A FARSA DO CRIACIONISMO NO CAMPO DA ASTRONOMIA E DA COSMOLOGIA.

O texto destacado abaixo foi extraído da “literatura” criacionista – apresenta uma série de inconsistências e é muito utilizado pelos proponentes para desmerecer estudos acerca da idade do universo. Aqui, o físico Elyson Scafati destaca os erros apresentados.

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Texto publicado no site do “Answers in Genesis”. Não disponibilizamos o link porque não compactuamos com divulgação de pseudociência. Desta forma, fica a critério dos leitores procurar e ler o texto na integra.

O texto criacionista trata de assuntos falaciosos ligados as constantes do universo, a gravidade, relatividade e resfriamento do Universo. De fato, o texto tenta de forma infeliz e mal articulada dizer que as pressuposições científicas sobre as condições iniciais, a constância de certas proporções são erradas. Argumenta que houve contaminação do sistema e da física por uma cosmovisão errada pode também ser a causa de pressuposições incorretas. O texto parte de argumentações ligadas a velocidade da luz e sobre sua constância durante toda a existência do Universo.

O que questionamos aqui é: se tais explicações são coerentes e que base o autor usaria para questionar as técnicas astronômicas e cosmológicas? Quais evidências apoiam o modelo criacionista de um universo e de uma Terra jovem?

Até o presente momento, não há essas respostas

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As constantes do universo

A velocidade da luz ou velocidade de onda eletromagnética depende da permeabilidade do vácuo ou constante magnética do vácuo. Esta constante deriva da produção de um campo magnético por uma corrente elétrica ou pelo movimento de uma carga elétrica que produzem um campo magnético no vácuo.

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Da permitividade do vácuo ou constante elétrica do vácuo. É a capacidade do vácuo permitir a formação de linhas de campos elétricos. Mede a resistência elétrica do vácuo. Esta constante física descreve como um campo elétrico afeta e é afetado por um meio.

Se esses dois valores se apresentam como constantes para o vácuo, a luz (luz é tudo que existe no espectro eletromagnético) só pode possuir uma velocidade constante.

No entanto, cogita-se sobre a inconstância das constantes do universo. A assertiva é real, à medida que o universo se expande.

constante de estrutura fina

Constante de estrutura fina

Porém, a única fase do universo em que essa variação foi abrupta ocorreu durante o período da inflação cósmica, que se deu entre 10^ -34 e 10 ^ -35 segundos do universo.

O que se notou é uma mudança na constante de estrutura fina, que caracteriza a magnitude da interação eletromagnética entre as partículas fundamentais carregada.

Esta constante depende: da carga do elétron; da constante de Planck que descreve o tamanho dos quanta (quantidade elementar, indivisível, de energia eletromagnética referente à luz e à matéria, ou seja, refere-se ao fóton) = 6,6* 10 ^27 erg.s. Se rearranjarmos a fórmula da constante de estrutura fina obteremos a equação:

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Nosso problema de inconstância das constantes pode estar em nessas quatro constantes (carga do elétron, constante de Planck, permitividade e permeabilidade do vácuo).

Estas constantes se associam às propriedades da matéria. Elas dão forma a tudo que conhecemos como matéria visível do universo. Caso sua variação fosse abrupta nada do que vemos existiria. Podem variar no tempo e no espaço. Caso as dimensões adicionais do espaço mudem de tamanho, as constantes em nosso mundo tridimensional mudariam com essas dimensões, previstas em número de 11, pela teoria M. O que vemos, portanto, é apenas uma “sombra” em 3 dimensões de como essas constantes se comportam.

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Mas isso não ocorreria em valores discrepantes, uma vez que essas constantes foram definidas quando do surgimento do universo, aparentemente de forma arbitrária.

À medida que o universo evolui, suas propriedades se alteram e com ele seus valores definidos como constantes, mas de forma muito tênue, quase que imperceptível. Se o universo mudasse de forma abrupta suas propriedades, ele colapsaria e se não mudasse, não existiria como universo.

