EVOLUÇÃO NÃO É SINÔNIMO DE ACASO – CABEÇA VAZIA, OFICINA DO CRIACIONISMO.

Não é possível defender a tese de que a evolução seja sinônimo de acaso.

As pessoas que usam a palavra acaso (ausência de causa) como sinônimo de evolução biológica certamente não compreendem o significado de “acaso”, aleatoriedade e evolução biológica.

Admitimos que existem componentes aleatórios que ocorrem dentro de processos biológicos e evolucionários, assim como há também na química ou na física. Mas o acaso não resume a evolução biológica. A evolução é um processo e não sinônimo de acaso. Por exemplo: em biologia ocorrem mutações aleatórias, no sentido de que não há padrões claros de ocorrência dessas mutações. No entanto, o processo não é ao acaso, pois acaso pressupõe ausência de causa e há elementos não-aleatórios.

Os biólogos sabem quais fenômenos causam mutações: exposição a radiação, vírus, falhas na maquinaria de reparo de DNA e tantas outras. Sabemos também que nem todos os elementos aleatórios presentes em etapas do processo evolucionário são tão “despadronizados” assim, porque existem probabilidades relacionadas a taxas de mutação em regiões cromossômicas de diferentes cromossomos.

Em química, processos de polimerização em engenharia de materiais são na maioria das vezes determinados de modo aleatório e sintetizam polímeros ramificados, em rede ou paralelos.  Em física, grande parte da órbita de planetas tem componentes aleatórios muito presentes, como destacou o físico Leonard Mlodinow em “O andar do Bêbado”. Na bolsa de valores a presença da aleatoriedade é constante; a a máxima é válida para dados sociológicos e até mesmo no trânsito. Como veremos, quase todos os fenômenos que observamos na natureza tem alguma relação com a aleatoriedade.

Para começarmos nossa discussão, precisamos primeiramente compreender definições e conceitos básicos sobre o acaso, aleatoriedade e sorte para discutir a questão da evolução e decompormos suas específicas etapas.

O Acaso

A princípio – já adiantando – a equação “evolução = acaso ou sorte” mostra-se completamente errada. Acaso é ausência de causa e nos remete a uma abordagem, via de regra, filosófica. Erroneamente, acaso é usado como um sinônimo de aleatoriedade. Sabemos que na natureza ou cosmo (denominada de physis pelos gregos), há uma clara relação de causa e efeito. Por esta razão, Aristóteles estabeleceu as 4 causas do ser: material, formal, motriz, e a última delas, a teleológica. Ao estabelecer as 4 causas e a relação causa e efeito, ele chegou a um problema epistemológico: Qual a causa primeira?

Embora nunca tenha definido a “causa não causada causadora de todos os efeitos” como sendo deus (coisa que foi feita pela igreja católica na Idade Média), Aristóteles apenas denominou-a como primeiro motor. Infelizmente, na história da humanidade Aristóteles foi subvertido a concepções religiosas, inicialmente islâmicas (argumento de Al-Ghazzali ou Kalam) e posteriormente cristã.

Em resumo: sendo o acaso definido pela ausência de causa, tanto a física como a biologia não usam este termo. Não fazem uso justamente porque a natureza do cosmos é estabelecida pela relação causa e efeito.

A busca pelo que causou a origem do Universo acaba, em última instância, sendo reduzida a uma causa intencional (teleológica, defendida com base na crença e fé religiosa em um criador chamado de deus) ou na causa natural (termodinâmica e oscilações quânticas de um vácuo metaestável) se responsabilizam em responder. Neste sentido, a física vai defender uma explicação natural encontrando na physis algo que explica a sua própria natureza e suas peculiaridades; enquanto a religião vai buscar na metafísica a explicação da physis, sendo ela então engenheirada por um criador.

Notemos que uma é cientificamente justificável (pelo método e os modelos explicativos retirados partir dos experimentos), a outra é religiosamente justificada (pela revelação divina e o dogma).

Os conceitos de probabilidade, aleatoriedade, acaso e imprevisibilidade já faziam parte do senso comum desde a antiguidade clássica, mas a Teoria das Probabilidades, que formula matematicamente uma descrição do papel do acaso só foi estruturada somente em 1957 por Andrey N. Kolmogorov.

Trazendo isto para as ciências naturais, a biologia sabe o que causa as mutações; e ao determinar as causas que levam a alteração no material genético não podemos dizer que o motor do processo evolucionário é o acaso.

A aleatoriedade

Há muito tempo se tenta entender o papel da aleatoriedade em diversas atividades humanas, de jogos de azar, jogos com dados, cara-ou-coroa, tomadas de decisão em negócios e análise de riscos de mercado.

É natural o ser humano cometer erros quando submetido à noção de acaso e aleatoriedade. Empregamos processos intuitivos nossos para fazer avaliações e escolhas diante de situações de incerteza; e estes processos intuitivos nos levam a tomar decisões que muitas vezes são desvantajosas. Partes do cérebro que avaliam situações envolvendo aleatoriedade e as que lidam com a característica humana muitas vezes são consideradas a nossa principal fonte de irracionalidade e das emoções. Imagens de ressonância magnética funcional mostram que o risco e recompensa são avaliados por partes de um circuito de recompensa do cérebro importante em processos emocionais (especialmente ligadas ao medo, devido á incerteza) e motivacionais (Mlodinow, 2011).

Muito do que acontece conosco, seja o êxito na carreira profissional, em investimentos ou decisões pessoais resultam de fatores aleatórios tanto quanto a habilidade de preparação e esforço. A realidade que percebemos não é um reflexo direto das pessoas ou circunstâncias que a compõem, mas sim de uma imagem borrada pelos efeitos aleatórios de forças externas e imprevisíveis ou variáveis que estão fora de nosso controle e que estamos sujeitos (Mlodinow, 2011).

Quando examinamos eventos extraordinários nos esportes, economia e tantos outros, notamos que nem todo evento extraordinário tem causas extraordinárias, como exigiu Carl Sagan. Muitos eventos aleatórios se parecem com eventos não-aleatórios. Ao interpretarmos as questões humanas e eventos naturais devemos ser cautelosos para não confundir uns com os outros – eventos com nossas expectativas (Mlodinow, 2011).

Um exemplo comum disto é a “Falácia do Apostador” que caracteriza os jogos de azar. Um jogador acredita muitas vezes que após uma sequência de perdas em jogos de azar, seguirá uma sequência de ganhos (ou vice-versa) como uma espécie de compensação probabilística.

Ainda antes de Kolmogorov, estudava-se os conceitos de imprevisibilidade e de probabilidade no jogo de cara-ou-coroa. Sabe-se que mesmo havendo 50% de chances de cair uma determinada face, não se pode afirmar com certeza o que deve acontecer na próxima jogada. A matemática apenas mostra que em uma quantidade infinita de jogadas o número de aparições de uma determinada face tende a ser 50%.

O jogo de cara-ou-coroa, em tese poderia ser descrito pela mecânica clássica de Newton: se forem conhecidas com precisão todas as condições iniciais de lançamento da moeda: velocidade inicial, força, vento, atrito, massa e centro de massa da moeda. Pode-se assim calcular qual face deverá cair voltada para cima.

As variáveis envolvidas, infelizmente não são precisas e então se torna imprevisível saber qual face vai cair para cima. O mesmo problema encontramos na previsão meteorológica (por isto é uma previsão e não uma premonição do tempo), pois qualquer instabilidade ou imprecisão nas condições iniciais podem trazer resultados divergentes. Este é o princípio por trás do “efeito borboleta”, na Teoria do Caos, que difere do conceito de aleatoriedade.

Mesmo o modo aleatório que escolhemos em nossos celulares para ouvir músicas não é aleatório. Gerar um número randômico não é algo fácil porque os números que vão estabelecer qual canção será escolhida são gerados artificialmente. O computador precisa de uma fórmula matemática para gerar números, e como existe uma fórmula matemática para isso, o tal número gerado é essencialmente não-aleatório, pois ele pode ser calculado a priori (IBM, 2003).

Sendo assim, é bem provável que a natureza não seja determinística, e portanto, a aleatoriedade faz parte do processo natural.

Outro exemplo de aleatoriedade na física é o movimento browniano, ou, movimento aleatório de partículas que foi constatado por Robert Brown ao observar o pólen flutuando na água. O primeiro vislumbre sobre o processo foi dado por Boltzmann e Maxwell, mas só foi elucidado por Albert Einstein.

