CIENTISTAS DESCOBRIRAM QUE AS PLANTAS TÊM “CÉREBROS” QUE DETERMINAM QUANDO CRESCER. (Comentado)

As plantas têm uma longa linhagem evolutiva e inesperada. As plantas terrestres evoluíram há 450 milhões de anos, mas os tubarões são mais antigos do que as árvores; as flores não apareceram até o período do Cretáceo, e a grama só começou a brotar há 40 milhões de anos.

Plantas e animais – este “cérebro” diz as plantas quando começar germinação. Wk1003mike/shutterstock

Naquele tempo, as plantas evoluíram alguns traços incríveis, e como um novo estudo liderado pela Universidade de Birmingham revela que um “cérebro” também pode ser um deles. Não no mesmo sentido que os animais têm, ou uma mente como em você, mas uma série de células agindo como um tipo de comando.

Encontrado dentro de embriões de plantas, essas células foram encontradas tomando decisões importantes em termos do ciclo de vida da planta. Mais significativamente, elas desencadeiam a germinação, algo que precisa ser sincronizado perfeitamente para evitar aparecer muito cedo em um inverno gelado ou muito tarde em um verão quente, povoado por muita flora concorrente.

Escrevendo nos Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores localizaram essas células importantes em uma planta chamada Arabidopsis, vulgarmente conhecida como bermeleira. O centro de comando é dividido entre dois tipos de células – um que encoraja as sementes a permanecerem dormentes e uma que inicia a germinação.

Usando hormônios para se comunicar, muito da maneira que as células nervosas dentro dos cérebros fazem, as células avaliam as condições ambientais ao seu redor e decidem quando é melhor começar o processo de parto, por assim dizer.

Isso é incrivelmente difícil de se observar em tempo real em embriões de plantas, de modo que a equipe confiou em modelos matemáticos para prever como os processos biológicos se desenvolverão nos cenários mais comuns.

Chegando à conclusão de que esta troca hormonal estava controlando o processo de germinação, a equipe usou uma versão geneticamente modificada da planta de agrião para garantir que as células fossem mais proeminentes. Desta forma, o movimento dos hormônios entre as células mostrou-se maior – e, em última instância, o grupo de pesquisadores descobriu as células do centro de comando conversando umas com as outras.

Anteras vistas através de uma micrografia de fluorescência. Heiti Paves/Shutterstock

“Nosso trabalho revela uma separação crucial entre os componentes dentro de um centro de tomada de decisão da planta”, disse o autor principal, George Bassel, em um comunicado.

Então, por que dois tipos de células em vez de uma? Bem, de acordo com a equipe, isso significa que eles podem ter uma “opinião” diferente sobre as condições ambientais em torno deles – e a germinação só ocorre quando um consenso foi alcançado.

“É como a diferença entre ler a revisão de um crítico sobre um filme quatro vezes, ou combinar quatro pontos de vista de críticas diferentes antes de decidir ir ao cinema”, acrescentou o Dr. Iain Johnston, um bio-matemático envolvido no estudo. Juntos, eles formam a pontuação média de “Tomates derretidos”.

Portanto, as plantas podem não ter um cérebro, mas elas agem certamente como eles tivessem.

Fonte: IFLScience

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Comentários Internos

Atualmente tem se discutido muito sobre a competência de plantas em receber estímulos ambientais, processa-los e gerar uma resposta de forma “análoga” à do sistema nervoso central. Descartando todas as alegações informais já erguidas sobre a capacidade de plantas reagirem – ou crescerem – melhor ou pior na presença de estilos musicais diferentes e tantas outras informações anedóticas/esotéricas, sobra um grupo crescente de pessoas sérias que defendem cientificamente competências análogas a cognição e aprendizado a partir de experiência em plantas. Isto tem gerado discussões acaloradas nas duas áreas: a botânica e a neurociência. Uma discussão que é saudável até o presente momento.

