DESIGN INTELIGENTE NÃO REPRESENTA UM DESAFIO CIENTÍFICO PARA A EVOLUÇÃO.

O design inteligente não representa um desafio científico. Historicamente as raízes deste movimento estão na metafísica cristã, buscando no que está além da natureza (na aletheia) uma forma de conhecê-la.

O bioquímico Michael Behe, cujo testemunho ficou proeminente no julgamento de Dover em 2005. Ted Davis atrás de Behe.

O movimento do design inteligente surgiu na década de 80 como uma manobra criacionista elaborando uma máscara de “ciência” para uma defesa fundamentalista da leitura literal do livro de Gênesis. Apesar de existir pessoas com formação em diversas áreas e que adotam esta postura religiosa, ela não é aceita como ciência porque não respeita e não preenche aspectos básicos da filosofia da ciência e da metodologia científica. Geralmente os adeptos desta doutrina usam o argumento de autoridade (ser formado em uma área) para tentar validar uma crença religiosa.

A única representatividade que o movimento possui é por arrebanhar pessoas nas redes sociais justamente por usar o caráter religioso.

Para entender porque o design inteligente não representa uma tese científica e portanto não é um desafio á teoria da evolução, precisamos responder a duas questões. A primeira é: O que é design inteligente? e segunda: Será que é ciência?

Para a primeira pergunta a resposta dos proponentes desta ideia é que na história da vida neste planeta em determinado momento (ou momentos), uma inteligência interveio no andamento das coisas. A vida ostenta uma complexidade tão grande que supostamente é irredutível. Neste argumento, a lei cega (em especial a teoria da evolução que depende da seleção natural) não conseguiria explicar tal complexidade. É com esse modo de pensar que as pessoas acreditam que o design inteligente representa um desafio científico diante da teoria da evolução. Por exemplo, Michael J. Behe autor de “A Caixa Preta de Darwin” (1996) afirmou:

“…uma das maiores conquistas da história da ciência….  a descoberta do design inteligente rivaliza com as de Newton e Einstein Lavoisier,  Schroehringer Pasteur e Darwin”

George W. Bush em 2005 declarou aos jornalistas:

” o design inteligente e a evolução devem ser adequadamente ensinados….  parte da finalidade da educação é expor as pessoas á diferentes escolas de pensamento…”

Ou ainda o defensores da causa, William Dembski em “Why Presidente Bush got it right about Intelligent design” em 2005:

“O design inteligente é um vencedor no debate público das origens biológicas, não apenas por ser sustentado por ideias, argumentos e dados poderosos, mas também por não transformar este debate em uma controvérsia entre bíblia e ciência. O design inteligente, ao contrário do criacionismo é uma ciência de direito próprio tem pernas para andar”.

Para o argumento de Behe, diversos exemplos de complexidade irredutível dados por ele, não eram irredutivelmente complexos: flagelo bacteriano, origem dos olhos ou do sistema imunológico (veja mais aqui). Eles eram perfeitamente estudados e explicados evolutivamente. Esta crítica a ideia de complexidade irredutível de um design inteligente começou quando o termo ainda era criacionista.

O conceito de design inteligente começou a circular nos EUA após o Supremo Tribunal dos Estados Unidos determinar, em 1987, ser inconstitucional exigir o ensino da “ciência da criação”, mas autorizou a possibilidade de ensinar voluntariamente alternativas a evolução desde que tal fosse feito por razões seculares. Assim uma pequena organização cristã texana publicou um manual escolar anti-evolucionista chamado “Of Panda and People: The Central Question of Biology Origins” (1989) escrito pelos criacionistas Dean H. Kenyon, um biólogo da Universidade Estadual de São Francisco e Percival Davis,
um professor de biologia da Community College da Flórida (Ruse, 2012).

Ambos tiveram a intenção de escrever um livro assumidamente criacionista chamado Biology of Creation para ser utilizado em escolas públicas. No entanto, quando o Supremo Tribunal decidiu desfavoravelmente ao criacionismo, os autores substituíram rapidamente as palavras “criação” e “criacionismo” pela ideia de design inteligente. Em algumas edições a mudança foi tão mal-feita que surgiram termos como “cdesign proponentsist”.

