ISAAC NEWTON USOU ESSA RECEITA EM SUA CAÇADA A PEDRA FILOSOFAL. (Comentado)

O documento publicado recentemente foi mantido em uma coleção particular por muitos anos.

Uma receita para um ingrediente para fazer uma pedra filosofal manuscrita por Isaac Newton. (Chemical Heritage Foundation)

Uma receita para um ingrediente para fazer uma pedra filosofal manuscrita por Isaac Newton. (Chemical Heritage Foundation)

Isaac Newton é muitas vezes considerado um dos fundadores da ciência moderna. Ele não só ajudou a desenvolver a teoria da gravidade, mas ele inventou o cálculo e descobriu as três leis do movimento que os estudantes de física aprendem ainda hoje. Mas, enquanto Newton era um dos cientistas mais influentes do século 17, ele também era um alquimista praticante que desejava encontrar um método para transformar chumbo em ouro. Agora, os historiadores têm redescoberto um manuscrito escrito à mão por Newton que detalha uma receita para fazer um dos elementos críticos necessário para criar o Santo Graal da alquimia: a Pedra Filosofal.

As raízes da alquimia são profundamente ligadas ao misticismo medieval. Enquanto ela é agora considerada uma pseudociência, foi uma espécie de precursor da química moderna como praticantes acreditava que poderia magicamente transformar materiais com as receitas certas. Durante o século 17, a alquimia foi considerada um campo perfeitamente razoável de estudo e Newton foi tão interessado nela quanto era em física e matemática, Segundo Sarah Laskow em um artigo para a Atlas Obscura.

“Os alquimistas foram os primeiros a perceber que compostos poderiam ser divididos em suas partes constituintes e, em seguida recombinados. Newton então aplicou isto na luz branca, que ele desconstruía em cores constituintes e depois recombinava”, diz o historiador da ciência William Newman disse a Michael Greshko na National Geographic. “Isso é algo que Newton obteve da alquimia”.

O documento recém-descoberto foi mantido em uma coleção particular por muitos anos, mas foi recentemente adquirido pela Chemical Heritage Foundation. Intitulado de “Preparation of Mercury for the Stone“, o manuscrito parece ser uma cópia feita a mão de uma receita para fazer um ingrediente-chave da Pedra Filosofal originalmente criada pelo alquimista George Starkey, segundo o que declara Elahe Izadi ao Washington. Este “mercúrio filosófico”, como era conhecido, supostamente poderia quebrar metais em seus componentes básicos antes da Pedra, transmutado-os em ouro. A parte traseira do manuscrito também contém notas escritas por Newton que detalham outros processos alquímicos.

“[Elas] podem muito bem ser notas de laboratório de um processo que Newton tinha tentado ou estava pensando em tentar fazer”, disse James Voelkel, curador livros raros na Othmer Library of Chemical History, e diz James Rogers para a Fox News. “Como muitos de nós, quando Newton necessitou de um lugar para anotar alguma coisa, ele às vezes simplesmente virava um manuscrito e escrevia na parte branca da página de trás.”

Durante séculos, os cientistas e historiadores tentaram minimizar interesses alquímicos de Newton, como o campo foi desacreditado logo após sua morte em 1727. Mas nos últimos anos, os historiadores da ciência começaram a examinar estes documentos para ter seus insights sobre a mente analítica de Newton. Diferentemente da maioria dos outros alquimistas, que tentaram esconder seus métodos dos ignorantes e “indignos”, Newton diligentemente documentou suas técnicas de laboratório, diz Izadi.

“Newton é um alquimista interessante porque ele é sistemático sobre isso”, diz Voelkel Izadi. “Ele faria referência de volta a cada autor alquímico individual, em que páginas eles usavam este termo, e tentou fazer uma análise orientada por dados.”