Plantas podem responder a herbivoria de lagartas de lepidópteros (mariposas e borboletas). Em estudo, o Dr. Appel e Professor Rex Cocroft colocaram lagartas da borboleta Pieris rapae na própria Arabidopsis e usando um laser e um pequeno pedaço de material refletor sobre a folha da planta, Cocroft foi capaz de medir o movimento da folha. Os pesquisadores descobriram que as plantas previamente expostas a vibrações produzidas pela herbivoria das lagartas produziam mais óleos e substâncias químicas naturais que são pouco atraentes para muitas lagartas. Um estudo publicado no periódico da “Ecology Letters” demonstrou como os vegetais se defendem da herbivoria, em especial, a árvore Acacia que manipula suas folhas para transformar as formigas “Pseudomyrmex ferrugineus” em aliadas, protegendo-as de pragas e animais herbívoros como vacas e cavalos.

Indo mais além, o alemão Peter Wohlleben defende que árvores são conectadas entre si por suas raízes e fungos em uma rede interna no solo. Segundo Wohlleben as plantas agem com soledade, sentem dor, atuam auxiliando sua prole a sobreviver, são agressoras e brutais ao rivalizar-se com outras espécies e se socializam a partir do subterrâneo.

Para ele as árvores emitem sinais elétricos através de suas raízes e através de redes de fungos de modo semelhante ao nosso sistema nervoso. Assim, comunicam-se umas com as outras quando estão sob ataque e em diversas situações.

Todos os fungos são formados de um entrelaçamento de pequenos filamentos chamados de micélio. O solo é cheio desta rede de micélios que ajuda a conectar diferentes plantas no mesmo solo. As plantas utilizariam essas conexões dos micélios para trocar nutrientes e se comunicar liberando toxinas na rede visando atingir plantas concorrentes. Cerca de 90% das plantas terrestres têm algum tipo de relação simbiótica com fungos, as micorrizas. A partir desta relação simbiótica, as plantas recebem carboidratos, fósforo e nitrogênio dos fungos.

Para o especialista em fungos Paul Stamets, tal rede coloca plantas distantes em contato e não apenas as que estão próximas, da mesma forma que uma rede de internet aproxima pessoas. Em 1997 Suzanne Simard, da Universidade de British Columbia, no Canadá, publicou um artigo revelando a transferência de carbono por micélio entre o abeto de Douglas (uma conífera) e uma bétula. Posteriormente, o mesmo processo foi descoberto com a troca de fósforo e nitrogênio. Simard acredita que árvores de grande porte usam o micélio para alimentar outras após a germinação. Em muitos casos, espécies diferentes de plantas estão usando a rede para trocar nutrientes e se ajudarem na sobrevivência.

Em 2010, Ren Sem Zeng, da faculdade de agronomia da Universidade de Guangzhou, na China, observou que algumas espécies de plantas comunicam-se entre si para sabotagem espécies invasoras. Em uma experiência feita com tomates cultivados em vários vasos e ligados entre si por micorrizas, um dos tomates foi borrifado com o fungo Alternaria solani, que provoca doenças na planta. Alguns dias depois, os cientistas borrifaram o mesmo fungo em outro vaso e descobriram que a resistência deste tomate era muito superior. Ao que tudo indica, os tomates conseguem informar uns aos outros o que está acontecendo em diferentes lugares e aumentar sua resposta a um agente patogênico Zeng no artigo científico. Isto implica que as plantas não só usam a conexão entre si para compartilhar nutrientes, mas também para combinam entre si uma luta contra patógenos. Em 2013, David Johnson da Universidade de Aberdeen, na Escócia, constatou que o mesmo fenômeno ocorria em favas que se protegem contra herbivoria de insetos (afídios).

Algumas plantas não possuem clorofila o suficiente e, portanto, não conseguem suprir sua própria demanda energética via fotossíntese; elas roubam de plantas alheias. Algumas plantas, como a orquídea Cephalanthera austiniae, sequestram o carbono que necessitam de árvores das proximidades, usando a rede de micélio (Esalq). Tal comportamento faz com que algumas árvores liberem substâncias toxinas na rede visando combater as plantas que roubam seus recursos – como é o caso das acácias. A estratégia é pouco eficaz uma vez que muitas toxinas acabam sendo absorvidas pelo solo ou por microrganismos antes de atingir a planta alvo (BBC, 2014).

Um estudo recente, divulgado na revista Ecology Letters demonstrou como as plantas se comunicam por meio de compostos voláteis que viajam pelo ar e comunicam outras árvores sobre a presença de herbívoros potencialmente perigosos – as folhas recebem a mensagem e tornam-se mais resistentes às pragas. Ainda nos anos 1980, dois estudos, um deles publicado na revista “Science, mostraram evidências disto. O biólogo Edward Farmer, da Universidade de Lausanne, na Suíça, mostrou como, em laboratório, artemísias emitiam grandes quantidades de metil jasmonato ao serem atacadas por insetos. Isto fazia com que o fruto ficasse mais resistente a pragas.