Einstein descobriu que apesar do caos microscópico, havia uma relação previsível entre fatores como tamanho, número e velocidade das moléculas e a frequência de magnitude dos movimentos. Em síntese, boa parte da ordem que observamos na natureza esconde uma desordem subjacente invisível, e assim, só pode ser compreendida por meio das regras da aleatoriedade (Mlodinow, 2011).

A palavra aleatoriedade vem sendo utilizada de modo errado. Aleatoriedade não é sinônimo de acaso, mas de ausência de padrão. A ausência de padrão é observada em todos os fenômenos da natureza. Temos ausência de padrão nas taxas de mutação dos cromossomos, nas variáveis que atuam na bolsa de valores, em orbita de planetas e até mesmo na medida de trafego de carros.

Mesmo na ausência de padrão, há cromossomos e/ou regiões cromossômicas que são mais prováveis de sofrerem mutações do que outras. Tendo em mente estes detalhes, notamos então que as mutações não são ao acaso, mas provém de eventos já reconhecidos nos quais podemos primeiramente elencar quais são as causas da mutação e como se dá o componente aleatório sobre elas; ou seja, as taxas de mutações e se elas são constantes a todos ou se são variáveis (e onde são variáveis).

Evidentemente, as mutações são causadas, primordialmente, por copias imprecisas do material genético. A maioria das mutações que consideramos importantes para a evolução acabam ocorrendo naturalmente. Por exemplo, quando uma célula se divide, faz uma cópia do seu DNA, e às vezes a cópia não é perfeita. Essa pequena diferença da sequência de DNA original é uma mutação. As mutações também podem ser causadas pela exposição a produtos químicos ou radiações específicas. Esses agentes causam a degradação do DNA. Isso não é necessariamente algo não-natural pois mesmo nos ambientes mais isolados, o DNA pode se abrir e sua estrutura molecular pode ser alterada. Mesmo quando a célula repara o DNA afetado por uma mutação, pode não fazer um trabalho perfeito e assim, a célula acabaria com DNA ligeiramente alterado em relação ao DNA-matriz e, portanto, novamente, uma mutação (Berkeley).

Tabaco, luz ultravioleta e outros produtos químicos são potenciais atuantes sobre o DNA. A maneira como esses agentes afetam nossos genes é muito variada: os agentes mutagênicos podem afetar a maneira como a replicação ocorre porque esses produtos químicos não se comportam corretamente em ambiente intra-celular. Este tipo de mutação ambiental é referido como uma substituição de nucleotídeos. Outros exemplos de muitos tipos de mutações de DNA são: a deleção, quando uma seção de DNA é excluída, o que significa que parte da informação para produzir uma proteína desaparece completamente; e a inserção, quando o código genético extra é inserido. Isto é como adicionar um ingrediente extra na receita de produção de proteínas.

Acredita-se que a taxa de mutação varie muitas vezes entre os genes dentro de um genoma e entre linhagens: em mamíferos isto é mais evidente. Espécies que representam grandes grupos de mamíferos placentários apresentam diferentes taxas de mutação entre genes em um genoma e entre diversas linhagens de mamíferos. Tal taxa é aproximadamente constante por ano e amplamente similar entre certos genes. Similaridades de taxas de mutação entre linhagens com comprimentos de geração e atributos fisiológicos muito diferentes apontam para uma contribuição muito maior de processos mutacionais independentes de replicação para a taxa de mutação global.

Em 2009 um estudo calculou que toda vez que o DNA humano passa a geração seguinte, ele acumula entre 100 e 200 novas mutações. Tal cálculo foi feito a partir de uma análise de seqüenciamento de DNA do cromossomo-Y. Este número é equivalente a uma mutação em cada 30 milhões de pares de bases e corresponde às estimativas anteriores de comparações de espécies e doenças raras.

A equipe de pesquisa britânico-chinesa que realizou o estudo sequenciou dez milhões de pares de bases no cromossomo-Y de dois homens que viviam na China rural, que eram parentes distantes. Esses homens herdaram o mesmo cromossomo ancestral masculino de um parente em comum que viveu há mais de 200 anos. Ao longo das 13 gerações subsequentes, este cromossomo-Y foi passado fielmente de pai para filho, embora com raros erros de copia de DNA. O cálculo foi feito extrapolando esse resultado para todo o genoma e revelou uma taxa de mutação de cerca de um em 30 milhões de pares de bases.

Os cromossomos-Y não se misturam com outros cromossomos, o que torna mais fácil a estimativa de sua taxa de mutação. Mas a taxa de mutação é diferente em outros cromossomos, ressalta Adam Eyre-Walker, biólogo evolutivo da Universidade de Sussex em Brighton, Reino Unido.

Outro fator que afeta a taxa de mutação é que os machos têm maior risco de mutações do que as fêmeas. Isto é devido aos cromossomos X e Y. Em mamíferos, como no caso de nossa espécie uma mulher possui cromossomos sexuais XX e precisaria de ambos os cromossomos afetados pela mutação, enquanto que um macho (XY) só precisaria da mutação passada uma vez. Este é o caso se a mutação estiver no cromossomo X (Hodgkinson & Eyre-Walker, 2011).

O cromossomo X humano parece ter um terço da densidade da seqüência de codificação dos cromossomos autossomos e, devido à proteção parcial da alta taxa de mutação do sexo masculino, também deve ter uma menor taxa de mutação do que os autossomos. Assim, o cromossomo X deve contribuir com um quarto das mutações deletérias esperadas a partir do seu conteúdo de DNA (Giannelli & Green, 2000).

Sabe-se também que a taxa de mutação varia em todo o genoma. Após o desenvolvimento de pesquisa envolvendo grandes conjuntos de dados genômicos a extensão total dessas taxas tornou-se mais evidente. A taxa de mutação varia em muitas escalas diferentes, desde locais adjacentes até cromossomos inteiros. Alguns desses padrões têm bases mecanicistas claras, mas grande parte da variação da taxa permanece inexplicável, e algumas delas ainda são profundamente desconcertantes para a genética. A variação na taxa de mutação tem implicações importantes na biologia evolutiva e para o nosso entendimento sobre doenças hereditárias como o câncer. Por esta razão, a medicina está associada a processos evolucionários, pois ambas trabalham com a mesma base de dados e promovem um intercâmbio de informações.

Mutações são o mais importante de todos os processos genéticos, gerando variação genética entre indivíduos dentro de uma espécie e entre células dentro de um indivíduo. A mutação produz, então, a variação genética em que a evolução atua, bem como a variação que contribui para doenças genéticas hereditárias e doenças do tecido somático sob a forma de câncer e envelhecimento. Tal variação na taxa de mutação é importante por vários motivos: é fundamental para muitas questões em biologia evolutiva, incluindo a estimativa da distância evolutiva, a reconstrução da filogenia, a inferência de estados ancestrais, a detecção de evolução adaptativa e a estimativa de ancestralidade. Outro elemento que afeta a taxa de mutação tem a ver com o tamanho da população e a identificação de elementos funcionais dentro do genoma.

Se uma doença pode ser causada por vários loci, sejam genes inteiros ou regiões, então dois fatores determinam se um locus está associado à doença: o efeito do locus sobre a característica e a taxa de mutação do locus. Quanto maior a taxa de mutação, mais provável é que o locus tenha uma mutação que possa afetar a característica. Por outro lado, genes ou regiões genômicas com altas taxas de mutação podem parecer ser a causa de doenças, mesmo que não sejam, simplesmente porque eles contêm mutações em muitas amostras da doença.

Mamíferos, e em particular hominídeos e roedores, são os mais estudados de todos os organismos em relação à variação na taxa de mutação em todo o genoma. Isso ocorre porque eles foram alguns dos primeiros genomas eucariotas a serem sequenciados (Hodgkinson & Eyre-Walker, 2011).

Variação entre os cromossomos. A divergência média entre humanos e chimpanzés para cada cromossomo, normalizada de tal forma que a divergência média entre os cromossomos é igual a 1, juntamente com o padrão da linha preta. (Hodgkinson & Eyre-Walker, 2011)

Os padrões de substituição em um determinado gene podem mudar em uma linhagem em comparação a outra por uma série de razões, incluindo rearranjos cromossômicos ou transferência horizontais de genes. Por exemplo, as seqüências do mesmo gene em humanos e ratos estão evoluindo com padrões de substituição evolutiva significativamente diferentes em 1.703 de 3.722 comparações (46%), conforme apontou um estudo. Esses genes mostram claramente uma diferença de conteúdo para as bases G-C no DNA –  mais alta do que a esperada. É possível que genes com pequenos comprimentos de sequência contribuam principalmente para essa variação.