Fonte: Smithsonian Magazine

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Comentários internos

Devemos lembrar que a alquimia é uma prática antiga, que combinava elementos da química, astrologia, misticismo, filosofia e matemática. Hoje, ela é considerada uma pseudociência exatamente pelo conteúdo místico que carregava não se enquadrar dentro de critérios científicos. A alquimia foi bastante praticada na Mesopotâmia, Egito Antigo (Alexandria), Mundo Islâmico, América Latina Pré-Histórica, Egito, Coreia, China, Grécia Clássica, Kiev, Europa e entre os Aborígenes.

Edição do século XVII da Tábua de esmeralda, livro chave da alquimia ocidental. A Tábua de Esmeralda (ou Tábua Esmeraldina) é o texto escrito por Hermes Trismegisto que deu origem à Alquimia.

Edição do século XVII da Tábua de Esmeralda, livro chave da alquimia ocidental. Este livro supostamente foi escrito por Hermes Trismegisto que deu origem à Alquimia. Trimegisto era egípcio, pastor e filósofo, que viveu na região de Ninus por volta de 1.330 a.C.

Na cidade de Alexandria, que era centro de conhecimento do mundo, erigido pelo imperador Alexandre reuniam-se escritos de uma antiga técnica egípcia chamada kymiâ. A técnica egípcia usava processos químicos de embalsamamento e a manipulação de metais. Quando entrou em contato com a sabedoria grega, a kymiâ passou a considerar que toda matéria era constituída por quatro elementos básicos: terra, ar, água e fogo (História do Mundo).

Na China, por exemplo, acredita-se que o desenvolvimento dos fogos de artifício tenha sido resultado de descobertas feitas pelos alquímicos.

Com o processo de dominação romana no Egito, a alquimia foi proibida pelas autoridades imperiais. Com a oficialização do cristianismo, dada imperador Constantino, em 330, hereges praticantes da alquimia eram perseguidos pelas autoridades romanas. Alguns deles ficaram conhecidos como nestorianos; alquimistas que refugiaram-se da perseguição religiosa na Pérsia. Os persas se interessaram pelo domínio dessas técnicas. Com a expansão islâmica (632-732) grande parte das práticas alquímicas foram preservadas e ampliadas. Enquanto isto, a Europa Medieval pouco sabia sobre esses estudos, pois estava afundada na Idade das trevas. Com o movimento cruzadista na Baixa Idade Media, a alquimia entrou em contato com os europeus. A busca pela vida eterna, proposta por alguns alquimistas, entrou em choque com o pensamento religioso da época (História do Mundo).

O auge da alquimia ocorreu entre os séculos XIV e XVI. Um dos objetivos da alquimia era a transmutação dos metais inferiores em ouro. O ouro era desejado não pelo seu valor financeiro, mas pela resistência a corrosão e simbolicamente representava a pureza: carregando assim um significado místico, espiritual de purificação, a renovação do ser ou a perfeição divina. A ideia da transformação de metais em ouro pode também ter representado uma metáfora de mudança de consciência: a pedra seria a mente “ignorante” que é transformada em “ouro”, ou seja, sabedoria.

A alquimia também buscava criar vida humana artificial, os homunculi. A alquimia bebeu muito da tradição judaica, pois na cabala defende-se a possibilidade de dar vida a um ser artificial, como o do Golem; ser artificial mítico feito de material inanimado, muitas vezes visto como um gigante de pedra. Assim, escrever um dos nomes de Deus na sua testa, ou em um papel colado em sua fronte ou em placa de argila e introduzi-la de baixo de língua (ou ainda escrever a palavra Emet [אמת], “verdade” em hebraico) seria a forma de tornar o Golem vivo. O conceito do homúnculo parece ter sido usado pela primeira vez pelo alquimista Paracelso para designar uma criatura que tinha cerca de 6 polegadas de altura e que, segundo ele, poderia ser criada por meio de sêmen humano.

