QUEM ERAM OS NEANDERTAIS? – A EXTINÇÃO.

A extinção do homem de Neandertal não está totalmente esclarecida, persistem várias hipóteses, algumas delas baseando-se no pressuposto de que houve competição com o Homo sapiens, que se mostrou mais apto, tendo em vista a sobrevivência da espécie. Trataremos aqui das hipóteses mais promissoras sobre a extinção dos Neandertais.

Neanderthal. Fonte: Pint

Neandertal. Fonte: Pinterest

Os Neandertais (Homo neanderthalensis) e o Homo sapiens co-existiram. Houve uma convivência de cerca de 10 mil anos entre H. sapiens e Neandertais embora haja controvérsias em relação á datação; é possível que estas espécies tenham tido algum tipo de contato há muito mais tempo. Thomas Higham da Universidade de Oxford aplicou métodos aprimorados de datação em dezenas de sítios Neandertais em toda Europa, especialmente na Espanha e Rússia. Ele descobriu que os dois grupos compartilharam o mesmo continente durante cerca de 2.600 ou 5.400 anos antes dos Neandertais desaparecerem por completo a 39 mil anos, aproximadamente.

Alguns autores consideram que o fato do Neandertal não ter evoluído durante cerca de 200 mil anos em termos de cultura material faz supor uma inteligência prática baixa, apesar de seu cérebro ter sido maior que o do homem moderno (de fato, pouco se sabe quanto à organização fisiológica e neurológica dos Neandertais).

Outra hipótese centra-se na baixa mobilidade das suas populações, atestada pela reduzida área geográfica onde se estabeleceram, bem como pela sua constituição óssea, de secção circular, adaptada ao esforço, mas pouco adequada a uma locomoção ágil, como acontece no caso do Homo sapiens com ossos de secção oval. Esta reduzida mobilidade teria mantido as populações sob certo estado de inércia devido à falta de estímulos proporcionada por um nicho ecológico que garantia as necessidades básicas de sobrevivência, sem grandes alterações climáticas. Alguns autores afirmam que a falta de variedade genética teria decorrido da consanguinidade, devido a um crescente isolamento social e comunitário, talvez como reação a contatos hostis com o homem moderno. (Wong, 2009).

Outros autores acreditam que o tempo de gestação era maior no caso dos Neandertais (talvez 12 meses em contrapartida aos 9, no caso do Homo sapiens), o que explicaria uma maior dificuldade em reproduzir-se. Colin Tudge, propõe que o homem moderno estaria mais adaptado devido a um comportamento prospectivo em relação à gestão dos recursos naturais, que este autor designa como proto-agricultura – isto é, teriam um comportamento re-coletor sustetável que incluiria a caça apoiada na manutenção das populações que caçava e na re-coleção de produtos vegetais como complemento alimentar, para não ficar tão dependente da caça. O homem de Neandertal teria sido, segundo esta hipótese, um caçador puro que teria depredado os seus recursos, o que teria implicado na sua extinção (Wong, 2009)

De acordo com um estudo publicado em 2012 pela revista da PNAS, a extinção teria sido originada mais pela migração do Homo Sapiens do que por efeitos climáticos. Essa teoria se baseia no fato de que foram encontrados restos de Neandertais em cinzas de uma grande erupção vulcânica, ocorrida há 40 mil anos e que cobriu todo continente europeu, evidenciando assim que a população começou a declinar antes da erupção (New York Times, 2016).

Existe outra hipótese, que defende que os Homo sapiens eram cognitivamente superiores aos Neandertais e que desenvolveram técnicas e tecnologia como, roupas e armas de caça a distancia que favoreceram sua sobrevivência uma vez que estavam mais bem preparados a lidar com redes sociais maiores (Wong, 2009).

Outra proposta de extinção é que os Neandertais foram assimilados geneticamente pelo Homo sapiens europeu uma vez que já eram populações reduzidas e intercruzamentos foram sendo “diluídos” na genética da população humana cada vez mais crescente (Wong, 2009).

Na Península Ibérica há fósseis de Neandertais datados em 30 mil anos, data próxima da chegada do H. sapiens na Europa, há cerca de 40 ou 50 mil anos (Cro-Magnon). Os Cro-Magnon eram da espécie Homo sapiens e moravam geralmente em cavernas ou grutas apresentando notáveis progressos culturais com uma produção lítica complexa. Dentre eles estavam utensílios, instrumentos com a apresentação de um acabamento estético e razoável, além do uso de chifres da rena e o marfim. Fabricavam também o arpão, anzol e acabaram inventando a agulha de osso que serviu para costurar suas roupas, feitas de peles de animais. Comiam seus alimentos cozidos, pois foram encontrados em cavernas inúmeros vestígios de fogões rústicos (Neves et al, 2015).