O biólogo Rick Karban, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo sobre comunicação vegetal afirma que as plantas passaram por uma seleção em que tiveram de lidar com os mesmos desafios que os animais, assim, desenvolveram soluções que, às vezes, guardam semelhanças com as deles.

Karban cuida do cultivo de quase cem artemísias em um campo aberto na Califórnia. Regularmente, suas folhas ganham pequenos cortes que imitam dentadas de insetos para que emitam os compostos orgânicos voláteis (COV). O objetivo é entender o papel desses elementos químicos na natureza, que parecem enviar mensagens muito precisas de uma planta para outra. Karban não só provou que esses compostos existem nas plantas, mas que eles viajam até 60 centímetros de distância e comunicam outros ramos de plantas vizinhas.

Edward Farmer também descobriu uma maneira até então inédita de transmissão de sinais elétricos entre vegetais, com pulsos que seguem por longas distâncias entre as membranas da planta e publicou a descoberta na revista Nature. A descoberta é como um rudimento análogo as sinapses animais que viajam através dos tecidos resultam em respostas variadas, afetando desde a expressão gênica ou ativando processos bioquímicos da planta. Para Farmer, as competências vegetais devem ser conhecidas e estudadas por suas características próprias sem que antropomorfizarmos as plantas, afinal, elas possuem um sistema nervoso diferente dos animais.

Este cuidado tomado faz sentido, pois evita cair em algo semelhante ao discurso do livro “A vida secreta das plantas”, publicado em 1973, nos Estados Unidos, onde os autores Peter Tompkins e Christopher Bird afirmam que as plantas interagem com os homens, reagem a seus pensamentos e ações e têm memória de eventos traumáticos. O livro, com uma pegada praticamente esotérica influenciou gerações e na maior parte das vezes em nada tinha a ver com ciência.

É preciso evitar a impressão de que os vegetais seriam mais valiosos se fossem mais similares a nós.

Mimosa pudica

Um estudo publicado na edição de janeiro do periódico “Oecologia” explica que a espécie “Mimosa pudica”, conhecida como planta-dormideira, aprende e tem memória. Sujeita a uma série de quedas consequentes, suas folhas se “recordaram” dos tombos por até um mês. Os pesquisadores não conseguiram explicar como elas são capazes de fazer isso sem um cérebro que coordene suas funções fisiológicas.

Em 2007, um estudo publicado da revista “Biology Letters” demonstrou que plantas reconhecem membros da sua família e competem menos por água e espaço com elas. Cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, descobriram como pés de “Arabidopsis thaliana reconhecem seus parentes: elas identificam compostos químicos secretados pelas raízes.

Outro estudo, conduzido pela bióloga Monica Gagliano, da University of Western Australia e publicado em 2012, mostrou que as folhas de milho são capazes de identificar sons. A cientista submeteu brotos de milho a ondas sonoras de diferentes comprimentos e percebeu que, quando elas chegavam a 200 hertz, as raízes se inclinavam em direção ao som. A hipótese da pesquisadora é que essa percepção seja um modo de comunicação mais econômico que a emissão de compostos orgânicos voláteis (COV).

Um estudo publicado na revista “Science“, em 2006, mostrou que essas parasitas escolhem seu alvo por meio do aroma.

Diante destas evidências, o que está sendo proposto no texto acima é que a planta Arabidopsis é capaz de processar informações do ambiente e tomar decisões. Esta afirmação é bastante ousada!

Do ponto de vista evolutivo, o que está sendo apresentado “indiretamente” é uma convergência evolutiva: um fenômeno evolutivo observado em seres vivos quando eles desenvolvem características semelhantes (decisão e cognição) mas tem origens diferentes. Ou seja, quando um caráter semelhante evolui independentemente em duas espécies, não sendo encontrado no ancestral comum delas.

