A CORRIDA ESPACIAL – SOVIÉTICOS vs ESTADOS UNIDOS E O HOMEM NO ESPAÇO.

A Guerra Fria é caracterizada por não ter ocorrido conflito direto entre as duas nações superpotências da época, os EUA e a URSS, dada a inviabilidade da vitória em uma eventual batalha nuclear. Contudo, as disputas se deram no âmbito da competitividade tecnológica (corrida espacial, com a chegada do homem na Lua) e nos conflitos indiretos, participando de guerras alheias, como na Coreia e Vietnã.

Foto tirada pelo V-2, a 105 km de altitude em 1946. Nessa imagem é possível ver a curvatura do planeta Terra e as nuvens sobre os EUA.

A Guerra Fria polarizou boa parte do mundo em torno de dois grandes blocos, capitalistas e soviético-stalinistas. Cada um dos lados investia em tecnologia, armas (corrida armamentista) e propagandas a fim de promover seus ideais e a superioridade de seus respectivos modelos político-econômicos.

A ideia estadunidense de transformar a União Soviética em seu grande adversário visava garantir a força da presença americana no continente europeu e, assim, manter suas relações econômicas.

Ao longo dos anos de Guerra Fria, a disputa travada entre estadunidenses e soviéticos deu-se em diversos campos. Cada nação buscava garantir os seus próprios interesses; economicamente, disputava-se a hegemonia mundial; militarmente, disputava-se a hegemonia da força; e no âmbito tecnológico a disputa também aconteceu.

No fim dos anos 1950, essa competição extrapolou os limites do próprio planeta Terra dando origem a corrida espacial. Consistia no desenvolvimento de veículos que fossem capazes de sobrevoar a órbita terrestre objetivando alcançar o espaço. Ambas nações investiram maciçamente na educação e promoveram um rápido avanço científico. Para os estudos e desenvolvimento tecnológico, os governos dos dois países recrutaram os melhores cientistas e engenheiros da Alemanha, que se encontravam desempregados após o conflito de 1939-1945. A guerra fria durou de 1947 até 1991, até a queda da União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS).

A corrida espacial começa a partir do lançamento de satélites artificiais, sondas espaciais, expedições tripuladas e viagens tentando chegar a Lua. A “conquista” era algo fundamental dentro da disputa travada pelos capitalistas e comunistas, pois o domínio dessa nova fronteira deixaria claro quem seria a potência mundial daquele momento. E neste sentido, a URSS saiu muito a frente.

Além disso, dominar o espaço poderia ser uma questão estratégica em termos militares, pois permitiria monitorar o inimigo constantemente por meio de satélites e realizar eventuais ataques. Tratava-se de uma nova fronteira do progresso humano a ser atravessada pela nação ganhadora. É diante deste contexto histórico que começa a corrida espacial. Evidentemente, o fascínio humano pela Lua remonta a nossa história como espécie. Povos antigos criavam mitos e interpretações religiosas sobre o objeto que quase toda noite brilhava nos céus de forma diferenciada. Agora, tecnologicamente a corrida espacial estava contribuindo para entender melhor o nosso satélite natural e evidentemente, a corrida espacial contribuiu muito para mudar a vida na terra em termos tecnológicos. E os primeiros avanços espaciais começou ainda na II Guerra Mundial com a Alemanha nazista.

Foi na Alemanha nazista que surgiram os primeiros programas de desenvolvimento que culminaram na pesquisa espacial, pois foi neste regime totalitarista que ocorreu a construção da tecnologia dos foguetes. O ponto de partida para a exploração espacial foi determinado por bons cientistas da Alemanha nazista, em especial, o engenheiro Wernher von Braun (1912-1977). Wernher von Braun teve um relacionamento ambivalente com o regime do terceiro Reich. Ele foi uma das principais figuras no desenvolvimento de tecnologias de foguetes para a Alemanha Nazista, na qual foi membro do Partido Nazista e das SS, mas também trabalhou para os EUA.  Nos Estados Unidos, ele negava qualquer envolvimento político com o regime da época, alegando que a sua filiação ao Partido Nazista teve a intenção apenas de permitir que ele continuasse no “trabalho de sua vida”.

Foto de um míssil V2 tirada entre 1944 e 1945

A partir de seus conhecimentos se construiu o primeiro míssil alemão chamado A4 (posteriormente chamado de V2) usado pelas tropas nazis no final da II Guerra Mundial. Este míssil era capaz de gerar a forte propulsão (chegando a uma velocidade de mais de 4 mil km/h) e permitia ainda controlar sua trajetória. No primeiro teste feito em 1944 o míssil alcançou a altitude de 105 km, ultrapassando a linha de Karman (100 km de altitude) que é a fronteira entre o fim da atmosfera e o espaço. Então, os nazistas foram os primeiros a enviar algo para o espaço. De fato, a primeira foto da Terra foi tirada nesses experimentos.

Quando a Alemanha nazista perdeu a II Guerra Mundial em 1945 houve disputa entre EUA e URSS sobre quem ficaria com a tecnologia desenvolvida, especialmente sobre o V2 de von Braun. Como o líder dos países Aliados era os EUA ficou estabelecido que a tecnologia e von Braun trabalharia com os estadunidenses, dando a largada na frente da corrida espacial.