Todos cruzamentos que ocorreram entre Neandertais e nossa espécie foram representados pelo Cro-Magnon há 40 mil anos, ou mais (Neves et al, 2015). Nos últimos 12 mil anos de sua existência, os Neandertais entraram em decadência. Com o crescente aumento da temperatura, muitos animais de seu consumo básico, como a rena e o mamute, desapareceram ou emigraram para o Norte. A escassez de recursos deu origem a grandes conflitos internos. Milhares morreram ou migraram por diversos pontos da Europa e da Ásia, formando os primórdios das comunidades que surgiriam no período seguinte, a Idade da Pedra Polida, designada assim como à Idade dos Metais, dando início sedentarização com o surgimento da agricultura (Neves et al, 2015).

A extinção de Neandertais pode ser representada por vários destes cenários citados acima, uns mais conclusivos que outros.

Uma das hipóteses mais promissoras diz que a extinção dos Neandertais esta ligada a variações climáticas entre 60 e 25 mil anos, o chamado Oxygen Isotope Stage 3 (OSI3). Este, é considerado o período mais instável da última Era Glacial que ocorreu no evento Heinrich 4 (H4) no qual grandes pedaços de gelo (Ice-Bergs) foram liberados no Oceano atlântico impedindo a corrente do golfo de transportar águas mais quentes até a Europa intensificando e tornando mais bruscas as temperaturas gélidas afetando a vida de todos, inclusive dos Neandertais e sua disponibilidade de alimentos, uma vez que sua fonte primária de energia era carne de animais. Após o H4, ocorrido a cerca de 39 mil anos, é possível que tenha deixado uma deterioração ao habitat usual dos Neandertais de tal forma que explica o deslocamento dos grupos até a Península Ibérica (Neves et al, 2015).

variações climáticas entre 60 e 25 mil anos, o chamado Oxygen Isotope Stage 3 (OSI3). Este, é considerado o período mais instável da última Era Glacial que ocorreu no evento Heinrich 4 (H4)

Europa congelada devido as variações climáticas entre 60 e 25 mil anos, o chamado Oxygen Isotope Stage 3 (OSI3). Período considerado mais instável da última Era Glacial que ocorreu no evento Heinrich 4 (H4)

Outra hipótese promissora é da competição proposta por William Banks, na qual defende que humanos e Neandertais competiram por recursos alimentares. Usando um algoritmo denominado GARP (genético para criar nichos ecológicos para espécies a partir de dados locais e camadas geológicas) demonstrou-se que Neandertais ocuparam os mesmos nichos que o Homo sapiens durante o H4.

Após o H4 houve uma período denominado Greenland Interstadial 8 (GI8). Representando um período mais quente onde houve a expansão da população de Homo sapiens em locais onde haviam Neandertais, que ficaram reduzidos a Península Ibérica segundo as evidências arqueológicas (Neves et al, 2015).

Paul Mellars e Jennifer French Universidade de Cambridge (Inglaterra) concluíram que a população humana moderna era 10 vezes maior que a de Neandertais na época em que estes começaram a desaparecer.

O que mais justifica a extinção dos Neandertais é que tinham uma dieta baseada em muita carne e algumas plantas. Em setembro de 2008 o paleoantropólogo Christopher B. Stringer do Museu de historia natural de Londres relatou evidências de que nas proximidades da caverna de Vanguard os Neandertais caçaram golfinhos, focas, pássaros e coletavam mariscos. Este dieta excessivamente carnívora (80%) não era competitiva com a dos homens modernos, que tinham uma dieta que não era baseada unicamente de carne de animais, mas frutas, plantas e frutos do mar de forma mais ampla. Essas evidências vêm da análise de isótopos estáveis nos ossos de Neandertais datados entre 100 e 32 mil anos e somente é possível porque certos tecidos de um organismo são preservados; como o colágeno, que se manteve preservado com sua composição isotópica por milhares de anos. Como seu corpo era robusto isto fazia com que eles tivessem uma alta demanda energética que pode ter tornado a indisponibilidade de carne de grandes mamíferos, devido o surgimento de uma espécie competidora (Neves et al, 2015).

