QUEM ERAM OS NEANDERTAIS? – PRINCIPAIS ACHADOS PALEOANTROPOLÓGICOS

Os primeiros fósseis de Neandertal foram encontrados em um pedreira, no ano 1856, em uma caverna onde trabalhadores procuravam calcário no alto do rio Neander, a 15km de Dusseldorf. Era uma calota craniana inicialmente identificada como sendo de um urso. O sócio da mina pediu para que encontrassem mais ossos deste urso; um úmero direito e parte do úmero esquerdo além de parte da ulna direita, clavícula direita e parte da escápula direita e algumas costelas foram achados. O dono da pedreira repassou o fóssil para Johann Carl Fuhlrott que era professor da associação local de naturalistas a quem a descoberta foi atribuída e classificou como um antigo indivíduo da espécie humana.

Homo neanderthalensis. Fonte: Natural History Museum

Homo neanderthalensis. reconstituição de como seria a face do Neandertal de Gibraltar I. Fonte: Natural History Museum

Com o auxílio de taxonomistas como Hermann Schaaffenhausen, em junho de 1857 junto a Sociedade de Historia Natural da Rênania e Vestfália prussiana classificaram o indivíduo como fóssil de um humano, anterior aos Celtas e Germânicos. Schaaffenhausen ainda argumentou que o achado referia-se a restos humanos ligados ao período no qual os animais do dilúvio ainda existiam. Isto ocorre porque até aquela época, a contagem do tempo pelos naturalistas era feita com base em dados bíblicos. Somente após a formulação da teoria da evolução e estudos aprofundados de geologia é que se reconheceu que o verdadeiro tempo de contagem da Terra superava facilmente os 6 mil anos propostos pelos religiosos. A confusão é perfeitamente natural, uma vez que se trata de um fóssil que nunca havia sido encontrado ocorrendo em uma época cuja contagem do tempo era pautada em discursos ainda místicos (Neves et al, 2015).

Apesar deste achado ser histórico havia registros mais antigos de fósseis de Neandertais.

Em 1829 crânios de Neandertais (momento que ainda não se sabia da ocorrência desses hominínios) foi encontrado em Engis na Bélgica, e em 1848 em Gibraltar I e ficou guardado por 16 anos no armário da Biblioteca Garrison de Gibraltar com um rotulo dizendo “Humano antigo morto antes do dilúvio universal” (Neves et al, 2015).

Homo neanderthalensis. reconstituição de como seria a face do Neandertal de Gibraltar I. Fonte: Natural History Museum

Homo neanderthalensis. Fóssil de Neandertal de Gibraltar I. Fonte: Natural History Museum.

Em 1699 um machado de pedra foi encontrado em Londres (Inglaterra) junto a restos de um “elefante” (certamente um mamute). O machado foi identificado como sendo de origem romana e ignorado na época (Neves et al, 2015).

Em 1771 na Bavaria (Alemanha) foi encontrada uma mandíbula, partes de uma clavícula e ferramentas de pedra associadas a ossadas de animais extintos. A dificuldade de interpretação dos fósseis e a relutância em reconhecer a antiguidade da humanidade são características que antecedem a percepção do tempo profundo ocorrida na metade do século XIX. Antes dessa descoberta e da percepção de que a Terra e a vida têm bilhões de anos o Ocidente pautava sua cronologia em tempos ou gerações bíblicas, como defendia o bispo James Ussher; a Terra havia sido criada no ano 4004 a.c no dia 22 de outubro ás 18 horas, além da ocorrência do dilúvio a 3.500 a.c. A cronologia bíblica era que ajudava a organizar o tempo conforme catástrofes como a expulsão do Éden, momento da suposta criação divina e a Torre de Babel.

Este era o tempo de referência usado uma vez que não havia instrumentação suficiente para diagnosticar a passagem do tempo tal qual hoje é bem evidenciada pela geologia convencional.

Muitos até reconheciam períodos mais antigos e chamavam-os de “tempos pré-diluvianos” defendendo que eram inacessíveis e até irrelevantes para defender a interpretação da diversidade de forma de vida de sua época. Ainda hoje existem grupos informais que defendem a pressuposição de uma Terra-jovem com base em interpretações literais e fundamentalistas da bíblica. Entretanto, sem qualquer respaldo científico, e o que era passivo de ser falseável, realmente foi, demonstrando hoje que a Terra tem muito mais do que meros 6 mil anos.

