CONGREGAÇÃO PSEUDOCIENTÍFICA EM ASCENSÃO: DESIGN INTELIGENTE SE ALINHA AO TERRA-PLANISMO/GEOCENTRISMO E A ANTI-VACINAÇÃO.

Sim! No Brasil já há defensores do design inteligente que flertam com conspirações anti-vaxxer e com a terra-plana.

Nas redes sociais, uma página defensora do design inteligente se alia ao discurso anti-vaxxer

Não é só no documentário da NetFlix “Behind the Curve” que encontramos fanáticos religiosos defendendo a terra-plana e incitando a não-vacinação das crianças de pais alheios. Aqui no Brasil já há representantes que defendem deus como um designer inteligente e se relacionando com o discurso terraplanista e flertando com a não-vacinação.

Em tempos de irracionalidade, onde as crenças pessoais e individuais têm maior peso do que critérios e afirmações devidamente comprovadas segundo as evidências, surge a tendência de que tais modos de pensar comecem a se congregar em nichos ainda maiores.

Se nos tempos antigos era mais difícil fazer pesquisa, pois não havia toda a facilidade e comodismo da internet, os discursos irracionais que outrora ficavam restritos individual ou regionalmente agora passam a formar grandes assembleias e ganhar visibilidade. As pessoas passaram a perceber que as pesquisas poderiam ser facilitadas devido à velocidade de transmissão de informação, mas também que a disseminação de pensamentos racionalmente limitados travestidas de conhecimento genuíno passaram a ser mais facilmente difundidas como verdades absolutas. A internet permitiu que grupos anti-intelectuais se consolidassem em grandes assembleias tornando comum aquilo que as pessoas tinham vergonha de expressar, e a tendência é que tais nichos pseudocientíficos estabelecidos comecem a se relacionar criando animosidades intelectuais ainda maiores. O primeiro passo é satanizar a ciência!

Nas redes sociais, uma página defensora do design inteligente se alinha com o terraplanismo.

As grandes massas que compartilham as mesmas crenças e disseminaram-se e em uma sociedade sustentada por devaneios, então, qualquer expressão de verdade, de reflexão e critérios passa a ser vistos como loucura. Tempos de inversão, não só de valores onde o bom cidadão apoia a tortura física e moral, mas também a inversão entre a busca da compreensão dos fatos – agora encontrada nas crenças e não mais nas evidências.

Ainda que heterogêneas, as pseudociências e grupos pseudointelectuais ganharam força chamando a atenção do público. Digo heterogêneo porque mesmo compartilhando da mesma crença há ainda diferenças pontuais. O caso mais comum vem dos criacionistas, que evidentemente compartilham a ideia de que tudo é criação divina, mas alguns defendem que a Terra foi criada há 6 mil anos, outros defendem que a Terra tem milhões de anos. No terraplanismo também ocorrem divergências em relação a cúpula e o que são ou onde estão os corpos celestes.

Em certos casos, onde crenças religiosas são travestidas com uma máscara científica (como a tentativa de camuflar o criacionismo com o termo design inteligente) as pessoas tem mais facilidade de aceitar a pseudociência como algo cientificamente genuíno. Em outras, nem tanto.

Ainda me parece inconclusivo as explicações do por que as pessoas têm certa tendência a aceitar certas pseudociências e outras nem tanto. Por exemplo: porque as pessoas têm maior facilidade em aceitar a ideia da Terra-Jovem e mais dificuldade de aceitar a Terra-Plana quando a justificativa das duas ideias é basicamente bíblica?

Em termos científicos, tanto a Terra-Jovem quanto a Terra-Plana/Geocentrismo são concepções igualmente absurdas para o momento histórico que vivemos, mas igualmente defendidas pelos mesmos critérios: religiosos!

Nas redes sociais, uma página defensora do design inteligente se alia ao discurso geocentrista no youtube

No youtube, uma página defensora do design inteligente se alia ao discurso geocentrista.

O que faz um religioso aceitar como fato a ingênua ideia da Terra-Jovem e ao mesmo tempo rir da ideia de uma Terra-Plana quando ambas as ideias carecem de respaldo científico e bebem de um mesmo livro sagrado para legitima-las? Ao que parece, tudo isto é reflexo do efeito bizarro que as auto-verdades e pós-verdades alimentam com ao se congregar em grandes assembleias.

É perfeitamente compreensivo (embora não seja factual) que certos grupos defendam uma Terra de 6 mil anos, uma vez que milenarmente suas doutrinas religiosas pautam toda sua estrutura civilizatória, política e ideológica em cima de um livro sagrado. Faz parte de uma tradição embutida na sociedade que é reproduzida sem reflexão e contraprova científica. Um dos meus colegas de profissão, um professor de inglês, leciona em uma escola judaica para formação de rabinos: ortodoxos e os mais flexíveis. Em tal escola, ocorre aulas religiosas no período da manhã e aulas “laicas” no período da tarde. Contudo, as aulas de história e ciências são limitadas, baseadas em uma terra com a idade segundo a teologia judaica – um pouco mais de 5 mil anos.

