PIRULLA E RICARDO FELÍCIO – DISCUSSÕES SOBRE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS.

Esta semana um conjunto de eventos contribuiu para que uma discussão fosse erguida: a validade científica das mudanças climáticas que ocorrem fruto do aumento da temperatura média do planeta. 

A discussão parece ter se alastrado na internet por dois grandes motivos: o primeiro foi a manifestação de políticos e jornalistas que negam as mudanças climáticas usando o frio da estação de inverno para justificar seu ceticismo. Essas manifestações, provenientes de jornalistas e políticos tem pouca validade e somente contribuem para desinformação, pois não se respaldam em evidências científicas e sim apenas uma falsa relação causal.

O outro motivo foi a troca de farpas entre o paleontólogo e Youtuber Pirulla e o climatologista da geografia da USP Ricardo Felício. Infelizmente, uma discussão que deveria ser acadêmica consegue ganhar dimensões partidárias e ideológicas graças a comentários e manifestações de pessoas com vieses políticos. Um ranço político da esquerda e direita e antigas trocas de farpas entre os Youtubers acabou incitando comentários irracionais e ideologicamente apaixonados em vez de observar a questão climática sobre a ótica da ciência.

É na discussão erguida por estes dois acadêmicos que deveríamos concentrar nossas atenções, ignorando jornalistas, políticos e Youtubers que pouco tem a contribuir para o debate. O fato é que Pirulla e Felício problematizaram e viralizaram a discussão do aquecimento global; isto trouxe vantagens e desvantagens a temática.

Infelizmente, em pleno ano de 2017 onde poderíamos estar discutindo as possibilidades dadas pelas viagens espaciais e as melhores estratégias para detectar singularidade em uma inteligência artificial, mas não, temos de defender a ciência que esta tendo sendo atacada por terraplanistas, homeopatas, criacionistas e negacionistas das climáticas.

A discussão centrada em ambos tem diversos desdobramentos. O primeiro deles é que ambos deveriam ser ouvidos, afinal, a discussão é essencialmente travada entre dois acadêmicos, e foi Pirulla quem a “restartou” a conversa. Outro desdobramento é de natureza epistemológica, me perguntaram “Como um biólogo que rejeita tanto pseudociência no NetNature está dando espaço aos negacionistas do clima?”, ou ainda “A afirmação negacionista de Felício não é nada diferente a apresentada por criacionistas. Porque deveríamos ouvi-lo?”.

Sim, o negacionismo é uma característica evidente da pseudociência, mas o espaço dado a este grupo visa uma refutação proveniente de especialistas em clima que possuem uma formação acadêmica alinhada com o que estão criticando. O que lhes deveria ser dado é oportunidade de apresentar seus supostos artigos e literatura científica que expõem as supostas fraudes dos artigos que supostamente corroboram as mudanças climáticas.

Tive a oportunidade de assistir o Pirulla em 2015 apresentando o Darwin Day no Instituto Biológica da USP (na qual em 2016 eu apresentei o mesmo evento ao lado de Douglas Rodrigues do Universo Racionalista) e de conversar algumas vezes in-box com ele sobre algumas questões de filosofia da ciência: creio que posso considerar Pirulla um pesquisador atencioso e honesto, e me dar a liberdade de respeitosamente discordar da forma como ele abordou Felício.

Em contrapartida, nunca conheci Ricardo Felício, mas já me simpatizei com o movimento cético ao aquecimento global. Especialmente no ano de 2010 e 2011 na qual uma série de questões levantadas pelo professor Molion e outros me fizeram questionar a validade do aquecimento global.

Entrando na discussão, talvez a melhor estratégia de abordagem que Pirulla poderia ter feito seria somente exigir artigos científicos publicados por Ricardo Felício que demonstrassem os erros metodológicos dos artigos que ele costuma criticar – sem a necessidade de uma série de troca de farpas.

Se Ricardo não os possui, certamente suas afirmações seriam meras retóricas negacionistas anedóticas. O que mais chama a atenção na defesa de Ricardo Felício é que ele parece deixar claro que há um conjunto de professores da Geografia na USP que estão extremamente organizados, produzindo material, traduzindo livros e apresentando palestras expondo argumentos para negar as mudanças. Eles supostamente estão batendo nos dados científicos e rebatendo os gráficos – como foi feito com Pirulla.

Neste sentido, climatologistas rebatendo gráficos de estudos climatológicos não parece ser algo comparável ao que criacionistas fazem. Criacionistas, por mais que tenham uma formação acadêmica, não fazem o que os céticos do clima estão fazendo. Criacionistas usam um livro religioso e um discurso baseado em fé e misticismo para negar a teoria da evolução, por exemplo, em uma defensa que é assumidamente não-científica e escancaradamente não-metodológica.

No caso de Ricardo Felício, Kinitiro Suguiu ou mesmo de Daniela de Souza Onça e tantos outros representantes, trata-se de professores da Climatologia e Meteorologia. Em alguns momentos parece se tratar de argumentos de autoridade, mas até autoridades no clima podem errar.

Ao que parece, tanto Pirulla quanto Ricardo Felício vacilaram em conceitos básicos. Pirulla vacilou em conceitos básicos de geografia, o que era de se esperar ao se aventurar em uma área que não é comum a ele. Desta forma, deu uma abertura para mostrar quanto o negacionismo climático se comporta de forma organizada. Ricardo vacila em uma série de pontuações de origem biológica.

O que vemos em seguida é um conjunto de consequências que complicam a discussão das mudanças climáticas. Tal discussão apenas juntou Felício e o Youtuber Nando Moura, que obviamente carrega um sentimento de raiva do Pirulla (e vice e versa). Nando orquestrou uma entrevista com Felício e apresentou um conjunto de argumentos que a princípio vai convencer muitas pessoas que são pouco criteriosas em ciência – o que é de se esperar em um país educacionalmente defasado e majoritariamente submetido ao analfabetismo científico. Outros vão rejeitar o argumento de Ricardo Felício por questões realmente científicas, epistemológicas e metodológicas (na compactuo desta posição) e outros, obviamente por motivações ideológicas.

É neste ponto que a discussão fica complicada. Querendo ou não, a questão climática ganhou ares políticos (razão pela qual Nando Moura se envolveu) e quando o Felício destaca que há fundos da ONU por trás traz do aquecimento global, a coisa questão política fica mais presente na discussão. Além disto, ao propor que a tese é um discurso de ambientalista também está embutindo um conteúdo ideológico. A tendência é que se perca o objetivo da discussão, que é a base científica a favor ou contra as mudanças climáticas causadas por causas antropogênicas.

Neste sentido, como de praxe na ciência, o ônus da prova fica por conta de quem faz uma afirmação, e portanto, a melhor abordagem é exigir de Felício uma justificativa formalizada em artigos. Pirulla deveria apenas ter cobrado publicações, questionado onde Felício se sustenta cobrando a formalidade de tais evidências e tentar congregar pesquisadores na Geografia e na Climatologia que relate as falhas de Felício e expô-las tal qual sabidamente já fez uma vez.

Nando Moura (e seu público) ficou encantado com os argumentos de Felício simplesmente porque eles concordavam com uma concepção prévia e certamente guiada por motivações ideológicas. A isto se dá o nome de viés de confirmação, uma tendência que temos de aceitar com facilidade tudo que está alinhado com o que acreditamos e rejeitar profundamente tudo que não está acordado com ideias pré-concebidas. Para o público leigo em ciência, o que foi afirmado naquela entrevista soou como uma verdade dogmática: “o aquecimento global é uma fraude”.

