O REINO PROTISTA – Mastigophora, Rhizopoda, Sporozoa e Ciliata.

O Reino Protista (ou Protozoa) inclui todos os protozoários e algumas algas. Protozoários são microrganismos eucariontes (possuem carioteca) e heterotróficos (não possui a capacidade de produzir seu próprio alimento [exceto as algas], e por isso se alimentam de seres vivos autótrofos ou de outros heterótrofos) que habitam ambientes aquáticos e úmidos. Eles podem viver sozinhos ou estruturas formas coloniais com diferenciação das células especializadas a reprodução.

Ameba

Os protistas eram uma forma dominante de vida na Terra há 1,5 bilhões de anos. Enquanto surgiam cedo e sobreviveram até hoje como organismos unicelulares, passaram por grandes mudanças evolucionárias. Muitas espécies acabaram sendo extintas, pelo que é visto no limitado registro fóssil. Fósseis de foraminíferos, por exemplo, podem ter chegado a cerca de 34 mil espécies, enquanto atualmente existem apenas cerca de 4 mil espécies vivas descritas. Apenas um pequeno número de protozoários deixou registros fósseis, a maioria sendo amebas, ou conchas calcárias de foraminíferos com suas secreções de cálcio em Coccolithophores (Encyclopaedia Britannica, 2012).

Os protozoários, em sua grande maioria, apresentam um modo de vida livre, sendo encontrados em diversos ambientes, ou mesmo espécies que vivem em associação com outros organismos, como é o caso dos parasitas. Alguns deles são responsáveis por causar algumas doenças humanas como: amebíase, tricomoníase, toxoplasmose, leishmaniose (visceral e tegumentar), doença de Chagas e malária.

A imensa maioria dos protozoários apresenta-se de forma unicelular, medindo cerca 10µm, como os coanoflagelados; outras medem alguns centímetros, como é o caso de alguns dinoflagelados, foraminíferos e amebas.

Apesar do tamanho variável, os membros deste grupo biológico se reproduzem de maneiras bastante variadas, podendo ser assexuados: onde a reprodução ocorre pelo processo chamado de bipartição (cissiparidade ou divisão binária), quando um indivíduo se divide em dois geneticamente idênticos. Há também os que se reproduzem sexuadamente: e neste caso os indivíduos ficam lado a lado realizando uma troca de material genético e depois se separam formando novos indivíduos.

A estrutura corpórea do protozoário é limitada pela membrana celular e a flexibilidade, rigidez, forma e tamanho depende de seu citoesqueleto, que está localizado abaixo da membrana celular.

O citoesqueleto e a membrana formam uma “película”, formada por filamentos proteicos como a actina, microtúbulos e vesículas. Os protozoários podem apresentar dois tipos de esqueleto: endo e exoesqueleto. As organelas responsáveis pela locomoção do protozoário podem ser diversas: flagelos, cílios, membranas ondulantes, cirros ainda extensões fluidas do próprio corpo, os pseudópodes.

A movimento pelos pseudopodes é especializado para manter a forma da célula e conta com a participação do citoesqueleto. O movimento favorece a locomoção, movimentação de vacúolos digestivos e muitas outras funções. A exceção está nos protozoários Esporozoítas que não possuem estruturas locomotoras, e se deslocam através de correntes de água ou vento. De fato, a principal forma de locomoção do grupo é através de animais vetores (pulgas, mosquitos, moscas, baratas e carrapatos) que são infectados por esses protozoários e os disseminam a outros hospedeiros que adoecem quando são atacados por esses parasitas.

A forma de nutrição do grupo é bem peculiar. Alguns destes microrganismos são autotróficos, e portanto, produzem seu próprio alimento a partir da fotossíntese. Outros porém, são heterotróficos (não produzem seu próprio alimento, e portanto se alimentam de seres autótrofos ou de outros heterotróficos) podendo ser predadores ou filtradores, herbívoros ou carnívoros, parasitas ou mutualistas mas, embora a principal forma de alimentação seja saprófita (matéria orgânica em decomposição). Isto significa que eles se alimentam especialmente de folhas mortas, animais mortos, fezes e etc.