Mesmo próximo de onde existem grandes distorções do espaço-tempo (perto de estrelas e buracos negros), essas constantes podem variar, mas muito pouco.

O que os estudos demonstram é que a constante de estrutura fina parece variar muito pouco em diferentes direções do universo, bilhões de anos atrás, sendo ligeiramente menor no hemisfério norte e ligeiramente maior no hemisfério sul.

Uma possível implicação intrigante é que a constante de estrutura fina continuamente varia no espaço, e parece ajustá-lo para que possibilite a vida no universo.

Se a constante de estrutura fina fosse menor, a densidade da matéria atômica sólida diminuiria. As ligações moleculares seriam quebradas a temperaturas menores. O número de elementos estáveis na tabela periódica poderia aumentar.

Se a constante de estrutura fina fosse grande demais, os núcleos atômicos pequenos não poderiam existir. A repulsão elétrica entre os prótons superaria a força nuclear forte, que os mantém unidos.

Os elementos químicos como carbono, ferro, cálcio, nitrogênio, oxigênio, iodo, sódio, potássio se desintegrariam e a vida não poderia ocorrer. Isso é visível na constante de Avogadro que depende:

Da massa relativa atômica do elétron;

Da massa molar constante, que relaciona a massa atômica relativa (relaciona a massa de um elemento químico com 1/12 da massa do carbono-12, sendo mais conhecida por peso atômico) com a massa molar (massa de uma substância dividida pela quantidade da substância);

Da massa de repouso do elétron;

Da constante de Rydberg para átomos mais pesados que do hidrogênio. Ela se relaciona ao espectro atômico. Esta constante representa o valor limite do maior valor atribuído ao número de onda (inverso do comprimento de onda) de um fóton que pode ser emitido a partir do átomo de hidrogênio, ou alternativamente, como sendo o número de onda do fóton de mais baixa energia capaz de ionizar o átomo de hidrogênio, a partir de seu estado fundamental.

Quando falamos de temperatura dos corpos, falamos sobre energia das partículas, o que nos leva à constante de Boltzmann que depende da constante dos gases e da constante de Avogadro.

A constante de Boltzmann define a entropia da matéria, que faz uma ponte entre o microscópico (entropia estatística – mecânica estatística) e o macroscópico (entropia de Clausius – termodinâmica clássica), o que nos leva a um análogo para a entropia de Shannon.

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célula de um cristal

Quando examinamos a densidade da matéria temos pela difração de raios X a obtemos a medida do volume da célula de um cristal, que depende: Do volume molar que é o volume ocupado por 1 mol da substância a dada temperatura e pressão;  Da massa molar; Da densidade do composto; Do volume atômico que depende do volume da célula; Do  número de átomos dentro da célula, ou seja, para a densidade da matéria a constante de estrutura fina se relaciona tanto à temperatura dos corpos como com a densidade da matéria. Ela determina como as ligações químicas se mantêm e quanto é necessário aquecer um corpo para sua mudança de estado.

Quando falamos do átomo, o inverso da constante de estrutura fina é dado pelo número 137.036 que é máximo número de elementos químicos que podem existir, sendo definido pelo Coeficiente estrutural da linha de Lecher.

A linha de Lecher permite facilmente verificar a existência de ondas estacionárias de corrente e tensão em uma linha de transmissão, assim como permite verificar a posição relativa dos nós e ventres de tensão e corrente em função da carga ligada ao final da linha (curto-circuito, circuito aberto, carga, etc..) e ainda permite (entre outras coisas) medir o comprimento da onda usando uma régua comum e conseqüentemente calcular a sua freqüência.

A linha de Lecher simplesmente é um trecho de linha de transmissão bifilar, que pode ser feita com dois fios paralelos, ou duas barras condutoras paralelas. Seu coeficiente depende do raio e da distância entre os condutores (como na figura abaixo)

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Com isso, o inverso da constante de estrutura fina influencia na existência dos elementos da tabela periódica, influencia a estabilidade de isótopos e as regras de decaimento radioativo.