Outro objetivo da alquimia era a obtenção do Elixir da Longa Vida: uma substância que curasse todas as doenças dando vida longa, ou mesmo reviver após a morte. Tais objetivos poderiam caracterizar o que chamamos de Pedra Filosofal, que seria uma substância mística. Para muitos alquimistas, não se tratava de uma metáfora, mas de práticas de purificação espiritual, e dessa forma, poderiam ser considerados substâncias reais.

O alquimista Nicolas Flamel, em sua obra “O Livro das Figuras Hieroglíficas”, defendia que termos como “bronze”, “titânio”, “mercúrio”, “iodo” e “ouro” são metáforas que serviriam para confundir leitores indignos. Há pesquisadores que identificam o Elixir da Longa Vida como um metal produzido pelo próprio corpo humano, que teria a propriedade de prolongar a vida sagrada assim que conseguissem realizar a chamada “Grande Obra de todos os Tempos”, tornando-se desta forma verdadeiros alquimistas.

Nenhum dos principais objetivos da alquimia foi atingido, mas a prática trouxe uma base muito importante para diversos procedimentos e conhecimentos que mais tarde estruturam a química, como uma ciência segundo o método científico. Muitos óleos minerais e vegetais foram descobertos pelos alquímicos, seja no Ocidente ou no Oriente. O ácido nítrico (chamado de Aqua fortis) e o ácido sulfúrico (Oleum vitriolum) foram algumas das descobertas alquímicas mais importantes. Além disto, a alquimia chegou a ser proposta como uma importante prática ligada a aspectos médicos por Theophrastus Bombastus Paracelsus, sendo conhecida como Iatroquímica.

Ao longo da história, a ideia de criar a Pedra Filosofal foi atribuída a vários nomes famosos da historia da ciência, entre eles o próprio Paracelsus, Fulcanell e Flamel. Segundo os contos lendários, Flamel encontrou um antigo livro que continha textos com desenhos enigmáticos. Ao estuda-lo acabou pedindo ajuda a um sábio judeu em Santiago na Espanha, que fez a tradução do livro, era a Cabala e o desenvolvimento de práticas alquímicas, que supostamente continham a fórmula para uma Pedra Filosofal. Por meio deste livro, Nicolas Flamel teria conseguido fabricar tal pedra, tornando-se um homem rico, que inclusive fez várias obras de caridade, adornando-as com símbolos alquímicos. Ao falecer, a casa de Flamel teria sido saqueada por caçadores de tesouros que buscavam a pedra filosofal. Alguns relatos dizem que Flamel e sua esposa, não faleceram, e que em suas tumbas foram encontradas apenas suas roupas no lugar de seus corpos.

Obviamente há todo um conteúdo místico, uma lenda e uma série de elementos folclóricos que surgem para tentar justificar o misticismo ligado a alquimia e seus objetivos. O que sabemos é que na Idade Média a prática da alquimia era vista também como bruxaria, e muitos alquimistas foram condenados pela Igreja Católica. A ideia de Elixir da Longa foi condenada uma vez que somente Deus poderia conceder a dádiva da vida eterna, e claro, só Deus poderia criar a vida e a ideia de homúnculo era igualmente condenável (História do Mundo).

Os alquimistas costumavam utilizar uma complexa simbologia que guardava os processos e experimentos por eles desenvolvidos. A alquimia foi uma atividade comum entre alguns clérigos. Roger Bacon e São Tomas de Aquino redigiram alguns experimentos onde relatavam a obtenção de ouro através de outras substâncias. No século XVI, a alquimia começava a ganhar uma nova perspectiva. Neste meio tempo, o filósofo britânico Francis Bacon (1561 – 1626), já acreditava que a alquimia poderia desenvolver outros promissores e direcionou-se para o conhecimento científico (História do Mundo).

Históricamente, criações de pedras filosofais foram atribuídas a várias personalidades, como Paracelsus e Fulcanelli, porém é “inegável” que a lenda mais famosa refere-se a Nicolas Flamel, um alquimista real que viveu no Século XIV.