A obtenção de energia em heterotróficos é feita a partir da absorção de materiais orgânicos, digerindo partículas ou presas no interior de vacúolos através da fagocitose. A abertura formada durante a fagocitose é chamada de citostoma, e internamente é transferido para o uma bolsa, o fagossomo, onde são lançadas enzimas para digestão, formando o fagolisossomo, lançando o que não foi digerido para fora da célula. Há também o vacúolo, que é conduzido ao longo da citofaringe (um trato microtubular).

Muitos protozoários de água doce realizam osmose para remover o excesso de água e também para ajustar a concentração e a proporção dos íons. Esta água adicional provém dos alimentos e a osmorregulação é feita por um sistema de organelas que bombeia água e íons, chamado complexo vacuolar contrátil.

Processos de difusão são essenciais para os protozoários. A respiração da maioria desses organismos é aeróbica (dependente de oxigênio), e a difusão realiza as trocas gasosas, tanto para a obtenção deste O2 do meio quanto para a eliminação de CO2.

Entretanto alguns protistas são anaeróbios obrigatórios, em especial, aqueles que vivem em simbiose no trato digestivo dos animais. As espécies aquáticas associadas à decomposição de matéria orgânica podem ser anaeróbias facultativas (utilizam o oxigênio quando estiver presente, mas também são capazes de sobreviver na sua ausência).

Os protozoários são bons indicadores da qualidade do ambiente, pois em águas poluídas por resíduos industriais normalmente não são encontrados muitos exemplares, enquanto que em águas e solos não-poluídos onde a matéria orgânica em decomposição esteja presente eles são abundantes.

Os protozoários são classificados conforme o movimento usado para a locomoção. Os Sarcodina se locomovem por pseudópodes, os Mastigophora por flagelos (longos filamentos), os Ciliophora por cílios (filamentos curtos) e Sporozoa que não tem nenhuma estrutura para se locomover. Faz parte do reino Protista também algumas algas unicelulares: crisófitas, euglenófitas e pirrófitas de acordo com suas semelhanças mais evidentes.

Filo Plasmodroma e Classe Mastigophora

Mastigophora são protistas unicelulares flagelados que se movimentam através do batimento de flagelos em forma de chicote. Os flagelos também ajudam na captura de alimento e na recepção de estímulos ambientais; alguns podem apresentar pseudópodes.

A maioria dos flagelados são heterótrofos, embora haja membros autótrofos que apresentam cloroplastos e fazem fotossíntese.

As células dos flagelados geralmente têm a forma oval, alongada ou esférica. Geralmente se reproduzem por bipartição, embora algumas espécies apresentem reprodução sexual através de singamia ou seja, a fusão de dois gametas produzidos por meiose.

A maioria dos protozoários flagelados são de vida livre, saprófitos que se alimentam de restos de plantas e animais que morreram, ou fezes de animais que são depositadas no ambiente. No entanto, existem também alguns membros flagelados que são parasitas responsáveis por algumas doenças graves como a doença do sono e a doença de Chagas, causadas respectivamente pelos Tripanossomas (ordem Protomonadida), a giardíase causada pela espécie Giardia lamblia (ordem Diplomonadida) e a Leishmaniose.