A força forte é a força de interação exercida entre os quarks dentro de prótons e nêutrons do núcleo atômico, bem como de outros hádrons. Os hádrons são partículas compostas, formadas por um estado ligado de quarks, que se classificam por sua composição e spin. Dividem-se em: Bárions: são compostos por três quarks e possuem spin semi-inteiro (ex. próton e nêutron). Mésons: são compostos por um quark e um antiquark (ex. píon, káon).

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Férmions: são partículas elementares ou não com spin semi-inteiro (próton, quark, elétron).

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Bósons: são partículas elementares ou não que possuem spin inteiro (mésons, fóton, bósons Z e W, glúon).

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Quarks são partículas elementares que representa um dos constituintes básicos da matéria. Dividem-se em: top, bottom, up, down, charm e strange.

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Leptons: são partículas subatômicas que não interagem fortemente. Comportam-se como férmions (ex. elétron, neutrinos, múon e tau).

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A figura que representa os bósons, hádrons e férmions é a seguinte:

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No nível dos hádrons, a interação forte é considerada no modelo padrão das partículas elementares como uma interação residual dos quarks.

Assume-se que os glúons sejam os carreadores da interação forte que geram mésons virtuais no espaço entre os hádrons.

No modelo das interações de Yukawa a força nuclear entre os núcleons é explicada como o resultado do intercâmbio entre píons virtuais e depende: da carga efetiva da interação do píon-núcleon pseudoescalar e da massa do píon. Em seu adimensional a constante de estrutura fina se faz presente.

A interação da força fraca depende da  carga efetiva da interação fraca; da massa das partículas virtuais consideradas carreadores da interação fraca (bósons W e Z); da distância da interação e da constante de Fermi, que explica o decaimento beta.

A interação entre os próton/nêutron e o elétron/antineutrino é mediada pela partícula virtual denominada bóson W-.

No adimensional para a força fraca a constante de estrutura fina se faz presente.

Então, se o universo muda suas propriedades, certamente que a permissividade e a permitividade do vácuo modificarão. Alterar-se-ão a velocidade da luz e a constante de estrutura fina, o que levará a alterações nas forças elementares da natureza (interação eletromagnética, interação forte e interação fraca).

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A misteriosa gravidade:

A gravidade é um caso aparte. É dada pela constante G que aparece nos cálculos de Newton para a interação entre dois corpos no espaço. Quando falamos de prótons devemos considerar a energia potencial gravitacional entre dois deles, que depende: da massa do próton e da distância entre os prótons.

Em seu adimensional também temos presente a constante de estrutura fina.

O que rege a estrutura do espaço tempo é a constante cosmológica que aparece na equação de campo de Einstein onde Sem títuloR = tensor de curvatura de Ricci, que representa a quantidade pela qual o volume de uma geodésica sobre uma variedade de Riemann desviada de uma esfera padrão no espaço euclidiano.

A variedade de Riemann é uma variedade suave que varia suavemente de ponto a ponto em campos vetoriais.

A família de produtos internos gp se denomina tensor métrico de Riemann, que possibilita definir diversas noções geométricas sobre a variedade de Riemann.

g = tensor métrico, que é uma generalização do potencial gravitacional dado pela gravitação de Newton. Esta métrica captura a estrutura geométrica e causal do espaço tempo, sendo usada para definir noções como tempo, distância, volume, curvatura , anglo e para separar o futuro do passado.

T = pertence à matéria e à energia, afetando sua estrutura. Descreve a densidade e o fluxo de energia e o momento no espaço-tempo, generalizando o tensor de forças da física newtoniana. É um atributo da matéria, da radiação e de campos de força não gravitacional.

Λ= constante cosmológica que é o valor da densidade de energia de vácuo do espaço. Se esta constante fosse maior do que ela é, o universo colapsaria e não haveria vida. Se fosse menor, o universo se expandiria tão rápido que sequer se formariam as galáxias e assim a vida.