Em um primeiro momento o conceito atraiu pouca atenção. No entanto, no início da década de 90, quando um professor de direito da Universidade de Berkeley chamado Phillip E. Johnson (1940) publicou um pequeno livro intitulado “Darwin on Trial” (1991) o panorama mudou. Aversivo a teoria da Evolução Johnson pontuou argumentos bem conhecidos desde a época da publicação “A Origem das Espécies” de Darwin e defendendo a inadequação da seleção natural, a ideia de lacunas o registro fóssil, o problema da origem da vida e vários outros conceitos antigos (Ruse, 2012).

Por mais aversivo que Johnson fosse a Darwin e a teoria da evolução, viu na sua aceitação generalizada os sintomas de uma adesão mais geral ao naturalismo, o que ele chamava de naturalismo metodológico que criava na ciência uma propensão injusta contra a mera hipótese de se admitir explicações religiosas. Ele disse:

“O naturalismo domina em absoluto o mundo acadêmico secular, o que já é mau…, mas o que é bem pior é que domina igualmente boa parte do mundo cristão”.

Como contra-estratégia, Johnson concebeu a ideia da cunha:

“um tronco de árvore é um objeto aparentemente sólido, mas uma cunha devidamente introduzida pode permitir abri-lo ao meio, penetrando em uma rachadura de madeira e alargando gradualmente a falha. Neste caso a ideologia do materialismo científico é o tronco aparentemente sólido. A falha que se alarga é importante mas raramente conhecida, diferença entre os fatos revelados pela investigação científica e a filosofia materialista que domina cultura científica”.

O livro de Johnson vendeu muito e instigou outros livros sobre o design, como o de Michael Behe.

Behe argumentava que qualquer sistema biológico irredutivelmente complexo, se existisse, constituiria um desafio poderoso á evolução darwiniana, uma vez que a seleção natural só pode escolher sistemas que já estão em funcionamento. Nesta lógica, um sistema biológico não pode ser produzido de forma gradual, teria de surgir então sobre a forma de uma unidade integrada para que a seleção natural tenha algo para poder agir. Behe acreditava que existiria sistemas irredutivelmente complexos e citou os exemplos dos flagelos bacterianos, a complexidade dos olhos e o caso do besouro bombardeiro.

Sabemos hoje que nenhum desses exemplos corresponde a sistemas com complexidade irredutível. Sabemos como parte das proteínas dos flagelos bacterianos se estruturaram evolutivamente. O próprio autor Behe quando questionado (2005) alegou não ter estudado ou pesquisado sobre a origem evolutiva do sistema imunológico, a complexidade evolutiva dos olhos que é bem estudada do ponto de vista genético, embrionário, fisiológicos de modo comparado.

O argumento de Behe em breve recebeu apoio teórico do filósofo matemático William Dembski que rapidamente se propôs a delinear um método de detecção de um designer. Dembski tem um histórico bastante interessante, dentre eles, acreditar na existência de um suposto código numericamente escondido na bíblia.

Dembski tentou construir três noções básicas para identificar a presença de um designer: contingência, complexidade e especificação. Para ele a contingência significa que as coisas que se sucedem segundo uma lei cega não apresentam indícios de design; design apresenta complexidade. O número 2 seguido do número 3 não nos chama atenção, mas a sucessão de números primos até 101 faz-nos pensar que pode haver um design; e a especificidade, não podemos pintar um alvo ao redor de uma flecha indicando que a acertou o centro (Ruse, 2012).

A ideia central do movimento do Design inteligente era buscar intervenções realizadas fora da ordem natural das coisas, incluindo o uso da ciência para identificá-las. Quando foi perguntado sobre como parecia que a complexidade e a correria, pela primeira vez Michael Behe respondeu:

“em um sopro de fumo”.

Então, foi lhe perguntado:

“Está dizendo que o design inteligente suspende as leis na física quando opera um milagre?”

Ele respondeu que sim.

Para Dembski:

“Um cientista que está tentando compreender um determinado aspecto do mundo preocupa-se em primeiro lugar com este aspecto tanto quanto ele se relaciona com Cristo –  e isso é verdade independentemente desse cientista em particular reconhecer ou não existência de Cristo….  o designer inteligente não é mais do que a teologia do logos do Evangelho de São João reformulada no idioma da teoria da informação”.

