NOVO ESTUDO SUGERE QUE O SUDÁRIO DE TURIM É FALSO – APOIADO POR UM ESTUDO RETRATADO. (Comentado)

Dois pesquisadores italianos, um antropólogo forense e um outro químico, realizaram testes para determinar a autenticidade do Sudário de Turim e relataram que a análise indica que o sudário é uma falsificação. Em seu artigo publicado no Journal of Forensic Sciences, Matteo Borrini e Luigi Garlaschelli descrevem os testes que realizaram e o que encontraram. Um artigo separado publicado no ano anterior foi retirado; foi originalmente publicado no site de acesso aberto da PLOS One por outra equipe alegando ter encontrado evidências de trauma para o corpo da pessoa vista no sudário.

Negativos de comprimento total do sudário. Crédito: Domínio Público.

Nesse novo esforço, Borrini e Garlaschelli testaram a autenticidade do sudário realizando experimentos com sangue e tecidos falsos e reais, simulando o sudário. Seu objetivo era descobrir se as manchas de sangue no sudário eram consistentes entre si e com relatos da Bíblia.

Um dos experimentos envolveu a aplicação de sangue ao corpo de um voluntário vivo (que estava deitado na pose que lembrava a pessoa vista no sudário) e depois envolvê-lo em linho para ver que tipo de manchas ele deixaria. Eles também notaram que a Bíblia relatou que Jesus havia sido esfaqueado ao lado com uma lança – para imitar tal ferida, os pesquisadores anexaram uma esponja a uma estaca de madeira, ensoparam-na com sangue e a usaram como uma lança para empalar um manequim.

Os pesquisadores relatam que as manchas de sangue no sudário são inconsistentes – o sangue que flui não teria como formar manchas nas formas observadas no sudário. Como um exemplo, eles apontam que o sangue que flui de uma ferida para a mão só poderia ter feito as manchas vistas na mortalha se a pessoa estivesse em pé – a Bíblia relata que sobre o corpo de Cristo foi colocado o sudário após a morte. Eles concluem alegando que teria sido impossível que as manchas de sangue no sudário tivessem se originado da maneira descrita pela Bíblia; portanto, a partir dai concluem que o sudário é uma falsificação.

Enquanto isso, um artigo publicado por uma equipe no ano passado detalhando um estudo do sudário (e alegando ter encontrado evidências de trauma na vítima) foi retirado pelos editores do PLOS One – os editores notaram em sua retratação que preocupações foram levantadas sobre a qualidade dos dados utilizados pelos pesquisadores e as conclusões que eles tiraram.

Jornal Referência: Matteo Borrini et al. A BPA Approach to the Shroud of Turin, Journal of Forensic Sciences (2018). DOI: 10.1111/1556-4029.13867
Complemento: Elvio Carlino et al. Atomic resolution studies detect new biologic evidences on the Turin Shroud, PLOS ONE (2017). DOI: 10.1371/journal.pone.0180487
Fonte: Phys.Org 

Comentários internos

O sudário de Turim (popularmente conhecido como Santo Sudário) corresponde a um tecido, ou, uma mortalha feita a partir de linho que apresenta a imagem negativa de um homem que acredita-se ser Jesus Cristo. O Santo Sudário esta guardado na capela real da Catedral de São João Batista, em Turim, localizado ao norte da Itália e é considerado um objeto acheropoiético (não criado a mão, mas por manifestação milagrosa). A primeira menção de um sudário (que supõem-se ser o sudário de Turim) data do ano de 544, detalhando um pedaço de tecido que reproduziria uma face que se acreditou ser de Jesus quando foi encontrado escondido sob uma ponte em Edessa (Mesopotâmia). Suas primeiras descrições mencionam um pedaço de pano quadrado, mostrando apenas a face. João Damasceno, um monge árabe cristão diz em sua obra anti-iconoclasta “Sobre as Imagens Sagradas” que tal relíquia era uma faixa comprida de tecido na qual havia sido transferida a face de Jesus quando ele ainda estava vivo. Portanto, não seria uma mortalha, mas sim um tecido que esteve em contato direto com Jesus (Christian Classics Etheral Library). O fato de haver a citação de um tecido com a face de Jesus estampada não estabelece uma unanimidade sobre suas características: seja as dimensões do tecido ou o momento em que supostamente tocou Jesus. Há contradições historicamente estabelecidas quanto aos relatos do sudário. De fato, estes primeiros relatos sequer caracterizam o sudário tal como o conhecemos.