Uma terceira hipótese mais promissora é de que os Neandertais já estavam em declínio quando o homem moderno chegou a Europa. Segundo Love Dalén do Museu Sueco de Historia Natural e outros pesquisadores que analisaram o DNA mitocondrial (DNAmit) de 13 Neandertais com o objetivo de reconstruir sua história demográfica. Os resultados mostraram uma redução de variedade genética nos Neandertais há cerca de 48 mil anos na Europa ocidental, quando comparada com a variabilidade de Neandertais mais antigos, os dados sugerem que os Neandertais foram reduzidos a pequenos grupos em regiões na Europa Ocidental e Central. Eles tentavam re-colonizarar a Europa Ocidental nos 10 mil anos antes de desaparecerem (Wong, 2009).

Somente as condições climáticas da Era do Gelo não explicam a extinção desses hominínios porque anteriormente já haviam sobrevivido a tais mudanças (Wong, 2009).

A hipótese mais aceita hoje é que o Neandertal sobreviveu por 10 ou 15 mil anos após a chegada do Homo sapiens na Europa, o que justifica a proposta de que a substituição deles pela espécie humana foi rápida devido a todo aparato comportamento tecnológico, vantagens evolutivas da espécie humana e a combinação com fatores climáticos H4 que já haviam fragilizado a diversidade e população dos Neandertais (Wong, 2009).

Análises de isótopos no gelo primitivo, de oceanos e pólen recolhidos na Groenlândia, Venezuela e Itália mostram que entre 65 e 29 mil anos as condições moderadas culminaram em calotas de gelo cobrindo grande parte da Europa. O clima se tornou mais instável e mudanças abruptas severas ocorreram acarretando em profundas mudanças ecológicas em que florestas inteiras deram lugar a campinas sem árvores e substituíram a fauna de renas e rinocerontes. A fonte de alimentação de Neandertais foi completamente modificada e, portanto, não foi exatamente o frio que criou uma condição complicada aos Neandertais sem retorno.

Essas mudanças climáticas abruptas exigiram dos Neandertais um novo estilo de vida e alguns se adaptaram as adversidades criando ferramentas mais sofisticadas, outros pereceram e com o passar do tempo ás populações ficaram fragmentadas (Wong, 2009).

Com a chegada do homem a Europa por volta de 50 mil anos (os Cro-magnon) a situação ficou mais complicada, pois a competição ficou injusta para Neandertais. A análise química dos ossos de Neandertais feitas por Hervé Bocherens da Universidade de Tubingen (Alemanha) mostrou que eles eram especialistas em mamíferos (mamutes e rinocenrotes) e os primeiros humanos a plantas e animais. Quando o homem começou a abater animais maiores, e começou a competir diretamente com Neandertais que estavam fragmentados, em minoria contra uma população humana crescente demograficamente e experiente em ferramentas líticas das mais variadas possíveis, o Neandertal foi extinto. O homem moderno surgiu sob condições tropicais na África e quando invadiram a Europa estavam perfeitamente aptos cognitivamente e tecnologicamente a superar as adversidades. Ainda sim, o Neandertal era significativamente inteligente quando comparado com os outros hominínios mais antigos e tinha um elenco comportamental que se assemelhava em vários pontos ao da espécie humana, por isto o limite entre Neandertal e Homo sapiens é difícil de compreender quando se encontra algum achado paleoantropológico (Wong, 2009).

Por exemplo, de acordo com a paleoantropóloga Leslie Aiello da Fundação Wenner-Gren, os Neandertais precisariam de mais calorias do que os homens modernos. Um estudo feito pela especialista em energia de hominídeos Karen Steudel-Numbers indica que o custo energético na locomoção de Neandertais era 32% maior que o do Homo sapiens, devido a sua postura atarracada (especialmente dos ossos da perna) que daria curtos passos. O Neandertal precisaria de 100 a 350 calorias a mais que o homem moderno para realizar a mesma atividade em uma mesma condição climática.

O homem moderno não era só eficiente do ponto de vista tecnológico e cognitivo, mas também na sua eficiência energética. Isto favorece o homem na reprodução com maior frequência e investir na sobrevivência dos filhos (Wong, 2009).

Mesmos que as diferenças culturais tenham sido sutis, de acordo com a paleoantropóloga Katerina Harvati do instituto Max Planck os Neandertais não suportaram tais condições.

Por volta de 30 mil anos atrás a expectativa de vida do Homo sapiens aumento o suficiente para que os adultos se tornassem avós. Com a idade estendida era possível ter mais filhos, e adquirir conhecimento especializado passando para a geração seguinte. Mesmo estas pequenas vantagens teriam se tornado extremamente relevantes evolutivamente a tal ponto de determinar quem sobreviveria e quem pereceria. Desta forma os Neandertais foram superados pelo Homo sapiens dando espaço a somente uma espécie dentre todas as que fazem parte da história da evolução humana que começou a cerca de 7 milhões de anos (Wong, 2009).