Para obter uma avaliação independente dos tempos de divergência, o estudo analisou taxas de similaridade entre as linhagens através de testes de taxa relativa usando uma espécie como grupo externo.

Para primatas e roedores (usando marsupiais como um grupo externo), a diferença de taxa média na análise de multigenes foi de aproximadamente 9%. Curiosamente, uma grandeza semelhante foi encontrada mesmo em outras comparações. Por exemplo, a diferença de taxa média entre as famílias Canidae e Felidae ou entre Murinae e Cricetinae usando primatas como grupo externo foi de aproximadamente 10 e 11%.

Outro elemento que interfere na taxa de mutação são as espécies com o menor comprimento de geração. Estas passarão por mais divisões celulares de linha germinal por ano e, assim, acumulam um maior número de erros de replicação na unidade de tempo; o que leva a uma maior taxa de mutação por unidade de tempo. No entanto, a relação entre o número de divisões de células germinativas e a taxa de mutação claramente não é linear, como é indicado na diferença na proporção da taxa de mutação macho/fêmea em primatas e roedores.

Primatas mostram uma taxa de mutação e proporção macho/fêmea (Huttley et al, 2000) que é quase a mesma que a observada em roedores, mesmo quando a proporção do número de divisões de células germinativas em machos e fêmeas é quase 3 vezes maior em seres humanos, em comparação com camundongos. Portanto, os dados sugerem que os processos mutacionais são independentes da replicação, mas não sabemos se isto ocorre em todos os grupos biológicos. Isto é verdade para metilação do DNA e recombinação genética (Kumar & Subramanian, 2001).

Notamos então que todas estas variáveis fazem com que a mutação – que não é ao acaso –  tenha taxas de ocorrência distintas que não seguem um padrão geral a todas espécies. Quando os pesquisadores consideram as taxas de mutação do DNA nuclear das respectivas espécies, eles podem com uma margem de segurança razoavelmente grande estabelecer graus de relacionamento filogenético e distanciamento entre os diferentes grupos em função do tempo geológico. Este é um elemento aleatório que está presente no processo evolutivo.

Mas a aleatoriedade não define a evolução porque os outros elementos do processo não são aleatórios e nem ao acaso. Mas antes de discutir isto, precisamos fazer uma digressão com o conceito de “sorte”.

A sorte

É possível se deparar com o argumento de que a evolução funciona a partir da sorte – como sinônimo de acaso. Sorte é supostamente um conjunto de eventos que ocorrem fora de nosso controle, mas que “conspira” para favorecer-nos – ou não. Quando a “conspiração” para que um conjunto de eventos improváveis e fora de nosso controle ocorre e levamos a pior, chamamos isto de “má-sorte” – ou azar.

Tecnicamente, não há conspiração alguma. Não há qualquer consciência ou intencionalidade em um fenômeno natural de tal forma a conspirar a favor ou contra nós. Tal ideia, de conspiração do cosmo, deus ou pensamentos positivos (o falso positivo) nada mais é do que uma outra forma de manifestar a falácia do jogador; acreditar que algo grandioso e desconhecido como o cosmo ou que as mutações foram direcionadas para a sorte do indivíduo adaptado ou azar do indivíduo com alguma síndrome genética.

Os fenômenos naturais ocorrem sem respeitar nossas expectativas, desejos ou intenções. Como destacou certa vez o astrônomo Neil deGrasse Tyson “O Universo não tem obrigação de fazer sentido para você. Os sentidos humanos não são a medida do que é verdadeiro ou não no universo, os experimentos são“.

A falácia do jogador afeta mais as pessoas do que podemos imaginar, ainda que em um nível inconsciente. Um número ou conjunto de números é considerado aleatório se não soubermos ou não pudermos prever que resultados serão gerados pelo processo. A questão é que se os eventos são aleatórios, nós não estamos no controle, e se estamos no controle dos eventos, eles não são aleatórios. Há um confronto fundamental entre nossa necessidade de sentir que estamos no controle e nossa capacidade de reconhecer a aleatoriedade (Mlodinow, 2011).

A ilusão de controle sobre eventos aleatórios aumenta em situações financeiras, esportivas e principalmente comerciais, quando o resultado de uma tarefa movida pelo acaso é precedido por um período e planejamento estratégico. Uma vez que acreditamos enxergar um padrão, não abrirmos mão dessa percepção com muita facilidade.

O desempenho das ações na bolsa é aleatório (ou tão próximo) que na ausência de informações privilegiadas e na presença de um custo para comprar e vender ou gerenciar uma carteira de títulos não temos como lucrar com qualquer desvio da aleatoriedade. Quando estamos diante de uma ilusão, em vez de tentarmos provar que nossas ideias estão erradas, tentamos provar que elas estão certas. Isto se chama viés de confirmação, e representa um grande impedimento a nossa tentativa de nos libertarmos da interpretação errônea da aleatoriedade. E claro, além da tendência em tentarmos buscar as evidências que corroboram o que acreditamos e não os fatos (Mlodinow, 2011).

No caso da biologia não é diferente. Notamos então que a seleção natural não é acaso e também não é sorte. As mutações (motor primário da evolução) ocorrem por motivos conhecidos pela ciência; sabemos suas causas, entretanto, elas ocorrem de maneira aleatória – ou seja, sem um padrão.

Mas evolução não é só mutação. Seleção natural é um mecanismo não-aleatório, mas sim obrigatório e inerente ao fato de estar vivo. Uma das formas de evidenciar isto é que uma das teses para definir vida é considerar o fato de estar sujeita de processos darwinianos, uma propriedade da vida (EI-Hani & Videira, 2000).

A evolução

Mas então se a evolução não é direcionada de modo consciente, não é ao acaso, nem aleatória ou movida pela sorte, o que ela é? A evolução é um processo, ou seja, é uma sequência finita de operações que diante de certas propriedades soluciona problemas.

A questão então é: quais seriam os eventos que fazem parte das etapas algorítmicas da evolução. Ora, conhecemos todos eles desde o Ensino Médio.

O processo começa com a mutação, como vimos (que é aleatória, o motor da evolução), e o componente algorítmico começa com: a variabilidade, onde diferentes alelos, ou seja, versões de um gene que variaram entre si em uma dada população. Estes alelos são produzidos pelas mutações ou são influenciados por interruptores epigenéticos; pressão ambiental que é o tipo de papel ecológico ou contexto ambiental que o animal está inserido. Nessas relações e papeis ecológicos veremos se tal mutação pode ser biologicamente significativa na luta pela sobrevivência; a seleção natural atua neste processo, sendo um filtro que seleciona indivíduos mais adaptados a uma dada condição ecológica – e que obviamente não é um componente movido pela sorte ou acaso. Estar vivo é estar sujeito a seleção; e a herança, processo pelo qual um organismo (uni ou multicelular) adquire uma matriz genética e torna-se predisposto a adquirir características semelhantes a de seu progenitor e que é fundamental para que a evolução ocorra já que esta ocorre ao longo de gerações.

Notemos que: o único componente aleatório – ou seja, com ausência de padrão – é a mutação, que inclusive pode ser eliminada caso corrompa o genótipo e afete o fenótipo. Todos os outros elementos do algoritmo evolucionário ocorrem, ou seja, não há evolução sem variabilidade (haveria extinção), não haveria evolução sem a pressão ambiental porque é ela que delimita o papel da seleção natural que também não é ao acaso ou aleatória. Por fim, não haveria evolução se as peculiaridades genéticas não fossem transferidas a geração seguinte. Darwin, chamava o processo evolucionário de “descendência com modificação”.

Reduzir a ciência da evolução – ou mesmo as leis da física e química – somente a ao campo da aleatoriedade, acaso e sorte não acompanham o básico da ciência moderna atual.

Um exemplo de como um processo seletivo é diferente de um processo aleatório é dado em um simples campeonato. Em um campeonato de cara-ou-coroa temos o componente aleatório (50% de chance da moeda cair em cara ou coroa) mas há um processo seletivo.

Comparemos tal processo aleatório em um campeonato com processos seletivos com meras jogadas aleatórias: Qual a probabilidade de obtermos quatro coroas no lançamento de quatro moedas? Realizando o teste, 32 indivíduos disputaram entre si o cara-e-coroa, afim de, verificar qual deles conseguiria acertar 4 vezes a sua escolha. Nenhum deles conseguiu acertar 4 vezes o resultado.