De alguma forma, os naturalistas antes da teoria da evolução encaixavam fósseis (do que hoje são reconhecidamente Neandertais) em um período de tempo bíblico. Em uma profunda época de ignorância sobre datações antigas (superada pela descoberta da radiação e datação radiométrica), os fósseis eram encaixados dentro de uma conclusão pré-concebida religiosa.

Além disto, o contato com outras culturas, especialmente chinesas, foi demonstrando que o tempo era muito mais estendido do que o proposto pelos naturalistas. Um marco muito importante para a mudança de concepção foi dado pelos Hindus, na escrita Rigveda que trata de um conjunto de hinos que imaginava o mundo com 4,32 bilhões de anos, abalando a Europa até o século XIX. Em 1655, Isaac La Peyrère publicou no liberal de Amsterdã (Holanda) o texto “Sistema Teológico sobre a Pressuposição de que o Homem existia antes de Adão” afirmando que ferramentas de pedra enterradas e artefatos haviam sido criados antes de Adão e Eva viverem. A reação a sua publicação foi de extrema violência. Em 1656 seu livro foi queimado publicamente e ele foi preso em uma visita a Bruxelas, sendo solto somente após se “arrepender” de sua alegação (Neves et al, 2015).

Em 1848 o crânio de Neandertal de Gibraltar 1 foi encontrado em Forbes ‘Quarry, Gibraltar. E foi chamado de “um antigo humano”. Em seguida, no ano de 1856, Johann Karl Fuhlrott reconheceu pela primeira vez o fóssil do “Homem de Neandertal”, descoberto em um vale perto de Mettmann no que é hoje North Rhine-Westphalia (Alemanha).

Com a primeira tradução de hieróglifos egípcios feita por Jean-François Champollion, foi comparada com a cronologia bíblica para verificar a validade da informação bíblica sobre a idade da Terra, dúvidas surgiram. Então, entre 1830-1837 Charles Lyell publicou o “Princípios de Geologia” em três volumes. Em 1862 ele calculou (ainda que erroneamente, baseado nos dados de William Thompson) a idade da Terra entre 20 e 100 milhões de anos (Neves et al, 2015).

Quando Darwin publicou o “A Origem das Espécies” em 1859 serviu de estímulo para Lyell escrever um trabalho chamado “Evidências geológicas da Antiguidade do Homem” na qual conciliou o tempo geológico com as descobertas de Darwin. Neste momento a cronologia bíblica se torna obsoleta e esfacela-se entre a maioria dos naturalistas. Quando Darwin escreve “A Descendência do Homem e Seleção em relação ao sexo” em 1871 procurando a origem evolutiva do homem muita coisa muda na geologia e nas ciências naturais (Neves et al, 2015).

Mesmo com toda a reestruturação cronológica proposta e a adesão dos naturalistas a descoberta dos achados de Schaaffenhausen em Neander estavam longe de se encaixar em um período de tempo. Em 1864 William king sugeriu nomear a nova espécie como Homo neaderthalensis embora muitos representantes das ciências naturais optassem por interpreta-lo como um achado ligado a algum homem com algum tipo de má-formação da calota craniana.

Ele propôs este nome em uma reunião da Associação Britânica para o Avanço da Ciência e que os Neandertais eram suficientemente diferentes dos seres humanos para justificar um gênero separado, sob a suposição de que eles eram provavelmente “incapazes de concepções morais e teosíticas (TalkOrigins, 2005).

Em 1880 a mandíbula de uma criança Neandertal foi encontrada associada a restos culturais, incluindo lareiras, ferramentas Mustierenses e ossos de animais extintos. O mundo científico ficou aberto ao reconhecimento de achados que não eram convencionais e em 1886 um homem e uma mulher quase perfeitamente preservados foram encontrados em Spy (Bélgica) associado a ferramentas e foram publicados já com o nome de Homo neanderthalensis (Neves et al, 2015).

Em 1891 Eugène Dubois descobriu em Java (Indonésia) um hominínio que foi batizado de Pithecanthropus erectus (que hoje é representado pelo Homo erectus) e consolidou a ideia de que Neandertais eram de fato uma nova espécie ligada a evolução humana.