Da mesma maneira, a trajetória que o sudário seguiu é controversa até mesmo para as interpretações e análises feitas e obtidas recentemente pela ciência. De modo geral não é possível atestar sua veracidade.

Outra citação de um sudário data o ano 944, quando tal tecido foi transferido para Constantinopla e após ser saqueada no ano 1204, Teodoro Ângelo, sobrinho de um dos três imperadores bizantinos, escreveu uma carta de protesto ao papa Inocêncio III, onde menciona o roubo de riquezas e relíquias sagradas da capital pelos cruzados. Em seu relato, ele afirma que as jóias ficaram com os venezianos e as relíquias haviam sido divididas entre os “francos”. Ele cita explicitamente um sudário, que supostamente havia sido levado para Atenas. O sudário teria sido roubado e levado ao então duque de Atenas Otão de la Roche. Segundo a pesquisadora italiana Barbara Frale, os templários teriam mantido o sudário por um século em sua posse e posteriormente levado-o para a França por volta de 1349 (Aciprensa, 2009).

Então, em 1389, o bispo Pierre d’Arcis denunciou a suposta relíquia como uma fraude, alegando que ela teria sido fabricada por um pintor talentoso, ao escrever uma carta a Clemente VII (anti-papa em Avinhão). D’Arcis menciona que até então tem sido bem sucedido em esconder o pano e revela que a verdade lhe fora confessada pelo próprio artista, que não é identificado. A carta descreve ainda o sudário com grande precisão, ta como conhecemos hoje. Ainda sim, Clemente VII declarou a relíquia sagrada e ofereceu indulgências a quem peregrinasse para ver o sudário (Picknett & Prince, 2008).

Posteriormente, em 1453 o sudário foi transferido a Luís, duque de Saboia, de acordo com um contrato estabelecido em Genebra e posteriormente, em 1502, o sudário foi depositado na Capela Santa do castelo dos duques em Chambéry onde foi danificado por um incêndio e pela água das tentativas de controla-lo (Presney, 1998). O sudário estava guardado em uma urna de prata que ao ser aquecida respingou o metal derretido deixando perfurações simétricas no sudário, uma vez que o tecido estava dobrado 48 vezes. A água utilizada para apagar o incêndio impregnou no sudário produzindo manchas em forma de losangos devido às dobraduras, as quais aparecem simetricamente em todo o tecido quando é estendido (Presney, 1998).

Em 1562, a capital do Ducado de Saboia foi transferida de Chambéry para Turim e, em 1578 a peça foi levada para a catedral da cidade, onde está até hoje (Baschera, 1998), sendo que em 2002, o sudário foi submetido a obras de restauro.

Diversos argumentos têm sido elaborados para validar ou descartar o sudário como uma peça que reproduziria a face de Jesus – muitos deles apresentados sob publicações científicas baseando-se em disciplinas que vão desde a química à biologia e perícia médica à análise de imagens ópticas. Em 1988, três testes de datação por radiocarbono dataram um fragmento do canto da mortalha como sendo da Idade Média (Taylor & Bar-Yosef, 2014), entre os anos 1260 e 1390. Isto implicaria que o sudário poderia ter sido uma figura pintada por um artista uma vez que a data não esta alinhada com a data da morte de Jesus. De certa forma, o estudo aumentou o ceticismo quanto a mortalha, mas também gerou muitas críticas, especificamente, devido a metodologia adotada.