A intenção era verificar se na pratica algum deles conseguiria acertar consecutivamente a sua escolha: ganhando assim de seu oponente de 4 a 0. No lançamento de uma moeda temos a possibilidade de obter o resultado cara e o coroa. Se elencarmos todas as possibilidades teremos 16 resultados possíveis ao serem lançadas quatro moedas:

1 cara cara cara cara
2 cara cara cara coroa
3 cara cara coroa cara
4 cara coroa coroa coroa
5 cara coroa cara cara
6 cara coroa cara coroa
7 cara coroa coroa cara
8 cara coroa coroa coroa
9 coroa cara cara cara
10 coroa cara cara coroa
11 coroa cara coroa cara
12 coroa cara coroa coroa
13 coroa coroa cara cara
14 coroa coroa cara coroa
15 coroa coroa coroa cara
16 coroa coroa coroa coroa

Analisando a tabela acima podemos identificar facilmente que há apenas 1 ocorrência deste evento em 16 possibilidades, a última, assim a probabilidade é de 1/16 ou 6,25% seguindo:

Pensemos agora em um campeonato – que nada mais é que um processo seletivo – com os mesmos 32 participantes. Nele, teríamos apenas um vencedor que acertou o resultado de todas as partidas.

Neste caso, o vencedor teria de jogar 4 partidas; e ganhado todas elas. Aleatoriamente, a chance dele acertar 4 vezes seguidas 4 lançamento seria de 6,25%. Em um processo seletivo as chances podem ser maximizadas.

Suponhamos que o campeonato tivesse 1024 jogadores concorrendo. O jogador que será campeão terá jogado 10 partidas e terá que ganhado todas elas. As etapas eliminatórias seriam: 1024 – 512 – 256 – 128 – 64 – 32 – 16 – 8 – 4 -2 e no final somente 1 jogador ganharia.

Se calcularmos a probabilidade de um indivíduo lançar a moeda 10 vezes e ela cair sempre cara, a probabilidade deste fenômeno ocorrer seria (210 = 1024) e a probabilidade de acerto seria de 0,0009%. Evidentemente, não estamos dando a possibilidade de o indivíduo intercalar suas escolhas de jogada entre cara e coroa, e certamente a probabilidade seria mais restrita.

O que importa neste momento é que em um campeonato – que nada mais é do que um processo seletivo – o indivíduo campeão assim será porque em 10 jogadas realizadas, disputando com 1024 jogadores, ganhou todas; enquanto aleatoriamente, a chance dele conseguir acertar 10 vezes o resultado é de 0,0009%.

O experimento acima deixa claro que um processo de seleção atua de modo bastante distinto ao processo aleatório e portanto, não é possível dizer que evolução é sinônimo de acaso, mas que há um componente aleatório no processo de mutação – a mutação é, então, o motor da evolução.  Este, será selecionado mediante a pressão ambiental na qual o animal esta inserido. Assim, a evolução, é um processo algorítmico, que atua de forma distinta do mero devir.

 

A Herança e a aleatoriedade

Certa vez, apresentando estas etapas do processo evolucionário a um criacionista (proponente do design inteligente) que afirmava que a evolução era fruto do acaso, foi argumentado que o processo de hereditariedade carregava características aleatórias.

O argumento se baseava no fato da meiose realizar o processo crossing-over que é um “re-embaralhamento” aleatório dos genes que favorece o aumento da variabilidade genética.

O crossing-over é o processo pelo qual dois cromossomos emparelhados durante a profase I da meiose trocam a porção distal do seu DNA. O processo ocorre quando dois cromossomos homólogos se quebram e ligam às extremidades um do outro.

A região onde estes cromossomos se fragmentam é variável. O local onde a fragmentação ocorrerá é variável, aleatória, mas a fragmentação invariavelmente ocorre. A aleatoriedade não está na probabilidade da fragmentação ocorrer ou se será herdada (pois ela será), mas no fato de que ela vai ocorrer em algum local que a priori não sabemos onde é.

Se tal fragmentação ocorrer em loci diferentes, o resultado é a duplicação de genes em um cromossomo e a deleção no outro. Se a quebra ocorre em lados opostos do centrômero, resulta na perda de um cromossomo durante a divisão celular. Qualquer par de cromossomos homólogos pode sofrer crossing-over três ou quatro vezes durante a meiose. Isto ajuda a evolução ao aumentar a diversidade e diminuir a ligação hereditária entre genes do mesmo cromossomo. Portanto, não há um processo aleatório sobre o fenômeno ocorrer ou não, mas em qual porção ele vai ocorrer.

Conclusão

A Evolução não é acaso. O processo apresenta componentes aleatórios (como quase tudo que conhecemos), mas há elementos seletivos, processos obrigatórios que ocorrem pela própria decorrência de como a vida se estabelece. Basta um conhecimento básico de biologia da escola para compreender que a evolução é um processo, com etapas, e portanto, um processo algorítmico (embora nunca digam isto quando cursamos o Ensino Médio).

A evolução não se faz com ausência de causa, e não é composta unicamente por um processo aleatório, mas por seleção diante de um ambiente de competição. O elemento algorítmico vai depender de variabilidade, pressão ambiental, seleção e herança. Com estes elementos (algoritmo) é possível que processo naturais criem estruturas biológicas, designs complexos anatômicos e comportamentais que permitem as espécies evoluir.

As evidências do processo evolucionário estão em todas as partes da biologia. Seja no código genético universal em simples bactérias, células das folhas das árvores ou qualquer outro ser vivo em que são capazes de ler qualquer fragmento de DNA de qualquer forma de vida na Terra. Esta é uma evidência muito forte para uma ancestralidade comum de toda a vida existente.

Outra fonte de evidências da evolução está no registro paleontológico, que mostra que os fósseis mais simples são encontrados nas formações estratigráficas mais antigas, além da transição suave e gradual de uma forma de vida para outra.

Os seres humanos têm aproximadamente 99% dos genes em comum com os chimpanzés, cerca de 90% dos genes em comum com gatos (Pontius et al, 2007), 80% com vacas (Elsik etal, 2009) e 75% com ratos (Church et al, 2009). Isso não prova que evoluímos de chimpanzés ou gatos, no entanto, apenas que compartilhamos um ancestral comum no passado. As diferenças entre nossos genomas correspondem a quanto tempo nossas linhas genéticas divergiram, e esta é também uma evidência da evolução.

Além destas, observamos traços comuns em embriões.  Seres humanos, cães, serpentes, peixes, macacos, e muitas mais formas de vida são consideradas pertencemos ao filo Chordata. Uma das características deste filo é que os embriões possuem fendas brânquiais, caudas e estruturas anatômicas específicas que envolvem a coluna vertebral. Para os seres humanos (e outros não-peixes), as fendas branquiais se transformam nos ossos da orelha e do maxilar em um estágio posterior do desenvolvimento. Desta forma, inicialmente, todos os embriões de cordados se assemelham um ao outro. De fato, os embriões de porcos eram muitas vezes dissecados em aulas de biologia por causa do quão semelhantes eram com embriões humanos. Estas características comuns só podem ser possíveis se todos os membros do filo Chordata descenderem de um ancestral comum.

Outro exemplo onde a evolução pode ser vista com clareza é na resistência bacteriana aos antibióticos. Somente através da evolução as bactérias ganham está resistência. É importante notar que em todas as colônias de bactérias, existem poucos indivíduos que são naturalmente resistentes a certos antibióticos. Isto é devido à natureza aleatória das mutações, com vimos acima (Veja mais aqui).

Quando um antibiótico é administrado, a inoculação inicial aniquilará a maioria das bactérias, deixando vivas somente aquelas com um diferencial – que possuem as mutações necessárias para resistir aos antibióticos. Nas gerações subseqüentes, as bactérias resistentes se reproduzem, formando uma nova colônia onde cada membro é resistente ao antibiótico. Assim surgiram as cepas de bactérias super-resistentes. O antibiótico está selecionando naturalmente organismos que são resistentes e matando todos os que não são.

Sendo assim, quando alguém disser que evolução é sinônimo de acaso, ou de sorte, certamente esta pessoa não sabe como a evolução funciona ou está disseminando uma leitura errada do processo evolucionário visando criar uma versão distorcida da teoria para critica-la sem que esta corresponda aos fatos.

Victor Rossetti e Roberto Parra (físico)

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Acaso, Aleatoriedade, Sorte, Cromossomos, Mutações, DNA, Taxa de Mutação, Cromossomos, Cosmo, Variabilidade, Seleção Natural, Evolução, Herança, Crossing-Over, Algoritmo.

