilidades de alimentação elaboradas de todas as espécies de grandes primatas em transmitir a ‘essência’ ou organização dessas competências.

A biologia é especialmente interessada na cultura de animais por dois motivos: por ser um segundo sistema de herança (Whiten, 2005) que a aprendizagem social oferece; e porque ser uma informação transmitida que se espalha rapidamente.

Para estes fins, o ponto de partida é identificar os casos de transmissão social, seja por intervenções experimentais, por exemplo, remoção ou translocação de indivíduos conhecedores; ou por um padrão de propagação que é distintivo de transmissão social, por exemplo, um registro histórico da relativamente rápida propagação monótona de um hábito, marcada por grandes barreiras ambientais.

Os primeiros experimentos deste tipo começaram há quase 50 anos em um o estudo sistemático em campo de observação do chimpanzé que revelou grandes variações comportamentais de um local para outro: desde a dieta; em habilidades manuais de alimentação, uso de ferramenta, dialetos de vocalização e em sinais sociais (Goodall 1963, 1973; Nishida 1973, 1980; Sugiyama & Koman 1979). Por isto, recentemente algumas destas diferenças foram descritas como cultura-chimpanzé (McGrew 1992; Whiten et al, 1999), com um argumento similar ocorrendo em orangotangos (destacado acima) e bonobos (Van Schaik, et al, 2003; Hohmann & Fruth 2003).

A identificação de cultura nos símios tem sido baseada em padrões de comportamento transmitidos repetidamente através da aprendizagem social ou observacional tornando-se um nível populacional característico (Whiten et al, 1999), formando um sistema de comportamento socialmente transmitido (van Schaik et al, 2003). No entanto, mesmo os estudos de campo mais intensos estão sendo insuficientes para traçar tal processo em seus mínimos detalhes. A aprendizagem social foi diagnosticada retrospectivamente, ao excluir explicações alternativas e tem se concentrado somente em traços que mostraram um padrão de variação comportamental de local em local e na alegação de que comportamentos universais poderiam ser mais parcimoniosamente explicados sem dependência de aprendizagem social. A ideia embutida aqui é que as diferenças comportamentais entre os diferentes locais da África onde estão os chimpanzés podem ser satisfatoriamente explicadas por variações genéticas ou por diferenças ecológicas que devem ser anuladas e, em seguida, aqueles traços que permanecem podem ser considerados de forma segura como parte de uma tradição cultural. Este procedimento é de fato conservador, mas comportamentos que são de fato socialmente transmitidos podem ser identificados e descobrir se eles espalharam-se para a cobertura universal, ou a distribuição desigual correlaciona com a ecologia porque sua função é ecologicamente favorável na luta pela sobrevivência (Perry & Manson 2003).

No caso de o chimpanzé, foram considerados 42 características comportamentais habituais que ocorreram repetidamente em diversos indivíduos em uma ou mais comunidades, mas esta ausente em um ou outro indivíduo (Whiten  et al, 1999, 2001). Neste estudo, as variantes culturais candidatas foram então preparadas por exclusão. Se um traço diferia sistematicamente entre duas populações geneticamente distintas, tais como as subespécies Pan troglodytes verus e Pan troglodytes schweinfurthii, mas foi encontrado universalmente dentro de cada população, seria atribuída a uma diferença genética. De fato, nenhuma das variantes comportamentais examinadas em chimpanzés foram postas de lado. Por outro lado, se a distribuição de um traço comportamental correlaciona estreitamente com alguma variável ecológica pertinente, seria, obviamente, atribuída a determinação ecológica. Três das variantes comportamentais foram consideradas explicáveis pelas condições locais: escavar algas com uma vara; fazer ninhos no terreno durante a noite e usar uma rocha para criar um substrato como o de uma bigorna. Os 39 padrões restantes foram identificados como variantes culturais para o chimpanzé. Em orangotangos o valor correspondente foi de 24 (van Schaik et al, 2003), no entanto, em cinco delas, a variação foi potencialmente explicável por razões ecológicas.

A lógica deste processo é que as variações comportamentais restantes devem resultar de limitações à transmissão de conhecimento. Invenção é um evento raro (ou então todos os macacos seriam capazes individualmente de adquirir habilidades), mas a aprendizagem social permite que o conhecimento se espalhe dentro de uma rede social; e às vezes entre comunidades sociais. Muitas vezes a disseminação é limitada por pausas na rede social causada por barreiras naturais. Fora da rede de conhecimento privilegiado, os primatas permanecem na “ignorância”, ou podem adquirir uma variante comportamental caracteristicamente diferente em virtude da adesão de outra rede social por uma técnica diferente que foi inventada. Por meio da transmissão cultural, macacos são capazes de adquirir habilidades benéficas que de outra forma não têm, mas imperfeições na transmissão social impõe uma variação distintiva de otimização.