No caso da tripanossomíase, a espécie foi descrita em 1909 pelo médico brasileiro Carlos Chagas. O protozoário possui um único flagelo e alternância de formas celulares durante seu ciclo biológico, sendo as principais: tripomastigota (em forma “C” e flagelado); epimastigota (flagelado, com capacidade reprodutiva e encontrado apenas no vetor) e amastigota (forma intracelular sem flagelo, encontrada no hospedeiro vertebrado com capacidade reprodutiva). O Trypanosoma cruzi desenvolveu mecanismos adaptativos que permitem-no sobreviver às diversas mudanças físico-químicas na passagem de um hospedeiro para outro. Os hospedeiros invertebrados são insetos da subfamília Triatominae, distribuída por todo o continente americano. Mais de 72 espécies desses artrópodes foram encontradas com infecção natural por T. cruzi, e outras 10 foram infectadas experimentalmente. As espécies dos gêneros Triatoma, Rhodnius e Panstrongylus são os principais vetores na transmissão do T. cruzi. Cinco espécies são consideradas as mais notórias na transmissão da doença de Chagas, pela capacidade de colonizar e adaptar-se às habitações humanas (Triatoma infestans, Triatoma brasiliensis, Triatoma dimidiata, Panstrongylus megistus e Rhodnius prolixus).

Giardia lamblia

Na giardíase, os microrganismos apresentam-se de duas formas. Os trofozoítos; com célula afilada na extremidade posterior, 8 flagelos (dois anteriores, quatro médios e dois posteriores), dois discos de adesão, dois núcleos e dois corpos semilunares. Eles têm forma de pêra e possuem também dois axonemas: estrutura contrátil dos flagelos e cílios formada por nove pares de microtúbulos que se prolongam do corpo basal e um par central, além de proteínas associadas. A reprodução dos trofozoítos é assexuada – por divisão binária longitudinal- e têm a capacidade de variar as suas proteínas de superfície, evadindo o sistema imunitário.

A forma em cisto é arredondada, com dois ou quatro núcleos, quatro corpos parabasais, quatro axonemas e com uma espessa parede celular. São imóveis, mas por essas condições, se tornam mais resistentes e com maior potencial patológico.

O ciclo de vida das giardias é bem simples: quando ocorre a ingestão do cisto (forma infectante), se torna a forma ativa (trofozoíto) ao chegar no duodeno. Este tem proteínas de adesão às células da mucosa, colonizando o intestino delgado, fazendo diversas divisões binárias, podendo causar uma inflamação na mucosa intestinal que resulta em diarréia. Alguns trofozoítos transformam-se em cistos, que são formas mais resistentes, porém inativas, que são arrastadas e liberadas nas fezes. No exterior, os cistos resistem por até 2 meses. Se forem ingeridos por algum animal, são ativados durante a passagem pelo seu estômago e transformam-se em trofozoítos, completando seu ciclo de vida biológico.

Cisto

A Leishmaniose é causada por protozoários flagelados do gênero Leishmania (família Trypanosomatidae). Ocorre em duas formas: leishmaniose visceral e a úlcera de Bauru (leishmaniose tegumentar americana).

A forma visceral existente no Brasil (e em Portugal) é comum ao cão e ao homem: transmitida aos humanos pela picada de fêmeas de insetos dípteros flebotomíneos (gênero Lutzomyia – o mosquito palha) e Phlebotomus.

No Brasil existem atualmente 7 espécies de Leishmania responsáveis pela doença humana, e mais de 200 espécies de flebotomíneos responsáveis pela sua transmissão. Em Portugal existe principalmente a leishmaniose visceral e alguns casos de leishmaniose cutânea.

A leishmaniose visceral, conhecida como calazar ou febre negra, é a forma mais severa. O parasita migra para órgãos viscerais como fígado, baço e medula óssea e, caso se desenvolva a doença sem qualquer tipo de tratamento, quase sempre resultará na morte do humano.

Filo Plasmodroma e Classe Sarcodina (Rhizopoda)

Este grupo biológico é formado por protozoários amebóides, onde o táxon Sarcodina apresenta extensões fluídas no corpo: os pseudópodes (estruturas utilizadas para capturar alimentos). Neste táxon encontramos as amebas, bem como outros organismos com pseudópodes. Eles vivem em ambientes marinhos, dulcícolas ou terrestres. Nos amebóides de comportamento bentônico (que vivem no substrato aquático) auxiliam na locomoção. Acredita-se que este tipo de movimento pode ser um caráter primitivo das células eucarióticas que se assim for, é então uma simplesiomorfia (características primitiva compartilhada por dois ou mais grupos biológicos) dos protozoários amebóides que não os deixa reuni-los em um táxon monofilético (com um único ancestral comum).