 

Referências

EI-Hani, C. H. & Videira, A. A. P. O que e vida? Para entender a biologia do século XXI. Relume Dumara. Rio de Janeiro 2000.
Hodgkinson, Alan; Eyre-Walker, Adam (2011-11-01). “Variation in the mutation rate across mammalian genomes”. Nature Reviews Genetics. 12 (11): 756–766.
Huttley G A, Jakobsen I B, Wilson S R, Easteal S(2000). How Important Is DNA Replication for Mutagenesis? Mol Biol Evol 17:929–937.
Mlodinow, L. O andar do Bêbado. Editora Zahar. 2011

19 thoughts on “EVOLUÇÃO NÃO É SINÔNIMO DE ACASO – CABEÇA VAZIA, OFICINA DO CRIACIONISMO.

  1. Sem ser criacionista,a e muito menos evolucionista (contesto ambas as correntes), uso em geral o termo “acaso” no caso evolucionista no significado de “sem intenção”, não sem causa. Parece que a base evolucionista é que as coisas sem “intenção constatável”, e muitas vezes porque sequer ver. Vejamos o caso dos espermas na fecundação. É um monte deles às vezes para um único ovo. A fecundação em si é “casual” (algum chega lá), mas todos os espermas, seja lá qual fo, SE CHEGAR LÁ, VAI FECUNDAR PARA GERAR OU SER DA MESMA ESPÉCIE, se alguma coisa não for feita nos respectivos DNAs tanto do esperma como do ovo. Então, a ‘fecundação’ pode ser ocasional, MAS A PRODUÇÃO DE ESPERMAS NÃO É, é ‘intencional’, e sendo intenção, HÁ INTENÇÃO. Acho que o grande equívoco no palpite de Darwin foi admitir que os seres se ajustam “ao ambiente”, por acaso, ou sem intenção alguma, e esse é o grande equívoco dos evolucionistas, ao qual dou o nome de “acaso”. E se em tudo há intenção, NÃO É TÃO COMPLICADO CONCLUIR QUE ONDE HAJA INTENÇÃO, HÁ QUE HAVER INTELIGÊNCIA. Será que um grão é capaz de ter “intenção de fazer um tijolo”?
    Como o texto não expõe o autor, presume-se ser de Rossetti.
    arioba

    • Prezado: a evolução, por ser um efeito, obrigatoriamente possui uma causa, sob pena de ser a causa de si mesmo, o que é metafisicamente impossível. Talvez alguma versão simplória do Criacionismo caia nesse erro, mas não as teorias proposta por Behe, Dembski etc. Você pode considerar o ID um teoria ruim, falha, porém ela não está eivada do vício supramencionado.
      Como já afirmou o grande Mário Ferreira dos Santos, os entes biológicos possuem reações desproporcionais, portanto não previsíveis (só é possível vislumbrar tendências e horizontes de possibilidade). Em alguma medida isso pode ser chamado de acaso, mas nunca de ausência de causa.
      Parece-me que o Evolucionismo tem de tratar do acaso quando ignora completamente a causa final aristotélica, isto é, a evolução dos entes não possui finalidade. O Criacionismo aponta no sentido oposto: os entes foram planejados para finalidades específicas, incluindo as mutações. Segundo minha visão, a sobrevivência não pode ser a finalidade das mutações, ela e a finalidade dos entes biológicos em sua completude. Sem contar que as mutações, em geral, debilitam os entes (basta verificar os efeitos nocivos da radiação).

      • ” a evolução, por ser um efeito, obrigatoriamente possui uma causa, sob pena de ser a causa de si mesmo, o que é metafisicamente impossível”
        A evolução é sim um efeito de uma causa – um efeito colateral da luta pela sobrevivência. Ao lutar para sobreviver um animal não esta pensando em evoluir e sim garantir sua existência. Como não ha fixismo e há ligeiras variações que ocorrem naturalmente na espécie, certas variedades tem algumas vantagens. Portanto, não é coerente dizer que a evolução é causa de si mesmo mas efeito de uma luta pela sobrevivência.
        As propostas de Behe e Dembski não são teorias, são pressupostos que careceram de constatação. O Behe, ao ser escrutinado mostrou não só não saber definir ciência como também usou uma série de mecanismos para defender complexidade irredutível ignorando artigos científicos que descreviam os processo evolutivos, homologias e aspectos bioquímicos da cascata de coagulação (como por exemplo os hemofílicos), o flagelo bacteriano e as homologias dos genes que codificam as proteínas do motor molecular, o olho (ignorando as homologias de cascatas bioquimicas do gene PAX6 e fotorreceptores rabméricos e ciliares e opsinas C e R). No caso de Dembski pior ainda, pois tenta usar a tese do fluxo de informação genética constatada na bioinformática por diversos autores (vide Adami, por exemplo) que flui entre gerações para dizer que tal fluxo não ocorre. Além disto, Dembski é o exemplo vivo de que o Discovery Institute na qual ele pertence é relacionado a movimentos religiosos, uma vez que Dembski é pregar em igrejas do Texas e assumidamente defende que o Designer é o deus do cristianismo.
        Ignorar a causa final aristotélica por Darwin somente demonstrou aquilo que os gregos pré-socraticos buscavam muito tempo antes – explicar a natureza a partir de algum principio que nao muda e explica suas mudanças sem recorrer a entidades divinas(Tales inaugurou isto). A tese de Darwin esvaziou o papel de deus ao tirar a teleologia, a scala naturae o fixismo e o idealismo a respeito das diversas formas de vida usando conceitos e definições que foram constituídas por pesquisadores que eram religioso de sua época: diversos geólogos que defendiam que a terra tinha milhares de anos, mas ainda sim eram religiosos (partindo de conceitos de estratigrafia) e de Richard Owen que forneceu toda a base de homologias e arquetipos. Darwin apenas usou os conceitos destes pesquisadores para oferecer uma resposta natural, esvaziando de deus a responsabilidade e colocando na própria natureza princípios que explicavam sua mudança. Darwin explicou as homologias das estruturas de diversos animais encontrados nas diferentes camadas estratigráficas e no que ele havia observado em sua viagem pelo mundo no HMS Beagle. A partir de conceitos criados por cientistas cristãos para explicar a criação divina Darwin usou-os para olhar sob a perspectiva naturalista, sem a necessidade de deuses.
        Assim, ao ver fim da causa final e com o tempo e desenvolvimento da pesquisa cientifica nota-se que a evolução precisa de uma série de elementos para que ocorra (mutação, pressão, seleção e herança) e portanto, ao mesmo tempo que não é sinônima de acaso também não é direcionada, mas sim algorítmica – diferente do criacionismo aponta para uma visão engenheirada da vida e do cosmo. Por esta razão uma tese é científica a outra proposta (criacionista) é religiosa e/ou pseudocientífica ou anti-científica (tal como ocorre também no movimento do D.I)
        A sobrevivência não é finalidade das mutações porque as mutações não são intencionalmente criadas e não tem capacidade de decidir intencionalmente ocorrer para uma finalidade. Ela é uma processo natural, e entidades biológicas podem ou não ser beneficiadas ou não com elas.