Em 1899 centenas de ossos de Neandertais foram descritos em posição estratigráfica associada com restos culturais e ossos de animais extintos. Além disto, operários que trabalhavam escavando areia e encontraram fragmentos de ossos em uma colina em Krapina, Croácia, a chamada de Hušnjakovo brdo. O frade franciscano local Dominik Antolković solicitou a presença do geólogo e paleontólogo Dragutin Gorjanović-Kramberger para estudar os restos de ossos e dentes que foram encontrados.

A partir de 1899 começou uma explosão de achados paleoantropológicos, especialmente porque neste mesmo ano, e anteriormente (em 1876), muitos fósseis foram encontrados em Krapina durante 6 anos de escavação. Os depósitos arenosos continham diversos exemplares de Neandertais de 2 a 40 anos de idade e uma grande variedade de ferramentas e restos de animais (Neves et al, 2015).

Em 1905, durante a escavação em Krapina mais de 5 mil itens foram encontrados, dos quais 874 resíduos sobre a origem da humanidade, incluindo os ossos do homem pré-histórico e animais, artefatos.

Em 1907 a mandíbula de Mauer foi encontrada na Alemanha e levou Otto Schoetensack, da Universidade de Heidelberg, a sugerir uma nova espécie, o Homo heidelbergensis que veio dar cabo sobre as nossas origens e de nossa espécie irmã.

Mandíbula de Mauer pertencente a um H. heidelbergensis datada entre 500 e 600 mil anos.

Mandíbula de Mauer pertencente a um H. heidelbergensis datada entre 500 e 600 mil anos. Clique para ampliar

A identificação dele como nova espécie dependeu do conhecimento científico que há sobre as variações anatômicas dentro da espécie, conceito de espécie e da ausência de material genético. Com material genético preservado é possível analisar o fluxo gênico entre populações e entender como se deu a origem dos Neandertais a partir do “Homem de Heidelberg”. Em 1908 um esqueleto Neandertal quase completo foi descoberto em associação com ferramentas Mustierenses e ossos de animais extintos.

Nos 50 anos seguintes foram achados muitos fósseis, com ligeiras variações. Isto criou uma tendência de nomear cada achado como uma espécie nova, o que causou problemas. Na Europa, por exemplo, nomearam o Homo spelaus, Homo grimaldii, Homo priscus e Homo mediterraneus, todos morfologicamente modernos e obviamente, pertencentes á mesma espécie. Aqueles que foram classificados como Homo spyensis (de Spy na Belgica), Homo transprimigenius (de Le Moutier), Homo chepellensis (de La Chapelle-aux-Saints) foram agrupados em Neandertais segundo estudos anatômicos modernos (Neves et al, 2015).

O achado de La Chapelle-aux-Saints (que ficou conhecido como “Old man” ou “O velho”) na qual foi encontrado com poucos dentes ficou famoso ao aparecer na edição do “L’illustration” em 1909 retratado por Kupka que se baseou nos erros de descrição anatômica de Narcellin Boule que não percebeu que o Neandertal sofria de artrite. Ele colocou uma descrição na qual dizia que o Neandertal não se locomoveria de forma ereta. Posteriormente representou ele como uma espécie de transição entre o homem e gorila. Tal descrição errada foi assimilada por décadas e criou a visão de homem das cavernas torpe e bruto. Tal desconstrução só foi resolvida em 1975 por Erik Trinkaus em seu doutorado sobre a análise funcional do pé dos Neandertais.

No ano de 1909 foi encontrado o mais completo crânio de Neandertal em La Ferrassie (sudoeste da França).

Até 1921 os possíveis ancestrais do homem eram: o “Homem de Heidelberg” ou o “Homem de Java”. Darwin havia sugerido em seu livro sobre a origem do homem e a seleção sexual que a origem do homem estaria na África: e acertou! A proposta de Darwin foi confirmada em 1921 quando um crânio fóssil na Zâmbia (África) foi encontrado e novamente em 1924 quando descobriram outro fóssil na África do Sul.