Quando foi datado em 1988, o fragmento do sudário foi enviado para três diferentes laboratórios: em Zurique, Oxford e na Universidade do Arizona (Nickell, 2005) sem que soubessem que estavam analisando o mesmo material. Os resultados independentemente chegaram ao mesmo nível de concordância: de que o tecido datava entre 1260 e 1390 (Nickell, 2005), portanto durante a Idade Média – aproximadamente 13 séculos posterior à vida de Jesus. Alegações de incertezas e erros nos exames surgiram imediatamente após a publicação dos resultados e foram em grande parte respondidas por Harry E. Gove (1996) – descobridor da tecnologia de datação por Carbono-14.

A crença no potencial divino da mortalha nunca havia sido questionada tão profundamente e as datas independentes davam peso a ideia de ser uma mortalha pintada, questionando a autenticidade.

A controvérsia continuou porque o microbiólogo Dr. Garza Valdez descobriu no sudário a presença de bactérias que interfeririam na datação pelo carbono. Em um documentário do Discovery Channel, o Dr. Harry Gove reconheceu que o trabalho no sudário foi feito sem conhecimento das descobertas de Valdez e ainda afirmou que mesmo tentando limpar as bactérias, com a tecnologia atual, não seria possível separa-las do tecido e que, portanto, por enquanto a datação por carbono no sudário não seria totalmente válida. Harry Gove concluiu então que quando houvesse essa tecnologia faria a petição à Santa Sé para tentar datar o sudário novamente. Outro argumento contra a avaliação científica foi que a amostra analisada pelas equipes de cientistas teria sido retirada de uma zona do manto que não fazia parte do tecido original, embora tenha sido desmentida por Joe Nickell; ou ainda, que o sudário foi danificado devido ao incêndio no final da Idade Média, o que poderia ter acrescentado carbono reativo à composição do tecido invalidando a aplicação da análise por carbono reativo.

Em resposta a contaminação bacteriana, os cientistas que realizaram as análises de Carbono 14 afirmam que o tecido foi limpo antes do teste, o que exclui a possibilidade dessa bio-contaminação.

Em resposta ao excesso de carbono provocado pelo incêndio, para o químico Dr. Walter McCrone, a concentração de carbono teria de ser muito maior do que a registrada no peso total do sudário do século I ser datado como do século XIV, e portanto haveria suficiente certeza que o sudário seria uma criação medieval. Além disto, em 2005, o químico americano Raymond Rogers argumentou (Rogers, 2005) que a análise química feita por ele confirmava esta hipótese, uma vez que as amostras usadas na datação por carbono mostram traços evidentes de corantes, provavelmente usados pelos tecelões medievais para conseguir a cor do tecido original ao realizarem reparações e reforçarem o sudário para maior proteção. Posteriormente, outros autores apresentaram ainda mais evidências adicionais a esta tese (Rogers, 2001; Busson, 1991). Assim sendo, apenas a questão das bacteriais seria uma variável que talvez tornasse a datação duvidosa.

Considerando a datação como válida, ela coincide exatamente com a primeira aparição do sudário na história da igreja (Herbermann, 1913) e alguns defensores da autenticidade do sudário ainda têm tentado inviabilizar o resultado da datação por radiocarbono em função do suposto fragmento de reparação “invisível” medieval, em vez do pano original – algo que já foi descartado como falso. Todas as hipóteses científicas usadas para contestar a datação por radiocarbono foram refutadas cientificamente (Taylor & Bar-Yosef, 2016), incluindo a hipótese da reparação medieval (Freer-Waters & Jull, 2010), bio-contaminação (16) e a hipótese do excesso de carbono (Gove, 1990).