Em 1597 o alemão Andreas Libavius publicou o livro “Alchemia”, na qual afirmava que a alquimia tinha por objetivo separar misturas em seus componentes e fomentar o estudo das propriedades desses componentes. Esta obra, já apresenta um caráter diferente da alquimia tradicional: já visava um caráter mais científico. Então, a alquimia começou a ruir a partir de 1661 com Robert Boyle.

Boyle nasceu no ano de 1627, em Lismone Castle (Irlanda). Por ser de uma família rica, seu pai proporcionou grandes viagens pela Europa, e Boyle passou a conhecer bem os pensamentos dos cientistas da época, como os ensinamentos de Galileu (1564 – 1642).

Mesmo com treze irmãos, o dinheiro que Boyle recebia de seu pai lhe permitia se dedicar tranquilamente aos estudos científicos. Anualmente ele recebia 3 mil libras em dinheiro do século XVII, o que equivale hoje a cerca de 8 milhões de reais por ano.

Boyle, dedicou boa parte de seu tempo ao estudo da alquimia (era de fato um alquimista), embora se apoiando em uma justificativa teórico-científica, pois a considerava com os olhos mais quantitativos do que os alquimistas do passado. Ao visitar a Inglaterra encontrou um clima de mudança. A alquimia estava sendo deixada para trás e Francis Bacon havia proposto um novo método de pensar para o mundo, que era baseado na experimentação, não somente na argumentação filosófica.

Boyle se apegou firmemente ao método científico e ficou conhecido como o primeiro cientista (na química) a manter anotações detalhadas dos resultados que obtinha em seu laboratório. Ele se preocupava não só com o aspecto qualitativo, mas também quantitativo, anotando passo a passo os experimentos que realizava, comparando os resultados e cogitando hipóteses.

Por isso, muitos estudiosos consideram que a química não surgiu da alquimia, mas sim de um movimento diferenciado que começou a partir do século XVII, com a figura central de Robert Boyle e seus estudos de base mecanicista. Boyle acabou negando qualquer explicação mística para os fenômenos naturais, sendo considerado um dos fundadores da Química.

O seu principal objeto de estudo foram os gases, em 1661 publicou sua famosa obra “The Sceptical Chymist” (O Químico Cético), ataca violentamente a concepção aristotélica dos quatro elementos (terra fogo água e ar, que eram os pilares da alquimia) e defendeu que elemento químico era tudo aquilo que não poderia ser decomposto por nenhum método conhecido. Defendeu também um discurso cada vez mais concreto e quantitativo, que culminou alterando o prefixo alchemy (alquimia) e passou a denomina-lo como Química.

Outra obra importante de Robert Boyle foi a segunda edição de “New Experiments” (Novos Experimentos), na qual ele relatou sua experiência com a bomba de vácuo e a lei que ficou conhecida como Lei de Boyle.

Boyle também foi um dos fundadores da The Royal Society, junto a outros intelectuais britânicos. Inicialmente fundou-se uma sociedade secreta destinada ao avanço da nova ciência experimental, que ficou sendo chamada de Colégio Invisível. Porém, em 1663, eles receberam apoio do rei Carlos II e, dessa forma, passou a ser a Royal Society, que é até hoje uma das mais prestigiosas organizações científicas do mundo e a revista científica mais antiga.

Com o passar do tempo, Antonie Laurent Lavoisier deu uma base mais solida a química com experimentos de conservação de massa, reações químicas, as experiências de estequiometria que foram conduzidas em química analítica. No século XIX, com as obras de Gay-Lussac, Dalton, Wöhler, Avogadro e Kekulé deram origem a química clássica, e a alquimia já estava sepultada á muito tempo.

Com a separação entre fé e razão, defendida pelo pensamento iluminista, os conhecimentos alquímicos foram vistos como invenção e desnecessários (História do Mundo).