Nos tempos de irracionalidade, as crenças passam a ser legitimadas a partir de revisionismos históricos relativistas, na promoção do pseudo-intelectualismo, guruísmo, pseudociência e efeito Dunning-Kruger. Em tempos de irracionalidades surgem também bizarrices, trazendo elementos conspiratórios e contradições que se saltam aos olhos.

Estes fenômenos pseudocientíficos certamente são de interesse científico, pois é preciso conhecer como pensam, mas também sociológico, na medida em que tem reflexos perigosos ao público. Para exemplificar tal fenômeno trazemos como elemento representativo o movimento do design inteligente que vem se alinhando aqui no Brasil com o terraplanismo (e obviamente ao modelo geocentrista) e também ao movimento anti-vacinação. A extensão destes tentáculos abraçando outras pseudociências é um fenômeno interessante de se observar na medida em que o tipo de argumentação promovido por adeptos ou representantes da crença parte do: 1) viés de cognição, a tendência de observar somente aquilo que esta de acordo com a crença pressuposta; e 2) da dissonância cognitiva, onde qualquer posição oposta a crença deve ser aniquilada, reforçando a tendência em aceitar uma informação formal ou enviesada que corrobore a crença, e uma tendência em rejeitar qualquer informação lógica, empírica e constatada que se oponha a cosmovisão. Por esta razão rejeitam a evolução, contestam elementos básicos como a forma da terra e a validade medicinal do calendário vacinal. Há outros vieses que caracterizam a pseudociência que discutiremos posteriormente.

A rejeição a um fato que se opõem a crença gera a dissonância, muito comum em sociedades cuja intolerância e falta de diálogo ocorre. Quando afirmações (ainda que informais) tendem a corroborar as crenças, elas são aceitas acriticamente por conveniência e não por um crivo decente. Isto leva a um empobrecimento do diálogo, do debate, culminando em uma discussão intelectualmente pobre e mais falta de diálogo. Neste sentido, a crença se torna superior aos fatos, porque os fatos não corroboram a visão individual de mundo de proponentes, então a crença se torna o fato em si para estas pessoas.

Isto acaba exemplificando exatamente a ausência de critério para a aceitação ou rejeição de uma afirmação. O critério em si não é avaliar criticamente a procedência de uma informação dada, mas identificar se ela pode ser um elemento agregador, que justifica e corrobore ainda mais a crença pessoal. Por esta razão as críticas ao modelo evolucionário darwiniano, a esfericidade do planeta ou mesmo a validade das vacinas geralmente são vazias ou metodologicamente limitadas: ou porque são pseudo-críticas em níveis rasos (como no caso da forma da terra e do caráter conspiratório das vacinas) ou porque o repertório sobre o assunto é limitado pela ausência de leitura e compreensão dos termos em que se pretende criticar (como vemos na crítica a evolução biológica e ao caso da vacinação).

A direita Marcos Eberlin representante do Design inteligente no Brasil e ao centro Douglas Aleodin, autor da página O Inteligentista.

Os presentes prints apresentados aqui foram retirados de uma página cujo objetivo principal é justificar a crença em um design inteligente, recorrendo muitas vezes a um discurso de caráter conspiratório, flertando com o terraplanismo e com a anti-vacinação – dando respaldado bíblico.

A concepção atual da Terra Plana foi proposta por Samuel Rowbotham (1816–1885) a partir de uma interpretação literal da Bíblia, e claro, bate de frente com o conhecimento científico atual. A ideia de uma Terra Plana faz parte de um grande pacote de “verdades” absolutas incontestáveis, tais como a da criação da Terra a 6 mil anos atrás, e a diversificação das espécies a partir da arca de Noé. Pode parecer brincadeira, mas existem pessoas que de fato defendem este tipo de pensamento como se fosse um objetivo profético de vida divino.

O problema dela é que a concepção da esfericidade da Terra é conhecida desde os antigos gregos que mediram o raio de curvatura da Terra; Eratóstenes é um deles. O reconhecimento da curvatura foi fundamental para inspirar os navegadores portugueses e espanhóis no século XV a encontrarem uma rota alternativa para chegar á Índia desviando pelo sul da África; o que levou a descoberta das Américas. Sendo assim, no século XVI os portugueses já conheciam em detalhes a geografia do nosso globo, como destacado na linda obra do geógrafo Bartolomeu Velho em 1568 (CREF, 2015).

Ir contra o conhecimento conquistado se tornou sinônimo de sabedoria somente em redes sociais, pois em ambientes acadêmicos sérios este tipo de pensamento é desprezado. Para a pseudociência os filósofos de rede sociais, cientistas de Facebook e professores de twitter “sabem mais” e profeticamente pregam o contrário do que diz o filósofo, cientista e professor com vivência e competência em um assunto. Notemos que não se trata de argumentos de autoridade, pois a ciência não obriga ninguém a aceitar acriticamente suas conquistas. Trata-se de evidências analisadas por pessoas competentes que tem conhecimento de causa com uma vida voltada a construção de conhecimento, publicações e rigorosidade em suas análises. Este tipo de conhecimento parece ser muito mais coerentemente construído do que aquele proveniente de alguém que vive de compartilhamentos no Facebook, que não produz nada em termos de conhecimento e vive de reinterpretações de fragmentos bíblicos.