Contudo, esta não foi a única vez que o sudário de Turim foi analisado cientificamente. Na década de 1970, uma análise com microscopia eletrônica do sudário revelou uma ausência de material de coloração heterogênea (Meacham, William, 1983). Em 1979, Walter McCrone, ao analisar as amostras que lhe foram dadas pela Shroud of Turin Research Project (STURP), concluiu que a imagem é, na verdade, composta de bilhões de partículas de pigmento sub-micrométrica. McCrone identificou que estes pigmentos continham óxido de ferro, o que já direcionava para a presença de pigmento simples usados ​​nos tempos medievais. Outros pesquisadores, como Alan Adler, identificaram as manchas avermelhadas como sangue e interpretaram o óxido de ferro como um resíduo natural da hemoglobina. A conclusão que a pureza excepcional do produto químico e comparações com outros têxteis antigos mostraram que, enquanto o linho absorve ferro seletivamente, o próprio ferro não era a fonte da imagem vista no sudário. Isto indicou que as várias manchas avermelhadas no sudário eram incertas quanto a sugestão de ser sangue e que poderiam ter sido produzidas ao mesmo tempo que a imagem, mas também posteriormente a elas (Heller & Adler, 1980).

Em 1997, o botânico Avinoam Danin da Universidade Hebraica de Jerusalém relatou ter identificado resíduos da marca de flores de crisântemo (Glebionis coronaria), Cistus creticus e do clado Zygophyllum no sudário. Os contornos das flores apontavam para uma morte ocorrendo em março ou abril aos arredores de Jerusalém (104 105) de acordo com o período de florescência destas plantas. Em um relatório independente produzido em 1978, Danin e Uri Baruch relataram a presença de grãos de pólen nas amostras de tecido, afirmando que eles eram apropriados para a primavera em Israel. Contudo, foi posteriormente determinado que o trabalho de Uri Baruch era “cientificamente inseguro”, e Danin acabou repudiando a publicação deste trabalho.

Uma revisão independente das cadeias de pólen mostrou que uma das 26 amostras continha significativamente mais pólen do que as outras, possivelmente indicando contaminação da amostra (Nickell, 1994). Foi somente em um estudo publicado em 2011 por Lorusso que submeteu duas fotos do sudário ao processamento detalhado de imagens digitais modernas – sendo uma delas uma reprodução do negativo fotográfico tirado por Giuseppe Enrie em 1931 – que eles não encontraram nenhuma imagem de flores, moedas ou qualquer outra coisa em qualquer imagem do sudário. De fato, eles notaram que as imagens fracas identificadas eram visíveis apenas incrementando o contraste fotográfico, e concluíram que estes sinais estavam ligados a protuberâncias nos fios do tecido, e representavam alterações na textura do negativo fotográfico de Enrie durante o momento em que a fotografia foi tirada em 1931 (Salvatore et al, 2011). Não só não havia flor alguma no sudário como o pólen presente no sudário foi uma contaminação feita pelos próprios botânicos.

Apesar de todas estas constatações, argumentos e contra-argumentos muitas pessoas seguiram – e ainda seguem – acreditando que o sudário realmente esteve em contato com Jesus em sua morte,

Em 2015, pesquisadores italianos Barcaccia et al. publicaram um estudo na revista “Scientific Reports onde analisaram a presença de DNA humano e não-humano no sudário qundo foi aspirado em 1977 e 1988. Eles chegaram a resultados inusitados: vestígios de 19 táxons vegetais diferentes, incluindo plantas nativas dos países mediterrâneos, Europa Central, Norte da África, Oriente Médio, Ásia Oriental (China) e as Américas. Do DNAmit humano, foram encontradas sequências de várias etnias e regiões geográficas, incluindo Europa, Norte e Leste da África, Oriente Médio e Índia. Algumas sequências não-vegetais e não-humanas também foram detectadas, incluindo várias aves e uma atribuível a um verme marinho comum no norte do Oceano Pacífico, próximo ao Canadá. Segundo os cientistas, tal diversidade não exclui uma origem medieval na Europa, mas seria também compatível com o caminho histórico seguido pelo Sudário de Turim durante a suposta jornada do Oriente Médio.