Sendo assim, o grupo é polifilético (descende de dois ou mais ancestrais independentes). Esses protozoários quase sempre são assimétricos, porém há alguns que possuem um esqueleto simetricamente radiado.

As espécies do grupo que possuem corpos pequenos apresentam um núcleo, enquanto que as espécies com corpos grandes possuem muitos núcleos, e ainda possuem relativamente poucas organelas especializadas, o que os caracteriza protozoários simples.

Dentre os diversos grupos de ameboides, os mais comuns – e populares – são as amebas, foraminíferos e actinópodes. Sendo o último representando por radiolários e heliozoários.

Ameba

As amebas podem ser nuas ou encerradas em uma teca (um tipo de carapaça). As amebas nuas (incluindo a Amoeba) vivem no mar, na água doce ou em filetes de água que compõem o solo. O citoplasma de amebas é dividido em ectoplasma externo, com coloração clara e rígida, e em um endoplasma interno mais fluído.

Os pseudópodes adotam apenas uma das duas formas gerais possíveis (os lobópodes e os filópodes). Os lobópodes possuem forma arredondada e são largos na extremidade; e é o mais comum em muitas amebas. Eles são tubulares e compostos com ectoplasma e endoplasma. Os filópodes ocorrem com maior frequência em amebas pequenas, são estreitos (sem se conectar) e podem ser ramificados.

Os foraminiferos formam um táxon de protozoários primariamente marinhos com diversos pseudópodes filiformes são (chamados de reticulópodes). Eles se ramificam e se conectam entre si de forma anastamoseada em uma rede complexa, semelhante a uma teia de aranha. Cada reticulópode tem um eixo próprio de microtúbulos que movimentam vesículas em diferentes direções para e a partir do corpo celular. Tais vesículas em grandes quantidades conferem uma aparência granulada.

Foraminíferos

A locomoção dos foraminíferos é por rastejamento, resultando da extensão da rede de reticulópodes que se ancoram no substrato e retraem toda a rede e puxa o corpo celular para frente. Os foraminíferos são capazes de construir uma estrutura extracelular formada por material orgânico a partir da compactação de partículas minerais e carbonato de cálcio secretados na matriz orgânica. Tais estruturas calcárias são importantes, bem preservadas em registro fóssil e bem comuns no grupo. Cerca de 45 mil espécies de foraminíferos são conhecidos em espécies fósseis. Os maiores membros deste grupo são os Xenophyophorea que vivem em grandes profundidades nos mares medindo apenas alguns centímetros de diâmetro.

Algumas espécies formam câmaras nas estruturas calcárias iniciando suas vidas em uma única câmara e á medida que aumentam de tamanho os reticulópodes se projetam pela abertura e secretam novas câmaras. Este processo é contínuo resultando na formação de uma série de câmaras.

Os foraminíferos expandem suas redes de reticulópodes na água ou nos grãos de areia em busca alimento. Quando uma diatomácea, bactéria ou outra presa é capturada, é então deslocada pela rede reticulopodea em direção ao corpo celular para ser ingerida por fagocitose. A maioria destes organismos é bentônica (fixa ao substrato), no entanto as espécies de Globigerina e de gêneros podem ter estilo de vida planctônico (livres nas correntes marinhas). As espécies bentônicas apresentam espinhos em suas estruturas calcárias visíveis a olho nu, e servem para retardar o afundamento do organismo embora alguns membros do grupo sejam sésseis.