A URSS ficou com outros engenheiros alemães, especialmente porque o centro de pesquisas de foguetes ficava na Alemanha Oriental. Um personagem foi muito importante para as principais conquistas espaciais soviéticas, Sergei Korolev. Foi comissionado no Exército Vermelho com o posto de coronel em 1945, se tornou um renomado designer de foguetes e uma figura chave no desenvolvimento do programa soviético de mísseis balísticos intercontinentais, além claro, de ser o engenheiro-chefe do programa espacial soviético.

Após o fim da II Guerra Mundial Sergei Korolev pegou tudo que havia no centro de pesquisas espaciais da Alemanha nazista e começou a construir um novo modelo, o que futuramente se tornaria o míssil R-7 e representaria um marco da exploração espacial pacífica a favor dos soviéticos.

Os R-7 continuam sendo os mais utilizados modelos para o desenvolvimento de todas as famílias de foguetes existentes no mundo. Como míssil, devido suas características técnicas, acabou demonstrando não ser muito prático, mas como foguete era excelente. Acabou se tornando a base do programa espacial da antiga União Soviética, e continua sendo um pilar importante do programa espacial Russo. Todos os membros dessa família, usam a mesma configuração básica: um primeiro estágio, com quatro foguetes auxiliares e assim que o combustível se esgota as unidades se desacoplam e a segunda estrutura segue para sua missão.

Modelos R7 intercontinentais

Além da corrida espacial havia a corrida armamentista e construção de foguetes também teria uma função bélica. Supostamente, a maior potência bélica no momento era os EUA devido uso das duas bombas nucleares (Hiroshima e Nagasaki). Em 1949 a URSS construiu sua primeira bomba atômica, testada com sucesso no Cazaquistão. A ideia que emergiu entre os dois grupos foi que se sua nação fosse atacada, era importante revidar rapidamente aos ataques, daí a necessidade militar dos foguetes.

OS EUA então conseguiram produzir seu primeiro foguete, chamado de Redstone, importante para os primeiros programas espaciais dos EUA. Von Braun construiu-o com a capacidade de carregar uma bomba nuclear. Enquanto isto, os soviéticos testavam o foguete R-1 visando aumentar potência e alcance. Alguns R-1 foram lançados visando estudar fenômenos atmosféricos.

Então, tanto a URSS quanto os EUA começaram a enviar não apenas foguetes de pesquisa espacial, mas começaram a tripula-los com animais. Nesta fase da corrida espacial os primeiros animais a serem enviados ao espaço foram moscas em 1947 pelos EUA visando estudar o efeito da radiação solar em grandes altitudes – 110 km. Enviaram também macacos e roedores, mas os animais sempre morriam, inclusive, antes mesmo de chegar ao espaço.

Em 14 de junho de 1949, o macaco-rhesus Albert II foi lançado pelos EUA em um voo sub-orbital – em que a nave sobe a uma altitude que alcança o espaço – sem ter velocidade suficiente para entrar em órbita. Neste processo, os animais acabavam morrendo no impacto do retorno ao planeta. Outro objetivo dessas pesquisas era estudar os efeitos da gravidade zero no organismo animal. Mesmo antes de Albert II foram enviados outros 2 macacos rhesus, Baker e Able.

Em 1951 a União soviética enviou dois cães para o espaço, Dezik e Tsygan, que voltarem vivos. Até o momento, todos os foguetes enviados ao espaço apenas visitavam o local e regressavam para a terra. Ainda não havia sido desenvolvido foguetes capazes de entrar na órbita na Terra. Des modo, a principal ideia neste momento da corrida espacial era usar foguetes para deslocar objetos até o espaço, como por exemplo, satélites artificiais.

Em julho de 1955 o presidente Dwight D. Eisenhower e o governo estadunidense informaram ao mundo que enviaria um satélite entre 1957 e 1958 com a finalidade científica. Após seu pronunciamento americano, os soviéticos anunciaram que também iriam enviar um satélite, antes mesmo dos estadunidenses. A corrida não era então, apenas para ver quem colocaria um satélite no espaço, mas quem alcançaria o feito primeiro.

Para fazer Korolev foi importante para os soviéticos, pois ele desenvolveu os primeiros mísseis balísticos intercontinentais (cuja sigla em inglês é ICBM). Em 1957 a URSS foi a primeira a construir este tipo de míssil, o famoso R-7 Semyorka. Em seu primeiro teste ele alcançou quase 6 mil km de altitude em 4 de outubro chegando até a península de Kamchatka. Com ele a URSS enviou o primeiro satélite na órbita na Terra, o Sputnik-I – muito além de qualquer coisa feita pelos EUA.

O Sputnik-pesava cerca de 84 quilos e orbitou nosso planeta por 92 dias. Os EUA perceberam então que a URSS produzia foguetes com maior poder balístico e certamente misseis melhores. Isto surpreendeu os EUA na medida em que presumiam que os soviéticos eram muito atrasados. Na época, o lançamento do Sputnik-I gerou pânico nos EUA com o medo dos soviéticos atacarem.  E a URSS fez propaganda de seu satélite se mostrando como a maior potência do mundo.

Então, em 3 de novembro de 1957, a cadela Laika foi enviada para o espaço a bordo da nave russa Sputnik-II para que os cientistas investigassem se um animal era capaz de permanecer na órbita da Terra. Laika conseguiu atingir o objetivo, se tornando o primeiro animal a gravitar ao redor do planeta, mas morreu entre cinco e sete horas depois do lançamento. Para os pesquisadores, as causas da morte teriam sido estresse e superaquecimento, causado por uma possível falha no sistema de controle térmico da nave. Os anos 50 na URSS foi uma década de muito investimento em educação, formação tecnológica e de muitos cientistas bons – bem mais que os EUA.