Autor do Inteligentista sugerindo geocentrismo e terraplanismo em suas postagens em redes sociais.

O período que vivemos atualmente vê a escola, as universidades e centros acadêmicos como organizações conspiratórias e o ensino como um elemento de emburrecimento. O anti-academicismo se tornou sinônimo de inteligencia nas redes sociais e se disseminou no Brasil.

Fugir da escola, da universidade e se formar por si só sem qualquer respaldo crítico, acompanhamento ao desenvolvimento crítico e emancipatório, sem conhecimento de obras básicas e sem disciplina intelectual se tornou sinônimo de eruditismo. Não quero dizer que só é intelectual quem frequentou escola ou universidades, mas que um intelectual é aquele que produz pensamentos a partir da honestidade intelectual e reflexiva em uma vida de dedicação ao conhecimento e pela responsabilidade de agir segundo a unidade do seu próprio conhecimento. Isto certamente não abarca o ideólogo ou profeta da internet.

O intelectual só pode ser entendido pela sua base histórica e seu meio social e não por um auto-rotulado título. Neste sentido, muitos pseudointelectuais são reconhecidos por serem desonestos intelectualmente, por serem mais ideólogos (promotores de ideias que limitam sua capacidade de pensar fora de um dado terreno) do que pensadores relevantes. São aqueles que mais ofendem, que mais são limitadores do modo de pensar do que a ciência que acusam.

Nem o critério de boa escrita necessariamente torna uma pessoa um intelectual, pois muitas pessoas formadas não são intelectuais (e por vezes são ignorantes) e muitas pessoas sem uma formação escrita boa são boas produtores de pensamento e reflexões.

Aproveitando-se disto, muitos personagens utilizam-se do efeito Dunning-Krueger como estratégia para confundir e vender a si como produtores de um saber relevante, honesto e sócio/historicamente relevantes. Acusam os outros daquilo que claramente são!

Nada diferente ocorre com os pseudocientistas, pois não importa o absurdo, as evidências extraordinárias que são necessárias para validar as afirmações extraordinárias é o elemento que menos importa. Na pseudociência o que realmente importa é o alvorecer contrarrevolucionário de uma nova concepção, um novo horizonte, uma nova “ciência”, um novo mundo… vendido histórico e socialmente como plano, jovem, projetado, com conspiradores e muito bem idealizados por conservadores.

Uma equipe de psicólogos tem discutido há algum tempo e até identificado alguns dos fatores-chave que podem levar as pessoas a rejeitarem a ciência e isso. Por incrível que pareça, não tem nada a ver com o grau de instrução ou de inteligência delas.

De fato, os pesquisadores descobriram que as pessoas que rejeitam consenso científico sobre temas como as alterações climáticas, a segurança da vacinação, e evolução são geralmente tão interessados em ciência e bem-educados como o restante de nós.

A questão é que, quando se trata de fatos, as pessoas pensam mais como advogados do que como cientistas ou críticos – o que significa que eles escolhem os fatos e os estudos que respaldam o que eles acreditam ser verdade. As pessoas tratam os fatos como altamente relevantes quando eles tendem a corroborar opiniões pessoais informais. Quando os fatos são contra suas opiniões, eles não precisam necessariamente negar os fatos, mas afirmar que tais fatos são menos relevantes. Em último caso, passam a ser demoniza-los e/ou falsificados com intuito conspiratório!

A conclusão do trabalho apresentado acima foi baseada em uma série de entrevistas, bem como uma meta-análise da pesquisa que foi publicada sobre o tema, e foi apresentada em um simpósio da Sociedade para a Personalidade e a Psicologia Social em uma convenção anual que ocorreu em San Antonio.

Então, de onde vem esta negação da ciência? Uma grande parte do problema, os pesquisadores descobriram, é que as pessoas associam conclusões científicas com afiliações políticas ou sociais. A pesquisa realizada por Kahan mostrou que as pessoas têm sempre escolhido fatos quando se trata de ciência – que não é nada de novo. Mas não foi um problema tão grande no passado, porque as conclusões científicas foram geralmente acordadas por líderes políticos e culturais, e promovido como sendo no melhor interesse do público (Phys.org, 2017).

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Anti-vacinação e Conspiração

Aqui, pontuamos também na mesma página a promoção de discursos anti-vacinação que revelam o quanto a pseudociência, o pseudointelectualismo e o falso-ceticismo pode ser prejudiciais na prática: a diminuição da cobertura vacinal expondo civilizações a contrair doenças anteriormente erradicadas.