Então, o fator determinante da expansão do universo e da alteração de suas propriedades é a constante cosmológica. É ela quem altera a estrutura do espaço-tempo no universo e assim determina a variação das constantes universais.

Porém, isso se dá de forma muito lenta, embora a expansão do universo esteja se acelerando.

Um dia chegará o momento em que o universo se desagregará por completo e a estrutura do espaço-tempo modificará por completo suas propriedades e assim suas constantes se tornarão altamente variáveis, alterando toda a estrutura da matéria.

No mais o que vemos hoje em termos de idade para o universo é confiável, pois mesmo que as constantes que definem a velocidade da luz variem, essa variação é muito pequena.

Daí pode-se terem mente que podemos confiar com segurança nos dados de idade e distância dos corpos celestes no universo, medidos aqui da Terra.

Os modelos criacionistas são falhos, pois transformam particularidades em generalidades.

Posto isso, podemos assumir como constante a velocidade da luz e ela não se trata de uma pré-suposição. É mensurável conforme a experiência de Michelson-Morley.

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A relatividade

Quanto ao tempo, ele é relativístico, com base na constância da velocidade da luz. Vejamos os dois pontos da teoria da relatividade:  a teoria da relatividade especial e a teoria da relatividade geral.

Na teoria da relatividade especial ou restrita, o tempo dilata apenas para o sujeito que viaja à proximidade da velocidade da luz. Ex. se para o camarada na nave passou 1 minutos, para mim passaram 7 minutos.

Ex.: eu sou o observador externo e estou no referencial Terra, sendo que para mim o tempo que eu vejo a nave é o tempo do meu referencial e não o do outro. Esta parte da teoria da relatividade lida com referenciais inerciais.

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O referencial inercial é aquele em que não atua qualquer força sobre uma partícula ou o somatório das forças atuantes é nulo. A partícula se manterá estacionária ou com velocidade constante em módulo, direção e sentido.

Na Teoria da relatividade geral, existe a influência de um campo gravitacional. Ou seja, não temos mais um referencial inercial. Há  forças atuando e sua resultante não é nula.

Caso o espaço-tempo seja distorcido por um grande corpo celeste, o tempo, sob a presença de um forte campo gravitacional, se apresentará retardado.

O relógio na Terra move-se de forma mais retardada que aquele no satélite. Se considerarmos os dois efeitos, a relatividade restrita compensa a geral no nosso satélite, pois ele circula nossa órbita com uma baita velocidade.

A relatividade geral tem seu efeito notado na proximidade de corpos massivos, como buracos negros e não para corpos como a Terra ou o Sol onde os efeitos são ínfimos.

Também vale o tempo do referencial do observador. Se eu estou na Terra e passaram 10 minutos para mim, para uma nave próxima ao referencial buraco negro passou 1 minuto.

A medição da duração do tempo varia com a velocidade e com o potencial gravitacional associados ao referencial de um relógio – não havendo, na realidade, uma dilatação do tempo real.

Logo, para os dois casos vale o tempo do referencial em que o observador se encontra.

Se virmos a luz das estrelas chegar até aqui, a veremos de nosso referencial. Se a virmos do referencial buraco negro, ou do referencial nave, faremos exatamente a mesma medição temporal, porém se comparadas serão distintas.

 Não interessa nosso referencial, o que não está nele irá se mover com o mesmo tempo relativo, para qualquer observador (1 segundo para mim no buraco negro será relativamente igual a 1 segundo na nave). Logo, essa história de cavidade gravitacional alterar o tempo de chegada da luz não passa de um equívoco.

Em seus primórdios o universo foi mais compacto e é por essa razão que vemos coisas a 13, 7 bi de anos daqui. Não importa se os corpos se afastam ou se aproximam um do outro. A velocidade relativa entre eles sempre terá o limite dado por “c”.

A expansão do Universo não atingiu um nível que supera a velocidade da luz. Quando isso ocorrer, não mais veremos os objetos mais distantes daqui.

