NOVA FOLHA “BIÔNICA” É APROXIMADAMENTE 10 VEZES MAIS EFICIENTE QUE A FOTOSSÍNTESE NATURAL. (Comentado)

A conversão do CO2 do ar em álcool e que pode ser queimado como combustível.

 Nas células vegetais, os cloroplastos realizar a fotossíntese. Crédito: ED Reschke Getty Images.


Nas células vegetais, os cloroplastos realizam a fotossíntese. Crédito: ED Reschke Getty Images.

Uma folha de árvore, uma folha de grama, uma única célula de alga: tudo faz combustível a partir da simples combinação de água, luz solar e dióxido de carbono através da fotossíntese. Agora os cientistas dizem ter replicado e melhorado o truque com o sua própria “folha biônico”.

O Químico Daniel Nocera, da Universidade de Harvard e sua equipe juntaram forças com a bióloga-sintética Pamela prata da Harvard Medical School e sua equipe para criar um tipo de bateria viva, que eles chamam de folha biônica para fazer a fusão da biologia e da tecnologia. O dispositivo usa energia solar a partir de um painel fotovoltaico para abastecer a química que divide a água em oxigênio e hidrogênio. Os micróbios dentro do sistema, então, alimentam-se do hidrogênio e convertem o dióxido de carbono no ar em álcool que pode ser queimado como combustível. O primeiro dispositivo de fotossíntese artificial da equipe apareceu em 2015-bombeando 216 miligramas de álcool combustível por litro em um catalisador de níquel-molibdênio e zinco, que tornou a sua química da água possível, mas teve o efeito colateral de envenenar os micróbios da água.

Assim, a equipe partiu em busca de um catalisador melhor e, como relatado recentemente na revista Science, os pesquisadores descobriram o uso de uma liga de cobalto e fósforo, um amálgama já em uso como revestimento anti-corrosão de peças de plástico e metal. Com este novo catalisador na folha biônica, a equipe aumentou a eficiência da versão 2.0 da produção de álcool combustível, tais como isopropanol e isobutanol para cerca de 10%. Em outras palavras, para cada quilowatt/hora de eletricidade, os micróbios podem capturar 130 gramas de CO2 do ar para fazer 60 gramas de combustível isopropanol. Tal conversão é aproximadamente 10 vezes mais eficiente do que a fotossíntese natural.

Nocera diz que juntou a produção de combustíveis e a retirada do excesso de CO2 no ar, e que esta nova tecnologia de biorreator poderia ajudar a mitigar os problemas de poluição planeta do aquecimento, enquanto trazendo combustíveis mais limpos para as pessoas que não têm acesso à energia moderna.

Fonte: Scientific American

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Comentários internos

Este comentário final do autor é fundamental para fazer um breve desdobramento sobre a problemática ambiental. Juntar o consumo de combustível com a retirada do CO2 em uma única equação é maravilhoso, mas não soluciona o problema ambiental, e mitiga uma parte do problema. Não estamos mais no iluminismo, e sabemos que não temos o controle absoluto da natureza. Podemos sim manipular muitas de suas tendências e fenômenos, fazer previsões coerentes e na maioria das vezes corretas, mas não temos domínio absoluto na physis (natureza). Evolutivamente, somos somente uma espécie recém-surgida, quase tão frágil quanto os outros hominíneos que nos forjaram nos últimos 8 milhões de anos. Em pouco mais de 200 mil anos de espécie e 12 mil anos de desenvolvimento agrícola conseguimos impactar grandes extensões geográficas e destruir ecossistemas inteiros.

O que há de se ter em mente é que os problemas ambientais não serão solucionados a partir de tecnologia, mas somente com a mudança de comportamento, atitudes e decisões tomadas em conjunto. Em outras palavras, a solução do problema ambiental deverá vir de uma mudança no tecido social e não tecnológico. A mudança deve ser sócio-ambiental e muito além do discurso marketeiro de apropriação por quem quer apresentar-se demagogicamente como “ecologicamente correto”.

Sem título

O fato de haver um biorreator que seja extremamente eficaz na captação de CO2 (mas não de todos os outros gases residuais da queima de combustíveis) e produção de combustível é formidável, não muda o fato de que existe a necessidade absoluta de combater o desmatamento que via de regra ocorre devida a necessidade de produção de cana de açúcar (e alimento), transformado em commodities que vem do desmatamento (culminando na perda de biodiversidade e serviços ambientais básicos) da extração do petróleo e tantos outros problemas no solo, atmosfera e recursos hídricos ligados a questão do carbono. E claro, este não é o único problema ambiental.

O ecossistema urbano vai depender sempre de recursos energéticos, materiais e serviços que somente as regiões não-alteradas antropicamente podem promover. Nesta conta entra matéria prima para a indústria, manutenção da qualidade do ar, produção de energia e tantos outros serviços que poucas pessoas têm conhecimento de que depende direta ou indiretamente da natureza. Natureza esta que não deve ser vista exclusivamente como recursos naturais a serem explorados, mas como recurso para existência da vida de todos, inclusive a nossa.

Pensando em natureza e nosso ecossistema urbano – como parte de nossa própria natureza; por mais que haja relutância em reconhecer, somos interdependentes, como primatas dotados de consciência, polegar opositor e telencéfalo desenvolvido, ainda somos natureza, e como tal, dependemos diretamente dela para sobreviver e manter nossa estrutura econômica e social.

Ok! Talvez você não aceite ser classificado biologicamente como primata e prefira ser classificado teologicamente, como imagem e semelhança de Deus. Ainda sim, isto te torna responsável pela manutenção de uma obra e extensão de seu Deus. Seja qual for seu credo (ou não tê-lo) a responsabilidade sobre a problemática ambiental cai sofre todos e não somente sobre a formação religiosa X ou Y. Claro, a crise ambiental não escolhe ser de direita ou esquerda, conservadora, liberal ou comunista (embora haja o componente político/econômico como agravador/promotor). Neste sentido ela é bastante democrática e vira para todos, porque ela é global!

Toda mercadoria que gira a economia e seu modus operandi parte da natureza como recurso a ser explorado. Enquanto o giro da economia for centrado na exploração excessiva e predatória que parte do pressuposto que a proteção de áreas naturais é um empecilho ao desenvolvimento econômico de uma nação, desprezando uma economia-verde, não há tecnologia que supere nossa caminhada em direção a uma catástrofe ambiental em um futuro bem próximo.

Tecnologicamente, a folha biônica é maravilhosamente bem engenheirada, funcionalmente importante e extremamente válida, mas só mitiga superficialmente!

Victor Rossetti – Biólogo, Professor, Especialista em Educação Ambiental.

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Folha Biônica, Biorreator, CO2, Fotossíntese, Álcool, Crise Ambiental, Carbono, Mudanças Climáticas, Economia, Socioambiental, Sustentabilidade.

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