Isaac Newton – Alquimia, Profecias e Astrologia.

Isaac Newton estudou no Trinity College de Cambridge, e graduou-se em 1665. Um dos principais precursores do Iluminismo. Devido a epidemia de peste negra, o Trinity College foi fechado em 1666 e o cientista foi para a casa de sua mãe em Woolsthorpe-by-Colsterworth. Foi neste ano de retiro que construiu quatro de suas principais descobertas: o Teorema Binomial, o cálculo, a lei da gravitação universal e a natureza das cores. Construiu o primeiro telescópio de reflexão em 1668, e foi quem primeiro observou o espectro visível que se pode obter pela decomposição da luz solar.

Tornou-se professor de matemática em Cambridge (1669) e foi eleito Membro da Royal Society em 1672. Sua principal obra foi a publicação “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica” (Princípios matemáticos da filosofia natural — 1687), em três volumes, na qual enunciou a lei da gravitação universal (Vol. 3), generalizando e ampliando as constatações de Kepler, e resumiu suas descobertas, principalmente o cálculo. Essa obra tratou essencialmente sobre física, astronomia e mecânica (leis dos movimentos, movimentos de corpos em meios resistentes, vibrações isotérmicas, velocidade do som, densidade do ar, queda dos corpos na atmosfera, pressão atmosférica, etc).

Isaac Newton (1643 - 1727)

Isaac Newton (1643 – 1727)

Newton entrou em contato com a alquimia através de Isaac Barrow, ou seja, quando a alquimia em si já havia sido muito criticada, inclusive por Boyle. Em 1693 quando Newton escreveu “Praxis”, defendendo uma visão não mecanicista da natureza acabou dedicando muito tempo a alquimia. Ele dedicou muitos de seus esforços aos estudos da alquimia, escrevendo muito sobre o assunto.

As obras de Newton que abrangem alquimia, leituras bíblicas escatológicas foram classificadas como estudos ocultos. Ele estudava profundamente diferentes formas de ciências, materiais e natural, criando um grande interesse por questões ligadas a alquimia e ocultismo (PBS, 2005). O ocultismo refere-se a busca de conhecimento no sobrenatural em contraposição ao conhecimento mensurável, ou científico.  É também chamado de esoterismo, pois esta ligado a magia, astrologia, hermetismo (de Hermes Trimegisto) e destina-se, supostamente, a certas pessoas especiais, que realizam uma série de práticas espirituais que não são acessíveis a razão ou a ciência.

Robert Boyle que era da The Royal Society era colega de Newton, já havia descrito os conceitos básicos da química moderna e começou a estabelecer normas modernas de prática experimental em química, informações que aparentemente Newton não utilizou até onde se sabe, uma vez que a maior parte das obras de Newton sobre alquimia pode ter sido perdida em um incêndio que ocorreu em seu laboratório. Por exemplo, Newton acreditava no conceito da árvore de Diana, uma demonstração alquímica que produzia uma estrutura dendrítica de prata, e sugeria que esta era um evidência de que os metais possuiam algum tipo de vida (Discovery Magazine, 2010).

Newton também teve uma aproximação com um clérigo, seu próprio padrasto Barnabas Smith, possuía um bacharelado em Oxford. Newton possuía uma extensa biblioteca de teologia e filosofia ao seu dispor, incluindo desde estudos de línguas até a literatura clássica e bíblica. Tendo bastante fama como cientista, Newton foi influenciado pela política e acabou não se ordenando clérigo, permanecendo em sua fé cristã anglicana, atendendo serviços na capela do Trinity Colege e, mais tarde, em Londres. Newton chegou a trocar correspondências com o filósofo John Locke, eminente filosofo defensor do empirismo.