Neste ponto, não trataremos dos aspectos definidores da pseudociência, mas demonstraremos como a leitura superficial e tendenciosa da pseudociência age em termos práticos. Para isto, selecionamos os primeiros discursos anti-vaxxer divulgados pela página do design inteligente a partir de prints e notamos que podem ser rebatidos pela própria postagem.

O primeiro deles remete a uma tentativa de deslegitimar o papel da vacinação a partir de um discurso de comprometimento da qualidade da vacina

Contudo, a própria reportagem destaca que o erro na temperatura de conservação comprometeu um lote de vacinas em dois caminhões que partiram do Rio de Janeiro, em temperaturas abaixo da adequada (menos de 0º, ou seja, congeladas) para garantir que as propriedades das vacinas fossem mantidas. Embora quase toda a carga esteja comprometida porque a temperatura de conservação tenha sido alterada durante a viagem, a Defensoria Pública da União ficou com a responsabilidade de apurar se alguma vacina poderá ser aproveitada ou se o lote inteiro precisará ser descartado. O Ministério da Saúde faz a verificação da temperatura no momento da entrega do produto. Em caso de algum problema o próprio governo faz o remanejamento e todas as providências corretas quanto ao destino final. Isto, de maneira alguma coloca em dúvida a eficácia das vacinas e seu papel histórico na preservação da vida.

Outra publicação da página refere-se ao caso da vacinação contra o HPV que foi aplicada em um menino de 4 anos, quando o correto seria receber uma vacina contra a gripe.

Claramente o problema aqui não é na produção ou efeito da vacina, mas um erro humano – de procedimento hospitalar. A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informou que a criança passa bem e foi monitorada. O menino teve reações leves, que em nada comprometeu sua saúde e a mãe foi informada que seu filho acabaria sendo um “benefíciário” já que está protegido contra o vírus.

Outro caso ocorreu em Bertioga, no litoral de São Paulo, onde 11 meninas passaram mal após tomar vacina. Três delas foram internadas com dores no corpo.

Os casos de internação após vacinação contra HPV levaram a paralisias temporárias nas pernas e tremedeira. Contudo, todos os exames realizados demonstram que isso foi uma reação emocional, e a própria reportagem destaca isto. O exame neurológico demonstrou que não havia nenhuma lesão neurológica, nenhum tipo de dano que justificasse a paralisia, nada que fisicamente explicasse aquele quadro. E quem afirmou isto foi Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

A Sociedade Brasileira de Imunizações diz que a mesma vacina é aplicada nos Estados Unidos e em vários países com sucesso e casos assim não ocorreram. O Centro de Controle de Doenças americano chegou à conclusão de que os adolescentes são mais suscetíveis que os adultos, mas que as reações comprovadas são apenas dor, inchaço, vermelhidão e, em alguns casos, febre.

“São mais de 180 milhões de doses aplicadas no mundo todo, nenhum evento adverso, realmente, relacionado à vacina e que tenham se manifestado como eventos adversos graves”, afirma Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunização.

Vale lembrar que assim como qualquer vacina, a contra o HPV pode causar efeitos colaterais leves, como dor no local na injeção, dores de cabeça, tonturas e náuseas. Como a vacina é administrada em milhões de pessoas, é esperado que nos meses e anos seguintes sejam reportados vários casos de colaterais leves. Isso, porém, não significa que a vacina seja perigosa e não deva ser tomada. Várias outras vacinas presentes no calendário vacinal há décadas também apresentam efeitos colaterais leves frequentes. No final das contas, os efeitos colaterais são muito leves e compensa tomar a vacina ao invés de correr o risco de contrair uma doença que seja fatal.

Para citar um exemplo, um estudo americano conduzido pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention) demonstrou que entre 2006 e 2013 foram administradas mais de 57 milhões de doses da vacina quadrivalente (protege contra os HPVs 6, 11, 16 e 18). O número de casos de efeitos colaterais reportados foi de cerca de 21 mil. Isto parece muito se observarmos isoladamente, mas representa apenas 0,03% das 57 milhões de doses. Destes 21 mil, 19 mil foram efeitos colaterais leves, como dor no local da injeção. Os casos restantes (2 mil) foram considerados moderados a grave (0,003%), a maioria foi de náuseas, vômitos, mal-estar, dor de cabeça, tonturas, hipotensão, febre, desmaios e fraqueza generalizada. Nenhuma morte!

Até 2011, 34 mortes haviam sido reportadas após a administração da vacina. Porém, em nenhuma delas foi possível estabelecer uma correlação entre a administração da vacina a morte.

Também não há evidências de que a vacina contra o HPV aumente o risco da ocorrência da síndrome de Guillain-Barré como já foi sugerido anteriormente. Um estudo também conduzido pelo CDC entre 2006 e 2012 mostrou que após 1.4 milhão de doses da vacina Gardasil contra o HPV, a taxa de novos casos de Guillain-Barré nas mulheres vacinadas era semelhante a taxa de Guillain-Barré na população não vacinada.