Notamos então que os pontos que os proponentes do design inteligente defendem são absolutamente os mesmos que os criacionistas defendiam antes do termo design inteligente surgir. A grande maioria que cai dentro de um conceito claramente criacionista no sentido cristão. São poucos os defensores do design inteligente que não defendem uma postura religiosa cristã. Curiosamente, a primeira vista Michael Behe não defende um conceito cristão para ideia de design inteligente – o que é um problema para aqueles criacionistas que usam as ideias de Behe como justificativa para defender que o design inteligente é o deus do cristianismo (tal como faz Dembski).

A situação fica ainda mais complicada quando Behe em sua maior obra (A Caixa Preta de Darwin) aceita diversos conceitos e ideias da biologia evolutiva. Ele diz:

“Sou um evolucionista no sentido em que acho de fato que a seleção natural explica algumas coisas […]. Mas do que vejo analisando os dados, a seleção natural só explica mudanças bastante pequenas e é muito difícil imaginar que explique muito mais do que mudanças triviais. Não me preocupa minimamente que a ascendência comum de fato se verifique, e que existe algum tipo de programa pré-concebido capaz de proporcionar mudanças ao longo do tempo (isto é a evolução).  E acho que coisas como os pseudogenes constituem argumentos poderosos em favor da tendência comum. Por isso, mais uma vez, sou um evolucionista neste sentido”.

Behe assume claramente que:

A caixa preta de Darwin de Behe, onde ele assume a evolução

Já para Dembski:

“De momento estou inclinado para uma forma pré-programada de evolução na qual a vida evolua de forma teleológica sendo a humanidade o término do processo evolutivo”

Demski defende uma postura aristotélica de Scala naturae.

Johnson ainda diz:

Estou de acordo […] em que os grupos reprodutivos que ficaram isolados em nada diferem frequentemente das espécies do continente em resultado de cruzamento reprodutivo, mutações e seleção trata-se de uma mudança dentro dos limites de um tipo preexistente e não necessariamente do meio atrás do qual esses tipos passaram a existir logo de início. A nível mais geral, o padrão do relacionamento entre plantas e animais sugere que poderão ter sido produzidos por algum tipo de processo de desenvolvimento a partir de uma fonte comum”.

(Ruse, 2003)

Posicionamentos como de William Dembski e de Johnson às vezes isoladamente são direcionados a um design inteligente que não recorre a uma condição religiosa, embora quando se observa o contexto geral a ideia apresentada de um design inteligente é ele um sinônimo para o deus do cristianismo. Ou seja, na maioria das vezes o termo design inteligente aparece como uma roupagem para deus do cristianismo, em uma manifestação claramente religiosa.

Nos Estados Unidos estas questões são frequentemente decididas por tribunais e assembleias legislativas e não por cientistas ou filósofos justamente porque não há correspondência entre a alegação religiosa dos criacionistas/design inteligente e a evolução biológica. Embora ciência e religião acabem se encontrando em alguns pontos em comum, não se pode dizer que uma afirmação pautada na fé religiosa parte de um caráter científico. No primeiro questionamento sobre a capacidade empírica de se testar as asserções feitas por criacionistas as alegações se diluem, pois é epistemologicamente falível.

Foi assim que em 1981 uma sala de audiências da cidade de Little Rock (Arkansas) ocorreu um debate sobre a constitucionalidade de uma lei estadual recentemente aprovada que decretava o tratamento equilibrado para aquilo que designava até então por “ciência da criação” e a ciência da evolução. Seguindo a recomendação de Michael Ruse o juiz decidiu que entre as características essenciais da ciência se incluíram a naturalidade, experimentabilidade, testabilidade e a possibilidade de se provar a falsidade das asserções criacionistas (Ruse, 1983) e o criacionismo foi rejeitado como tese científica.

Através desses critérios o termo ciência da criação não conseguiu preencher requisitos básicos e portanto, o caso foi arquivado em 1987. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos adotou esse mesmo raciocínio para invalidar uma lei semelhante em Louisiana. A ciência segundo essa definição constitui uma tentativa para compreender o mundo de acordo com a lei inviolada. Neste contexto trata-se de uma lei da natureza, o que significa algo que se mantém universalmente válido e que esperamos que se mantenha universalmente válido. Utilizando essa definição, estão incluídos a tectonia das placas, por exemplo, que deve ser categorizado como uma ciência por ser algo que funciona de acordo com a lei natural inviolada.