Uma prova de que grandes rios às vezes podem constituir obstáculos ao fluxo de conhecimento vem dos chimpanzés quebra-nozes (Boesch et al, 1994;. McGrew et al, 1997) ou dos orangotangos que usam de galhos como alavancas para abrir a fruta Neesia e comer suas favas (van Schaik & Knott 2001); através dos rios e pântanos onde os mesmos alimentos potenciais estão presentes, mas permanecem por explorar.

Um dos casos mais impressionantes vem de uma técnica de forrageamento em chimpanzés chamada de agulha-de-formiga, encontrado por variar em estilo comportamental em vez de meramente a presença, com efeitos em relação à eficiência. O método de uso com as duas mãos é encontrado em Gombe (África Oriental), e foi estimado ser quatro vezes mais eficiente (relação formigas/minuto) que o que utiliza uma única mão, encontrado em Tai (Oeste Africano) (McGrew 1974; Boesch & Boesch 1990). A explicação cultural é que a agulha-de-formiga deve ter sido inventada pelo menos duas vezes, mas diferentes formas de alcançar o mesmo objetivo tornaram-se estáveis em diferentes redes de conhecimento. Apesar da enorme diferença em termos de eficiência, o comportamento não converge na forma ideal, mas continuam em conformidade com os originais socialmente aprendidos: nos chimpanzés de Tai restringiram-se a uma solução sub-otimizada que deve ser mantida por uma norma social (Boesch, 1996). Os pesquisadores destacam que é difícil ver como os padrões de comportamento, que poderiam ser perpetuados pela aprendizagem social são mais simples do que a imitação (Whiten et al, 1999). É possível que a técnica mais complexa seja derivada culturalmente do método mais simples levando a diferenciação em conjunto com a difusão, justificando o termo “evolução cultural” (Whiten et al, 2001).

A detecção de cultura em símios foi baseada na identificação de ignorância local (Byrne et al, 2004). A maior dificuldade em atribuir a ignorância de forma conclusiva é excluir todas as explicações ecológicas alternativas (Tomasello 1990, 1994; Galef 1992), e esta é uma fraqueza significativa na abordagem porque é algo complexo de se fazer. Pequenas diferenças no material coleto que se correlacionam podem explica a variação comportamental que pode estar faltando simplesmente devido à falta de detalhes sobre a identidade e as propriedades do material vegetal que os animais usam. Grandes diferenças de comportamento no método utilizado pelos chimpanzés do Oeste e do Leste Africano para se alimentar de formigas foram negligenciadas por muitos anos, apesar do nível de interesse científico na utilização de símios em estudos. As influências ecológicas formam uma complexa teia de interligações, muitas das quais podem ser ainda desconhecidas, especialmente em uma espécie como o chimpanzé que tem uma dieta imensamente variada e um repertório comportamental bastante amplo (Nishida & Uehara 1983; Nishida et al, 1999).

No estudo de Byrne (2007) sobre variantes culturais em chimpanzés, 18 delas envolvem alimentação de plantas ou animais específicos, 21 envolvem material vegetal específico empregado no meio e 2 envolvem a remoção de insetos nocivos específicos. Tomando estes exemplos em conjunto, alguma explicação ecológica para variação pode ser feita em 32 de 39 casos, para além dos três casos, na verdade, rejeitado como potencialmente explicável pela ecologia.

Esta preocupação não é meramente teórica: diferenças ecológicas em alimentos de chimpanzés podem ser sutis. Há razões para se pensar que os problemas de separação ecológica da determinação cultural podem ir mais fundo. Chimpanzé e orangotangos são incomuns em sua riqueza de conjuntos de dieta conhecida e em repertórios comportamentais, mesmo entre os primatas que vivem em florestas tropicais. No entanto, não têm sido objeto de análise fitoquímica e nutricional para revelar interações sutis de dieta alternativas, e sem estudos sobre as propriedades mecânicas do material que potencialmente podem ser empregados na utilização da ferramenta. Este método de estudo que depende de exclusão de fatores ecológicos. Comparações geográficas podem dizer onde um padrão distintivo particular é encontrado e uma propagação universal marcada por uma barreira, como no caso do orangotango/Neesia na Ásia. No entanto, este padrão distinto é a exceção e não a regra. Por exemplo, nos chimpanzés foram encontradas a quebra de nozes com martelo e bigorna (África Ocidental) e a intensa preparação de folhas (na África Oriental) (Whiten et al, 2001). A maioria dos hábitos diferentes localmente são encontrados em toda a gama chimpanzé. Parece que os traços identificados como cultural não são difíceis para os chimpanzés de inventar, e que a invenção ocorreu independentemente em muitos locais da África.