No final de sua entrevista, Ricardo lança dados que soaram de forma abusivamente estranha e que talvez tenha chocado mais do que a negação do aquecimento global. Este é um dos pontos dissonantes que poderíamos começar trabalhando.

A Amazônia

Ricardo ressalta que a floresta Amazônica existe porque chove na região do Norte do país. Os regimes de migração de chuva para hemisfério norte e hemisfério sul fazem com que em certas épocas a floresta fique seca, levando a ocorrência de incêndios florestais. De fato isto ocorre, mas quando questionado se a floresta ajuda no regime de chuva sua resposta é:

“Não, não tem nenhuma explicação científica. Isto daí é outra anomalia que inventaram em 1973, mas não tem nada a ver com isto dai”.

Este dado é abusivamente errado por vários motivos. A produção da chuva na Amazônia ocorre por três razões diferentes: a termodinâmica da atmosfera, o vapor de água e os núcleos de condensação das nuvens. A ação destes três fenômenos conjuntamente faz com que a chuva ocorra. Quando ocorre o desmatamento, a estratificação da atmosfera é alterada de tal modo que um regime de condução térmica se torna mais dinâmico devido á alteração da rugosidade de superfície. Um artigo de Artaxo da USP publicado na revista Nature (2017) assinado em conjunto com Jeffrey Q. Chambers, pesquisador da Universidade da Califórnia (EUA), analisou o impacto do desmatamento em média escala na quantidade de chuva na região de Rondônia, na Amazônia. Os dados claramente mostram que quando ocorre desflorestamento em uma região de médio porte a mudança na vegetação altera a circulação atmosférica e faz chover menos na parte da região correspondente a antes do desmatamento. Isto quer dizer que quando chove mais em uma região posterior a desmatada esse deslocamento da chuva é um efeito direto desta área desmatada. Segundo os pesquisadores, quando a devastação é extensa — como é o caso de Rondônia, chegando a mais de 50% da floresta amazônica nas últimas três décadas – alterou-se abusivamente o mecanismo de precipitação no Estado. Desta forma, alterou-se a chuva amazônica que tradicionalmente é formada pela umidade inicialmente trazida do Atlântico e transportada ao longo da floresta. Ela é reciclada pela evaporação que ocorre nas próprias árvores, modificando o regime de chuvas, empurrando-o sobre a área desmatada e a floresta na sua borda. Ou seja, há uma mudança absurda no regime de chuvas ocasionado pelo processo de desflorestamento e este é influenciado claramente pela floresta. A floresta não existe só porque tem chuva, ela claramente contribui para a formação de chuvas de forma bastante significativa (Jornal da USP 2017).

Claramente então, a Amazônia tem seu regime de chuvas alterado quando há desmatamento; segundo, a floresta ajuda na manutenção da chuva através da transpiração. Os dados de ecosfisiologia vegetal, sejam da Amazônia ou em outros biomas do mundo, indicam que a transpiração é um elemento fundamental para a chuva e ciclo hidrológico.

Na Amazônia, a redistribuição hídrica permite que as árvores eliminem água pelas folhas, pelo processo de transpiração, a uma taxa tão elevada que influencia o clima da região. Nas estações secas esta redistribuição hídrica faz a transpiração aumentar em cerca de 30%. Isso altera a qualidade do ar e a temperatura da Amazônia, fazendo com que sejam mais baixas do que a esperada para essa época do ano. Esta constatação foi feita por Oliveira, que publicou seus resultados em 2005 em um artigo dos Proceedings of the National Academy of Sciences.

Na estação seca, tanto árvores do Cerrado, Amazônia e da Mata Atlântica mantêm parcialmente abertas durante à noite os estômatos nas estruturas foliares. Estas estruturas microscópicas das folhas são responsáveis pela absorção de gás carbônico do ambiente e pela liberação de oxigênio para a atmosfera. Em uma constatação inesperada, os estômatos em regiões como da Amazônia são abertos e deixam escapar água e o gás carbônico absorvido durante a fotossíntese na presença de luz (Revista Fapesp, 2008) e este padrão auxilia a formação de chuvas.

Para a avaliação de valores médio de transpiração de uma cobertura vegetal durante o período de crescimento ou anualmente em um vegetal deve-se levar em consideração a variação temporal do stresses vaporativos e da disponibilidade de água no meio. Para coberturas vegetais homogêneas esses valores diários e anuais de transpiração podem ser calculados com certa limitação usando dados de balanço energético ou pela soma de dados registrados no lisímetro (Larcher, 2004).

Fonte: Larcher, 2004

Esta cobertura vegetal apresentada no gráfico acima sofre variações diárias de evaporação porque depende de condições climáticas para a ocorrência da vaporização. Além disto, a transpiração anual das florestas é influenciada pelo desenvolvimento da massa total de folhagem, pelo grau de diferenciação e idade das folhas e por processos de desenvolvimento na porção aérea e no sistema radicular. A transpiração da copa das árvores aumenta rapidamente na primavera, por exemplo, com a expansão das folhas alcançando o máximo ao final do principal período de crescimento.

Fonte: Larcher, 2004

Além disto, os efeitos da seca acentuam de maneira permanente perda florestal na Amazônia. Em estudo internacional liderado por Delphine Clara Zemp, da Universidade Humboldt (Alemanha), com a participação do professor Henrique Barbosa, do Instituto de Física (IF) da USP publicado na revista Nature Communications calculou o efeito da redução das chuvas em uma área sobre a possível destruição da floresta em outra região, e se um evento deste tipo teria um efeito permanente sobre o sistema como um todo, levando a uma perda autoamplificada de floresta. A imagem que se tem da Amazônia é de uma floresta exuberante onde chove muito, mas, além das chuvas intensas, a transpiração das árvores é tão grande que um volume considerável desta água volta para a atmosfera e alimenta as chuvas em outras regiões. Quando este ciclo de realimentação positivo é interrompido, por exemplo, com a redução da precipitação durante uma seca, a redução na evapotranspiração (evaporação do solo somada à transpiração das plantas) é significativa e conduz a menos chuva. Portanto, cortar a Amazônia não implica em regeneração com tanta facilidade como tem sido pressuposto por Ricardo Felício. E claro, desconsidera a perda de biodiversidade local e endêmica.

Efeitos autoamplificados como este podem levar a um “efeito dominó”, causando seca e morte em outras áreas da floresta. Os pesquisadores descobriram que os mecanismos responsáveis por esse tipo de perda parecem ocorrer durante eventos extremos de seca. Durante o último Máximo Glacial, há 21 mil anos, o declínio da umidade oceânica causou uma redução de 50% na precipitação da estação seca da Amazônia. Em tais condições de estação seca, de 10% a 13% da destruição florestal na bacia amazônica pode ser atribuída à perda de floresta autoamplificada. Com um afluxo de umidade oceânica reduzida de 40%, como apontam as projeções para o século 21, de 1% a 7% (potencialmente até 14%) da perda da floresta amazônica poderia ser atribuída a efeitos autoamplificadores, decorrentes da atividade humana. Esse processo ocorre porque as plantas possuem uma resistência ao estresse hídrico, determinada pela disponibilidade de água no solo e a quantidade dessa água que consegue ser drenada por suas raízes, dentre outros fatores levando a savanização da Amazônia (Jornal da USP, 2017).