Dois efeitos colaterais são mais comuns na vacina contra HPV do que em outras vacinas: síncope (desmaios) e trombose venosa. Ainda assim, dos 31 casos reportados de trombose venosa dos membros inferiores, 29 ocorreram em pacientes que apresentavam fatores de risco para trombose, como uso de anticoncepcionais hormonais ou história de doenças da coagulação. Portanto, não há dados para afirmar que a vacina tenha tido alguma relação com os casos de trombose (Md.Saúde, 2014).

Em uma das postagens, a página que defende o design inteligente questiona a eficácia das vacinas e porque haveria um suposto mesmo de analisa-las

Há duvidas cientificamente sérias quanto a segurança do calendário vacinal? Tal duvida parece representa mais o negacionismo científico!

Contudo, um dos mais completos estudos sobre a especulação entre vacina e autismo foi publicado recentemente e contou com um espaço amostral enorme. O novo estudo, publicado no Annals of Internal Medicine, é um dos maiores do gênero, de acordo com Rob Stein, da NPR. Usando dados de registros populacionais, os pesquisadores analisaram 657.461 crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010; as crianças foram acompanhadas desde 1 ano de idade até agosto de 2013. A conclusão foi que a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola não aumenta o risco de uma criança desenvolver autismo, acrescentando um corpo substancial de evidências que refuta os temores de alguns pais sobre uma possível conexão. De fato, 95% dos jovens participantes do estudo foram vacinados, relata a Reuters.

Os pesquisadores não encontraram nenhum risco aumentado de autismo em crianças que receberam a vacina MMR, em comparação com aqueles que não receberam. Crucialmente, os autores do estudo também analisaram sub-grupos de crianças consideradas suscetíveis ao transtorno devido a vários fatores de risco, como ter irmãos com autismo e nascer prematuramente. “Uma preocupação com os estudos observacionais é que eles não costumam levar em conta a possibilidade de vacinação MMR desencadear o autismo em sub-grupos suscetíveis de crianças”, os autores do estudo reconhecem. Mesmo entre esses sub-grupos, os pesquisadores não observaram nenhuma conexão entre a vacinação com MMR e o risco de autismo.

É preciso ter cautela ao fazer afirmações em relação a vacinação: uma coisa é associar os efeitos colaterais com a vacina e analisar se isso é fato ou não, outra é falar que ela não funciona e pode matar. Isso é falso! A comprovação da eficácia é fácil de se notar, seja pelo evidente número de vidas que tem salvado desde seu desenvolvimento ou comparando quantas pessoas morreram de uma doença mesmo tendo sido vacinado por ela.

O surto de febre amarela que pelo segundo ano seguido assustou Minas Gerais em 2018 matou mais de 95 pessoas e também outras unidades da Federação, como Rio de Janeiro e São Paulo, encontra um obstáculo virtual no caminho rumo à diminuição dos casos e controle da situação. Na época, vários boatos se espalharam via celulares sobre as vacinas gerando desconfiança da população, principalmente com relação à sua eficácia, que chega a 98% segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG).

Os 11 casos confirmados da enfermidade em pessoas que tomaram uma dose da vacina representam 0,00006% no universo de cerca de 16 milhões de pessoas imunizadas no estado, o que, para especialistas e a própria SES/MG, é crucial para desmentir qualquer informação falsa. Entre vários tipos de notícias que não são verdadeiras divulgadas em grupos de WhatsApp e também nas redes sociais, se destacam a ineficácia da medida preventiva perante uma mutação do vírus da febre amarela e a falta de eficiência das doses fracionadas, recomendação do Ministério da Saúde para 15 milhões de pessoas no país. Mensagens de áudio, texto e vídeo em nome de pseudomédicos e enfermeiros ganharam notoriedade e questionam a imunização, criando na população uma resistência à vacina (Jornal do Estado de Minas Gerais, 2018).

O que os anti-vaxxer escondem é o fato de que Brasil tem o maior programa de vacinação do mundo e gratuito e que ainda assim, perderemos o status de país que erradicou o sarampo justamente por posturas anticientíficas, conspiracionistas e ignorantes como estas propagadas acima.

Recentemente, o Brasil perdeu o certificado de erradicação do sarampo após a confirmação de mais um caso endêmico, ou seja, dentro do território brasileiro em 23 de fevereiro no Pará. Em janeiro de 2019, o Brasil tinha três estados com surto da doença: Amazonas, Roraima e Pará. Entre fevereiro de 2018 e fevereiro de 2019, o país registrou 10.374 casos. O pico foi atingido em julho de 2018, com 3.950 casos. O critério estabelecido para a retirada do certificado de erradicação é a incidência de casos confirmados do mesmo vírus durante 12 meses.

O certificado foi concedido ao Brasil pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS), em 2016. Além do problema da anti-ciência que nega a vacinação e sua eficácia o Brasil ainda tem o problema da distribuição da vacina em seu território (G1, 2019). Contudo, toda vez que a população consegue cumprir sua meta vacinal não há – ou há baixíssimos – relato dessas doenças reemergentes.