Enquanto isto, em 6 de dezembro de 1957 os EUA tentaram lançar seu satélite Vanguard-1 que explodiu antes mesmo de alçar voo. Um mal funcionamento na primeira fase fez com que o veículo de lançamento perdesse impulso depois de dois segundos de decolagem, como estava carregado com oxigênio líquido e querosene acabou explodindo.

Na época A URSS começou a zombar dos EUA, sugerindo oferecer um programa de pesquisas cientificas para nações tecnologicamente atrasadas. Até o momento, a URSS havia colocado 2 satélites em órbita (Sputnik II e II) e os EUA nenhum. Como estratégia, os EUA começaram a dar muito mais importância para o desenvolvimento tecnológico e formação de bons cientistas, notando que a URSS tinha muito mais especialistas na área, embora a parte administrativa dos programas espaciais fosse muito limitada.

Nos EUA houve um aumento do financiamento federal em pesquisa científica espacial para competir a altura com os soviéticos. Em janeiro de 1958 os EUA lançaram o satélite Explorer 1 acoplado ao foguete Juno 1 (que era uma variação do Redstone). Visando superar a URSS os EUA criaram em 29 de julho de 1958 um centro especializado em pesquisas e exploração espaciais a partir de um projeto de lei de Eisenhower. Surge a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço, ou National Aeronautics and Space Administration (NASA).

Portanto, a NASA foi criada como uma tentativa de revanche em relação as conquistas da URSS. Ao mesmo tempo em que os EUA criavam sua agencia espacial a URSS já estava sugerindo enviar um homem à Lua a partir de um programa espacial chamado Luna que enviava sondas espaciais para o terreno lunar. Muitas tentativas de outros projetos soviéticos foram fracassadas: 3 tentativas não vingaram e uma quarta tentativa os soviéticos erraram a trajetória da Lua. Somente com o projeto Luna e o lançamento de Luna-II que os soviéticos chegaram até a Lua em 1959. Foi a primeira vez que um objeto criado pelo homem chegou a outro corpo celeste. Então, dois meses depois os soviéticos laçaram o Luna III que deu a volta na Lua tirando fotos do território.

Então ficou claro que o objetivo dos anos 60, para ambas as nações, era colocar o primeiro ser humano no terreno lunar. Enquanto a URSS tinha conseguido todas estas façanhas, os EUA tinham apenas um satélite enviado ao espaço e uma agencia espacial criada. Tudo indicava que os soviéticos venceriam a corrida espacial.  Para piorar a histeria estadunidense e o medo de uma nova guerra, em 1959 o revolucionário socialista Fidel Castro assume Cuba e se alia a URSS.

Nos EUA surgiu então o projeto Ranger criado para enviar sondas a Lua. O objetivo das missões, era obter imagens “em close” da superfície lunar. No início dos anos 60 várias sondas Ranger deram problemas: Ranger 1, 2, 3, 4, 5 sofriam de diversos graves problemas e a 6 deu curto circuito. Somente a partir da Ranger-7 os EUA atingiram a Lua em 31 de julho de 1964, e durante os últimos 17 minutos de voo, 4.308 fotos de excelente qualidade foram transmitidas. No total, entre 1961 e 1965 foram enviadas nove unidades Rangers.

Foto da Lua tirada pela Ranger 7

Os soviéticos simplesmente ignoraram os avanços das unidades Rangers estadunidenses e seguiram com seu projeto espacial chamado Vostok que enviaria os primeiros homens ao espaço. Em abril de 1961 a Vostok-I enviou uma capsula espacial com Yuri Gagarin, que fez um voo de 2 horas e voltou para a Terra em segurança. Foi a primeira vez que o homem vê o seu próprio planeta de longe. Gagarin, ainda em voo descreveu nosso planeta como sendo azul. O cosmonauta se tornou um herói na URSS enquanto os EUA se ocupavam em resolver seus problemas com as Rangers.

Diante dessa vantagem soviética o objeto dos EUA agora era enviar um homem e não mais sondas para o espaço. Então inauguraram o programa Mercury, criando a Freedom-7 enviando o primeiro americano ao espaço: Alan Shepard, que não entrou em órbita e fez um voo de apenas 15 minutos.

Com a fama de Yuri Gagarin, o presidente John Kennedy até então desinteressado com a corrida espacial passou a dar prioridade, anunciando em 1961 que ainda naquela década enviaria um cidadão dos EUA à Lua e o traria de volta em segurança. A corrida espacial se tornou assumidamente uma corrida até a Lua e quem chegasse primeiro ganharia. Do lado capitalista estava os EUA com o programa Mercury e várias falhas de execução, do outro os soviéticos da URSS com o programa Vostok e o sucesso em conseguir por satélites em órbita, ser o primeiro a enviar algo na Lua, o primeiro homem no espaço e uma vantagem grande de chegar a Lua.

