AS PONTUAÇÕES RASAS DE WILLIAN LANE CRAIG – SOBRE VERIFICACIONISMO E METAFÍSICA.

Willian L. Craig é teólogo e mais conhecido por defender o argumento cosmológico dentro de uma perspectiva cristã. Em um debate com o físico Lawrence Krauss em 2015 Craig não só apenas defendeu o argumento cosmológico, mas também forneceu três sugestões um tanto nebulosas entre ciência, teologia e metafísica.

Em um debate realizado em 2015 entre Willian L. Craig e o físico Lawrence Krauss, o teólogo sugeriu três pontos relacionados a ciência:

1) A teologia forneceu um quadro conceitual na qual a ciência pode florescer.

2) Ciência pode verificar ou falsear reivindicações teológicas.

3) A ciência encontra problemas metafísicos que a teologia pode ajudar a resolver.

Aqui analisaremos estas pontuações.

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Verificando e falseando reivindicações teológicas cristãs

O segundo elemento que Craig nos traz refere-se é:

A capacidade da ciência verificar ou falsear reivindicações teológicas.

                – Cosmologia greco-Indiana

                – Cosmologia hindu-taoista

Como exemplo de verificabilidade e falseamento da ciência Craig sugere o fato de que a cosmologia grega e indiana antiga e a cosmologia hindu e taoista foram descartadas pelo método científico. Nestas culturas o mundo repousava sobre os ombros de Atlas ou no dorso de uma tartaruga cósmica. E a ciência verificou e provou ser falsa estas ideias. Então Craig ingenuamente acredita que a atual situação na qual a cosmologia se encontra oferece respaldo a sua visão de criação segundo a doutrina judaico-cristã. O fato da ciência e a doutrina judaica cristã afirmarem que o Universo foi criado em um dado momento no passado não indica que o relato judaico-cristão tenha sido cientificamente corroborado, pois o argumento omite o fato de que as causas que originam o Universo são distintas e a condição de que um criador atemporal, dotado de vontade e livre-arbítrio decidiu que o Universo surgisse sequer é verificável. Este tipo de argumentação é denominado “Falácia da Falsa Causa“, pois Craig seleciona um grupo específico de dados que serve para provar pressupostos pessoais ignorando ou omitindo aquilo que não está alinhado com ele.

Atlas e o mundo nas costas

Muito além das falhas lógicas do argumento cosmológico sobre a identidade da causa que originou o Cosmo (que para a física é meramente um mecanismo natural de flutuações quânticas) ou na regressão infinita que a premissa maior nos direciona a respeito da necessidade de um criador para o criador está o fato de quem muitas evidências apresentadas na teologia cristã sequer são verificáveis e muitas delas foram falseadas.

A virgindade de Maria, os milagres de Jesus e até a verificação do caráter divino de Jesus escapam da possibilidade de se verificar. E muito do que é pressuposto da teologia cristã e que era passivo de ser verificado se mostrou falso: a origem da humanidade a partir de um casal é claramente uma impossibilidade genética, a condição de ocorrência de um dilúvio em nível Universal e até mesmo o próprio fato de que a origem do Cosmo pode ser explicada sem a necessidade de um criador – sem contar os elementos históricos e arqueológicos que relevam as origens e as contradições na historicidade dos relatos cristãos – colocam empecilhos nas afirmativas de Craig.

Craig comumente recorre à “Falácia da Suplica Especial” onde empurra as consequências da verificação e falseamento em cima de religiões alheias, mas presume que sua crença pessoal está isenta do mesmo.

 

Quanto aos Problemas metafísicos

O terceiro elemento que Craig nos traz refere-se a ciência encontrar problemas metafísicos que a teologia pode ajudar a resolver.

Temos a ideia de que a ciência é um oráculo para todos os fins e que lida com todo tipo de questão. Uma prova da visão infantil de que a ciência é um oraculo o próprio Craig demonstra ao presumir que se a ciência validar deus então o caso está encerrado, tornando a ciência o mecanismo pela qual vai tirar as dúvidas sobre sua existência.

A ciência é uma ferramenta importante na construção de conhecimento mas, acreditar que ela resolva todo tipo de questão é uma ideia muito estranha.