Em 1925 o arqueólogo Francis Turville-Petre encontrou o “Galiléia Man” ou “Crânio da Galiléia” na Caverna Zuttiyeh em Wadi Amud no mandato britânico da Palestina (atual Israel). Com o tempo, muito sobre o Neandertal e sob sua área de dispersão foi sendo desvendado. Ainda em 1925 um fóssil de Neandertal foi encontrado em Amud (Israel) a noroeste da Galileia e outros 9 fósseis foram encontrados em Shanidar e Curdistão (norte do Iraque).

O Neandertal que era fundamentalmente europeu foi sendo encontrado no oeste Europeu, chegando a Eslovênia, Rússia e Síria. Houve os Neandertais de transição no Leste Europeu, Caucaso e Oriente Médio e proto-neandertais que eram principalmente europeus e de Israel (Neves et al, 2015).

No ano de 1926 fragmentos de crânio em Gibraltar 2 foram descobertos por Dorothy Garrod. Eles pertenciam a uma menina Neandertal de quatro anos de idade.

Em 1950, outra espécie foi considerada ancestral humana, o “Homem de Piltdown”, presumivelmente encontrado na Inglaterra em 1908 por Charles Dawson e Teilhard de Chardin. O achado combinava a capacidade humana com uma mandíbula e dentes semelhantes ao de monos. Com análises feitas pelos paleoantropólogos em 1953 descobriu-se que este fóssil foi fraudado e que consistia na junção de um crânio humano com a mandíbula de um orangotango e dentes de fósseis de um chimpanzé. A descoberta trouxe grande valor para a ciência que se mostrou competente em identificar eventuais falsificações e demonstrar o caráter auto-corretor do método cientifico. Também demonstrou que era preciso maior compartilhamento de informações entre os cientistas pesquisadores de fósseis e a necessidade de acesso mais restrito aos fósseis para evitar tais golpes (Neves et al, 2015).

A culpa pela tal falsificação ficou por conta de Charles Dawson e Pierre Teilhard de Chardin.  Em junho, Charles Dawson, Arthur Smith Woodward e Teilhard de Chardin “descobriram” o fóssil. Os fragmentos de crânio e a mandíbula foram montados e, em 1912, o primeiro trabalho sobre a descoberta do homem primitivo foi divulgado. Em 1920, Teilhard de Chardin declarou que participou da descoberta e considerou que os fragmentos do crânio e a mandíbula eram de seres diferentes (Weiner, 2003 & Russell, 2004).

A principal suspeita hoje cai sobre Teilhard de Chardin. De 1912 a 1914, Teilhard trabalhou no laboratório de paleontologia do Museu Nacional d’Histoire Naturelle (Paris), estudando os mamíferos do período Terciário, e mais tarde, estudou na Europa. Em junho de 1912, ele fez parte da equipe de escavação original, com Arthur Smith Woodward e Charles Dawson no sítio de Piltdown, após a descoberta dos fragmentos fraudulentos sugerindo e assumindo que participou da fraude (Weiner, 2003 & Russell, 2004). O Professor Marcellin Boule (especialista em estudos de Neandertais), em 1915 reconheceu que as origens não-hominídeas do Piltdown defendidas por Teilhard em direção paleontologia humana. A farsa só caiu completamente em 1953.

Teilhard e seu trabalho continuam a influenciar as artes e a cultura mas sua falsificação marcou negativamente sua reputação. Teilhard estudou teologia em Hastings, em Sussex (Reino Unido), de 1908 a 1912. Lá, ele sintetizou o seu conhecimento científico, filosófico e teológico, à luz da evolução, e se posicionou com o que hoje chamamos de evolucionismo teísta. Sua leitura de “l’Evolution créatrice” (A evolução criativa) de Henri Bergson era, segundo ele, o “catalisador de um incêndio que já consumiu o seu coração e seu espírito”. Teilhard foi ordenado sacerdote em 24 de agosto de 1911, aos 30 anos e falsificou o Piltdown (ou foi o arquiteto atrás da farsa) na tentativa de conciliar sua fé com as crescentes evidências da evolução humana.