A corrida entre soviéticos e estadunidenses se tornou ainda mais acirradas, com lançamentos em datas muito próximas umas das outras em ambas as nações na tentativa de intimidar o adversário: 21 julho de 1961 os EUA lançam a Liberty Bell, alguns dias depois, em 06 agosto a URSS lançou a Vostok-II; Em 20 de fevereiro de 1962 os EUA lançam a Friendship 7 (com John Glenn que se torna o primeiro americano a entrar em órbita), a Aurora 7 decola também nos EUA. Contudo, em 11 de agosto do mesmo ano a URSS lança a Vostok-III, e no dia seguinte lançam a Vostok-IV. Em outubro do mesmo ano os EUA enviam a Sigma-7. Em maio de 1963 os EUA enviam a Faith-7 e no mês seguinte a URSS envia a Vostok-V. Dois dias, em 16 de junho, enviaram a Volstok-VI que direcionou ao espaço a primeira cosmonauta Valentina Tereshkova que pilotou a nave completando 48 órbitas ao redor da Terra durante sua missão de três dias. A bordo de Vostok-VI encontro com o cosmonauta Valery Bykovsky na Vostok-V. No total, são pelo menos 10 lançamentos em missões tripuladas em apenas 2 anos – sem contar as não tripuladas, como as Rangers.

Valentina Tereshkova, pouco antes de seu lançamento a bordo do Vostok-VI em 1963.

Em 1962 também aconteceu a crise dos mísseis; um confronto de 13 dias entre os EUA e a URSS relacionado com a implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba. Foi o mais próximo que se chegou ao início de uma guerra nuclear em grande escala durante a Guerra Fria. O líder soviético Nikita Kruschev aliado de Cuba colocou mísseis nucleares em seu território para deter uma futura invasão estadunidense. Um acordo foi alcançado durante uma reunião secreta entre Kruschev e Fidel Castro em julho e a construção de uma série de instalações de lançamento de mísseis começou depois do verão.

Nos EUA, o presidente John Kennedy não aceitava que os soviéticos chegassem primeiro a Lua, pois seu governo temia que muitos países do continente americano vissem o sucesso das missões soviéticas como o sucesso do socialismo e resolvessem se aliar a causa. A crise dos mísseis que fez a Cuba se tornar socialista e apontar mísseis para os EUA apenas intensificou o receio estadunidense. Então, na medida em que o governo de Kennedy apoiava a corrida espacial também passou a financiar golpes de estado nos países americanos (Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai) apoiando ditaduras e interferindo por debaixo dos panos na soberania e democracia dos países com a ajuda de Lincoln Gordon e a CIA.

Em 20 de setembro de 1963 o presidente John Kennedy sugeriu, em um discurso na ONU, que EUA e URSS se unissem pelas suas competências no campo da exploração espacial em enviar um homem à Lua de forma cooperativa e regularizar este tipo de exploração. Mas o líder soviético Nikita Kruschev recusou. Com o assassinato de Kennedy qualquer tentativa de diminuir a tensão gerada pela corrida espacial deixou de existir.

Os EUA então colocaram em prática seu programa espacial chamado Gemini, na qual o objetivo era colocar mais de uma pessoa no espaço – usando o foguete Titan-2 capaz de levar 2 pessoas e mudar de órbita. Além claro, da cápsula espacial permitir os astronautas fazer a caminhada espacial. Contudo, o projeto Gemini teve muitos imprevistos em sua construção e os soviéticos novamente saíram na frente. Os soviéticos criaram o programa Voskhod-I que em 1964 e levaram 3 astronautas ao espaço. A Voskhod foi projetada para levar apenas dois cosmonautas, mas como os EUA pretendiam fazer a façanha primeiro, os soviéticos diminuíram o número de trajes espaciais para ganhar espaço e inseriram um terceiro integrante. Com a Voskhod-II os soviéticos enviaram apenas 2 cosmonautas e Alexey Leonov foi o primeiro humano a fazer a caminhada no espaço. O Gemini estadunidense só foi lançado alguns dias depois do Voskhod-II ter sido lançada, colocando Virgil Grissom e John Young no espaço em 1965 na Gemini-3.

Em 1965 Alexey Leonov fazia a primeira caminhada espacial

A corrida espacial só mudou a favor dos EUA quando problemas de natureza política surgiram na URSS. Enquanto nos EUA os programas espaciais ocorriam segundo a organização de uma única agência, a NASA, na URSS havia disputas internas entre os diferentes programas espaciais, especialmente sobre financiamento. Quando Kruschev sai do poder no final de 1964, Leonid Brezhnev assume e Gagarin sugeriu que ao novo líder organize a forma como os projetos espaciais estavam sendo administrados e executados. Para piorar a situação soviética o engenheiro Sergei Korolev morre em 1966. Quem o substituiu foi Vasily Mishin, que não tinha a mesma visão e capacidade de gestão de Korolev”.

A URSS passou por um hiato, não enviando mais ninguém ao espaço. Entre março de 1965 e dezembro 1966 o programa Gemini enviou 10 missões tripuladas. Em algumas delas já estavam Neil Armstrong e Buzz Aldrin.

Em 1965, na Gemini 4 o astronauta Edward White foi o primeiro americano a fazer a caminhada espacial. A Gemini 5 manteve o recorde de permanência do homem no espaço, 8 dias. Esta foi uma conquista importante porque agora os EUA saberiam o que seria necessário para enviar, manter e trazer de volta um homem até a Lua. Posteriormente, com a Gemini-8, foi possível acoplar uma cápsula em outro veículo espacial. Com a Gemini 6 o astronauta Wally Schirra leva consigo o primeiro instrumento musical a sair do planeta terra, uma gaita.