Nenhum sinal foi encontrado em grandes primatas não-humanos que tenham o padrão mais típico da cultura humana. As pessoas que constroem as famosas pagodas hindus são susceptíveis a usar os pauzinhos para comer arroz, pessoas que constroem turbinas de água para moer a cevada são propensas a mostrar a poliandria fraternal, e assim por diante. Em chimpanzés, não existem tais traços comportamentais correlatos e o nível de diferença de comportamento é muitas vezes tão elevado entre os locais de estudo de chimpanzés próximos como os distantes.

Alguns padrões implicam claramente ma propagação de técnicas pela transmissão social (Laland & Hoppit 2003). Na ausência desses tipos, talvez a distribuição de dessas técnicas não signifique necessariamente cultura. Se um hábito pode ser inventado várias vezes, talvez ele possa ser inventado por cada indivíduo que tem real necessidade dele. Isto poderia ser evidenciado pelo fato de que uma série de variantes culturais em chimpanzés também foram identificadas nos bonobos (Hohmann & Fruth 2003), e não apenas uma espécie diferente, mas também um separado do chimpanzé pelo maior rio da África, o Rio Congo; estes incluem o aperto de mão aliciando os companheiros (McGrew & Tutin 1978), folhas como um sinal social, arremessos etc e tal. As duas espécies de primatas devem então possuir uma propensão para inventar e reinventar as mesmas ações em circunstâncias semelhantes. Diante de tal propensão, traçando padrões de variação a transmissão cultural se tornaria difícil.

Finalmente, se a maioria ou a totalidade da “variação cultural” dos chimpanzés resulta de transmissão social imperfeita, a continuação da existência das diferenças apresenta logicamente um quebra-cabeça (Byrne et al, 2004). Chimpanzés fêmeas se deslocam regularmente entre comunidades quando chegam à adolescência (Nishida & Kawanaka 1972), uma idade em que elas devem possuir o conhecimento cultural de sua comunidade natal, tornando este conhecimento disponível para os membros mais jovens da nova comunidade.

Em orangotangos, os principais obstáculos, incluindo cadeias de montanhas e mares, fazem o isolamento do conhecimento mais provável. Assim, a probabilidade correspondente de conjuntos de genes isolados é mais um desafio para a identificação de variação definitivamente cultural. Ao longo do tempo, a transferência feminina regular entre comunidades de chimpanzés significa que grandes áreas da África têm sido até recentemente parte da mesma rede de conhecimento em potencial. No entanto, a variação entre os locais nos padrões de comportamento traçado por Whiten e colegas (1999, 2001) não seguem limites naturais para chimpanzé movimento. Também não há evidências de que esta situação é temporária; as diferenças são aparentemente estáveis e de longa duração ao longo de décadas de estudo em vários locais. Isto esta em contraste com a rápida evolução traços culturais de macacos-prego (Perry & Manson 2003).

Se uma característica socialmente adquirida é benéfica, ou há uma maneira otimizada eficiente de sua realização, este conhecimento deve espalhar entre as comunidades (como a seleção positiva) e a ignorância local, deve ser apenas temporária. Se os comportamentos causam modismos relativamente triviais, não haverá qualquer vantagem real para seus possuidores e sua propagação pode ser aleatória ou cria uma tendência de conformidade (Whiten et al, 2005) que poderia impedir o conhecimento de se espalhar por uma área geográfica de relativa ignorância. Este pode ser o caso de algumas das variantes mais estranhas e menos obviamente funcionais, mas se traços culturais desses primatas forem encontrados, não serão mais do que modismos. A distribuição estável, porém irregular de traços aparentemente úteis no chimpanzé é em si algo que desafia à ideia de que as variações resultam de transmissão cultural.