Outro ponto dissonante que Ricardo Felício apresentou foi que é um defensor da natureza. Ricardo ainda acredita que as áreas de preservação ecológica são grandes demais em interiores de estado, e acredita que quando se defende a preservação destas áreas se incentiva o engessamento da economia e se estimula a miséria.

Ao que parece, a estrutura da miséria de nosso país não é dada por questões ambientais. De fato, a estrutura agrícola do país é quem esta segurando o país nos momentos de crise. Nos momentos de bonança econômica a miséria ainda perdurou. A miséria de nosso país tem várias causas e elas não são provenientes do excesso de cautela com que os recursos naturais. Pelo contrário, a proteção ao ambiente tem sido vista como estagnação da economia do país há décadas e Ricardo endossa isto com o discurso de que é defensor da natureza.

Notemos que não é uma questão ideológica do ambientalismo, mas uma constatação básica da forma como a estrutura do país reforça a miséria. Há diversos elementos que estruturam a miséria no Brasil: fatores políticos e legais como a corrupção, inexistência ou mau funcionamento de um sistema democrático e baixa igualdade de oportunidades; fatores econômicos provenientes de um sistema fiscal inadequado, representando um peso excessivo sobre a economia ou sendo socialmente injusto; a própria pobreza, que prejudica o investimento e o desenvolvimento, economia dependente de um único produto; fatores sócio-culturais como a reduzida instrução, discriminação social relativa a valores predominantes na sociedade, exclusão social, crescimento muito rápido da população; fatores naturais onde os desastres naturais, climas ou relevos extremos causam doenças, e muitos deles são efeitos de causas maiores; problemas de saúde, que aditivam o uso de drogas ou alcoolismo, doenças ligadas a pobreza como o HIV e a malária; fatores históricos, como o  colonialismo e passado de autoritarismo político, além de insegurança pública ligada a guerra, genocídio e crime.

O pensamento binário entre ter uma economia saudável ou uma floresta em pé é falso, pois representa a falha de mecanismos econômicos em tentar elaborar estratégias de conservação, e a partir destas conseguir estruturar um mecanismo de geração de renda. Para isto há reservas de uso sustentável, o estímulo ao turismo de aventura, desenvolvimento de agroflorestas e sistemas alternativos que mesclem tanto a agricultura como elemento que motriz de giro da economia como turismo e ecoturismo utilizando a natureza preservada como complemento a geração de renda. O Chile, país com maior IDH na América do sul, estrutura sua economia em industrias e turismo.

Uma tese de doutorado apresentada durante o Congresso Mundial da Conservação, realizado em setembro de 2016 no Havaí, revelou que o turismo em Unidades de Conservação (UCs) no Brasil movimenta aproximadamente R$ 4 bilhões por ano, gerando 43 mil empregos e agregando R$ 1,5 bilhão ao Produto Interno Bruto. Em abril do mesmo ano o Serviço de Parques norte-americano publicou que o gasto dos visitantes em 2015 foi recorde e forneceu US$ 32 bilhões de dólares à economia americana, apoiando 295 mil empregos. Mais importante ainda: constatou-se que, para cada US$ 1 investido nos parques, havia um retorno de US$ 10 à sociedade (Gazeta, 2017). Só o turismo, respondeu por 8,8 milhões de empregos diretos e indiretos no País em 2014 (Portal Brasil, 2015).

O que Ricardo Felício esta propondo é que um país que preserva seus recursos naturais é um país miserável e tem o índice de desenvolvimento humano baixo. Ora, o Índice de Desenvolvimento Humano nem considera a questão da preservação dos recursos naturais como um indicador. Os indicadores são o Produto Interno Bruto, renda per capita, coeficiente de Gini, nível de desemprego e a oferta de serviços públicos à população.

O Carbono e os combustíveis

Outro problema básico da argumentação de Ricardo Felício quanto ao carbono ser o gás da vida não é somente a medida na qual o CO2 é tomado como poluente, mas a devemos considerar que a queima de combustíveis fósseis emite uma série de outros componentes químicos. Sabe-se, por exemplo, que o monóxido de carbono emitido da combustão de motores esta ligado a doenças cardíacas e pulmonares. Somente para o monóxido de carbono (CO), são emitidas 1,9 milhão de toneladas por ano. Suas principais fontes são os carros movidos a combustão de gasolina (49%), os veículos a diesel (28%) e os carros a álcool (17%). Grandes concentrações desse poluente afetam diretamente a oxigenação do organismo, causando diminuição dos reflexos e da percepção visual. Os outros poluentes mais importantes são os hidrocarbonetos (430 mil toneladas por ano), óxido de nitrogênio (450 mil toneladas), óxido de enxofre (130 mil toneladas) e material particulado (núcleo de carbono no qual se aderem várias substâncias tóxicas, como compostos de enxofre e nitrogênio e metais 95 toneladas). No caso da cidade de São Paulo, as indústrias são responsáveis pela emissão apenas das partículas inaláveis (10%) e de dióxido de enxofre (15%). O restante é emitido por veículos (Revista FAPESP, 1997).

Uma pesquisa recente mostrou que mais de 5,5 milhões de pessoas morrem prematuramente a cada ano devido ao uso doméstico e poluição do ar exterior. Mais de metade das mortes ocorrem em duas das economias que mais crescem no mundo, China e Índia.

O enxofre queimado e liberado na atmosfera afeta não somente a saúde das pessoas, mas interfere na atividade fisiológica das plantas. Altas concentrações de SO2 no ambiente (acima de 1300 µg m-3) causa o fechamento estomático alterando o padrão de evaporação das plantas e trocas gasosas. O caminho que o SO2 faz é o mesmo do CO2. Nas paredes celulares o SO2 é dissolvido formando acido sulforoso HSO3 e o sulfito SO3-2 que são distribuídos no ambiente intracelular chegando aos cloroplastos, vacúolos alterando o potencial hidrogeniônico (pH ideal = 8) funcionando como um sorvedouro de íons (Larcher, 2004).

Fonte: Larcher, 2004

Quanto ao CO2 ser o gás da vida, tudo vai depender claramente das concentrações em que os seres vivos são expostos. Plantas sob a concentrações de 100 Pa CO2 mostra de fato apresentam um aumento significativo no crescimento e um incremento na produção de biomassa. Sob condições elevadas de CO2, os estômatos apresentam menor abertura, diminuindo a perda de água alterando a transpiração vegetal e o regime de chuvas. Neste sentido, plantas sob stress hídrico são capazes de manter a absorção de CO2 por um tempo maior. Porém, efeitos opostos também ocorrem e podem diferir entre espécies (Mousseau & Enoch, 1989). Efeitos negativos provenientes do excesso de CO2 incluem o carregamento excessivo do cloroplasto com amido e hipertrofia do tecido foliar. Como consequência, o excesso de carboidratos e produtos assimilados são desviados as raízes alterando assim a relação entre as partes aéreas e subterrâneas da planta, isto leva ao aumento a respiração pelas raízes, elevando a perda de produtos fotossintéticos via sistema radicular. As consequências fisiológicas do vegetal afetam seu desenvolvimento, especialmente quando a resistência a fatores de stresse. Análises de estômatos de folhas fossilizadas estabelecem uma relação entre os altos níveis de CO2 na atmosfera e baixa densidade estomática indicando o papel negativo do excesso de carbono na atmosfera. A fisiologia vegetal de plantas em relação a extensa exposição ao CO2 indica diminuição da atividade da enzima Rubisco descarboxilase (fundamental para a atuação do ciclo de Calvin e fixação do dióxido de carbono na sua forma orgânica) alterações morfológicas a área especifica foliar, supressão de produtividade primária das plantas (Larcher, 2004)

É preciso tomar cuidado ao dizer que o carbono é o gás da vida. Tudo vai depender da concentração em que ele se apresenta e a forma na qual ele é assimilado e administrado fisiológicamente pela fauna e flora.