Casos de discursos falsos No Whatsapp e o negacionismo pseudocientífico em redes sociais endossam teorias da conspiração. Desconfiar de tudo não faz da pessoa um cético, mas sim um tolo. É possível ser cético, duvidar de afirmações científicas e ainda assim não negar a ciência ou seu potencial. O fato é que não há nenhuma evidência que relacione a administração de vacina e o desenvolvimento de autismo. Os exemplos compartilhados acima pela página defensora do design inteligente mostram isto ao compartilhar reportagens de casos em que há casos de erro administrativo de hospitais, falsas correlações todas destacadas nas próprias reportagens e nenhuma delas invalida o potencial do calendário vacinal.

Existe uma tendência comum a nós assumir que grandes eventos possuem grandes causas e isto talvez, explique, o nosso desejo em aceitar conspirações. Contudo, como diria o eminente astrônomo Carl Sagan “Afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias” e o que pode ser afirmado sem evidências pode ser descartado sem evidências. A mesma máxima vale o movimento da terraplana que nada mais é do que um revisionismo astronômico baseado na bíblia e no conspiracionismo, ou ainda, a ideia de que tudo foi projetado por uma mente externa, o designer.

Essas são situações apresentadas acima (design inteligente, terraplana e anti-vacinação) defendem que grandes eventos possuam grandes causas fogem da competência científica, pois se resguardam na crença religiosa e no conspiracionismo. Nada ou qualquer argumento racionalmente construído e finamente evidenciado muda o pensamento conspiracionista, pois toda contestação a suas crenças e pressupostos é subvertida. Os fatos são subvertidos às suas crenças e tendem a se aglomerar em estruturas cada vez mais extraordinárias, elaboradas, folclóricas, ricamente fantasiosas e complexas. O fato do design inteligente começar a se relacionar com o terraplanismo e anti-vacinação exemplifica isto. Não há uma distância grande entre terraplanismo e design inteligente na medida que partem de uma mesma base, a crença religiosa.

A relação entre design inteligente e anti-vacinação se estabelece não diretamente pelo caráter religioso, mas justamente pela conspiração. A relação fica íntima na medida em que a terraplana e o design inteligente pressupõe que a ciência conspira contra a existência de deus em troca de algum ganho que nenhum deles consegue justificar. Transpor isto para a vacinação não é difícil.

O que a NASA ganharia mudando a forma da terra que não ganharia com uma terraplana? O que os acadêmicos ganham ao esconder a criação divina? Quem sairia ganhando causando autismo nas pessoas via vacinação?

O youtube conspira contra o terraplanismo ou parece estar evitando a divulgação de conteúdos falsos?

Estaria o youtube conspirando contra o terraplanismo ou apenas evitando a divulgação de conteúdos falsos?

Nenhuma das respostas para estas questões são plausíveis. Geralmente são cheias de ainda mais conspirações que só dependem de que crença, não de evidências.

A posição de anti-vacinação não é uma crença religiosa, mas apensar disto, igualmente desfruta da ausência de evidências extraordinárias de que tal conspiração exista. Assim, fica fácil presumir que algum controle de natalidade ou fim dos tempos esteja vindo, e isto, por si só pode se tornar um elemento aglutinador a uma conspiração anti-cristã apocalíptica que passa a fazer sentido nessas mentes racionalmente limitadas. Desde que isto de likes, passa a ser válida. Canais como do “irmão Rubens” que mistura misticismo, maçonaria, terraplana, evangelismo, ufologia e conspiração reptiliana representa uma situação peculiar: quando a conspiração e o anti-intelectualismo alcançam níveis estratosféricos, tornando-se bizarrices e sedo motivo de chacota. O terraplanismo goza deste mesmo caráter na medida em que a maioria das pessoas ainda enxerga seu discurso como uma piada da internet. A relação íntima que o design inteligente está estabelecendo com eles e com a anti-vacinação pode representar uma congregação de pseudociências que alcança níveis mais bizarros.

Contudo, além das bizarrices, a pseudociência apresenta também uma face muito perigosa. O perigo da pseudociência e do pseudointelectualista mora no ponto em que estimula outras mentes a segui-los. Pessoas com transtornos de ansiedade, depressão ou diagnósticos psiquiátricos ainda mais graves que criam situações paralelas a razão, a sanidade e ao mundo real, com quadros de psicoses ganham fôlego diante de discursos conspiracionistas e isto tem desdobramentos e consequências reais na sociedade.

Mesmo pessoas sem qualquer distúrbio psiquiátrico muitas vezes são pegos pelas falsas evidências, pela falsa ciência e acabam reproduzindo-os. Muitas destas pessoas podem, inclusive, ter formação universitária, como médicos, químicos, físicos que usam sua formação acadêmica como argumento de autoridade para tentar tornar plausível e discursar como comprovado uma crença pessoal ou um discurso ideologicamente criado.  A verdade é que na ciência não há autoridades. Há, no máximo, especialistas e até mesmo suas opiniões podem ser desafiadas por qualquer pessoa – desde que existam evidências para respaldar o argumento. Quando algumas pessoas são tomadas como “autoridades” e suas reivindicações, por mais loucas que sejam, arrendam cabeças, então as decisões subsequentes que milhões de pessoas podem tomar podem prejudicá-las ou mesmo levar um fim prematuro às suas vidas.