Não vou entrar no mérito e expor a opinião pessoal. Como parece um campo crescente e o diálogo entre os dois campos é bastante saudável, vale a pena apenas explorar o que o artigo original expõem e problematizar a questão: como supostamente as plantas tomam decisões? Em seguida, segue uma descrição de como a decisão é tomada partindo de processos cognitivos no sistema nervoso – apenas por uma questão comparativa. Se de fato plantas tomam decisões e tem processos convergentes ou análogos a cognição, deixemos os futuros artigos e a ciência responder.

O que está evidente até o presente momento é uma interação complexa entre elas via raízes e micorrizas; entretanto, até que ponto chegam a tomar decisões, sentem dor ou são competentes em cognição é algo a ser decidido por meio da ciência e experimentação para separar fatos de antropocentrismo.

Decisão em Arabidopsis.

Como destaca o artigo, em Arabidopsis há um centro de comando que é dividido entre dois tipos de células: uma que encoraja as sementes a permanecerem dormentes e uma que inicia a germinação. As células do centro de comando conversam umas com as outras. Este seria o local onde ocorre a tomada de decisão da planta.

De acordo com a equipe, isso significa que as plantas poderiam ter uma “opinião” diferente sobre as condições ambientais em torno deles, mantendo-as na dormência ou direcionando-as a germinação que só ocorre quando um consenso é alcançado.

Alguns mecanismos subjacentes a este processamento de sinal quantitativo foram descritos no artigo original e tantos outros citados pelos autores. Tecnicamente, as sementes desenvolveram um mecanismo para integrar a informação ambiental, regulando a presença de fitohormônios de ação antagonista: o ácido abscísico e a giberelina.

O ácido abscísico (AAB) tem a função de regular várias características fisiológicas das plantas, tais como: respostas ao estresse hídrico, inibição da germinação de sementes, crescimento do caule e o desenvolvimento dos gomos.

A giberelina (GA) é um fitormônio produzido na zona apical, nos frutos e nas sementes. Suas funções são: incrementar o crescimento dos talos, interromper o período de latência das sementes fazendo-as germinar, induzindo a brotação de gemas e promovendo o desenvolvimento dos frutos – ao contrário do ácido abscísico. A biossíntese das giberelinas é regulada por fatores exógenos e endógenos. Dentre os fatores exógenos encontra-se o fotoperíodo, que aumenta a concentração de giberelinas e a produção da floração.

As respostas para a GA e o AAB ocorreram em diferentes tipos de células, sugerindo que as sinalizações cruzadas ocorrem ao nível do transporte hormonal entre esses centros de sinalização. Essa separação espacial do centro de tomada de decisão é necessária para processar entradas variáveis ​​de temperatura do ambiente (fator exógeno) e promover a quebra de dormência.

O papel funcional dessa incorporação espacial é alavancar a variabilidade na temperatura para transduzir um sinal de mudança de destino dentro desse sistema biológico, ou seja, na dinâmica dos fitormônios.

Durante o desenvolvimento da semente, o nível de dormência é estabelecido em resposta ao meio ambiente experimentado pela planta mãe, ou seja, a sinalização de dormência da semente é determinada pela planta mãe. Este controle é conseguido através da regulação quantitativa de fatores reguladores codificados geneticamente, como por exemplo o locus DOG1 e a abundância e sensibilidade hormonal.

Após a libertação da planta mãe, o controle da dormência nas sementes é mediado pela atividade de fatores de ação antagonista. Alguns artigos identificaram mecanismos de integração de sinal que são endógenos para o hormônio abscísico ter uma ação antagonista promovendo a dormência e GA promovendo a germinação. A abundância relativa desses hormônios constitui um mecanismo de limiar metabólico que regula o destino do desenvolvimento do sistema biológico.

Quando a germinação do embrião é finalmente iniciada em Arabidopsis este processo é informado pelo endosperma – uma substância nutritiva presente nas sementes da maioria das angiospermas, formada pela fusão de um gameta masculino e dois núcleos polares femininos, que fornece ao embrião substâncias como amido, celulose, proteínas, óleos e gorduras.

Os locais celulares subjacentes a este processo de tomada de decisão continuam desconhecidos. No entanto, usando a análise digital de células em 3D, foi possível localizar as regiões de síntese do AAB e da GA, síntese e degradação em embriões primários adormecidos revelando a base celular da tomada de decisão em sementes.