  2. Como na resposta do Rossetti não há “responder”, vou responder a ambos aqui.
    Estamos falando da mesma coisa, a partir de referências diferentes. O Rossetti e o metafisicacristã falam de “indivíduos” que se adaptam, e chama isso de “evolução”. Mas Darwin falou de “especies” que evoluem, e estava classificando organismos (corpos) como espécies. Acontece que espécie sequer existe. O indivíduo se adapta a alguma, espécie não se adapta a nada, porque sequer existe, é uma mera classificação. Então, se estivermos falando que os indivíduos enquanto vivos se adaptam a um determinado ambiente, estamos de acordo, achar que isso é evolução como tese dos evolucionistas, são outros papos.
    Sobre evolução, podemos admitir a ideia de Darwin, SE CONSIDERARMOS QUE SUA CLASSIFICAÇÃO DOS SERES-VIVOS, QUE ELE OU QUALQUER OUTRO CIENTISTA SEQUER DEFINIRAM ATÉ HOJE, MOSTRA UMA GRADUAÇÃO DE COMPLEXIDADE QUE SE PODE ENTENDER COMO “EVOLUÇÃO”, ESTOU DE ACORDO, assumir que isso seja evolução dos seres-vivos, é na melhor das hipóteses, ficção científica. O “homem adâmico ou agrícola”, é uma evolução do homem-sapiens como “ser-vivo”, mas organicamente não. Assim como o motorista PhD é uma evolução do motorista semi-analfabeto, MESMO QUE ISSO NÃO SIGNIFIQUE MUDANÇA ALGUMA NO VEÍCULO OU MÁQUINA, podem estar dirigindo até o mesmo carro. Não quer dizer que o comportamento de ambos seja o mesmo, porque o carro é o mesmo. E somos hoje o “homem capitalista”, muito diferente do “homem adâmico e mais ainda do homo-sapiens”, mas a máquina do ponto de “espécie”, é exatamente a mesma! A teoria de Darwin não explica isso, PORQUE NÃO SE REFERIA AOS SERES-VIVOS, mas aos organismos que circunstancialmente eram vivos!
    Ao Rossetti até hoje estou esperando que defina o que entende por “ser-vivo”, ainda não vi em nenhum de seus textos!
    Quanto à questão de causa e efeito, É POSSÍVEL ISSO SEM COLOCAR A INTELIGÊNCIA NA QUESTÃO? E a seleção “natural” aceita alguma forma de inteligência nela? O Guru R. Dawkins disse num de seus livros (discos furados do ponto de vista filosófico) que a diferença entre um artefato humano e um bicho, é que este é feito de carne e osso, o outro não! Pode-se discutir com argumentos de PhD tão baixos e simplórios? Quando se compara um animal ou o próprio homem com um artefato (carro, ou computador etc.) estão comparando “organismos materiais”, e o organismo material (do conceito “orgânico”) é tão máquina como uma carriola ou lápis, DIFERENCIAM-SE PELO “PROJETO TECNOLÓGICO”. É claro que um lápis é menos complexo do que um satélite artificial ou uma bactéria, mas do ponto de vista de “projeto”, são artefatos pouco importa se humanos ou não, que não surgiram por acaso, mas DA EVOLUÇÃO DE ALGUMA INTELIGÊNCIA, no caso humano, constatável, apenas isso. É só extrapolar isso para a própria natureza, e entender porque uma bactéria é “menos evoluída” do que uma baleia ou formiga! Não por seleção natural alguma e muito menos por obra de qualquer deus (inclusive o Deus Infinito), pois o próprio ambiente forma a simbiose de Vida na Terra, um depende do outro. Darwin apenas se “enganou” na sua observação, como Aristóteles quando lascou a “TEORIA DO GEOCENTRISMO” QUE SE TORNOU DOGMA DE FÉ CATÓLICO NA IDADE MÉDIA (não foi Aristóteles que o tornou dogma de fé, foram os religiosos), e até custou a vida de grandes pensadores que não concordaram. exceto quando se fala de “ser-vivo”. O que é o ser-vivo? Se é o simples organismo, o que acontece na morte, ONDE A MESMA “MAQUINA” É VIVA ANTES E MORTA DEPOIS? O evolucionismos pode explicar isso?
    Por outro lado, não se trata de contestar ou criticar a “evolução” seja lá como a considere, MAS O EVOLUCIONISMO, uma doutrina como a Gênesis da Bíblia, SÓ SÃO VERDADES PARA QUEM ACREDITA NELAS! E se a questão é defender crenças, não entro nessa discussão, ESTOU DISCUTINDO RAZÕES QUE AS JUSTIFIQUEM apenas. As respostas acima estão confundindo “evolução” que é até um termo genérico, COM EVOLUCIONISMO que se tornou uma religião como outra qualquer, DEMANDA A CRENÇA DE CADA UM. Se vc acredita na “seleção natural”, ok, é um direito, mas me mostre um único exemplo de evolução natural! Estou colocando isso aqui há muitos anos, e até agora não apareceu uma única resposta, pelo simples fato que não existe mesmo! Sequer existe “espécie”, como ela pode evoluir, e ainda mais por “seleção natural”? Só no imaginário das pessoas se pode entender que evolucionismos é sinônimo de evolução!!
    arioba

    • “Se vc acredita na “seleção natural”, ok, é um direito, mas me mostre um único exemplo de evolução natural!”
      – R: Já mostrei…as medusas do lago de Palau, elas estão lá, e a Teoria da Evolução explica o PORQUE delas existirem SOMENTE LÀ!

      “Estou colocando isso aqui há muitos anos, e até agora não apareceu uma única resposta”
      – R: Apareceu sim, é que você tapa os olhos e finge que não existem porque senão seu mundo magico desaba.

      “pelo simples fato que não existe mesmo”
      – R: Existe sim, as medusas de Palau estão lá…nadando e rindo da sua cara… 🙂

      “Sequer existe “espécie”, como ela pode evoluir, e ainda mais por “seleção natural”?”
      – R: Pode espernear o quanto quiser, mas suas mirabolantes ‘conclusões’ só servem mesmo para acalentar seu ego e sua ignorância no tema biologia.

      “Só no imaginário das pessoas se pode entender que evolucionismos é sinônimo de evolução!!”
      – R: De ‘coisas imaginárias’ você entende bem…hehehehehe…

      Em tempo, 90% do seu comentário é a repetição dos vários comentários (baseados em ignorância cientifica) que você já fez por aqui, portanto, nem merece respostas…elas já foram dadas, e como todo fanfarrão que se baseia em conto de fadas, você ignorou-as. 😉

      • Sr. Marcelo, se vc acredita que a medusa é um exemplo de “seleção natural”, tudo bem. Mas explique como surge uma medusa, ou qualquer outro ser-vivo. Não existe espécie como “indivíduo”, é apenas classficcação de indivíduo. Uma medusa surge por “seleção natural”? Como? Um porco surgiu como seleção natural? Comoc? É só explicar como esse exemplo responde minha questão. arioba

      • Ué…. quando o porco é domesticado as características físicas de um porco e de um javali mudam… não sei como esta a classificação atual, mas talvez nem sejam mas da mesma espécie. A mesma coisa ocorre quando observa-se as diversas espécies de orquídeas criadas por processos de domesticação. São espécies novas. Há também o caso da Bombyx mori (bicho-da-seda) que é uma versão domesticada da Bombyx mandarina.
        Bem, escrevi um texto só sobre exemplos disto: https://netnature.wordpress.com/2018/02/15/macroevolucao-exemplos-e-evidencias/
        A unica diferença é que no ambiente natural o elemento que seleciona são as relações ecológicas e o contexto ecológico que o animal esta inserido, e não o homem como domesticador. O homem selecionou javalis silvestres para se reproduzir segundo características que ele desejava (carne, docilidade, gordura etc e tal).. este é o processo de seleção artificial. Na seleção natural, as características mantidas são aquelas que conferem vantagem na luta pela sobrevivência.
        Se voce não consegue enxergar que certas variedades tem vantagens sobre outras quando se olha um besouro com um cifre maior em relação a um com chifre menor na hora de lutar contra um predador, jamais vai entender de lógica ou mesmo como a evolução trabalha. Se voce aceita que tem de trocar de antibióticos porque os antigos não fazem mais efeito, ou se voce percebe que certas populações de baratas tem maior dificuldade de morrer ou mesmo não morrem diante de certos inseticidas voce esta aceitando a seleção natural.
        Se populações da mesma espécie em diferentes ambientes, sob diferentes pressões seletivas desenvolvem estratégias distintas para sobreviver isto empurrará elas para caminhos distintos e obviamente podem constituir novas espécies.

        Ariovaldo, voce ja teve de trocar de antibiótico? Se sim, se voce trocou, se deu certo a troca….sinto muito, voce é testemunha viva da seleção natural!
        Se voce toma leite, certamente tem uma vantagem sob aqueles que são intolerantes a lactose em uma situação de escassez de alimento onde o leite é uma alternativa porque oferta uma quantidade de gorduras e fonte de cálcio que outros não tem.
        Se voce é como certas populações da Europa onde há modificações moleculares na estrutura do receptor de membrana de macrófagos que impede o HIV tipo III de infecta-lo voce é uma prova viva da seleção natural.
        Para de chorar e aceita que dói menos – seleção natural ocorre. Nem os criacionistas negam a seleção natural. Eles apenas dizem que ela funciona no nível microevolutivo.
        É vergonhosos negar o evidente, negar o que até os criacionistas aceitam!!!