Out of Africa - entre 60-50 mil anos. Clique para ampliar

Out of Africa – entre 60-50 mil anos. Fonte: Anthropocene Journal. Clique para ampliar

Um fator que complicou a situação dos Neandertais é que a população humana que surgiu na África era bem maior que a de Neandertais. Quanto maior era a população africana de Homo sapiens maior era a competição e com a expansão da nossa espécie para a Europa competimos diretamente com os Neandertais que eram uma população reduzida devido a condições climáticas. Nossas ferramentas de caça eram mais complexas, modernas e mais eficientes que a de Neandertais. Devido as grandes concentrações humanas tecnológicas foram sendo desenvolvidas (junto á complexidade social ascendente) e compartilhadas levando ao desenvolvimento tecnológico que ajudou a superar os Neandertais

A co-existência entre as duas espécies teria deixado rastros de miscigenação no DNA humanos das populações que saíram da África e chegaram a Europa, em uma média de 1,5% a 2,1% devido a encontras sexuais casuais (Wong, 2009).

Também sabemos que os membros de nossa espécie tiveram relações sexuais com Neandertais muito mais cedo e com maior frequência do que se acreditava anteriormente. Como algumas das primeiras bandas de seres humanos modernos saíram da África, eles se conheceram e cruzaram com os Neandertais cerca de 100 mil anos atrás, talvez no vale do Nilo fértil, ao longo das colinas costeiras do Oriente Médio ou na Península Arábica que outrora foi verdejante. Isso empurra para trás o mais antigo encontro entre os dois grupos por dezenas de milhares de anos e sugere que nossos ancestrais foram moldados de forma significativa por trocar genes com outros hominínios.

Os ancestrais dos humanos modernos morreram, e nossa espécie-irmã também, eles não estão entre os ancestrais dos povos que ainda vivem. Um pouco de seu DNA sobreviveu no osso do dedo do pé de uma mulher Neandertal que viveu mais de 50 mil anos atrás na caverna Denisova nas montanhas de Altai da Sibéria, Rússia. Uma nova análise de seu antigo genoma revelou que este assim chamado o Neandertal de “Altai” herdou o DNA de humanos modernos da África, incluindo um gene que pode ter sido envolvido na linguagem.

Esta é a primeira evidência genética de que os primeiros seres humanos modernos se reuniram com Neandertais e procriaram com eles mais cedo do que pensávamos. Segundo o  autor do estudo, Sergio Castellano, biólogo evolucionista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig (Alemanha), desde o sequenciamento do primeiro genoma do Neandertal, em 2010, já se sabe que os ancestrais dos Neandertais europeus cruzaram com humanos modernos. Ao comparar o genoma do Neandertal com a dos seres humanos modernos, eles encontraram um padrão curioso: Os europeus e asiáticos atuais herdaram cerca de 1% a 3% do seu DNA de Neandertais, que os africanos não têm. Isto sugere que os encontros entre os seres humanos modernos e Neandertais eram raros e aconteceram no Oriente Médio ou da Península Arábica depois que os humanos modernos evadiram da África, mas de se espalharem amplamente. Quando humanos modernos se expandiram por toda a Eurásia, carregaram o DNA Neandertal. Estudos posteriores de DNA antigo de um humano moderno de 45 mil anos na Romênia ajudaram a identificar o momento desse encontro, entre 50 e 65 mil anos atrás.

Um DNA mais antigo, obtido também a partir de um osso da caverna Denisova da Sibéria, complicou o quadro. Sequenciando osso do dedo de uma menina antiga da caverna, os pesquisadores descobriram um novo tipo de humano, os Denisovanos, que estão estreitamente relacionadas com os Neandertais, mas também cruzaram com os ancestrais dos melanésios de hoje.

Este cenário mostra como depois de ancestrais humanos dividir com os ancestrais dos neandertais, os dois grupos se cruzaram, pelo menos, duas vezes por 100.000 anos atrás, logo depois que os humanos modernos surgiram e primeira à esquerda África, e novamente entre 47.000 e 65.000 anos atrás. Fonte: Science Magazine

Este cenário mostra como depois de ancestrais humanos dividiram-se dos ancestrais dos Neandertais. Os dois grupos se cruzaram, pelo menos, duas vezes nos últimos 100 mil anos atrás, logo depois que os humanos modernos surgiram e deixaram a África pela primeira vez e depois novamente entre 47 e 65 mil anos atrás. Fonte: Science Magazine

Com cada genoma antigo, no entanto, surgiram novas surpresas. Uma menina Denisovana também tinha acasalado com os ancestrais dos atuais melanésios e alguns membros do continente asiáticos (que ainda carregam pequenas quantidades de DNA Denisovano) em algum momento depois dos humanos modernos encontrarem Neandertais a 50-65 mil anos atrás.