O professor de química Luigi Garlaschelli, professor de química orgânica na Universidade de Pavia, anunciou em 2009 uma reprodução em tamanho real do Sudário de Turim usando apenas tecnologias medievais. Garlaschelli colocou uma folha de linho sobre um voluntário e depois esfregou-o com um pigmento ácido. A mortalha foi então envelhecida em um forno antes de ser lavada para remover o pigmento. Ele então adicionou manchas de sangue, chamuscados e manchas de água para replicar o sudário original (Garlaschelli, 2010). A conclusão era visivelmente semelhante ao Sudário de Turim, embora faltasse a uniformidade e os detalhes do original.

O rosto original do Sudário (esquerda) comparado com a imagem do sudário de Garlaschelli (direita)

Em 1976, Pete Schumacher, John Jackson e Eric Jumper analisaram uma fotografia da imagem do sudário usando um VP8 Image Analyzer, que foi desenvolvido para a NASA criar mapas de brilho da lua. Um mapa de brilho (visor isométrico) interpreta diferenças de brilho dentro de uma imagem com diferenças de elevação. Eles descobriram que, ao contrário de qualquer fotografia que analisaram, o sudário tem a propriedade de decodificar em uma imagem tridimensional, mas os pesquisadores não conseguiram reproduzir o efeito quando tentaram transferir imagens semelhantes usando técnicas de impressão em bloco (Heller, 1983).

Se o corpo morto de Jesus realmente produzisse as imagens no sudário, seria esperado que as áreas corporais que tocam o solo fossem mais distintas. Além disso, o braço e a mão direita da suposta imagem de Jesus são anormalmente alongados, levando-o a cobrir modestamente sua área genital, o que é fisicamente incompatível para a posição deitada de um corpo. As dobras e outras irregularidades não distorcem a imagem, o que é seria improvável de ocorrer se o tecido tivesse coberto de forma irregular de um corpo. Além disso, a aparência física de Jesus corresponde à iconografia bizantina (Raymond, 1985).

Este detalhe é um elemento fundamental para o caso do sudário de Turim. A imagem de Jesus vista no sudário corresponde a uma face europeia. A real face de Jesus era, evidentemente, de um judeu de sua época, sendo assim, provavelmente ele era moreno, baixo em estatura e mantinha os cabelos curtos, como os outros judeus de sua época.

Jesus segundo a reconstituição feita por Richard Neave.

A dificuldade em saber qual era a aparência de Jesus vem da própria base do cristianismo, a Bíblia, que nada relata sobre suas características. Nos evangelhos não há descrições físicas sobre ele. No ano de 2001, um documentário produzido pela BBC consultou um especialista forense em reconstruções faciais, o britânico Richard Neave, que chegou a uma imagem que pode ser considerada a mais próxima a da realidade utilizando três crânios datados do século I. Estes, correspondem a antigos habitantes da mesma região onde Jesus viveu, e utilizando modelagem 3D fez a reconstrução da face. Esqueletos de judeus dessa época mostram que a altura média era de 1,60m, com a grande maioria pesando cerca de pouco mais de 50 quilos. A cor da pele é uma estimativa pois os judeus da época eram biologicamente semelhantes aos judeus iraquianos dos dias de hoje: cabelos de castanho-escuros ou pretos, olhos castanhos e pele morena.

Outro elemento que complica a versão europeia de Jesus é que na Epístola aos Coríntios, Paulo destaca que “é uma desonra para o homem ter cabelo comprido“. Isto sugere fortemente que Jesus não tinha cabelos longos, como costuma ser retratado.

Para os romanos, o aspecto estético de um homem era ter a barba feita e cabelos curtos. Além disto, as primeiras iconografias conhecidas de Jesus datam do século III e traziam-no como um jovem filosofo sem barba e de cabelos curtos (BBC, 2018).

De fato, esta é uma das mais antigas representações de Jesus, presente em afresco na catacumba de São Calisto, em Roma. Lá, Jesus é mostrado como um bom pastor de pele bronzeada e roupas bem contemporâneas.

Figura de Jesus datada do meio do século III feitas em gesso nas Catacumbas de São Calisto, Roma, Itália onde ele é visto jovem, sem barba, carregando um cordeiro.