É da natureza humana o desejo de conhecer mais e saber sobre as coisas. De fato, assim começa o primeiro livro “Metafísico” de Aristóteles, escrito há cerca de 2.500 anos. Evidentemente, a natureza humana não mudou: o desejo de saber ainda nos move. E a ciência, um empreendimento humano movido por este desejo por mais que ela forneça respostas a enigmas da natureza e tente responder as questões essenciais da humanidade cai dentro da metafísica na medida em que estuda e tenta compreender a realidade.

Não é fácil dizer o que é metafísica porque o termo sequer foi cunhado por Aristóteles, e sim por um editor póstumo. Quatorze volumes foram rotulados como “Ta meta ta phusika“, que significa “os que se seguem aos físicos“. A instrução implícita era primeiramente ler e dominar a física aristotélica sobre o mundo natural, antes de se aventurar em questões maiores e mais profundas.

Hoje, a metafísica se concentra em conceitos abstratos como tempo, espaço, realidade, existência e evidentemente nas grandes ambições da ciência, particularmente daqueles ramos que buscam uma “teoria de tudo”. O fato é que a metafísica e a ciência têm muito em comum e definir uma fronteira onde uma termina e começa a outra não é fácil. Isto porque muito do que a ciência produz se aproxima demais do território filosófico. Por exemplo, a neurociência pode um dia ser capaz de nos dizer se o nosso senso de identidade é apenas um truque da mente ou se a biologia evolutiva nos auxilia a entender o que entendemos por bem e mal. O que a ciência pode nos dizer sobre as questões mais profundas que os humanos já fizeram? Como a filosofia pode informar a ciência e nos ajudar a entender o que ela realmente significa? (New Scientist, 2016)

Todas essas são questões metafísicas e os cientistas sérios sabem que suas investigações são infinitas, e que qualquer resposta sempre levanta uma enxurrada de novas questões. Nem os físicos alegam, é claro, que ao lidar com os “grandes enigmas da existência” teremos uma resposta final algum dia. De fato, o sucesso da física do século XVII deveu-se inteiramente aos seus fundadores, vendo a necessidade de limitar sua pesquisa ao separar as questões físicas das outras que estavam emaranhadas com elas. As ciências lidam apenas com um pequeno fragmento da realidade e outros tipos de perguntas precisam de formas bem diferentes de resposta.

A metafísica é então, muito anterior à ciência e ao conhecimento empírico e não trata especificamente em dizer o que existe, mas discutir o que é possível. O trabalho científico é tentar descobrir qual dentre todas as possibilidades descreve melhor a realidade. Enquanto a ciência lida com situações específicas, a metafísica lida com assuntos gerais. Por exemplo, enquanto um cientista fala sobre “leis da natureza”, um metafísico estudará quais são as características que fazem uma afirmação qualificar-se como uma lei.

Por esta razão a metafísica é tema abordado pela filosofia e esta última, por definição, se debruça sobre questões buscando compreende-la através de uma abordagem metódica racional e crítica. Curiosamente, a ciência também trabalha exatamente da mesma forma. Por este motivo, durante grande parte de sua existência a ciência foi denominada como filosofia natural. Nas condições atuais, prevalece a noção de que a ciência trabalha no setor empírico e a filosofia com a condição mais ampla do processo: estética, metafísica, ética, política etc.

Esta separação feita fica mais fácil para nos focarmos durante seu exercício, mas na vida sabemos as coisas acontecem tudo junto e misturado. Na mesma medida que a filosofia entende o mundo com suas operações, muito na filosofia (da mente, da linguagem e da ciência) depende de elementos que são produzidos pelo caráter experimental da ciência. Na prática, não há uma fronteira clara a partir da qual uma investigação filosófica passa a ser científica. E evidentemente, muito do caráter metodológico da ciência depende da analise filosófica. Esta divisão onde termina uma e começa outra é o que chamamos de subjetiva. Tal processo tem implicações grandes na epistemologia e na filosofia da ciência.

Portanto, neste momento você já deve ter percebido que a diferença entre ciência e metafísica é mera ilusão. Para tornar a compreensão mais palpável e clara vamos recorrer a uma situação experimental para exercitar este processo.

Imaginemos que toda vez que analisamos pacientes notamos que as pessoas com sintomas de tuberculose têm em seu corpo uma bactéria hospedada que as saudáveis não a possuem. Então, se experimentalmente isolarmos e inocularmos a mesma bactéria em um paciente saudável este passa a manifestar o quadro sintomatológico da doença e novamente, quando isolamos do paciente tal bactéria o paciente deixa de apresentar os sintomas da tuberculose.