Base celular para a mudança do destino do desenvolvimento em sementes primárias de Arabidopsis dormentes. A distribuição de célula única do promotor de RAB18 responsivo a ABA (A), o promotor do fator de transcrição promotor da resposta ABA ABI3 (B), o promotor SCL3 de proxy resposta-GA (C), as proteínas de síntese de ABA ABA2 (D) E AAO3 (E), a proteína de degradação de ABA CYP707A2 (F) e a atividade de promotor da enzima de síntese GA GA3ox1 (G) em embriões dormentes primários são mostrados. (H) atividade do promotor GA3ox1 após 1 d a 4 ° C. (I) Igual a H para a abundância de proteína CYP707A2. Os esquemas que indicam a resposta ABA (J), ABA síntese (K), degradação ABA (L) e resposta (M) na radícula Arabidopsis são mostrados. (N) Complemento do embrião inteiro do subconjunto de células enriquecidas para resposta ABA (vermelho) e resposta GA (verde).

O local celular da resposta da GA foi identificado caracterizando a localização da atividade de uma proteína promotora, a SCL3. Este fator de transcrição estimula as respostas da GA e a localização celular desta atividade promotora correlaciona-se com a acumulação e resposta deste mesmo hormônio nas raízes. A atividade do promotor SCL3 foi altamente enriquecida dentro das células vasculares da radícula.

Essas observações indicam que as respostas do AAB e da GA em sementes não-germinais ocorrem dentro de diferentes tipos de células da radícula, com a resposta da AAB sendo enriquecida nas células externas e a resposta GA dentro das células internas, incluindo a vascular. Esta separação espacial das respostas hormonais sugere que a conversação cruzada entre ABA e GA é autônoma não-celular e é controlada ao nível do movimento hormonal entre os centros de sinalização espacialmente separados.

Esses resultados sugerem que a abundância de AAB e GA é mediada pela modulação de componentes metabólicos hormonais em centros de sinalização espacialmente separados e que o movimento desses hormônios entre esses centros é o que medeia uma conversação química.

A radícula então representa o centro de tomada de decisão dentro do complexo embrionário. Este local se sobrepõe espacialmente com a localização celular onde a germinação é iniciada em Arabidopsis, e onde o hormônio strigolactona atua primeiro, estimulando a germinação de sementes em Striga. A mudança de destino na radícula é informada pelo endosperma circundante, onde todos os componentes decisórios também estão presentes e a síntese de GA é condicionalmente regulada em resposta ao frio.

Decisão no encéfalo

Compreender a neurociência por trás de tomar uma decisão pode ser útil ao visar novos comportamentos e mudar os maus hábitos em humanos. Ela irá ajudá-lo a tomar decisões que levem a resultados positivos no futuro e evitar escolhas autodestrutivas alimentadas por abuso de substâncias, se você é um viciado, por exemplo.

A tomada de decisões está sob seu controle, você tem o poder de quebrar padrões de comportamento simplesmente tomando melhores decisões. Mesmo quando você está preso em um ciclo de pensamento e comportamento de rotina, uma mudança de atitude e tomada de decisão pode transformar sua vida.

Assim como ocorre um aumento substancial de botânicos pesquisando comportamentos e fenômenos análogos a cognição em plantas há um crescente contingente de pesquisadores que acreditam que o vício é uma patologia que age na falta de decisão causada por interações desajustadas entre várias regiões cerebrais responsáveis pela por tomada de decisões.

Quando o cérebro está determinando o valor e o custo de ações específicas, o valor percebido sobre o ato de fumar um cigarro, por exemplo, ativa as áreas do cérebro usadas para a tomada de decisões em pessoas que são dependentes da nicotina.

Em particular, uma região do cérebro chamada córtex pré-frontal dorsolateral, que regula o desejo quanto ao cigarro em resposta a sugestões de tabagismo. Tais descobertas sugerem que o vício pode resultar de conexões aberrantes entre o córtex pré-frontal dorsolateral e outras regiões cerebrais.

Um estudo de 2015, da Universidade de Pós-Graduação da Okinawa Institute of Science and Technology (Japão), descobriu que uma parte fundamental do cérebro – o striatum – envolvida na tomada de decisões parece operar hierarquicamente nas suas três sub-regiões diferentes. O estriado é parte dos gânglios basais, que compõe o núcleo interno do cérebro e processa a tomada de decisão e as ações subseqüentes. Os neurocientistas dividem o estriado em três regiões: 1) Ventral (VS); 2) Dorsomedial (DMS); e 3. Dorsolateral (DLS). Cada região desempenha um papel distintivo, como a motivação, decisões adaptativas e ações de rotina, respectivamente.

