MULHERES, NEGRAS E GRANDES CIENTISTAS.

O envolvimento das mulheres no campo da medicina ocorreu em várias civilizações antigas, e o estudo da filosofia natural na Grécia antiga foi aberto às mulheres. Muitas mulheres contribuíram para a proto-ciência da alquimia no primeiro ou segundo século d.c.

Esquerda: Rapelang Rabana (tecnologista); centro: Juliana Rotich (tecnologista); direita: Nashwa Eassa (física de partículas).

Durante a Idade Média, os conventos eram um importante centro de educação para as mulheres, e algumas comunidades ofereciam oportunidades para elas contribuírem com a pesquisa acadêmica. Enquanto o século XI via o surgimento das primeiras universidades, as mulheres eram, na maior parte, excluídas da educação universitária (Whaley, 2003).

A atitude de educar as mulheres nos campos da medicina na Itália parece ter sido mais liberal do que em outros lugares. A primeira mulher conhecida a ganhar uma cadeira universitária em um campo científico de estudos foi a cientista italiana do século XVIII Laura Bassi.

Na África Sub-saariana cerca de 30% dos pesquisadores são do sexo feminino. Grande parte da África subsaariana está vendo ganhos sólidos na parcela de mulheres entre os graduados do ensino superior nos campos científicos. Em muitos países africanos as mulheres formadas fazem parte de cerca de 54% dos formandos. Cerca de 60% dos que se formaram na classe de 149 da Namíbia eram mulheres. Na África do Sul e o Zimbábue, que tem maiores populações de pós-graduação em ciência, a porcentagem ficou entre 49% e 47%, respectivamente. Países como Angola, Burundi, Eritréia, Libéria, Madagascar, Moçambique e Ruanda apresentam em torno de 35% a 40%.

Os países com até 30% ou menos são: Benim, Etiópia, Gana, Suazilândia e Uganda. O Burkina Faso ocupa o ultimo lugar da lista (UNESCO, 2015).

A representação feminina em engenharia é bastante alta na África Subsaariana, em comparação com outras regiões. Em Moçambique e na África do Sul, por exemplo, as mulheres representam 34% e 28% dos diplomados em engenharia. O número de mulheres licenciadas em ciências agrícolas tem aumentado de forma constante em todo o continente, com oito países reportndo uma percentagem de mulheres licenciadas de 40% ou mais (Lesoto, Madagáscar, Moçambique, Namíbia, Serra Leoa, África do Sul, Suazilândia e Zimbabué). Na área da saúde, esta taxa varia entre 26% e 27% no Benim e na Eritreia e 94% na Namíbia (UNESCO, 2015).

É digno de nota que as mulheres representam uma proporção relativamente alta de pesquisadores empregados no setor de empresas na África do Sul (35%), Quênia (34%), Botswana e Namíbia (33%) e Zâmbia (31%). A participação feminina na pesquisa industrial é menor em Uganda (21%), Etiópia (15%) e Mali (12%) (UNESCO, 2015).

Infelzimente, há ainda manifestações infelizes no meio acadêmico. O vencedor do Prêmio Nobel, Tim Hunt, gerou controvérsia quando afirmou que as mulheres não deveriam estar na ciência, já que elas podem distrair os cientistas do sexo masculino no local de trabalho.

Em protesto a isso, milhares de mulheres cientistas foram ao Twitter postar fotos de si mesmas no trabalho sob a hashtag do Twitter, #DistractinglySexy.

Diante deste caso infeliz destacamos aqui cinco mulheres cientistas africanas que apresentam grande contribuição para a ciência.

Godliver Businger é engenheira civil em Uganda.

Rapelang Rabana é Tecnologista e trabalha na África do Sul. Após formar-se em Ciências Empresariais com distinção em Ciência da Computação pela Universidade da Cidade do Cabo, Rapelang Rabana fundou a Yeigo Communications, a primeira empresa de desenvolvimento da África do Sul que oferecia serviços móveis gratuitos de VoIP. Por meio de seu sucesso, ela logo se associou à Telfree, uma empresa suíça de telecomunicações e criou um aplicativo de aprendizado móvel, o ReKindle Learning.

Foi listada em vários prêmios, como a Forbes 30 Under 30: Melhores Empreendedores da África e O Power List 2012 da Oprah Magazine.

Outra mulher ícone da ciência feminina é a geneticista Nagwa Abdel Meguid do Egito. A Dr. Nagwa é a geneticista responsável por identificar várias mutações genéticas que causam síndromes comuns, como a síndrome do X frágil e o autismo. Em 2002, ela ganhou o L’Oreal Award da UNESCO para Mulheres na Ciência pela África e Oriente Médio. Desde então, ela montou clínicas para crianças com necessidades especiais, além de lidar com intervenções precoces. Ela também é membro de vários grupos, como a Pesquisa de Gênero na África, em Tecnologias de Comunicação da Informação para o Empoderamento (GRACE), bem como o Autism-Open Access, para citar alguns.

Juliana Rotich é também Tecnologista no Quênia. Em 2007, durante a violência pós-eleitoral do Quênia, Juliana foi co-fundadora de uma plataforma de software, a Ushahidi.com, onde os cidadãos podiam denunciar casos de violência e tê-los mapeados via Google Maps; que se tornou uma tendência no ativismo de mídia social.

Ela também é a fundadora do iHub, um centro de inovação para outros tecnólogos afins e Mobisoko, um mercado de aplicativos móveis. Além disto, Juliana também é bolsista sênior do TED, nomeada entre as 100 mulheres mais importantes segundo The Guardian, e atua no Conselho da Agenda Global do Fórum Econômico Mundial sobre Tecnologia de Comunicação da Informação.

Nashwa Eassa é física de nanopartículas no Sudão e possui mestrado em Física de Materiais e Nanotecnologia – com bolsa de pós-doutorado em nanofotônica. Ela fundou a Sudanese Women in Science e, devido a sua pesquisa em física de nanopartículas, ganhou o Prêmio Elsevier Foundation para Mulheres no início da carreira de cientistas no mundo em desenvolvimento em 2015. Ela também é professora assistente de física na Al Neelain University, Cartum e atualmente está colaborando em um projeto que visa sanear a água através da radiação solar.

Godliver Businger é engenheira civil em Uganda. Ela graduou-se no Instituto Técnico de São José em Kisubi em 2012 e começou sua carreira como engenheira civil ao ingressar na Global Women’s Water Initiative. Ela trabalha no ensino de mulheres rurais sobre construção e criação de empresas de água, saneamento e higiene (sigla em inglês WASH). Também organizou um programa de rádio, “Ladies Night”, que estava focado em criar consciência dos valores da educação das meninas. Ela foi listada como Modelo Feminino pela Trust.org da Reuters.

Se você é uma mulher na ciência, ou se está apenas procurando por uma boa inspiração para ser, eis estes dados que servem para motiva-la. Estas são apenas algumas das muitas cientistas africanas que fazem do mundo um lugar melhor (Ayiba Magazine, 2015).

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Mulheres na ciência, África.

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Referências

Whaley, Leigh Ann. Women’s History as Scientists. Santa Barbara, California: ABC-CLIO, INC. 2003.

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