Entre 1953-1957 o arqueólogo americano Ralph Solecki descobriu nove esqueletos de Neandertal na caverna Shanidar (Curdistão no norte do Iraque). Em 1975 um estudo dos pés de Neandertal feito pelo antropólogo Erik Trinkaus confirmou que eles caminhavam como os humanos modernos retirando um pouco da visão errada do Neandertal criada com “O velho”. Em 1981 foi encontrado o sítio de Bontnewydd (País de Gales) o local mais norte-ocidental da Eurásia, associado a Neandertais do Paleolítico. No ano de 1987 estudos feitos com termoluminescência de fósseis de Neandertais em Kebara (Israel) ofereceram a data de 60 mil e para seres humanos em Qafzeh em 90 mil anos. Estas datas foram confirmadas por ressonância de spin eletrônico para Qafzeh e em Es Skhul em cerca de 80 mil anos.

Em 1991 estudos com ressonância de spin eletrônico também confirmaram que o Neandertal Tabun foi contemporâneo ao dos seres humanos modernos Skhul e Qafzeh. No ano de 1993 o DNA da criança Sclandia, um Neadertal de Sclayn (Bélgica) foi analisado e ofereceu a data de 127 mil anos. No ano seguinte, um Neandertal foi descoberto dentro da caverna Sidrón no município de Piloña, em Asturias (noroeste da Espanha). Desde então, os restos de pelo menos 12 indivíduos (três homens, três rapazes adolescentes, três mulheres e três crianças) foram encontrados. Em 2009 o antigo DNAmit de Neanderthal foi parcialmente sequenciado (Smithsonian Institution, 2009 & Science Daily, 2007)

Em 1997 o pesquisador Matthias Krings e colaboradores amplificaram o DNAmit de Neandertal utilizando uma amostra da gruta Feldhofer no vale de Neander (Universitat Pompeu Fabra, 2009).

Localização do Vale de Neander na Alemanha.

Localização do Vale de Neander na Alemanha.

Entre 1997 e 2000 novas escavações no vale de Neandertal encontraram fragmentos de ossos adicionais, alguns dos quais se encaixam aos fragmentos encontrados em 1856, apontando assim a localização exata do achado original. O local exato tinha sido previamente desconhecido como o local da descoberta (a gruta de Feldhofer) que foi destruída pela mineração de calcária (Laleuza-Fox et al, 2012). Nos anos de 1998, uma equipe liderada pelo arqueólogo João Zilhão descobriu um sepultamento humano Paleolítico Superior em Portugal, no Abrigo do Lagar Velho, que forneceu evidências dos primeiros humanos modernos a partir do oeste da Península Ibérica. Os restos de um esqueleto em grande parte eram de uma criança de aproximadamente 4 anos de idade, enterrados com escudo perfurado e ocre vermelho, datado em 24.500. O crânio, mandíbula, dentição, e anatomia pós-craniana apresenta um mosaico de características Neandertais e de humanos Europeu modernos (Krings et al, 1997).

Em 2000, o pesquisador Igor Ovchinnikov e seu colegas analisaram o DNAmit recuperado de uma criança de Neandertal de Mezmaiskaya, uma caverna no Cáucaso (Schmitz et al, 2002.).

Em 2005 o Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, lançou um projeto para reconstruir o genoma Neandertal, trabalhando com base em Connecticut 454-Life Sciences. Em 2009, o Instituto Max Planck anunciou o “primeiro esboço” de um genoma Neandertal (Duarte et al, 2009).

Em 2010 a comparação do genoma Neandertal com humanos modernos da África e da Eurásia mostra que entre 1 e 4% do genoma humano moderno não-Africano poderia vir do Neandertal (Ovchinnikov et al, 2000 & BBC News, 2010). Previsão esta que hoje se sabe estar correta.

No mesmo ano, houve uma grande descoberta de ferramentas de Neandertais longe da influência de H. sapiens e que indicam que a espécie pode ter sido capaz de criar e modificar ferramentas por conta própria e, portanto, ser mais inteligente do que se pensava anteriormente. Além disso, foi proposto que os Neandertais poderiam ser mais estreitamente relacionados com o Homo sapiens do que se pensava anteriormente e que pode de fato poderiam ser uma subespécie do mesmo (BBC News, 2009). Previsão que não se suportou e que geneticamente demonstra serem espécies distintas.

Em 2012 foi encontrado carvão vegetal ao lado de seis pinturas de selos em cavernas Nerja, Málaga (Espanha) que foi datada em 2013, entre 42.300 e 43.500 anos de idade. José Luis Sanchidrián na Universidade de Córdoba (Espanha) acredita que as pinturas parecem estar ligadas a Neandertais (Discovery News, 2010).