Newton apresentou obras teológicas como “An Historical Account of Two Notable Corruption of Scriptures e Chronology of Ancient Kingdoms Atended” e “Observations upon the Prophecies”. Newton, assim como grande parte dos naturalistas seguia a cronologia bíblica como referência, portanto, aceitava que o Universo tinha seis mil anos de idade, segundo o que informava a Bíblia. Esta cronologia seguiu assim até a época de Darwin. Newton considerava que a mecânica celeste era governada pela gravitação universal e, principalmente, por Deus, defendendo “A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isto fica sendo a minha última e mais elevada descoberta” (Newton, 1953).

Esta informação muitas vezes é usada por grupos pseudocientíficos que buscam em Newton uma forma de justificar uma crença científica no criacionismo, ou na “cientifização” de crenças. Apesar de ser verdade o carater cristão de Newton, estes grupos geralmente ignoram o fato de que Newton era maçom, esotérico, que a alquimia tinha um caráter ocultista e portanto pseudocientífico, além da grande possibilidade de que Newton tenha sido  homossexual: fatos estes que são condenáveis pela doutrina religiosa cristã criacionista.

Em um manuscrito que ele escreveu em 1704, Newton discursa sobre suas tentativas de extrair informação científica da Bíblia, estimando que o mundo iria acabar mais cedo do que 2060, fazendo uma leitura não-destrutiva do mundo.

Newton acreditava que várias fontes antigas foram dotadas de sabedoria sagrada (PBS, 2005) e que as proporções de muitos templos antigos eram em si mesmos sagradas. Esta crença levaria Newton examinar muitas obras arquitetônicas helenísticas da Grécia, bem como fontes romanas como Vitruvius, em uma busca de conhecimento oculto. Para Newton, o conceito de Sapientia frequentemente denominado como “sabedoria sagrada” (ou “sabedoria antiga”) foi revelado a Adão e Moisés diretamente por Deus, e era uma crença comum de muitos estudiosos na época de Newton (Christianson, 2005).

Newton observou as medidas do Templo de Salomão dadas na Bíblia e sugeriu elas eram orientações divina de problemas matemáticos, e em um sentido mais amplo, que eram referências para o tamanho da Terra e o lugar do homem. Para Newton, a geometria do templo representava mais de um modelo matemático, ele também forneceu uma cronologia da história hebraica (Gardner, 2007).

Ele acreditava que esses homens haviam escondido todo conhecimento em um código complexo da linguagem simbólica e matemática que, quando decifrados, revelaria um conhecimento desconhecido de como a natureza funciona (Christianson, 2005).

Newton certamente considerava-se pertencente a um grupo de indivíduos que foram especialmente escolhidos por Deus para realizar a tarefa de compreender as escrituras bíblicas (The Newton Project, 2007). Ele aceitava a interpretação profética da Bíblia, e como muitos de seus contemporâneos na Inglaterra protestante, desenvolveu uma profunda admiração pelos ensinamentos e obras de Joseph Mede, um professor famoso em sua época, que ministrava aulas na escola bíblica, era naturalista, egiptologista dentre tantas outras coisas.

A crença de Newton levou-o a escrever vários tratados sobre o assunto, incluindo um guia para a interpretação de regras proféticas para interpretar as palavras e linguagem das escrituras sagradas.

Neste manuscrito, Newton detalha os requisitos necessários para o que ele considerava ser a interpretação correta da Bíblia. Newton passou boa parte de sua busca vida revelando o que poderia ser considerado um suposto código da Bíblia, dando ênfase na interpretação do livro do Apocalipse. Ao contrário de um profeta, no verdadeiro sentido da palavra, Newton usa as escrituras para profetizar para ele, acreditando que suas interpretações iriam definir o que ele considerava ser tão pouco compreendido (The Newton Project, 2007). Em 1754, 27 anos após sua morte, o tratado de Isaac Newton An Historical Account of Two Notable Corruption of Scriptures foi  publicado, e apesar de não discutir qualquer significado profético, exemplificou o que Newton considerou apenas um mal-entendido popular sobre as escrituras. Embora a abordagem de Newton com estes estudos não possa ser considerada científica, ele escreve como se suas descobertas fossem resultado de uma pesquisa baseada em evidências.