As medidas de distância no universo são calculadas pela técnica da paralaxe, sendo que a velocidade da luz serve apenas para fornecer o tempo em que essa luz foi emitida.

E não muda nada. Para mim aqui na terra, para o sujeito no buraco negro e para o sujeito na nave espacial, o universo terá 13,7 bi de anos.

Sobre a inflação do universo seus modelos atuais se baseiam em modelos de supercordas ou supergravidade, a fim de resolver o problema da planaridade (densidade crítica) e do horizonte (homogeneidade do universo), sendo que prevê que perturbações de densidade surgidas como flutuações quânticas sejam a origem da estrutura em larga escala do Universo (anisotropia – expansões do universo em diferentes proporções em direções distintas).

Temos assim evidências indiretas de que a inflação tenha ocorrido nos primórdios do universo. Quanto ao tempo medido entre um e outro observador, ele é relativamente o mesmo, seja na nave, no buraco negro, na Terra ou em qualquer outro ponto do universo, devido ao fato de que, a luz ao se aproximar de um campo gravitacional, é defletida (seu vetor muda a velocidade – um vetor exprime módulo, direção e sentido).

Ao ser alterado um desses parâmetros, a velocidade muda. Mas no caso da luz, o módulo do vetor, no vácuo será sempre c.

Quando a luz se aproxima do campo gravitacional, o comprimento da onda aumenta com a dilatação do tempo. Portanto, sua frequência será reduzida, uma vez que frequência é o inverso do tempo. Logo, se multiplicamos o comprimento da onda pela frequência obteremos advinha o que?

Exatamente!!! O “c” como limite da velocidade da luz no vácuo! Ao obtermos c como limite para a velocidade da luz no vácuo, nosso tempo relativo onde quer que seja, será sempre RELATIVAMENTE o mesmo. Medida a distância pelo método da paralaxe e com a velocidade da luz constante no vácuo, teremos o tempo em que esta luz demorou para chegar até aqui na Terra.

Se medirmos 1 segundo na nave, mediremos 1 segundo no buraco negro e 1 segundo aqui na Terra. Embora relativamente distintos, a ideia deste segundo será a mesma para os todos os observadores, cada qual em seu referencial. Portanto, a ideia de tempo diferente em “cavidades gravitacionais” é um erro. As idades do universo, medidas pela distância da luz, serão exatamente as mesmas, onde quer que o observador se encontre.

Mas, por que ΔE = Δm*c ^2?

O que ocorre é que á medida que se aumenta a velocidade de um corpo, a energia se converte em massa pela equação de Einstein. Todo corpo tem uma massa de repouso e, portanto, uma energia de repouso.

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Se aceleramos o corpo mais e mais sua massa aumenta com a velocidade, sendo ela e seu  comprimento se reduz.

A velocidade, à medida que aumenta, cria uma singularidade (uma massa que tende ao infinito e um tamanho que tende a zero), o que distorce o espaço-tempo, criando uma gravidade intensa e, assim, dilatando o tempo nas proximidades do corpo.

Quando se deduz matematicamente a equação de Einstein, a quantidade de momento relativística é diferente da clássica pelo fator de Lorentz.

Ao se calcular a energia relacionada á quantidade de movimento, surge um termo devido à energia cinética clássica e outro termo que independe da velocidade dado por E = m*c^2, que é a energia de repouso da partícula, que só é dependente da massa.

E, a variação data por ΔE = Δm*c^2 é justamente a variação da massa causada pela velocidade da partícula sobre a massa de repouso, subtraída dessa massa de repouso.

Quanto ao que faz essa interação entre massa e gravidade, poderia ser uma partícula ainda hipotética de nome gráviton (prevista, mas ainda não encontrada).

O que confere massa á matéria é o bóson de Higgs, sendo essa massa nada mais que a interação da partícula com o campo de Higgs. Quanto mais a partícula interage, maior será essa massa.