Se isso soar estranho, considere dois blogueiros de “bem-estar” da Austrália. Belle Gibsonque puncionou suas receitas inteiras e terapias alternativas como uma arma “natural” em sua luta contra o câncer – um câncer que ela mais tarde admitiu que ela havia fabricado inteiramente. Ou em um caso pior, Jessica Ainscough, a guerreira do bem-estar, cujo sarcoma muito real não foi prejudicado pela pseudociência da “cura natural” que ela defendeu em seu blog. Ainscough morreu em fevereiro de 2015.

Nota-se um traço comum anteriormente despercebido entre acreditar no criacionismo e acreditar em teorias da conspiração. Segundo Sebastian Dieguez, da Universidade de Friburgo, apesar de muito diferentes à primeira vista, ambos os sistemas de crenças estão associados ao viés cognitivo do pensamento teleológico, que envolve a percepção das causas finais e o propósito primordial em eventos e entidades que ocorrem naturalmente.

Em trabalhos anteriores, Dieguez e colegas mostraram que o conspiracionismo foi explicado pela tendência de assumir que “nada acontece por acidente”. Eles perceberam que o conspiracionismo não é impulsionado pela rejeição da ideia de que o mundo é aleatório e complexo, mas que ainda poderia estar ligado à noção de que os eventos no mundo são fabricados de forma ativa e proposital. Eles notaram etão que isso aproximava ideas de conspirações e o criacionismo.

Tanto o conspiracionismo, como o criacionismo, devem ser associados ao pensamento teleológico, e ambos os tipos de crenças devem ser correlacionados entre si.

Para descobrir se esse era o caso, os pesquisadores pediram a mais de 150 estudantes universitários suíços que preenchessem um questionário contendo afirmações teleológicas e declarações conspiracionistas, bem como medidas de pensamento analítico, crenças esotéricas e mágicas e uma tarefa de percepção aleatória. Os dados da pesquisa mostraram que a tendência de atribuir função e significado a fatos e eventos naturais foi significativa, embora modestamente, correlacionada com as escalas de crença conspiracionista. Com base em uma pesquisa em larga escala com pessoas na França, os pesquisadores também encontraram uma forte associação entre criacionismo e conspiração. Para examinar mais de perto esse padrão, os pesquisadores recrutaram mais de 700 pessoas para preencher questionários on-line. Esses dados novamente confirmaram associações entre o pensamento teleológico, o criacionismo e o conspiracionismo (MedicalXpress, 2018).

Da mesma forma, claramente vemos representantes do design inteligente Brasil recorrendo a uma negação da teoria da evolução sugerindo complôs entre cientistas e distorcendo afirmações acadêmicas.

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Conclusão

Uma grande parte da ascensão da pseudociência deve-se às comunidades online, onde a informação anti-ciência pode se espalhar como facilidade, e os boatos às vezes podem ter mais significado na vida das pessoas do que o fato em si. Quando alguém tem uma ideia errada sobre vacinas, é incrivelmente difícil mudar sua crença. Veja o caso do Andrew Wakefield que usou dados tendenciosos, amostragem limitada, teve o artigo retraído e a carreira destruída e ainda assim, décadas após sua vexatória manobra o desserviço a saúde pública mundial segue reverberando.

Qual a fonte deste estudo? Qual a relação com a vacina? Onde foram publicados os dados?

Qual a fonte deste estudo? Isto se relaciona a vacinação? Onde foram publicados os resultados?

Durante anos, os anti-vaxxers têm espalhado principalmente a desinformação que as vacinas causam ao autismo, um mito que foi desmascarado muitas vezes. Agora parece que o trabalho de derrubar mitos pode ficar ainda mais difícil, já que os anti-vaxxers estão diversificando suas tolices.

Um novo estudo, publicado na revista Vaccine, analisou os anti-vaxxers no Facebook e descobriu que quatro tipos principais de conteúdo estão espalhados pelos sites, extraindo-se em teorias de conspiração bizarras ainda mais estranhas do que as que já vimos. Ao olhar para os posts dos anti-vaxxers, os pesquisadores descobriram que eles poderiam ser divididos em quatro grupos principais: confiança, alternativas, segurança e anti-vaxxers de conspiração.

Para encontrar postagens anti-vacionacionistas, os pesquisadores analisaram um vídeo de uma clínica pediátrica promovendo a vacina contra o HPV (recomendada pelo Centro de Controle de Doenças). Abaixo do vídeo, havia centenas de comentaristas anti-vaxxer para os pesquisadores escolherem. Os comentários variaram de “você vai arder no inferno por matar bebês” a acusar a clínica de sofrer “lavagem cerebral” por promover a medicina baseada na ciência.