Concluímos então que, empiricamente a bactéria é responsável por causar a patologia e isto não tem nada de metafísico. Mas a relação causal entre dois eventos é obrigatoriamente metafísica na medida em que tenta entender a realidade e no fato de não vermos a relação propriamente dita.

Experimental e visualmente a única coisa que se pode estabelecer é uma correlação extremamente forte, pois toda vez que a bactéria é inoculada o paciente passa a apresentar os sintomas de tuberculose. Isto significa que toda vez que sabemos que a bactéria está hospedada na pessoa o paciente adoece. Se a ciência fosse exclusivamente empírica, jamais poderíamos dizer que a bactéria causa a doença, ou que a patologia se correlaciona com a presença da bactéria no paciente. Pode parecer absurdo a primeira vista, mas nesse caso a ciência jamais poderia dizer o que aconteceria ao paciente se ele não tivesse tomado a vacina BCG e tivessem inoculado o bacilo da tuberculose aos 5 anos. Empiricamente, é impossível determinar o que teria acontecido quando não aconteceu pois não faria parte do conjunto de casos conhecidos onde se possa medir correlações.

Assim, a causalidade, explicação comum nestes casos é um relato de como as coisas acontecem, tudo isso é científico e é também metafísico. Isto não significa que estes aspectos metafísicos do relato científico não sejam testáveis. Eles podem não ser diretamente testáveis porque a explicação de causalidade por si só não é possível de se observar. Sabemos apenas que há correlações fortes entre a bactéria inoculada e a quantidade delas usando a proteína HBHA para aderir às células que revestem os pulmões e que há uma correlação forte entre essas bactérias e lesões e nódulos no pulmão. Sabemos que toda vez que a bactéria e inoculada esta sequência acontece, mas não há como dizer exatamente em que momento a doença surge por causa da bactéria, pois esta relação causal não é visível.

Portanto há somente correlações mais fortes ou mais fracas. Aquelas bastante testadas como é o caso da bactéria e dos sintomas tuberculose verificamos uma correlação muito forte, pois toda vez que inoculamos a bactéria os sintomas aparecem. Como é uma correlação forte é comumente chamada de relação causal, ou causalidade. Claro, ai há um problema metafísico e filosófico científico destacado pelo filósofo David Hume que é o problema da indução: o fato de repetidos experimentos particulares feitos no passado tenham mostrado sempre um mesmo resultado não garante que futuramente esta relação continuará ocorrendo.

O fato é que a relação entre uma bactéria e os sintomas são indiretamente testáveis, porém,  com alto grau de confiabilidade porque as explicações e relações entre causa e efeito implicam restrições àquilo que se espera observar. Portanto, tomar a vacina BCG é extremamente importante, e fornece inclusive dados adicionais a forte relação: quanto mais pessoas são vacinadas menores são os índices de internações de pessoas acometidas pela tuberculose.

Não vejo como a teologia de Craig pode oferecer uma ajuda a ciência para solucionar problemas semelhantes a este ou, digamos, o caso da origem do Cosmo, quando se assume que a revelação divina é detentora da verdade absoluta. O fato da criação do Universo ser apresentada como uma verdade absoluta pela teologia cristã ainda não seria possível ver como absoluta a relação causal entre deus e a criação do Cosmo, ou de que há algo eterno, atemporal, com livre arbítrio externo ao Universo capaz de decidir estalar a singularidade cósmica. O fato de algo se dizer superior, criador da realidade e útil para explica-la tem outros desdobramentos metafísicos.

Além disto, em ciência sequer poderíamos verificar a possibilidade de deus ser a relação causal para o Cosmo. A própria metafisica impede a teologia cristã de auxiliar a ciência com seus problemas metafísicos na medida que a relação causal precisa ser verificável e não uma crença sem evidências.

A metafísica inclui o estudo de conceitos como o tempo e o espaço coisa que no sagrado sequer existe. A palavra “sagrado” refere-se a uma condição sacra ou santa (do latim sacrum/sanctum e do hebraico Kadosh) refere-se a uma condição excepcional na qual deus existe e sequer é um espaço ou tempo. É uma condição externa da nossa realidade!