Vamos a um insight (não sei se isso é real)

Ao aumentar essa massa, em torno da partícula, os grávitons passam a interagir mais intensamente com a estrutura do espaço-tempo, a encurvando para dentro da partícula. É o que se chama de gravidade.

Quanto mais concentrada estiver essa massa (maior interação para o campo de Higgs), maior será a interação gravitacional. Isso vemos em um buraco negro.

Então é possível que exista uma relação entre massa (campo de Higgs) e ação gravitacional. Logo, mais massa concentrada, maior a dilatação do tempo, vista por um observador fora do referencial partícula.

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O resfriamento do universo:

A temperatura do universo foi medida pelo grupo de pesquisa liderado por Raghuntan Sriandi do Inter University Centre for Astronomy and Astrophysics na India. Os pesquisadores mediram a temperatura do universo numa época remota, por maio da radiação cósmica de fundo, que seria o rastro do início para a expansão do universo.

Essa radiação foi descoberta por volta dos anos 1960, por Gamow, Penzias e Wilson e é a maior evidência de que o Big Bang realmente ocorreu e que seu processo de expansão jamais será contido.

Em 1965, Arno Penzias e Robert Wilson conduziam uma calibração cuidadosa de seu rádio-telescópio no laboratório Bell, em Whippany, New Jersey.

Eles encontraram que o seu receptor reproduzia um padrão de “ruído” como se eles estivessem no interior de um recipiente  cuja temperatura fosse de 3K. Era como se o receptor estivesse em equilíbrio com um corpo negro a  3 K. Este “ruído” parecia estar vindo de todas as direções do espaço.

O que é a radiação de corpo negro?

Se um objeto for colocado em um recipiente cujas paredes estiverem a temperatura uniforme, esperamos que o objeto busque o equilíbrio térmico com as paredes do recipiente.

 Então, o objeto passará a emitir uma radiação parecida com a das paredes do recipiente.

Tal objeto absorverá e irradiará a mesma quantidade de energia. Mas, uma superfície perfeitamente negra absorve toda a radiação incidente sobre ela e deve irradiar da mesma forma, se estiver em equilíbrio térmico. A radiação térmica em equilíbrio é então chamada de radiação do corpo negro.

A primeira relação entre temperatura e energia de radiação foi deduzida por  J. Stefan em 1884 e explicada teoricamente por Boltzmann na mesma época. Esta relação depende da quarta potência da temperatura absoluta (em K) e da constante de Stefan-Boltzmann.

Muito antes, previsões teóricas de  George Gamow e de outros astrofísicos demonstravam a existência de uma radiação cósmica de fundo de 3 K.

 A descoberta de  Penzias e  Wilson foi uma confirmação experimental da radiação isotrópica do Universo, que é uma relíquia do início do Universo.

A enorme energia térmica liberada desde o surgimento do universo começou a esfriar à medida que o universo expandiu.

Atualmente, 13,7 bilhões de anos após o surgimento do universo, este irradia como um corpo negro resfriado a uma temperatura de  3 K.

Um corpo a  3 K emite a maior parte de sua energia na região de comprimentos de onda de microondas.

 As moléculas atmosfera da Terra absorvem esta radiação de modo que, a partir do solo, os astrônomos só podem fazer observações na região do infra-vermelho.

Em 1989 o satélite “Cosmic Background Explorer” (COBE), foi lançado para medir a radiação infra-vermelha e de microondas do universo primordial. O espectro da radiação cósmica de fundo em micro-ondas é dado conforme a Figura:

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Um dos instrumentos do COBE, o “Far Infrared Absolute Spectrophotometer” (FIRAS) comparou o espectro da radiação cósmica de fundo de microondas com a de um corpo negro perfeito.

O espectro da  radiação cósmica de fundo foi medido com uma precisão de  0.03%, o que o faz se ajustar perfeitamente a radiação emitida por um corpo negro de temperatura de  2,726 K.

Embora existam bilhões de estrelas no universo, estas medidas precisas do COBE mostram que  99.97% da energia radiante do Universo foi liberada durante o primeiro ano após o surgimento do universo, sendo que agora essa energia não passa de radiação térmica  a 3 K.