A representação de Jesus barbudo e cabeludo surgiu na Idade Média, quando era o auge do Império Bizantino. Diante do cenário, as representações de Jesus se aproximaram as características do reis e imperadores da época, um ser invencível. Uma vez que a Igreja Ocidental nunca criou normas sobre a representação de Jesus, os artistas agiram livres por longo dos séculos para representa-lo a seu modo. Sendo assim, há pinturas que representam um Jesus com uma face doce, barroca ou mesmo martirizado, como nas obras de Caravaggio ou Goya.

Os cristãos só puderam praticar sua religião com certa liberdade a partir do século 4, com a conversão de Constantino. Aliás, com a aprovação do Imperador, e com o apoio da rainha — Santa Teresa, que era extremamente devota —, vários poderosos se converteram também. Com isso, não demorou até surgirem artistas mais que felizes em criar figuras e quadros de Jesus, e eles certamente soltaram a imaginação, como no fresco abaixo

Em 1305, Giotto pintou um dos primeiros Cristos caucasianos na Capela delli Scrovegni, em Pádova, Itália.

Essa distância entre o Jesus “europeu” e os novos fiéis de países distantes foi reduzida na busca por uma representação bem mais aproximada, um “Jesus étnico”, segundo o historiador Chevitarese. Retratos de Jesus em Macau, antiga colônia portuguesa na China, mostram-no de olhos puxados, com a forma de se vestir própria de um chinês. Na Etiópia, há registros de um Jesus com feições negras (BBC, 2018).

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Santo Sudário, Sudário de Turim, Jesus, História, Igreja.

 

Referências

Baschera, Renzo (1998). Explicando o Santo Sudário 1 ed. Rio de Janeiro: Ediouro.
Busson, P. – Letter – Sampling error? – Nature, Vol. 352, July 18, 1991, p. 187.
Freer-Waters, R.A; Jull, A. J. T. “Investigating a Dated piece of the Shroud of Turin”, Radiocarbon 52, 2010, pp. 1521–1527.
Garlaschelli, L. (2010). “Life-size Reproduction of the Shroud of Turin and its Image”. Journal of Imaging Science and Technology. 54 (4): 040301.
Gove, H. E. (1990). “Dating the Turin Shroud: An Assessment”. Radiocarbon. 32 (1): 87–92.
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Heller, John H.; Adler, Alan D. (15 August 1980). “Blood on the Shroud of Turin”. Applied Optics. 19 (16): 2742.
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Herbermann, Charles, ed. (1913). “The Holy Shroud (of Turin)”. Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company.
Meacham, William (1983). “The Authentication of the Turin Shroud, An Issue in Archeological Epistemology”. Current Anthropology. 24 (3): 283.
Nickell, J; Live Science. Voice of Reason: The Truth Behind the Shroud of Turin.
Nickell, J: “Pollens on the ‘shroud’: A study in deception”. Skeptical Inquirer, Summer 1994, pp. 379–385
Picknett, Lynn e Prince, Clive (2008). O Sudario de Turim 1 ed. Rio de Janeiro: Record.
Presney, Júlio Marvizón (1998). O Santo Sudário. Milagrosa falsificação? 1 ed. São Paulo: Mercúrio
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Raymond E. Brown. Biblical Exegesis and Church Doctrine (Mahwah, NJ: Paulist Press, 1985), pp. 150–152
Rogers, R.N. (2001). Supportive comments on the Benford-Marino ’16 thcentury repairs’ hypothesis. British Society for the Turin Shroud, Shroud Newsletter 54, 28-33.
Rogers R.N. – Studies on the radiocarbon sample from the Shroud of Turin – Thermochimica Acta, Vol. 425, 2005, pp. 189-194.
Salvatore Lorusso, Chiara Matteucci, Andrea Natali, Tania Chinni, Laura Solla (2011). “The Shroud of Turin between history and science: an ongoing debate”. Conservation Science in Cultural Heritage. Vol 11, University of Bologna.
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