Em um estudo publicado recentemente na revista Experimental Physiology, um grupo de brasileiros confirmou a importância de um grupo específico de neurônios, situados em uma região encefálica conhecida como núcleo retrotrapezoide (RTN), na detecção de alterações nos níveis de dióxido de carbono (CO2) e na modulação da atividade de outros grupos neuronais que controlam a atividade respiratória. O CO2 é importante para regular o equilíbrio ácido-básico do sangue e quando a concentração desse gás fica acima do normal, o sangue tende a ficar mais ácido, o que promove a ativação de sensores especializados chamados quimiorreceptores. Em um experimento, cobaias foram colocadas em uma câmara onde era possível medir a quantidade de ar inspirado e expirado a cada ciclo respiratório. Os cientistas introduziram nesse ambiente uma mistura gasosa com cerca de 7% de CO2, concentração bem mais alta que a do ar atmosférico (em torno de 0,03%), suficiente para causar um estado de hipercapnia (elevação dos níveis de CO2 no sangue arterial) e promover a ativação do quimiorreflexo.

Após dez minutos de exposição ao CO2, o grupo de animais apresentou uma redução significante da ventilação em condições de ar ambiente. Há casos de crianças recém-nascidas em que os neurônios que expressam o gene Phox2b na região do RTN em neurônios que detectam variações de CO2 estão comprometidos prejudicando o processo ventilatório durante o sono e vigília (Agencia FAPESP, 2014). Os resultados renderam artigos no European Journal of Physiology e na revista Acta Physiologica.

Em concentrações muito altas, estes seriam alguns dos efeitos fisiológicos nos humanos expostos ao “gás da vida”. Da mesma forma que Pirulla não ofereceu uma medida para balizar a concentração de CO2 em que seria um poluente, Felício não apresentou em que concentrações o CO2 é o gás da vida e quando deixa de ser – se é que na concepção de Ricardo ele deixa de ser o gás da vida independente de sua concentração.

As argumentações negacionistas das mudanças climáticas sempre usam o carbono como referência relacionada á vida devido a seu efeito fundamental para a origem vida, mas quando ele é associado junto a outros fatores (desmatamento, crescimento de grandes centros urbanos mundiais) como agentes químicos produzidos em excesso pelo homem e ligados a mudanças climáticas as relações sempre são confundidas.

Em 2000 a base de dados Global Land Cover SHARE, divulgada e a FAO informou que a área urbanizada do planeta triplicou em 14 anos, e ocupava 0,6% da superfície Terra, enquanto as zonas de cultivo e as cobertas por árvores diminuíram. Pode parecer pouco o valor de 0,6%, mas devemos considerar que 75% da superfície do planeta é recoberta por massas de água.

Só no ano de 2014 mais de 54% da população mundial já vivia em cidades e as migrações tem contribuído para o incremento desta urbanização, segundo o relatório anual da Organização Internacional para as Migrações (OIM) hoje divulgado em Genebra. O estudo prevê que “a atual população urbana de 3,9 mil milhões passe a 6,4 mil milhões em 2050”.

Cerca de 77 milhões de pessoas estão mudando de áreas rurais para áreas urbanas a cada ano. O último relatório das cidades do mundo da ONU descobriu que o número de “megacidades” – aqueles com mais de 10 milhões de pessoas – mais do que duplicou nas últimas duas décadas, de 14 em 1995 a 29 em 2016. Enquanto o mundo desenvolvido já foi o lar das maiores cidades, esse mapa mostra que é agora o mundo em desenvolvimento assumir a liderança.

Image: UN World Cities Report

O Histórico

Observando uma aula da professora Daniela de Souza Onça – uma negacionista das mudanças climáticas – foi destacado trechos de relatos de uma série de filósofos, pensadores e políticos antigos em que diziam que havia mudanças nos níveis de perda de gelo, alteração de fluxo de água em rios. Para ela, estas constatações feitas há séculos atrás curiosamente deveria nos tornar céticos quanto as mudanças climáticas. Curiosamente ela destaca constatações, inclusive a feita por Arrhenius e credita tais dados a um pensamento cético.

Em sua aula denominada “Ideologia do Aquecimento Global” onde tenta dar conotações ideológicas e não-científicas a tese, a professora se esquece que adota uma postura que, seria segundo os critérios dela mesmo, um argumento ideológico contrário ao aquecimento global.

Na história recente da química a primeira proposta ligada as mudanças climáticas veio do francês Jean Baptiste Joseph Fourier que em 1820 calculou que um objeto do tamanho da Terra e sua distância em relação ao Sol deveria consideravelmente ser mais frio do que se o planeta fosse aquecido exclusivamente por efeitos da radiação solar incidente. Após várias análises de diferentes fontes do calor ele publicou artigos entre 1824 e 1827 sugerindo que a radiação solar poderia ser responsável por uma grande parte do calor adicional na atmosfera terrestre e sobre a possibilidade de que a atmosfera da Terra agiria como um isolante térmico. Esta foi á primeira proposta referente ao efeito estufa (Fourier, 1824 e 1827 & Weart, 2008). O trabalho de Fourier foi simples; ele usou a equação de Stefan-Boltzmann (E = σ.T4 / onde E= emissividade) para calcular a entrada e saída de calor.

Em termos práticos, ele calculou que 1.367 W/m2 (Watts = Joules por segundo) era o fluxo de entrada de energia na Terra e que a saída deste calor em infravermelho deveria ser ter o mesmo valor, assim, a temperatura do planeta seria constante. Ao realizar seus cálculos ele obteve a temperatura média do planeta em torno de 19°C (ou 254°K) e notou que a temperatura não correspondia á realidade. Dois cenários poderiam estar acontecendo: ou muito calor estava chegando a Terra, ou pouco calor estava sendo emitido de volta ao espaço.

Após estudar as variáveis de seus cálculos notou o papel dos gases da atmosfera como isolante térmico e considerou-os em seus novos cálculos, tendo no final a temperatura média do planeta em 15°C (ou 288°K). Fourier foi o primeiro a constatar o efeito estufa potencial agente importante na alteração da temperatura média do planeta. Portanto, Sim! A atividade solar exerce uma forte influência no aumento da temperatura da Terra e a atmosfera atua como um isolante térmico.

Entretanto, não podemos confundir clima com temperatura. O clima é dinâmico e depende de vários fatores, a temperatura aumenta a medida que grande parte da energia é retida na atmosfera por diversos processos químicos e/ou físicos. Isto influencia profundamente o clima do planeta.

Em seguida, historicamente, o escocês John Tyndall constatou, em 1863, o que Fourier havia sugerido. Tyndall fez um experimento colocando tubo com uma vela em uma extremidade e um detector de infravermelho na outra. Seu experimento consistiu em preencher este tubo com gás carbônico. Ele notou que este gás atuava como um isolante impedindo a passagem de raios infravermelhos e aprisionando o calor da vela. Ele acabou constatando o papel dos gases como promotor da manutenção e aumento de temperatura de um sistema. Portanto; sim o CO2 interfere no clima do planeta na medida em que retém, ou aprisiona o calor (Ecolnews). A experiência mostrando o absorção de radiação infravermelha pelo dióxido de carbono foi repetida no programa da BBC 2 “Earth: The Climate Wars“.