A insistência de que a ciência se restringe ao estudo da natureza remonta pelo menos os inícios do século XIX. No ano de 1837, quando o filósofo historiador da Universidade de Cambridge William Whewell  (1790-1866) publicou a sua obra “History of inductive Science” sentiu-se a necessidade de intervir deus para explicar a origem dos organismos, mas advertiu cuidadosamente que isso não constitui a ciência. Ele disse:

“Quando inquirimos de onde vieram para o nosso mundo, a geologia permanece silenciosa. O mistério da criação não cabe nos limites do seu território legítimo; ela nada disso, mas aponta para cima”.

Mesmo o cristão mais coerente em sua crença não vai buscar na ciência as supostas comprovações e evidências da existência de seu deus, mesmo porque, a bíblia já indica isto em Hebreus 11:1-3:

“1 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.

2 Porque por ela os antigos alcançaram testemunho.

3 Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.”

Quando confrontado com a origem dos organismos Charles Darwin não tomou opinião de auto-responsabilização de Whewell. Ele trabalhou sem parar até chegar á ideia da seleção natural e quando o seu correspondente americano quis trazer deus de volta através de mutações dirigidas Darwin mostrou-se tudo, menos acolhedor (Whewell, 1858).

Uma das tentativas mais intrigantes para dar cobertura filosófica a ideia do design inteligente veio do filósofo da religião Alvin Plantinga (1932) que assumidamente declara uma rejeição e versão absoluta a ideia da evolução biológica. Embora concorde que o recurso dos milagres pode construir o entendimento para ciência, não vê, ainda assim, qualquer razão para limitar a ciência ao natural. Para ele:

“Obviamente nada nos garante que Deus fez tudo utilizando causa secundárias, ou que o fez de tal forma que encorajar-se uma investigação científica mais aprofundada, ou em favor da nossa conveniência enquanto cientistas, ou em benefício da National Science Foundation […] Manifestamente, não podemos insistir de forma sensata, antecipadamente, em que tudo aquilo com que nos confrontamos tenha de ser explicado em termos de qualquer outra coisa que deus fez; ele deve ter feito algumas coisas diretamente. Valeria a pena saber, se possível, quais as coisas que ele fez de fato diretamente; sabê-lo constituiria uma parte importante de um conhecimento sério e profundo sobre o universo”.

Plantinga, apesar de declarar este belo discurso apenas ofereceu especulações. Nenhuma forma ou método de constatar coisas que deus pudesse fazer diretamente ou indiretamente foi sugerida, critérios para diferenciar estas duas formas não foram oferecidos. Assumindo a priori a existência de deus interferindo diretamente na natureza é o que torna o discurso do design inteligente uma crença religiosa absolutamente nada diferente do criacionismo.

Sob essa perspectiva que Plantinga e criacionistas em geral propõem, deveríamos usar a expressão “ciência agostiniana”, para designar a ciência tradicional misturada com milagres (Plantinga, 1997). No entanto, a comunidade científica tem simplesmente ignorado esse tipo de argumento proposto por Plantinga e outros semelhantes por não corresponder a uma tese coerente com o que se entende por ciência.

O State Board of Education, uma entidade anti-evolução do Arkansas votou em 2005 deixar de se limitar a ciência ao campo do natural, abandonou a criteriosa definição de ciência como a de que observamos o mundo que nos rodeia e substituiu esta descrição por:

“Um método sistemático de prosseguir a investigação que utiliza a observação, a testagem de hipóteses, medições, experimentações, argumentação lógica e desenvolvimento teórico passíveis de conduzir a explicações mais adequadas dos fenômenos naturais”.

Diante dessas desse argumento, o psiquiatra e colunista conservador Charles Krauthammer (1950) criticou sabiamente a definição da Status Board:

“Com vista a justificar a farsa de que o design inteligente é ciência, o Kansas teve de corromper a própria definição de ciência deixando cair a expressão “explicações naturais daquilo que observamos no mundo que nos rodeia”, insinuando assim inequivocamente – numa definição por decreto nada mais nada menos – que o sobrenatural faz parte integrante da ciência”

(Overbye, 2005)

Neste mesmo ano (2005), um grupo de pais mais empenhados do Dover Area School District (Pensilvânia) empreenderam uma ação legal contra decisão de adoção do livro Of Pandas and People” com forma de “consciencializar os alunos para as lacunas e problemas da teoria de Darwin e que outras teorias evolucionistas incluindo o design inteligente, mas não se limitando a ele” (Matzke, 2004).

O desenrolar deste processo ficou conhecido como “O julgamento de Dover” – tema do documentário abaixo, onde Michael Behe foi escrutinado pela ciência e sobre seus supostos exemplos de complexidade irredutível.