Mesmo com dificuldades, o programa Luna-IX da URSS conseguiu pousar na Lua em 1966 e o Luna-X foi o primeiro objeto a entrar na órbita da Lua. Com o sucesso das missões Gemini e os problemas da URSS começou a ficar mais evidente que os EUA chegariam primeiro a Lua.

Em 1967 começaram as discussões políticas sobre como seria divido o espaço, em uma conferência na ONU – livre para todos os países, beneficiando as todas as nações e sem uso militar. Os EUA e a URSS assinaram um documento concordando com essas regras.

Então os EUA colocaram em ação o programa Apollo. A ideia central do projeto era enviar três astronautas para a órbita da Lua e fazer uma parte da nave (modulo lunar) pousar no satélite.

Em 27 de Janeiro de 1967 a Apollo 1 seria lançada, mas um incêndio na cabine de comando que matou três astronautas (Gus Grissom, Edward White, Roger Chaffee). Investigações posteriores não conseguiram apurar a causa exata do incêndio, mas é provável que ele tenha sido causado pela combinação de diversas falhas, como por exemplo, a presença de material inflamável no interior da cabine. O laudo indica que os três astronautas morreram por causa da inalação de uma grande quantidade de fumaça, além das queimaduras sofridas pelo incêndio. O desastro atrasou toda a corrida espacial já que revelou muitas falhas técnicas que precisavam ser corrigidas.

Os soviéticos repararam o programa Soyuz que também iria levar três cosmonautas para o espaço, mas em 23 de abril de 1967 (3 meses após o desastre da Apollo-1) a Soyuz-I foi lançada. A ideia central era em seguida lançar a Soyuz-II, fazer os dois módulos se encontrarem no espaço e se acoplarem. O programa da Soyuz-II apresentou falhas e não foi lançado. A missão da Soyuz-I durou apenas um 1 e quando retornou a terra o paraquedas apresentou problemas, não abriu e a cápsula se chocou no solo matando o cosmonauta Vladimir Komarov, tornando-se o primeiro astronauta a morrer em uma missão.

Os EUA seguiram fazendo vários lançamentos com o programa Apollo, porém, sem tripulação. Somente com a Apollo 7 que as missões passaram a ser tripuladas novamente.

Em outubro de 1967 os soviéticos lançaram a segunda missão da Soyuz, um lançamento duplo. A ideia era fazer a Soyuz-III (com um cosmonauta) se acoplar no espaço a Soyuz-II, mas não houve acoplamento. A ideia de acoplamento só ocorreria em janeiro de 1969 quando os soviéticos lançaram a Soyuz-IV e Soyuz-V. Foi a primeira vez que duas naves tripuladas se acoplaram, sendo transferidos de um veículo para outro no espaço.

Em 1968, Yuri Gagarin, símbolo do domínio espacial soviético, morreu durante um voo teste. Foi uma grande tragédia nacional na URSS e menos de um ano depois, o N1, o foguete de titânio que a URSS usaria para sua aventura lunar, explodiu e deixou a base de lançamento inutilizada.

No final de 1968 a Apollo 8 foi a primeira missão tripulada a ir para a Lua, sem que houvesse desembarque. A Apollo 9 ficou somente na órbita da terra estudando e aprimorando suporte de vídeo e sistemas de navegação pensando na missão até a Lua. A Apollo 10 foi a quarta missão tripulada do programa e a segunda a ir à Lua, onde testou o módulo lunar na órbita do satélite, chegando a sobrevoar a superfície a 15 km de altura em uma preparação para o voo da Apollo 11.

Em 16 de julho de 1969 a Apollo 11 é lançada com a missão de pousar na Lua. A tripulação era formada pelo comandante Neil Armstrong, no modulo de comando estava Michael Collins e Buzz Aldrin no modulo lunar. Após três dias de viagem a nave chega a Lua, entra na órbita e lança o modulo lunar que pousa no território do satélite, dando aos EUA a conclusão da corrida espacial.

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Na Lua

Quando Aldrin e Armstrong iniciaram sua descida perceberam que estavam passando por pontos referências da superfície dois ou três segundos mais rápidos do que o esperado. Isto significava que o módulo lunar chamado Eagle estava viajando muito rápido e que alunissariam (pousariam) alguns quilômetros ao oeste do local planejado. O problema pode ter sido causado por altas concentrações de massa que podem ter alterado a trajetória do módulo. Armstrong então levou uma placa montada contendo dois desenhos da Terra (os hemisférios ocidental e oriental), as assinaturas dos três astronautas e do presidente Nixon, além de uma inscrição que dizia: “Aqui, homens do planeta Terra pela primeira vez pisaram sobre a Lua, julho de 1969”. Nós viemos em paz em nome de toda a humanidade“. Armstrong descreveu a poeira da superfície como “muito bem granulada” e “quase como um pó” pisando em território lunar na madrugada do dia 20 para o dia 21 de julho de 1969. Ao pisar na Lua disse “É um pequeno passo para [um] homem, um salto gigante para a humanidade“.

Os EUA também fincaram bandeiras dos EUA no terreno lunar. É importante ressaltar que não foi apenas uma, mas um total de seis bandeiras dos EUA.

Buzz Aldrin está na Lua ao lado do equipamento de medição sísmica, parte do Early Apollo Scientific Experiments Package. À direita está o módulo lunar Eagle. NASA.