Embora as três regiões diferentes do estriado tenham papéis distintos, eles, em última análise, harmonizam e trabalham em conjunto em diferentes fases da tomada de decisões. Em um experimento animal, o estriado ventral (VS) foi mais ativo no início de um processo de tomada de decisão. O estriado dorsomedial (DMS) mudou os níveis de processamento considerando-se a recompensa esperada ou a conseqüência de tomar uma decisão de ir para à esquerda ou à direita em um labirinto. Por fim, o estriado dorsolateral (DLS) deu explosivos disparou em diferentes momentos ao longo da tarefa, sugerindo que ele está preparando os movimentos motores necessários uma vez que a decisão é tomada e as ações são exercidas.

Em 2014, pesquisadores da Suíça descobriram que o córtex pré-frontal não mostra apenas maior atividade durante as decisões que requer autocontrole, mas durante todos os processos de tomada de decisão. Sarah Rudorf e Todd Hare, do Departamento de Economia da Universidade de Zurique, puderam identificar regiões específicas do córtex pré-frontal que são mais ativas no processo de decisão. No estudo, as interações entre o córtex pré-frontal dorsolateral e ventromedial subjazem a avaliação do estímulo dependente do contexto em escolha dirigida por objetivos”, foi publicado no Journal of Neuroscience.

Estudos anteriores já haviam mostrado que uma rede específica no cérebro está ativa quando uma pessoa tem que decidir entre várias escolhas em diferentes situações. Esta pesquisa enfatiza a importância da interação entre neurônios em duas áreas cerebrais diferentes dentro do córtex pré-frontal. Os resultados deste estudo indicam que as interações neuronais entre o córtex pré-frontal dorsolateral e ventromedial não só desempenham um papel central quando uma pessoa precisa decidir entre várias opções durante o comportamento dirigido a objetivos, mas também está ativa durante a tomada de decisão flexível.

Esses achados refutam a crença prévia de que a ativação do córtex pré-frontal só ocorre quando o autocontrole é necessário durante a tomada de decisões entre preferências conflitantes. As decisões que exigem autocontrole são extremamente importantes, pois afetam diretamente o bem-estar corporal, social ou financeiro de uma pessoa. A determinação dos mecanismos no cérebro que não são apenas envolvidos em decisões que requerem autocontrole também são usadas em decisões gerais, podem abrir novos pontos para terapias.

Conclusão

Foi o filósofo grego Aristóteles, ainda no século IV a.c que classificou as plantas como seres entre os vivos e os não-vivos, cunhando o sentido atual da condição “estado vegetativo”. As plantas, desde Aristóteles, amargam o limbo das condições comportamentais por não seguir uma trajetória evolutiva como a de animais. Vivemos em uma sociedade zoocêntrica.

Em entrevista á revista Veja, o biólogo Marcos Buckeridge, professor de fisiologia vegetal do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) destaca que “é preciso dar a elas um lugar ao lado dos animais”. Para ele, que trabalhou por vinte anos no Instituto de Botânica de São Paulo e pesquisando plantas como o jatobá e o pau-brasil, notou que tais vegetais possuíam sistemas inteligentes para se adaptar ao meio ambiente e escolher as melhores opções para sua sobrevivência. Buckeridge destaca que “se inteligência é a capacidade de se reconhecer como indivíduo e de tomar as melhores decisões, de acordo as experiências vividas e condições ambientais, então as plantas são inteligentes”.

O que está acontecendo no meio desta discussão entre os neurocientistas e a “neurobiologia vegetal” é que a ecofisiologia botânica esta borrando as fronteiras entre os reinos vegetal e animal. Mesmo o estudo da origem da vida está colocando borrando os limites entre os seres vivos e o “reino” mineral. Essa visão hierárquica da natureza – criada pelo botânico sueco Carlos Lineu no século XVIII esta diluindo.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Plantas, Sinalização, Inteligência, Redes, Comunicação, Fitormônios, Ácido Abscísico, Giberelina, Neurociência, Córtex Pré-frontal.

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