O uso de padronização geográfica para identificar a cultura dos grandes símios é susceptível de conduzir a um erro. Nas culturas humanas, os padrões e variações persistem em sociedades não-ocidentais devido à relativa lentidão da mudança pela invenção humana em comparação com a rapidez de difusão cultural e devido a mecanismos sociais xenofóbicos. Em grandes primatas não-humanos, padrões distintos são sempre mais prováveis porque derivam de um ajuste ecológico, e os padrões de ignorância local parecem improváveis em uma espécie que transfere regularmente indivíduos entre grupos. Muitas vezes, estes são os mesmos traços propensos a dar insights sobre as origens evolutivas de culturas tecnológicas humanas, porque são ações muito simples ou porque o seu impacto ecológico é corriqueiro. No processo, muitos casos reais de habilidades sociais aprendidas são potencialmente descartados, porque eles não variam suficientemente ou porque eles se correlacionam com fatores ecológicos. Assim, na melhor das hipóteses, o resultado é susceptível de ser uma coleção com características bastante variadas os quais a variação geográfica é socialmente causada, mas poucos têm alguma relevância para as competências acumuladas da cultura humana.

Muitas espécies de animais são conhecidas por usar regularmente um único tipo de ferramenta para uma finalidade específica (Beck, 1980). Em muitas populações de chimpanzés e orangotangos, a série é mais complexa, cheia de ações envolvidas na seleção e construção de ferramentas. O caso da pesca de cupins exemplifica isto. A pesca de cupins não é uma resposta lógica para a percepção de insetos comestíveis. Afinal, os insetos estão escondidos no fundo de cupinzeiros que não têm entradas visíveis. O macaco deve saber que em um determinado momento é possível abrir um buraco em determinados lugares do cupinzeiro. Isso só é possível acima do que mais tarde se tornará o túnel emergência noturna para as formas sexuais dos cupins, de modo que o chimpanzé também deve saber reconhecer uma saída ainda selada. Somente quando uma haste adequadamente longa, fina e flexível inserida lentamente através desta entrada que cupins podem ser retirados anexados (Goodall, 1986).

Orangotangos têm habilidades comparáveis ao dos chimpanzés, como demonstrado anteriormente, seja no caso da fruta Neessia ou quando eles confeccionam pequenas ferramentas mordendo um galho e retirando-lhe a casca, em seguida, usando raspar os pêlos velhos e que irritam. Quando os pêlos são limpos, a mesma ferramenta é utilizada posteriormente para desalojar sementes e se alimentar (van Schaik et al, 1996).

Orangotango flagrado com uma vara. Fonte: Animal Behaviorist

Orangotango flagrado com uma vara. Fonte: Animal Behaviorist

Estes dois exemplos acontecem de modo desigual geograficamente, mas em certos locais não há traços de dificuldades. Poucos traços supostamente culturais dos grandes primatas envolvem alguma habilidade real, em termos de sutileza, complexidade e provável dificuldade de aquisição sem um modelo mais forte. Apenas a vara de caçar formigas do orangotango e o quebra nozes em chimpanzés exigem.

Por outro lado, a uniformidade geográfica não exclui a aprendizagem social para a aquisição. As habilidades ecologicamente importantes que dependem de aprendizagem social são esperadas se espalhar de forma constante através da população até bater de frente com uma barreira natural. Dentro das faixas dos grandes primatas africanos, as barreiras naturais consistem principalmente de grandes rios, e a distribuição desigual dos traços de comportamento não é mapeada para a distribuição dos rios (critério que é fundamental para o entender o comportamento mais informativo).

Muitos dos detalhes de como o trabalho individualmente, como acontece com qualquer habilidade complexa é provavelmente apenas uma ideia ou essência da vara de pesca formigas ou cupins, que é socialmente aprendido. O mesmo pode ser aplicado a várias outras habilidades do chimpanzé, como a construção de ninho, raspar algas, usar a folha como esponja e que não são considerados como parte da cultura do chimpanzé (Corp & Byrne, 2002). Quase todas as populações de orangotangos não têm uso de ferramentas elaboradas, mas a maioria mostra intrincadas e complexas habilidades para lidar com plantas, em particular para permitir o consumo de medula de palmas espinhosas (Russon, 1998).

Gorilas raramente fazem ferramentas na natureza, e apenas uma população vem sendo estudado no nível de detalhe necessário para detectar habilidades complexas na criação e processamento de ferramentas.