Na Lua, também instalaram um espelho retrorrefletor que reflete a luz com mínimo de dispersão, na mesma direção, porém, sentido oposto à fonte de luz incidente. O retrorrefletor era composto por uma estrutura quadrada de alumínio, onde havia 100 pequenos espelhos circulares em forma de prisma feitos de sílica. A ideia deste dispositivo era que raios lasers emitidos da Terra neste espelho e um detector de fótons monitoraria a área em que o laser deve refletir. Sabendo a velocidade da luz no vácuo e o tempo demorado para a luz ir e voltar, fica fácil determinar a distância da Lua.

A imagem abaixo mostra o resultado da experimentação desse espelho. Foram disparados vários lasers nos locais onde foram feitos os pousos da Apollo, e as linhas escuras do gráfico indicam a presença de fótons.

Gráfico mostrando a incidência de fótons refletidos de algum lugar no local onde os pousos da Apollo foram realizados.

Temendo que terríveis microrganismos contaminassem a planeta, a NASA colocou os astronautas que pisaram no solo lunar em isolamento absoluto por quase três semanas ao retornarem para a Terra.

Durante as seis excursões da Apolo a superfície lunar, foram colhidas 2415 amostras, pesando no total 382 kg, sendo que a maioria dessas rochas foi coletada durante as missões Apollo 15, 16 e 17. Em comparação com as três espaçonaves Luna, eles só obtiveram uma carga adicional de 326g de amostras.

Em geral, as rochas coletadas a partir da Lua são muito antigas quando comparadas com as rochas encontradas na Terra, medido por técnicas de datação radiométrica. As rochas lunares variam em idade de cerca de 3,16 bilhões de anos para amostras de basalto provenientes dos mares lunares, até cerca de 4,5 bilhões de anos para rochas vindas do planalto (Papike et al, 1998).

Com base nas técnicas de datação por “contagem de crateras”, acredita-se que as mais recentes erupções basálticas tenham ocorrido cerca de 1.2 bilhões de anos atrás (Hiesinger et al, 2003). Em contraste, a idade das rochas mais antigas da Terra, são cerca de 3.8 bilhões de anos, um valor substancialmente diferente do da Lua.

Houve várias outras missões Apollo: a Apollo 12 foi a segunda missão do Programa Apollo a pousar na superfície da Lua – ainda em 1969 – e a primeira a fazer um pouso de precisão em um ponto pré-determinado do satélite, a fim de resgatar partes de uma sonda não tripulada enviada dois anos antes, a Surveyor 3. Houve ainda a Apollo 13 que em abril de 1970 não chegou a Lua devido um acidente. O programa Apollo chegou a um total de 17 missões.

Algumas missões estadunidenses foram desastrosas. No dia 28 de janeiro de 1986 milhares de cidadãos dos EUA assistiram o ônibus espacial Challenger explodir 73 segundos após a decolagem, a matando a tripulação de seis astronautas e a professora Christa McAuliffe, primeira civil a participar de um voo espacial.

O acidente com a Challenger fez com que a NASA enfrentasse uma pausa de 32 meses em seu programa espacial, essencial não apenas para que erros fossem corrigidos, mas também para que uma investigação intensa sobre o acidente pudesse ser realizada.

Posteriormente, Columbia, o primeiro ônibus espacial desenvolvido pela NASA, sobreviveu 27 missões antes de se desintegrar em 2003, matando sete astronautas que estavam em órbita há 16 dias. Na época, o acidente fez com que o então presidente George W. Bush anunciasse o fim da frota de ônibus espaciais da NASA em 2010, com o intuito de que essas naves fossem substituídas pelas futuras inovações dos programas Orion e Constellation, posteriormente cancelado pelo presidente Obama. Após sete meses de investigação, um relatório com mais de 400 páginas apontou falhas técnicas e organizacionais envolvidas na destruição do Columbia, além de cerca de 15 mudanças que deveriam ser cumpridas antes de haver um regresso às atividades da agência espacial.

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Os últimos programas espaciais soviéticos e a queda da URSS.

Com a chegada dos EUA a Lua o projeto soviético de chegar ao satélite e projetos espaciais foram diminuídos. Programas de expedições tripuladas à Lua foram propostos, como o “Vulkan-LEK” mas não foram implementados por razões econômicas. Na década de 1970 a URSS ainda tentou avançar com o projeto de uma estação espacial militar chamada Almaz como meio de bater os Estados Unidos na sua já anunciada Skylab.

Almaz tinha sido iniciada da década de 60 e o objetivo era criar três estações Almaz: Salyut 2, Salyut 3 e Salyut 5. A Salyut 2 fracassou pouco depois de entrar em órbita, mas as Salyut 3 e 5 permitiram testes bem sucedidos. Após a Salyut 5 os militares soviéticos decidiram que os custos de manutenção das estações superavam seus benefícios, quando comparadas com satélites de monitoramento automáticos. A Salyut 1 lançada em 1971 teve a capsula despressurizada e matou a tripulação no seu retorno à Terra.  Apesar da falha no programa de missões tripuladas à Lua, a URSS teve sucesso significativo em vários projetos: o programa Lunokhod que colocou os primeiros rovers na Lua e o programa Luna, que entre outras coisas, retornaram com aquelas pequenas amostras do solo lunar citadas acima. Também houve o programa Marte que obteve continuidade com pequenos sucessos chegando ao planeta vermelho, a exploração de Vênus e a missão Vega para o cometa Halley foram mais efetivas.