Pinturas rupestres em Málaga, Espanha, poderia ser a mais antiga já encontrada - ea primeira a ter sido criado por neandertais. Olhando estranhamente semelhante a dupla hélice do DNA, as imagens na verdade retratam os selos que os moradores teriam comido, diz José Luis Sanchidrián na Universidade de Córdoba, Espanha. Eles "não têm paralelo na arte paleolítica", acrescenta. Sua equipe diz que o carvão continua a ser encontrada ao lado de seis das pinturas - preservado em cavernas Nerja da Espanha - foram datadas de entre 43.500 e 42.300 anos de idade.

Pinturas rupestres em Málaga (Espanha) podem ser a mais antiga já encontrada. A primeira a ter sido criado por neandertais.
A imagem retrata o local onde os moradores teriam comido, diz José Luis Sanchidrián na Universidade de Córdoba, Espanha. Eles “não têm paralelo na arte paleolítica”, acrescenta. Sua equipe diz que o carvão continua a ser encontrada ao lado de seis das pinturas datadas de entre 43.500 e 42.300 anos de idade. Fonte: News Scientist

Em 2013 uma mandíbula encontrada na Itália tinha características intermediárias entre os Neandertais e Homo sapiens, sugerindo que poderia ser um híbrido, porém, o DNA mitocondrial era de origem Neandertal (Benazzi et al, 2011).

No mesmo ano, uma equipe internacional de pesquisadores encontrou evidências de que os Neandertais praticavam sepultamentos intencionais de seus mortos (Science Daily, 2016).

No ano de 2014 Pesquisadores da Universidade do Colorado Museu relataram que os Neandertais entraram em extinção não porque eram menos inteligentes do que os seres humanos modernos, mas por uma série de condições (New Scientist, 2012). O professor Thomas Higham, da Universidade de Oxford realizou a datação mais abrangente de ossos e ferramentas já desenvolvidas sobre Neandertais e demonstrou que seu desaparecimento na Europa ocorreu entre 41 39 mil anos atrás, coincidindo com o início de um período de muito frio na Europa cerca de 5 mil anos depois da chegada do Homo sapiens ao continente (Discovery News, 2013 & The Guardian, 2014).

Victor Rossetti

Palavras chave: Netnature, Rossetti, Neandertal, Schaaffenhausen, Gibraltar, Isaac La Peyrère, William Thompson, Darwin, Lyell, Pithecanthropus erectus, Mandíbula de Mauer, Charles Dawson, Pierre Teilhard de Chardin, Piltdown, Shanidar

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Referências

Benazzi, S.; Douka, K.; Fornai, C.; Bauer, C. C.; Kullmer, O.; Svoboda, J. Í.; Pap, I.; Mallegni, F.; Bayle, P.; Coquerelle, M.; Condemi, S.; Ronchitelli, A.; Harvati, K.; Weber, G. W. (2011). “Early dispersal of modern humans in Europe and implications for Neanderthal behaviour”. Nature 479 (7374): 525–528.
Duarte, C; Maurício, J; Pettitt, PB; Souto, P; Trinkaus, E; Van Der Plicht, H; Zilhão, J; et al. (1999). “The early Upper Paleolithic human skeleton from the Abrigo do Lagar Velho (Portugal) and modern human emergence in the Iberian Peninsula”. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS) 96 (13): 7604–7609.
Krings, M; Stone, A; Schmitz, RW; Krainitzki, H; Stoneking, M; Pääbo, S (1997). “Neandertal DNA sequences and the origin of modern humans”. Cell 90 (1): 19–30.
Neves, W. A. Junior, M. J. R. Murrieta, R. S. S. Assim caminhou a Humanidade. Palas Athenas. 2015.
Ovchinnikov, IV; Götherström, A; Romanova, GP; Kharitonov, VM; Lidén, K; Goodwin, W (2000). “Molecular analysis of Neanderthal DNA from the northern Caucasus”. Nature 404 (6777): 490–3.
Weiner, J. S.: “The Piltdown Forgery: 50th Anniversary Edition.” Oxford University Press. Novembro 2003.
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