Durante o julgamento, o inglês Steve Williams Fuller (1959), um epidemiologista social pós-moderno defendeu que

“Nada há de especialmente anti-científico em procurar mudar as regras da base da ciência”

Ele defendeu que o design inteligente apesar de fazer apelo á causalidade sobrenatural constitui uma ciência legítima e levantou objeções ao empenho “dogmático” da comunidade científica no naturalismo metodológico, o qual negou constituir “uma regra de base da ciência” (Fuller, 2005). Mesmo Behe, quando escrutinado sobre o que se entendia por ciência deu uma definição tão abrangente que ao ser questionado se astrologia se encaixava em sua definição, assumiu que sim.

O que fica claro com esta história toda é que, por uma jornada quase cruzadista em busca de uma comprovação de um deus de uma determinada frente religiosa, os proponentes exigem a mudança de critérios de setores como a ciência, ajustes das evidências, e subversão de métodos de verificação aliando-se a concepções ideológicas e políticas. A cruzada por um reconhecimento científico feita pelos proponentes do design inteligente não é tentada pela publicação de artigos ou de justificativas que levem a refletir sobre a validade do suposto design inteligente como ciência. Pelo contrário, ela é feita recorrendo a processos jurídicos, forçando uma suspensão dos critérios científicos, aliando-se a ideologias e políticas conservadoras. O design inteligente não apenas não representa um desafio científico, mas assumidamente é anti-científico (ao negar os critérios epistemológicos) e também pseudocientífico: na medida em que não só nega a ciência, mas faz alegações de resultados como se fossem cientificamente justificados quando não são, ou sequer são testáveis.

Mesmo Behe, a partir de que trabalhados científicos publicados ele é um bioquímico reconhecido?  Absolutamente nenhum. Behe é conhecido não por sua relevância científica, mas por ter sido erguido pelo movimento do design inteligente como alguém que teve uma ideia que agrada e se alinha a um discurso religioso.

No final do Julgamento de Dover, o juiz rejeitou esse raciocínio perverso determinando o design inteligente como uma não-ciência (o que até hoje não é aceito pelo movimento) e visto por invocar causalidade sobrenatural e não seguir a verificabilidade das regras de base essenciais que limitam a ciência a explicações naturais e testáveis (Jones, 2005).

Assim, diante de todo esse histórico a respeito do design inteligente, não é possível – como eles mesmos têm demonstrado, e como as evidências têm apontado – considerar a ideia como um desafio contra a teoria da evolução, simplesmente por não preencher os pré-requisitos básicos epistemológicos a respeito do método científico.

O conceito design inteligente não só não é científico como é assumidamente uma postura religiosa cristã e faz uso de uma roupagem para travestir o seu conteúdo criacionista. Por esta razão o design inteligente segue marginalizado e assim será dada a amplitude de seu fundamentalismo religioso em um mundo secularizado.

Victor Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Charles Darwin, Design inteligente, Pseudociência, Criacionismo, Julgamento, Michael Behe, William Dembski.

 

Referências

Fuller, S. W. “Rebuttal of Dover Expert Reports,” 13 May 2005.
Jones III, J. E. “Memorandum Opinion,” 20 December 2005, found on the NCSE’s web site
Matzke, N. J. “Design on Trial in Dover, Pennsylvania,” NCSE Reports 24 (September/October 2004): 4–9
Overbye, D. “Phi los o phers Notwithstanding, Kansas School Board Redefines Science,” New York Times, 15 November 2005, D3
Plantinga, A. “Methodological Naturalism?” Perspectives on Science and Christian Faith 49 (September 1997): 143–54, at 152–53.
Ruse, M. “Creation- Science Is Not Science,” in Creationism, Science, and the Law: The Arkansas Case, ed. Marcel Chotkowski La Follette (Cambridge, Mass.: MIT Press, 1983), 150–60.
Ruse, M. Evolution-Creation Struggle, 256; 2003
Ruse, M. Mito 23- O Design Inteligente representa um desafio científico a evolução. Livro: Galileu Na Prisão – e  outros mitos sobre ciência e religião. Ronald L. Numbers. Ed. Gradativa. 2012
Whewell, W. History of the Inductive Sciences: From the Earliest to the Present Time, 3d ed., 2 vols. (1837; New York: D. Appleton, 1858), 2:573