Em 1971 as sondas soviéticas Marte 2 e Marte 3, são as primeiras sondas colocadas em órbita em torno do planeta vermelho. Marte 2 caiu em Marte. Marte 2, durante seus 362 órbitas em torno Marte, de dezembro de 1971 a agosto de 1972, enviou um enorme volume de dados para a Terra. Marte 3, lançado 28 de maio de 1971, larga 02 dezembro de 1971 um módulo de descida que chega intacto na superfície marciana, usando um pára-quedas e retro foguetes. Mas a sonda sofreu de um falha fatal após ter sair seus dos instrumentos. No entanto, Marte 3 continua a ser o primeiro veículo terrestre ter pousou suavemente em Marte.

O fim da corrida espacial aconteceu em 17 de julho de 1975, quando uma missão espacial foi realizada em conjunto por estadunidenses e soviéticos. Nessa missão, participaram as naves Apollo e a Soyuz 19, enviada pelos soviéticos.

No ano de 1980 os soviéticos enviaram o primeiro hispânico e afrodescendente no espaço, Arnaldo Tamayo Méndez na Soyuz-38. Em 1984 a URSS enviou a primeira mulher com a missão de executar atividade extra-veicular, Svetlana Savitskaya na estação espacial Salyut-7. Em 1986 os soviéticos levaram a primeira tripulação para visitar duas estações espaciais distintas: Mir e a Salyut-7.

Em 1986 a URSS enviou um conjunto de sondas e balões robóticos na atmosfera de Vênus e ainda retornaram com imagens do cometa durante um voo de proximidade com a Vega 1 e Vega 2.

Em 1987 a URSS conseguiu manter uma tripulação por mais de um ano no espaço: Vladimir Titov e Musa Manarov a bordo da Soyuz TM-4 do programa Mir (Launius, 2002).

O cosmonauta Sergei Krikalev participou de diversas missões soviéticas no final da década de 80 e começo da década de 90 atuando como engenheiro de voo. Em maio de 1991 Krikalev foi à estação Mir na missão TM-12, com a previsão de voltar em julho do mesmo ano. Contudo, diante da instabilidade política que a URSS experimentava, ocorreram vários cancelamentos de vôos, motivo pelo qual o cosmonauta teve que ficar até outubro enquanto seus colegas da TM-12 retornaram a Terra. Sem condições de acompanhar os avanços tecnológicos ocidentais e manter um nível de qualidade para a população, a URSS foi declinando lentamente.

As repúblicas que formavam a URSS exigiam mais liberdades políticas, menos intervencionismo na economia, havia insatisfações com as crises econômicas, concentração de poder, diferenças de qualidade de vida entre os cidadãos soviéticos, divisões ideológicas e um ascendente controle religioso. Em 1985, Mikhail Gorbachev assumiu a secretaria do Partido Comunista e colocou em prática os planos Perestroika (visando uma reforma econômica com fim do planejamento estatal, permitindo a importação de bens, redução de produção de armamentos e etc) e Glasnost (transparência e participação popular nas decisões políticas e etc). O programa Perestroika-Glasnost demonstrou sinais de ineficiência e com a queda do Muro de Berlim em 1989, a Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária, Polônia e Romênia se sentiram a vontade para ir às ruas pedir mudanças sociais e lutar por democracia.

Durante a crise econômica e a hiperinflação a URSS começou a vender assentos a outros países para a estação espacial no foguete Soyuz. A Áustria, por exemplo, comprou um assento por US$ 7 milhões, enquanto o Japão adquiriu outro por US$ 12 milhões para enviar um repórter de TV. Houve até conversas sobre a possível venda da estação espacial Mir enquanto ainda estava funcionando.

Ao contrário do que havia acontecido em anos interiores, quando as tropas soviéticas intervinham, desta vez os soldados permaneceram nos quartéis. A primeira manifestação separatista a vir à tona foi na Lituânia, seguido de protestos na Estônia e Letônia, Geórgia, Azerbaijão, Moldávia e Ucrânia. Desta maneira, estes países puderam se redemocratizar e muitos ingressaram na União Europeia. Em paralelo, Gorbachev era questionado pela burguesia russa, temerosa de perder os privilégios, e os opositores. O principal líder da oposição era Boris Yeltsin, que exigia reformas radicais e em agosto de 1991, ocorreu o colapso da URSS quando um golpe de estado suspendeu as atividades do Partido Comunista que perdeu os poderes no Conselho Supremo da URSS, por decisão dos deputados integrantes do Congresso.

A dissolução do congresso da União Soviética foi anunciada em setembro de 1991 e em 8 de dezembro, ocorreu a assinatura da dissolução da União Soviética entre os líderes da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia. Em Washington, o medo era que diversos engenheiros aeroespaciais que ficaram desempregados fossem para o Irã ou para a Coreia do Norte. Por isso, os Estados Unidos propuseram à Rússia que os dois países se unissem na exploração do Universo e, depois de décadas de rivalidade, as duas potências se tornaram “sócias”.