  3. Obrigado pelas respostas.
    Bem, vamos lá: o ID é uma teoria sim (pode ser uma teoria errada, malfeita ou carecedora de confirmação empírica). Assim como, amigo, a teoria darwiniana têm furos (como por exemplo a falta de evidência da evolução lenta e gradual). Por conta disso, pois proposta a teoria do equilíbrio pontuado (pode ser boa ou ruim também). O vídeo postado sobre isso é bem fraco, mesmo para mim que não sou da área.
    Perdoe-me, mas, ao sequestrar a nomenclatura para si, o evolucionismo cria uma petição de princípio.
    Sou honesto em afirmar que não tenho conhecimento específico para analisar cientificamente a validade ou não do ID, e isso é prova de que não dá para explicar essa questão com livros do Ensino Médio. No fundo, acredita-se numa determinada corrente por questão de autoridade, não por convencimento pleno. Sem contar que esses livros sequer mencionam os furos (o que já gera suspeita).
    O que posso afirmar, com certeza, é que o fato do flagelo ter outras funções não explica a complexidade para a função da locomoção. Ademais, esses ente sobrevivem apenas com a função de ejeção de toxina, isto é, sem a função da locomoção? Não sei, pois o que já li sobre o assunto não explica nada disso. O que sei é: uma boca serve para muitas coisas, mas se eu não me alimentar, “um abraço”.
    Sigamos adiante: a teleologia aristotélica é empiricamente irrefutável: temos artefatos e componentes biológicos com finalidades visíveis. Vou dar exemplos simplórios: uns óculos corrigem a visão, uns olhos percebem entes através da reflexão da luz. Penso que nem todo darwinista ignora isso, porém a maioria quer fazê-lo, pelas inconveniências óbvias da atitude contrária. Vamos ao ponto: se os entes (ou partes deles) possuem finalidades, elas foram designadas pela fortuna? Se usarmos o senso comum, a resposta é não. Contudo, essa é uma pergunta que precisa ser respondida com honestidade, e não com partidarismos ou um “dar de ombros”.
    Vou a fundo na questão: o que orientou o(s) primeiro(s) ente(s) vivo(s) no tocante a sua sobrevivência e reprodução? Causas naturais? Porém, devemos ser honestos: o evolucionismo não é uma teoria da origem da vida, mas sim de sua transformação no tempo. Por conta disso, ele não refuta nem chancela a existência do Ente perfeitíssimo.
    Ariovaldo se expressou muito bem: a mutação é um evento individual, entitativo, sob pena de ser um fenômeno orientado (o que nenhum darwinista deseja).
    Quanto à inteligência, ela é um evento com efeitos empiricamente visíveis (vejam-se os alimentos transgênicos). Quando a biologia quer extirpar essa variável, vai contra a própria natureza, pois a inteligência é um fenômeno, ou perfeição, existente.
    “Que a diferença entre um artefato humano e um bicho, é que este é feito de carne e osso, o outro não!” Se ele, de fato, disse isso, só posso lamentar o sucesso de alguém tão sem discernimento. Como fica o bife malpassado? Você utilizou o termo correto: simplório.

    • Não é teoria porque não parte de um conjunto de hipóteses testadas.

      “Uma teoria científica é uma explicação de um aspecto do mundo natural que pode ser repetidamente testado, de acordo com o método científico, usando um protocolo pré-definido de observação e experiência .”
      The National Academies Press https://www.nap.edu/read/6024/chapter/2#2

      Além, claro, do termo ser uma representação alternativa de uma divindade – cujo contexto na qual surgiu foi exatamente para compreender esta função.
      Sim, há criticas e circunstâncias onde a teoria da evolução precisa ser melhor entendida (razão pela qual é criticada em artigos científicos, onde as criticas tem peso – e não em escolas) e criticada para ver até onde é seu limite. Contudo, ainda sim, a teoria da evolução parte de um conjunto de hipóteses que foram testadas, é a melhor explicação a fenômenos biológicos até o momento, e o que se mostrou correto construiu um arcabouço teórico e prático maior do que as hipóteses isoladas.
      Se voce assume que não tem “conhecimento específico para analisar cientificamente a validade ou não do ID” me parece que não é alguém que possa dizer que ID seja uma teoria ou válida.
      O fato do flagelo ter várias funções a partir de um complexo molecular comum indica fortemente (assim como identificado em outros casos) que os genes são paralogos – partem de uma copia ancestral comum cooptada a novas funções. Isto é geneticamente constatável. Temos muitos genes da via de desenvolvimento dos olhos cujas copias extras atuam no desenvolvimento de outros órgãos.
      Ora, da mesma forma que o equilíbrio pontuado era defendido por Gould, também era o caso da exaptação (penas de aves, para Gould vieram de projeções de queratina desenvolvida em dinossauros terópodes avialinos). Inclusive, é valido para estruturas moleculares bem mais complexas como já identificado em catracas bioquímicas que impulsionam a complexidade evolutiva do ponto de vista molecular – como é o caso de estruturas homo-oligoméricos em genes de ATpases ou na família do gene Pax ou aquaporinas.
      Quanto a boca – microrganismos e plantas se alimentam e não tem boca. Alimentação não tem a ver com a presença de boca ou de um sistema digestório, mas com a capacidade que um organismo tem de produzir energia. A boca é uma estrutura com diversas funções….em vertebrados. Contudo, longe dela existir, a alimentação e produção de energia esta presente em todos os seres vivos, considerando que a maior quantidade e diversidade de formas de vida se faz presente no campo microscópico e não tem boca.

      Uma mutação é um evento orientado? Como sabemos que uma mutação é orientada segundo uma finalidade pré-estabelecida?
      E quando há casos em que o fenótipo é alterado não pela mutação, mas pelos interruptores moleculares internos ou influências ambientais? Há orientação intencional nestes processos? Se há, como poderemos saber desta intenção?
      O fato da teoria da evolução não ser a explicação para origem da vida (e neste termo voce esta corretíssimo) não implica que a vida surgiu de processos intencionalmente planejados. Em ciência, não se responde mistérios com outros…
      Pelo contrário, se a teleologia aristotélica é irrefutável não se encaixaria em uma tese científica e ainda explica o vício que temos de acreditar que tudo foi intencionalmente planejado já que planejamos nossas atividades (isto explica a teimosia de Ariovaldo querer comparar carros com células como se houvesse uma simetria entre os dois).
      Se atribuímos a ideia de engenheiro a deus a partir de nossa experiencia como engenheiros, nada do que os defensores do design inteligente disser pode ser refutável ou justificável – seja como hipótese ou teoria, não passando de mera especulação religiosa. Pelo contrario, só podemos contar com explicações naturais.

      Ariovaldo poderia nos dizer em que livro Dawkins disse isto. Seria interessante, primeiramente, ver se de fato disse; segundo, em que contexto disse. E se realmente foi do jeito que aqui foi apresentado de fato foi simplório.

    • ” a teoria darwiniana têm furos (como por exemplo a falta de evidência da evolução lenta e gradual). “
      Amigão, ou você é ignorante por completo ao não saber que existem evidências aos milhares da evolução, tanto em artigos, museus quanto no meio natural observável, ou você realmente é ignorante pois sabe da evolução, mas de alguma forma quer ser aceito nos grupelhos criacionistas pois só aceita burrices que lhe convêm…

  4. Prezado, primeiramente obrigado por responder.
    1. Eu fiz uma referência a minha boca, e não a todas as que existem na natureza. Apenas dei esse exemplo do cotidiano para mostrar que, se eu não usar ela para me alimentar, não haverá nutrição, ainda que eu a use para outras funções (ex: assobiar). Lógico que posso ser alimentado por via parenteral, porém já estamos tratando de artefatos humanos.
    Veja o questionamento que lancei: uma bactéria que usa o flagelo somente para injetar toxinas sobrevive o suficiente para se reproduzir? Esse é o ponto. Se a resposta for negativa, o flagelo necessariamente precisa ser usado na locomoção, pouco importando suas outras funções. A cooptação pode ocorrer, mas ela precisa manter a viabilidade do ente vivo, sob pena de imprestabilidade.
    2. Quando uma teoria precisa de um protocolo pré-definido, aí começa a ditadura da ciência. Quem é que estabelece o protocolo? Ciência é algo democrático, isto é, que pode ser produzida num ambiente que não é acadêmico? No mais, penso que o ID pode ser refutado com dados recalcitrantes. É exatamente isso que você fez ao tratar dos genes paralogos.
    3. Sobre eu não ter conhecimento científico, isso não tem nada a ver com epistemologia da ciência.

    • 1- “o flagelo necessariamente precisa ser usado na locomoção, pouco importando suas outras funções”
      Não, dependendo da função alternativa que ganhou o valor adaptativo é tão alto quanto a função primária. As penas tinham fução primaria importante na manutenção da temperatura de dinossauros avialinos… mas o valor adaptativo delas para o voo abriu um nicho completamento novo aos vertebrados. A função secundaria é fundamental as aves e o papel na manutenção da temperatura pode ser feito por questões metabolicas alternativas (endotermia, por exemplo).
      Um sistema flagelar degenerado (Brucella melitensis) ainda tem um papel crítico na infecção, e mesmo que tal organismo não seja mais capaz de mediar sua motilidade flagelar ele continua com sua alta capacidade de virulência mantida. Isso demonstra que os sistemas de flagelos podem mediar uma função útil que não seja a locomoção (Fretin et al, 2005).
      * Fretin, D. et al. The sheathed flagellum of Brucella melitensis is involved in persistence in a murine model of infection. Cell. Microbiol. 7, 687–698 (2005).