Em 1896 o famoso químico sueco Svante Gustav Arrhenius (famoso por ter conceituado ácido, base e sal e é um dos pais da química moderna) descreveu o efeito estufa e propôs a teoria de que mudanças na concentração de CO2 da atmosfera poderiam afetar a temperatura na superfície da Terra. Ele estimou que, dobrando a quantidade de CO2, haveria um aumento de temperatura da ordem de 4 a 6°C. Suas previsões estavam corretas, e estão até os dias de hoje, como destaca o professor Carlos Henrique de Brito Cruz (professor do Instituto de Física da Unicamp e diretor científico da FAPESP)

Na década de 1930, G. S. Callendar sugeriu que o aquecimento global verificado a partir de 1860 (quando as medições meteorológicas passaram a ser feitas rotineiramente) poderia ser consequência do aumento do COna atmosfera.  Portanto, a constatação de que os gases emitidos pelo homem tem grande contribuição com a as mudanças climáticas é sugerida de longa data.

As correntes determinando o clima

O oceano não armazena apenas radiação solar; ele também ajuda a distribuir o calor ao redor do globo. Quando as moléculas de água são aquecidas, elas participam livremente do ar durante o processo de evaporação. A água do oceano esta constantemente evaporando favorecendo o aumento da temperatura e da umidade do ar ambiente para formar chuvas (como na Amazônia) e tempestades que são depois deslocadas por ventos, muitas vezes grandes distâncias. De fato, a grande maioria das chuvas que caem em terra começaram a se formar no oceano. Os trópicos são particularmente chuvosos devido a absorção de calor e, assim, a evaporação do oceano que é maior nesta área.

Fora das áreas equatoriais da Terra, os padrões climáticos são impulsionados em grande parte pelas correntes oceânicas. Correntes são movimentos da água do oceano em um fluxo contínuo, influenciado por vários fenômenos: temperatura, gradientes salinidade, rotação da Terra e marés (os efeitos gravitacionais do sol e da lua). Os principais sistemas atuais normalmente fluem no sentido horário no hemisfério norte e anti-horário no hemisfério sul, em padrões circulares que muitas vezes traçam as linhas costeiras. As correntes oceânicas agem como um sistema transportador de água em diferentes temperaturas, precipitam a partir do equador para os polos e a água fria a partir dos polos de volta para os trópicos. Assim, as correntes de regulação do clima global, ajudam a neutralizar a distribuição desigual da radiação solar que atinge a superfície da Terra. Sem correntes, as temperaturas regionais seriam mais extremas – muito quentes no equador e frígidas em direção aos polos e muito menos da superfície terrestre seria habitável (National Oceanic and Atmospheric Administration).

Embora o calor nos oceanos profundos ainda não seja bem compreendido sabemos como as mudanças climáticas causadas pelo homem afetam a circulação do oceano. O atual sistema de correntes oceânicas é relativamente estável, e poderia ser interrompido se adicionarmos na atmosfera com gases de efeito estufa.

Embora a causa da mudança climática antropogênica esteja na atmosfera, os oceanos são fatores de vital importância para a determinação do clima na Terra. Aqui, vale a pena relembrar três conceitos importantes que geralmente são confundidos; temperatura e calor.

O conceito de temperatura se refere a uma grandeza física diretamente relacionada ao estado de movimento ou agitação das partículas que compõem os corpos. O calor deve ser definido como a diferença de temperatura existente e notória se comparamos dois corpos (PostDam Institute for Climate Impact Research).

Os oceanos não respondem passivamente às mudanças atmosféricas, mas é um componente muito ativo do sistema climático. Há uma intensa interação entre os oceanos, atmosfera e o gelo. Mudanças na circulação oceânica geram oscilações climáticas que tem sido fortemente amplificadas durante as Eras de Gelo, e as oscilações internas da circulação oceânica pode ser a causa de algumas das últimas variações climáticas.

As correntes oceânicas têm uma profunda influência sobre o clima. Elas cobrem cerca de 71% da Terra e absorvem cerca de duas vezes mais radiação do sol que a superfície da terra. Com a sua capacidade de calor enorme, os oceanos amortecem as flutuações de temperatura, mas desempenham um papel ainda mais ativo e dinâmico. As correntes oceânicas movem grandes quantidades de calor em todo o planeta, mas, em contraste com a atmosfera, os oceanos estão confinados por massas de terra, de modo que o seu transporte de calor é canalizado para regiões específicas.

Uma região que sofre grande influência das correntes oceânicas é o Atlântico Norte. Na extremidade há um sistema de recepção de circulação de águas que liga a Antártida com o Ártico, conhecido como “circulação termoalina” ou “Great Ocean Conveyor Belt”.

Circulação termoalina” ou “Great Ocean Conveyor Belt”.

A Corrente do Golfo e sua extensão em direção a Escócia desempenha um papel importante neste sistema. O termo “circulação termoalina” descreve as forças motrizes da temperatura (termo) e salinidade (alina ou salina) de água do mar e determinam as diferenças de densidade da água que, em última instância conduzem o fluxo, ou a corrente. O termo “cinturão transportador” (Conveyor Belt) descreve o ramo superior que carrega calor para o Norte e oferece o calor para a atmosfera, e depois retorna ao Sul (a cerca de 2-3 km abaixo da superfície do mar) com o nome de North Atlantic Deep Water (NADW). A corrente transporta grande quantidade de calor para o norte do Atlântico Norte é: algo em torno de 1 picowatt (PW), que é equivalente à saída de um milhão de centrais elétricas. Bodö na Noruega tem temperaturas médias de -2°C em janeiro e 14°C em julho; em Nome na costa do Pacífico do Alaska, na mesma latitude o frio muito mais intenso, por volta de -15°C em janeiro e apenas 10°C em julho (PostDam Institute for Climate Impact Research).

Bodö na Noruega e Nome na costa do Pacífico do Alaska.

As imagens de satélite mostram como a corrente quente mantém grande parte do Mar norueguês da Groenlândia livre de gelo, mesmo no inverno apesar do resto do Oceano Ártico (mesmo muito mais ao sul) ficar congelado.

Manabe e Stouffer (1988) foram os primeiros a analisar o que acontece quando este cinturão transportador está ausente em um modelo de circulação oceano-atmosfera. Eles descobriram que as temperaturas da superfície do mar no norte do Atlântico Norte caiam até 7°C. As temperaturas do ar caíram ainda mais, até 10°C ao longo dos mares Árticos perto Escandinávia, embora a causa raiz para o resfriamento da atmosfera eram as temperaturas da superfície do mar. A razão para esta amplificação do aquecimento foi o avanço de gelo do mar, o que reflete a luz solar de volta para o espaço e, assim, conduzido a um resfriamento adicional. As mudanças de temperatura do ar, segundo o modelo, são consistentes com a diferença observada entre Bodö e Nome, confirmando que esta diferença é de fato causado principalmente pelo calor norte interposto pelas correntes oceânicas do Atlântico no clima atual. Isto quer dizer que a temperatura caiu porque houve um resfriamento na atmosfera que foi causado por alterações na corrente transportadora de calor (PostDam Institute for Climate Impact Research).

As correntes oceânicas eram diferentes no passado segundo as evidências encontradas em sedimentos do fundo do mar que permitiu aos cientistas obter com riqueza de detalhes a dinâmica das correntes oceânicas e o quão distante elas se ramificavam.