Em fevereiro de 2003, documentos inéditos escritos por Isaac Newton supostamente indicaria que ele acreditava que o mundo iria acabar antes de 2060. A história ganhou interesse público e foi espetacularizada pela mídia. Os dois documentos detalhavam uma suposta profecia para o fim do mundo escrita no final da vida de Newton, por volta do ano de 1705.

Segundo estudiosos, estes documentos não parecem ter sido escrito com a intenção de publicação e Newton expressou uma forte antipatia pessoal com indivíduos que forneceram datas específicas para o apocalipse puramente por valor sensacionalista. Tudo indica que ele não fornece qualquer data para o fim do mundo, em qualquer um destes documentos (Snobelen, 2007).

De fato, para entender o raciocínio por trás do ano 2060 que é a data da previsão, uma compreensão de crenças teológicas particulares de Newton deve ser levada em conta, particularmente suas aparentes crenças anti-trinitarias e seus pontos de vista protestantes sobre o Papado.

Sua previsão matemática do fim do mundo é derivada de sua interpretação da escritura, mas não só dela, mas incluia também uma base de seu próprio ponto de vista teológico sobre as datas e eventos cronológicos específicos como ele viu.

Newton pode se referiu ao ano 2060 como um evento destrutivo resultando na aniquilação do mundo e seus habitantes, mas fez uma leitura teológica de que o mundo, como ele viu, deveria ser substituído por uma nova transição para uma era de paz de inspiração divina. Na teologia cristã e islâmica este conceito é muitas vezes referida como “A Segunda Vinda de Jesus Cristo” e o estabelecimento do Reino de Deus na Terra. Em um manuscrito separado, Newton parafraseia Apocalipse 21 e 22 e relaciona-os com pós-2060.

Na época de sua morte, a biblioteca de Isaac Newton não possuía mais que quatro livros sobre astrologia: uma obra feita pelo astrólogo alemão Johann Essler de Mainz (Maguntinus, 1596), um tratado sobre quiromancia e astrologia de autoria do médico Inglês e astrólogo Richard Saunders (1613 – 1675) (Saunders, 1663), um almanaque do mesmo autor usando o pseudônimo Cardanus Rider (Rider, 1690) e um trabalho de desmistificação astrologia redigido pelo filósofo-poeta e professor de Cambridge Henry More (1614-1687) (More, 1681).

Ironicamente, o livro de Saunders sobre quiromancia e astrologia pode ter incentivado a carreira científica de Newton. Em 31 de agosto de 1726, pouco antes de sua morte, Newton foi entrevistado por seu sobrinho, John Conduitt (1688-1737), que estava coletando material biográfico sobre seu ilustre e famoso tio.

Durante a entrevista, Newton confidenciou que o seu interesse na ciência tinha sido primeiro despertado no Verão de 1663, quando era um jovem estudante em Cambridge e comprou um livro sobre astrologia na feira Midsummer em Stourbridge. Newton confessa ter ficado perplexo com os diagramas astrológicos incompreensíveis e cálculos neste trabalho que, em seguida, estudou alguns livros sobre geometria e cálculo (como por Euclides, Frans van Schooten e René Descartes) e foi logo ficou encantado com o que viu (Whiteside et al,  1967).

Seja como for, Newton foi importantíssimo para a física, para a mecânica, que foi sua grande contribuição na ciência. Suas posturas místicas, teológicas, escatológicas, ocultistas e alquímicas não surtiram efeito algum sobre o mundo científico. Elas permaneceram no mundo místico, ocultista e de simbolismo.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, História da ciência, Isaac Newton, Manuscrito, Pedra Filosofal, Alquimia, Elixir da Longa Vida, Homúnculo, Transmutação, Idade Média, Paracelso, Profecias, Astrologia, Cabala, Esoterismo.