Assim, os seres humanos modernos haviam cruzado, pelo menos, duas vezes com Neandertais arcaicos e, posteriormente, Denisovanos após deixar a África. Além disto, a menina Denisovana parecia também carregar um pouco de DNA antigo de um hominídeo ainda mais arcaico, geneticamente próximo dos Homo erectus, um ancestral direto do homem, que viveu entre 1,8 milhões até cerca de 200 mil anos atrás. Seus antepassados tinham herdado esse DNA arcaico a aproximadamente 400 mil anos, mas o Neandertal de Altai não o contém.

Este cenário mostra como humanos, depois de dividir ancestrais com os ancestrais dos Neandertais, também se cruzaram com dois grupos, pelo menos duas vezes: a cerca de 100 mil anos atrás logo após os seres humanos modernos surgirem na África; e novamente entre 65 e 47 mil anos atrás.

Em seu novo estudo, publicado na revista Nature, Castellano e uma equipe internacional de pesquisadores ajustaram os pedaços de DNA de homem moderno com os genomas do Neandertal de Altai e o Denisovano. Comparando-o com os segmentos-chave dos genomas de 504 africanos, eles descobriram que o Neandertal de Altai tinha herdado o DNA de humanos modernos que viveram em toda a África e que este “DNA Africano” foi herdado cerca de 100 mil anos atrás. Por outro lado, a menina Denisovana e outros dois Neandertais da Europa (Croácia e Espanha) não tinham herdado ainda o DNA Africano.

Usando modelagem para explicar os padrões de distribuição de DNA, os pesquisadores apresentaram o seguinte cenário: após os primeiros seres humanos modernos surgirem na África há cerca de 200 mil anos atrás, alguns eventualmente deixaram o continente e se misturaram com os Neandertais no Oriente Médio ou da Península Arábica, onde os fósseis e ferramentas de pedra de ambos os grupos datam de cerca de 125-120 mil anos. Este grupo de humanos modernos foi extinto, mas seu DNA persistiu em Neandertais que se dirigiram a leste para eventualmente se estabelecer na Sibéria. Enquanto isso, outro grupo de humanos modernos deixou a África muito mais tarde, a 50-60 mil anos atrás (Cro-Magnon), e cruzou com os Neandertais que tinham se dirigido para o sul da Europa e o Oriente Médio. Nesta migração posterior, os Neandertais cruzaram com os ancestrais dos europeus e asiáticos que vivem até hoje, que depois se espalhou por toda a Eurásia. Alguns desses grupos de humanos modernos também encontraram os Denisovanos, pegando seu DNA que persiste hoje em melanésios e alguns asiáticos.

Tudo isso sugere que os humanos modernos se misturaram com hominínios arcaicos pelo menos três vezes depois que eles migraram para fora da África. Mas isso é apenas uma fração do entrelaçamento que deve ter ocorrido. Neandertais também cruzaram com Denisovanos.

O estudo confirma que os próprios Denisovanos, de fato, cruzaram com um hominídeo “super arcaico”, possivelmente o H. erectus. Há também sugestões de que Denisovanos cruzaram com humanos modernos na Ásia mais de uma vez, com base em padrões diferentes na distribuição do DNA Denisovano em alguns chineses e melanésios. E poderíamos pensar que a mistura ocorreu várias vezes por um longo tempo.

Os baixos níveis de DNA trocados por esses encontros sugerem que ele ocorreu apenas algumas vezes. Mas foi o suficiente para passar genes que podem ter criado diferenças entre a sobrevivência e a extinção para os seres humanos modernos, incluindo os europeus que ainda possuem genes de Neandertais e que estão moldando a sua saúde. O Neandertal Altai também tem DNA humano moderno, que pode estar envolvido na linguagem, o sistema imunológico e a produção de esperma. Todos estes achados se encaixam na teoria de que a miscigenação era uma fonte importante e rápida da diversidade genética que poderia ter sido crucial para se adaptar a um novo terreno como os seres humanos modernos, distribuídos em terras estrangeiras (Science Magazine, 2016).

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Extinção, Calorias, Ferramentas, Tecnologia, Inter-cruzamento, Greenland Interstadial, Oxygen Isotope Stage 3, Heinrich 4.

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Referências

Neves, W. A. Junior, M. J. R. Murrieta, R. S. S. Assim caminhou a Humanidade. Palas Athenas. 2015
Wong, K. O crepúsculo do Homem de Neandertal. Scientific American. 2009. Ano 8. N-88.
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