O assoalho do oceano concentra linhas de sedimentação, que permitem entender o sentido e a dinâmica das correntes, a datação delas tal qual vemos os anéis de árvores (dendrocronologia) ou as camadas anuais de neve acumulada nas geleiras. Os detalhes são tão precisos que é possível fazer a distinção entre condições na superfície do mar e na parte inferior, onde a principal fonte de dados são as conchas de organismos minúsculos. Sob o microscópio, a abundância destas espécies diferentes pode ser contabilizada e identificada como seres de superfície ou moradores de fundo de oceano. A composição química das suas conchas foi determinada pelo conteúdo de temperatura, salinidade e de nutrientes das águas os organismos viviam na, que por sua vez revela informação sobre as correntes oceânicas do tempo (PostDam Institute for Climate Impact Research).

Olhando para os registros oceânicos dos últimos 100 mil anos é possível identificar as variações das correntes e como sucederam ao longo do tempo. Apenas os últimos 8 mil anos, ou seja, a maior parte do Holoceno foi um período relativamente estável. Antes disso, ao longo da última Era Glacial, mudanças súbitas e solavancos ocorrem no registro aproximadamente a cada mil anos. Estes dados são consistentes entre os diferentes núcleos de sedimentos, e a maioria dos picos nas condições oceânicas correspondem a mudanças climáticas síncronas em terra como registrado no gelo da Groenlândia (Bond et al, 1993).

Alguns episódios de clima frio começaram com uma queda de temperatura de 5°C sobre a Groenlândia há algumas décadas ou até menos. A explicação mais plausível para essas mudanças climáticas repentinas são rápidas mudanças ou avarias na dinâmica das correntes oceânicas do Atlântico Norte. O momento exato, a sequência de eventos e as causas últimas.

Dois pesquisadores, Lohmann e Dima (2010) descobriram um enfraquecimento da corrente de circulação Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC); a corrente de circulação mais longa do oceano Atlântico. Este enfraquecimento ocorre desde o final da década de 1930 (ano que foi muito quente). Os cientistas do clima Michael Mann da Penn State e Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático sugeriram que o padrão de frio observado durante anos de registros de temperatura é um sinal de que a AMOC pode estar enfraquecendo. Eles publicaram suas descobertas em um estudo e concluíram que a circulação AMOC mostrou uma desaceleração excepcional no século passado e que a Groenlândia em processo derretimento é um contribuinte possível.

O aquecimento global pode, por meio de uma paralisação da circulação termoalina, desencadear o resfriamento no Atlântico Norte, Europa e América do Norte (Science Daily, 2004). Isso afetaria áreas como as Ilhas Britânicas, França e nos países nórdicos, que são aquecidos pela deriva do Atlântico Norte (Wheter Online). As principais consequências para além de resfriamento regional, poderia também incluir um aumento nos grandes inundações e tempestades, um colapso das populações de plâncton, mudança no regime de chuva nos trópicos e aquecimento do Alasca e Antártida (incluindo os elementos que intensificam o efeito El Niño), maior frequência e intensidade do El Niño, ou um evento anóxico no oceânico Uma causa provável dos eventos de extinção em massa que ocorreram no passado (Schiermeier, 2007).

De acordo com um estudo publicado na Nature Climate Change por Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático está acontecendo uma desaceleração da grande circulação oceânica que, entre outras funções planetárias, ajuda para dirigir em parte da corrente do Golfo, que é apenas uma parte de um sistema de transporte oceânico regional mais amplo (a AMOC), que por sua vez é apenas uma parte do maior circulação global a termoalina. (Neste vídeo da NASA visualiza-se a circulação termoalina por todo o globo. Rahmstorf também tem um blog postar em RealClimate.org explicando sua pesquisa).

O sistema tem uma vulnerabilidade chave. A água salgada e fria é mais densa do que a água quente, por isso afunda. No entanto, se o degelo é intenso (como na Groenlândia) ocorre um resfriamento ainda maior em uma água menos salgada. A água menos salgada torna-se menos densa e reduz a sua tendência em circular abaixo da superfície. Isso retarda ou cessa a circulação.

O filme “O Dia Depois de Amanhã” (2004) tratou de representar este processo de desligamento que desencadeia uma Era do Gelo, e profere um desastre em escala global.

O estudo aponta que as mudanças climáticas causadas pelo aumento da temperatura média do planeta parecem estar abrandando a circulação. Entre os efeitos muito reais, observa o autor destaca-se que pode ocorrer um possível aumento do nível do mar nos EUA se toda a circulação quebrar.

O estudo usa uma reconstrução das temperaturas da superfície do mar no Atlântico Norte, e também constatou que a partir de 1970 ou 1975 a circulação começou a enfraquecer ainda mais em um evento provavelmente desencadeado por uma quantidade incomum de gelo do mar viajando para fora do oceano Ártico, derretendo, e causando o resfriamento. A circulação, em seguida, começou a se recuperar na década de 1990 e parece apresentar uma recuperação temporária, embora atualmente esteja ainda mais enfraquecida.

A razão pela qual essa nova queda esta acontecendo vem da hipótese de que a lâmina de gelo da Groenlândia pode estar perdendo água doce o suficiente devido ao aquecimento,  derretimento e consequente enfraquecimento da circulação. Tudo indica que uma determinada região do oceano do Atlântico Norte ao sul da Groenlândia e entre o Canadá e Grã-Bretanha está se tornando mais fria, um indicador de menos transporte de calor para o norte. Uma publicação recente do National Oceanic and Atmospheric Administration que analisou dados do inverno de dezembro 2014 até de fevereiro 2015 mostra que este foi o período de inverno mais quente já registrado para o mundo como um todo. Houve várias anomalias e não apenas um inverno frio para os EUA na porção oriental, mas também temperaturas frias no meio do Atlântico Norte:

De acordo com o National Climatic Data Center, o mundo viu seu inverno mais quente… exceto em um ponto no oceano Atlântico Norte (a cor azul profundo acima), que estabeleceu um recorde para o frio; que não é bom. (NCDC)

Tendemos a nos concentrar em temperaturas da superfície terrestre, porque é onde vivemos e desprezamos locais que são de fundamental importância no estabelecimento do clima. O calor da superfície é apenas uma fração da equação alterações climáticas. Apenas 7% do calor do sol fica preso por gases de efeito estufa, os 93% restantes são absorvidos pelos oceanos, ganhando regiões profundas como vimos.

pesquisa indica que desde 1970 os oceanos do mundo absorveram 251 zettajoules de energia. Mas zettajoule é uma maneira muito esotérica para falar de calor. Em termos práticos, um zettajoules é suficiente para abastecer 25 bilhões de casas americanas médias durante um ano. A energia média anual absorvida pela camada superior do oceano sozinho é igual a 43 vezes a quantidade de energia consumida os EUA em 2012, o ano mais recente com dados disponíveis.

Quando os negacionistas do clima afirmam que “a atividade solar não exerce aumento na temperatura da Terra” ele esta completamente errado porque este calor que entra na atmosfera terrestre simplesmente não desaparece. Ele exerce uma profunda influência no clima.

