MEIO AMBIENTE E MEMÓRIA RELACIONADOS À NEURÔNIOS OCEANO.

A correlação entre as memórias dos acontecimentos da vida quotidiana e os elementos do ambiente em que são realizadas depende de uma população específica de neurônios batizadas de células oceano, descoberta por pesquisas em ratos graças a uma técnica de imagem inovadora.

Ilustração de neurônios: o estudo mostrou o papel do córtex entorrinal processamento de informação relativa ao fundo na memória episódica (© Viaframe / Corbis)

Ilustração de neurônios: o estudo mostrou o papel do córtex entorrinal no processamento de informação relativa a memória episódica (© Viaframe / Corbis)

As memórias de acontecimentos em nossas vidas são fortemente ligadas aos contextos em que os eventos ocorreram. O responsável por esta ligação é uma população específica de neurônios localizados no lobo temporal do cérebro: estes são os neurônios oceano, como foram batizados por seus descobridores, pesquisadores do Centro Riken-MIT  Center for Neural Circuit Genetics  liderado por Susumu Tonegawa, que assina um artigo na revista “Neuron“.

Memória episódica, que diz respeito a acontecimentos vividos, é determinada em parte por circuitos neurais que conectam duas regiões do cérebro, próximos uns dos outros: o córtex entorrinal e hipocampo. Até agora, no entanto, ninguém poderia explicar como os contextos espaciais são representados no cérebro.

“Muitos acreditam que o hipocampo gera informação específica para o contexto: de fato, os resultados do nosso estudo indicam que este tipo de informação já é formada no córtex entorrinal antes que ela atinja o hipocampo” disse Tonegawa.

Os autores utilizaram, pela primeira vez, uma técnica de imagem com o qual se mede os níveis de íons de cálcio, que explora a fluorescência de alguns marcadores que se ligam especificamente ao íon deste elemento, para mostrar a atividade cerebral em ratos. Deste modo, os cientistas têm mostrado que, quando os ratos foram colocados em duas caixas diferentes, células entorrinais foram ativadas de duas formas diferentes: eles têm identificado uma população de células chamadas “oceano” e uma célula definida como “insular”.

Enquanto as células insulares mostraram o mesmo padrão de ativação independentemente do contexto, a células de oceano foram mais ativas na primeira ou na segunda caixa: esta atividade indica que as células oceano distinguem entre os diferentes contextos ambientais.

O estudo mostrou que a atividade de neurônios no hipocampo revelava uma diferença ambiental entre as duas caixas, mas não se as células oceano foram desligadas artificialmente pelos pesquisadores. Pelo contrário, a inibição de células insulares não teve nenhum efeito. Isto demonstra que as células oceano são responsáveis pela identificação de um contexto e enviar esta informação ao hipocampo.

“As células oceano ajudam a processar informações de uma experiência que se relaciona com o meio ambiente, enquanto que as células insulares contribuem para a informação temporal”, disse Takashi Kitamura que participou da pesquisa. “O próximo passo será entender como os dois componentes são integrados para formar memórias”.

Os resultados podem ter significado terapêutico, porque o córtex entorrinal é uma das primeiras regiões do cérebro a ser afetada pela doença de Alzheimer.

“Já podemos ver a perda neuronal no córtex entorrinal durante as fases iniciais da doença”, disse Kitamura. “Entender como as células contribuem para os tipos específicos de memória pode ajudar a desenvolver marcadores que melhorem o tempo do diagnóstico”.

Fonte: Le Scienze

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