Há poucos relatos de gorilas usando ferramentas na natureza (Matsuzawa & Tomonaga, 2006). Gorilas ocidentais (Gorilla gorilla gorilla) foram observados usando varas medir a profundidade da água e usar como “bengalas” para apoiar a sua postura na travessia de águas profundas (Gross, 2005). Há registros de fêmeas adultas usando um tronco desprendido de um pequeno arbusto como um estabilizador durante a coleta de alimentos, e usando outros troncos para estabelecer pequenas pontes. Uma possível explicação para a ausência ou a baixa frequência de uso de ferramentas observada em gorilas selvagens é que eles são menos dependentes de técnicas de forrageamento que exigem o uso de ferramentas, uma vez que exploram os recursos alimentares de forma diferente dos chimpanzés. Enquanto chimpanzés e orangotangos se alimentam usando rochas como martelos e bigorna para abrir nozes e varas para pescar cupins, gorilas acessam esses alimentos quebrando nozes com os dentes e quebrando cupinzeiros com as mãos (Breuer et al, 2005). Entre os primatas restantes, macacos-prego, babuínos, mandris e macacos comedores de caranguejo são conhecidos por usar ferramentas, tanto em cativeiro ou em estado selvagem.

Uso de uma vara para medir a profundida do rio

Uso de uma vara para medir a profundida do rio

Várias das habilidades de processamento de alimentos dos gorilas consistem em sequências altamente estruturadas, multi-estágios da ação bi-manual hierarquicamente organizadas, flexíveis ajustadas às plantas de distribuição local altamente específicas (Byrne & Byrne 1993). E essas habilidades são quase onipresentes entre a população local. Em termos de complexidade, o processamento e fabricação de ferramentas em gorilas não excede em nada o que há descrito sobre chimpanzés, especialmente no que diz respeito ao modo de uso da ferramenta que por si só é considerado intrinsecamente mais complexo. Tanto o gênero Gorila, quanto Pan e Pongo são aparentemente dependes de suas habilidades de alimentação elaboradas, habilidades intricadas para sua sobrevivência e que são altamente improváveis de terem sido descobertas por um indivíduo solitário (Byrne, 1997; 2004). De fato, isso tem sido relatada em quaisquer espécies de macacos, a capacidade cognitiva subjacente é provável que tenha uma origem relativamente recente (isto é, no ancestral dos grandes símios) e são diretamente relacionados com as origens da superioridade tecnológica humana.

Basta observar a origem das primeiras ferramentas líticas chamadas de Olduvaiense datadas da época do Homo habilis a 2,7 milhões de anos, posteriormente a industria lítica Acheulense datada do Homo erectus, a cerca de 2 milhões de anos; a Musteriense desenvolvida pelo Homo heidelbergensis, datado de 1,3 milhões, que desenvolveu a indústria Musteriense. Este hominídeo é ancestral comum de nossa espécie e dos Neandertais. Estas ferramentas foram se tornando mais complexas graças ao desenvolvimento da cultura nos hominídeos e que se tornou exacerbada em Homo sapiens, de modo bem característico nos últimos 50 mil anos, como desenvolvimento de uma forma de comunicação mais complexa, e refinada, armas compostas, desenvolvimento de roupas, costura, redes de pesca, desenvolvimento da arte rupestre, sepultamentos ritualizados, complexidade social de nômades a tribos, desenvolvimento da agricultura, chefias e Estados.

Notamos então que algumas das habilidades mais intrincadas desses símios não fazem sentido em tudo quando vistos como produtos genéticos. Por exemplo, a fábrica de processamento de gorilas da montanha é tão específica para plantas de amplitude latitudinal limitada a ponto de ser sem valor a algumas milhas de distância de onde eles foram registrados, mas a distribuição desta espécie de gorila se estende por centenas de milhas.

Trabalhando com dados naturais, não existe nenhum método perfeito para a identificação e estudo dos fenômenos culturais. Definindo cultura para estes símios com base em habilidades intricadas e complexas que são quase uniformes em uma população há várias vantagens, no entanto, através da utilização de uma abordagem geográfica. As pesquisas estão incidindo sobre comportamentos de importância ecológica para essas espécies e entender como eles podem nos dar respostas sobre a singularidade da cultura humana.

Em particular, eles confeccionam elaboradamente atividades complexas, ajustada à resolução de problemas práticos, cotidianos e relativamente óbvios em linhas gerais na ecologia, mas improvável de ser descoberto por um indivíduo restrito à experimentação solitária. A origem da cultura depende obrigatoriamente das relações sociais, variações inter-populacionais de comportamentos que pode resultar de quebras na rede de conhecimento, e nestes casos são fascinantes para estudar porque possivelmente resulte em diferenças ecológicas não totalmente compreendidas.

Saiba mais A CULTURA E A ORIGEM DA HUMANIDADE.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Cultura, Ferramentas, Vara, pescar-cupins, Chimpanzé, Bonobo, Orangotango, Gorila, Primatas, Comportamento, Evolução.

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