      2 – De fato, a ciência é algo democrático. Apresente uma tese respeitando seu modus operandi e critérios e voce pode mudar paradigmas. Ser democrático não deve ser confundido com ser sem critérios.
      Sem critérios para se construir conhecimento científico ele não é científico. Se voce não se encaixa no método a culpa não é do método, mas talvez sua tese não seja empiricamente defensável. Há critérios e quem esta se marginalizando é o modo de pensar não-científico por tentar, muitas vezes (como é o caso do D.I – mas não só dele) se passar como ciência.
      Pode ser verdade que um design exista? Claro que pode, mas cientificamente não ha nada a favor disto, e nem parece ser testável. A culpa é do método ou de quem não quem defende que tal proposta seja científica? Isto não é ditatorial, é critério.
      O campo que o D.I se apresenta é puramente crença ou especulação. Não é uma ditadura que limita o D.I, são critérios que são estabelecidos… assim como há critérios na religião para estabelecer a sua prática, na teologia para estudar o papel da religião, na filosofia ao pensar sobre um assunto de forma metódica e pragmática. Na ciência não seria diferente!

      3 – Sobre voce não ter conhecimento científico, de fato não tem nada a ver com epistemologia da ciência (é uma particularidade pessoal – que não foi eu que estabeleci.. foi voce mesmo), mas o que voce argumenta tem a ver com epistemologia quando oferece algo como teoria que epistemologicamente não é.

  5. Chamar de “acaso” uma coisa que depende de tantos fatores pra ocorrer é no minimo Analabetismo em biologia 🙂

  6. Ótimo artigo, um dos mais completos sobre o assunto, sempre digo, esse é o melhor site de divulgação científica.

  7. Perdoe-me pela franqueza, mas esses exemplos são muito mal explicados, sem contar o tom com que se coloca a questão. Tenho de concordar que criacionistas também usam esse ar do tipo “eu penso, você não”.

    Pontos que gostaria de enfatizar:

    1) A macroevolução, se de fato ela existe, só pode ser bem compreendida por pessoas que trabalham com pesquisa em Biologia e Química, os demais confiam na autoridade da pesquisa, revista etc.;
    2) Perda de informação ou funcionalidade não é macroevolução, porém pode gerar uma vantagem, como por exemplo a anemia falciforme. Foi uma adaptação, porém com perda de funcionalidade, isto é, até onde sei é uma DOENÇA gravíssima.

    Não compreendi minimamente o exemplo das medusas de Palau. Pesquisei e descobri que são seres que não inoculam veneno em humanos, haja vista uma peculiaridade de sua morfologia. Pode ser uma adaptação? Até onde entendi não, pois elas tornaram-se presa fácil de qualquer mergulhador. Em compensação, o fundo do lago é letalíssimo.

    • “Tenho de concordar que criacionistas também usam esse ar do tipo “eu penso, você não”.”
      Na verdade criacionistas acham que “pensam”, preferem falar pelos cotovelos afirmando absurdos sem qualquer respaldo sensato e da forma mais desonesta possível, ao invés de publicar trabalhos e mostrar evidências…

      “A macroevolução, se de fato ela existe, só pode ser bem compreendida por pessoas que trabalham com pesquisa em Biologia e Química”
      Ah vá!! Pensei que fosse com pessoas que trabalham com panificação!!! Se bem que, até um padeiro que entenda ciências e pesquisa artigos de verdade compreende bem a macroevolução…

      “os demais confiam na autoridade da pesquisa, revista etc.;”
      Se a revista lhe mostra os dados, os experimentos e o viés da dúvida e da replicação, não vejo mal algum na “confiança”, já comentaristas metidos a criacionistas, normalmente confiam na bíblia e no blog de seu pastor sem qualquer questionamento, estou errado???????…

      “Perda de informação ou funcionalidade não é macroevolução, porém pode gerar uma vantagem, como por exemplo a anemia falciforme. Foi uma adaptação, porém com perda de funcionalidade,”
      Adaptação é evolução, não adianta você mascarar a evolução com outros termos que lhe convêm, no final o resultado é sempre o mesmo, você só está chutando cachorro morto amigo…

    • “Não compreendi minimamente o exemplo das medusas de Palau.”
      – R: As medusas do lago de Palau vivem em um lago de agua salgada, que esta bem isolado do mar por fendas e tuneis formados na rocha calcaria. Esse isolamento provocou uma pressão seletiva nessas medusas que ficaram ‘presas’ nesse lago provocando uma modificação nos seus corpos, na ausência de predadores, essas medusas ‘perderam’ seu veneno…
      Agora se você tem uma “evidência observável” que essa espécie de medusa apareceu de repente sem nenhum parentesco anterior, por favor divida essas informações conosco.

      “Pesquisei e descobri que são seres que não inoculam veneno em humanos, haja vista uma peculiaridade de sua morfologia.”
      – R: Como se deu o surgimento dessa ‘peculiaridade’?!? Explique SEM UTILIZAR a teoria da evolução.

      “Pode ser uma adaptação?”
      – R: Claro que sim…mas aí você teria que dar o braço a torcer. Mas aguardo suas explicações de COMO elas surgiram… (do nada?? Puff…apareceram?!)

      “Até onde entendi não, pois elas tornaram-se presa fácil de qualquer mergulhador.”
      – R: Os mergulhadores NÃO SÃO predadores dessas medusas…tente de novo ‘gafanhoto’!

      “Em compensação, o fundo do lago é letalíssimo.”
      – R: Sim o fundo do lago é letalíssimo…mas não tem NADA HAVER com as medusas e sim graças as altas concentrações de sulfeto de hidrogênio, um composto corrosivo e venenoso altamente arriscado de se entrar em contato.
      Ou seja, não sei por que ainda me surpreendo em encontrar desinformações falsas e mentirosas vindas de criacionistas…

      Amigo, um conselho: – procure se informar melhor…e não minta ou omita informações…isso irá ‘desagradar’ o ser no qual você acredita e é devoto, a tal ponto que chega a negar teorias cientificas mais do que corroboradas e demonstradas.

  8. “Sr. Marcelo, se vc acredita que a medusa é um exemplo de “seleção natural”, tudo bem.”
    – R: Não é questão de acreditar, as evidencias genéticas apontam para um parentesco com outras medusas de OUTRAS ESPÉCIES. Esse é o FATO, você não aceitar esse fato, não faz com que ele desapareça ou não exista. 😉

    “Mas explique como surge uma medusa, ou qualquer outro ser-vivo”
    – R: As medusas em questão, de forma sexuada…quanto a ‘qualquer’ outro ser vivo, aí temos diversas outras formas de ‘surgimento’, sugiro uma busca aqui mesmo no blog do Rossetti… 😉

    “Não existe espécie como “indivíduo”, é apenas classficcação de indivíduo. ”
    – R: Claro que é necessário classificar as espécies, você não aceitar que existem DIVERSAS espécies de besouros, borboletas, formigas, gatos, cães, etc…não faz com que esses animais consigam se reproduzir entre si e formarem indivíduos férteis. Por isso existem essas classificações… Novamente, você não aceita-la não fará com que elas desapareçam!

    “Uma medusa surge por “seleção natural”? ”
    – R: Sim!

    “Como?”
    – R: Através de reprodução sexuada, pressão do ambiente onde vivem, se existem ou não predadores, etc…

    “Um porco surgiu como seleção natural? Comoc?”
    – R: O Rossetti deu uma explicação didática acima maior do que eu poderia com os exemplos de porcos e javalis, é só você ler e entender…agora, se pra você esses animais são a ‘mesma espécie’ você precisa urgentemente de um oftalmologista…(e por falar em olho, vai aí uma aula sobre evolução na Scientific American, seus olhos possuem parentesco com os seres marinhos! Você ‘acredita’ nisso?? rsrs…)

    “É só explicar como esse exemplo responde minha questão.”
    – Tá mais do que explicado, agora se eu fosse você aproveitava a oportunidade GRATUÍTA que tem de estudar sobre o assunto aqui mesmo, ou em qualquer site como da SciAm, Nature, Talkorigins…etc… Procurar sites de criacionistas ou deístas só fará você se aprofundar na ignorância em biologia na qual você se encontra! 😉

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