Muitos foraminíferos constituem uma diversidade incomum de protistas endossimbiontes fotossintetizantes, envolvendo algas clorófitas, diatomáceas, dinoflagelados ou algas vermelhas unicelulares, isto irá depender do grupo de foraminífero. Há muitos taxa que abrigam zooxantelas (conjunto de organismos unicelulares fotossintéticos de coloração amarelada ou acastanhada), os Soritidae que incluem as moedas-de-sereia, medem cerca de 1cm de diâmetro e é muito comum em recifes de corais.

Os organismos actinopoda são formados por células esféricas e com hábitos planctônicos. Eles possuem pseudópodes longos, rígidos que se assemelham a agulhas: sendo chamados de axópodes. Estes, são utilizados para capturar presas e auxiliam na flutuação e fixação do organismo em determinadas superfícies.

A maioria desses organismos está envolvida por uma estrutura extracelular. Os axópodes expandem-se para além desta estrutura, diferente dos pseudópodes dos foraminíferos e das amebas, que fazem justamente o contrário.

A célula dos actinópodes é dividida por medula e córtex. Sendo que o córtex é a parte da célula que faz contato com o ambiente e, portanto, tem como principal objetivo capturar e digerir presas, além de conduzir nutrientes até a medula. A medula guarda o núcleo e o maquinário sintético celular, e ainda faz a reserva dos nutrientes trazidos pelo córtex.

Heliozoario, Radiolário e Acantharea

Os actinópodes são representados por radiolários, heliozoários e acantareas. Os radiolários são animais marinhos, planctônicos que possuem uma estrutura silicosa que recobre o corpo, como os outros membros do grupo. Os heliozoários podem ser marinhos, de água doce ou habitantes de musgos. No meio aquático podem estar flutuando ou fixos em rochas no fundo do mar, onde é mais comum de se ver. A medula contém de um a vários núcleos, dependendo da espécie.

O acantharea é formado por uma célula esférica e simetricamente radiada, marinhos como os radiolários, com axópodes longos e muitos espinhos esqueletais.

Filo Plasmodroma e Classe Sporozoa (Apicomplexa)

Em termos de diversidade, já foram classificadas aproximadamente 5 mil espécies de Sporozoarios, chamados atualmente de Apicomplexa. Os representantes deste grupo biológico são representados por parasitas comuns de animais, tais como vermes, equinodermos, insetos e vertebrados.

Podem ser parasitas intra, extracelular ou ambos, dependendo da espécie. Os representantes do filo apicomplexa são responsáveis pela malária, uma doença parasitária eleita a nº 1 da humanidade.

Esses organismos ainda são chamados de Sporozoarios devido os estágios móveis, ou seja, infecciosos; ou de apicomplexa porque portam um complexo apical anterior que se fixa ou penetra no interior da célula hospedeira. Este complexo apical é bastante desenvolvido porque consiste em um conóide anterior ligado a um ou dois anéis polares, de duas ou vinte estruturas glandulares na forma de garrafas (roptrias), além de numerosos túbulos derivados da membrana do complexo de Golgi (chamados de micronemas).

Anatomia de Apicomplexa

O conóide está aberto em ambas as extremidades e também é envolvido pelos anéis polares que se conectam com microtúbulos subpeliculares. Os micronemas possuem enzimas que são utilizadas para penetrar na célula hospedeira, porém as funções dos outros componentes celulares ainda estão sendo estudadas pela ciência.

Os apicomplexos possuem flagelos que ocorrem nos seus microgametas, mas são ausentes de cílios e pseudópodes. Os representantes deste grupo podem apresentar um ou mais micróporos para alimentação, localizados geralmente na lateral do corpo.

Os ciclos de vida destes organismos podem ser bastante complexos ou básicos. Nos ciclos mais complexos, os apicomplexos possuem uma alta competência infeccionaria, atingindo mais de um hospedeiro. Contudo, quando é básico, seus estágios sexuais e clonais são haploides (com apenas um conjunto do número de cromossomos característico da sua espécie), com exceção do zigoto.