A medida da temperatura dessa radiação é hoje de 2,7K. Para as medidas anteriores ao experimento, não conseguiram estabelecer a devida precisão.

O experimento indiano estabeleceu temperaturas mínimas e máximas e demonstrou que a teoria do Big Bang está correta.

Pelo observatório ESO no Chile, pode-se verificar uma nebulosa em alinhamento direto com um quasar. A radiação do quasar incidiu sobre a nebulosa o que excitou seus átomos e, a partir dessa excitação, pode-se calcular a temperatura da radiação incidente.

A radiação do quasar foi emitida há mais ou menos 9 bilhões de anos, sendo que sua luz chegou agora na Terra. Os resultados mostraram que a temperatura do universo, àquela época, estava entre 6 e 14 K. Pela teoria do Big Bang a temperatura calculada foi de 9,1K.

A temperatura do universo está caindo conforme o universo se expande. Ou seja, à medida que a entropia posicional do universo aumenta, a entropia térmica diminui.

Isto quer dizer que á medida que a densidade do universo se reduz, sua temperatura também se reduz, pois a energia de suas partículas também se reduz.

A ideia, portanto, de que havia um ponto quente e um frio no universo que trocaram temperaturas está errada. O universo esfria de modo uniforme com sua expansão.

 De acordo com a teoria do Big Bang, o universo inicial era composto de um plasma quente de fótons, elétrons e bárions (partículas formadas por três quarks – e.g. prótons e nêutrons).

Os fótons interagiam constantemente com o plasma pelo Efeito Compton  que é a diminuição de energia (aumento de comprimento de onda) de um fóton, tipicamente na faixa de raio-X ou de raio gama, devido à interação com a matéria sendo o mais importante sua interação com elétrons livres.

Nos primórdios do universo, à medida que ele se expandia, o desvio para o vermelho cosmológico fazia com que o plasma esfriasse até que fosse possível os elétrons combinarem-se com os núcleos atômicos de hidrogênio e hélio para formarem átomos.

Por volta da temperatura 3000 K é que os núcleos começaram a se formar. A idade do universo era de aproximadamente 380 000 anos de idade. Nesse momento, os fótons começaram a viajar livremente pelo espaço que se denomina processo de “recombinação”.

Os fótons continuaram a esfriar até temperatura de 2,7 K, observada hoje. Essa temperatura continuará a diminuir enquanto o universo continuar a se expandir.

A radiação cósmica de fundo do espaço que se mede hoje é oriunda de uma superfície esférica, chamada superfície de última difusão, que representa a coleção de pontos no espaço (cerca de 46 bilhões de anos-luz da Terra, ou universo observável) na qual ocorreu o processo de recombinação descrito acima, há cerca 13,7 bilhões de anos. Hoje esses fótons chegam aqui na Terra.

A teoria do Big Bang sugere que a radiação cósmica de fundo preenche todo o espaço observável, e que a maior parte da energia do universo está na radiação cósmica de fundo em micro-ondas, que constitui uma fração de aproximadamente 5×10−5 da densidade total do universo.

Porém, no universo há ilhas de calor, porque são locais onde se formaram estrelas e galáxias, devido a pequenas concentrações de matéria escura como se fosse uma teia gigante. Mas se medirmos a média da temperatura do universo, ela será de 2,7K.

CONCLUSÃO:

Acerca do texto base para estes comentários, o que se pode dizer é que se apresenta equivocado quanto ao que se conhece de física hoje em dia. Apresenta questionamentos e afirmações sem o menor sentido, na tentativa de desmerecer a ciência e a metodologia científica de modo a validar um universo jovem e assim a ideologia criacionista. Sem dizer ainda que o texto não traz qualquer base científica para suas especulações.

Elyson Scafati graduado em física e engenharia. 

Palavras chave: NetNature, Elyson, Astronomia, Física, Cosmologia, Relatividade, Quântica, Refutação, Criacionismo.

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