Este calor é absorvido pelos oceanos que representam a grande porcentagem da superfície do planeta, é também absorvido em áreas continentais (que tem taxas de absorção dependendo se são áreas ainda florestadas ou não). Nos oceanos onde há as correntes marinhas, um dos principais definidores do clima do planeta. Quanto maior a temperatura (ou maior o calor aprisionado), maiores serão ás consequências climáticas. Quanto maior a concentração de CO2 na atmosfera maior será a contribuição deste aprisionamento de calor que se refletirá na temperatura média global. Tudo isto terá consequências a curto e longo prazo na dinâmica climática que regimes de chuvas, intensificando fenômenos climáticos e assim em diante.

As geleiras

As afirmações de Ricardo Felício para a Antártida e Ártico não conferem com dados coletados recentemente. A perda de gelo terrestre na Antártida e na Groenlândia é um termômetro para os nossos polos, uma prévia do que significa quando nós alteramos o termostato global.  De 2002 a meados de novembro 2014 – menos, 13 anos – a perda de gelo na terra combinada da Antártida e da Groenlândia é mais de 5 trilhões de toneladas, ou, um volume de cerca de 5.700 quilômetros cúbicos, um cubo de gelo de cerca de 18 quilômetros,

A afirmação de que o gelo do mar estar aumentando e se recuperando é em parte falaciosa. Em primeiro lugar, o gelo do mar Ártico está diminuindo rapidamente. Abaixo está a extensão do gelo ártico representada pela NASA, mas também há disponível na National Snow and Ice Data Center que pode ser acessada tanto para o Ártico quanto para a Antártida. A plataforma mostra todas as medições desde a década de 80 e mostra a perda constante do gelo e a taxa de reposição é inferior a perda:

A extensão do gelo do mar flutua ao longo de um ano, conforme refletido na curva do gráfico animado acima. Mas a tendência geral para menos gelo é claramente visível de 1979 a 2016. Foto cortesia do observatório da Terra da NASA.

Em segundo lugar, a perda de gelo do mar Ártico é tão grande que facilmente supera quaisquer ganhos temporários em gelo marinho Antártico.

Extensão global do gelo marinho desde 1979. (Fonte da imagem: Tamino. Os dados são de EUA National Snow and Ice Data Center)

National Snow and Ice Data Center (NSIDC) Antártico, Ártico global (soma dos dois) extensões de gelo do mar com tendências lineares. Os dados são suavizados com uma média de execução de 12 meses.

Em terceiro lugar, o gelo do mar é muito diferente do gelo terrestre. A perda de gelo da plataforma continental não está sendo substituída em qualquer lugar perto da taxa que está sendo perdida. Uma vez que ele desliza para o mar, ela simplesmente vai alterar o nível dos oceanos a longo prazo e potencialmente alterando as correntes de água quente e fria que regulam nosso clima como destacado acima.

Quanto a Antártida, em um estudo publicado no Journal of Glaciology os autores analisaram os dados de altimetria por satélite. Olhando para diferentes satélites, eles descobriram que bastante neve caiu sobre algumas partes do sul do continente (a mais importante da vasta área da Antártida Oriental) equilibrando o gelo perdido através de fusão. Em outras palavras, a Antártica Oriental (em partes do Oeste) ganha massa. Mas os autores observam que a taxa de acumulação é estável, porque as perdas estão aumentando. Eles analisaram os dados que vão de 1992 a 2008 e constataram que durante este tempo a perda de massa devido ao derretimento do gelo na Antártida (principalmente no Oeste) tem acelerado. Tem sido realmente acelerada por algum tempo, mas nos últimos anos acelerou muito e o suficiente para ultrapassar facilmente a massa obtida pela queda de neve sobre a Antártica Oriental. Usando dados obtidos pelos satélites Grace (que medem como massa debaixo deles muda ao longo do tempo), sabemos que, em geral, a Antártica está perdendo mais de 130 bilhões de toneladas de gelo anualmente, e a cada ano cerca de 6 bilhões a mais de toneladas de gelo estão sendo perdidas em relação ao ano anterior.

Perda de gelo da Groenlândia e da Antártida desde 2002. O ponto zero é a média ao longo de 2002-2015. Gráficos da NASA

A Groenlândia está perdendo 5 bilhões de toneladas de massa por ano, com o gelo que está se deslizando para o Oceano Atlântico Norte. A constatação é feita por Jeremie Mouginot, um pesquisador assistente no Departamento de Ciência do Sistema Terrestre da Universidade da Califórnia, Irvine.

Mouginot e seus colegas do Laboratório do Jet Propulsion Laboratory da Nasa, em Pasadena, Califórnia; e da Universidade de Kansas, Lawrence, constataram este dado estudando o Zachariae Isstrom, um glaciar presente a noroeste da Groelândia. Sondas radar altamente sensíveis, gravimetros e perfilamento a laser, juntamente com radar e imagens ópticas do espaço monitoram e registram as mudanças na forma, tamanho e posição do gelo do glaciar durante períodos de tempo longos, proporcionando preciso dados sobre o estado das regiões polares da Terra e constataram a perda de massa. Os autores ainda concluem que é provável que as geleiras de Nioghalvfjerdsfjorden – adjacente a Zacharie – está derretendo em um ritmo mais lento porque é protegida por uma colina no interior.

Série de imagens temporais de Zachariae Isstrøm geleira da Groenlândia vista pelo satélite da NASA / USGS Landsat. O retiro de frente da geleira é indicado por linhas, de verde-escuro (2003) a luz verde (2015) codificados por cores. Créditos: NASA/USGS

As duas geleiras compõem 12% do gelo da Groenlândia e iriam aumentar os níveis globais do mar em mais de 39 polegadas (99 centímetros) se forem totalmente colapsados. Segundo o estudo, Nioghalvfjerdsfjorden e Petermann-Humboldt vão perder suas plataformas de gelo nos próximos anos, aumentando ainda mais as contribuições futuras da Groenlândia para a elevação global do nível do mar.

Conclusão

Não parece mais ser possível e defensável a ideia de que não há mudanças climáticas ocorrendo. A defesa de Ricardo Felício de que não há aquecimento global é abusivamente contrastante com evidências coletadas no mundo todo e apresentou-se meramente informal até o presente momento. As evidências de desastres proporcionados pela alteração da temperatura média global são presentes em todo o globo. Ainda que sua defesa seja sobre a regionalidade das mudanças – como ilhas de calor, por exemplo – não há sentido algum considerando a extensão territorial urbanizada globalmente, as constatações em regiões de geleiras, as altas taxas de liberação de CO2 na biomassa e perda de biodiversidade faunística e flora. Não é uma questão ideológica ou meramente política, mas um fato científico devidamente constatado que os negacionistas não conseguem rebater. Como ex-cético das mudanças climáticas não consigo enxergar qualquer base científica no discurso dos negacionistas, apenas a falta de eloquência dentro de uma tese minimamente formalizada e coerente com as evidências.

Mesmo Roy Spencer que é cético do clima ficou assustado com os registros que ele mesmo constatou em fevereiro de 2016 no Ártico. Em seu blog, o ex-cientista da NASA disse que segundo o satélite de registros, o conjunto de dados de escolha por céticos do clima, por uma variedade de razões em fevereiro 2016 caracterizou-o como “colossal” as anomalias de temperatura especialmente no Ártico. Estimulado pela descrença, Spencer verificou com outros os seus dados divulgados e disse que a sobreposição de seus dados com os oficiais da NASA é “quase tão boa quanto a que eu tenho”. Ele disse ao Washington Post, que os dados de fevereiro de 2016 provaram “ter-se aquecido”. A questão era “o quanto de aquecimento tem acontecido”.