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Referências

Christianson, Gale E. (2005). Isaac Newton. Oxford University Press US. p. 144.
Gardner, Laurence (2007). Written at USA. The Shadow of Solomon: The Lost Secret of the Freemasons Revealed. Originally published: London : HarperElement, 2005: Weiser. p. 146.
Maguntinus, I, E. Tractatus utilis ante LX annos conscriptus, cui titulum fecit, Speculum astrologorum … (Basel, 1596; first published in 1508); bound in one volume with Georg Peurbach, Theoricæ novæ planetarum. Newton’s personal copy, which is presently kept at the Trinity College Library at Cambridge, displays no dog-ears, marginal notes, or other evident signs of regular use.
More, H. Tetractys Anti-Astrologica; or, the four chapters in the explanation of the Grand Mystery of Godliness, which contain a brief but solid confutation of Judiciary Astrology (London, 1681).
Nova: Newton’s Dark Secrets (2005). [1]. USA: PBS.
Newton, I. Principia, Book III. Newton’s Philosophy of Nature: Selections from his writings. Nova Iorque: H.S. Thayer, Hafner Library of Classics: 1953.
Rider, C. Rider’s British Merlin (London, c. 1690). Saunder’s pseudonym, [S]chardanus Rider, is an anagram.
Saunders, Palmistry, the secrets thereof disclosed; or, a familiar, easy and new method, whereby to judge of the most general accidents of mans life from the lines of the hand, withal its dimentions and significations. As also that most useful piece of astrology (long since promised) concerning elections for every particular occasion, now plainly manifested from rational principles of art, not published till now (London: G. Sawbridge, 1663)
Snobelen, Stephen D. “A time and times and the dividing of time: Isaac Newton, the Apocalypse and A.D. 2060.”. The Canadian Journal of History. pp. 537–551. 2007
Whiteside, D.T. Hoskin M.A. & Prag, A. (eds.), The Mathematical Papers of Isaac Newton (Cambridge: Cambridge University Press, 1967), vol. 1, pp. 15-19.
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One thought on “ISAAC NEWTON USOU ESSA RECEITA EM SUA CAÇADA A PEDRA FILOSOFAL. (Comentado)

  1. Bom o texto e ouso acrescentar algumas considerações.
    Primeiro é que a química na realidade surgiu da “alquimia”, quando os pesquisadores começaram a ter mais recursos para pesquisar e observar. Newton com mais recursos do Aristóteles, mostrou que o que Aristóteles observava não era que as coisas caíam para a Terra, MAS ELES SE ATRAIAM PELA GRAVIDADE.
    Como outra observação, Darwin construiu a Árvore da Vida, que é muito semelhante à Tabela Periódica, mantidos os respectivos conteúdos. Serão muito mais semelhantes quando se “reconstuir” a Árvore da Vida com o conhecimento da genética do DNA. Claro que os químicos na época, estavam muito mais “adiantados” do que os biólogos, que ainda estão arranhando cientificamente. Estamos “descobrindo” o DNA que já “funciona” na Terra há bilhões de anos! A Tabela usa como critério o átomo, a Árvore ainda ao “olhômetro”, com o DNA ficarão muito próximas, e aí até podemos “imaginar ou descobrir” espécies novas que ainda não conhecemos! Isso é científico, a “seleção natural” é mitologia.
    A questão da pedra filosofal era na realidade uma crença de que pela alquimia se podia obter “ouro” de qualquer outro material, NÃO SE SABE POR QUE PENSAVAM EM OURO, E NÃO E OUTRA SUBSTÂNCIA QUALQUER. Pelo texto, parece que Newton não descobriu a “pedra filosofal”, mas teria descoberto que o mercúrio poderia transformar metais, O QUE CHAMAMOS DE AMÁLGAMA. Que é uma forma de “tirar ouro da minério”. araioba.

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