Eles selecionaram 197 perfis para investigar completamente e, depois, vasculharam os tipos de postagens que estavam compartilhando.

A maioria dos indivíduos identificados como do sexo feminino (89%) e/ou eram pais (78%). Isso pode não ser tão surpreendente depois que descobriu-se que os anti-vaxxers estão direcionando suas campanhas especificamente  a mulheres grávidas com anúncios no Facebook e até invadindo de forma violenta e agressiva convenções sobre vacinação.

No total, 71% das postagens anti-vaxxer recorriam a teorias de conspiração com outros grupos espalhando a ideia de que o governo está subestimando os riscos das vacinas para aumentar o lucro. Os pesquisadores descobriram que essas postagens recorriam a diversos conteúdos de conspiração, como o fato de a NASA estar lançando balões cheios de produtos químicos nos EUA.

Há sobreposição entre esses grupos, mas, por exemplo, o subgrupo de métodos alternativos estava focado em alternativas às vacinas, incluindo a crença bizarra de que comer iogurte curaria o HPV – claramente mostrando como níveis altos de irracionalidade alcança situações bizarras e igualmente perigosas.  Os membros do subgrupo de métodos alternativos também postariam crenças de defesa de conteúdo, como a maconha, para tratar o câncer, a AIDS e outras doenças.

Destruindo o sistema que conspira e esconde a verdade?

O movimento do design inteligente não só representa a falência da produção de conhecimento característica de movimentos fundamentalistas que promovem ignorância travestida de conhecimento científico. Representa também a má teologia, que infecta o conhecimento com suas doutrinas impositivas em nome de uma crença individual, de vieses cognitivos guiados muitas vezes pelo efeito Dunning-Kruger.

Além disto, este tipo de postura pseudocientífica que nega elementos simples da astronomia mais básica e especialmente, erguer-se em campanhas de importância social e que visam a saúde pública exemplificam como a ignorância ou a ilusão de conhecimento promovida pela pseudociência tem efeitos negativos graves na sociedade levando em último caso a morte.

É preciso que aqueles que estão do lado do método científico, das evidências sistematicamente coletadas e analisadas se pronunciem e defendam que o conhecimento é nossa melhor arma para viver uma vida plena, afastada do fantasma da ignorância, longe da crença fundamentalista e principalmente, da barbárie travestida de razão.

Difícil esconder!

Movimentos como a Terra Plana, Terra Jovem do criacionismo/design inteligente e da anti-vacinação representam animosidades intelectuais fruto de deficiências sociais, no processo de escolarização, em uma formação humana e respeito à vida do outro. Contudo, como fica evidente acima a partir das imagens, tem sido difícil para os membros do design inteligente manter as aparências na medida em que congregam novas pseudociências e novo discursos conspiracionistas. De fato, tem havido uma grande quebra no grupo justamente porque alguns membros do design inteligente tem se sentido ofendidos ao entender que o movimento esta se aliando ao terraplanismo. Como podemos ver abaixo:

Um racha surgiu entre os proponentes do design inteligente. Acima vemos um comentário interessante sobre uma discussão entre membros do design inteligente. Em evidência, o momento em que um proponente do design inteligente assume que terraplanistas defendem sua ideia, deixando claro os grupos pensam igual embora haja uma certa repulsa em aceitar o terraplanismo.

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Adendo

Aqui, em uma postagem recente o autor Inteligentista primeiramente acusou um dado autor de “satanismo” e posteriormente recomenda um livro deste mesmo autor uma vez que ambos compartilham o sentimento anti-vaxxer.

Ao que tudo indica, não importa se o criacionismo/design inteligente e o satanismo compartilham da mesma ideia. E convenhamos, não há qualquer fundamentação no pensamento anti-vaxxer, seja pelas pesquisas publicadas desmentindo tais alegações, seja pelos argumentos que o próprio inteligentista expôs acima.

Notamos claramente um exemplo representativo do momento atual da história onde só se valida uma ideia, uma tese ou um relato se ele estiver alinhado ao seu pressuposto pessoal. Neste caso, suspendeu-se até a acusação de que o autor era satanista quando ambos compartilhavam dos mesmos pressupostos. Temos acima uma clara tentativa de tornar justificável o compartilhamento das mesmas ideias entre um “satanista” e um criacionista cristão, como se não houvesse contradição alguma.

Quando as auto-verdades e as pós-verdades falam mais alto, as dissonâncias cognitivas baixam e cristãos se alinham com satanistas, com astrólogos e com qualquer tipo de pensamento por mais contraditório que seja a estrutura teológica, desde que a verdade pessoal seja garantida. Este é o retrato e o legado que o design inteligente deixa para nós, uma declaração clara de Pseudociência, com letra maiúscula.

Victor Rossetti e agradecimentos especiais ao colaborador M.S pelos prints – manteremos seu nome em anonimato.

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Pseudociência, Design Inteligente, Criacionismo, Terraplana, Anti-vacinação, Conspiracionismo, Irracionalismo.