A direita Aleksandr Volkov e a esquerda Sergei Krikalev presos durante meses na Mir depois da dissolução da União Soviética

Em 26 de dezembro de 1991 ocorreu a Declaração 142-Н, que formalizava o pacto do Tratado de Belavezha colocando um fim oficial à União Soviética como nação. Contudo, durante todo este processo final, o comandante Aleksandr Volkov e Sergei Krikalev estavam na estação espacial Mir. Ao receberem em dezembro o comunicado de dissolução e durante os três meses de incerteza, ambos realizaram várias missões de manutenção de emergência, incluídas várias caminhadas espaciais e reparos improvisados já que não teriam previsão de voltar à Terra afinal, agora eram cidadãos expatriados. Durante este tempo eles quebraram o protocolo e utilizaram o rádio da estação para poder se comunicar com radioamadores em terra como forma de obter notícias atualizadas, já que o controle da missão não lhes dava informação alguma do que estava ocorrendo.

Ambos cosmonautas conseguiram retornar à Terra somente no dia 25 de março de 1992. Subindo para o espaço como soviéticos e retornaram como russos – considerados os últimos cidadãos da União Soviética e inspirando o filme “O Terminal” com Tom Hanks. Krikalev e Volkov passaram 311 dias (10 meses) no espaço.

Após voltar à Terra, Krikalev seguiu ainda treinando para as missões de cooperação entre a NASA e a Federação Russa, incluídas várias missões dos ônibus espaciais e a histórica Expedição 1, a primeira missão à Estação Espacial Internacional. Volkov não retornou mais ao espaço e se tornou chefe do corpo de cosmonautas do Centro de Treinamento Yuri Gagarin, na Cidade das Estrelas, próximo a Moscou. Sua função era preparar cosmonautas para futuros voos e estadias prolongadas na Mir e na Estação Espacial Internacional. Ele treinou seu filho Sergei Volkov, o primeiro cosmonauta da segunda geração que foi ao espaço em 8 de abril de 2008, como comandante da missão Soyuz TMA-12.

Acima: A Corporação Estatal de Atividades Espaciais Roscosmos, vulgarmente conhecida como Roscosmos é o órgão governamental responsável pelo programa de ciência espacial e pesquisa geral aeroespacial da Rússia. Abaixo: O primeiro logotipo da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço é uma agência do Governo Federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial.

Atualmente, a principal missão astronáutica tem como objetivo chegar a Marte, sendo protagonizadas principalmente pela NASA que monitora com frequência o terreno e trouxe comprovações da presença de água em estado líquido no planeta vermelho, além de projetos como a Voyager 1 e 2 que já saíram do sistema solar.

Quando a estação Mir foi descartada e voltou à Terra em 2001, sua substituta, a Estação Espacial Internacional já estava sendo colocada em órbita. A Estação Espacial Internacional é uma clara demonstração das enormes conquistas do programa espacial da URSS durante 50 anos de exploração do Universo. O sistema de suporte vital dela é totalmente baseado no das estações Salyut e Mir. Os trajes utilizados para acessá-los são feitos na Rússia, sendo versões atualizadas daqueles usados por Alexey Leonov em sua primeira caminhada espacial.

E desde 2011, a única maneira de chegar a Estação Espacial Internacional é por meio de uma cápsula Soyuz montada em um foguete R-7, ambas tecnologias que, ainda que tenham sido modernizadas, têm sua essência mantida nos desenhos de Sergei Korolev há meio século. A URSS perdeu a corrida para chegar à Lua para os EUA que colocaram o primeiro homem em seu terreno, mas se a corrida espacial tinha como critério a exclusividade de um feito e o desenvolvimento tecnológico, a URSS ganha com facilidade já que foram os primeiros a criar um míssil balístico; primeiros a enviar um satélite na órbita da terra; primeiros a enviar dados de comunicação por telemetria; primeiros a enviar uma sonda na Lua (Luna-II); primeiros a enviar uma pessoa ao espaço; primeiros a fazer a caminha espacial; primeiros a realizar um voo tripulado em duas naves paralelas; primeiros a enviar uma mulher ao espaço (Valentina Tereshkova), primeiros a realizar uma atividade extra-veicular; primeiros a realizar uma atividade de acoplamento de duas naves; primeiros a coletar amostra de solo lunar; primeiros a enviar um civil como convidado, a enviar um primeiro afrodescendente e hispânico; primeiros a enviar balões e sondas a Vênus e retornar com imagens de uma cometa; primeiros a estabelecer uma estação espacial permanentemente tripulada e a manter uma tripulação por mais de um ano no espaço.

Victor Rossetti

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Referências

BBC News – Por que a União Soviética foi a verdadeira ganhadora da corrida espacial (e não os EUA). 2016
Discovery Magazine. The Last Soviet Citizen. 2016
eBiografia. Yuri Gagarin.
Encyclopaedia Britannica – Vostok, Sovietic Spacrecraft.
Hiesinger, H. Head, J. W. Wolf, U. Jaumanm R, and G. Neukum (2003). «Ages and stratigraphy of mare basalts in Oceanus Procellarum, Mare Numbium, Mare Cognitum, and Mare Insularum». J. Geophys. Res. 108
History – The Space Racer. 2010
Launius, Roger (2002). To Reach the High Frontier. [S.l.]: University Press of Kentucky. pp. 7–10.
Papike, J. Grahm Ryder, and Charles Shearer (1998). «Lunar Samples». Reviews in Mineralogy and Geochemistry. 36: 5.1–5.234
Smithsonian Magazine – Wernher von Braun’s V-2 Rocket. 2011
Super Interessante – Corrida espacial. 2016
The Guardian – I was a Russian cosmonaut in space as the Soviet Union collapsed – your questions answered. Krikalev. 2015

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