Em ciência, conceitos como tempo e espaço têm sido estudados e elucidados, e graças ao ceticismo metafísico que surgiu setores como a epistemologia, que estuda de como sabemos o que julgamos saber, e a filosofia da ciência que estuda a forma como a ciência constrói conhecimento.

Por esta razão, desde a antiga filosofia naturalista observava a realidade definida pelo que era possível através do alcance da ciência. Quando a descrição desvia-se para algo além da metodologia, argumentando sobre o que pode existir ela cai obrigatoriamente na metafísica. No caso da teologia, ainda leva a outros desdobramentos como vimos acima.

Por isto ressaltamos inicialmente que aqueles que afirmam que a ciência pode responder todas as perguntas estão eles próprios fora da realidade científica. E me parece que na teologia o mesmo ocorre, tendo ela também seus desdobramentos metafísicos.

No caso da ciência, trata-se de uma discussão sobre o que está do lado de fora de sua prática e de seu âmbito de estudo. Até porque, a afirmação de que a ciência poderia explicar tudo não pode vir de dentro dela mesmo. Sempre é uma declaração sobre a ciência e não da ciência.

A realidade dá à ciência um campo de prática para estabelecer seus objetivos e o propósito de existir e ser como é. Tomar parte da prática da ciência é aceitar que ideias de uma verdade estão está além do nosso alcance. E isto evidentemente levanta diversas questões para a prática da ciência. Por exemplo: Se vivemos em uma realidade que pode estar além do nosso alcance, como podemos esperar alcançar qualquer conhecimento em tudo? Neste sentido é possível que o filósofo alemão Immanuel Talvez Kant esteja certo, e que tudo aquilo que pensamos saber não passa de categorias da mente humana na qual estamos arranhando somente a aparência das coisas e não a realidade em si. Isto nos leva a pensar, por exemplo, como poderíamos fazer afirmações generalizadas pelo indutivismo em científica e considera-las confiáveis.

David Hume (1711-1776) filosofo empirista

O filosofo empirista David Hume, como vimos acima, tentou remover a necessidade metafísica afirmando que o nosso raciocínio sobre a uniformidade da natureza não foi fundamentado no caráter da realidade. Neste sentido, a indução conta com a incerteza de que o futuro vai se assemelhar ao que observamos no passado. Este reconhecimento das limitações do que pode ser comprovado ou não pela experiência humana pode levar a um profundo ceticismo e, por conseguinte, não oferecer nenhum fundamento racional para a ciência em si. Neste sentido a ciência reduz-se a mais um empreendimento da natureza humana determinada por nossas preferências e pelo que nos seria familiar em vez de uma ferramenta de construção do conhecimento. Assim, ela é útil para descrever o que acontece e a abandonamos quando exige uma explicação mais profunda sobre a realidade. Tal discussão metafísica direciona as pessoas então a outro setor da metafísica: o que a ciência descreve com seus modelos são apenas modelos ou ela alcança a descrição do fato em si?

Um adepto do realismo científico, a corrente que defende que o universo descrito pela ciência é real independente de como ele possa ser interpretado e a ciência o descreve literalmente, deve ter cuidado. Um realismo que faz da realidade o que a ciência contemporânea diz ser é a realidade lógica para as mentes humanas nos dias de hoje.

Historicamente, há muitos casos em que teorias foram creditadas como verdadeiras, que foram empiricamente muito bem-sucedidas em seu tempo, mas atualmente se mostraram falsas. O filósofo da ciência Larry Laudan elenca uma lista de mais de trinta destas teorias diferentes épocas e ramos da ciência. A teoria do flogisto e combustão é um exemplo disto, sendo aceita durante muito tempo. Até o final do século XVIII, sustentava-se que qualquer objeto quando entrava em combustão liberava na atmosfera uma substância chamada “flogisto”. A química atual nos mostra que esta concepção está errada. O flogisto não existe, o que faz a combustão ocorrer é a presença do oxigênio presente no ar. Contudo, a existência do flogisto era empiricamente bastante bem-sucedida e explicava razoavelmente bem os dados observados no momento histórico em que foi vigente. Exemplos como este sugerem que as conclusões em torno da corrente do realismo científico são um tanto precoces. Fica então difícil saber exatamente quando a ciência alcança plenamente o fato tal como ele é – se é que alcança.