O estágio móvel infectante é chamado de esporozoíto, que é haplóide e penetra no corpo do hospedeiro absorvendo seus nutrientes, crescendo e se diferenciando em um gamonte (célula produtora de gametas). Normalmente os gamontes feminino e masculino se pareiam, tendo a sua volta um envoltório comum (chamado de cisto) e cada um produzindo muitos gametas através da fissão múltipla no interior do cisto. Quando já estão completamente desenvolvidos os gametas formam zigotos diploides (quando há duas cópias de cada cromossomos, chamados de homólogos), sendo que cada um produz uma cápsula protetora extracelular que será chamada de esporo. Após esta fase, já no interior do esporo, o núcleo do zigoto se divide por meiose para voltar á configuração haplóide dos cromossomos e dar continuidade à divisão mitótica, resultando em oito esporozoítos.

Nesse ciclo de vida ocorre a produção de gametas conhecida como gamogonia – ocorre também a produção de esporos denominada esporogonia.

A Malária

No ciclo de vida do Plasmodium, a fêmea do mosquito Anopheles (o hospedeiro definitivo) transmite a um vertebrado (o hospedeiro secundário, como o ser humano) uma forma infecciosa móvel (o esporozoíto), atuando desta forma como vetor. O esporozoíto percorre os vasos sanguíneos até às células hepáticas, nas quais se reproduz assexualmente (através de esquizogonia tecidual), produzindo milhares de merozoítos. Estes últimos irão infectar mais glóbulos vermelhos e dar início a uma série de ciclos de multiplicação assexuada que produzem entre 8 a 24 novos merozoítos infecciosos cada um, até à célula romper e dar início a um novo ciclo de infecção.

Os merozoítos restantes tornam-se gametócitos imaturos, os quais são os precursores dos gâmetas masculinos e femininos. Quando um mosquito pica uma pessoa infectada, os gametócitos são transportados no sangue e amadurecem no sistema digestório do mosquito. Os gametócitos macho e fêmea fundem-se e formam um oocineto – um zigoto fertilizado móvel. Por sua vez, os oocinetos transformam-se em novos esporozoítos que migram para as glândulas salivares do inseto, prontos a infectar novos vertebrados. Quando o mosquito se alimenta através da picada, os esporozoítos são injetados para a pele através da sua saliva.

Ciclo da Malária

Somente a fêmea do mosquito se alimenta de sangue; os machos alimentam-se do néctar de plantas e não transmitem a doença. As fêmeas do gênero Anopheles preferem alimentar-se ao longo da noite, iniciando a procura de alimento a partido do pôr do sol. Os parasitas da malária podem também ser transmitidos através de transfusões de sangue, embora a sua ocorrência seja rara. As manifestações iniciais da doença, iguais em todas as espécies de malária, são semelhantes aos sintomas da gripe, podendo ainda ser semelhantes as de outras doenças virais e condições clínicas como a septicemia (conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas por uma infecção) ou gastroenterite. Entre os sinais incluem-se dores de cabeça, febre, calafrios, dores nas articulações, vómitos, anemia hemolítica, icterícia, hemoglobina na urina, lesões na retina e convulsões.

Filo Ciliophora e Classe Ciliata

Ciliophora fora um táxon monofilético composto por organismos celulares móveis. Taxonomicamente, possui apenas a classe Ciliata. Todos os ciliados são heterotróficos, porém mais ou menos um terço deles são ecto ou endocomensais ou ainda parasitas.

Diversas formas corpóreas ocorrem entre os ciliados, sendo a maioria deles assimétrica. Algumas espécies apresentam simetria radial.

A maioria dos ciliados é solitária e móvel, mas existem algumas espécies que formam colônias e são sedentárias. Muitos são nus, embora alguns grupos – tintinídeos, alguns heterotríquios, peritríquios e suctórios – são abrigados em uma estrutura de material orgânico secretada ou formada por partículas estranhas cimentadas.