Quanto aos efeitos do CO2 e sobre ser o gás da vida, Ricardo parece confundir o fato do efeito estufa fornecer uma temperatura favorável a origem da vida e sua manutenção com o efeito estufa intensificado promovido pela humanidade por diversas atividades antropogênicas. Adiciona-se a equação o fato de que as vias pelos quais o CO2 é produzido também gera gases-traço industriais, hidrocarbonetos halogenados que contribuem não apenas para as condições climáticas regionais e globais mas afetam diretamente a saúde pública. Ricardo desconsidera que muitas vezes as fontes destes produtos são provenientes de redes metalúrgicas, fabricas de cerâmica, metais pesados e metaloides, depósitos de lixo, aterros sanitários, sais de degelo, herbicidas e tantas outras fontes que contribuem para uma problemática ambiental seja em questões climatológicas ou de perda de biodiversidade.

A fisiologista Lewis Ziska da USDA Agricultural Research Service juntamente com colegas da Universidade de Purdue, Williams College e do Smithsonian analisaram a relação do teor de proteínas do pólen a partir de amostras históricas de plantas como a Canadá Goldenrod (Solidago canadensis) da coleção do Smithsonian’s National Museum of Natural History com o pólen de ensaios de campo que simulam diferentes níveis de dióxido de carbono atmosférico. Eles descobriram que à medida que os níveis de CO2 aumentam, o teor de proteínas do pólen diminuiu. Um experimento de campo simulou uma faixa semelhante de exposições de CO2 e incluiu futuras concentrações deste gás até 500 partes por milhão (ppm) e confirmou os resultados de herbário. Ainda assim, como Ziska apontou, não está claro se há um limite superior para o efeito, ou se o teor de proteína acabará por estabilizar independentemente da concentração de CO2 na atmosfera (Smithsonian, 2016).

Pesquisas recentes sobre reservas de carbono descobertas abaixo dos Estados Unidos  levaram a uma nova estimativa da quantidade de carbono no manto superior da Terra: aproximadamente 100 trilhões de toneladas. Em contraste, existem apenas cerca de 3,2 trilhões de toneladas de CO2 (contendo cerca de 870 bilhões de toneladas de carbono real) na atmosfera hoje. Sim, medimos com precisão e estimamos a quantidade de dióxido de carbono que os seres humanos têm adicionado à atmosfera através da queima de combustíveis fósseis, mas é vital saber qual é a taxa natural de emissão de CO2 para entender se há um impacto causado por humanos no planeta. Os seres humanos emitem cerca de 29 bilhões de toneladas de CO2 por ano: um pouco menos de 1% do CO2 atmosférico atual. Considerando que há 33 vulcões de desgasificação medidos que emitem um total de 60 milhões de toneladas de CO2 por ano; um total de ~150 vulcões de desgasificação conhecidos, implicando (com base nos dados medidos) que um total de 271 milhões de toneladas de CO2 são lançados anualmente; 30 vulcões historicamente ativos foram medidos como emissores de um total de 6,4 milhões de toneladas de CO2 por ano; ~550 vulcões historicamente ativos, eles extrapolam que essa classe de objetos contribuem com 117 milhões de toneladas por ano; um total global de lagos vulcânicos é de 94 milhões de toneladas de CO2 por ano; que as emissões adicionais de áreas vulcânicas tectônicas, hidrotermais e inativas contribuem com estimativas de 66 milhões de toneladas de CO2 por ano, embora o número total de áreas tectônicas emissoras seja desconhecido; e finalmente, que as emissões das cristas do meio do oceano são estimadas em 97 milhões de toneladas de CO2 por ano.

Somando tudo isso, obtém-se uma estimativa de cerca de 645 milhões de toneladas de CO2 por ano considerando as incertezas e a variação anual. Portanto, o vulcanismo contribui com 645 milhões de toneladas de CO2 por ano, ou seja, 0,645 bilhões de toneladas de CO2 por ano em comparação com os 29 bilhões de toneladas por ano da humanidade. É esmagadoramente claro o que vem causando o aumento do dióxido de carbono na atmosfera desde 1750.

A forma como o clima reage ao CO2 é complexa, e é difícil separar os efeitos de alterações naturais daqueles feitos pelo homem ao longo de períodos de tempo curtos – mas é possível.

Duplicando a quantidade de CO2 não dobra o efeito estufa, porque a relação não é uma proporção de 1 para 1. À medida que a quantidade de CO2 de origem humana sobe, as temperaturas não sobem na mesma proporção. Embora as estimativas variem (a sensibilidade climática) o intervalo provável, médio, é um aumento entre 2 e 4,5°C, para cada duas vezes a quantidade de CO2 em relação aos níveis pré-industriais. Até o presente momento, a temperatura média global subiu por volta de 0,8°C (ou 1,4°F) desde 1880 segundo cientistas do Instituto Goddard da NASA para Estudos Espaciais (GISS) (NASA). O clima da terra é mais sensível ao dióxido de carbono do que se pensava.

Ricardo precisa definir exatamente qual a sua defesa: se as mudanças são regionais e não globais?; se são globais quais causas que não sejam antropogênicas?; ou será que estamos entrando e um período de resfriamento?

Ricardo também comete um erro primário em ciência, o ônus da prova. Suas afirmações são de que as mudanças climáticas são farsas, são dados manipulados e orquestrados para sustentar uma tese com finalidades financeiras. O ônus da prova cai sobre quem afirma a ocorrência de um fato, é de sua responsabilidade justifica-los e comprova-los. Cabe a Ricardo a responsabilidade de se pronunciar cientificamente via artigos científicos devidamente publicados e indexados expondo cada ponto falacioso das publicações do IPCC. Caso isto não ocorra, será somente um discurso informal de negação de dados nada diferente de uma afirmativa religiosa.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Mudanças climáticas, Pirulla, Ricardo Felício, Amazônia, Geleiras, Climatologia, CO2, Ecofisiologia, Carbono, Combustíveis fósseis.

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Referências

Bond, G., W. Broecker, S. Johnsen, J. McManus, L. Labeyrie, J. Jouzel and G. Bonani, 1993: Correlations between climate records from North Atlantic sediments and Greenland ice. Nature, 365, 143-147.
Dima, M & Lohmann, G. (2010). “Evidence for Two Distinct Modes of Large-Scale Ocean Circulation Changes over the Last Century”. AMS.
Fourier J (1824). “Remarques Générales Sur Les Températures Du Globe Terrestre Et Des Espaces Planétaires”. Annales de chimie et de physique [S.l.: s.n.] 27: 136–67.
Fourier J (1827). “Mémoire Sur Les Températures Du Globe Terrestre Et Des Espaces Planétaires”. Mémoires de l’Académie Royale des Sciences [S.l.: s.n.] 7: 569–604.
Larcher, W. Ecosfisiologia Vegetal. Editora Rima. 2004
Manabe, S. and R. J. Stouffer, 1988: Two stable equilibria of a coupled ocean-atmosphere model. J. Clim., 1, 841-866.
Mousseau, M & Enoch, H. Z. arbon dioxide enrichment reduces shoot growth in sweet chestnut seedlings (Castanea sativa Mill.). Plant, Cell & Enviroment. Volume 12, Issue 9 December 1989 Pages 927–934
Schiermeier, Quirin (2007). “Ocean circulation noisy, not stalling”. Nature 448 (7156): 844–5.
Weart, S. (2008). The Carbon Dioxide Greenhouse Effect. Página acessada em 27 de maio de 2008.
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