Neste sentido, a ciência é então apenas um produto humano, enraizado em um dado tempo e espaço. Trazer isso para a ciência futura pode parecer mais plausível, contudo, ainda sim há uma distinção entre a ciência refletir sobre a natureza da realidade e confirma-la como uma construção humana. Apesar de ser uma construção humana ela tem como objetivo refletir e contribuir com a descrição da realidade. Sabendo disto, reconhecemos então que a questão real por traz de tudo é: Porque a realidade se permite ser compreendida cientificamente? Porque a realidade pode ser inteligível e racionalmente compreendida ainda que não haja garantia alguma de que ela será inteiramente ou parcialmente compreendida?

Ao que parece, esta é apenas uma das diversas questões que nem a ciência, nem a teologia ou a filosofia vão responder algum dia.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Verificação, Falseamento, Falácia, Craig, Metafísica, Aristóteles, David Hume, Realismo Científico, Filosofia da Ciência, Filosofia, Teologia, Epistemologia.

 

Referências

Hume, D. “Treatise Concerning Human Nature” in McNabb, D.G.C. (ed.) David
 Hume. Fontana Press, London (1962).
O Livro da Ciência. Editora Globo Livros. 2016.

5 thoughts on “AS PONTUAÇÕES RASAS DE WILLIAN LANE CRAIG – SOBRE VERIFICACIONISMO E METAFÍSICA.

  1. Caro Rossetti

    Boas referências bibliográficas. Mas entendo que seus escritos me dão a impressão
    de que parte de um ceticismo/agnosticismo da mesma forma que o Marcelo Gleiser.
    Só com a diferença de que ele – assim como S Jay Gould – dá a religião seu lugar não misturando naturalismo metodológico com o naturalismo filosófico. Embora por vezes façam isto, assim como você.

    Algumas informações precisam ser atualizadas e suas ponderações acerca do Craig
    -para mim- rasas. ainda que ‘justificáveis’. Talvez o melhor debate para uma análise crítica seja com Sean Carroll do que com Krauss (que conforme Dawkins, Krauss desvendou o ‘mistério’ da origem do Universo- kkkk).

    Sua afirmação “A própria metafisica impede a teologia cristã de auxiliar a ciência com seus problemas metafísicos na medida que a relação causal precisa ser verificável e não uma crença sem evidências”

    Mostra pouco entendimento da tradição intelectual cristã na sua relação com a Ciência.
    Vou te Atualizar nesse Debate:
    Então, vamos trocar por outra Metafísica (não teísta de preferência) = https://www.quantamagazine.org/physicists-and-philosophers-debate-the-boundaries-of-science-20151216/

    Um excelente video explicativo dessa nova metafísica: https://youtu.be/-dSua_PUyfM

    Quanto ao Argumento Kalan de Craig: Ele tem sua validade levando em conta duas coisas – 1) A crença Judaico-Cristã de uma criação ex-nihilo 2) Os dados Cosmológicos com a Teoria do Big Bang = https://www.youtube.com/watch?v=nDOLrAx0X3w

    Ver tb= Rolf-Dieter Heuer, Diretor Geral do CERN, = http://trinitynews.ie/2012/07/interview-with-professor-heuer-of-cern/

    Que disse:
    “Yes. I am always confronted with the question of what was before the Big
    Bang and I cannot answer that. I don’t think anybody can answer that, but it’s
    interesting to discuss it at least.”

    Sua descrença no sobrenatural já te posiciona quanto ao seu lugar na discussão.
    Só basta saber o que te faz CRER no porque de suas opiniões serem verdadeiras para vc.

    Para isto é melhor ler o livro de Thomas Nagel (Filósofo Ateu): Mind & Cosmos

    Ou Pode ler em Português o Livro do Plantinga: Ciência, Religião e Naturalismo

    A fim de justificar seu arrazoado/epistemologia (que anda bem confusa):

    Ou melhor se Identificar como Livre Pensador…Mas não saia por aí como Livre Pensador. Como Huxley bem disse: Viva como Teísta e pense como ateu/agnóstico

    O mais interessante/estimulante nisso tudo é sua consideração na Ciência.
    Essa narrativa, interpretativa, que a Ciência possibilita. Mas pensar que o sucesso da Ciência dependa de uma base intangível/abstrata, que não se pode fugir, intriga.
    Fica aí o ‘conselho’ do Gleiser= https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe3105200902.htm

    Abraços
    Alison

    • Você deu uma resposta bem grande ao autor do artigo, mas, vou me ater somente a questão que colocou acerca do sobrenatural.