Ciliados variam em tamanho, de 10µm até 4,5mm. Os cílios da superfície estão especializados na superfície geral do corpo e na ciliatura oral associada. Em algumas espécies se arranjam em fileiras longitudinais, onde cada uma recebe o nome de sistema cinético, mas nos táxons mais especializados os cílios estão restritos em apenas algumas regiões do corpo.

O sistema cinético é uma fileira com cinetíades repetidas, cada uma formada por um cílio, corpúsculo basal e fibras associadas. Possivelmente as fibras dos cinetíades tem função esqueletal, servindo tanto para o ancoramento ciliar quanto para a manutenção da forma da célula. Há também os extrussomos, vacúolos secretores especializados na liberação rápida na superfície da célula. Nos Paramecium e em outros ciliados, os extrussomos se apresentam na forma de garrafas, conhecidos por tricocistos, e alternam-se com os alvéolos, auxiliando também na defesa contra predadores.

Os ciliados são os protozoários mais rápidos do grupo: mais rápido inclusive que os flagelados (coanoflagelados, dinoflagelados, etc) por conta dos inúmeros cílios presentes em sua superfície. Acredita-se que a locomoção ciliar se da pelo movimento de um cílio que provoca a movimentação da água, que por sua vez incentiva a movimentação do cílio seguinte. E assim sucessivamente: e esse movimento de da o nome de “ondas metacronais”.

Alguns ciliados que vivem entre grãos de areia, ou mesmo as espécies de Vorticella ou Stentor são contráteis e fogem rapidamente de predadores em potencial.

Vorticella (abaixo a esquerda), Zoothamnium (acima, a esquerda), Stylonychia mytilus (acima a direita) e Paramecium sp (abaixo a direita).

Os ciliados de vida livre têm hábitos alimentares detritívoros, bacterívoros, herbívoros ou predadores (sendo raptoriais, perseguindo ativamente suas presas ou ainda atuar como predadores de emboscada). Os predadores se alimentam de outros protozoários, incluindo ciliados. Isto ocorre porque muitos ciliados pequenos se movimentam a procura de alimento (bactérias, diatomáceas, detritos) e se tornando alvos fáceis. Para estes, a estrutura oral pode ser constituída apenas por um citóstoma e uma citofaringe que conduz o alimento até o vacúolo alimentar.

Após a digestão, a excreção nos ciliados é uma questão de regulação de volume. Os vacúolos contráteis (que pode variar em número de 1 a vários) presentes nas espécies de água doce e nas marinhas fica próximo à porção posterior. As estruturas vacuolares estão sempre associadas à região mais interna do ectoplasma e esvaziam-se através de um ou dois poros permanentes.

Há 2 modos de reprodução em cicliados: a reprodução clonal (ou vegetativa) caracterizada pela fissão binária transversal, atravessando todos os sistemas cinéticos; e a reprodução sexuada pela troca direta de genes, sem que estejam acondicionados em óvulos ou células espermáticas. Para que isto ocorra é preciso que os dois indivíduos sexualmente compatíveis se conectem ao longo de uma superfície compartilhada, então a membrana desaparece e há uma troca mútua de genes. Esse processo é conhecido como conjugação e os dois ciliados fusionados são denominados conjugantes. Durante este processo (que pode durar horas) e somente os micronúcleos funcionam: o macronúcleo se desfaz durante o processo.

Victor Rossetti

Palavras chave: Protozoa, Mastigophora, Rhizopoda, Sporozoa, Ciliata, Pseudopodes, lobopodes, Giardia, Axonema, Trofozoita, Cisto, Ameba, Foraminifera, Actinopoda, Heliozoário, Radiolário, Acantharea, Apicomplexa, Conoide, Micronema, Malária, Esporozoito, Esporocisto, Ciliata, Vorticella, Paramécium.

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Referências

Rhizhopoda
Foraminifera
Actinopoda
Sporozoa/Apicomplexa
Ciliophora

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