      A história do próprio conhecimento demonstra que alegações sobrenaturalistas não devem ser levadas a sério. No fundo, nenhum crente leva a sério. Vários exemplos poderiam ser dados. Durante séculos, ou milênios, doenças mentais como epilepsia e esquizofrenia foram consideradas como tendo causa sobrenatural. Demoníaca por assim dizer. Para a cura dos enfermos, exorcismos eram praticados. Um sacerdote dava gritos tentando ´´expulsar“ o demônio que acometia o enfermo. O próprio Jesus exorciza um aparente epilético. Reproduzindo a ignorância reinante entre os hebreus da época, o suposto Deus em nada contribui para o avanço do conhecimento. Muito antes de Jesus, Hipócrates já tinha sugerido a relação entre problemas mentais e mau funcionamento do cérebro. Ou seja: Um relés homem foi capaz de mostrar a humanidade algo que o suposto Deus não foi. E mais. A ignorância de Jesus acerca do funcionamento do mundo é uma forte evidência de sua exclusiva, e, ignorante, humanidade. Vou ficar só nesse exemplo. Portanto, existem boas razões para ciência ignorar alegações sobrenaturalistas.

      • Caro Anderson: Não sei de sua Formação Educacional.
        Quanto a minha – Pós graduado em Filosofia (especificamente Filosofia da Ciência e Religião).

        Vc disse: “A história do próprio conhecimento demonstra que alegações sobrenaturalistas não devem ser levadas a sério”

        De onde tirou isso ? Pode dar Referências ?
        Eu posso te fornecer o contrário: Na Europa e nos USA tem inúmeros livros/artigos. Aqui no Brasil vou te indicar a Luciana Zaterka Livro “A Filosofia Experimental na Inglaterra do Séc XVII Francis Bacon e Robert Boyle”

        Quando vc diz: “o suposto Deus em nada contribui para o avanço do conhecimento”.

        Mostra ignorância quanto a contribuição Teísta para a ciência.
        Vou te dar um artigo de Jornal para ler já que tem dificuldade com livros e/ou artigos Acadêmicos.
        https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/resenhas/o-povo-do-livro-os-judeus-e-as-palavras/

        Vc Finaliza: “Portanto, existem boas razões para ciência ignorar alegações sobrenaturalistas.”

        O que é Ciência ? Qual Ciência está se referindo – A do Círculo de Viena; a Ciência de Feyerabend que descreve no livro Contra o Método – Ou a de A. F. Chalmers no livro O que é Ciência afinal ? Além de muitas defendidas diversos cientistas. Quem está demarcando o que é e o que não é Ciência ? Me avisa aí a Entidade ?

        Quanto ao autor do Artigo acima, ele diz: “A própria metafisica impede a teologia cristã de auxiliar a ciência”.

        Eu digo que estão usando a Metafísica para provar uma Teoria – a do Multiverso.(Parece que não leu/estudou minha resposta ao artigo)

        Eu, ao invés de evocar uma Metafísica de última hora para Justificar um Multiverso, me apoio sobre a Metafísica Judaico-cristã como vários top cientistas fazem
        https://www.amazon.com.br/Cosmos-Bios-Theos-Scientists-Universe/dp/0812691865

        Eu acho que vc deve ACREDITAR em Tudo que sua CABEÇA CRIA. Até sua noção de “Eu”. Já que vc é capaz de REFUTAR o sobrenatural ME DIGA

        Os Números são Criações humanas ou existem de forma Independente. ?
        Leia o artigo do Gleiser que passei na parte final da minha resposta.

        Se posso postular a ação de números, que são independentes, e agem sobre a Natureza porque não posso acreditar em Deus ?

        Para se inteirar melhor Relação Ciência e Fé Assista a Debates/Conferências
        Ex: https://www.youtube.com/watch?v=Soeu61jxelo&list=PLkVlddqFTMX-hJH9_vd8ymg1qYpK0ZeZ6

        OBS: Eu sei a resposta do que a maioria (90%) da Comunidade Acadêmica no Mundo pensa em relação a pergunta que fiz (os números)

        Se quer adotar um naturalismo na sua vida seja “coerente” com o que prega

        Não seja um Energúmeno

  2. Não concordo necessariamente com seus argumentos, mas foi uma argumentação respeitosa e não sobreposta às demais (como dizer que “ciência” é racional e fé é emoção).

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